sexta-feira, novembro 21, 2003

Serão eles coerentes?

Acabo de ler no Público que o presidente da Associação Académica de Coimbra, Vítor Salgado, admitiu ontem que a Queima das Fitas de Coimbra do próximo ano poderá não se realizar, a exemplo do que aconteceu entre 1969 e 1980, como forma de protesto contra o aumento das propinas.
Não concordando com a maior parte das acções protagonizadas por este senhor e seus camaradas, nomeadamente o fecho a cadeado das portas da Universidade de Coimbra, penso que, caso os universitários que são contra as propinas, optem por esta forma de protesto, estarão a dar uma imagem de que, pelo menos são coerentes e convictos nas suas ideias. Caso contrário, passará a ideia de que estes manifestantes tudo fazem para não terem aulas, mas quanto a festas e paródias são os primeiros a alinhar.
Ontem Pacheco Pereira escreveu um excelente artigo sobre o que nas últimas semanas se tem passado em Coimbra, criticando muito bem a passividade das autoridades face ao desrespeito de alguns alunos universitários pela Universidade e seus alunos, professores e funcionários.
Estou com curiosidade para ver se estes pseudo-estudantes terão a coerência de não participarem na Queima das Fitas de Coimbra. Até lhes dou um conselho de borla: que façam greve a metade das bebedeiras e saídas à noite previstas e aproveitem esse tempo para estudarem!

quinta-feira, novembro 20, 2003

Excessos de trafulhices...

Segundo o Público, o Presidente do Supremo Tribunal Administrativo (STA) criticou ontem o "uso abusivo de procedimentos" por parte dos advogados, no sentido de protelarem injustificadamente os processos a decorrer em tribunal.
Ou seja, quem conseguir arranjar um advogado trafulha que se dê ao trabalho de desenvolver todos os meios para adiar os julgamentos até é capaz de se safar, enquanto que os que têm pouco dinheiro e são obrigados a recorrer a advogados oficiosos se sujeitam a ter uma defesa de segunda mas talvez mais justa.
Em relação ao que o Presidente do STA afirmou, só acrescentaria que já é hora de pôr ordem neste tipo de advogados que usam e abusam destas trafulhices...

Uma nova ideologia...

Todos sabemos que a discussão acerca das ideologias está cada vez mais em desuso. Afirmar-se hoje em dia que se é de esquerda ou de direita já não faz muito sentido, quando vivemos num mundo cada vez mais global e quando Portugal tem de se sujeitar às directivas da UE.
Outro problema dos nossos dias é o facto de as pessoas actuarem cada vez mais de forma individualista, preocupando-se apenas com os seus problemas e desprezando os conceitos de sociedade e de solidariedade. A esta nova forma de pensar chamar-lhe-ia a ideologia do "umbiguismo", com cada um dos intervenientes a olhar apenas para o seu próprio "umbigo".
O bem-comum é um conceito decadente e que, infelizmente, faz menos sentido, numa sociedade que é crescentemente egoísta e egocêntrica.
Isto a propósito de uma conversa que hoje tive com um amigo meu acerca dos aumentos salariais. Não me choca nada que haja maiores aumentos para aqueles que menos ganham, em contraponto com aqueles que têm vencimentos mais elevados. É o que está previsto para o próximo ano e acho muito bem...

quarta-feira, novembro 19, 2003

Uma questão de falta de educação...

Muito se escreveu e disse hoje a propósito do balneário destruído pelos jogadores da selecção portuguesa sub-21, depois do importante jogo de ontem com a França. Houve quem criticou, quem desculpabilizou e até houve aqueles que elogiaram a atitude dos jovens jogadores.
No noticiário das 21 horas da SIC-Notícias ouvi a opinião do jornalista David Borges, que reflectiu sobre esta questão de forma um pouco mais abrangente. Afirmou ele que a juventude portuguesa está, nos últimos tempos, a tomar atitudes que demonstram uma enorme falta de educação.
E, de facto, reflectindo um pouco chega-se facilmente à conclusão que, ultimamente, se têm multiplicado os exemplos de como a nossa juventude parece não querer largar o "cognome" de rasca. Temos o caso dos jovens universitários de Coimbra que se comportam como se fossem donos da Universidade, o caso das claques de futebol que parecem querer apenas fomentar a confusão, o caso de muitas crianças que em casa desrespeitam os pais e que nas nossas escolas desrespeitam os seus professores, o caso dos bandos de jovens que assaltam combóios e agridem polí­cias, entre muitos outros exemplos que poderiam ser dados. Claro que nem toda a juventude é ruim, mas parece-me que os bons exemplos são cada vez mais escassos.
É caso para dizer que, caso Salazar se levantasse do túmulo e visse o estado a que chegou a (má) educação e o respeito em Portugal, nem se acreditaria...

terça-feira, novembro 18, 2003

Greve à vista...

Os Sindicatos da Função Pública convocaram uma greve para a próxima sexta-feira, para a qual prevêem uma forte adesão por parte dos trabalhadores. Segundo eles, esta é uma greve de contestação à política do Governo, que afirmam ser de completa desvalorização dos serviços públicos.
Apesar de ser professor não vou fazer greve, pois penso que não é com greves que se resolvem problemas. E, neste caso em particular, até penso que os funcionários públicos são dos poucos profissionais que se podem queixar, tendo em conta o rol de regalias de que usufruem, em comparação com os demais trabalhadores da esfera privada. Basta lembrarmo-nos daqueles trabalhadores da industria têxtil ou vidreira, que passam dez horas por dia a trabalhar em frente a uma máquina para receberem uns míseros 400 euros por mês. Aí­ sim, os sindicatos deveriam mexer-se mais...
Deixo aqui apenas alguns exemplos das regalias dos funcionários públicos, como aqueles que trabalham nas Câmaras Municipais, nas Finanças, nos hospitais ou nas escolas: horários reduzidos em relação à média das demais classes profissionais, possibilidade de faltarem cerca de dez dias por ano, sem desconto no vencimento, assistência médica, através da ADSE, e muitas outras regalias...
Não serão estas regalias a mais em relação ao chamado "proletariado", que os sindicatos tanto afirmam defender? E, já agora, outra pergunta: porque é que as greves são sempre marcadas para a sexta-feira?

A policia portuguesa

Segundo números do Ministério da Administração Interna, em Portugal os polícias abusam do uso das armas de fogo quando se trata de fazer perseguições. Segundo o Público, este ano morreram seis pessoas na sequência de intervenções policiais com recurso a arma de fogo, quatro das quais em situações de perseguição automóvel.
Ora, nos noticiários de hoje já se veio criticar a polícia portuguesa por querer imitar os policias dos filmes de Hollywood. Em Portugal, ora se diz mal da policia por "não fazer nada", ora se critica por matar ao desbarato e em exagero. Acho que são criticas que não correspondem à verdade dos factos. No entanto, face às criticas de hoje, das duas uma: ou queremos uma força policial que use, sem abusar, dos meios de que dispõe para defender a ordem pública, ou pugnamos por uma PSP "mansinha" que intervenha com cautela redobrada.
Por mim, prefiro uma PSP que passe para a opinião pública a imagem de que é, efectivamente, uma força de segurança, que prima pela ordem e pelo bem-estar das populações, fazendo uso efectivo dos meios de que dispõe. Talvez assim, os assaltantes deste país passem a temer a polícia portuguesa, em vez de a "gozarem", como acontece actualmente.

segunda-feira, novembro 17, 2003

Uma inauguração folclórica...

A maneira como ontem a RTP passou de uma estação de televisão de interesse público para uma estação televisiva folclórico-regionalista, associando-se de forma quase paternalista à inauguração do Estádio do Dragão, apenas demonstra como se pode transformar uma cerimónia que se pensava poder ser sóbria e elegante num espectáculo provinciano. A acrescentar a este folclore mediático houve todo um rol de declarações de Pinto da Costa, que apenas demonstram aquilo em que ele se tornou: um líder regional que deita, qual dragão encapuçado, "línguas de fogo" sobre tudo o que cheira a Lisboa e a Rui Rio.
Aqui deixo um artigo elucidativo do Director do Expresso sobre esta questão.

domingo, novembro 16, 2003

A Iraquização

Excelente o artigo de Jorge Almeida Fernandes no Público, sobre a viragem na estratégia dos E.U.A. em relação à questão iraquiana. Através deste artigo ficamos a perceber melhor as razões que levaram os E.U.A. a desenvolver esforços no sentido de apressarem a democratização do Iraque.
Em suma, aquilo que se pensava ser o pós-guerra não se concretizou e o plano norte-americano teve de ser rapidamente revisto. Agora, há que continuar em frente e ultrapassar as dificuldades. Apenas, as "avestruzes" escondem a cabeça debaixo da terra...

Os portugueses e a selecção de futebol

O povo português anda desconfiado da nossa selecção de futebol. Por um lado, as últimas exibições da selecção parecem não ser convincentes na ideia de que Portugal poderá ir longe no Europeu de 2004. Por outro lado, Scolari constitui "persona non grata" para alguns dirigentes do nosso futebol (caso de Pinto da Costa), que aproveitam qualquer resultado menos bom para mandarem "bocas" ao seleccionador. Como resultado, os portugueses, que nos últimos jogos da selecção até têm enchido os estádios, não poupam nos assobios aos jogadores e a Scolari. Foi o que aconteceu ontem no jogo com a Grécia: o público foi hóstil com a selecção e não "puxou" pelos nossos jogadores.
Mas, há males que vêm por bem. Penso que mais vale ir para o Europeu com poucas expectativas e a pensar em baixos voos, do que repetir-se o que aconteceu na Coreia do Sul...

Aproveitamentos políticos...

Não gosto nada quando os políticos se servem de circunstâncias alheias para tentarem retirar aproveitamentos políticos. Foi o que aconteceu agora com o caso do rapto do jornalista Calrlos Raleiras. Por um lado, Durão Barroso veio com a informação da libertação do jornalista em primeira mão, dando a entender que foi graças apenas ao seu Governo que tudo acabou pelo melhor. Por outro lado, também Ferro Rodrigues veio com uma declaração emotiva, culpando o Governo pelo rapto e afirmando que em vez dos italianos, poderiam ter sido os portugueses a apanhar com as consequências do recente atentado terrorista em Nassíria.
Penso que, em relação a este assunto mais valia que Durão Barroso e Ferro Rodrigues tivessem ficado calados, em vez de terem dito o que disseram. Ás vezes, o silêncio é de ouro...

sábado, novembro 15, 2003

Falta de consciência

Maria João Ruela, a jornalista da SIC envolvida no ataque de um grupo de iraquianos a repórteres portugueses, justificou a situação ocorrida (da qual resultou o rapto de um jornalista da TSF) com a falta de consciência que os jornalistas tinham do risco real que pressupunha entrarem em território iraquiano.
Agora não vale a pena deitar as culpas para cima do Governo de Durão Barroso, como já o fez Ana Gomes, do PS. Quanto muito, há que imputar responsabilidades para as estações de televisão, rádios e jornais, que enviam os seus repórteres para uma terra hóstil, sem as mí­nimas condições de segurança.
Esperemos que com o repórter da TSF tudo corra pelo melhor...

sexta-feira, novembro 14, 2003

Agradecimentos

De vez em quando faz bem ao nosso ego sermos criticados, seja pela positiva ou negativa. Tanto faz, desde que seja a bem da liberdade de expressão e do confronto de opiniões. Os meus agradecimentos ao Aviz, à Periférica, ao Portugal Profundo, ao Bloguitica e a todos aqueles que têm comentado alguns dos meus artigos.

Grande novidade!!!

O Jornal de Notícias refere que a Inspecção-Geral da Saúde chegou à maior "descoberta" dos últimos tempos: afinal, sempre existem ligações entre as multinacionais farmacêuticas e os médicos. Que se seguirá agora? Algum médico ou director da Bayer vai ser acusado ou condenado?
E depois o povo queixa-se que a justiça não funciona...

Mais um disparate de Júdice

O Bastonário da Ordem dos Advogados, José Miguel Júdice, não se cansa de dizer disparates. Desta vez, lembrou-se de afirmar à revista Visão que "o processo Casa Pia foi inventado pelos jornalistas". Será que Júdice ainda não se apercebeu da barbaridade que proferiu, pondo em causa a honra das vítimas do caso de pedofilia da Casa Pia?
Coincidência ou não, nesta edição da revista Visão, em que Júdice entra em defesa do líder do PS, vem também publicada uma entrevista a Ferro Rodrigues. Penso que são coincidências a mais...
Dá a entender que Júdice e Ferro têm muito mais em comum, para além dos dois se andarem a desmultiplicar em declarações disparatadas... Que saberão eles que muitos de nós apenas desconfiamos?

"Comigo não..."

Celeste Cardona, Ministra da Justiça, foi firme quando ontem afirmou à RTP que não tolera a introdução de salas de chuto nas prisões portuguesas. No entanto, faltou à Ministra pronunciar-se sobre as alternativas que defende para acabar com um flagelo que afecta vários milhares de presidiários portugueses.
Não se compreende que toxicodependentes entrem nas prisões portuguesas e que nada ou muito pouco seja feito para os tratar. Mais do que presidiários, deveriam ser considerados como doentes a necessitar de tratamento. Por isso, penso que considerar a introdução de salas de chuto é optar por um caminho, mas que é o mais fácil... Em certas matérias, é melhor ir pela via mas dífícil, mas mais valorativo em termos humanos e nesta questão defendo o tratamento da toxicodependência, com a criação de prisões especiais para os presidiários toxicodependentes (um género de prisões-hospitais).

Gente do norte...

Pequeno retrato do meu jantar de hoje numa vila do interior de Portugal:
Entrei no restaurante por volta das 21 horas, a fim de saborear uma refeição quente que me confortasse o estomâgo. Apenas uma mesa estava ocupada, com três homens, que aparentavam ser viajantes. Afinal de contas estava em Castro Daire, terra que numa noite fria, como a de hoje, se assemelha a um deserto...
Ainda nem me tinha sentado e já o dono do restaurante me aconselhava a provar um arroz corrido que tinha feito há pouco tempo e que me assegurava estar uma delícia. Fui no seu conselho e, enquanto aguardava pela refeição entretive-me a ver o final do jornal da SIC.
Estava a falar o Manuel Maria Carrilho, quando o sossego deu lugar ao barulho provocado por uns sujeitos, acompanhados de uma mulher, que entraram no restaurante para jantar. A sua pronúncia soava a norte, que foi confirmada poucos momentos depois pela forma como "conversavam" (ou melhor gritavam) uns com os outros, ao mesmo tempo que se metiam com a empregada que os atendia. Não consegui evitar ouvir a conversa daqueles sujeitos, que em cada dez palavras pronunciadas incluíam uns dois ou três palavrões. Perguntaram ao dono do restaurante onde se poderiam deslocar para conhecer umas raparigas (referiam-se a uma casa de meninas) e fizeram com que o meu jantar fosse importunado por uma linguagem baixa e sem nível. Ao fim da refeição, confirmou-se a minha teoria: eram do Porto e estavam de passagem!
É este tipo de episódios que faz com que a ideia que tenho acerca das pessoas do Porto em geral seja tão negativa, pois muitos portuenses demonstram uma extrema falta de cultura e educação que se tornam insuportáveis...

quinta-feira, novembro 13, 2003

Ser-se discreto na política

No blog Bloguitica critica-se o facto de a Ministra dos Negócios Estrangeiros, Teresa Patrício Gouveia (TPG) nada ter dito ainda sobre a ida dos militares da GNR para o Iraque.
Penso que TPG apenas se está a comportar tal qual como a conhecemos: discreta e sóbria. E isto, porque a questão da ida da GNR para o Iraque nunca foi colocada pela Ministra, mas sim por Durão Barroso que desde o início da Guerra do Iraque seguiu este dossier bem de perto.
Assim, TPG apenas poderia vir agora dizer alguma coisa, caso a mesma se comportasse como se comportam, infelizmente, a maioria dos nossos políticos: com fome e ânsia de protagonismo. Mas, TPG, honra lhe seja feita, não sofre desse vício...

quarta-feira, novembro 12, 2003

Quando a bola atrapalha...

Acabei de assistir na RTP ao jogo entre o Marítimo e o Benfica (1-1) e fico incrédulo com os noventa minutos de pouco futebol que as duas equipas proporcionaram. Este foi, sem dúvida, o pior jogo do Benfica nesta temporada (acho que nem o empate merecia!), o que, a continuar assim (com tantos altos e baixos) deixa antever a conquista de mais um campeonato para o Porto... A não ser que...

Prenúncio angustiante...

A notícia com que hoje acordámos do atentado suicída em Nassíria não faz prever uma vida facilitada para os militares portugueses, que logo à noite partem para o Iraque. De facto, a situação, que se julgava calma nesta região do Iraque, tornou-se, com este atentado, complicada e os sentimentos de angústia, receio e susto devem estar a apoderar-se dos familiares destes militares destemidos.
Pede-se a todos nós, não apenas políticos, que sejamos compatriotas, louvando estes homens e mulheres que, em representação de Portugal vão dar o seu contributo no combate ao terrorismo internacional. Que venham de lá sãos e salvos...

Onde está o lí­der da oposição?

Com a entrevista que Ferro Rodrigues concedeu ontem à RTP ficou bem claro que o paí­s não tem, neste momento, qualquer lí­der da oposição. Efectivamente, o Secretário-Geral do PS passou grande parte da entrevista enrolado em questões sobre o escândalo da Casa Pia, esquecendo-se que o país não se resume à pedofilia. Ferro Rodrigues não soube conduzir a entrevista para questões como a crise económica, o Orçamento de Estado, o TGV, a educação ou a saúde em Portugal. Enfim, uma oportunidade perdida...
Com isto tudo, quem fica a perder é o PS e o próprio paí­s...