Hoje, assistiu-se, no programa da RTP1, Prós & Contras, a uma tentativa de desvio de atenção de uma assunto muito sério como a educação para uma pseudo-polémica recentrada no direito ou não dos casais homossexuais poderem adoptar. Esta atitude, oportunisticamente subtil, foi desencadeada pelo antropólogo Miguel Vale Almeida que, munido de documentos de organizações americanas e papelada diversa tentou fazer passar a ideia de que a questão da educação das crianças terá que ver alguma coisa com a possibilidade dos casais homossexuais poderem adoptar crianças.
Felizmente que o economista João César das Neves chamou a atenção para essa estratégia laboriosa de Vale de Almeida e seus "acólitos", recolocando o debate no tema inicialmente proposto. Desta forma, a comunidade homossexual viu frustadas as suas ambições de protagonismo mediático...
Neste programa ficou bem demonstrado até que ponto a comunidade homossexual portuguesa é capaz de ir para tentar fazer das crianças mais frágeis uma autêntica arma de "arremesso" contra aquilo a que esta comunidade apelida de "homofobia", mas que, no final de contas, se resume apenas à tentativa de polarizar a questão principal nos direitos das crianças e, não, nos supostos direitos de adopção por parte dos homossexuais.
Esperemos que, de uma vez por todas, quando se falar em educação de crianças, não se dê mais ouvidos à vitimização constante protagonizada pela comunidade homossexual no sentido de querer transformar um assunto tão sério como a adopção de crianças abandonadas numa questão de conquista de um suposto direito social abrangente...
terça-feira, março 09, 2004
segunda-feira, março 08, 2004
Uma porta "entreaberta"...
A apresentação, hoje, do 2º volume da autobiografia de Cavaco Silva, pelo próprio, resultou num claro sinal de que Cavaco estará à espera que as eleições presidências se aproximem para se apresentar como candidato às mesmas. O ex-Primeiro Ministro foi elucidativo nesta questão ao afirmar que seria de uma enorme deselegância assumir uma candidatura presidencial quando Sampaio ainda tem um mandato de cerca de dois anos pela frente.
Por outro lado, Cavaco Silva é bastante frontal quando afirma que Soares não teve uma conduta de total independência e isenção aquando do seu segundo mandato, o que denota em Cavaco uma postura completamente diferente da de Soares e mais próxima da apresentada por Sampaio.
A reacção de Santana Lopes à apresentação do livro evidencia nervosismo e má fé, o que só beneficia o próprio Cavaco Silva. Boas notícias, portanto...
Por outro lado, Cavaco Silva é bastante frontal quando afirma que Soares não teve uma conduta de total independência e isenção aquando do seu segundo mandato, o que denota em Cavaco uma postura completamente diferente da de Soares e mais próxima da apresentada por Sampaio.
A reacção de Santana Lopes à apresentação do livro evidencia nervosismo e má fé, o que só beneficia o próprio Cavaco Silva. Boas notícias, portanto...
sábado, março 06, 2004
O "perigo" da banalização dos recursos judiciais
A leitura atenta das notícias vinculadas ontem e hoje, de que o ex-Presidente da Câmara Municipal da Guarda, Abílio Curto, foi detido para cumprimento de uma pena de prisão por crime de corrupção passiva, permite facilmente concluir dos malefícios que a banalização dos recursos judiciais trazem para a imagem da Justiça portuguesa.
Repare-se que, no caso em questão, Abílio Curto havia sido julgado em 17 de Maio de 1998 (há quase seis anos!)e condenado a cinco anos e meio de prisão. Contudo, a defesa do antigo autarca recorreu da decisão para o Supremo Tribunal de Justiça, para o Tribunal da Relação de Coimbra e para o Tribunal Constitucional. Com esta estratégia, o ex-autarca beneficiou, pelo meio, do perdão de dois anos de pena pela Lei da Amnistia de 1995 e de mais um ano pela Lei da Amnistia de 1999, o que significa que só terá de cumprir dois anos e meio de prisão!
Deixo duas perguntas. A possibilidade de "multiplicar" os recursos servem a quem? Que utilidade têm as amnistias?
Repare-se que, no caso em questão, Abílio Curto havia sido julgado em 17 de Maio de 1998 (há quase seis anos!)e condenado a cinco anos e meio de prisão. Contudo, a defesa do antigo autarca recorreu da decisão para o Supremo Tribunal de Justiça, para o Tribunal da Relação de Coimbra e para o Tribunal Constitucional. Com esta estratégia, o ex-autarca beneficiou, pelo meio, do perdão de dois anos de pena pela Lei da Amnistia de 1995 e de mais um ano pela Lei da Amnistia de 1999, o que significa que só terá de cumprir dois anos e meio de prisão!
Deixo duas perguntas. A possibilidade de "multiplicar" os recursos servem a quem? Que utilidade têm as amnistias?
sexta-feira, março 05, 2004
A estratégia do facilitismo
A hipótese avançada ontem pelo Ministro da Educação, David Justino, de se instituírem exames nacionais no 6º ano de escolaridade, com peso na nota de final de ano dos alunos, foi já criticada pela oposição parlamentar, mas também, surpreendentemente, pela Confederação Nacional das Associações de Pais (Confap) e por diversos representantes das associações de professores de Matemática e de Português.
Quais as razões que levarão a que, tanto a opsição, como os pais e os professores, não queiram que os alunos sejam avaliados no final do 6º ano, que irá corresponder, caso a proposta do Governo da nova Lei de Bases da Educação seja aprovada, ao ano de passagem do novo ensino básico (1.º ao 6.º ano) para o secundário (7.º ao 12.º ano)?
Quanto ao PS, PCP e BE, o mais certo é que a sua oposição às pretensões do Governo tenha apenas que ver com razões de oportunismo político-partidário, por forma a desgastar o trabalho desenvolvido pelo Ministério da Educação e, assim, aproveitar a onda de constestação dos sindicatos de professores.
No que concerne à Confap, as motivações para a sua posição negativa em relação à proposta de David Justino terá que ver, talvez, com o facto de, com esta nova "fornada" de exames, se verificar uma elevação do nível de exigência relativamente às capacidades cognitivas dos alunos, o que não deverá agradar a muitos pais. Contudo, não acredito que esta Confederação seja realmente representativa da maioria dos encarregados de educação, pois todos sabemos que a maioria dos pais não se deixam envolver neste tipo de associações, que muitas vezes servem apenas de meio de "trampolim" para outros voos de protagonismo a nível local.
Finalmente, que dizer das afirmações dos representantes dos professores de Matemática e de Português? Será que veem estes exames como um obstáculo à antecipação das suas férias de Verão ou mais como uma forma de os obrigar a cumprir o programa?
Como professor, penso que deveríamos voltar ao nível de exigência dos anos 80, em que, com ou sem exames, só transitava de ano quem realmente demonstrasse ter capacidades para tal. Infelizmente, nos últimos anos, tem-se verificado, regra geral, um maior facilitismo no ensino, sobretudo nos primeiros anos de escolaridade, que faz com que tenhamos muitos alunos nos 7º e 8º anos de escolaridade que não saibam localizar Portugal no mapa, desconheçam a diferença entre monarquia e república e que só consigam (quando conseguem!) fazer contas de somar e subtrair.
Tanto facilitismo, porquê?
Quais as razões que levarão a que, tanto a opsição, como os pais e os professores, não queiram que os alunos sejam avaliados no final do 6º ano, que irá corresponder, caso a proposta do Governo da nova Lei de Bases da Educação seja aprovada, ao ano de passagem do novo ensino básico (1.º ao 6.º ano) para o secundário (7.º ao 12.º ano)?
Quanto ao PS, PCP e BE, o mais certo é que a sua oposição às pretensões do Governo tenha apenas que ver com razões de oportunismo político-partidário, por forma a desgastar o trabalho desenvolvido pelo Ministério da Educação e, assim, aproveitar a onda de constestação dos sindicatos de professores.
No que concerne à Confap, as motivações para a sua posição negativa em relação à proposta de David Justino terá que ver, talvez, com o facto de, com esta nova "fornada" de exames, se verificar uma elevação do nível de exigência relativamente às capacidades cognitivas dos alunos, o que não deverá agradar a muitos pais. Contudo, não acredito que esta Confederação seja realmente representativa da maioria dos encarregados de educação, pois todos sabemos que a maioria dos pais não se deixam envolver neste tipo de associações, que muitas vezes servem apenas de meio de "trampolim" para outros voos de protagonismo a nível local.
Finalmente, que dizer das afirmações dos representantes dos professores de Matemática e de Português? Será que veem estes exames como um obstáculo à antecipação das suas férias de Verão ou mais como uma forma de os obrigar a cumprir o programa?
Como professor, penso que deveríamos voltar ao nível de exigência dos anos 80, em que, com ou sem exames, só transitava de ano quem realmente demonstrasse ter capacidades para tal. Infelizmente, nos últimos anos, tem-se verificado, regra geral, um maior facilitismo no ensino, sobretudo nos primeiros anos de escolaridade, que faz com que tenhamos muitos alunos nos 7º e 8º anos de escolaridade que não saibam localizar Portugal no mapa, desconheçam a diferença entre monarquia e república e que só consigam (quando conseguem!) fazer contas de somar e subtrair.
Tanto facilitismo, porquê?
quarta-feira, março 03, 2004
Manual de resolução de problemas (a propósito do aborto)
Quando surge um problema, seja de que nível for, há duas formas de o encarar: desenvolvendo soluções que visem acabar com as causas que estão na origem desse problema, ou então, virando as costas ao dito probema, fazendo de conta que o mesmo não existe.
Digo isto porque, no debate que hoje teve lugar na Assembleia da República sobre o tema da despenalização do aborto, foi possível constatar que existem duas formas de fazer frente ao problema do aborto: uma, protagonizada pela esquerda política que vê o aborto, não como um problema, mas como uma necessidade que deve estar ao dispôr de uma qualquer mulher que, simplesmente, não quer ser mãe e, outra, bem diferente, que tem em conta que o aborto é um problema civilizacional, que urge combater nas suas causas primárias.
Ora, acho esta última maneira de encarar o problema do aborto como a mais razoável e a que mais se coadugna com uma sociedade que quer preservar os seus valores éticos e morais e, não como diz o povo, de "fugir com o rabo à seringa".
Dou três exemplos. Será que para o problema do alcoolismo o melhor deverá ser pôr à consideração de cada um a quantidade de álcool que quer ingerir ou, pelo contrário, combater as causas psicológicas que levam a esta doença? Será que para o problema do insucesso escolar o melhor será baixar o nível de exigência, para assim termos mais alunos a transitar de ano ou, pelo contrário, combater as reais causas que levam a este problema educacional? Será que para o problema da droga o melhor será "conceder" livremente estupefacientes aos toxicodependentes ou, pelo contrário, combater as causas sociais que levam a este flagelo?
Para qualquer problema (com excepção da morte) há uma solução, que deve passar pelo combate às suas causas e não pela assunção de um "fechar de olhos" ao dito problema. Por isso, concordo com a direita portuguesa que considera que o aborto deve ser abordado numa estratégia de combater as causas sociais, psicológicas, familiares ou outras que podem levar uma mulher a considerar a hipótese de interromper voluntariamente uma gravidez.
Digo isto porque, no debate que hoje teve lugar na Assembleia da República sobre o tema da despenalização do aborto, foi possível constatar que existem duas formas de fazer frente ao problema do aborto: uma, protagonizada pela esquerda política que vê o aborto, não como um problema, mas como uma necessidade que deve estar ao dispôr de uma qualquer mulher que, simplesmente, não quer ser mãe e, outra, bem diferente, que tem em conta que o aborto é um problema civilizacional, que urge combater nas suas causas primárias.
Ora, acho esta última maneira de encarar o problema do aborto como a mais razoável e a que mais se coadugna com uma sociedade que quer preservar os seus valores éticos e morais e, não como diz o povo, de "fugir com o rabo à seringa".
Dou três exemplos. Será que para o problema do alcoolismo o melhor deverá ser pôr à consideração de cada um a quantidade de álcool que quer ingerir ou, pelo contrário, combater as causas psicológicas que levam a esta doença? Será que para o problema do insucesso escolar o melhor será baixar o nível de exigência, para assim termos mais alunos a transitar de ano ou, pelo contrário, combater as reais causas que levam a este problema educacional? Será que para o problema da droga o melhor será "conceder" livremente estupefacientes aos toxicodependentes ou, pelo contrário, combater as causas sociais que levam a este flagelo?
Para qualquer problema (com excepção da morte) há uma solução, que deve passar pelo combate às suas causas e não pela assunção de um "fechar de olhos" ao dito problema. Por isso, concordo com a direita portuguesa que considera que o aborto deve ser abordado numa estratégia de combater as causas sociais, psicológicas, familiares ou outras que podem levar uma mulher a considerar a hipótese de interromper voluntariamente uma gravidez.
Uma proposta útil e eficaz...
Muito (mal) se tem dito e escrito da Ministra da Justiça e da sua (suposta) inabilidade para estar à frente de um Ministério que, há muito, necessitava de reformas e mudanças estruturais. Contudo, aos poucos e de forma gradual, têm vindo a público notícias de alterações, sobretudo nos sistemas judicial e prisional, que apontam para uma melhoria considerável na forma de fazer justiça.
Uma dessas propostas inovadoras tem que ver com a possibilidade da criação de uma nova pena de trabalho a favor da comunidade, considerada como sanção principal e de aplicação imediata para certos crimes e não apenas em substituição à prisão. De facto, o Ministério da Justiça está a ponderar um conjunto de recomendações apresentadas no relatório da comissão de estudo presidido por Freitas do Amaral e que têm como principais objectivos humanizar as prisões e tornar mais eficazes as penas a cumprir pelos condenados, tanto para o bem da sociedade em geral, como para a própria reinserção social dos indivíduos prevaricadores.
Penso que, a generalizarem-se, para determinados crimes, as penas de trabalho a favor da comunidade, se está a dar um passo importante para que os indivíduos condenados por certos crimes pouco "ofensivos" (claro que não me estou a referir a crimes de sangue) possam cumprir uma pena, não num género de "pensão dormitório", que é o que são muitas das nossas prisões, mas sim num âmbito produtivo, útil e de esforço para o condenado.
Aos poucos, as reformas na área da Justiça vão sendo implementadas... Apesar de todo o barulho de fundo!
Uma dessas propostas inovadoras tem que ver com a possibilidade da criação de uma nova pena de trabalho a favor da comunidade, considerada como sanção principal e de aplicação imediata para certos crimes e não apenas em substituição à prisão. De facto, o Ministério da Justiça está a ponderar um conjunto de recomendações apresentadas no relatório da comissão de estudo presidido por Freitas do Amaral e que têm como principais objectivos humanizar as prisões e tornar mais eficazes as penas a cumprir pelos condenados, tanto para o bem da sociedade em geral, como para a própria reinserção social dos indivíduos prevaricadores.
Penso que, a generalizarem-se, para determinados crimes, as penas de trabalho a favor da comunidade, se está a dar um passo importante para que os indivíduos condenados por certos crimes pouco "ofensivos" (claro que não me estou a referir a crimes de sangue) possam cumprir uma pena, não num género de "pensão dormitório", que é o que são muitas das nossas prisões, mas sim num âmbito produtivo, útil e de esforço para o condenado.
Aos poucos, as reformas na área da Justiça vão sendo implementadas... Apesar de todo o barulho de fundo!
segunda-feira, março 01, 2004
De olhos (quase) fechados...
Este é o sentimento com que muitos dos mais de 100 000 professores iniciaram o dia de hoje, que marca o começo de mais uma longa caminhada na procura de uma vaga numa qualquer escola perto de casa. Ao longo dos próximos oito dias, milhares de professores e de candidatos a esta profissão vão estar "embrulhados" em impressos de candidatura e centenas de folhas com códigos de escola, embuídos na arte de investigar para tentarem saber quais as hipóteses que têm de ficar numa escola da sua preferência.
É quase um tiro no escuro, pois com a diminuição de vagas existentes e as "trocas e baldrocas" que ocorreram no ano passado, a confiança da maioria dos professores no novo sistema de colocação de docentes não é das melhores.
Quantos casais vivem separados ao longo da semana, por um dos cônjuges ou os dois, se encontarem longe de suas casas a leccionar? Quantos professores vivem no sobressalto de, no próximo ano, terem que ir para outra escola situada bem longe de casa? Quantos professores leccionam há dez ou mais anos sempre a "saltar" de escola em escola?
Não é uma vida fácil... Este é o sexto ano em que dou aulas, sempre em escolas diferentes, de regiões diferentes e, apesar de já estar vinculado (numa zona a mais de 100 Km de casa), não sei se no próximo ano ficarei ou não, finalmente, perto de casa. Já nem falo daqueles que não estão vinculados ou dos que acabaram uma qualquer licenciatura em ensino, pois as suas expectativas devem ser tão baixas, que, provavelmente, nem devem ter tempo para stressar...
É quase um tiro no escuro, pois com a diminuição de vagas existentes e as "trocas e baldrocas" que ocorreram no ano passado, a confiança da maioria dos professores no novo sistema de colocação de docentes não é das melhores.
Quantos casais vivem separados ao longo da semana, por um dos cônjuges ou os dois, se encontarem longe de suas casas a leccionar? Quantos professores vivem no sobressalto de, no próximo ano, terem que ir para outra escola situada bem longe de casa? Quantos professores leccionam há dez ou mais anos sempre a "saltar" de escola em escola?
Não é uma vida fácil... Este é o sexto ano em que dou aulas, sempre em escolas diferentes, de regiões diferentes e, apesar de já estar vinculado (numa zona a mais de 100 Km de casa), não sei se no próximo ano ficarei ou não, finalmente, perto de casa. Já nem falo daqueles que não estão vinculados ou dos que acabaram uma qualquer licenciatura em ensino, pois as suas expectativas devem ser tão baixas, que, provavelmente, nem devem ter tempo para stressar...
domingo, fevereiro 29, 2004
O grande equívoco
Ontem foi dia de abertura das hostilidades entre os principais partidos portugueses no caminho para as eleições europeias. Tanto a coligação PSD/PP, como o PS, o PCP e o BE tiveram reunidos no sentido de definirem a estratégia que vão adoptar a partir de hoje até ao dia 13 de Junho, dia das eleições.
Ora, pelo que ontem se ouviu de alguns dirigentes partidários, parece-me que existe, em todos os partidos, um grande equívoco sobre o significado das próximas eleições. Cada partido, com destaque para o PS e a coligação PSD/PP, optou por redefinir o real sentido do que no próximo dia 13 de Junho deveria estar em questão. O PS, pela voz de Ferro Rodrigues, quer fazer das europeias um "ajuste de contas com o embuste eleitoral de Março de 2002". Por seu lado, a coligação PSD/PP tenta disfarçar as diferenças que existem entre os dois partidos em matéria de Europa e vai para estas eleições coligado de forma artificial. Quanto aos demais partidos, nem vale a pena falar, pois têm como principal objectivo aproveitar as eleições para usufruírem de tempo de antena.
Ora, é pena que as duas principais forças partidárias vejam estas eleições numa perspectiva de debate das políticas caseiras e de distribuição de lugares apetecíveis em Bruxelas, em vez de darem a conhecer ao eleitorado português o trabalho feito (ou que ficou por fazer) pelos deputados europeus eleitos à cinco anos atrás. Com este tipo de actuação, não é de admirar que a maioria dos portugueses desconheça para que servem estas eleições e, o mais certo, é que muita gente vá votar seguindo o pensamento estratégico do PS, defendendo ou condenando a política de Durão Barroso. A verdade é que, infelizmente, estas eleições vão sobretudo servir de barómetro acerca de como os portugueses apreciam (ou não) a política governamental da coligação...
Ora, pelo que ontem se ouviu de alguns dirigentes partidários, parece-me que existe, em todos os partidos, um grande equívoco sobre o significado das próximas eleições. Cada partido, com destaque para o PS e a coligação PSD/PP, optou por redefinir o real sentido do que no próximo dia 13 de Junho deveria estar em questão. O PS, pela voz de Ferro Rodrigues, quer fazer das europeias um "ajuste de contas com o embuste eleitoral de Março de 2002". Por seu lado, a coligação PSD/PP tenta disfarçar as diferenças que existem entre os dois partidos em matéria de Europa e vai para estas eleições coligado de forma artificial. Quanto aos demais partidos, nem vale a pena falar, pois têm como principal objectivo aproveitar as eleições para usufruírem de tempo de antena.
Ora, é pena que as duas principais forças partidárias vejam estas eleições numa perspectiva de debate das políticas caseiras e de distribuição de lugares apetecíveis em Bruxelas, em vez de darem a conhecer ao eleitorado português o trabalho feito (ou que ficou por fazer) pelos deputados europeus eleitos à cinco anos atrás. Com este tipo de actuação, não é de admirar que a maioria dos portugueses desconheça para que servem estas eleições e, o mais certo, é que muita gente vá votar seguindo o pensamento estratégico do PS, defendendo ou condenando a política de Durão Barroso. A verdade é que, infelizmente, estas eleições vão sobretudo servir de barómetro acerca de como os portugueses apreciam (ou não) a política governamental da coligação...
sábado, fevereiro 28, 2004
Petições para todos os gostos
O movimento cívico "Mais Vida, Mais Família" anunciou hoje ter reunido mais de 120 mil assinaturas num abaixo-assinado por "leis de apoio à família e contra o aborto livre", que irá ser apresentardo à Assembleia da República na próxima quarta-feira.
Nas vésperas de os deputados da Nação irem discutir a proposta do PCP que, apoiado numa petição, pede, um referendo sobre o aborto, chega-nos agora a notícia da apresentação de uma outra petição que vai no sentido oposto àquela que vai ser alvo de discussão parlamentar no próximo dia 3 de Março.
A opção encontrada pelos partidos de oposição para fazer a defesa de um novo referendo, apoiada em petições, dá neste tipo de imbróglios e "campeonatos de assinaturas", que só dividem a sociedade portuguesa. Penso que a questão do aborto deve ter em conta, não o número de assinaturas que se arranjam para defender esta ou aquela posição, mas sim o respeito pela lei em vigor, que ainda há cinco anos for "aceite" pela maioria daqueles que resolveram pronunciar-se sobre a mesma. Agora há que respeitar a lei vigente, evoluindo num sentido harmonioso e não radical, não obstante o papel que o Estado deve ter no sentido de apoiar as famílias que têm dificuldades económicas e julgam não possuir meios para criar uma criança. Tudo deve ser feito para que o direito à vida com dignidade não seja questionado...
Nas vésperas de os deputados da Nação irem discutir a proposta do PCP que, apoiado numa petição, pede, um referendo sobre o aborto, chega-nos agora a notícia da apresentação de uma outra petição que vai no sentido oposto àquela que vai ser alvo de discussão parlamentar no próximo dia 3 de Março.
A opção encontrada pelos partidos de oposição para fazer a defesa de um novo referendo, apoiada em petições, dá neste tipo de imbróglios e "campeonatos de assinaturas", que só dividem a sociedade portuguesa. Penso que a questão do aborto deve ter em conta, não o número de assinaturas que se arranjam para defender esta ou aquela posição, mas sim o respeito pela lei em vigor, que ainda há cinco anos for "aceite" pela maioria daqueles que resolveram pronunciar-se sobre a mesma. Agora há que respeitar a lei vigente, evoluindo num sentido harmonioso e não radical, não obstante o papel que o Estado deve ter no sentido de apoiar as famílias que têm dificuldades económicas e julgam não possuir meios para criar uma criança. Tudo deve ser feito para que o direito à vida com dignidade não seja questionado...
sexta-feira, fevereiro 27, 2004
Com professores(as) assim...
Ontem e hoje fui participar numa acção de formação realizada por uma associação de professores, que tinha como um dos temas em debate o stresse existente na classe docente e as várias formas de lidar com este problema cada vez mais actual. Mais uma vez, fiquei desiludido com o comportamento manifestado pela maioria dos professores participantes neste tipo de reuniões. É que, num anfiteatro com cerca de 400 docentes (90% deles mulheres), a postura manifestada pela grande maioria dele(a)s foi de bradar aos céus, pelo menos na minha maneira de ver estes encontros.
Passo a explicar. Uma das intervenientes foi uma psicóloga brasileira que resolveu fazer a sua intervenção como se estivesse a lidar com crianças, pondo toda aquela gente a cantar e aos abraços, como se se estivesse presente numa das missas do Padre Borga. Claro que, como a maioria dos professores participantes na acção eram professoras e, ainda por cima, do ensino pré-primário e primário, toda aquela algazarra teve uma adesão enorme.
Para mim, professor do ensino secundário, sempre me fez confusão o comportamento manifestado pelos educadores de infância e professores do 1º ciclo, que participam nestas acções de formação como se estivessem nas suas salas de aula, com os alunos a cantarem e aos saltos. Para aumentar o desconforto sentido naquela experiência de loucos, atrás de mim, sentou-se uma professora primária, já dos seus sessenta e tal anos que, durante duas horas, se fartou de dormir profundamente e ressonar ao som da palestra de um outro psicólogo que falava acerca do stresse.
Conclusão: fui para uma acção de formação a fim de saber algo mais sobre o stresse na classe docente e saí de lá bem mais stressado do que quando para lá entrei. Enfim, esta foi mais uma experiência que contribuiu para que cada vez mais não compreenda porque é que o Estatuto da Classe Docente é o mesmo, tanto para educadores de infância, como para professores do ensino secundário. É que uns e outros são como o azeite e a água: nada têm de semelhante, tanto na função desempenhada, como na postura e na exigência profissional da mesma...
Passo a explicar. Uma das intervenientes foi uma psicóloga brasileira que resolveu fazer a sua intervenção como se estivesse a lidar com crianças, pondo toda aquela gente a cantar e aos abraços, como se se estivesse presente numa das missas do Padre Borga. Claro que, como a maioria dos professores participantes na acção eram professoras e, ainda por cima, do ensino pré-primário e primário, toda aquela algazarra teve uma adesão enorme.
Para mim, professor do ensino secundário, sempre me fez confusão o comportamento manifestado pelos educadores de infância e professores do 1º ciclo, que participam nestas acções de formação como se estivessem nas suas salas de aula, com os alunos a cantarem e aos saltos. Para aumentar o desconforto sentido naquela experiência de loucos, atrás de mim, sentou-se uma professora primária, já dos seus sessenta e tal anos que, durante duas horas, se fartou de dormir profundamente e ressonar ao som da palestra de um outro psicólogo que falava acerca do stresse.
Conclusão: fui para uma acção de formação a fim de saber algo mais sobre o stresse na classe docente e saí de lá bem mais stressado do que quando para lá entrei. Enfim, esta foi mais uma experiência que contribuiu para que cada vez mais não compreenda porque é que o Estatuto da Classe Docente é o mesmo, tanto para educadores de infância, como para professores do ensino secundário. É que uns e outros são como o azeite e a água: nada têm de semelhante, tanto na função desempenhada, como na postura e na exigência profissional da mesma...
quinta-feira, fevereiro 26, 2004
Uma boa notícia...
Tudo indica que, ainda este ano, possa ser possível que o Estado faça o cruzamento de dados entre a Administração Fiscal e a Segurança Social, para que, finalmente, todos aqueles que descontam para a Segurança Social a partir de salários baixos e adquirem bens de luxo, sejam mais facilmente apanhados pela Justiça portuguesa.
E, ainda dizem que este Governo só se preocupa com os grandes e os graúdos! Se fosse verdade este post não existiria! Que dirá agora a esquerda radical desta medida governamental?
E, ainda dizem que este Governo só se preocupa com os grandes e os graúdos! Se fosse verdade este post não existiria! Que dirá agora a esquerda radical desta medida governamental?
quarta-feira, fevereiro 25, 2004
O que fazer com os ditos "arrumadores de carros"?
Todos sabemos que, quando queremos estacionar o nosso automóvel em zonas de elevado tráfego citadino, a existência de um "arrumador de automóveis" por perto pouco nos ajuda, pois, geralmente, os mesmos resumem a sua acção ao esticar de um braço para um lugar livre que, muitas vezes, já tinho sido vislumbrado por nós... Na prática, estes indivíduos que são conhecidos por "arrumadores de carros" pouco auxiliam os condutores no acto de estacionar, imputando-se a si mesmos a quase obrigação de receberem, pela sua pseudo-ajuda, uma moeda não inferior a 50 cêntimos.
A conhecida "praga" dos "arrumadores", que há uns anos atrás era apenas visível nas grandes cidades de Lisboa e do Porto, tem-se alastrado um pouco por todo o país, de norte a sul, do continente às ilhas... Tem-se a ideia que muitos destes "arrumadores" vivem para a droga, mas, a verdade é que cada vez aparecem mais indivíduos sem problemas de alcoolismo ou droga e que se aproveitanm desta actividade para angariar algumas dezenas de euros por dia.
A Câmara de Lisboa, à semelhança do que aconteceu no Porto, pretende licenciar esta actividade, através da concessão de um cartão de identificação válido por um ano indicador da zona de actuação dos ditos "arrumadores". Entretanto, os automobilistas continuarão a ser forçados a entregar uma moeda ao arrumador, se não quiserem ver o seu automóvel riscado. Parece-me que esta é uma proposta cheia de boas intenções, mas que, infelizmente, não irá resolver os problemas inerentes a esta actividade: por um lado, os "arrumadores" continuarão a aproveitar-se da chantagem psicológica para receberem dinheiro de forma coerciva e ilícita; por outro lado, não se vai ao fundo do problema, que seria tornar esta actividade efectivamente ilícita, por forma a que os agentes de segurança pudessem levar à Justiça aqueles que se fazem passar por mendigos, para encherem de moedas os seus bolsos.
Penso que o mais correcto a fazer relativamente a esta questão seria o de identificar todos os sujeitos que fossem encontrados a exercer esta actividade, discernindo aqueles que estão nesta vida por problemas relacionados com a droga ou o alcoolismo, a fim de os tratar, daqueles que se fazem passar por necessitados, mas que em vez de trabalharem condignamente, optam por uma actividade onde o cansaço é pouco e os lucros são elevados. Para estes, o destino seria a Justiça se voltassem a incorrer no referido acto ilícito. Caso contrário, lá teremos que continuar a gastar moedas nos parcómetros e nos ditos "arrumadores"...
A conhecida "praga" dos "arrumadores", que há uns anos atrás era apenas visível nas grandes cidades de Lisboa e do Porto, tem-se alastrado um pouco por todo o país, de norte a sul, do continente às ilhas... Tem-se a ideia que muitos destes "arrumadores" vivem para a droga, mas, a verdade é que cada vez aparecem mais indivíduos sem problemas de alcoolismo ou droga e que se aproveitanm desta actividade para angariar algumas dezenas de euros por dia.
A Câmara de Lisboa, à semelhança do que aconteceu no Porto, pretende licenciar esta actividade, através da concessão de um cartão de identificação válido por um ano indicador da zona de actuação dos ditos "arrumadores". Entretanto, os automobilistas continuarão a ser forçados a entregar uma moeda ao arrumador, se não quiserem ver o seu automóvel riscado. Parece-me que esta é uma proposta cheia de boas intenções, mas que, infelizmente, não irá resolver os problemas inerentes a esta actividade: por um lado, os "arrumadores" continuarão a aproveitar-se da chantagem psicológica para receberem dinheiro de forma coerciva e ilícita; por outro lado, não se vai ao fundo do problema, que seria tornar esta actividade efectivamente ilícita, por forma a que os agentes de segurança pudessem levar à Justiça aqueles que se fazem passar por mendigos, para encherem de moedas os seus bolsos.
Penso que o mais correcto a fazer relativamente a esta questão seria o de identificar todos os sujeitos que fossem encontrados a exercer esta actividade, discernindo aqueles que estão nesta vida por problemas relacionados com a droga ou o alcoolismo, a fim de os tratar, daqueles que se fazem passar por necessitados, mas que em vez de trabalharem condignamente, optam por uma actividade onde o cansaço é pouco e os lucros são elevados. Para estes, o destino seria a Justiça se voltassem a incorrer no referido acto ilícito. Caso contrário, lá teremos que continuar a gastar moedas nos parcómetros e nos ditos "arrumadores"...
segunda-feira, fevereiro 23, 2004
Aprender com os erros...
Os recentes casos de conflitualidade entre os conselhos de administração de alguns hospitais-empresa e as respectivas direcções clínicas, ocorridos em Viseu, Setúbal e Figueira da Foz devem servir de alerta para a tutela do Estado, no sentido de estabelecer condições propícias para que a necessária gestão administrativa de importantes serviços públicos não seja sinónimo de perda de qualidade nos serviços prestados à população.
A política deste Governo em avançar com gestões profissionalizadas nos hospitais-empresas, mas, futuramente, como consta nos planos do Governo, também nos centros de saúde e nos estabelecimentos de ensino, não pode ser feita à revelia dos profissionais da saúde e da educação. O problema reside no facto de que muitos dos gestores que estão à frente dos destinos dos hospitais S.A. nada terem a ver com a área da saúde, o que não se compreende. Muitos destes gestores apenas percebem de gestão financeira, faltando-lhes o conhecimento empírico necessário para gerir serviços públicos.
Seria bom que o Governo tivesse em conta que uma gestão equilibrada e eficaz dos serviços públicos, sobretudo das áreas da saúde e da educação, só pode ser feita quando os próprios profissionais têm voto na matéria. E, a verdade é que em muitos hospitais este pressuposto, que deveria existir, tem sido, simplesmente, ignorado...
Esperemos que os futuros gestores das escolas, que vão subsitituir os Conselhos Executivos, também não sejam escolhidos à revelia dos professores...
A política deste Governo em avançar com gestões profissionalizadas nos hospitais-empresas, mas, futuramente, como consta nos planos do Governo, também nos centros de saúde e nos estabelecimentos de ensino, não pode ser feita à revelia dos profissionais da saúde e da educação. O problema reside no facto de que muitos dos gestores que estão à frente dos destinos dos hospitais S.A. nada terem a ver com a área da saúde, o que não se compreende. Muitos destes gestores apenas percebem de gestão financeira, faltando-lhes o conhecimento empírico necessário para gerir serviços públicos.
Seria bom que o Governo tivesse em conta que uma gestão equilibrada e eficaz dos serviços públicos, sobretudo das áreas da saúde e da educação, só pode ser feita quando os próprios profissionais têm voto na matéria. E, a verdade é que em muitos hospitais este pressuposto, que deveria existir, tem sido, simplesmente, ignorado...
Esperemos que os futuros gestores das escolas, que vão subsitituir os Conselhos Executivos, também não sejam escolhidos à revelia dos professores...
A crise do casamento...
O Público de hoje dá a conhecer alguns números alarmantes sobre a crise do casamento na sociedade portuguesa. Segundo o referido diário, no ano de 2002 realizaram-se menos de cerca de 2 000 casamentos do que em 2001, enquanto que o número de divórcios aumentou em quase 10 000, o que revela uma tendência alarmante.
Uma das causas para este fenómeno relaciona-se com o facto de, actualmente, as relações afectivas terem um carácter muito mais instável e passageiro, pouco condizente com a efectivação de uma união jurídica (já nem falo no carácter religioso da mesma) que assenta em princípios de fidelidade e respeito mútuo, que hoje em dia parecem passar ao lado de muita gente.
Seria bom que o Estado desse reais passos na defesa da instituição do casamento, por forma a que não se esteja a caminhar para uma sociedade disfuncional, onde o que conta são as relações fugazes e efémeras, potenciadoras de situações caricatas que se vão tornando cada vez mais rotineiras na nossa sociedade: aumento dos celibatários, em contraposição com o crescente número de filhos de mães solteiras e de pais desconhecidos e com a banalização dos casos de filhos de pais divorciados... Enfim, uma série de situações onde os filhos são, muitas vezes, o resultado de meras paixões bacocas, vendo-se obrigados a crescer em ambientes confusos, sem a presença do pai ou da mãe... Muitas vezes, até são os avós que fazem o papel que deveria ser dos pais!
Tal como se concedem benefícios às famílias que têm mais de dois filhos, para quando, por exemplo, a concessão de regalias e benefícios fiscais às famílias estáveis que se preocupam com o crescimento harmonioso dos seus filhos?
Uma das causas para este fenómeno relaciona-se com o facto de, actualmente, as relações afectivas terem um carácter muito mais instável e passageiro, pouco condizente com a efectivação de uma união jurídica (já nem falo no carácter religioso da mesma) que assenta em princípios de fidelidade e respeito mútuo, que hoje em dia parecem passar ao lado de muita gente.
Seria bom que o Estado desse reais passos na defesa da instituição do casamento, por forma a que não se esteja a caminhar para uma sociedade disfuncional, onde o que conta são as relações fugazes e efémeras, potenciadoras de situações caricatas que se vão tornando cada vez mais rotineiras na nossa sociedade: aumento dos celibatários, em contraposição com o crescente número de filhos de mães solteiras e de pais desconhecidos e com a banalização dos casos de filhos de pais divorciados... Enfim, uma série de situações onde os filhos são, muitas vezes, o resultado de meras paixões bacocas, vendo-se obrigados a crescer em ambientes confusos, sem a presença do pai ou da mãe... Muitas vezes, até são os avós que fazem o papel que deveria ser dos pais!
Tal como se concedem benefícios às famílias que têm mais de dois filhos, para quando, por exemplo, a concessão de regalias e benefícios fiscais às famílias estáveis que se preocupam com o crescimento harmonioso dos seus filhos?
domingo, fevereiro 22, 2004
O domingo da ilusão...
Nunca gostei do Carnaval, enquanto festividade que se mune de máscaras e de brincadeiras "feias", para que as pessoas riam, saltem e se deixem levar pela ilusão das máscaras. Sobretudo, sempre me fez alguma confusão a necessidade que muitas pessoas têm de cumprir uma tradição, que manda que as pessoas se mascarem de uma qualquer figura conhecida ou não, a fim de se mostrarem ao mundo, escondidas, por detrás de uma máscara. Aliás, é algo contraditório que essa pseudo-folia seja feita à custa de uma máscara. É uma espécie de exibicionismo envergonhado...
Por outro lado, este é o domingo em que muita gente vai para os passeios de uma qualquer avenida de muitas cidades deste país para verem uma série de figurões que troçam de meio mundo, enquanto que outros suspiram por verem algumas brasileiras em trajes menores. Enfim, e assim alguns ganham dinheiro à custa dos anseios ilusórios dos outros!
Sempre aproveitei esta festividade para me afastar dessas confusões, optando por passear por sítios mais calmos e onde a ilusão e a troça estejam bem longe. Aliás, deverá haver alguma razão psicológica para que certas pessoas tenham a necessidade de se "travestir" nesta época do ano. Tal como nunca entendi os travestis, também nunca percebi a importância que muita gente dá a este Carnaval modernista, onde imperam a máscara, o gozo e a mentira.
E, pensar que na próxima terça feira, de uma tradição absurda se faz um feriado nacional...
Por outro lado, este é o domingo em que muita gente vai para os passeios de uma qualquer avenida de muitas cidades deste país para verem uma série de figurões que troçam de meio mundo, enquanto que outros suspiram por verem algumas brasileiras em trajes menores. Enfim, e assim alguns ganham dinheiro à custa dos anseios ilusórios dos outros!
Sempre aproveitei esta festividade para me afastar dessas confusões, optando por passear por sítios mais calmos e onde a ilusão e a troça estejam bem longe. Aliás, deverá haver alguma razão psicológica para que certas pessoas tenham a necessidade de se "travestir" nesta época do ano. Tal como nunca entendi os travestis, também nunca percebi a importância que muita gente dá a este Carnaval modernista, onde imperam a máscara, o gozo e a mentira.
E, pensar que na próxima terça feira, de uma tradição absurda se faz um feriado nacional...
sábado, fevereiro 21, 2004
Soares: o provocador...
Soares parece estar com saudades do protagonismo que os cargos de Presidente da República e de eurodeputado lhe concederam, tendo-se nos últimos tempos evidenciado por afirmações contra o PP e Paulo Portas. Agora, parece apostado em alastrar o combate a todo o Governo.
O texto de Soares que a revista Visão desta semana publica é, além de provocatório para o PP, um ataque ao PSD e ao Governo de Durão Barroso. O pai dos socialistas, afirma que a direita está numa "guerra de candidaturas aos diferentes postos da hierarquia do Estado", numa clara alusão a Santana Lopes, reduzindo toda a acção do PSD à questão das presidencias, quando o que se passa é precisamente o oposto. Soares lembrou-se agora de atacar também o PSD e o Governo, fazendo-se passar por uma espécie de "lâmpada mágica" de Ferro Rodrigues.
Mas, porque não faz Soares o que tem feito Cunhal nos últimos tempos. Goze a sua reforma, deixe os holofotes do protagonismo e a acção político-partidária para os mais jovens. É que já chateia ter que aturar com as "indirectas" de Soares contra o Governo e com as suas ideias absurdas de que Portugal é governado pela acção de uma ala de extrema-direita, só vislumbrada por mentes preversas, que parecem não saber quais os verdadeiros ideais de extema-direita. Seria bom que Soares tivesse mais respeito pelos eleitores que deram o seu voto a este Governo...
O texto de Soares que a revista Visão desta semana publica é, além de provocatório para o PP, um ataque ao PSD e ao Governo de Durão Barroso. O pai dos socialistas, afirma que a direita está numa "guerra de candidaturas aos diferentes postos da hierarquia do Estado", numa clara alusão a Santana Lopes, reduzindo toda a acção do PSD à questão das presidencias, quando o que se passa é precisamente o oposto. Soares lembrou-se agora de atacar também o PSD e o Governo, fazendo-se passar por uma espécie de "lâmpada mágica" de Ferro Rodrigues.
Mas, porque não faz Soares o que tem feito Cunhal nos últimos tempos. Goze a sua reforma, deixe os holofotes do protagonismo e a acção político-partidária para os mais jovens. É que já chateia ter que aturar com as "indirectas" de Soares contra o Governo e com as suas ideias absurdas de que Portugal é governado pela acção de uma ala de extrema-direita, só vislumbrada por mentes preversas, que parecem não saber quais os verdadeiros ideais de extema-direita. Seria bom que Soares tivesse mais respeito pelos eleitores que deram o seu voto a este Governo...
sexta-feira, fevereiro 20, 2004
Ele não sabe (?) o que é a corrupção...
A entrevista de Pinto da Costa (PC), ontem à SIC, revelou-se um completo fiasco, tanto pela postura desconversante assumida pelo presidente do F. C. Porto, como pelo excesso de ironia com que PC nos presenteou. Mas, o que mais me surpreendeu foi a forma quase "angelical" e descarada com que PC afirmou desconhecer a existência de corrupção no futebol português. Para alguém que há mais de vinte anos está à frente de um clube como o F.C.P. e com as relações que tem vindo a estabelecer com dirigentes, árbitros e empresários de futebol é, no mínimo, risível o descaramento com que o presidente portista afirma não saber de nada ao nível da corrupção no futebol, nomeadamente no que concerne aos dinheiros desviados aquando das transferâncias de jogadores... Toda a gente sabe que o mundo do futebol é apeticível, sobretudo a presidência de clubes de primeira linha. Aliás, por alguma razão temos clubes em Portugal que já têm o mesmo presidente há mais de duas décadas, dificultando a apresentação de novas candidaturas (Porto, Boavista, Guimarães, etc.) e com as suas vidas particulares bem encarreiradas à conta do futebol... Mas, enfim, outra coisa não seria de esperar do presidente portista! Por alguma razão ele diz desconhecer corrupção no futebol português!
quinta-feira, fevereiro 19, 2004
Os homossexuais e a adopção...
A reacção de Luís Villas-Boas, presidente da Comissão de Acompanhamento da Lei da Adopção Portuguesa (CALAP), no Público de ontem, à decisão espanhola de permitir a adopção de duas crianças por um casal de lésbicas, suscitou, por parte de várias organizações de esquerda e de defesa dos direitos dos homossexuais, a revolta e a incredulidade, com o presidente da Opus Gay a exigir a demissão de Villas-Boas do cargo que ocupa na CALAP.
Se as afirmações de Villas-Boas assentam em pontos de vista, provavelmente, um pouco duros de rejeição pela adopção de crianças por casais de homossexuais, a resposta por parte destes revelou-se também pouco sensata e nada respeitadora da opinião de alguém que, efectivamente, tem conhecimento de causa sobre a realidade adpotiva e que ocupa cargos importantes ao nível da Psicologia portuguesa.
Para compreendermos o ponto de vista de Villas-Boas é imprenscindível ter em conta que a Psicologia, ao contrário da Física ou da Matemática é uma ciência humana, e não exacta, pelo que muitos dos postulados que muitos julgam quase dogmáticos, podem variar de acordo com a sociedade em que se inserem. E, a verdade é que, se os grupos de pressão dos homossexuais "inundam" a sociedade em geral com estudos diversos que defendem que a homossexualidade não é nenhum comportamento desviante, nem tão pouco anormal (conceito diferente de deficiente!), seria positivo que se contextualizassem os resultados destes estudos às sociedades em que se inserem e às necessidades reais de cada época.
Ora, se por um lado não é mentira que a sociedade portuguesa, em termos gerais, não vê com bons olhos a pretensão dos homossexuais em poderem adoptar, também não podemos fugir à principal realidade: não há falta de famílias heterossexuais que não queiram adoptar crianças! De facto, só valeria a pena ponderar a hipótese de alargar o direito de adoptar aos casais homossexuais se, realmente, houvesse necessidade disso. E, isto porquê? Porque, na realidade, penso que a preocupação subjacente a este assunto é definir o melhor para as crianças orfãs ou abandonadas e não definir as necessidades psicológicas ou afectivas dos homossexuais, sobretudo quando estão em causa crianças indefesas.
Seria bom que os homossexuais não "instrumentalizassem" crianças em dificuldades como forma de adquirirem um direito, que só o não o concretizam de forma natural porque a sua "mente" não deixa, pois do ponto de vista biológico poderiam concretizá-lo... Equiparar situações de infertilidade de casais heterossexuais a casos de orientação sexual "fora do normal" não me parece justo, sobretudo quando o que está em causa são os direitos das crianças a uma família condigna e não os direitos de pseudo-igualdade entre heterossexuais e homossexuais...
Se as afirmações de Villas-Boas assentam em pontos de vista, provavelmente, um pouco duros de rejeição pela adopção de crianças por casais de homossexuais, a resposta por parte destes revelou-se também pouco sensata e nada respeitadora da opinião de alguém que, efectivamente, tem conhecimento de causa sobre a realidade adpotiva e que ocupa cargos importantes ao nível da Psicologia portuguesa.
Para compreendermos o ponto de vista de Villas-Boas é imprenscindível ter em conta que a Psicologia, ao contrário da Física ou da Matemática é uma ciência humana, e não exacta, pelo que muitos dos postulados que muitos julgam quase dogmáticos, podem variar de acordo com a sociedade em que se inserem. E, a verdade é que, se os grupos de pressão dos homossexuais "inundam" a sociedade em geral com estudos diversos que defendem que a homossexualidade não é nenhum comportamento desviante, nem tão pouco anormal (conceito diferente de deficiente!), seria positivo que se contextualizassem os resultados destes estudos às sociedades em que se inserem e às necessidades reais de cada época.
Ora, se por um lado não é mentira que a sociedade portuguesa, em termos gerais, não vê com bons olhos a pretensão dos homossexuais em poderem adoptar, também não podemos fugir à principal realidade: não há falta de famílias heterossexuais que não queiram adoptar crianças! De facto, só valeria a pena ponderar a hipótese de alargar o direito de adoptar aos casais homossexuais se, realmente, houvesse necessidade disso. E, isto porquê? Porque, na realidade, penso que a preocupação subjacente a este assunto é definir o melhor para as crianças orfãs ou abandonadas e não definir as necessidades psicológicas ou afectivas dos homossexuais, sobretudo quando estão em causa crianças indefesas.
Seria bom que os homossexuais não "instrumentalizassem" crianças em dificuldades como forma de adquirirem um direito, que só o não o concretizam de forma natural porque a sua "mente" não deixa, pois do ponto de vista biológico poderiam concretizá-lo... Equiparar situações de infertilidade de casais heterossexuais a casos de orientação sexual "fora do normal" não me parece justo, sobretudo quando o que está em causa são os direitos das crianças a uma família condigna e não os direitos de pseudo-igualdade entre heterossexuais e homossexuais...
quarta-feira, fevereiro 18, 2004
A instrumentalização da justiça...
Ontem assistiu-se a uma verdadeira tentativa de aproveitamento de uma decisão judicial, a propósito do julgamento ocorrido em Aveiro, a fim de justificar a liberalização do aborto. Tanto os partidos de esquerda, como as organizações que promovem a auto-determinação da mulher de praticar o aborto livre, encontraram na decisão do colectivo dos juízes uma forma de propagandear as suas ideias "libertinas".
Seria bom que se esclarecesse que a decisão judicial de ontem teve como justificação o facto de os juízes não terem considerado como provados os crimes de aborto clandestino, pelo que outra decisão não seria de esperar. Para haver condenação, é lógico que tem de haver prova de crime... Contudo, lembremo-nos do caso de há um ano na Maia, em que, perante pressupostos análogos, mas dado como provados, os juízes optaram por condenar os intervenientes, nomeadamente a autora material dos crimes (uma enfermeira) a pena de prisão, sendo que as mulheres foram condenadas, mas não com pena de prisão.
Pode ser que a lei actual seja demasiado severa, mas os juízes têm tido o bom senso de distinguir os casos concretos. Aliás, não me lembro de alguma vez uma mulher ter sido condenada a pena de prisão por ter abortado. O que é moralmente reprovável é o aproveitamento de um caso isolado como argumento de que a lei deve ser alterada. Com argumentos destes, muitos dos pressupostos dos que defendem a liberalização do aborto caem por terra....
Seria bom que se esclarecesse que a decisão judicial de ontem teve como justificação o facto de os juízes não terem considerado como provados os crimes de aborto clandestino, pelo que outra decisão não seria de esperar. Para haver condenação, é lógico que tem de haver prova de crime... Contudo, lembremo-nos do caso de há um ano na Maia, em que, perante pressupostos análogos, mas dado como provados, os juízes optaram por condenar os intervenientes, nomeadamente a autora material dos crimes (uma enfermeira) a pena de prisão, sendo que as mulheres foram condenadas, mas não com pena de prisão.
Pode ser que a lei actual seja demasiado severa, mas os juízes têm tido o bom senso de distinguir os casos concretos. Aliás, não me lembro de alguma vez uma mulher ter sido condenada a pena de prisão por ter abortado. O que é moralmente reprovável é o aproveitamento de um caso isolado como argumento de que a lei deve ser alterada. Com argumentos destes, muitos dos pressupostos dos que defendem a liberalização do aborto caem por terra....
terça-feira, fevereiro 17, 2004
A imigração, o envelhecimento, a família e os impostos...
É hoje apresentado o estudo "Impacto da Imigração na Demografia Portuguesa", da autoria da professora Maria João Valente Rosa, que traça uma análise das consequências demográficas da imigração em Portugal nos próximos anos. A verdade é que, segundo o referido estudo, Portugal, a par do resto da Europa, atravessa um grave problema de envelhecimento populacional, que só poderá ser ultrapassado através de uma de duas hipóteses: ou continuam a entrar milhares de imigrantes jovens em Portugal, aumentando assim a população activa, ou se tomam medidas que, efectivamente, consigam incentivar os casais portugueses a terem mais filhos. Há uma terceira hipótese que é a de conciliar as anteriores...
Os próximos anos vão ser elucidativos desta realidade, com o número de reformados a aumentar consideravelmente e a população jovem a diminuir a olhos vistos. Só estando bem a par desta situação é que se compreende que o Governo seja obrigado a aumentar a idade da reforma, ainda para mais quando os jovens começam a trabalhar cada vez mais tarde e a esperança média de vida tem tendência para aumentar todos os anos.
Claro que a imigração não pode ser tida como a única solução para o problema do envelhecimento, pois nem todos os imigrantes conseguem arranjar um emprego estável e muitos deles têm em vista o retorno à sua terra natal. Seria bom que o Governo, de uma vez por todas, aplicasse medidas efectivas de reforço e defesa da família, por forma a discriminar positivamente os casais com três ou mais filhos... Pelo contrário, os casais sem filhos ou aqueles que optam por viver sozinhos ou de forma anárquica deveriam ver os seus impostos agravados.
São medidas polémicas, mas a direita não costuma ter medo da polémica...
Os próximos anos vão ser elucidativos desta realidade, com o número de reformados a aumentar consideravelmente e a população jovem a diminuir a olhos vistos. Só estando bem a par desta situação é que se compreende que o Governo seja obrigado a aumentar a idade da reforma, ainda para mais quando os jovens começam a trabalhar cada vez mais tarde e a esperança média de vida tem tendência para aumentar todos os anos.
Claro que a imigração não pode ser tida como a única solução para o problema do envelhecimento, pois nem todos os imigrantes conseguem arranjar um emprego estável e muitos deles têm em vista o retorno à sua terra natal. Seria bom que o Governo, de uma vez por todas, aplicasse medidas efectivas de reforço e defesa da família, por forma a discriminar positivamente os casais com três ou mais filhos... Pelo contrário, os casais sem filhos ou aqueles que optam por viver sozinhos ou de forma anárquica deveriam ver os seus impostos agravados.
São medidas polémicas, mas a direita não costuma ter medo da polémica...
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