Hoje foi aprovada pelo Parlamento francês a lei que proíbe o uso de "símbolos religiosos ostensivos", tais como o véu islâmico, a "kippa" judaica ou as cruzes cristãs, nas escolas públicas. Contudo, este assunto tem sido, regra geral, abordado parcelarmente e de forma pouco rigorosa, resumindo-se o âmago da questão apenas ao véu islâmico. De facto, tanto os comunistas franceses, como a esquerda portuguesa (com destaque, mais uma vez, para o PCP e o BE) têm focado a questão numa vertente vitimizante e persecutória, como se o que se pretendesse com a lei fosse inferiorizar as comunidades muçulmanas, que têm o véu islâmico como o mais importante símbolo externo dos seus ideais fundamentalistas.
Esta situação faz-me lembrar a retórica que os grupos de homossexuais costumam utilizar quando uma qualquer lei os impede de usufruir de determinados direitos que, por exemplo, são concedidos aos casais heterossexuais. O primeiro e principal argumento que utilizam é o de que estão a ser alvo de discriminação... Será que custa assim tanto perceber que, quando se legisla neste sentido, o que se pretende não é discriminar, mas sim defender valores e ideais pelos quais a sociedade se deve reger? E, a verdade é que qualquer um pode ser cristão, muçulmano ou judeu sem ter que o "propagandear"...
terça-feira, fevereiro 10, 2004
segunda-feira, fevereiro 09, 2004
À volta da educação sexual nas escolas...
Nas últimas semanas muito se tem discutido acerca da pertinência ou não da criação de uma nova disciplina obrigatória nas nossas escolas destinada a leccionar conteúdos sobre a educação dos jovens para a sexualidade. Há quem diga que esta nova disciplina deve ser de frequência obrigatória, abrangendo alunos do 9º e 10º anos de escolaridade e que deve contar para a avaliação dos alunos como qualquer outra disciplina do currículo.
Depois de ter discutido este assunto com alguns colegas e amigos e lido o que, ultimamente, se tem escrito sobre o referido assunto, resolvi tecer algumas considerações acerca de como a educação sexual deve ser dirigida aos adolescentes do nosso país.
Claro que há vários paradigmas acerca deste tema, havendo países (nomeadamente os nórdicos) que no seu currículo adoptaram a disciplina de Educação Sexual, enquanto que outros (como Portugal) tem desenvolvido uma estratégia de focar este tema nas escolas de forma transversal.
Primeiro demos uma vista de olhos ao que se faz, actualmente, nas nossas escolas no que diz respeito à educação sexual. Dou o exemplo do que nos últimos anos tenho presenciado nas escolas por onde tenho passado. Há diversas disciplinas, desde o 6º até ao 12º ano de escolaridade que abordam conteúdos sobre a sexualidade, como por exemplo a reprodução humana em Ciências Naturais do 6º ano ou a natalidade e a fecundidade em Geografia do 8º ano. Dou apenas alguns exemplos de como no nosso ensino esta matéria é abordada por diferentes disciplinas e de forma transversal em, praticamente, todos os anos de escolaridade. Por outro lado, com a introdução recente no nosso sistema curricular de uma nova área curricular, denominada Formação Cívica e obrigatória desde o 5º ano até ao 9º ano, as possibilidades de abordar o tema da sexualidade aumentaram significativamente. Há ainda a acrescentar que, felizmente, muitas associações fomentam colóquios nas nossas escolas destinadas a toda a comunidade educativa, abordando este tema de forma aberta e sem tábus.
Quero com isto dizer que não é por falta de abordagem do tema da sexualidade aos nossos alunos que estes não estão informados sobre como funciona o corpo humano em termos reprodutivos, como é que se previne a gravidez na adolescência ou como se podem evitar as doenças sexualmente transmissíveis. Pelo que tenha observado ao longo dos últimos anos, este tema é cada vez mais abordado de forma rigorosa e sem preconceitos, tanto por professores, como por formadores. O problema reside, quanto a mim, não na Escola, mas sim no facto deste assunto ser ainda um grande tábu na mente de muitos pais, que não abordam este tema com os seus filhos, esperando que a Escola trate de resolver essa lacuna familiar.
Deste modo, considero que não é a introdução de uma nova disciplina obrigatória no currículo vigente (e, neste momento, as disciplinas em alguns anos de escolaridade já perfazem quase a dezena e meia!) que possa modificar a postura dos nossos adolescentes face à sexualidade. Mais do que a Escola a promover condutas saudáveis ao nível da sexualidade (e isso já o faz!), deverão ser os pais a incutir esse tipo de comportamento lúcido e responsável nos seus filhos. A Escola e os professores já fazem muito a este nível, desde leccionar conteúdos nas suas aulas (que são avaliados em testes) e dinamizar debates nas aulas de Formação Cívica até promover colóquios e trabalhos diversos a este nível.
Muita gente tem a ideia que a solução para os problemas da nossa sociedade (toxicodependência, criminalidade, insegurança rodoviária, tabagismo e alcoolismo, entre muitos outros) reside apenas na Escola, julgando que a introdução de uma disciplina obrigatória resolve os problemas. Puro engano!!! A Escola já faz muito e a ela se deve que a situação actual não esteja pior. É bom que as pessoas se lembrem que, ao contrário dos países nórdicos, Portugal vive apenas há 30 anos em democracia e liberdade e que muitos dos pais de agora pertencem à geração que saiu da ditadura e que confundiu liberdade com libertinagem, não tendo, por isso desenvolvido uma adequada e equilibrada formação e educação nos seus filhos. Quantos pais têm vergonha e quase medo de falar com os seus filhos sobre os mais diferentes assuntos, fomentando a displicência e o "deixa andar"?
Mais do que educar os filhos, é urgente educar os pais... Se tiver que ser pela "força" que o seja. Por exemplo, retirando o abono familiar aos pais que, pura e simplesmente, não se interessam pela educação dos seus filhos e fazendo o contrário em relação aos que demonstram preocupação pela mesma... Esta é apenas uma ideia! Muitas outras são possíveis.
Depois de ter discutido este assunto com alguns colegas e amigos e lido o que, ultimamente, se tem escrito sobre o referido assunto, resolvi tecer algumas considerações acerca de como a educação sexual deve ser dirigida aos adolescentes do nosso país.
Claro que há vários paradigmas acerca deste tema, havendo países (nomeadamente os nórdicos) que no seu currículo adoptaram a disciplina de Educação Sexual, enquanto que outros (como Portugal) tem desenvolvido uma estratégia de focar este tema nas escolas de forma transversal.
Primeiro demos uma vista de olhos ao que se faz, actualmente, nas nossas escolas no que diz respeito à educação sexual. Dou o exemplo do que nos últimos anos tenho presenciado nas escolas por onde tenho passado. Há diversas disciplinas, desde o 6º até ao 12º ano de escolaridade que abordam conteúdos sobre a sexualidade, como por exemplo a reprodução humana em Ciências Naturais do 6º ano ou a natalidade e a fecundidade em Geografia do 8º ano. Dou apenas alguns exemplos de como no nosso ensino esta matéria é abordada por diferentes disciplinas e de forma transversal em, praticamente, todos os anos de escolaridade. Por outro lado, com a introdução recente no nosso sistema curricular de uma nova área curricular, denominada Formação Cívica e obrigatória desde o 5º ano até ao 9º ano, as possibilidades de abordar o tema da sexualidade aumentaram significativamente. Há ainda a acrescentar que, felizmente, muitas associações fomentam colóquios nas nossas escolas destinadas a toda a comunidade educativa, abordando este tema de forma aberta e sem tábus.
Quero com isto dizer que não é por falta de abordagem do tema da sexualidade aos nossos alunos que estes não estão informados sobre como funciona o corpo humano em termos reprodutivos, como é que se previne a gravidez na adolescência ou como se podem evitar as doenças sexualmente transmissíveis. Pelo que tenha observado ao longo dos últimos anos, este tema é cada vez mais abordado de forma rigorosa e sem preconceitos, tanto por professores, como por formadores. O problema reside, quanto a mim, não na Escola, mas sim no facto deste assunto ser ainda um grande tábu na mente de muitos pais, que não abordam este tema com os seus filhos, esperando que a Escola trate de resolver essa lacuna familiar.
Deste modo, considero que não é a introdução de uma nova disciplina obrigatória no currículo vigente (e, neste momento, as disciplinas em alguns anos de escolaridade já perfazem quase a dezena e meia!) que possa modificar a postura dos nossos adolescentes face à sexualidade. Mais do que a Escola a promover condutas saudáveis ao nível da sexualidade (e isso já o faz!), deverão ser os pais a incutir esse tipo de comportamento lúcido e responsável nos seus filhos. A Escola e os professores já fazem muito a este nível, desde leccionar conteúdos nas suas aulas (que são avaliados em testes) e dinamizar debates nas aulas de Formação Cívica até promover colóquios e trabalhos diversos a este nível.
Muita gente tem a ideia que a solução para os problemas da nossa sociedade (toxicodependência, criminalidade, insegurança rodoviária, tabagismo e alcoolismo, entre muitos outros) reside apenas na Escola, julgando que a introdução de uma disciplina obrigatória resolve os problemas. Puro engano!!! A Escola já faz muito e a ela se deve que a situação actual não esteja pior. É bom que as pessoas se lembrem que, ao contrário dos países nórdicos, Portugal vive apenas há 30 anos em democracia e liberdade e que muitos dos pais de agora pertencem à geração que saiu da ditadura e que confundiu liberdade com libertinagem, não tendo, por isso desenvolvido uma adequada e equilibrada formação e educação nos seus filhos. Quantos pais têm vergonha e quase medo de falar com os seus filhos sobre os mais diferentes assuntos, fomentando a displicência e o "deixa andar"?
Mais do que educar os filhos, é urgente educar os pais... Se tiver que ser pela "força" que o seja. Por exemplo, retirando o abono familiar aos pais que, pura e simplesmente, não se interessam pela educação dos seus filhos e fazendo o contrário em relação aos que demonstram preocupação pela mesma... Esta é apenas uma ideia! Muitas outras são possíveis.
domingo, fevereiro 08, 2004
Firmeza e convicção...
Qualquer governante que queira, efectivamente, combater o terrorismo e eliminar regimes ditatoriais de risco, tem de demonstrar, pelo menos, duas qualidades imprescindíveis: firmeza no discurso e convicção na acção. De Bush podemos afirmar que não evidencia capacidade argumentativa, cultura geral e até um coeficiente de inteligência elevado. No entanto, não lhe podemos retirar a postura firme e convicta com que defende as suas ideias de luta ao terrorismo. Na recente entrevista que concedeu à NBC, o Presidente dos EUA não descola do caminho traçado pela sua Administração, afirmando que, mais importante do que se encontrarem armas de destruição massiva, é compreender que o afastamento de Saddam do poder iraquiano resultou num sinal claro para outros regimes ditatoriais que o terrorismo e a ameaça às democracias se pagam caro...
Podemos criticar os argumentos que levaram à Guerra do Iraque, mas é inquestionável que, agora, regimes como a Coreia do Norte, a Líbia ou o Irão parecem querer avançar no caminho contrário ao do terrorismo e da ameaça nuclear...
Podemos criticar os argumentos que levaram à Guerra do Iraque, mas é inquestionável que, agora, regimes como a Coreia do Norte, a Líbia ou o Irão parecem querer avançar no caminho contrário ao do terrorismo e da ameaça nuclear...
Julgamento na praça pública?
As declarações que ontem à noite um dos advogados de Carlos Cruz (CC), em concreto Ricardo Sá Fernandes (RSF), proferiu sobre o despacho do juíz Rui Teixeira dão a entender que a defesa do apresentador de televisão tudo pretende fazer para tornar este julgamento num espectáculo degradante feito aos olhos de todos. Ao afirmar que o despacho do juíz (que diz estar cheio de erros) será "objecto de uma apresentação pública logo que sejam obtidas as autorizações do Conselho Distrital da Ordem dos Advogados", RSF apenas demonstra que anda desorientado na defesa que faz a CC, optando pelo ataque às decisões do juíz de instrução que não lhe agradam. Por outro lado, o facto de uma vez mais ter ocorrido uma fuga de informação a favor do Correio da Manhã e da TVI (a todos os títulos condenável) em nada valida que agora os advogados de defesa queiram prosseguir por esse caminho tortuoso. A ver vamos o que a Ordem dos Advogados diz acerca disto tudo...
sábado, fevereiro 07, 2004
Uma proposta sensata
A proposta que o Provedor de Justiça, Nascimento Rodrigues, defende de que o Estado deve indemnizar os presos preventivos que acabam por ser absolvidos pelos tribunais, independentemente de terem ou não ocorrido erros judiciários, parece-me positiva e sensata, no sentido de dar um sinal aos juízes de que, hoje em dia, a prisão preventiva só deve ser aplicada em casos extremos, devendo-se, de uma vez por todas, generalizar (sem banalizar!) as outras medidas de coacção vigentes na lei, desde a prisão domiciliária até à apresentação periódica às autoridades.
Para além do carácter mais humanista da Justiça, poupar-se-ia dinheiro aos contribuintes e facilitar-se-ia a reinserção social dos arguidos.
Para além do carácter mais humanista da Justiça, poupar-se-ia dinheiro aos contribuintes e facilitar-se-ia a reinserção social dos arguidos.
Autênticas tricas políticas...
O Público de hoje noticía que, na reunião da Comissão Política do Partido Popular (PP), da passada quarta-feira, Paulo Portas afirmou que existem "três frentes" com grande poder mediático e que estão contra o seu partido, tendo-os denominado de "galáxia Louçã", "planeta Soares" e "cometa Marcelo".
A ser verdade o que se escreve, fico com a ideia que o PP está a enveredar por um caminho que um partido que está no poder se deveria abster de seguir. É lógico que, à medida que as eleições europeias se vão aproximando, os opositores políticos de Paulo Portas venham com afirmações no sentido de o desgastar e descredibilizar. Ora, era bom que Portas entendesse que a melhor forma de passar ao lado dessas críticas é, precisamente, evitá-las, por forma a desvalorizá-las. Era bom que o PP se comportasse como um verdadeiro partido de governação, preocupando-se com o que realmente interessa, e que é a governação correcta de Portugal. Perder tempo com as farpas de Soares, Louçã e outros que tais não leva a lado nenhum. Muito pelo contrário, dá a imagem que alguns dos nossos políticos se querem assemelhar, no seu pior, a alguns dirigentes do futebol português. Infelizmente...
A ser verdade o que se escreve, fico com a ideia que o PP está a enveredar por um caminho que um partido que está no poder se deveria abster de seguir. É lógico que, à medida que as eleições europeias se vão aproximando, os opositores políticos de Paulo Portas venham com afirmações no sentido de o desgastar e descredibilizar. Ora, era bom que Portas entendesse que a melhor forma de passar ao lado dessas críticas é, precisamente, evitá-las, por forma a desvalorizá-las. Era bom que o PP se comportasse como um verdadeiro partido de governação, preocupando-se com o que realmente interessa, e que é a governação correcta de Portugal. Perder tempo com as farpas de Soares, Louçã e outros que tais não leva a lado nenhum. Muito pelo contrário, dá a imagem que alguns dos nossos políticos se querem assemelhar, no seu pior, a alguns dirigentes do futebol português. Infelizmente...
Guerra de sindicatos e outras evidências...
Apesar de não ter uma opinião muito favorável acerca do sindicalismo português, decidi ir hoje assistir a um plenário do Sindicato dos Professores da Zona Centro (SPZC), que tinha como tema a discussão do novo regulamento dos concursos de professores. Aliás, só se pode ter uma opinião formada sobre aquilo que conhecemos, não é verdade?
Na dita reunião estiveram presentes, segundo números do sindicato, quase mil professores e, muito daquilo que ouvi andou à volta do mesmo: a ideia de que o Governo se prepara para congelar a progressão das carreiras, aumentar o horário semanal dos professores, retirar-lhes direitos e muitas outras medidas de ataque à classe docente, isto na visão do SPZC. No final fiquei a perceber que muito do que os sindicalistas falaram não passam de perspectivas, não evidenciando realidades concretas. Por outro lado, falou-se pouco do tal regulamento (novidades, nem vê-las!), tendo-se gasto mais tempo a falar em formas de luta (greves e mais greves). Mas, o que mais me surpreendeu foi ouvir ataques desta organização sindical a outros sindicatos de professores, em concreto ao Sindicato dos Professores da Região Centro (SPRC) e à Pró-Ordem dos Professores, como se o que se pretendesse com o tal plenário fosse angariar mais sócios para o SPZC... Percebi então que o SPZC estava ali, mais do que a informar, a vender, sim, o seu "peixe"!
É, por estas e por outras que não sou muito dado a Sindicatos. Já agora, é de dizer que muitos dos professores se comportaram de forma mais irrequieta e conversadora do que muitos dos alunos nas salas de aula. Havia-os lá que passaram o tempo todo a falar que nem umas "beatas" na igreja...
Na dita reunião estiveram presentes, segundo números do sindicato, quase mil professores e, muito daquilo que ouvi andou à volta do mesmo: a ideia de que o Governo se prepara para congelar a progressão das carreiras, aumentar o horário semanal dos professores, retirar-lhes direitos e muitas outras medidas de ataque à classe docente, isto na visão do SPZC. No final fiquei a perceber que muito do que os sindicalistas falaram não passam de perspectivas, não evidenciando realidades concretas. Por outro lado, falou-se pouco do tal regulamento (novidades, nem vê-las!), tendo-se gasto mais tempo a falar em formas de luta (greves e mais greves). Mas, o que mais me surpreendeu foi ouvir ataques desta organização sindical a outros sindicatos de professores, em concreto ao Sindicato dos Professores da Região Centro (SPRC) e à Pró-Ordem dos Professores, como se o que se pretendesse com o tal plenário fosse angariar mais sócios para o SPZC... Percebi então que o SPZC estava ali, mais do que a informar, a vender, sim, o seu "peixe"!
É, por estas e por outras que não sou muito dado a Sindicatos. Já agora, é de dizer que muitos dos professores se comportaram de forma mais irrequieta e conversadora do que muitos dos alunos nas salas de aula. Havia-os lá que passaram o tempo todo a falar que nem umas "beatas" na igreja...
sexta-feira, fevereiro 06, 2004
A banalização da figura do referendo
Antes de escrever este artigo, ainda hesitei, pois o mesmo reporta-se a um partido que não sei se merece que se escreve algo sobre ele. Mas, depois de breve ponderação, aqui vão algumas palavras. Curtas e directas! A Nova Democracia (ND), baluarte do ex-PP, Manuel Monteiro, veio ontem exigir, aos microfones da TSF, que se realize um referendo em Lisboa sobre a mudança de localização da Feira Popular. Que dizer desta "exigência" que tem apenas que ver com a gestão camarária? Três considerações:
- a ND aproveita qualquer situação, mesmo que caricata, para aparecer na comunicação social;
- é, no mínimo, delirante ver um partido sem assento na Assembleia Municipal de Lisboa vir com este tipo de "exigências";
- a figura do referendo aparece agora como bandeira de quase todos os partidos (sobretudo os mais pequenos) como forma de ficarem bem vistos aos olhos da opinião pública.
Resta saber quem é que tem "estofo" para ir votar num partido com este tipo de actuação, no mínimo, mais que populista?
- a ND aproveita qualquer situação, mesmo que caricata, para aparecer na comunicação social;
- é, no mínimo, delirante ver um partido sem assento na Assembleia Municipal de Lisboa vir com este tipo de "exigências";
- a figura do referendo aparece agora como bandeira de quase todos os partidos (sobretudo os mais pequenos) como forma de ficarem bem vistos aos olhos da opinião pública.
Resta saber quem é que tem "estofo" para ir votar num partido com este tipo de actuação, no mínimo, mais que populista?
quinta-feira, fevereiro 05, 2004
Mais uma tentativa para a paz possível...
Durante os últimos dias, o Primeiro-Ministro de Israel, Ariel Sharon, tem assumido uma postura firme e lúcida na procura de uma base de entendimento entre israelitas e palestinianos que possa, a médio prazo, conduzir a um novo e efectivo processo de paz naquela, tão conturbada, região do mundo.
Apesar de Israel ter sofrido na passada semana os efeitos trágicos de mais um atentado terrorista contra civis e indo contra algumas facções da extrema-direita judaica, Sharon afirmou querer desmantelar os colonatos judeus situados na Faixa de Gaza. Com esta atitude, o Governo israelita dá, mais uma vez, o primeiro passo para que seja possível a realização de um encontro entre os Governos israelita e palestiniano, no sentido de avançar para uma situação de paz.
Do lado palestiniano, Arafat permanece mudo, certamente por não saber da reacção dos grupos terroristas que o sustentam no poder e, que ainda há poucos dias, deram o sinal de que o que pretendem é inviabilizar um acordo entre as duas partes.
Esperemos que esta nova tentativa de paz se concretize e que não regressem os discursos das Intifadas...
Apesar de Israel ter sofrido na passada semana os efeitos trágicos de mais um atentado terrorista contra civis e indo contra algumas facções da extrema-direita judaica, Sharon afirmou querer desmantelar os colonatos judeus situados na Faixa de Gaza. Com esta atitude, o Governo israelita dá, mais uma vez, o primeiro passo para que seja possível a realização de um encontro entre os Governos israelita e palestiniano, no sentido de avançar para uma situação de paz.
Do lado palestiniano, Arafat permanece mudo, certamente por não saber da reacção dos grupos terroristas que o sustentam no poder e, que ainda há poucos dias, deram o sinal de que o que pretendem é inviabilizar um acordo entre as duas partes.
Esperemos que esta nova tentativa de paz se concretize e que não regressem os discursos das Intifadas...
quarta-feira, fevereiro 04, 2004
Os que se julgam "donos" do 25 de Abril...
Fernando Rosas, reputado historiador e conhecido militante do Bloco de Esquerda (BE) escreve no Público de hoje um artigo anti-direita, dando a entender que as conquistas iniciadas pela Revolução de Abril de 1974 são um património exclusivo da denominada esquerda anti-fascista, como que se todos aqueles que antes da Revolução não militassem em organizações políticas de esquerda fossem contra a democracia e a liberdade! Um autêntico disparate, ainda para mais vindo de quem vem... um historiador!
Nos últimos tempos, tem-se difundido no país uma ideia de que o PSD virou à direita, arrastado pelo que a esquerda designa de minoria da extrema-direita (insinuação ao PP). O que o BE anda a proclamar, com o apoio de algumas personalidades políticas de esquerda, como Mário Soares, é a completa desinformação do que foi o processo conturbado da instauração da democracia e da liberdade em Portugal, ainda para mais no ano em que se comemoram 30 anos sobre a referida data. Estes esquerdistas ortodoxos esquecem-se que a liberdade em Portugal não se instalou logo no dia 25 de Abril de 1974, mas sim, e definitivamente, no dia 25 de Novembro de 1975.
Estes senhores que se julgam "donos" do 25 de Abril devem estar esquecidos que, caso no dia 25 de Novembro de 1975 não se tivesse assistido à derrota do projecto socialista radical, talvez ainda hoje não pudessem dizer muitas das barbaridades que dizem...
Nos últimos tempos, tem-se difundido no país uma ideia de que o PSD virou à direita, arrastado pelo que a esquerda designa de minoria da extrema-direita (insinuação ao PP). O que o BE anda a proclamar, com o apoio de algumas personalidades políticas de esquerda, como Mário Soares, é a completa desinformação do que foi o processo conturbado da instauração da democracia e da liberdade em Portugal, ainda para mais no ano em que se comemoram 30 anos sobre a referida data. Estes esquerdistas ortodoxos esquecem-se que a liberdade em Portugal não se instalou logo no dia 25 de Abril de 1974, mas sim, e definitivamente, no dia 25 de Novembro de 1975.
Estes senhores que se julgam "donos" do 25 de Abril devem estar esquecidos que, caso no dia 25 de Novembro de 1975 não se tivesse assistido à derrota do projecto socialista radical, talvez ainda hoje não pudessem dizer muitas das barbaridades que dizem...
Mentirosos...
A notícia que na sexta-feira passada foi avançada pelos Sindicatos dos Trabalhadores do Estado e pelos partidos da oposição (estes em pleno Parlamento) de que as comparticipações da ADSE irião ser reduzidas para mais de metade é das mentiras mais grosseiras que nos últimos tempos veio a lume, apenas com o intuito de baralhar a opinião pública e "incendiar" o estado anímico dos funcionários públicos.
O Jornal de Negócios publica hoje um estudo rigoroso das propostas do Governo acerca desta matéria, a partir do qual se chega à conclusão que se prevê um corte global, não de 60%, mas sim de 2,2%, muito longe dos números avançados pelos sindicatos, PS, PCP e BE.
Por um lado, é pena que organizações sindicais e partidos políticos com responsabilidades venham para a opinão pública fomentar a mais pura desinformação. Por outro lado, sejamos justos: a verdade é que a ADSE deveria ser completamente "reformada", pois constitui mais um exemplo de discriminação relativamente aos trabalhadores do sector privado, pois o justo seria haver um único sistema de comparticipações que englobasse de igual modo os funcionários do sistema público e privado.
Mas, quem é que ousará mexer nos chamados "direitos inamovíveis" de 700 mil eleitores?
O Jornal de Negócios publica hoje um estudo rigoroso das propostas do Governo acerca desta matéria, a partir do qual se chega à conclusão que se prevê um corte global, não de 60%, mas sim de 2,2%, muito longe dos números avançados pelos sindicatos, PS, PCP e BE.
Por um lado, é pena que organizações sindicais e partidos políticos com responsabilidades venham para a opinão pública fomentar a mais pura desinformação. Por outro lado, sejamos justos: a verdade é que a ADSE deveria ser completamente "reformada", pois constitui mais um exemplo de discriminação relativamente aos trabalhadores do sector privado, pois o justo seria haver um único sistema de comparticipações que englobasse de igual modo os funcionários do sistema público e privado.
Mas, quem é que ousará mexer nos chamados "direitos inamovíveis" de 700 mil eleitores?
segunda-feira, fevereiro 02, 2004
Sindicatos com medo de uma Ordem...
No Encontro Nacional de Professores que hoje começou em Braga, a Associação Nacional de Professores (ANP) vem defender a criação de uma Ordem dos Professores. Contudo, esta proposta não é consensual e as duas principais organizações sindicais (FENPROF e FNE) já vieram criticar esta ideia.
Esta é a prova cabal de como estas organizações sindicais não olham a meios para se "engordarem" a si mesmas, preocupando-se, sobretudo, com os milhares de contos mensais que entram nos seus cofres, provenientes das cotas dos seus associados, em vez de assumirem uma postura séria e adulta de defesa da classe docente. Se os advogados, os médicos, os enfermeiros e outras classes nobres têm uma Ordem que defende os direitos dos seus e é exigente no que concerne à sua avaliação, porque razão é que a FENPROF e a FNE têm medo de avançar para uma Ordem dos Professores?
Será porque, deste modo, muitos sindicalistas perderiam as regalias de que usufruem? Como professor, defendo a criação de uma Ordem dos Professores que seja exigente para com todos os professores, distinguindo aqueles que são verdadeiramente docentes daqueles que "dão" (ou vendem) umas aulas apenas para engordarem o seu orçamento familiar.
É este tipo de postura que faz com que, cada vez mais, me sinta afastado do sindicalismo português...
Esta é a prova cabal de como estas organizações sindicais não olham a meios para se "engordarem" a si mesmas, preocupando-se, sobretudo, com os milhares de contos mensais que entram nos seus cofres, provenientes das cotas dos seus associados, em vez de assumirem uma postura séria e adulta de defesa da classe docente. Se os advogados, os médicos, os enfermeiros e outras classes nobres têm uma Ordem que defende os direitos dos seus e é exigente no que concerne à sua avaliação, porque razão é que a FENPROF e a FNE têm medo de avançar para uma Ordem dos Professores?
Será porque, deste modo, muitos sindicalistas perderiam as regalias de que usufruem? Como professor, defendo a criação de uma Ordem dos Professores que seja exigente para com todos os professores, distinguindo aqueles que são verdadeiramente docentes daqueles que "dão" (ou vendem) umas aulas apenas para engordarem o seu orçamento familiar.
É este tipo de postura que faz com que, cada vez mais, me sinta afastado do sindicalismo português...
domingo, fevereiro 01, 2004
Futebol: o retrato da sociedade portuguesa...
A acreditar no que aconteceu e nas afirmações que alguns dos intervenientes proferiram no final do jogo de ontem entre Sporting e Porto, muitas das intenções que os agentes desportivos do futebol assumiram após a morte de Féher, não passaram de puras mentiras... O que ontem se ouviu da boca do treinador do Porto, José Mourinho, é demasiado grosseiro para que alguém acredite que o futebol português se transforme para melhor nos próximos tempos. É que as mentalidades são difíceis de mudar e com uma classe desportiva como a que temos no futebol, a baixeza intelectual continuará a perdurar.
Como é que se poderão "fixar" valores e referências na juventude portuguesa, quando o fenómeno mais mediático e que mais faz vibrar os jovens está cheio de exemplos vergonhosos?
Como é que se poderão "fixar" valores e referências na juventude portuguesa, quando o fenómeno mais mediático e que mais faz vibrar os jovens está cheio de exemplos vergonhosos?
sábado, janeiro 31, 2004
Medida de esquerda? Chamem-lhe o que quiserem.
O Público de hoje dá a conhecer que o Ministério da Justiça vai alargar este ano a todo o país a substituição das penas de multa ou inferiores a um ano de prisão por trabalho comunitário. Já ouvi vários socialistas afirmarem que esta é uma medida de esquerda, pois, segundo eles, a direita é mais repressiva no que concerne ao tema da segurança.
Pois bem, a verdade é que nos seis anos que o PS esteve à frente dos destinos do País, pouco ou nada se fez na questão da reinserção dos presos e, é agora, a direita a propôr uma medida que valoriza as capacidades dos condenados de pequenos delitos, já como o tinha feito aquando da aposta nas pulseiras electrónicas.
Esta é uma medida de louvar, pois a substituição de multas ou penas leves pelo trabalho comunitário beneficia o condenado e a sociedade. Pouco interessa saber se é de esquerda ou de direita. É deste Governo e ponto final.
Pois bem, a verdade é que nos seis anos que o PS esteve à frente dos destinos do País, pouco ou nada se fez na questão da reinserção dos presos e, é agora, a direita a propôr uma medida que valoriza as capacidades dos condenados de pequenos delitos, já como o tinha feito aquando da aposta nas pulseiras electrónicas.
Esta é uma medida de louvar, pois a substituição de multas ou penas leves pelo trabalho comunitário beneficia o condenado e a sociedade. Pouco interessa saber se é de esquerda ou de direita. É deste Governo e ponto final.
sexta-feira, janeiro 30, 2004
Em defesa da família. Sempre!
Um dos temas que neste blogue costuma registar mais comentários é o que anda à volta do "triângulo" família-casamento-homossexulalidade. Proponho-me, agora e aqui, apresentar a minha opinião fundamentada, de modo a esclarecer todos aqueles que afirmam não compreender a postura dos que defendem o conceito tradicional da família (tradicional enquanto união de um homem com uma mulher).
Convém, primeiramente, chamar a atenção de que sou católico, mas que tenho também o discernimento e capacidade suficientes de pensar pela minha cabeça. Depois, quero alertar os mais precipitados que tenho uma visão aberta da realidade actual, pelo que nada me move contra a condição homossexual.
O que não admito na minha forma de ver um mundo cada vez mais globalizado e liberto de preconceitos (e ainda bem nalguns aspectos!) é a banalização com que alguns pretendem considerar o conceito de família, enquanto instituição que se materializa, quanto a mim, na união estável e leal de um homem e uma mulher. Não me podem obrigar a alterar o significado de um conceito que tem milhares de anos e pelo qual rejo a minha forma de estar na vida, sobretudo enquanto cidadão que constituiu a sua própria família.
Nada me move contra os casais homossexuais enquanto isso mesmo, casais, mas daí a virem invocar que são uma família e que exigem que lhes seja permitido casar e adoptar crianças vai uma distância, que quanto a mim é incomportável.
A sociedade actual passa por mudanças ao nível das mentalidades e dos comportamentos, cuja velocidade dificulta a análise fria e serena de novas realidades, como é o caso da união entre homossexuais. Não me deixo levar por essa velocidade. Pelo contrário, penso não haver qualquer obstáculo a que se constituam casais homossexuais, mas já no que se refere a que a estes sejam concedidos os direitos e deveres inerentes ao de uma família, já não me parece razoável. E, isto por uma razão muito simples: a família, enquanto união de um homem e uma mulher, é, para mim, a célula fundamental da sociedade e, deve ser a partir dela que se deve fomentar a descendência. Logo, a formação e educação de uma criança deverá ser concedida, quanto a mim, apenas aos casais heterossexuais, pois uma criança que cresça num ambiente dominado pela homossexualidade terá sempre dificuldade (nem que seja inconscientemente) de descobrir e exteriorizar a sua tendência sexual, já para não falar da falta que lhe fará a figura do pai ou da mãe.
Dito isto, volto a frisar que nada me move contra os homossexuais e aqueles que se querem constituir como casais, mas têm de compreender que, e desculpem-me a comparação se for ofensiva, tal como alguém que nasceu sem jeito para a pintura não poderá aspirar a ser um grande pintor, também aqueles que nasceram homossexuais, não poderão, no meu entender, desejar contrair matrimónio e, muito menos adoptar crianças.
O mundo não nasceu igual para todos...
Convém, primeiramente, chamar a atenção de que sou católico, mas que tenho também o discernimento e capacidade suficientes de pensar pela minha cabeça. Depois, quero alertar os mais precipitados que tenho uma visão aberta da realidade actual, pelo que nada me move contra a condição homossexual.
O que não admito na minha forma de ver um mundo cada vez mais globalizado e liberto de preconceitos (e ainda bem nalguns aspectos!) é a banalização com que alguns pretendem considerar o conceito de família, enquanto instituição que se materializa, quanto a mim, na união estável e leal de um homem e uma mulher. Não me podem obrigar a alterar o significado de um conceito que tem milhares de anos e pelo qual rejo a minha forma de estar na vida, sobretudo enquanto cidadão que constituiu a sua própria família.
Nada me move contra os casais homossexuais enquanto isso mesmo, casais, mas daí a virem invocar que são uma família e que exigem que lhes seja permitido casar e adoptar crianças vai uma distância, que quanto a mim é incomportável.
A sociedade actual passa por mudanças ao nível das mentalidades e dos comportamentos, cuja velocidade dificulta a análise fria e serena de novas realidades, como é o caso da união entre homossexuais. Não me deixo levar por essa velocidade. Pelo contrário, penso não haver qualquer obstáculo a que se constituam casais homossexuais, mas já no que se refere a que a estes sejam concedidos os direitos e deveres inerentes ao de uma família, já não me parece razoável. E, isto por uma razão muito simples: a família, enquanto união de um homem e uma mulher, é, para mim, a célula fundamental da sociedade e, deve ser a partir dela que se deve fomentar a descendência. Logo, a formação e educação de uma criança deverá ser concedida, quanto a mim, apenas aos casais heterossexuais, pois uma criança que cresça num ambiente dominado pela homossexualidade terá sempre dificuldade (nem que seja inconscientemente) de descobrir e exteriorizar a sua tendência sexual, já para não falar da falta que lhe fará a figura do pai ou da mãe.
Dito isto, volto a frisar que nada me move contra os homossexuais e aqueles que se querem constituir como casais, mas têm de compreender que, e desculpem-me a comparação se for ofensiva, tal como alguém que nasceu sem jeito para a pintura não poderá aspirar a ser um grande pintor, também aqueles que nasceram homossexuais, não poderão, no meu entender, desejar contrair matrimónio e, muito menos adoptar crianças.
O mundo não nasceu igual para todos...
quinta-feira, janeiro 29, 2004
Descalabro, afirma o Ministro.
E com toda a razão! Os resultados das provas de aferição realizadas aos alunos dos 4º, 6º e 9º ano de escolaridade em 2002 foram hoje divulgados e são arrepiantes. Nos próximos dias muito se irá escrever sobre as causas destes resultados e avançar-se-ão com medidas que visem mudar o panorama.
Como professor, aqui deixo apenas uma dessas causas que, quanto a mim, provoca a desmotivação dos alunos pelo estudo. Como é possível que com um currículo com mais de dez disciplinas se consiga ter uma aprendizagem de conhecimentos minímamente equilibrada? Repare-se que, por exemplo, no 7º ano de escolaridade os alunos têm um quadro curricular composto pelas áreas de Língua Portuguesa, Inglês, Francês, História, Geografia, Ciências Naturais, Matemática, Físico-Química, Educação Visual, Educação Física, Área de Projecto, Estudo Acompanhado, Formação Cívica e alguns alunos ainda têm Religião e Moral e pertencem a diversos clubes.
Ora, como é possível exigir a muitos dos nossos alunos que consigam "encaixar" tanta matéria diferente nas suas cabeças, leccionada quase sempre por professores diferentes e com disciplinas que têm apenas uma vez por semana?
Como professor, aqui deixo apenas uma dessas causas que, quanto a mim, provoca a desmotivação dos alunos pelo estudo. Como é possível que com um currículo com mais de dez disciplinas se consiga ter uma aprendizagem de conhecimentos minímamente equilibrada? Repare-se que, por exemplo, no 7º ano de escolaridade os alunos têm um quadro curricular composto pelas áreas de Língua Portuguesa, Inglês, Francês, História, Geografia, Ciências Naturais, Matemática, Físico-Química, Educação Visual, Educação Física, Área de Projecto, Estudo Acompanhado, Formação Cívica e alguns alunos ainda têm Religião e Moral e pertencem a diversos clubes.
Ora, como é possível exigir a muitos dos nossos alunos que consigam "encaixar" tanta matéria diferente nas suas cabeças, leccionada quase sempre por professores diferentes e com disciplinas que têm apenas uma vez por semana?
Proibir um véu islâmico? (continuação)
No debate que se tem desenrolado sobre a recente proposta de lei do Governo francês, a propósito da proibição do uso ostensivo de símbolos religiosos nas escolas do Estado, a maioria dos intervenientes parece querer fugir ao termo "ostensivo" que a lei incorpora no seu texto. Ou seja, aqueles que estão contra esta proposta de lei defendem a sua posição, argumentando que a liberdade religiosa (independentemente dos seus princípios) é superior a qualquer tipo de imposição legal.
No entanto, penso que esta proposta de lei não vai contra a liberdade religiosa, precisamente porque no seu texto surge a palavra "ostensivo", no sentido de não quebrar essa liberdade. O que se pretende, penso eu, não é proibir o uso de um qualquer símbolo da religião muçulmana, judaica ou outra, mas sim proibir o seu uso ostensivo, o que equivale a dizer que todo o símbolo externo que signifique, por exemplo, um sinal de menorização ou inferioridade, como o é o véu islâmico quando usado de forma ostensiva, é assim proibido.
Esta proposta de lei não proíbe o uso de símbolos discretos, seja a cruz ao pescoço de um católico, uma estrela de David no casaco de um judeu ou a mão de Fátima na carteira de uma muçulmana. Agora, tudo o que signifique castração de direitos ou inferiorização da mulher (e o véu islâmico significa isso mesmo) é, desta forma, proibido. Ora, tal ideia não me choca, ainda para mais nas escolas, onde as crianças devem assimilar a igualdade de direitos que deve haver entre homens e mulheres.
No entanto, penso que esta proposta de lei não vai contra a liberdade religiosa, precisamente porque no seu texto surge a palavra "ostensivo", no sentido de não quebrar essa liberdade. O que se pretende, penso eu, não é proibir o uso de um qualquer símbolo da religião muçulmana, judaica ou outra, mas sim proibir o seu uso ostensivo, o que equivale a dizer que todo o símbolo externo que signifique, por exemplo, um sinal de menorização ou inferioridade, como o é o véu islâmico quando usado de forma ostensiva, é assim proibido.
Esta proposta de lei não proíbe o uso de símbolos discretos, seja a cruz ao pescoço de um católico, uma estrela de David no casaco de um judeu ou a mão de Fátima na carteira de uma muçulmana. Agora, tudo o que signifique castração de direitos ou inferiorização da mulher (e o véu islâmico significa isso mesmo) é, desta forma, proibido. Ora, tal ideia não me choca, ainda para mais nas escolas, onde as crianças devem assimilar a igualdade de direitos que deve haver entre homens e mulheres.
quarta-feira, janeiro 28, 2004
Proibir um véu ofensivo? Porque não?
Nos últimos tempos, muito se tem escrito e falado sobre uma proposta de lei que vai ser votada na Assembleia Nacional Francesa no próximo mês e que prevê a proibição de utilização de sinais que manifestem ostensivamente a confissão religiosa dos alunos nas escolas, colégios e liceus públicos. Esta proposta está a ser, em larga medida, criticada e recusada pela população muçulmana a viver em França e o seu debate já chegou a Portugal, nos órgãos de comunicação social e aqui, na blogosfera.
A minha opinião é muito simples em relação a este assunto. Penso que a palavra "ostensivamente" aplicada na proposta de lei é clara no sentido de evitar que as jovens muçulmanas se desloquem para a escola com a cabeça escondida. Não vale a pena comparar a utilização de um crucifixo ao pescoço de uma jovem católica (que em nada é uma atitude ostensiva) com um véu islâmico, este sim um símbolo castrador da liberdade das mulheres muçulmanas.
Por isso, esta proposta de lei não me choca em nada, visto que o que se pretende é tão simplesmente acabar com os símbolos religiosos que são ofensivos para a igualdade de direitos entre homens e mulheres. E, a verdade é que o véu islâmico o é... Se é necessário legislar para impôr a igualdade entre homens e mulheres que se legisle! Por alguma razão existem as leis...
A minha opinião é muito simples em relação a este assunto. Penso que a palavra "ostensivamente" aplicada na proposta de lei é clara no sentido de evitar que as jovens muçulmanas se desloquem para a escola com a cabeça escondida. Não vale a pena comparar a utilização de um crucifixo ao pescoço de uma jovem católica (que em nada é uma atitude ostensiva) com um véu islâmico, este sim um símbolo castrador da liberdade das mulheres muçulmanas.
Por isso, esta proposta de lei não me choca em nada, visto que o que se pretende é tão simplesmente acabar com os símbolos religiosos que são ofensivos para a igualdade de direitos entre homens e mulheres. E, a verdade é que o véu islâmico o é... Se é necessário legislar para impôr a igualdade entre homens e mulheres que se legisle! Por alguma razão existem as leis...
terça-feira, janeiro 27, 2004
Política baixa...
Perante a recente notícia avançada pelo Jornal de Negócios de que o Ministério da Justiça, tutelado por Celeste Cardona, reteve os descontos para a Segurança Social feitos a 580 trabalhadores com contratos a prazo em 2003, num montante superior a 670 mil euros, já se veio dizer que esta situação configura um crime fiscal perante o qual a Ministra da Justiça deve ser responsabilizada e, caso se venha a confirmar, eventualmente, condenada a pena de prisão. Pois bem, esta ideia parece-me um completo disparate! Ouvi hoje na SIC, o fiscalista Saldanha Sanches, vir aventar com a possiblidade de que a Ministra Celeste Cardona poderá vir a ser constituída arguida num eventual processo de crime fiscal.
Claro que toda a esquerda parlamentar já veio exigir a "cabeça" da Ministra, num claro sinal de baixeza política. Não digo que o Estado agiu bem na retenção dos descontos (muito pelo contrário!), mas será que o que aconteceu não foi um simples congelamento dos ditos descontos para a Segurança Social, enquanto a situação laboral dos trabalhadores não for regularizada. Alguém acredita que a Ministra da Justiça agiu com dolo nesta questão?
O que a esquerda vem provar é que rejubila com estes pseudo-escândalos, tendo em vista a queda de Ministros e do próprio Governo...
Claro que toda a esquerda parlamentar já veio exigir a "cabeça" da Ministra, num claro sinal de baixeza política. Não digo que o Estado agiu bem na retenção dos descontos (muito pelo contrário!), mas será que o que aconteceu não foi um simples congelamento dos ditos descontos para a Segurança Social, enquanto a situação laboral dos trabalhadores não for regularizada. Alguém acredita que a Ministra da Justiça agiu com dolo nesta questão?
O que a esquerda vem provar é que rejubila com estes pseudo-escândalos, tendo em vista a queda de Ministros e do próprio Governo...
A ameaça de sempre...
No fim-de-semana passado voltaram as ameaças da população de Canas de Senhorim pela criação de um novo concelho. Afirmou o Presidente da Junta de Fregueisa de Canas que a população jamais sossegará enquanto não for criado o concelho de Canas.
Seria bom que se aproveitasse a actual Reforma da Administração do Território em curso para esclarecer esta situação, potenciadora de divisões populacionais e de outras tentativas de separatismos concelhios.
É bom que se saiba que a freguesia de Canas de Senhorim é demasiado pequena, tanto em área, como em termos populacionais para vir reclamar a sua constituição em concelho e que as razões históricas nada têm que ver com a possibilidade de se constituírem novos concelhos. Aliás, é provável que Portugal até tenha concelhos a mais, originando o "esfumar" de muito dinheiro pelas suas classes dirigentes...
Para quando o esclarecimento pela classe política desta questão canense?
Seria bom que se aproveitasse a actual Reforma da Administração do Território em curso para esclarecer esta situação, potenciadora de divisões populacionais e de outras tentativas de separatismos concelhios.
É bom que se saiba que a freguesia de Canas de Senhorim é demasiado pequena, tanto em área, como em termos populacionais para vir reclamar a sua constituição em concelho e que as razões históricas nada têm que ver com a possibilidade de se constituírem novos concelhos. Aliás, é provável que Portugal até tenha concelhos a mais, originando o "esfumar" de muito dinheiro pelas suas classes dirigentes...
Para quando o esclarecimento pela classe política desta questão canense?
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