segunda-feira, março 15, 2004

A vitória do medo...

A viragem política que ocorreu ontem em Espanha, com o regresso dos socialistas ao poder, só poderá surpreender os mais distraídos, depois de analisados friamente todos os acontecimentos ocorridos nos últimos três dias, a contar desde o dia do terrível atentado que abalou Madrid e todo o mundo civilizado.
A verdade é que este acto terrorista fez com que muitos milhares de espanhóis esquecessem os quatro anos de governação da direita em Espanha e centrassem toda a sua atenção na forma possível de exprimir o seu medo em relação ao terrorismo perpetrado por diversos grupos islâmicos, que lutam contra o mundo desenvolvido, democrático e livre. Esses espanhóis (calcula-se em mais de 2 milhões) que estavam a pensar abster-se, por não terem preferência entre o PP e o PSOE, resolveram, a partir do dia do massacre, não ficar em casa e exercer o seu dever cívico, mostrando um cartão vermelho ao Governo que, segundo eles, "abriu" as fronteiras de Espanha aos grupos terroristas islâmicos... Claro que esta é uma visão muito redutora de como se combate o terrorismo, mas o povo é soberano e, só é pena que, tal como acontece em Portugal, muitos cidadãos apenas se lembrem de exercer o seu dever democrático de eleger um Governo, quando o terror e o medo os aflige.
Estas foram umas eleições longe da normalidade, dominadas, não pela razão, mas sim pela emoção e pelo medo. Desta vez, os terroristas ganharam a sua batalha e concretizaram, por agora, os seus objectivos. Mas, certamente, que irão perder a guerra que iniciaram contra os valores do mundo democrático e livre...

sábado, março 13, 2004

Quanto mais se ensina, menos os alunos sabem...

O Ministro da Educação, David Justino, admitiu quinta-feira passada que pretende reformular o ensino do 3º ciclo, acabando com algumas das disciplinas que fazem parte do programa curricular. Afirma o Ministro que os alunos, ao chegarem ao 7º ano de escolaridade, são confrontados com uma sobrecarga excessiva de conteúdos a adquirir, que tem consequências no sentido oposto.
Concordo inteiramente com este ponto de vista. Já aqui escrevi vários artigos relacionados com esta matéria. Efectivamente, a teoria segundo a qual, quanto mais se ensina aos alunos mais eles sabem, parece-me longe da realidade, sobretudo quando verificamos que vivemos numa época em que os jovens têm cada vez menos tempo para estudar em casa (onde o tempo é ocupado com a televisão e o computador) ou mesmo fora dela (com a massificação dos hobbies relacionados com o desporto, a música e outras actividades).
Actualmente, a ocupação do tempo extra-escola é cada vez menos dedicado à própria escola. Ao chegarem a casa, os nossos jovens, na sua maioria, só voltam a pegar nos livros e cadernos no dia seguinte e, cada vez mais, só se estuda para os testes de véspera. Por isso, concordo com o Ministro na ideia de que para se saber mais, não basta leccionar mais conteúdos. Deve ocorrer precisamente o oposto: transmitir conhecimentos mais específicos, apostando em poucas disciplinas, mas cujos objectivos são mais fáceis de atingir. O que se passa agora é que um aluno do 3º ciclo tem mais de 10 disciplinas, muitas das quais, só leccionadas uma vez por semana, o que inviabiliza a possibilidade de haver qualquer tipo de ensino regular e acompanhado assiduamente pelo professor.
O aspecto negativo desta proposta ministerial é o facto de se preparar uma nova revisão curricular quando a actual tem menos de cinco anos. Ou seja, o ensino não pára de andar aos "trambolhões", ao sabor das ideias de cada Ministro...
Para quando alguma estabilidade ao nível da Educação?

sexta-feira, março 12, 2004

A mensagem que alguma esquerda estava à espera...

A notícia do envio de uma carta a um jornal árabe do Reino Unido, reivindicando o atentado ocorrido ontem em Madrid, em nome da Al-Qaeda, vai, certamente, servir de arma de arremesso contra o Governo de Durão Barroso, por este ter defendido a participação de Portugal na luta internacional contra o terrorismo. Estou já a imaginar Louçã, Carvalhas e companhia a virem, de cabeça erguida e voz grossa, exigir explicações do Governo português sobre a situação ocorrida em Madrid, servindo-se deste crime horrendo para justificar a postura que a esquerda ortodoxa portuguesa teve contra a luta anti-terrorista iniciada no pós 11 de Setembro.
Nos próximois dias, caso se confirma a mão da Al-Qaeda no atentado de Madrid, lá virão os "profetas" da desgraça afirmar que eles é que tinham razão em defender que Portugal nunca se deveria ter coligado aos EUA na luta contra o terrorismo. Lá teremos que aturar o Bloco de Esquerda, os comunistas e, quiçá, até alguns socialistas mais ortodoxos, num autêntico aproveitamento político-partidário do terrorismo, que deveria envergonhar qualquer pessoa civilizada que defenda a democracia e a liberdade. Esperemos pelos próximos episódios...

quinta-feira, março 11, 2004

As palavras não chegam para combater o terrorismo!

O dia de hoje acordou de forma trágica com o atentado terrorista ocorrido bem aqui ao lado em Espanha, com consequências trágicas em termos de número de mortos e feridos, já para não falar de toda a carga psicológica e emotiva subjacente.
No Parlamento português, todos os grupos parlamentares manifestaram repúdio pelo atentado perpretado contra alvos civis. No entanto, mais uma vez, a esquerda ortodoxa portuguesa, com destaque para o PCP e o BE, veio com palavras dúbias, contrastantes com o facto de alguns elementos da esquerda portuguesa terem já, no passado, feito declarações na defesa da independência do País Basco. Claro que agora todos condenam a estratégia da ETA, mas para se combater o terrorismo não basta condenar os actos terroristas. Deve-se ir às próprias causas desse terrorismo.
Claro que já se ouvem vozes na esquerda a dizer que este atentado nada tem que ver com a ETA, mas sim com a acção de grupos terroristas árabes. Ora, tal ideia demonstra duas posições: por um lado, a de que a esquerda não quer acreditar que a ETA seja capaz de matar tanta gente, esquecendo-se que um atentado que mata duas pessoas só difere de outro que mata duzentas nos números, pois ambos os actos são condenáveis e execráveis na mesma; por outro lado, parece que alguma esquerda retrógrada espera que os atentados terroristas cheguem aos países da coligação como prova da defesa da sua condenação à invasão do Iraque...
Uma coisa é certa. O terrorismo combate-se não com palavras vãs, mas com posições coerentes e medidas concretas e firmes de condenação às exigências desses grupos terroristas...

quarta-feira, março 10, 2004

Estranha forma de exibir alegria!

Assisti há poucos minutos a uma reportagem da TVI sobre as comemorações que ontem à noite, tiveram lugar na cidade invicta, depois do empate do F.C. Porto em Manchester... Na dita reportagem apareciam grupos de adeptos do F.C.P. a abanarem com toda a força automóveis, autocarros e até um carro-patrulha da PSP, como forma de expandirem alegria pela passagem do seu clube aos quartos de final da Liga dos Campeões.
Prefiro não falar sobre a jogo em si, nem comentar as declarações de Pinto da Costa sobre a arbitragem do jogo, mas não quero deixar de condenar a forma, no mínimo, "animalesca" e pouco civilizada como muitos dos adeptos do F.C.P. vieram para as ruas do Porto festejar a eliminação do Manchester... Por último, acho que também não valerá a pena falar sobre o elevado número de vezes que ouvi os adeptos do F.C.P. proferirem a palavra Lisboa quando cantavam hinos ao seu clube!

terça-feira, março 09, 2004

O "embrião" de uma nova democracia

Ontem foi aprovada, de forma unânime, pelo Conselho de Governo Transitório do Iraque, o texto da Constituição Provisória do país, o que revela uma clara convergência entre sunitas e xiitas, no sentido de tornar o Iraque numa verdadeira Nação democrática e livre, capaz de servir de exemplo impulsionador da "revolução" democrática que se quer vigente nos países autoritários do Médio Oriente, por forma a termos um mundo mais seguro.
Claro que este acontecimento, de importante cariz decisivo, foi ignorado por todos aqueles, que sendo ou não de esquerda, se opuseram à intervenção da coligação liderada pelos EUA, no sentido de virar a página numa região do mundo onde grassa o terrorismo e o ódio à liberdade e à democracia.
Hoje, os Louçãs e os Carvalhas deste país ficaram calados e fizeram-se despercebidos! Será que esta esquerda ortodoxa também irá ficar muda quando o povo iraquiano puder, finalmente, exercer o seu direito democrático e livre de eleger os seus governantes?

Polémica abortada. Felizmente...

Hoje, assistiu-se, no programa da RTP1, Prós & Contras, a uma tentativa de desvio de atenção de uma assunto muito sério como a educação para uma pseudo-polémica recentrada no direito ou não dos casais homossexuais poderem adoptar. Esta atitude, oportunisticamente subtil, foi desencadeada pelo antropólogo Miguel Vale Almeida que, munido de documentos de organizações americanas e papelada diversa tentou fazer passar a ideia de que a questão da educação das crianças terá que ver alguma coisa com a possibilidade dos casais homossexuais poderem adoptar crianças.
Felizmente que o economista João César das Neves chamou a atenção para essa estratégia laboriosa de Vale de Almeida e seus "acólitos", recolocando o debate no tema inicialmente proposto. Desta forma, a comunidade homossexual viu frustadas as suas ambições de protagonismo mediático...
Neste programa ficou bem demonstrado até que ponto a comunidade homossexual portuguesa é capaz de ir para tentar fazer das crianças mais frágeis uma autêntica arma de "arremesso" contra aquilo a que esta comunidade apelida de "homofobia", mas que, no final de contas, se resume apenas à tentativa de polarizar a questão principal nos direitos das crianças e, não, nos supostos direitos de adopção por parte dos homossexuais.
Esperemos que, de uma vez por todas, quando se falar em educação de crianças, não se dê mais ouvidos à vitimização constante protagonizada pela comunidade homossexual no sentido de querer transformar um assunto tão sério como a adopção de crianças abandonadas numa questão de conquista de um suposto direito social abrangente...

segunda-feira, março 08, 2004

Uma porta "entreaberta"...

A apresentação, hoje, do 2º volume da autobiografia de Cavaco Silva, pelo próprio, resultou num claro sinal de que Cavaco estará à espera que as eleições presidências se aproximem para se apresentar como candidato às mesmas. O ex-Primeiro Ministro foi elucidativo nesta questão ao afirmar que seria de uma enorme deselegância assumir uma candidatura presidencial quando Sampaio ainda tem um mandato de cerca de dois anos pela frente.
Por outro lado, Cavaco Silva é bastante frontal quando afirma que Soares não teve uma conduta de total independência e isenção aquando do seu segundo mandato, o que denota em Cavaco uma postura completamente diferente da de Soares e mais próxima da apresentada por Sampaio.
A reacção de Santana Lopes à apresentação do livro evidencia nervosismo e má fé, o que só beneficia o próprio Cavaco Silva. Boas notícias, portanto...

sábado, março 06, 2004

O "perigo" da banalização dos recursos judiciais

A leitura atenta das notícias vinculadas ontem e hoje, de que o ex-Presidente da Câmara Municipal da Guarda, Abílio Curto, foi detido para cumprimento de uma pena de prisão por crime de corrupção passiva, permite facilmente concluir dos malefícios que a banalização dos recursos judiciais trazem para a imagem da Justiça portuguesa.
Repare-se que, no caso em questão, Abílio Curto havia sido julgado em 17 de Maio de 1998 (há quase seis anos!)e condenado a cinco anos e meio de prisão. Contudo, a defesa do antigo autarca recorreu da decisão para o Supremo Tribunal de Justiça, para o Tribunal da Relação de Coimbra e para o Tribunal Constitucional. Com esta estratégia, o ex-autarca beneficiou, pelo meio, do perdão de dois anos de pena pela Lei da Amnistia de 1995 e de mais um ano pela Lei da Amnistia de 1999, o que significa que só terá de cumprir dois anos e meio de prisão!
Deixo duas perguntas. A possibilidade de "multiplicar" os recursos servem a quem? Que utilidade têm as amnistias?

sexta-feira, março 05, 2004

A estratégia do facilitismo

A hipótese avançada ontem pelo Ministro da Educação, David Justino, de se instituírem exames nacionais no 6º ano de escolaridade, com peso na nota de final de ano dos alunos, foi já criticada pela oposição parlamentar, mas também, surpreendentemente, pela Confederação Nacional das Associações de Pais (Confap) e por diversos representantes das associações de professores de Matemática e de Português.
Quais as razões que levarão a que, tanto a opsição, como os pais e os professores, não queiram que os alunos sejam avaliados no final do 6º ano, que irá corresponder, caso a proposta do Governo da nova Lei de Bases da Educação seja aprovada, ao ano de passagem do novo ensino básico (1.º ao 6.º ano) para o secundário (7.º ao 12.º ano)?
Quanto ao PS, PCP e BE, o mais certo é que a sua oposição às pretensões do Governo tenha apenas que ver com razões de oportunismo político-partidário, por forma a desgastar o trabalho desenvolvido pelo Ministério da Educação e, assim, aproveitar a onda de constestação dos sindicatos de professores.
No que concerne à Confap, as motivações para a sua posição negativa em relação à proposta de David Justino terá que ver, talvez, com o facto de, com esta nova "fornada" de exames, se verificar uma elevação do nível de exigência relativamente às capacidades cognitivas dos alunos, o que não deverá agradar a muitos pais. Contudo, não acredito que esta Confederação seja realmente representativa da maioria dos encarregados de educação, pois todos sabemos que a maioria dos pais não se deixam envolver neste tipo de associações, que muitas vezes servem apenas de meio de "trampolim" para outros voos de protagonismo a nível local.
Finalmente, que dizer das afirmações dos representantes dos professores de Matemática e de Português? Será que veem estes exames como um obstáculo à antecipação das suas férias de Verão ou mais como uma forma de os obrigar a cumprir o programa?
Como professor, penso que deveríamos voltar ao nível de exigência dos anos 80, em que, com ou sem exames, só transitava de ano quem realmente demonstrasse ter capacidades para tal. Infelizmente, nos últimos anos, tem-se verificado, regra geral, um maior facilitismo no ensino, sobretudo nos primeiros anos de escolaridade, que faz com que tenhamos muitos alunos nos 7º e 8º anos de escolaridade que não saibam localizar Portugal no mapa, desconheçam a diferença entre monarquia e república e que só consigam (quando conseguem!) fazer contas de somar e subtrair.
Tanto facilitismo, porquê?

quarta-feira, março 03, 2004

Manual de resolução de problemas (a propósito do aborto)

Quando surge um problema, seja de que nível for, há duas formas de o encarar: desenvolvendo soluções que visem acabar com as causas que estão na origem desse problema, ou então, virando as costas ao dito probema, fazendo de conta que o mesmo não existe.
Digo isto porque, no debate que hoje teve lugar na Assembleia da República sobre o tema da despenalização do aborto, foi possível constatar que existem duas formas de fazer frente ao problema do aborto: uma, protagonizada pela esquerda política que vê o aborto, não como um problema, mas como uma necessidade que deve estar ao dispôr de uma qualquer mulher que, simplesmente, não quer ser mãe e, outra, bem diferente, que tem em conta que o aborto é um problema civilizacional, que urge combater nas suas causas primárias.
Ora, acho esta última maneira de encarar o problema do aborto como a mais razoável e a que mais se coadugna com uma sociedade que quer preservar os seus valores éticos e morais e, não como diz o povo, de "fugir com o rabo à seringa".
Dou três exemplos. Será que para o problema do alcoolismo o melhor deverá ser pôr à consideração de cada um a quantidade de álcool que quer ingerir ou, pelo contrário, combater as causas psicológicas que levam a esta doença? Será que para o problema do insucesso escolar o melhor será baixar o nível de exigência, para assim termos mais alunos a transitar de ano ou, pelo contrário, combater as reais causas que levam a este problema educacional? Será que para o problema da droga o melhor será "conceder" livremente estupefacientes aos toxicodependentes ou, pelo contrário, combater as causas sociais que levam a este flagelo?
Para qualquer problema (com excepção da morte) há uma solução, que deve passar pelo combate às suas causas e não pela assunção de um "fechar de olhos" ao dito problema. Por isso, concordo com a direita portuguesa que considera que o aborto deve ser abordado numa estratégia de combater as causas sociais, psicológicas, familiares ou outras que podem levar uma mulher a considerar a hipótese de interromper voluntariamente uma gravidez.

Uma proposta útil e eficaz...

Muito (mal) se tem dito e escrito da Ministra da Justiça e da sua (suposta) inabilidade para estar à frente de um Ministério que, há muito, necessitava de reformas e mudanças estruturais. Contudo, aos poucos e de forma gradual, têm vindo a público notícias de alterações, sobretudo nos sistemas judicial e prisional, que apontam para uma melhoria considerável na forma de fazer justiça.
Uma dessas propostas inovadoras tem que ver com a possibilidade da criação de uma nova pena de trabalho a favor da comunidade, considerada como sanção principal e de aplicação imediata para certos crimes e não apenas em substituição à prisão. De facto, o Ministério da Justiça está a ponderar um conjunto de recomendações apresentadas no relatório da comissão de estudo presidido por Freitas do Amaral e que têm como principais objectivos humanizar as prisões e tornar mais eficazes as penas a cumprir pelos condenados, tanto para o bem da sociedade em geral, como para a própria reinserção social dos indivíduos prevaricadores.
Penso que, a generalizarem-se, para determinados crimes, as penas de trabalho a favor da comunidade, se está a dar um passo importante para que os indivíduos condenados por certos crimes pouco "ofensivos" (claro que não me estou a referir a crimes de sangue) possam cumprir uma pena, não num género de "pensão dormitório", que é o que são muitas das nossas prisões, mas sim num âmbito produtivo, útil e de esforço para o condenado.
Aos poucos, as reformas na área da Justiça vão sendo implementadas... Apesar de todo o barulho de fundo!

segunda-feira, março 01, 2004

De olhos (quase) fechados...

Este é o sentimento com que muitos dos mais de 100 000 professores iniciaram o dia de hoje, que marca o começo de mais uma longa caminhada na procura de uma vaga numa qualquer escola perto de casa. Ao longo dos próximos oito dias, milhares de professores e de candidatos a esta profissão vão estar "embrulhados" em impressos de candidatura e centenas de folhas com códigos de escola, embuídos na arte de investigar para tentarem saber quais as hipóteses que têm de ficar numa escola da sua preferência.
É quase um tiro no escuro, pois com a diminuição de vagas existentes e as "trocas e baldrocas" que ocorreram no ano passado, a confiança da maioria dos professores no novo sistema de colocação de docentes não é das melhores.
Quantos casais vivem separados ao longo da semana, por um dos cônjuges ou os dois, se encontarem longe de suas casas a leccionar? Quantos professores vivem no sobressalto de, no próximo ano, terem que ir para outra escola situada bem longe de casa? Quantos professores leccionam há dez ou mais anos sempre a "saltar" de escola em escola?
Não é uma vida fácil... Este é o sexto ano em que dou aulas, sempre em escolas diferentes, de regiões diferentes e, apesar de já estar vinculado (numa zona a mais de 100 Km de casa), não sei se no próximo ano ficarei ou não, finalmente, perto de casa. Já nem falo daqueles que não estão vinculados ou dos que acabaram uma qualquer licenciatura em ensino, pois as suas expectativas devem ser tão baixas, que, provavelmente, nem devem ter tempo para stressar...

domingo, fevereiro 29, 2004

O grande equívoco

Ontem foi dia de abertura das hostilidades entre os principais partidos portugueses no caminho para as eleições europeias. Tanto a coligação PSD/PP, como o PS, o PCP e o BE tiveram reunidos no sentido de definirem a estratégia que vão adoptar a partir de hoje até ao dia 13 de Junho, dia das eleições.
Ora, pelo que ontem se ouviu de alguns dirigentes partidários, parece-me que existe, em todos os partidos, um grande equívoco sobre o significado das próximas eleições. Cada partido, com destaque para o PS e a coligação PSD/PP, optou por redefinir o real sentido do que no próximo dia 13 de Junho deveria estar em questão. O PS, pela voz de Ferro Rodrigues, quer fazer das europeias um "ajuste de contas com o embuste eleitoral de Março de 2002". Por seu lado, a coligação PSD/PP tenta disfarçar as diferenças que existem entre os dois partidos em matéria de Europa e vai para estas eleições coligado de forma artificial. Quanto aos demais partidos, nem vale a pena falar, pois têm como principal objectivo aproveitar as eleições para usufruírem de tempo de antena.
Ora, é pena que as duas principais forças partidárias vejam estas eleições numa perspectiva de debate das políticas caseiras e de distribuição de lugares apetecíveis em Bruxelas, em vez de darem a conhecer ao eleitorado português o trabalho feito (ou que ficou por fazer) pelos deputados europeus eleitos à cinco anos atrás. Com este tipo de actuação, não é de admirar que a maioria dos portugueses desconheça para que servem estas eleições e, o mais certo, é que muita gente vá votar seguindo o pensamento estratégico do PS, defendendo ou condenando a política de Durão Barroso. A verdade é que, infelizmente, estas eleições vão sobretudo servir de barómetro acerca de como os portugueses apreciam (ou não) a política governamental da coligação...

sábado, fevereiro 28, 2004

Petições para todos os gostos

O movimento cívico "Mais Vida, Mais Família" anunciou hoje ter reunido mais de 120 mil assinaturas num abaixo-assinado por "leis de apoio à família e contra o aborto livre", que irá ser apresentardo à Assembleia da República na próxima quarta-feira.
Nas vésperas de os deputados da Nação irem discutir a proposta do PCP que, apoiado numa petição, pede, um referendo sobre o aborto, chega-nos agora a notícia da apresentação de uma outra petição que vai no sentido oposto àquela que vai ser alvo de discussão parlamentar no próximo dia 3 de Março.
A opção encontrada pelos partidos de oposição para fazer a defesa de um novo referendo, apoiada em petições, dá neste tipo de imbróglios e "campeonatos de assinaturas", que só dividem a sociedade portuguesa. Penso que a questão do aborto deve ter em conta, não o número de assinaturas que se arranjam para defender esta ou aquela posição, mas sim o respeito pela lei em vigor, que ainda há cinco anos for "aceite" pela maioria daqueles que resolveram pronunciar-se sobre a mesma. Agora há que respeitar a lei vigente, evoluindo num sentido harmonioso e não radical, não obstante o papel que o Estado deve ter no sentido de apoiar as famílias que têm dificuldades económicas e julgam não possuir meios para criar uma criança. Tudo deve ser feito para que o direito à vida com dignidade não seja questionado...

sexta-feira, fevereiro 27, 2004

Com professores(as) assim...

Ontem e hoje fui participar numa acção de formação realizada por uma associação de professores, que tinha como um dos temas em debate o stresse existente na classe docente e as várias formas de lidar com este problema cada vez mais actual. Mais uma vez, fiquei desiludido com o comportamento manifestado pela maioria dos professores participantes neste tipo de reuniões. É que, num anfiteatro com cerca de 400 docentes (90% deles mulheres), a postura manifestada pela grande maioria dele(a)s foi de bradar aos céus, pelo menos na minha maneira de ver estes encontros.
Passo a explicar. Uma das intervenientes foi uma psicóloga brasileira que resolveu fazer a sua intervenção como se estivesse a lidar com crianças, pondo toda aquela gente a cantar e aos abraços, como se se estivesse presente numa das missas do Padre Borga. Claro que, como a maioria dos professores participantes na acção eram professoras e, ainda por cima, do ensino pré-primário e primário, toda aquela algazarra teve uma adesão enorme.
Para mim, professor do ensino secundário, sempre me fez confusão o comportamento manifestado pelos educadores de infância e professores do 1º ciclo, que participam nestas acções de formação como se estivessem nas suas salas de aula, com os alunos a cantarem e aos saltos. Para aumentar o desconforto sentido naquela experiência de loucos, atrás de mim, sentou-se uma professora primária, já dos seus sessenta e tal anos que, durante duas horas, se fartou de dormir profundamente e ressonar ao som da palestra de um outro psicólogo que falava acerca do stresse.
Conclusão: fui para uma acção de formação a fim de saber algo mais sobre o stresse na classe docente e saí de lá bem mais stressado do que quando para lá entrei. Enfim, esta foi mais uma experiência que contribuiu para que cada vez mais não compreenda porque é que o Estatuto da Classe Docente é o mesmo, tanto para educadores de infância, como para professores do ensino secundário. É que uns e outros são como o azeite e a água: nada têm de semelhante, tanto na função desempenhada, como na postura e na exigência profissional da mesma...

quinta-feira, fevereiro 26, 2004

Uma boa notícia...

Tudo indica que, ainda este ano, possa ser possível que o Estado faça o cruzamento de dados entre a Administração Fiscal e a Segurança Social, para que, finalmente, todos aqueles que descontam para a Segurança Social a partir de salários baixos e adquirem bens de luxo, sejam mais facilmente apanhados pela Justiça portuguesa.
E, ainda dizem que este Governo só se preocupa com os grandes e os graúdos! Se fosse verdade este post não existiria! Que dirá agora a esquerda radical desta medida governamental?

quarta-feira, fevereiro 25, 2004

O que fazer com os ditos "arrumadores de carros"?

Todos sabemos que, quando queremos estacionar o nosso automóvel em zonas de elevado tráfego citadino, a existência de um "arrumador de automóveis" por perto pouco nos ajuda, pois, geralmente, os mesmos resumem a sua acção ao esticar de um braço para um lugar livre que, muitas vezes, já tinho sido vislumbrado por nós... Na prática, estes indivíduos que são conhecidos por "arrumadores de carros" pouco auxiliam os condutores no acto de estacionar, imputando-se a si mesmos a quase obrigação de receberem, pela sua pseudo-ajuda, uma moeda não inferior a 50 cêntimos.
A conhecida "praga" dos "arrumadores", que há uns anos atrás era apenas visível nas grandes cidades de Lisboa e do Porto, tem-se alastrado um pouco por todo o país, de norte a sul, do continente às ilhas... Tem-se a ideia que muitos destes "arrumadores" vivem para a droga, mas, a verdade é que cada vez aparecem mais indivíduos sem problemas de alcoolismo ou droga e que se aproveitanm desta actividade para angariar algumas dezenas de euros por dia.
A Câmara de Lisboa, à semelhança do que aconteceu no Porto, pretende licenciar esta actividade, através da concessão de um cartão de identificação válido por um ano indicador da zona de actuação dos ditos "arrumadores". Entretanto, os automobilistas continuarão a ser forçados a entregar uma moeda ao arrumador, se não quiserem ver o seu automóvel riscado. Parece-me que esta é uma proposta cheia de boas intenções, mas que, infelizmente, não irá resolver os problemas inerentes a esta actividade: por um lado, os "arrumadores" continuarão a aproveitar-se da chantagem psicológica para receberem dinheiro de forma coerciva e ilícita; por outro lado, não se vai ao fundo do problema, que seria tornar esta actividade efectivamente ilícita, por forma a que os agentes de segurança pudessem levar à Justiça aqueles que se fazem passar por mendigos, para encherem de moedas os seus bolsos.
Penso que o mais correcto a fazer relativamente a esta questão seria o de identificar todos os sujeitos que fossem encontrados a exercer esta actividade, discernindo aqueles que estão nesta vida por problemas relacionados com a droga ou o alcoolismo, a fim de os tratar, daqueles que se fazem passar por necessitados, mas que em vez de trabalharem condignamente, optam por uma actividade onde o cansaço é pouco e os lucros são elevados. Para estes, o destino seria a Justiça se voltassem a incorrer no referido acto ilícito. Caso contrário, lá teremos que continuar a gastar moedas nos parcómetros e nos ditos "arrumadores"...

segunda-feira, fevereiro 23, 2004

Aprender com os erros...

Os recentes casos de conflitualidade entre os conselhos de administração de alguns hospitais-empresa e as respectivas direcções clínicas, ocorridos em Viseu, Setúbal e Figueira da Foz devem servir de alerta para a tutela do Estado, no sentido de estabelecer condições propícias para que a necessária gestão administrativa de importantes serviços públicos não seja sinónimo de perda de qualidade nos serviços prestados à população.
A política deste Governo em avançar com gestões profissionalizadas nos hospitais-empresas, mas, futuramente, como consta nos planos do Governo, também nos centros de saúde e nos estabelecimentos de ensino, não pode ser feita à revelia dos profissionais da saúde e da educação. O problema reside no facto de que muitos dos gestores que estão à frente dos destinos dos hospitais S.A. nada terem a ver com a área da saúde, o que não se compreende. Muitos destes gestores apenas percebem de gestão financeira, faltando-lhes o conhecimento empírico necessário para gerir serviços públicos.
Seria bom que o Governo tivesse em conta que uma gestão equilibrada e eficaz dos serviços públicos, sobretudo das áreas da saúde e da educação, só pode ser feita quando os próprios profissionais têm voto na matéria. E, a verdade é que em muitos hospitais este pressuposto, que deveria existir, tem sido, simplesmente, ignorado...
Esperemos que os futuros gestores das escolas, que vão subsitituir os Conselhos Executivos, também não sejam escolhidos à revelia dos professores...

A crise do casamento...

O Público de hoje dá a conhecer alguns números alarmantes sobre a crise do casamento na sociedade portuguesa. Segundo o referido diário, no ano de 2002 realizaram-se menos de cerca de 2 000 casamentos do que em 2001, enquanto que o número de divórcios aumentou em quase 10 000, o que revela uma tendência alarmante.
Uma das causas para este fenómeno relaciona-se com o facto de, actualmente, as relações afectivas terem um carácter muito mais instável e passageiro, pouco condizente com a efectivação de uma união jurídica (já nem falo no carácter religioso da mesma) que assenta em princípios de fidelidade e respeito mútuo, que hoje em dia parecem passar ao lado de muita gente.
Seria bom que o Estado desse reais passos na defesa da instituição do casamento, por forma a que não se esteja a caminhar para uma sociedade disfuncional, onde o que conta são as relações fugazes e efémeras, potenciadoras de situações caricatas que se vão tornando cada vez mais rotineiras na nossa sociedade: aumento dos celibatários, em contraposição com o crescente número de filhos de mães solteiras e de pais desconhecidos e com a banalização dos casos de filhos de pais divorciados... Enfim, uma série de situações onde os filhos são, muitas vezes, o resultado de meras paixões bacocas, vendo-se obrigados a crescer em ambientes confusos, sem a presença do pai ou da mãe... Muitas vezes, até são os avós que fazem o papel que deveria ser dos pais!
Tal como se concedem benefícios às famílias que têm mais de dois filhos, para quando, por exemplo, a concessão de regalias e benefícios fiscais às famílias estáveis que se preocupam com o crescimento harmonioso dos seus filhos?