quinta-feira, novembro 13, 2003

Ser-se discreto na política

No blog Bloguitica critica-se o facto de a Ministra dos Negócios Estrangeiros, Teresa Patrício Gouveia (TPG) nada ter dito ainda sobre a ida dos militares da GNR para o Iraque.
Penso que TPG apenas se está a comportar tal qual como a conhecemos: discreta e sóbria. E isto, porque a questão da ida da GNR para o Iraque nunca foi colocada pela Ministra, mas sim por Durão Barroso que desde o início da Guerra do Iraque seguiu este dossier bem de perto.
Assim, TPG apenas poderia vir agora dizer alguma coisa, caso a mesma se comportasse como se comportam, infelizmente, a maioria dos nossos políticos: com fome e ânsia de protagonismo. Mas, TPG, honra lhe seja feita, não sofre desse vício...

quarta-feira, novembro 12, 2003

Quando a bola atrapalha...

Acabei de assistir na RTP ao jogo entre o Marítimo e o Benfica (1-1) e fico incrédulo com os noventa minutos de pouco futebol que as duas equipas proporcionaram. Este foi, sem dúvida, o pior jogo do Benfica nesta temporada (acho que nem o empate merecia!), o que, a continuar assim (com tantos altos e baixos) deixa antever a conquista de mais um campeonato para o Porto... A não ser que...

Prenúncio angustiante...

A notícia com que hoje acordámos do atentado suicída em Nassíria não faz prever uma vida facilitada para os militares portugueses, que logo à noite partem para o Iraque. De facto, a situação, que se julgava calma nesta região do Iraque, tornou-se, com este atentado, complicada e os sentimentos de angústia, receio e susto devem estar a apoderar-se dos familiares destes militares destemidos.
Pede-se a todos nós, não apenas políticos, que sejamos compatriotas, louvando estes homens e mulheres que, em representação de Portugal vão dar o seu contributo no combate ao terrorismo internacional. Que venham de lá sãos e salvos...

Onde está o lí­der da oposição?

Com a entrevista que Ferro Rodrigues concedeu ontem à RTP ficou bem claro que o paí­s não tem, neste momento, qualquer lí­der da oposição. Efectivamente, o Secretário-Geral do PS passou grande parte da entrevista enrolado em questões sobre o escândalo da Casa Pia, esquecendo-se que o país não se resume à pedofilia. Ferro Rodrigues não soube conduzir a entrevista para questões como a crise económica, o Orçamento de Estado, o TGV, a educação ou a saúde em Portugal. Enfim, uma oportunidade perdida...
Com isto tudo, quem fica a perder é o PS e o próprio paí­s...

terça-feira, novembro 11, 2003

Intercidades esquecido...

Nestes últimos dias só sem tem falado do TGV e da futura ligação rápida a Espanha e ao resto da Europa. Nada tenho contra o trajecto, ou melhor, os vários trajectos escolhidos para fazer a ligação ferroviária de Portugal ao centro da Europa. Antes pelo contrário, penso que a decisão final é deveras vantajosa, tanto para o Porto, como para Lisboa.
Apenas me inconformo pelo facto de não se ter aproveitado esta ocasião para revitalizar um conceito algo esquecido e posto de parte nos últimos anos: as linhas ferroviárias de intercidades. Como é possível que algumas cidades de Portugal continuem a não ter uma ligação ferroviária decente, quer a Lisboa e ao Porto, como a Espanha? Falo dos casos de Bragança, Vila Real, Viseu (esta nem sequer tem linha ferroviária!), Portalegre ou Évora, que continuam a ver passar combóios lentos e que seguem às curvas até ao litoral.
Seria bom ter aproveitado esta ocasião para debater um pouco a rede ferroviária convencional portuguesa. Mas, mais uma vez privilegiou-se o litoral e esqueceu-se o interior de Portugal...

segunda-feira, novembro 10, 2003

Um homem revoltado e fora de tempo...

Álvaro Cunhal fez hoje 90 anos. Na mais recente intervenção do militante comunista português mais conhecido da actualidade, fica-se com a ideia que Cunhal é um homem desiludido com o presente da sociedade em que vivemos e revoltado com o percurso do seu partido de sempre.
Cunhal afirma que o mundo, por influência dos E.U.A. seguiu o rumo errado da globalização imperialista e que para contrariar esta evolução, os trabalhadores se devem unir, seguindo o exemplo dos "paí­ses nos quais os comunistas estão no poder (China, Cuba, Vietname, Laos, Coreia do Norte) e que insistem na construção de uma sociedade socialista". Depois de se referir elogiosamente a estes países comunistas, Cunhal destaca os sindicatos como a força capaz de aglutinar os trabalhadores em torno da luta anti-capitalista. Só depois se refere aos partidos comunistas como a forma de impedir o alastramento da globalização.
Ora, quando Cunhal vem aceitar regimes como o da Coreia do Norte ou do Laos, onde o povo é obrigado a seguir um rumo onde não foi nem é tido nem achado, não há que dar palmadinhas nas costas de Cunhal só por este ter a idade que tem ou por seguir as suas convicções de sempre, como muitos colunistas e comentadores têm feito nos últimos dias. Apesar da sua idade penso que não há que ter medo em condenar Cunhal por este não ter tido ainda a lucidez de constatar que o rumo levado a cabo por países como a Coreia do Norte não leva de todo à satisfação das necessidades da população. Muito pelo contrário, a Coreia do Norte é o exemplo claro de como o comunismo mais puro e ortodoxo leva à miséria e à pobreza...
Por outro lado, Cunhal parece desiludido com o destino dos partidos comunistas dos paí­ses onde impera a democracia (caso do PCP em Portugal) quando afirma que o povo se deve apoiar nos sindicatos e só depois nos partidos, para combater o liberalismo económico. Será um recado para Carvalhas?

domingo, novembro 09, 2003

Sampaio castelhano

Ontem, no noticiário da SIC Notícias, assisti a uma reportagem da recente visita de Sampaio a Espanha, onde o nosso Presidente da República (PR) aparecia a falar castelhano perante uma plateia de políticos e empresários espanhóis. Porventura foi impossível arranjar um tradutor por terras do nosso país vizinho, se é que era necessário traduzir a língua portuguesa para castelhano...
Que autoridade tem o nosso PR para vir apelar aos valores nacionais quando ele próprio não dá o exemplo e chega a Espanha a falar numa língua que não é a sua? Nunca vi o Rei de Espanha ou o Primeiro Ministro espanhol chegarem a Portugal e falarem a nossa língua. E mesmo que visse não mudava a minha opinião em relação a esta matéria.
Às vezes, Sampaio entra em contradições ingénuas que apenas confirmam que Sampaio não é nenhum "anjinho" como muitos pensam...

Puxão de orelhas e esfregar de mãos...

Ferro Rodrigues resolveu hoje puxar as orelhas aos seus "inimigos internos", referindo-se a eles (João Soares e Manuel Maria Carrilho) na conferência de imprensa que deu em directo nos noticiários da noite, como sendo personalidades que, ora hoje dizem uma coisa, como amanhã dizem outra. O líder do PS lembrou que foram estes dois militantes que, há uns meses atrás, afirmaram que Ferro Rodrigues não poderia ficar quieto e calado ao ataque que estava a ser feito ao PS.
Pois bem, parece que o líder do PS quer ficar a todo o custo à frente do partido até às próximas eleições, mesmo que isso lhe custe o agudizar do mal-estar dentro do PS. Mais uma vez, Durão e Portas devem estar a esfregar as mãos de contentes...

sábado, novembro 08, 2003

Centros históricos

A Câmara Municipal de Viseu decidiu estabelecer regras algo contraditórias no acesso de veículos ao centro histórico de Viseu, impedindo a sua entrada nas noites que vão de segunda a quinta feira e permitindo, pelo contrário, que a zona histórica da Sé seja invadida por carros ao fim-de-semana.
Que lógica tem esta medida? A de facillitar a confusão nas noites de sexta-feira e sábado no centro histórico ou a de fazer um piscar de olhos aos eleitores mais jovens que frequentam os bares da zona da Sé?
É no mínimo contraditório assistir a este facilitismo eleitoral, quando muitas das outras cidades portuguesas com centros históricos andam a fazer precisamente o contrário do que é feito em Viseu. Sinal de provincianismo?

O regresso de Monteiro...

Realiza-se durante este fim-de-semana o congresso fundador do Partido da Nova Democracia (PND), liderado por Manuel Monteiro. A forma apressada como foi criada esta nova agremiação partidária parece dar a entender que serve apenas para juntar os excluídos do PP à volta de Monteiro, por forma a conseguí-lo eleger para algum cargo polí­tico, seja o de deputado europeu, ou quiçá o de deputado na Assembleia da República.
Monteiro tem fome de política e tudo irá fazer para se "vingar" de Paulo Portas. Este novo partido multifacetado, pois não se sabe se é de esquerda, do centro ou de direita, tem como principal objectivo "roubar" votos aos populares já nas próximas eleições europeias.
Resta saber se Monteiro irá conseguir convencer eleitores suficientes para atingir um resultado que lhe permita fazer-se eleger para o Parlamento Europeu. Cá para mim, nem 1% irá conseguir. Vai uma aposta?

sexta-feira, novembro 07, 2003

Sintoma de pequenez...

Ontem, tanto a RTP como a TVI, transmitiram em directo, por volta das 11 horas da manhã, o pedido oficial de noivado do Príncipe das Astúrias, Felipe de Bourbon, com a jornalista espanhola Letizia Ortiz Rocasolano. É triste depararmo-nos com mais este exemplo da nítida pequenez que envolve grande parte da nossa comunicação social, que resolveu transmitir em directo um acontecimneto que nada tem a ver com Portugal. Claro que isto só ocorreu porque o acontecimento teve audiências, o que prova como anda o povo português, mais interessado com o que acontece à família real espanhola do que aos assuntos internos de Portugal.
Imagine-se como se comportarão as nossas televisões quando for o casamento do dito casal...

Marcas estrangeiras?

Sabiam que é numa fábrica de Braga que se confeccionam os casacos e calças de marcas como a Massimo Dutti, Paul Smith, Cyrilus ou Charles le Golf? Pois é, andam muitos dos portugueses a comprar roupa de marca a preço de ouro, pensando que é produto made in Italy ou made in France e ignorando que as mesmas são produzidas por trabalhadoras portuguesas que se fartam de trabalhar para recebem salários de 350 euros por mês.
Pois é, a verdade é que muitas das marcas que julgamos estrangeiras, são mais portuguesas do que pensamos...

quinta-feira, novembro 06, 2003

Matrix, Potter e Companhia, Lda.

Nos últimos tempos, o que parece estar em moda nas salas de cinema mundiais (Portugal incluído) é a proliferação de filmes que impelem o espectador para o mundo do imaginário, seja para a chamada ficção científica do fantástico (tipo Matrix), seja para o "país das maravilhas potterianas".
Pelos vistos, Holliwood já se apercebeu que o público cinéfilo não está virado para filmes que dêm muito que pensar. Pelo contrário, opta-se cada vez mais pelos filmes do género fast-food, em que o espectador se senta confortavelmente no seu lugar e olha para a tela durante duas horas para ver cenas de pura ilusão, muitas delas feitas em computador e em que as personagens de carne e osso são substituídas por criaturas dotadas de poderes mágicos.
Já o aqui disse uma vez: esta situação não será sintoma de que o público cinéfilo anda a precisar de uma reciclagem ou de uma consulta no psicólogo?

quarta-feira, novembro 05, 2003

Para protestar já se mexem...

Muitos daqueles estudantes que estão nas Universidades Públicas e que hoje se manifestaram por o Governo aumentar os valores das propinas, são os mesmos que nas noites de quarta e quinta feira embarcam imperiais e shot`s nos bares e discotecas de Lisboa, Porto, Coimbra, Évora, Braga, Covilhã, etc e enchem os recintos das festas académicas...
É irónico ver estes alunos gritarem tanto contra as propinas e ficarem calados em relação à acção social e à lei das prescrições. E isto, certamente porque, muitos daqueles que se mexem para se manifestarem são os mesmos que não têm acesso a bolsas de estudo por via dos bons ordenados que os pais auferem ou por já terem sete ou oito matrículas.
Esses meninos que estudem...

Alfacinhas ou tripeiros?

Durante o jantar que hoje tive com uns colegas, tivémos uma conversa animada sobre as semelhanças e diferenças que existem entre as pessoas de Lisboa e do Porto. A única conclusão a que chegámos é que as diferenças são bem maiores que as semelhanças. Enquanto que uns defendiam a ideia de que os alfacinhas são mais calorentos na recepção aos de fora que os do Porto, outros afirmavam que os tripeiros são menos dicriminatórios que os de Lisboa.
Vivi em Lisboa vários anos, onde tirei o curso superior, e sou visita habitual na capital onde tenho família, e, pela experiência aí adquirida, penso que os lisboetas são extremamente hospitaleiros, até porque muitos daqueles que vivem em Lisboa são oriundos de outras regiões do país.
Quanto ao Porto, apesar de não conhecer tão bem a cidade, penso que os seus habitantes têm mais dificuldades em receber um forasteiro, sobretudo se for de Lisboa, especialmente devido ao síndrome de inferioridade de que muitos padecem, aliado ao fanatismo clubista de muitos tripeiros (que se deixam levar pelo discurso inflamado de Pinto da Costa).
Enfim, Lisboa e Porto são cidades muito diferentes. Ora, como são as pessoas que fazem as cidades, logo é lógico pensar que alfacinhas e tripeiros têm posturas e maneiras de ser bem distintas. Quanto a mim, continuo a preferir a cultura alfacinha à cultura tripeira!

Negócio da treta

O agora deputado João Cravinho, ex-Ministro das Obras Públicas do Governo PS, negociou, durante o seu mandato, com algumas empresas de obras públicas, a adjudicação da construção e manutenção das denominadas auto-estradas SCUT`s (Sem Custos para o Utilizador), também conhecidas pelas auto-estradas das portagens virtuais.
Ontem, no Parlamento, Durão Barroso elucidou-nos dos custos deste verdadeiro negócio da treta: as despesas para os cofres do Estado (onde residem os dinheiros dos nossos impostos) seriam em 2004 de 44 milhões de euros, mas subiriam logo em 2005 para 253 milhões de euros e até 2031 os encargos atingiriam os 15 mil milhões de euros.
Mais uma vez, fica bem demonstrada a actuação do Governo de Guterres: "nós fazemos e o próximo Governo que pague". O que vale é que Durão Barroso já anunciou que vai acabar com o financiamento destas SCUT`s...

terça-feira, novembro 04, 2003

Prenda de aniversário

Ferro Rodrigues comemorou ontem os seus 54 anos e João Soares quis presenteá-lo com a boa nova de que se prepara para candidatar a líder do PS. Se o PS com Ferro Rodrigues já é uma miséria, imagine-se com o "Bochechas" júnior!

Crueldade Intolerável

Assim se intitula o filme que está a passar em algumas salas de cinema de Portugal e que assenta que nem uma luva àquele tipo de mulheres que apenas ligam ao dinheiro e a todos os advogados que veem a justiça como um jogo de boxe...
Neste filme, onde impera a ironia, ficamos com a ideia de como na nossa sociedade os advogados são vistos como uns indivíduos que entram numa sala de audiências tal qual como dois pugilistas que se soqueiam um ao outro num ringue de boxe. Tudo vale para defender a pele do cliente, desde que este pague bem: arranjam-se umas testemunhas fictícias, descobrem-se os "podres" do adversário, inventam-se uns álibis, etc.
Depois, o realizador Joel Coen mostra-nos como a mulher se equipara muitas vezes a um ser que tem como principal anseio ter dinheiro e independência. Este retrato faz lembrar sobretudo as nossas "Cinhas Jardins" de Cascais, que todas as semanas aparecem nas revistas cor de rosa evidenciando uma figura de mulheres ricas, poderosas e livres de embecílhos (que é como quem diz, de homens).
Enfim, um filme excelente para advogados e tias se aperceberem da imagem que têm na sociedade...

segunda-feira, novembro 03, 2003

O custo de haver lobbies...

O Ministro da Saúde reconsiderou hoje que o díficil estado da Saúde em Portugal se deve, em parte à falta de médicos. Grande novidade?! No entanto, esta afirmação tem a vantagem de vir demonstrar, por um membro do Governo, o poder excessivo que alguns lobbies detêm no nosso paí­s.
Reporto-me, por exemplo, à Ordem dos Médicos, que tudo tem feito para que saiam por ano das nossas Universidades poucos licenciados em Medicina, com o objectivo de, facilmente fazer chantagem com o Governo e conseguir excessivas benesses para a sua classe profissional. É claro que interessa à Ordem dos Médicos que haja falta de médicos em Portugal para, assim exigir do Governo o que quiser para os seus profissionais: ordenados elevados, redução da carga horária, pagamento exurbitante das horas extraordinárias, reformas antecipadas, facilidade na abertura de consultórios privados, etc, etc.
Este é só um exemplo de como os lobbies são efectivamente prejudiciais para a qualidade de vida do povo português...

O combate à fuga fiscal

Depois de nos últimos anos se ter falado tanto no combate à fuga fiscal, a Ministra das Finanças finalmente deu luz verde para que no Orçamento de Estado (OE) de 2004 seja introduzida possibilidade do cruzamento de dados entre o Fisco e a Segurança Social. Manuela Ferreira Leite afirmou hoje que já dispõe de legislação que sustenta esta medida, e que pode aplicá-la já no OE do próximo ano. Para tal só precisa da autorização da Assembleia da República, o que se espera que seja dada sem grandes trubulências, a não ser que a oposição se comporte de forma irresponsável. Mas, nesta oposição já nada me admira...
Ainda há poucos dias tive uma conversa animada com uns amigos meus sobre este "cancro" que mina a vida sócio-económica portuguesa e que é causadora de verdadeiras injustiças entre os trabalhadores por conta de outrém e os trabalhadores por conta própria: a fuga ao pagamento dos impostos. Um desses meus amigos disse não acreditar que esta medida viesse a ser aplicada por este Governo. Pois bem, parece que se enganou e que, afinal vai ser mesmo um Governo de direita a aplicar uma medida tida como de esquerda. Mas, que importam as diferenças ideológicas entre esquerda e direita, quando o que está em causa é a defesa da igualdade dos contribuintes perante a Lei.
E ainda dizem que este Governo não pugna pela justiça fiscal...