Enquanto corrijo uns testes de Geografia (com uma pausa pelo meio para lanchar) vou passando os olhos pela SIC-Notícias, onde está a dar em directo o programa "Opinião Pública" sobre as eleições no Benfica. Em relação a este tema tenho a fazer algumas considerações.
A primeira, sobre a forma estonteante como nos últimos dias a comunicação social tem dado destaque a este acto eleitoral, o que é bem elucidativo da grandeza do Benfica. Não me lembro de ter visto algo parecido em relação a actos eleitorais no Porto ou no Sporting. E, estas nem são as eleições mais renhidas da história do Glorioso...
Depois, estas eleições demonstram bem como o povo português parece viver do e para o futebol, tal é a forma como os ânimos ficam acesos quando adeptos de clubes diferentes conversam sobre os seus clubes. E se a discussão for entre um benfiquista e um portista, então os monólogos acentuam-se à tentativa de diálogo. E depois, ainda há os casos de adeptos do mesmo clube que discutem por tudo e por nada: situação claríssima no Benfica.
Certamente que quando forem as eleições para o Parlamento Europeu não haverá tanta conversa como a que ocorreu nestas eleições do Benfica. Já estou como o outro: assim se vê a força do Glorioso!
sexta-feira, outubro 31, 2003
Contra factos...
Pela primeira vez na recente história de Portugal no contexto da União Europeia (UE), o nosso país aparece como o mais pobre da UE, depois de este ano a Grécia ter ultrapassado o PIB/per capita português.
De quem é a culpa? Será de Portugal, que evoluiu mais lentamente que os outros países da UE ou estamos isentos de qualquer responsabilidade? E se for nossa, de que Governo é a culpa (PSD/PP ou PS?), ou será da falta de empenho dos partidos da oposição?
Opinar é fácil. Por isso, vamos aos factos. A Comissão Europeia refere no seu relatório de Outubro que entre 1988 e 1997, Portugal vinha a aproximar-se da média do rendimento da UE, mas desde há seis anos que o país diverge do rendimento gerado pela média dos Estados-membros. Ou seja, foi precisamente nos anos de (des)governação dos socialistas à frente dos destinos de Portugal que nos começámos a afastar dos nossos parceiros comunitários, o que demonstra bem como, nos tempos das "vacas gordas" em que o PS esteve no Governo, os nossos governantes não souberam incentivar a poupança. Pelo contrário, apelaram ao consumo desenfreado, fazendo com que o endividamento das famílias se tornasse incontrolável, disparando, assim, a diferença entre os índices de produção e de consumo.
Resumindo, em vez de termos aproveitado os tempos de bonança para aumentar o nosso PIB/per capita, andámos distraídos num consumismo acelerado, que impediu a poupança e afecta agora a nossa recuperação económica.
Será que ainda são necessários mais factos para que alguns distraídos metam na cabeça que foi o Governo de António Guterres que nos meteu nesta crise?
De quem é a culpa? Será de Portugal, que evoluiu mais lentamente que os outros países da UE ou estamos isentos de qualquer responsabilidade? E se for nossa, de que Governo é a culpa (PSD/PP ou PS?), ou será da falta de empenho dos partidos da oposição?
Opinar é fácil. Por isso, vamos aos factos. A Comissão Europeia refere no seu relatório de Outubro que entre 1988 e 1997, Portugal vinha a aproximar-se da média do rendimento da UE, mas desde há seis anos que o país diverge do rendimento gerado pela média dos Estados-membros. Ou seja, foi precisamente nos anos de (des)governação dos socialistas à frente dos destinos de Portugal que nos começámos a afastar dos nossos parceiros comunitários, o que demonstra bem como, nos tempos das "vacas gordas" em que o PS esteve no Governo, os nossos governantes não souberam incentivar a poupança. Pelo contrário, apelaram ao consumo desenfreado, fazendo com que o endividamento das famílias se tornasse incontrolável, disparando, assim, a diferença entre os índices de produção e de consumo.
Resumindo, em vez de termos aproveitado os tempos de bonança para aumentar o nosso PIB/per capita, andámos distraídos num consumismo acelerado, que impediu a poupança e afecta agora a nossa recuperação económica.
Será que ainda são necessários mais factos para que alguns distraídos metam na cabeça que foi o Governo de António Guterres que nos meteu nesta crise?
Eles que deixem estar o Ferrinho...
Na sondagem publicada hoje pelo Diário de Notícias, o PSD surge à frente nas intenções de voto com 44%, enquanto que o PS se fica pelos 37%, seguido da CDU, BE e, por último o PP. A grande novidade (só para os mais distraídos) desta sondagem é a verdadeira hecatombe que os socialistas sofrem, ficando muito atrás do PSD. Aliás, se fossem agora as eleições, por esta sondagem, quase que o PSD alcançava a maioria absoluta.
Das duas uma: ou os portugueses detestam Ferro Rodrigues (sobretudo depois do que veio a público através das escutas telefónicas) ou, então, muita gente já colocou as mãos na consciência e finalmente considerou que, se não fosse o Governo de Durão Barroso a crise que atravessamos ainda seria muito mais grave!!! Penso que as duas razões são bem evidentes...
Por esta altura, mutos sociais-democratas devem estar a rezar para que os socialistas deixem estar o Ferrinho à frente do PS por muitos e bons anos!
Das duas uma: ou os portugueses detestam Ferro Rodrigues (sobretudo depois do que veio a público através das escutas telefónicas) ou, então, muita gente já colocou as mãos na consciência e finalmente considerou que, se não fosse o Governo de Durão Barroso a crise que atravessamos ainda seria muito mais grave!!! Penso que as duas razões são bem evidentes...
Por esta altura, mutos sociais-democratas devem estar a rezar para que os socialistas deixem estar o Ferrinho à frente do PS por muitos e bons anos!
quinta-feira, outubro 30, 2003
O típico psiquiatra espertalhão...
O que tem vindo a ser noticiado nos últimos dias acerca do suposto psiquiatra de Bibi é elucidativo de como muitos psiquiatras são mais malucos que os seus próprios pacientes. O de Bibi tinha a mania de se armar em suposto ginecologista, aproveitando-se das suas pacientes sub-40. Cada vez me convenço mais que entre psiquiatras e curandeiros que apenas querem caçar dinheiro fácil aos pobres de espírito, venha o diabo e escolha...
Supostas mulheres...
O canal da Cabo Visão Odisseia, tem ao longo desta semana emitido uma série de documentários sobre os transsexuais, relatando situações concretas de homens que resolveram mudar de sexo e transformar-se em supostas mulheres. Estas reportagens demonstram bem como os transsexuais sofrem de uma doença que ainda não foi suficientemente estudada, mas que parece singir-se ao facto de o corpo destas pessoas não estar de acordo com o que vai dentro do seu cérebro. É como se o cérebro fosse o de mulher e o corpo o de um homem.
Nunca consegui compreender os comportamentos desviantes de homosexuais, bisexuais e transsexuais. Não sei qual destes comportamentos é o menos normal, mas, não é esta incompreensão que me leva a admitir ou a aceitar que a medicina seja utilizada como um meio para alterar o sexo de um ser humano.
A medicina deveria reger-se por uma ética que não deveria admitir este tipo de "aberrações": termos supostas mulheres que já foram homens. Fala-se muito na clonagem e nos seus usos indevidos, mas muitas vezes esquecemo-nos de outras situações que a medicina admite, mas que uma consciência responsável e moralmente ética deveria desprezar: a utilização de hormonas e de operações para transformar um homem numa suposta mulher.
Bem sei que criticar sem deixar soluções é tarefa fácil. Por isso, aqui deixo uma solução para os transsexuais: eles que aceitem o corpo que têm e mudem o que vai dentro do seu cérebro, em vez de optarem pelo contrário, que é uma atitude a roçar o anti-humano...
Nunca consegui compreender os comportamentos desviantes de homosexuais, bisexuais e transsexuais. Não sei qual destes comportamentos é o menos normal, mas, não é esta incompreensão que me leva a admitir ou a aceitar que a medicina seja utilizada como um meio para alterar o sexo de um ser humano.
A medicina deveria reger-se por uma ética que não deveria admitir este tipo de "aberrações": termos supostas mulheres que já foram homens. Fala-se muito na clonagem e nos seus usos indevidos, mas muitas vezes esquecemo-nos de outras situações que a medicina admite, mas que uma consciência responsável e moralmente ética deveria desprezar: a utilização de hormonas e de operações para transformar um homem numa suposta mulher.
Bem sei que criticar sem deixar soluções é tarefa fácil. Por isso, aqui deixo uma solução para os transsexuais: eles que aceitem o corpo que têm e mudem o que vai dentro do seu cérebro, em vez de optarem pelo contrário, que é uma atitude a roçar o anti-humano...
quarta-feira, outubro 29, 2003
O jogador
Pela terceira vez consecutiva, o advogado do famoso Bibi, conseguiu adiar o início do julgamento em que Carlos Silvino é acusado de vários crimes de abuso sexual de menores. O advogado do acusado, José Maria Martins (JMM), afirmou ontem aos orgãos de comunicação social, à saída do tribunal, que, como advogado, tem de se comportar como um jogador, definindo as estratégias necessárias que o ajudem a dar a volta ao jogo...
Com esta afirmação, JMM comporta-se como um indivíduo sem escrúpulos, exercendo o direito de defesa do seu constituinte sem respeito pelos demais intervenientes no processo, entre os quais as testemunhas, os restantes advogados, os juízes e até a população em geral, que tem uma grande expectativa relativamente ao normal desenrolar deste processo. Ora, JMM serve-se de todos os meios que estão à sua disposição para atingir os seus fins, que neste momento não parecem passar pela absolvição do seu cliente, mas apenas pelo adiamento do início do julgamento. Talvez à espera de uma prescrição ou da desistência das testemunhas...
A verdade é que este senhor tem fama, entre os seus colegas, de ter uma enorme falta de urbanidade e de agir, muitas vezes, de má fé, não se importando, minimamente, em, pelo menos, ser mais discreto nas estratégias que delinea no seu "jogo". Ontem, foi descarada a forma como deixou para os últimos segundos o incidente de recusa do juiz presidente do colectivo, o que demonstra com clareza a falta de vergonha deste senhor, que nos aparece em casa, através da televisão, com uma postura sobranceira, como se fosse o dono da verdade.
Será que a Ordem dos Advogados vai assistir, impávida e serena, à forma descarada como este senhor desprestigia a sua classe?
Com esta afirmação, JMM comporta-se como um indivíduo sem escrúpulos, exercendo o direito de defesa do seu constituinte sem respeito pelos demais intervenientes no processo, entre os quais as testemunhas, os restantes advogados, os juízes e até a população em geral, que tem uma grande expectativa relativamente ao normal desenrolar deste processo. Ora, JMM serve-se de todos os meios que estão à sua disposição para atingir os seus fins, que neste momento não parecem passar pela absolvição do seu cliente, mas apenas pelo adiamento do início do julgamento. Talvez à espera de uma prescrição ou da desistência das testemunhas...
A verdade é que este senhor tem fama, entre os seus colegas, de ter uma enorme falta de urbanidade e de agir, muitas vezes, de má fé, não se importando, minimamente, em, pelo menos, ser mais discreto nas estratégias que delinea no seu "jogo". Ontem, foi descarada a forma como deixou para os últimos segundos o incidente de recusa do juiz presidente do colectivo, o que demonstra com clareza a falta de vergonha deste senhor, que nos aparece em casa, através da televisão, com uma postura sobranceira, como se fosse o dono da verdade.
Será que a Ordem dos Advogados vai assistir, impávida e serena, à forma descarada como este senhor desprestigia a sua classe?
Era uma vez em Rabo de Peixe...
A revista Visão desta semana traz uma reportagem sobre a proliferação da droga em Portugal. São-nos dado a conhecer vários casos de localidades que estão a ser inundadas por este flagelo, entre elas uma vila que dista 10 Km de Ponta Delgada, nos Açores, de seu nome Rabo de Peixe.
Na revista afirma-se que, actualmente, o arquipélago dos Açores lidera as estatísticas nacionais de consumo de droga (número de toxicodependentes por cada 100 000 habitantes). É-nos relatada a situação que se vive em Rabo de Peixe, uma vila onde impera a miséria e onde a droga é familiar a todas as pessoas. Fica-se com a ideia que nos Açores, "o consumo de droga se democratizou".
Já tinha ouvido falar de Rabo de Peixe, como uma localidade onde o nível de educação está muito abaixo do mínimo exigível e onde os pais preferem ter uma parabólica em casa do que ter os filhos na escola. Fico agora a saber que é nos Açores que se localiza o maior reduto de consumo de droga em Portugal.
Quero apenas deixar aqui uma questão: que tem feito o Governo Regional dos Açores no sentido de tirar esta vila (conhecida na União Europeia como uma das localidades mais miseráveis da UE!) da pobreza em que os seus habitantes vivem?
Na revista afirma-se que, actualmente, o arquipélago dos Açores lidera as estatísticas nacionais de consumo de droga (número de toxicodependentes por cada 100 000 habitantes). É-nos relatada a situação que se vive em Rabo de Peixe, uma vila onde impera a miséria e onde a droga é familiar a todas as pessoas. Fica-se com a ideia que nos Açores, "o consumo de droga se democratizou".
Já tinha ouvido falar de Rabo de Peixe, como uma localidade onde o nível de educação está muito abaixo do mínimo exigível e onde os pais preferem ter uma parabólica em casa do que ter os filhos na escola. Fico agora a saber que é nos Açores que se localiza o maior reduto de consumo de droga em Portugal.
Quero apenas deixar aqui uma questão: que tem feito o Governo Regional dos Açores no sentido de tirar esta vila (conhecida na União Europeia como uma das localidades mais miseráveis da UE!) da pobreza em que os seus habitantes vivem?
terça-feira, outubro 28, 2003
O dedo na ferida...
Na entrevista de ontem à RTP, o Presidente da República (PR) deu a sua opinião acerca de variados assuntos, uns mais melindrosos (relação entre a política e a justiça), outros mais banais (Governo e União Europeia). No geral, Jorge Sampaio demonstrou aquilo que é e tem sido enquanto PR: uma figura independente e que não se comporta como um obstáculo à normal governação do país. Contudo, não evitou mandar algumas mensagens a Durão Barroso que servem de "puxão de orelhas".
Na sua entrevista, Sampaio afirma algo que constitui, sem dúvida, um alerta para uma área da governação que, nos últimos tempos, não tem tido dias fáceis. Refiro-me à educação, onde Sampaio afirma categoricamente que sem investimento na educação, não se potencia o desenvolvimento do país. Ora, neste último orçamento, referente a 2004, a despesa pública na educação sofre um abalo de cerca de 4%, o que, no entender de Sampaio é incompreensível.
Penso que o PR tocou na ferida que contamina este país. De facto, com um sistema de educação onde abunda a permissividade, a desordem, a instabilidade e um estado de espírito de angústia, não é fácil encontrar o caminho do desenvolvimento.
Na sua entrevista, Sampaio afirma algo que constitui, sem dúvida, um alerta para uma área da governação que, nos últimos tempos, não tem tido dias fáceis. Refiro-me à educação, onde Sampaio afirma categoricamente que sem investimento na educação, não se potencia o desenvolvimento do país. Ora, neste último orçamento, referente a 2004, a despesa pública na educação sofre um abalo de cerca de 4%, o que, no entender de Sampaio é incompreensível.
Penso que o PR tocou na ferida que contamina este país. De facto, com um sistema de educação onde abunda a permissividade, a desordem, a instabilidade e um estado de espírito de angústia, não é fácil encontrar o caminho do desenvolvimento.
segunda-feira, outubro 27, 2003
O regresso do Gugu...
Nos noticiários de hoje à noite tivémos a oportunidade de ouvir uma declaração do antigo Primeiro-Ministro António Guterres, proferida numa reunião da Internacional Socialista no Brasil. Gugu afirmou no seu discuro que, enquanto que a direita governa com base nos cálculos e tendo em vista interesses, a esquerda governa com a alma, com base em ideais.
Esta afirmação extremamente redutora de Guterres demonstra bem como ainda há pessoas (e não devem ser poucas!) que sofrem de tiques idealistas, confundindo a complexidade de governar com a simplicidade das ideologias políticas. Este síndrome, muito comum nos socialistas e comunistas portugueses, advém do facto da esquerda portuguesa não ter tido ainda a capacidade de se libertar do seu passado. Neste particular destacam-se os comunistas, que nem sequer o seu símbolo da foice e do martelo foram ainda capazes de alterar.
Em pleno século XXI, quando Portugal está de pedra e cal numa União Europeia, que se afirma como uma organização defensora da iniciativa privada e da livre concorrência entre Estados, regiões e empresas, sempre no benefício do cidadão comum, surpreende ver o nosso Gugu afirmar coisas tão disparatadas como esta teórica dicotomia esquerda-direita.
Não haverá ninguém que ensine ao Gugu que são, ou pelo menos devem ser os homens e não as ideologias que fazem a verdadeira política?
Esta afirmação extremamente redutora de Guterres demonstra bem como ainda há pessoas (e não devem ser poucas!) que sofrem de tiques idealistas, confundindo a complexidade de governar com a simplicidade das ideologias políticas. Este síndrome, muito comum nos socialistas e comunistas portugueses, advém do facto da esquerda portuguesa não ter tido ainda a capacidade de se libertar do seu passado. Neste particular destacam-se os comunistas, que nem sequer o seu símbolo da foice e do martelo foram ainda capazes de alterar.
Em pleno século XXI, quando Portugal está de pedra e cal numa União Europeia, que se afirma como uma organização defensora da iniciativa privada e da livre concorrência entre Estados, regiões e empresas, sempre no benefício do cidadão comum, surpreende ver o nosso Gugu afirmar coisas tão disparatadas como esta teórica dicotomia esquerda-direita.
Não haverá ninguém que ensine ao Gugu que são, ou pelo menos devem ser os homens e não as ideologias que fazem a verdadeira política?
domingo, outubro 26, 2003
Uma dívida estrondosa
Angola deve a Portugal mais de 2 mil milhões de dólares, quantia esta que se prepara para ser paga faseadamente através de um acordo estabelecido entre o Governo de Durão Barroso, que partiu hoje para Angola, e o Estado Angolano. Este valor, deveras exurbitante, não serviu, certamente, para o Governo de José Eduardo dos Santos, Presidente de Angola, o aplicar na melhoria da qualidade de vida dos angolanos. Pelo contrário, serviu sim para aguentar financeiramente uma guerra civil que durou longos anos e fez de Angola um dos países menos desenvolvidos do mundo.
Angola, que é um país com elevadas potencialidades de desenvolvimento, dada a sua riqueza em petróleo, ouro, marfim e outras matérias-primas, bem poderia estar melhor no contexto dos países africanos. Poderia ser uma outra África do Sul. No entanto, a guerra civil que Portugal, indirectamente, permitiu (e aqui teríamos de falar no péssimo processo de descolonização levado a cabo por Mário Soares) originou a ruína de Angola.
Esperemos que agora, em tempo de paz, Angola pague o que deve a Portugal e que os seus governantes saibam, de uma vez por todas, aplicar a riqueza que a terra lhes dá na efectiva melhoria do nível de vida dos angolanos.
Angola, que é um país com elevadas potencialidades de desenvolvimento, dada a sua riqueza em petróleo, ouro, marfim e outras matérias-primas, bem poderia estar melhor no contexto dos países africanos. Poderia ser uma outra África do Sul. No entanto, a guerra civil que Portugal, indirectamente, permitiu (e aqui teríamos de falar no péssimo processo de descolonização levado a cabo por Mário Soares) originou a ruína de Angola.
Esperemos que agora, em tempo de paz, Angola pague o que deve a Portugal e que os seus governantes saibam, de uma vez por todas, aplicar a riqueza que a terra lhes dá na efectiva melhoria do nível de vida dos angolanos.
Inauguração abençoada...
O primeiro jogo do Benfica no seu novo estádio realizou-se em noite bem molhada, esperando-se que seja, como diz o povo, sinal de que foi abençoada. Pelo menos, para o Nuno Gomes parece que o foi, pois marcar dois golos depois de tanto tempo ausente é um bom prenúncio para o futuro. É a quinta vitória seguida do Benfica, o que demonstra que a equipa parece estar mais entrosada, embora continue a subsistir o problema Argel.
Quanto ao estádio, pouco há a dizer: é uma verdadeira obra de arte, mas o pior vai ser pagá-lo, mas isso já é outra história...
Quanto ao estádio, pouco há a dizer: é uma verdadeira obra de arte, mas o pior vai ser pagá-lo, mas isso já é outra história...
sábado, outubro 25, 2003
Mais uma história da carochinha...
Começou hoje a ser vendido mais um livro do Harry Potter, essa personagem que tem levado tantos miudos e graúdos (e parece que os adultos não são poucos) a entrarem no mundo dos sonhos. Será que este sucesso editorial tem que ver alguma coisa com a crise que atravessamos desde há uns tempos. É que não consigo compreender o que leva tanta gente a ter a necessidade de se deixar levar por histórias da carochinha e do fantástico. Só me ocorre mesmo o desejo que muitos têm de esquecer a vida que levam...
Passar longas horas a ler cerca de 750 páginas de peripécias de pura ilusão será sintoma de que os portugueses andam a necessitar de consultar o psicólogo? Penso que sim.
É que há o risco de qualquer dia ainda começarmos a ver algumas pessoas (e não falo das criançinhas) armadas em bruxos ou mágicos com a vassoura de pau enfiada no meio das pernas ou noutro sítio, tal e qual como aquela figura enigmática, que dá pelo nome de Alexandrino, que costuma ir ao programa Herman SIC armado em vidente... Aliás, parece que a dita personagem já alguns tempos pensa que é o Harry Potter dos adultos!
Passar longas horas a ler cerca de 750 páginas de peripécias de pura ilusão será sintoma de que os portugueses andam a necessitar de consultar o psicólogo? Penso que sim.
É que há o risco de qualquer dia ainda começarmos a ver algumas pessoas (e não falo das criançinhas) armadas em bruxos ou mágicos com a vassoura de pau enfiada no meio das pernas ou noutro sítio, tal e qual como aquela figura enigmática, que dá pelo nome de Alexandrino, que costuma ir ao programa Herman SIC armado em vidente... Aliás, parece que a dita personagem já alguns tempos pensa que é o Harry Potter dos adultos!
De ameaçado a refém...
O espectáculo que o PS nos proporcionou nos últimos dias com a apresentação de uma suposta união entre socialistas em torno de Ferro Rodrigues, é, no mínimo, de rir! De facto, só quem não quer ver é que não se apercebe que o que domina actualmente o PS é uma verdadeira situação de "paz podre", onde a maior parte da comissão política se coloca, de má fé, ao lado do líder do PS.
Ferro Rodrigues é, sem dúvida, um líder a prazo, refém dos seus pares e sem qualquer capacidade dentro e fora do partido. Em vez do partido andar atrás dele, é ele próprio quem anda a reboque do partido.
Conclusão: só falta mesmo um candidato a líder do PS para que Ferro Rodrigues vá fazer companhia a Guterres no "quarto escuro" da política portuguesa...
Ferro Rodrigues é, sem dúvida, um líder a prazo, refém dos seus pares e sem qualquer capacidade dentro e fora do partido. Em vez do partido andar atrás dele, é ele próprio quem anda a reboque do partido.
Conclusão: só falta mesmo um candidato a líder do PS para que Ferro Rodrigues vá fazer companhia a Guterres no "quarto escuro" da política portuguesa...
sexta-feira, outubro 24, 2003
Sempre a abrir!
Este artigo, tendo em conta o título, podia facilmente relacionar-se com a questão que se tem verificado nos últimos tempos, de diversos automobilistas realizarem competições de velocidade na Ponte Vasco da Gama ou ainda com aquelas estúpidas corridas de carros em sentido contrário. Mas não, o presente artigo centra-se no facto de Durão Barroso ter dado a sua aprovação à construção do TGV em Portugal, com a primeira ligação externa a ligar o Porto a Vigo. Parece pois que Durão quer que os portugueses passem a andar a grande velocidade, mas em comboio.
Num tempo em que nos ultimos anos se têm fechado uma série de linhas férreas e em que andar de combóio equivale a, muitas vezes, ter de aguentar com atrasos brutais e velocidades de 80km/h, pensar no TGV, sem modernizar muitas das linhas férreas de Portugal é, mais uma vez, favorecer o litoral, em detrimento do interior. Destaco como exemplo o caso da cidade de Viseu, capital de distrito, que, já há alguns anos não tem transporte ferroviário, nem parece que vá ter nos próximos que aí vêm.
Cá para mim o TGV só vai mesmo beneficiar as duas maiores cidades de Portugal, permitindo uma mais rápida entrada dos turistas europeus que nos visitam. De resto, tendo em conta o traçado de que se fala (ligação a Madrid por Évora, sem paragem em cidades do interior) prevejo que o TGV ainda vá acentuar mais as assimetrias entre o litoral e o interior deste nosso Portugal.
Num tempo em que nos ultimos anos se têm fechado uma série de linhas férreas e em que andar de combóio equivale a, muitas vezes, ter de aguentar com atrasos brutais e velocidades de 80km/h, pensar no TGV, sem modernizar muitas das linhas férreas de Portugal é, mais uma vez, favorecer o litoral, em detrimento do interior. Destaco como exemplo o caso da cidade de Viseu, capital de distrito, que, já há alguns anos não tem transporte ferroviário, nem parece que vá ter nos próximos que aí vêm.
Cá para mim o TGV só vai mesmo beneficiar as duas maiores cidades de Portugal, permitindo uma mais rápida entrada dos turistas europeus que nos visitam. De resto, tendo em conta o traçado de que se fala (ligação a Madrid por Évora, sem paragem em cidades do interior) prevejo que o TGV ainda vá acentuar mais as assimetrias entre o litoral e o interior deste nosso Portugal.
De Bragança aos Açores...
Os Xutos & Pontapés têm uma música muito conhecida que diz que "de Bragança a Lisboa são nove horas de distância". Pois bem, seria agora tempo de reinventar essa música com o refrão "de Bragança aos Açores há meninas brasileiras". E isto, porque, depois do caso das meninas de Bragança, surge uma nova notícia, segundo a qual, a Polícia Judiciária acaba de desmantelar em Ponta Delgada uma rede que se dedicava ao tráfico de mulheres, que eram obrigadas a prostituírem-se em diversos locais de diversão nocturna. Pois bem, também os açoreanos andam fascinados com os dotes das meninas que vêm do outro lado do Atlântico!
É caso para dizer que os açoreanos também não querem ficar atrás naqueles aspectos com que Portugal se destaca no estrangeiro... Já estou a ver o diário Público daqui a uns tempos a noticiar na primeira página "Nova pronúncia açoreana com cheirinho a Brasil".
É caso para dizer que os açoreanos também não querem ficar atrás naqueles aspectos com que Portugal se destaca no estrangeiro... Já estou a ver o diário Público daqui a uns tempos a noticiar na primeira página "Nova pronúncia açoreana com cheirinho a Brasil".
Moda quê?
Ouvi hoje dizer que este fim de semana se vai realizar mais uma edição dessa coisa a que chamam "Moda Lisboa", desta vez dedicada ao desporto. Mais uma vez, uma série de entidades públicas (entre elas o Ministério da Cultura e a Câmara Municipal de Lisboa) vão financiar, com dinheiro dos contribuintes, mais uma sessão de passagem de modelos, que serve apenas para alguns e algumas estilistas da nossa praça mostrarem as suas criações, no mínimo "estapafurdias", onde os e as manequins aparecem com bocados de tecido pelo corpo, cabelos despenteados e acessórios desprovidos de qualquer sentido.
Ou seja, mais uma vez, vamos passar o fim de semana a assistir no final dos noticiários televisivos a uns excertos dessas passagens de modelos, cuja primeira pergunta que nos fazemos é a sempre "mas quem é que vai andar na rua com aquilo vestido?".
Não me importo que as "Fátimas Lopes" deste país participem nessas "Modas Lisboas", mas que o façam à custa do dinheiro dos nossos impostos é que já não me agrada. Ainda se fosse para, efectivamente, acrescentar algo à nossa moda e design, ainda vá que não vá. Mas, na prática ainda não vejo nada em Portugal que se assemelhe, ao menos, a uma sombra de marcas de prestígio como a Zara ou a Springfield.
É caso para dizer: moda da treta...
Ou seja, mais uma vez, vamos passar o fim de semana a assistir no final dos noticiários televisivos a uns excertos dessas passagens de modelos, cuja primeira pergunta que nos fazemos é a sempre "mas quem é que vai andar na rua com aquilo vestido?".
Não me importo que as "Fátimas Lopes" deste país participem nessas "Modas Lisboas", mas que o façam à custa do dinheiro dos nossos impostos é que já não me agrada. Ainda se fosse para, efectivamente, acrescentar algo à nossa moda e design, ainda vá que não vá. Mas, na prática ainda não vejo nada em Portugal que se assemelhe, ao menos, a uma sombra de marcas de prestígio como a Zara ou a Springfield.
É caso para dizer: moda da treta...
quarta-feira, outubro 22, 2003
Histórias açoreanas...
O gerente do Banco Comercial dos Açores (BCA) foi apanhado pela Polícia Judiciária, que descobriu que a dita pessoa se aproveitou do seu privilegiado lugar no banco para transferir à volta de um milhão de contos para diversas contas suas, espalhadas por alguns paraísos fiscais. É caso para dizer que o dito açoreano não se contentou com alguns milhares de contos e optou por se tentar apoderar de uma quantia algo "singela". No final, o tiro saiu-lhe pela culatra...
Também nos Açores, mas agora na área musical, surgiu à pouco tempo uma nova versão do Zé Cabra, de seu nome Sandro G, que lançou um CD com o sugestivo título de "Galinha". Não sei se este título se referirá a ele mesmo, mas basta apenas ouvir uma música deste açoreano para perceber que o mesmo não chega sequer aos calcanhares de um galo, tão mau é o seu jeito para cantar. O Zé Cabra ainda dava para rir, mas este nem isso...
Também nos Açores, mas agora na área musical, surgiu à pouco tempo uma nova versão do Zé Cabra, de seu nome Sandro G, que lançou um CD com o sugestivo título de "Galinha". Não sei se este título se referirá a ele mesmo, mas basta apenas ouvir uma música deste açoreano para perceber que o mesmo não chega sequer aos calcanhares de um galo, tão mau é o seu jeito para cantar. O Zé Cabra ainda dava para rir, mas este nem isso...
Um muro controverso!
Foi ontem votada na Assembleia Geral das Nações Unidas uma resolução contra a construção do muro de "protecção" que tem por objectivo separar fisicamente Israel da Cisjordânia e da Faixa de Gaza. Esta resolução teve 144 votos a favor, 4 votos contra e 11 abstenções, o que demonstra bem a opinião generalizada sobre este novo "muro de Berlim".
Esta é uma questão controversa, pois, por um lado é fácil imaginar como será viver em Israel sob a ameaça permanente dos atentados suicidas, mas, por outro ainda temos bem frescas na memória as imagens do muro que separava a RFA da RDA. No entanto, será a construção deste muro a forma mais correcta e eficaz de parar com o terrorismo que se vive em Israel? Duvido.
Por isso, continuo a pensar que nesta questão só haverá progressos quando acontecer o que ocorreu, por exemplo em Angola. Infelizmente, penso que será necessário esperar que Arafat "desapareça" para que haja progressos nesta questão...
Esta é uma questão controversa, pois, por um lado é fácil imaginar como será viver em Israel sob a ameaça permanente dos atentados suicidas, mas, por outro ainda temos bem frescas na memória as imagens do muro que separava a RFA da RDA. No entanto, será a construção deste muro a forma mais correcta e eficaz de parar com o terrorismo que se vive em Israel? Duvido.
Por isso, continuo a pensar que nesta questão só haverá progressos quando acontecer o que ocorreu, por exemplo em Angola. Infelizmente, penso que será necessário esperar que Arafat "desapareça" para que haja progressos nesta questão...
Um dia de aulas só para alguns...
As associações de estudantes universitários marcaram para hoje o primeiro dia de greve dedicado à luta contra as propinas. Pelo que ouvi na comunicação social verificou-se uma grande adesão por parte das faculdades, com excepção das três maiores Faculdades de Direito do país. A Antena 1 chegou a afirmar que, em Lisboa, no Porto e em Coimbra, os estudantes de Direito "não quiseram saber da greve para nada". Pelo contrário, nas Faculdades de Letras, as salas de aula encontravam-se vazias, mas os bares estavam cheios de alunos.
Conclusão: muitas vezes dá a entender que a questão das propinas é apenas um álibi para muitos estudantes passarem um dia na borga, sem se terem de preocupar com as aulas. Não será?
Conclusão: muitas vezes dá a entender que a questão das propinas é apenas um álibi para muitos estudantes passarem um dia na borga, sem se terem de preocupar com as aulas. Não será?
Uma explicação ingénua...
No caminho para casa, depois de um dia de trabalho, no noticiário das 22 horas da TSF ouvi os pontos principais da declaração que o Presidente da República (PR) deu a propósito das recentes confusões tidas entre o poder político e o poder judicial. O teor utilizado por Jorge Sampaio, falando em "novela judiciária" pareceu-me o equivalente a uma tomada de posição defensiva em relação à suspeita de personalidades do PS terem tentado, ou pelo menos pensado, em influenciar o PR a intervir no caso Paulo Pedroso.
Não me lembro de ter ouvido Jorge Sampaio pronunciar-se aquando de uma série de suspeitas que envolviam Paulo Portas no caso Universidade Moderna. Mas, agora, relativamente ao caso Paulo Pedroso, o PR interviu com uma declaração que tem como principal preocupação "tirar a água do seu capote". Para legitimar as suas palavras, Jorge Sampaio, ingenuamente, vem falar nos eleitores que votaram em si e que o "conhecem bem", dando a entender que é Presidente apenas de uma parte dos portugueses.
Sinceramente, acho que para dizer o que disse, mais valia a Sampaio ter ficado calado!
Não me lembro de ter ouvido Jorge Sampaio pronunciar-se aquando de uma série de suspeitas que envolviam Paulo Portas no caso Universidade Moderna. Mas, agora, relativamente ao caso Paulo Pedroso, o PR interviu com uma declaração que tem como principal preocupação "tirar a água do seu capote". Para legitimar as suas palavras, Jorge Sampaio, ingenuamente, vem falar nos eleitores que votaram em si e que o "conhecem bem", dando a entender que é Presidente apenas de uma parte dos portugueses.
Sinceramente, acho que para dizer o que disse, mais valia a Sampaio ter ficado calado!
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