domingo, fevereiro 29, 2004

O grande equívoco

Ontem foi dia de abertura das hostilidades entre os principais partidos portugueses no caminho para as eleições europeias. Tanto a coligação PSD/PP, como o PS, o PCP e o BE tiveram reunidos no sentido de definirem a estratégia que vão adoptar a partir de hoje até ao dia 13 de Junho, dia das eleições.
Ora, pelo que ontem se ouviu de alguns dirigentes partidários, parece-me que existe, em todos os partidos, um grande equívoco sobre o significado das próximas eleições. Cada partido, com destaque para o PS e a coligação PSD/PP, optou por redefinir o real sentido do que no próximo dia 13 de Junho deveria estar em questão. O PS, pela voz de Ferro Rodrigues, quer fazer das europeias um "ajuste de contas com o embuste eleitoral de Março de 2002". Por seu lado, a coligação PSD/PP tenta disfarçar as diferenças que existem entre os dois partidos em matéria de Europa e vai para estas eleições coligado de forma artificial. Quanto aos demais partidos, nem vale a pena falar, pois têm como principal objectivo aproveitar as eleições para usufruírem de tempo de antena.
Ora, é pena que as duas principais forças partidárias vejam estas eleições numa perspectiva de debate das políticas caseiras e de distribuição de lugares apetecíveis em Bruxelas, em vez de darem a conhecer ao eleitorado português o trabalho feito (ou que ficou por fazer) pelos deputados europeus eleitos à cinco anos atrás. Com este tipo de actuação, não é de admirar que a maioria dos portugueses desconheça para que servem estas eleições e, o mais certo, é que muita gente vá votar seguindo o pensamento estratégico do PS, defendendo ou condenando a política de Durão Barroso. A verdade é que, infelizmente, estas eleições vão sobretudo servir de barómetro acerca de como os portugueses apreciam (ou não) a política governamental da coligação...

sábado, fevereiro 28, 2004

Petições para todos os gostos

O movimento cívico "Mais Vida, Mais Família" anunciou hoje ter reunido mais de 120 mil assinaturas num abaixo-assinado por "leis de apoio à família e contra o aborto livre", que irá ser apresentardo à Assembleia da República na próxima quarta-feira.
Nas vésperas de os deputados da Nação irem discutir a proposta do PCP que, apoiado numa petição, pede, um referendo sobre o aborto, chega-nos agora a notícia da apresentação de uma outra petição que vai no sentido oposto àquela que vai ser alvo de discussão parlamentar no próximo dia 3 de Março.
A opção encontrada pelos partidos de oposição para fazer a defesa de um novo referendo, apoiada em petições, dá neste tipo de imbróglios e "campeonatos de assinaturas", que só dividem a sociedade portuguesa. Penso que a questão do aborto deve ter em conta, não o número de assinaturas que se arranjam para defender esta ou aquela posição, mas sim o respeito pela lei em vigor, que ainda há cinco anos for "aceite" pela maioria daqueles que resolveram pronunciar-se sobre a mesma. Agora há que respeitar a lei vigente, evoluindo num sentido harmonioso e não radical, não obstante o papel que o Estado deve ter no sentido de apoiar as famílias que têm dificuldades económicas e julgam não possuir meios para criar uma criança. Tudo deve ser feito para que o direito à vida com dignidade não seja questionado...

sexta-feira, fevereiro 27, 2004

Com professores(as) assim...

Ontem e hoje fui participar numa acção de formação realizada por uma associação de professores, que tinha como um dos temas em debate o stresse existente na classe docente e as várias formas de lidar com este problema cada vez mais actual. Mais uma vez, fiquei desiludido com o comportamento manifestado pela maioria dos professores participantes neste tipo de reuniões. É que, num anfiteatro com cerca de 400 docentes (90% deles mulheres), a postura manifestada pela grande maioria dele(a)s foi de bradar aos céus, pelo menos na minha maneira de ver estes encontros.
Passo a explicar. Uma das intervenientes foi uma psicóloga brasileira que resolveu fazer a sua intervenção como se estivesse a lidar com crianças, pondo toda aquela gente a cantar e aos abraços, como se se estivesse presente numa das missas do Padre Borga. Claro que, como a maioria dos professores participantes na acção eram professoras e, ainda por cima, do ensino pré-primário e primário, toda aquela algazarra teve uma adesão enorme.
Para mim, professor do ensino secundário, sempre me fez confusão o comportamento manifestado pelos educadores de infância e professores do 1º ciclo, que participam nestas acções de formação como se estivessem nas suas salas de aula, com os alunos a cantarem e aos saltos. Para aumentar o desconforto sentido naquela experiência de loucos, atrás de mim, sentou-se uma professora primária, já dos seus sessenta e tal anos que, durante duas horas, se fartou de dormir profundamente e ressonar ao som da palestra de um outro psicólogo que falava acerca do stresse.
Conclusão: fui para uma acção de formação a fim de saber algo mais sobre o stresse na classe docente e saí de lá bem mais stressado do que quando para lá entrei. Enfim, esta foi mais uma experiência que contribuiu para que cada vez mais não compreenda porque é que o Estatuto da Classe Docente é o mesmo, tanto para educadores de infância, como para professores do ensino secundário. É que uns e outros são como o azeite e a água: nada têm de semelhante, tanto na função desempenhada, como na postura e na exigência profissional da mesma...

quinta-feira, fevereiro 26, 2004

Uma boa notícia...

Tudo indica que, ainda este ano, possa ser possível que o Estado faça o cruzamento de dados entre a Administração Fiscal e a Segurança Social, para que, finalmente, todos aqueles que descontam para a Segurança Social a partir de salários baixos e adquirem bens de luxo, sejam mais facilmente apanhados pela Justiça portuguesa.
E, ainda dizem que este Governo só se preocupa com os grandes e os graúdos! Se fosse verdade este post não existiria! Que dirá agora a esquerda radical desta medida governamental?

quarta-feira, fevereiro 25, 2004

O que fazer com os ditos "arrumadores de carros"?

Todos sabemos que, quando queremos estacionar o nosso automóvel em zonas de elevado tráfego citadino, a existência de um "arrumador de automóveis" por perto pouco nos ajuda, pois, geralmente, os mesmos resumem a sua acção ao esticar de um braço para um lugar livre que, muitas vezes, já tinho sido vislumbrado por nós... Na prática, estes indivíduos que são conhecidos por "arrumadores de carros" pouco auxiliam os condutores no acto de estacionar, imputando-se a si mesmos a quase obrigação de receberem, pela sua pseudo-ajuda, uma moeda não inferior a 50 cêntimos.
A conhecida "praga" dos "arrumadores", que há uns anos atrás era apenas visível nas grandes cidades de Lisboa e do Porto, tem-se alastrado um pouco por todo o país, de norte a sul, do continente às ilhas... Tem-se a ideia que muitos destes "arrumadores" vivem para a droga, mas, a verdade é que cada vez aparecem mais indivíduos sem problemas de alcoolismo ou droga e que se aproveitanm desta actividade para angariar algumas dezenas de euros por dia.
A Câmara de Lisboa, à semelhança do que aconteceu no Porto, pretende licenciar esta actividade, através da concessão de um cartão de identificação válido por um ano indicador da zona de actuação dos ditos "arrumadores". Entretanto, os automobilistas continuarão a ser forçados a entregar uma moeda ao arrumador, se não quiserem ver o seu automóvel riscado. Parece-me que esta é uma proposta cheia de boas intenções, mas que, infelizmente, não irá resolver os problemas inerentes a esta actividade: por um lado, os "arrumadores" continuarão a aproveitar-se da chantagem psicológica para receberem dinheiro de forma coerciva e ilícita; por outro lado, não se vai ao fundo do problema, que seria tornar esta actividade efectivamente ilícita, por forma a que os agentes de segurança pudessem levar à Justiça aqueles que se fazem passar por mendigos, para encherem de moedas os seus bolsos.
Penso que o mais correcto a fazer relativamente a esta questão seria o de identificar todos os sujeitos que fossem encontrados a exercer esta actividade, discernindo aqueles que estão nesta vida por problemas relacionados com a droga ou o alcoolismo, a fim de os tratar, daqueles que se fazem passar por necessitados, mas que em vez de trabalharem condignamente, optam por uma actividade onde o cansaço é pouco e os lucros são elevados. Para estes, o destino seria a Justiça se voltassem a incorrer no referido acto ilícito. Caso contrário, lá teremos que continuar a gastar moedas nos parcómetros e nos ditos "arrumadores"...

segunda-feira, fevereiro 23, 2004

Aprender com os erros...

Os recentes casos de conflitualidade entre os conselhos de administração de alguns hospitais-empresa e as respectivas direcções clínicas, ocorridos em Viseu, Setúbal e Figueira da Foz devem servir de alerta para a tutela do Estado, no sentido de estabelecer condições propícias para que a necessária gestão administrativa de importantes serviços públicos não seja sinónimo de perda de qualidade nos serviços prestados à população.
A política deste Governo em avançar com gestões profissionalizadas nos hospitais-empresas, mas, futuramente, como consta nos planos do Governo, também nos centros de saúde e nos estabelecimentos de ensino, não pode ser feita à revelia dos profissionais da saúde e da educação. O problema reside no facto de que muitos dos gestores que estão à frente dos destinos dos hospitais S.A. nada terem a ver com a área da saúde, o que não se compreende. Muitos destes gestores apenas percebem de gestão financeira, faltando-lhes o conhecimento empírico necessário para gerir serviços públicos.
Seria bom que o Governo tivesse em conta que uma gestão equilibrada e eficaz dos serviços públicos, sobretudo das áreas da saúde e da educação, só pode ser feita quando os próprios profissionais têm voto na matéria. E, a verdade é que em muitos hospitais este pressuposto, que deveria existir, tem sido, simplesmente, ignorado...
Esperemos que os futuros gestores das escolas, que vão subsitituir os Conselhos Executivos, também não sejam escolhidos à revelia dos professores...

A crise do casamento...

O Público de hoje dá a conhecer alguns números alarmantes sobre a crise do casamento na sociedade portuguesa. Segundo o referido diário, no ano de 2002 realizaram-se menos de cerca de 2 000 casamentos do que em 2001, enquanto que o número de divórcios aumentou em quase 10 000, o que revela uma tendência alarmante.
Uma das causas para este fenómeno relaciona-se com o facto de, actualmente, as relações afectivas terem um carácter muito mais instável e passageiro, pouco condizente com a efectivação de uma união jurídica (já nem falo no carácter religioso da mesma) que assenta em princípios de fidelidade e respeito mútuo, que hoje em dia parecem passar ao lado de muita gente.
Seria bom que o Estado desse reais passos na defesa da instituição do casamento, por forma a que não se esteja a caminhar para uma sociedade disfuncional, onde o que conta são as relações fugazes e efémeras, potenciadoras de situações caricatas que se vão tornando cada vez mais rotineiras na nossa sociedade: aumento dos celibatários, em contraposição com o crescente número de filhos de mães solteiras e de pais desconhecidos e com a banalização dos casos de filhos de pais divorciados... Enfim, uma série de situações onde os filhos são, muitas vezes, o resultado de meras paixões bacocas, vendo-se obrigados a crescer em ambientes confusos, sem a presença do pai ou da mãe... Muitas vezes, até são os avós que fazem o papel que deveria ser dos pais!
Tal como se concedem benefícios às famílias que têm mais de dois filhos, para quando, por exemplo, a concessão de regalias e benefícios fiscais às famílias estáveis que se preocupam com o crescimento harmonioso dos seus filhos?

domingo, fevereiro 22, 2004

O domingo da ilusão...

Nunca gostei do Carnaval, enquanto festividade que se mune de máscaras e de brincadeiras "feias", para que as pessoas riam, saltem e se deixem levar pela ilusão das máscaras. Sobretudo, sempre me fez alguma confusão a necessidade que muitas pessoas têm de cumprir uma tradição, que manda que as pessoas se mascarem de uma qualquer figura conhecida ou não, a fim de se mostrarem ao mundo, escondidas, por detrás de uma máscara. Aliás, é algo contraditório que essa pseudo-folia seja feita à custa de uma máscara. É uma espécie de exibicionismo envergonhado...
Por outro lado, este é o domingo em que muita gente vai para os passeios de uma qualquer avenida de muitas cidades deste país para verem uma série de figurões que troçam de meio mundo, enquanto que outros suspiram por verem algumas brasileiras em trajes menores. Enfim, e assim alguns ganham dinheiro à custa dos anseios ilusórios dos outros!
Sempre aproveitei esta festividade para me afastar dessas confusões, optando por passear por sítios mais calmos e onde a ilusão e a troça estejam bem longe. Aliás, deverá haver alguma razão psicológica para que certas pessoas tenham a necessidade de se "travestir" nesta época do ano. Tal como nunca entendi os travestis, também nunca percebi a importância que muita gente dá a este Carnaval modernista, onde imperam a máscara, o gozo e a mentira.
E, pensar que na próxima terça feira, de uma tradição absurda se faz um feriado nacional...

sábado, fevereiro 21, 2004

Soares: o provocador...

Soares parece estar com saudades do protagonismo que os cargos de Presidente da República e de eurodeputado lhe concederam, tendo-se nos últimos tempos evidenciado por afirmações contra o PP e Paulo Portas. Agora, parece apostado em alastrar o combate a todo o Governo.
O texto de Soares que a revista Visão desta semana publica é, além de provocatório para o PP, um ataque ao PSD e ao Governo de Durão Barroso. O pai dos socialistas, afirma que a direita está numa "guerra de candidaturas aos diferentes postos da hierarquia do Estado", numa clara alusão a Santana Lopes, reduzindo toda a acção do PSD à questão das presidencias, quando o que se passa é precisamente o oposto. Soares lembrou-se agora de atacar também o PSD e o Governo, fazendo-se passar por uma espécie de "lâmpada mágica" de Ferro Rodrigues.
Mas, porque não faz Soares o que tem feito Cunhal nos últimos tempos. Goze a sua reforma, deixe os holofotes do protagonismo e a acção político-partidária para os mais jovens. É que já chateia ter que aturar com as "indirectas" de Soares contra o Governo e com as suas ideias absurdas de que Portugal é governado pela acção de uma ala de extrema-direita, só vislumbrada por mentes preversas, que parecem não saber quais os verdadeiros ideais de extema-direita. Seria bom que Soares tivesse mais respeito pelos eleitores que deram o seu voto a este Governo...

sexta-feira, fevereiro 20, 2004

Ele não sabe (?) o que é a corrupção...

A entrevista de Pinto da Costa (PC), ontem à SIC, revelou-se um completo fiasco, tanto pela postura desconversante assumida pelo presidente do F. C. Porto, como pelo excesso de ironia com que PC nos presenteou. Mas, o que mais me surpreendeu foi a forma quase "angelical" e descarada com que PC afirmou desconhecer a existência de corrupção no futebol português. Para alguém que há mais de vinte anos está à frente de um clube como o F.C.P. e com as relações que tem vindo a estabelecer com dirigentes, árbitros e empresários de futebol é, no mínimo, risível o descaramento com que o presidente portista afirma não saber de nada ao nível da corrupção no futebol, nomeadamente no que concerne aos dinheiros desviados aquando das transferâncias de jogadores... Toda a gente sabe que o mundo do futebol é apeticível, sobretudo a presidência de clubes de primeira linha. Aliás, por alguma razão temos clubes em Portugal que já têm o mesmo presidente há mais de duas décadas, dificultando a apresentação de novas candidaturas (Porto, Boavista, Guimarães, etc.) e com as suas vidas particulares bem encarreiradas à conta do futebol... Mas, enfim, outra coisa não seria de esperar do presidente portista! Por alguma razão ele diz desconhecer corrupção no futebol português!

quinta-feira, fevereiro 19, 2004

Os homossexuais e a adopção...

A reacção de Luís Villas-Boas, presidente da Comissão de Acompanhamento da Lei da Adopção Portuguesa (CALAP), no Público de ontem, à decisão espanhola de permitir a adopção de duas crianças por um casal de lésbicas, suscitou, por parte de várias organizações de esquerda e de defesa dos direitos dos homossexuais, a revolta e a incredulidade, com o presidente da Opus Gay a exigir a demissão de Villas-Boas do cargo que ocupa na CALAP.
Se as afirmações de Villas-Boas assentam em pontos de vista, provavelmente, um pouco duros de rejeição pela adopção de crianças por casais de homossexuais, a resposta por parte destes revelou-se também pouco sensata e nada respeitadora da opinião de alguém que, efectivamente, tem conhecimento de causa sobre a realidade adpotiva e que ocupa cargos importantes ao nível da Psicologia portuguesa.
Para compreendermos o ponto de vista de Villas-Boas é imprenscindível ter em conta que a Psicologia, ao contrário da Física ou da Matemática é uma ciência humana, e não exacta, pelo que muitos dos postulados que muitos julgam quase dogmáticos, podem variar de acordo com a sociedade em que se inserem. E, a verdade é que, se os grupos de pressão dos homossexuais "inundam" a sociedade em geral com estudos diversos que defendem que a homossexualidade não é nenhum comportamento desviante, nem tão pouco anormal (conceito diferente de deficiente!), seria positivo que se contextualizassem os resultados destes estudos às sociedades em que se inserem e às necessidades reais de cada época.
Ora, se por um lado não é mentira que a sociedade portuguesa, em termos gerais, não vê com bons olhos a pretensão dos homossexuais em poderem adoptar, também não podemos fugir à principal realidade: não há falta de famílias heterossexuais que não queiram adoptar crianças! De facto, só valeria a pena ponderar a hipótese de alargar o direito de adoptar aos casais homossexuais se, realmente, houvesse necessidade disso. E, isto porquê? Porque, na realidade, penso que a preocupação subjacente a este assunto é definir o melhor para as crianças orfãs ou abandonadas e não definir as necessidades psicológicas ou afectivas dos homossexuais, sobretudo quando estão em causa crianças indefesas.
Seria bom que os homossexuais não "instrumentalizassem" crianças em dificuldades como forma de adquirirem um direito, que só o não o concretizam de forma natural porque a sua "mente" não deixa, pois do ponto de vista biológico poderiam concretizá-lo... Equiparar situações de infertilidade de casais heterossexuais a casos de orientação sexual "fora do normal" não me parece justo, sobretudo quando o que está em causa são os direitos das crianças a uma família condigna e não os direitos de pseudo-igualdade entre heterossexuais e homossexuais...

quarta-feira, fevereiro 18, 2004

A instrumentalização da justiça...

Ontem assistiu-se a uma verdadeira tentativa de aproveitamento de uma decisão judicial, a propósito do julgamento ocorrido em Aveiro, a fim de justificar a liberalização do aborto. Tanto os partidos de esquerda, como as organizações que promovem a auto-determinação da mulher de praticar o aborto livre, encontraram na decisão do colectivo dos juízes uma forma de propagandear as suas ideias "libertinas".
Seria bom que se esclarecesse que a decisão judicial de ontem teve como justificação o facto de os juízes não terem considerado como provados os crimes de aborto clandestino, pelo que outra decisão não seria de esperar. Para haver condenação, é lógico que tem de haver prova de crime... Contudo, lembremo-nos do caso de há um ano na Maia, em que, perante pressupostos análogos, mas dado como provados, os juízes optaram por condenar os intervenientes, nomeadamente a autora material dos crimes (uma enfermeira) a pena de prisão, sendo que as mulheres foram condenadas, mas não com pena de prisão.
Pode ser que a lei actual seja demasiado severa, mas os juízes têm tido o bom senso de distinguir os casos concretos. Aliás, não me lembro de alguma vez uma mulher ter sido condenada a pena de prisão por ter abortado. O que é moralmente reprovável é o aproveitamento de um caso isolado como argumento de que a lei deve ser alterada. Com argumentos destes, muitos dos pressupostos dos que defendem a liberalização do aborto caem por terra....

terça-feira, fevereiro 17, 2004

A imigração, o envelhecimento, a família e os impostos...

É hoje apresentado o estudo "Impacto da Imigração na Demografia Portuguesa", da autoria da professora Maria João Valente Rosa, que traça uma análise das consequências demográficas da imigração em Portugal nos próximos anos. A verdade é que, segundo o referido estudo, Portugal, a par do resto da Europa, atravessa um grave problema de envelhecimento populacional, que só poderá ser ultrapassado através de uma de duas hipóteses: ou continuam a entrar milhares de imigrantes jovens em Portugal, aumentando assim a população activa, ou se tomam medidas que, efectivamente, consigam incentivar os casais portugueses a terem mais filhos. Há uma terceira hipótese que é a de conciliar as anteriores...
Os próximos anos vão ser elucidativos desta realidade, com o número de reformados a aumentar consideravelmente e a população jovem a diminuir a olhos vistos. Só estando bem a par desta situação é que se compreende que o Governo seja obrigado a aumentar a idade da reforma, ainda para mais quando os jovens começam a trabalhar cada vez mais tarde e a esperança média de vida tem tendência para aumentar todos os anos.
Claro que a imigração não pode ser tida como a única solução para o problema do envelhecimento, pois nem todos os imigrantes conseguem arranjar um emprego estável e muitos deles têm em vista o retorno à sua terra natal. Seria bom que o Governo, de uma vez por todas, aplicasse medidas efectivas de reforço e defesa da família, por forma a discriminar positivamente os casais com três ou mais filhos... Pelo contrário, os casais sem filhos ou aqueles que optam por viver sozinhos ou de forma anárquica deveriam ver os seus impostos agravados.
São medidas polémicas, mas a direita não costuma ter medo da polémica...

segunda-feira, fevereiro 16, 2004

Polémica dentro do PSD ao rubro...

A questão presidencial desencadeada, novamente, por Santana Lopes na entrevista de sábado passado ao Expresso colocou as hostes laranjas ao rubro, com o desenrolar de respostas e contra-respostas por parte de alguns protagonistas, nomeadamente Santana, Marcelo e Pacheco Pereira.
A postura com que Santana Lopes se apresentou hoje no Jornal da Noite da SIC foi a de um homem sem medo, frontal e directo nas posições que toma. Contudo, não deixou escapar alguma dose de nervosismo e raiva contra os seus dois maiores opositores (Marcelo e Pacheco), lançando-lhes uma série de farpas que não o ajudam nada no sentido de evidenciar uma imagem de estadista, preparado para ser Presidente da República.
A vida política de Santana não corre às mil maravilhas e não me admira nada que, caso Cavaco não avance surga como hipótese uma nova personalidade de direita que nos últimos tempos se tem destacado: Freitas do Amaral. Mas, continuo a pensar que Cavaco irá prosseguir o seu rumo normal de se apresentar como o candidato ideal para aglutinar votos, tanto da direita, como da própria esquerda não radical. Claro que será ele próprio a assumir o "timing" ideal para formalizar tal intenção, sobretudo agora que o PSD, por intermédio de Morais Sarmento veio tentar "calar" Santana Lopes durante uns tempos.
Uma coisa é certa: na direita não faltam candidatos a candidatos às eleições presidenciais...

sábado, fevereiro 14, 2004

Uma postura sensata, sem radicalismos...

A entrevista que o Bispo das Forças Armadas, D. Januário Torgal Ferreira, concede ao Público de hoje é a prova de que a Igreja dos nossos dias não se resume aos postulados veiculados pela Santa Sé, indo muito para além das posições assumidas pelo Papa João Paulo II.
Aos poucos e sem pressas, a Igreja vai evoluíndo, sem cair na tentação dos radicalismos, nem dos estigmas exacerbados Na entrevista, o Bispo afirma respeitar e compreender a posição defendida pelo Papa e acredita que com o tempo novas posições face ao uso do preservativo e da pílula e à ordenação das mulheres serão aceites pela Igreja. Mas, até lá, mais importante do que entrar em discussões amorfas e radicalismos inócuos, tantas vezes veiculados por aqueles que são contra as posições do Papa, é compreender cada caso como único, sem generalizar, nem massificar. Para tal, cada um que se assume como católico deve manifestar a sua opinião, desde que esta seja tida como um ponto de equilíbrio entre as normas veiculadas pela Igreja e a consciência individual que cada um deve preservar.
Enfim, o segredo, tanto para aqueles que seguem às cegas a linha orientadora do Papa, como para aqueles que se servem das posições da Igreja Católica para se vitimizarem, será assumir uma postura equilibrada, flexível e respeitadora dos princípios básicos pelos quais uma sociedade se deve reger, nunca esquecendo que cada caso é um caso diferente de todos os outros...

O que faz correr Santana Lopes?

Desde há vários meses que Santana Lopes não perde uma oportunidade para vir aos diversos órgãos de comunicação social afirmar-se como disponível para ser o candidato da direita às eleições presidenciais. Seja através de entrevistas, artigos de opinião ou aparições públicas, Santana não desarma e apronta-se na linha de partida para poder avançar às Presidenciais. A única "pedra no sapato" chama-se Cavaco Silva...
Ora, na entrevista de hoje ao Expresso, o Presidente da Câmara de Lisboa passa à ofensiva e avisa Cavaco que não vai esperar pela decisão deste. Será esta ameaça para levar a sério ou é mais uma "tirada" de Santana para amanhã Marcelo avivar o tema?
De qualquer forma, penso que não fica bem a Santana vir continuamente a público com a conversa de que sente com capacidade e vontade de avançar para as eleições presidenciais a quase três anos de distância e, sobretudo, quando o próprio já afirmou que gostaria de ficar dois mandatos à frente dos destinos da Cãmara de Lisboa.
A verdade é que Santana sabe que se não avançar agora terá, certamente, que esperar mais dez anos para poder voltar a pensar no assunto... É que, geralmente, quem vai para Presidente da República fica por lá os dois mandatos que a lei lhe concede...

sexta-feira, fevereiro 13, 2004

A mania da perseguição...

Já há alguns meses atrás escrevi aqui um artigo sobre o facto de estar implantado na cidade-região do Porto um discurso de vitimização e discriminação de que a invicta é alvo por parte de Lisboa, pelo menos na opinião de muitas personalidades ligadas à vida política, económica e cultural da segunda maior cidade do País. Efectivamente, nos últimos tempos têm-se multiplicado os colóquios e forúns de debate sobre o actual estado deprimente da cidade invicta.
A este propósito, Miguel Sousa Tavares (MST) escreve hoje no Público um artigo onde sublinha que as gentes do Porto são parte do problema e não apenas vítimas, como muitos querem fazer crer. Concordo com MST quando este afirma que "o Porto terá de se haver consigo próprio e de se impor por si próprio", pois o discurso lamechas que a sociedade pensante do Porto continuamente evoca só provoca o agudizar do estado depressivo com que esta cidade se debate.
Mas, atentamos ao seguinte fenómeno. Enquanto que Lisboa e toda a sua área envolvente vive de forma equlibrada, sem quezílias e conflitos internos, no Porto reina um ambiente conflituoso, com personalidades de relevo em guerrilha permanente que só desgasta a imagem da invicta e serve de risota ao resto do País. Basta lembrarmo-nos dos conflitos e inimizades vigentes entre Pinto da Costa e Rui Rio e deste com Luís Filipe Menezes, a par das constantes bocas atiradas por Valentim Loureiro, para já não falar das prestações de Fernando Gomes ou de Nuno Cardoso. Enfim, um rol de episódios caricatos que só provam que o declínio do Porto face a novas centralidades como Aveiro ou Braga se deve em grande medida à incapacidade dos próprios decisores políticos e culturais do Porto em se afirmarem como capazes de actuar cívica e responsavelmente.
Uma coisa é certa. O Porto só poderá sair do declínio em que se meteu quando deixarmos de assistir aos conflitos de estilo provinciano que os seus líderes políticos, económcos, culturais e desportivos tantas vezes protagonizam... Até lá, Lisboa e os lisboetas continuarão a sua vida cara alegre!

Entretenimento...

Ontem à noite ouvi na TSF parte da entrevista que o Presidente do Sporting concedeu à jornalista Judite de Sousa, da RTP, e fiquei impressionado. Como é possível que um clube do gabarito do Sporting, que até tem uma boa equipa de futebol e um treinador reconhecido internacionalmente, tenha como Presidente um senhor que, por muito respeito que me mereça, já deveria estar a gozar da sua reforma em pleno e a 100%. Em vez disso, cada vez que abre a boca para falar, Dias da Cunha, torna-se num autêntico entretenimento para os adeptos de outros clubes rirem um bocado das suas "arrepiantes" intervenções...

quinta-feira, fevereiro 12, 2004

Em prol da responsabilização individual....

O Governo, através de Durão Barroso, manifestou ontem a sua intenção de avançar com as necessárias alterações legislativas para reduzir o consumo de álcool e tabaco e para incentivar hábitos alimentares mais correctos, promovendo estilos de vida saudáveis entre os portugueses. Esta é uma boa medida no sentido de não deixar que se banalizem comportamentos incorrectos ao nível da saúde pública, como são, por exemplo, o tabagismo e o alcoolismo.
Claro que, nos próximos tempos, muitos dos fumadores e apreciadores de bebidas alcoólicas virão queixar-se de que o Governo pretende retirar-lhes a liberdade de fumarem o seu cigarrinho ou beberem a sua cervejinha sossegados, quando e onde quiserem. Pois bem, acho que o Governo, para além de dever cumprir o que assume agora como intenção, deve ir muito mais além e legislar no sentido de penalizar todos aqueles que, através de comportamentos condenáveis (como é fumar em estabelecimentos públicos ou no trabalho) ponham em causa a saúde das outras pessoas.
Com que direito, por exemplo, é que é permitido fumar em plenos corredores hospitales ou nas salas de professores? Tem que se agir no sentido de promover a responsabilização individual e colectiva e ser-se mais severo. Dou apenas um exemplo de um caso absurdo nos dias de hoje. Como é possível que na escola onde lecciono nada impeça que se vejam alunos a fumarem em pleno recinto escolar, à vista dos alunos mais novos, sem que nada lhes aconteça?
Depois de trinta anos a vivermos numa sociedade onde se têm vindo a banalizar comportamentos e atitudes pouco responsáveis, é tempo de o Estado começar a por alguma ordem e civismo no estado actual de muitas coisas, sob pena de que daqui a uns anos a nossa juventude não tenha respeito, nem por si, nem pelos outros... E, não tendo uma juventude responsável, o que se pode esperar de um país?

quarta-feira, fevereiro 11, 2004

Ser benfiquista...

Foi difícil, mas para "desgosto" de sportinguistas e portistas (que já batiam as palmas de contentes!) o Benfica lá conseguiu vencer o Nacional da Madeira para a Taça de Portugal. É neste tipo de jogos em que se torçe e "sofre" pelo Benfica até ao último minuto do jogo, sem imagens televisivas, nem repetições (à boa maneira antiga, com os ouvidos postos na rádio) que o sentimento benfiquista vem ao de cima... Viva o Glorioso!