O deputado do Bloco de Esquerda, Francisco Louçã (a cara do defunto PSR) escreve hoje no Público um artigo onde tenta escalpelizar as diferenças de atitude que a esquerda e a direita têm para com o sistema de ensino..
Para Louçã, a direita defende a mercantilização de todos os bens sociais, enquanto que a esquerda defende a gratuitidade de tudo aquilo que é direito social. Estranha forma esta de reduzir à simplificação mais banal as diferenças entre a esquerda e a direita!
O deputado bloquista consegue ser de uma ginástica impressionante ao defender a gratuitidade do ensino e da saúde, ao mesmo tempo que invoca a diminuição dos impostos... Donde pensará Louçã que vem o dinheiro que possibilita um melhor acesso da população à educação e à saúde? E porque será que Louçã ficou parado no tempo, esquecendo-se de que a ideia que profetiza a gratuitidade dos bens sociais está ultrapassada?
Louçã e os seus camaradas da esquerda revolucioária têm que meter na cabeça que vivemos num tempo em que o Estado, mais do que garantir a gratuitidade de tudo aquilo que Louçã julga não mercantilizável (será que também a cultura está neste rol), tem sim de pugnar pela igualdade de acesso da população aos direitos sociais, defendendo os mais desprotegidos (através da concessão de bolsas, abonos e subsídios).
No caso concreto dos protegidos de Louçã (os estudantes), o Estado tem de garantir a igualdade de acesso ao Ensino Superior e ajudar os mais desfavorecidos (através da concessão de bolsas de estudo, do aumento do número de residências universitárias para os estudantes deslocados, da diminuição dos custos de transportes e da diminuição do valor das propinas, etc.). Por outro lado, o Estado não pode ser complacente com aqueles estudantes (e não são poucos!) que precisam de dois ou mais anos para completar as cadeiras de um ano lectivo (para estes impõe-se um aumento de propinas e inclusivé a explusão do ensino universitário).
Louçã afirma também que esta política de direita dará origem a um ensino de elite, enquanto que da política da esquerda revolucionária resultaria um ensino aberto e de sucesso. Puro engano! A política desta direita é realista (pois a gratuitidade apenas se deveria aplicar nos países onde todos são "pobrezinhos"), socialmente mais justa (pois ajuda os mais fracos e desfavorecidos) e finalmente mais meritória (pois premeia os mais estudiosos). Já a política louçãnista seria uma espécie de combinação entre o facilistismo faccioso e a anti-meritocracismo...
Mas o deputado Louçã só sabe falar de direitos, não é? Pensa que vivemos num país onde todos são pobres e por isso tudo deve ser gratuito. Se vivêssemos como vivíamos há 40 anos atrás até era capaz de defender as ideias de Louçã, mas os tempos são outros...
sábado, novembro 29, 2003
Só faltava mais esta?
O Expresso noticia que Alberto João Jardim se vai recandidatar à Presidência do Governo Regional (PGR) da Madeira em 2004. Tudo porque Durão Barroso não quer arriscar-se a uma derrota eleitoral nas regionais da Madeira.
A confirmar-se a notícia, mais uma vez fica demonstrada a teoria de que o que hoje para um polítco é verdade, amanhã já pode ser mentira. Quantas vezes já afirmou Jardim que nunca me mais se candidatará a PGR da Madeira?
A confirmar-se a notícia, mais uma vez fica demonstrada a teoria de que o que hoje para um polítco é verdade, amanhã já pode ser mentira. Quantas vezes já afirmou Jardim que nunca me mais se candidatará a PGR da Madeira?
Então Cavaco?
O ex-Primeiro Ministro, Cavaco Silva, afirmou ontem que o Pacto de Estabilidade e Crescimento (PEC) está "morto". Finalmente, sem rodeios e sem tabus, Cavaco Silva veio a terreiro confirmar aquilo que se sabe: esta União Europeia está sem rumo e assim, tal como está não serve.
Agora, é pena que em relação à posição portuguesa Cavaco Silva não tenha siso mais frontal com Manuela Ferreira Leite. Mais uma vez veio em sua defesa. O mal maior é para o próprio Cavaco, que assim não consegue passar a imagem de independência partidária que se exige a um candidato a Presidente da República.
Agora, é pena que em relação à posição portuguesa Cavaco Silva não tenha siso mais frontal com Manuela Ferreira Leite. Mais uma vez veio em sua defesa. O mal maior é para o próprio Cavaco, que assim não consegue passar a imagem de independência partidária que se exige a um candidato a Presidente da República.
Atraso de três anos...
Leio no Público que hoje é o "Dia sem compras", dia este que é dinamizado por várias organizações europeias que lutam contra o consumismo desenfreado.
Duas condiderações acerca desta notícia. Por um lado, este dia chega com um atraso de três anos, quando no tempo das "vacas gordas" de Guterres, aí sim se deveria ter alertado a população para a poupança. Aliás, no tempo do Governo de Guterres este dia deveria ter sido comemorado todos os meses! Agora, em tempo de crise este alerta não adianta nada, pois os portugueses pouco dinheiro têm para gastar. Por outro lado, os comerciantes devem achar a comemoração deste dia como uma provocação a eles, pois as vendas nos shoppings e no comércio tradicional estão tão baixas que falar em dia sem compras só pode ser piada...
Duas condiderações acerca desta notícia. Por um lado, este dia chega com um atraso de três anos, quando no tempo das "vacas gordas" de Guterres, aí sim se deveria ter alertado a população para a poupança. Aliás, no tempo do Governo de Guterres este dia deveria ter sido comemorado todos os meses! Agora, em tempo de crise este alerta não adianta nada, pois os portugueses pouco dinheiro têm para gastar. Por outro lado, os comerciantes devem achar a comemoração deste dia como uma provocação a eles, pois as vendas nos shoppings e no comércio tradicional estão tão baixas que falar em dia sem compras só pode ser piada...
sexta-feira, novembro 28, 2003
Ensinem demografia aos sindicatos!
A maioria parlamentar que suporta o Governo fez aprovar, ontem, um novo diploma que limita as reformas antecipadas e só permite a aposentação aos 60 anos de idade, mesmo que o trabalhador até já tenha antes, 36 anos de serviço. Claro que os sindicatos já vieram dizer "cobras e lagartos" do diploma, depois de terem feito manifestações e greves.
Será que aos sindicatos custa assim tanto compreender que, com o aumento da esperança média de vida e a entrada cada vez mais tardia dos jovens no mundo de trabalho, se tornava urgente aumentar a idade da reforma, a fim de que o Estado-Providência não entrasse em ruptura e falência?
Será que aos sindicatos custa assim tanto compreender que, com o aumento da esperança média de vida e a entrada cada vez mais tardia dos jovens no mundo de trabalho, se tornava urgente aumentar a idade da reforma, a fim de que o Estado-Providência não entrasse em ruptura e falência?
De volta à política
Nos dois últimos dias, o Presidente da República (PR), Jorge Sampaio teve declarações que devem ter deixado Durão Barroso com uma espécie de nó na garganta. Mas, este não se deixou ficar e respondeu à letra.
De facto, Sampaio veio criticar a pretensão da maioria PSD/PP em querer avançar com uma nova revisão constitucional. Sampaio foi muito directo e acusou, indirectamente, o Governo de se desculpar nalguns pontos fracos da Constituição,para agora se lembrar da sua revisão. Por seu lado, Durão Barroso não ficou calado e já veio afirmar que não deve haver qualquer reserva de princípio à adaptação da Constituição. Durão respondeu, através dos jornalistas, a todas as críticas de Sampaio, tendo inclusivé mandado uma "farpa" ao PR, ao afirmar que não trocaria a nossa Constituição pela espanhola, depois de Sampaio ter dado o exemplo dos espanhóis, que só por uma vez alteraram a Constituição.
A segunda crítica que Sampaio faz ao Executivo, por meio do jornal Público, tem a ver com a acusação que o PR faz à tentativa do Governo em querer privatizar sectores que deveriam continuar a ser da competência do Estado. Esta é a primeira resposta de Sampaio à reforma da Administração Pública que este Governo está a levar pela frente. Ora, Barroso já veio afirmar que as reformas são para levar adiante.
Porque se deverá esta mudança de atitude de Sampaio?
Penso que Sampaio resolveu agora tomar maior protagonismo para os assuntos que realmente interessam à Nação, depois de uma temporada em que foi "passado para trás" pela actuação desastrosa de Ferro Rodrigues. Por seu lado, Durão Barroso não se deixa afectar pela actuação de Sampaio e tem sempre resposta pronta para o PR.
Acho que a política é isto mesmo: confronto de ideias e troca de opiniões, sempre na procura do bem-comum...
De facto, Sampaio veio criticar a pretensão da maioria PSD/PP em querer avançar com uma nova revisão constitucional. Sampaio foi muito directo e acusou, indirectamente, o Governo de se desculpar nalguns pontos fracos da Constituição,para agora se lembrar da sua revisão. Por seu lado, Durão Barroso não ficou calado e já veio afirmar que não deve haver qualquer reserva de princípio à adaptação da Constituição. Durão respondeu, através dos jornalistas, a todas as críticas de Sampaio, tendo inclusivé mandado uma "farpa" ao PR, ao afirmar que não trocaria a nossa Constituição pela espanhola, depois de Sampaio ter dado o exemplo dos espanhóis, que só por uma vez alteraram a Constituição.
A segunda crítica que Sampaio faz ao Executivo, por meio do jornal Público, tem a ver com a acusação que o PR faz à tentativa do Governo em querer privatizar sectores que deveriam continuar a ser da competência do Estado. Esta é a primeira resposta de Sampaio à reforma da Administração Pública que este Governo está a levar pela frente. Ora, Barroso já veio afirmar que as reformas são para levar adiante.
Porque se deverá esta mudança de atitude de Sampaio?
Penso que Sampaio resolveu agora tomar maior protagonismo para os assuntos que realmente interessam à Nação, depois de uma temporada em que foi "passado para trás" pela actuação desastrosa de Ferro Rodrigues. Por seu lado, Durão Barroso não se deixa afectar pela actuação de Sampaio e tem sempre resposta pronta para o PR.
Acho que a política é isto mesmo: confronto de ideias e troca de opiniões, sempre na procura do bem-comum...
quinta-feira, novembro 27, 2003
"Que os aturem eles..."
Ao ler uma notícia no Público intitulada "Famílias estão a "atirar" crianças para a escola", imediatamente tive a curiosidade de ler o seu conteúdo, na medida em que me identifiquei totalmente com o título da mesma. Identifiquei-me, não porque também "atire" os meus filhos para a escola, a fim que os professores os aturem, pois ainda não sou pai (e quando for espero não atirar os meus filhos para a escola como se esta fosse um depósito de miúdos), mas, dizia, identifiquei-me sim porque, como professor que sou é isso que sinto que acontece com muitas das dezenas de alunos que todos os anos tenho pela frente, nas minhas aulas de Geografia.
De facto, parece-me que cada vez mais, seja nas grandes cidades, mas também nas pequenas vilas e aldeias (quem diria!) deste país, os pais já não têm mão nos seus filhos e ficam aliviados quando os vêm partir para a escola. O martírio recomeça ao final do dia quando os jovens chegam a casa e inundam a casa de desassossego. Claro que há excepções, e ainda bem, mas neste mundo das correrias e do stress, os filhos já não têm a mesma noção de família que as suas anteriores gerações tinham. E o problema é que nem os pais de hoje pensam como os pais de antigamente, onde o respeito era considerado como um valor quase sagrado!
Por seu lado, os professores são cada vez mais uma espécie de mandarins, a quem é dada a função de incutir nos seus alunos, não só os conteúdos programáticos de cada disciplina, mas também e cada vez mais os valores e a boa educação que não lhes é dada em casa. Mas, como poderão os alunos respeitar os professores, quando são os próprios pais que chegam à escola a queixar-se ao Director de Turma que não têm mão nos seus filhos?
E as férias do Natal já se estão a aproximar... Lá virão novamente muitos pais queixar-se de que não têm sítio onde guardar os miúdos durante o dia, como se os seus filhos fossem uma espécie de cãezinhos à procura de casota...
De facto, parece-me que cada vez mais, seja nas grandes cidades, mas também nas pequenas vilas e aldeias (quem diria!) deste país, os pais já não têm mão nos seus filhos e ficam aliviados quando os vêm partir para a escola. O martírio recomeça ao final do dia quando os jovens chegam a casa e inundam a casa de desassossego. Claro que há excepções, e ainda bem, mas neste mundo das correrias e do stress, os filhos já não têm a mesma noção de família que as suas anteriores gerações tinham. E o problema é que nem os pais de hoje pensam como os pais de antigamente, onde o respeito era considerado como um valor quase sagrado!
Por seu lado, os professores são cada vez mais uma espécie de mandarins, a quem é dada a função de incutir nos seus alunos, não só os conteúdos programáticos de cada disciplina, mas também e cada vez mais os valores e a boa educação que não lhes é dada em casa. Mas, como poderão os alunos respeitar os professores, quando são os próprios pais que chegam à escola a queixar-se ao Director de Turma que não têm mão nos seus filhos?
E as férias do Natal já se estão a aproximar... Lá virão novamente muitos pais queixar-se de que não têm sítio onde guardar os miúdos durante o dia, como se os seus filhos fossem uma espécie de cãezinhos à procura de casota...
quarta-feira, novembro 26, 2003
A vez de Justino...
Chegou agora a vez de ser o Ministro da Educação, David Justino, a ter de se explicar das suspeitas de irregularidades cometidas pelos serviços do Ministério da Educação relativamente à colocação de professores. Nos últimos dias têm surgido na comunicação social, por intermédio da FENPROF, uma série de casos onde há suspeita, segundo o Sindicato dos Professores da Região Centro, de ter havido um alegado favorecimento na colocação de professores em escolas dos distritos de Aveiro, Coimbra, Castelo Branco e Viseu.
Depois de Isaltino Morais, Pedro Lynce e Martins da Cruz, é agora David Justino o "crucificado" e alvo de suspeitas de estar metido em situações de "cunha". A propósito destes casos há três considerações a fazer:
1ª - ainda não se sabe nada acerca das alegadas irregularidades de que Isaltino Morais foi acusado, não se sabendo inclusivé o que é feito do mesmo e do seu sobrinho taxista;
2ª - os sindicatos parecem ter-se especializado na função de investigar, o que, por um lado é positivo e demonstra a sua capacidade de acção, mas por outro leva a entender que o sindicalismo se está a desviar daquilo para que foi criado;
3ª - urge a necessidade de que as inspecções e investigações aos serviços públicos sejam realizadas de forma coerente e rigorosa, até para salvaguarda dos próprios Ministros e Secretários de Estado, visto que estes são, muitas vezes, considerados pela opinião pública como culpados das situações irregulares, mesmo quando as mesmas não estão sobre a sua acção directa.
Resta saber o que irá acontecer a David Justino e qual o Ministro que se seguirá no rol das suspeitas...
Depois de Isaltino Morais, Pedro Lynce e Martins da Cruz, é agora David Justino o "crucificado" e alvo de suspeitas de estar metido em situações de "cunha". A propósito destes casos há três considerações a fazer:
1ª - ainda não se sabe nada acerca das alegadas irregularidades de que Isaltino Morais foi acusado, não se sabendo inclusivé o que é feito do mesmo e do seu sobrinho taxista;
2ª - os sindicatos parecem ter-se especializado na função de investigar, o que, por um lado é positivo e demonstra a sua capacidade de acção, mas por outro leva a entender que o sindicalismo se está a desviar daquilo para que foi criado;
3ª - urge a necessidade de que as inspecções e investigações aos serviços públicos sejam realizadas de forma coerente e rigorosa, até para salvaguarda dos próprios Ministros e Secretários de Estado, visto que estes são, muitas vezes, considerados pela opinião pública como culpados das situações irregulares, mesmo quando as mesmas não estão sobre a sua acção directa.
Resta saber o que irá acontecer a David Justino e qual o Ministro que se seguirá no rol das suspeitas...
O caminho é para a frente...
Desta vez, Portugal foi preterido na escolha para a realizaçãoo de um grande evento internacional. O America`s Cup irá realizar-se em Valência e, certamente que nos próximos dias muito se irá falar sobre as razões que levaram Lisboa a não ter sido escolhida para realizar este acontecimento desportivo.
Agora não vale a pena arranjar culpados por esta decisão, como tanto gosta de fazer o típico português. Simplesmente porque não os há... Umas vezes fica-se a rir, outras não. O facto é que parece que estávamos mal habituados: fomos escolhidos para organizar a Expo 98, o Mundial de Andebol, o Euopeu de Futebol, entre outros eventos. O caminho é para a frente e haverão mais oportunidades para nos aventurarmos em novos desafios...
Agora não vale a pena arranjar culpados por esta decisão, como tanto gosta de fazer o típico português. Simplesmente porque não os há... Umas vezes fica-se a rir, outras não. O facto é que parece que estávamos mal habituados: fomos escolhidos para organizar a Expo 98, o Mundial de Andebol, o Euopeu de Futebol, entre outros eventos. O caminho é para a frente e haverão mais oportunidades para nos aventurarmos em novos desafios...
terça-feira, novembro 25, 2003
Portugal parodiado...
O mesmo realizador de filmes como "Quatro Casamentos e um Funeral", "Nothing Hill" ou "O Diário de Bridget Jones", apresenta-nos agora a comédia romântica "Love Actually" ("O Amor Acontece"). Este filme, onde a ironia e a paródia reinam, ficou conhecido em Portugal por ter como protagonista a portuguesa Lúcia Moniz, no papel de uma jovem empregada que irá viver um romance com um escritor que se refugia em França para sarar feridas de amor.
A comédia é tipicamente britânica e recomenda-se a quem quer passar duas horas a rir de situações que nos fazem recordar episódios da vida real. No entanto, nas salas de cinema desse mundo fora, quando os amantes do cinema se depararem com a personagem interpretada (e bem) por Lúcia Moniz, muitos deles (os mais desconhecedores da realidade portuguesa) ficarão com a ideia que Portugal é ainda um país atrasado e com uma população provinciana.
É que há o risco de, noutros países, a personagem interpretada por Lúcia Moniz ser reconhecida como o protótipo do típico português: pobrezinho, humildezinho, sem formação e à procura da felicidade no estrangeiro... O que não corresponde, inteiramente, à verdade...
A comédia é tipicamente britânica e recomenda-se a quem quer passar duas horas a rir de situações que nos fazem recordar episódios da vida real. No entanto, nas salas de cinema desse mundo fora, quando os amantes do cinema se depararem com a personagem interpretada (e bem) por Lúcia Moniz, muitos deles (os mais desconhecedores da realidade portuguesa) ficarão com a ideia que Portugal é ainda um país atrasado e com uma população provinciana.
É que há o risco de, noutros países, a personagem interpretada por Lúcia Moniz ser reconhecida como o protótipo do típico português: pobrezinho, humildezinho, sem formação e à procura da felicidade no estrangeiro... O que não corresponde, inteiramente, à verdade...
Difícil de entender...
A notícia de que Portugal votou a favor da proposta da maioria dos ministros das Finanças da Zona Euro, proposta essa que iliba a Alemanha e a França de serem penalizados pela Comissão Europeia por défices excessivos, não vai ser compreendida nem aceite pela maioria dos portugueses, por muito que Durão Barroso e Manuela Ferreira Leite venham dar explicações públicas na defesa dessa proposta.
E isto, porque o povo não entende que se lhe peça sacrifícios para que Portugal atinja um défice orçamental inferior a 3%, ao mesmo tempo que numa União Europeia que se baseia (ou deveria basear) em normas comuns se "perdoa" às duas maiores economias europeias as respectivas sanções por não terem cumprido uma norma que criaram e tanto defenderam.
Este é mais um sinal do verdadeiro risco que há de que a futura Constituição Europeia permite a adopção de duas Uniões Europeias: a dos privilegiados e fortes e a dos acomodados e fracos...
Desta crítica Durão Barroso não se vai livrar nos próximos tempos...
E isto, porque o povo não entende que se lhe peça sacrifícios para que Portugal atinja um défice orçamental inferior a 3%, ao mesmo tempo que numa União Europeia que se baseia (ou deveria basear) em normas comuns se "perdoa" às duas maiores economias europeias as respectivas sanções por não terem cumprido uma norma que criaram e tanto defenderam.
Este é mais um sinal do verdadeiro risco que há de que a futura Constituição Europeia permite a adopção de duas Uniões Europeias: a dos privilegiados e fortes e a dos acomodados e fracos...
Desta crítica Durão Barroso não se vai livrar nos próximos tempos...
segunda-feira, novembro 24, 2003
Lobbies à descarada!
As recentes declarações do Bastonário da Ordem dos Médicos e da Associação Nacional de Estudantes de Medicina, relativamente à intenção do Governo de alargar o número de vagas em Medicina, constituem a prova provada de como, muitas vezes, os tentáculos dos lobbies alastram por toda uma classe profissional.
Da Ordem dos Médicos não esperava outra reacção que não fosse a de criticar a proposta do Governo, mas já em relação aos estudantes de Medicina e futuros médicos, é inadmissível que estes apenas olhem para o seu umbigo, desprezando por completo a população doente e carenciada de médicos.
Assim se prova como os lobbies se começam a mexer bem cedo, afectando até as cabeças dos mais jovens, dos quais se esperaria que tivessem outra postura...
Da Ordem dos Médicos não esperava outra reacção que não fosse a de criticar a proposta do Governo, mas já em relação aos estudantes de Medicina e futuros médicos, é inadmissível que estes apenas olhem para o seu umbigo, desprezando por completo a população doente e carenciada de médicos.
Assim se prova como os lobbies se começam a mexer bem cedo, afectando até as cabeças dos mais jovens, dos quais se esperaria que tivessem outra postura...
Manias de intelectual...
A crónica de hoje de Eduardo Prado Coelho (E.P.C.) no Público, revela bem como algumas figuras que se auto-intitulam de intelectuais consideram os blogues como uma espécie de afronta ao pensamento único. E.P.C. afirma que "o intelectual tem que saber que a sua função é hoje sobretudo a de um tradutor de códigos culturais e que essa função implica uma análise cuidadosa e uma utilização sagaz do sistema dos media", interrogando-se se o mundo de hoje precisa ainda de intelectuais em tempo de "blogues". Por outras palavras, E.P.C. considera inatingíveis os conceitos de intelectualização e "bloguização".
A pergunta de E.P.C. pode ser tudo menos ingénua, no sentido que o conhecido cronista demonstra sentir-se afrontado pelo crescimento dos blogues. Esta é uma característica comum naquele tipo de pessoas que pensam ser donas da verdade, fazendo tudo no sentido de procurarem protagonismo e tentando excluir as opiniões daqueles que não vivem à custa daquilo que escrevem.
E. P. C. revela-se no Público de hoje como o paradigma ultrapassado do intelectual de esquerda, ao insinuar que apenas os intelectais "profissionais" devem ser ouvidos, esquecendo-se que os blogues são apenas "livros" abertos a todos aqueles que apreciam o confronto de ideias e o debate público.
A pergunta de E.P.C. pode ser tudo menos ingénua, no sentido que o conhecido cronista demonstra sentir-se afrontado pelo crescimento dos blogues. Esta é uma característica comum naquele tipo de pessoas que pensam ser donas da verdade, fazendo tudo no sentido de procurarem protagonismo e tentando excluir as opiniões daqueles que não vivem à custa daquilo que escrevem.
E. P. C. revela-se no Público de hoje como o paradigma ultrapassado do intelectual de esquerda, ao insinuar que apenas os intelectais "profissionais" devem ser ouvidos, esquecendo-se que os blogues são apenas "livros" abertos a todos aqueles que apreciam o confronto de ideias e o debate público.
domingo, novembro 23, 2003
A reforma de que ninguém fala...
O Público dá a conhecer um bom exemplo de como empresários e trabalhadores podem chegar a bons acordos, desde que a entidade patronal tenha bom senso e os trabalhadores deixem o fundamentalismo ideológico-partidário de lado.
Muitas vezes a defesa dos interesses dos trabalhadores não é feita, porque muitos sindicatos têm ainda uma visão deturpada da realidade, "cascando" por tudo e por nada na entidade patronal, apenas com o intuito de conseguirem mais umas adesões ao seu sindicato.
Apesar de ser trabalhador por conta de outrém não sou sindicalizado, precisamente porque discordo da actuação dos sindicatos que dizem defender a minha classe profissional. Seria bom que muitos sindicalistas analisassem com atenção a notícia do Público, e já agora que lessem o excelente editorial de Amilcar Correia. Pode ser que com estes exemplos seja possível realizar uma reforma de ninguém fala: a dos sindicatos.
Muitas vezes a defesa dos interesses dos trabalhadores não é feita, porque muitos sindicatos têm ainda uma visão deturpada da realidade, "cascando" por tudo e por nada na entidade patronal, apenas com o intuito de conseguirem mais umas adesões ao seu sindicato.
Apesar de ser trabalhador por conta de outrém não sou sindicalizado, precisamente porque discordo da actuação dos sindicatos que dizem defender a minha classe profissional. Seria bom que muitos sindicalistas analisassem com atenção a notícia do Público, e já agora que lessem o excelente editorial de Amilcar Correia. Pode ser que com estes exemplos seja possível realizar uma reforma de ninguém fala: a dos sindicatos.
sexta-feira, novembro 21, 2003
Notícias...
Para rir: a recepção de Sampaio a um líder de um partido (PND) que nunca foi a votos.
Para "chorar": a notícia destas mulheres que não são para brincadeiras.
Para "chorar": a notícia destas mulheres que não são para brincadeiras.
Ou 8 ou 80...
Cada vez que há uma greve Governo e sindicatos esgrimem números contraditórios. Hoje foi a vez do Governo falar em 10% de adesão e os sindicatos a defenderem que 70% dos funcionários públicos fizeram greve. Depois queixam-se que os jovens portugueses não percebem nada de Matemática... Com estes exemplos já nada admira!
Despejar cultura...
Freitas do Amaral (F.A.) defende na revista Visão a introdução de uma nova disciplina, intitulada Cultura Geral, no ensino secundário. Penso que tal propósito é, actualmente, impraticável no sentido que F.A. lhe dá.
No entanto, caso as nossas escolas fossem dotadas em cada uma das salas de aula com um computador ligado à Internet com Data-Show incluído e outro material audiovisual, esta ideia poderia ser posta em prática. Mais uma vez teria a instituição Escola que se substituir aos pais e à família, no sentido de dar a conhecer aos alunos conteúdos realmente pertinentes que envolvem o cidadão.
Bastava debater com os alunos temas que estão na ordem do dia, facilmente apoiados em documentários que passam, por exemplo nos canais Odisseia ou SIC Notícias para que os alunos pudessem contextualizar a realidade que os rodeia. Agora estar a debitar conceitos nas disciplinas de História, Filosofia ou Geografia para que os alunos os despejem nos exames não os motiva para a tal Cultura Geral.
No entanto, caso as nossas escolas fossem dotadas em cada uma das salas de aula com um computador ligado à Internet com Data-Show incluído e outro material audiovisual, esta ideia poderia ser posta em prática. Mais uma vez teria a instituição Escola que se substituir aos pais e à família, no sentido de dar a conhecer aos alunos conteúdos realmente pertinentes que envolvem o cidadão.
Bastava debater com os alunos temas que estão na ordem do dia, facilmente apoiados em documentários que passam, por exemplo nos canais Odisseia ou SIC Notícias para que os alunos pudessem contextualizar a realidade que os rodeia. Agora estar a debitar conceitos nas disciplinas de História, Filosofia ou Geografia para que os alunos os despejem nos exames não os motiva para a tal Cultura Geral.
Serão eles coerentes?
Acabo de ler no Público que o presidente da Associação Académica de Coimbra, Vítor Salgado, admitiu ontem que a Queima das Fitas de Coimbra do próximo ano poderá não se realizar, a exemplo do que aconteceu entre 1969 e 1980, como forma de protesto contra o aumento das propinas.
Não concordando com a maior parte das acções protagonizadas por este senhor e seus camaradas, nomeadamente o fecho a cadeado das portas da Universidade de Coimbra, penso que, caso os universitários que são contra as propinas, optem por esta forma de protesto, estarão a dar uma imagem de que, pelo menos são coerentes e convictos nas suas ideias. Caso contrário, passará a ideia de que estes manifestantes tudo fazem para não terem aulas, mas quanto a festas e paródias são os primeiros a alinhar.
Ontem Pacheco Pereira escreveu um excelente artigo sobre o que nas últimas semanas se tem passado em Coimbra, criticando muito bem a passividade das autoridades face ao desrespeito de alguns alunos universitários pela Universidade e seus alunos, professores e funcionários.
Estou com curiosidade para ver se estes pseudo-estudantes terão a coerência de não participarem na Queima das Fitas de Coimbra. Até lhes dou um conselho de borla: que façam greve a metade das bebedeiras e saídas à noite previstas e aproveitem esse tempo para estudarem!
Não concordando com a maior parte das acções protagonizadas por este senhor e seus camaradas, nomeadamente o fecho a cadeado das portas da Universidade de Coimbra, penso que, caso os universitários que são contra as propinas, optem por esta forma de protesto, estarão a dar uma imagem de que, pelo menos são coerentes e convictos nas suas ideias. Caso contrário, passará a ideia de que estes manifestantes tudo fazem para não terem aulas, mas quanto a festas e paródias são os primeiros a alinhar.
Ontem Pacheco Pereira escreveu um excelente artigo sobre o que nas últimas semanas se tem passado em Coimbra, criticando muito bem a passividade das autoridades face ao desrespeito de alguns alunos universitários pela Universidade e seus alunos, professores e funcionários.
Estou com curiosidade para ver se estes pseudo-estudantes terão a coerência de não participarem na Queima das Fitas de Coimbra. Até lhes dou um conselho de borla: que façam greve a metade das bebedeiras e saídas à noite previstas e aproveitem esse tempo para estudarem!
quinta-feira, novembro 20, 2003
Excessos de trafulhices...
Segundo o Público, o Presidente do Supremo Tribunal Administrativo (STA) criticou ontem o "uso abusivo de procedimentos" por parte dos advogados, no sentido de protelarem injustificadamente os processos a decorrer em tribunal.
Ou seja, quem conseguir arranjar um advogado trafulha que se dê ao trabalho de desenvolver todos os meios para adiar os julgamentos até é capaz de se safar, enquanto que os que têm pouco dinheiro e são obrigados a recorrer a advogados oficiosos se sujeitam a ter uma defesa de segunda mas talvez mais justa.
Em relação ao que o Presidente do STA afirmou, só acrescentaria que já é hora de pôr ordem neste tipo de advogados que usam e abusam destas trafulhices...
Ou seja, quem conseguir arranjar um advogado trafulha que se dê ao trabalho de desenvolver todos os meios para adiar os julgamentos até é capaz de se safar, enquanto que os que têm pouco dinheiro e são obrigados a recorrer a advogados oficiosos se sujeitam a ter uma defesa de segunda mas talvez mais justa.
Em relação ao que o Presidente do STA afirmou, só acrescentaria que já é hora de pôr ordem neste tipo de advogados que usam e abusam destas trafulhices...
Uma nova ideologia...
Todos sabemos que a discussão acerca das ideologias está cada vez mais em desuso. Afirmar-se hoje em dia que se é de esquerda ou de direita já não faz muito sentido, quando vivemos num mundo cada vez mais global e quando Portugal tem de se sujeitar às directivas da UE.
Outro problema dos nossos dias é o facto de as pessoas actuarem cada vez mais de forma individualista, preocupando-se apenas com os seus problemas e desprezando os conceitos de sociedade e de solidariedade. A esta nova forma de pensar chamar-lhe-ia a ideologia do "umbiguismo", com cada um dos intervenientes a olhar apenas para o seu próprio "umbigo".
O bem-comum é um conceito decadente e que, infelizmente, faz menos sentido, numa sociedade que é crescentemente egoísta e egocêntrica.
Isto a propósito de uma conversa que hoje tive com um amigo meu acerca dos aumentos salariais. Não me choca nada que haja maiores aumentos para aqueles que menos ganham, em contraponto com aqueles que têm vencimentos mais elevados. É o que está previsto para o próximo ano e acho muito bem...
Outro problema dos nossos dias é o facto de as pessoas actuarem cada vez mais de forma individualista, preocupando-se apenas com os seus problemas e desprezando os conceitos de sociedade e de solidariedade. A esta nova forma de pensar chamar-lhe-ia a ideologia do "umbiguismo", com cada um dos intervenientes a olhar apenas para o seu próprio "umbigo".
O bem-comum é um conceito decadente e que, infelizmente, faz menos sentido, numa sociedade que é crescentemente egoísta e egocêntrica.
Isto a propósito de uma conversa que hoje tive com um amigo meu acerca dos aumentos salariais. Não me choca nada que haja maiores aumentos para aqueles que menos ganham, em contraponto com aqueles que têm vencimentos mais elevados. É o que está previsto para o próximo ano e acho muito bem...
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