sábado, abril 10, 2004

Confundir democratização com extremismo...

Manuel Carvalho escreve hoje no Público um editorial com o título "A Derrocada da Nation Building", onde defende a ideia de que as nações livres e democráticas não têm qualquer legitimidade para desencadear políticas externas que levem à democratização do mundo árabe ditatorial e embrião das formas mais diversas do terrorismo actual emergente.
Afirma o jornalista que "o conceito de "nation building" não passa de uma ideologia extremista, uma combinação perigosa de messianismo com voluntarismo, que é completamente destituída de qualquer sentido da História". Ora, penso que com esta argumentação, apoiada no medo e no voltar costas ao medievalismo político em que está subjugado grande parte do mundo árabe, só engrandece os próprios terroristas, dando-lhes razão na afirmação por eles proferida de que "não queremos cá ninguém na nossa casa" (como se a casa deles fosse um antro de paz, democracia e liberdade).
Será que as nações mais desenvolvidas do mundo, onde a democracia e a liberdade são conceitos adquiridos, não têm a legitimidade de, em nome da segurança de um mundo cada vez mais globalizado e da defesa do combate à pobreza em que (sobre)vive a população árabe (pobreza essa que fomenta o ódio ao mundo ocidental), dizia, não têm a legitimidade de orientar políticas que levem à democratização do mundo árabe? Para mim, essa legitimidade é total... De facto, penso que, tal como aconteceu na Europa Ocidental, após a 2ª Guerra Mundial e na Europa de Leste após a queda do muro de Berlim, já para não falar dos casos do Japão ou da África do Sul, a melhor forma de se garantir um mundo mais pacífico e menos desigual em termos de desenvolvimento humano é, precisamente, através da criação de condições de fomento da democracia e da liberdade nos países onde reina a ditadura e a censura.
O exemplo do Iraque poderá ser o princípio de um processo de democratização de uma região do mundo onde a falta de uma educação dos jovens assente em pilares tão básicos como a democracia e a liberdade, tem levado ao fortalecimento do fundamentalismo islâmico e do ódio ao Ocidente. Urge, agora, travar esta batalha, para que as próximas gerações possam viver num mundo mais pacífico e harmonioso...

quinta-feira, abril 08, 2004

O orgulho de ser-se beirão (um apontamento dedicado aos naturais da Beira)

Fui ontem assitir a uma conferência que tinha como tema "Estará a desertificação a ameaçar a identidade beirã?", realizada no âmbito do ciclo de conferências "Olhares Cruzados Sobre Viseu", promovido pelo Público e pela Câmara Municipal de Viseu. O debate teve como conferencistas o fotógrafo Homem Cardoso e o antropólogo João Pereira Neto. Certamente que os impulsionadores deste ciclo de debates tiveram como fundamento para convidar estes interlocutores os objectivos de dar a conhecer a visão de alguém que, como fotógrafo e artista da imagem, poderia abordar a evolução da paisagem beirã, assim como a visão de um estudioso das relações humanas, que poderia evidenciar algumas especificidades culturais que o beirão poderá ou não ter.
A verdade é que o dito debate foi, quanto a mim, uma completa desilusão. Por um lado, Pereira Neto fez uma abordagem, mais da identidade portuguesa do que propriamente do ser-se beirão, tendo extrapolado uma sua experiência pessoal para elogiar de forma simpática a identidade beirã. Por outro lado, Homem Cardoso revelou-se uma competa "seca", tendo estado durante quase uma hora a contar histórias da sua vida pessoal, como se isso contribuísse em alguma coisa para o tema em questão. É o que dá quando se convidam figuras que pouco sabem do que realmente é o sentimento beirão...
Como beirão que sou senti-me completamente defraudado com a dita conferência... E, o que é isto de ser-se beirão? Muito simples... É o sentimento de pertença a um território com o qual as afinidades são enormes. Tal como o alentejano tem orgulho em pertencer ao Alentejo e o minhoto ao Minho, o beirão identifica-se, por completo, com a Beira. Especificidades de ser-se beirão? Sinceramente, tirando a legítima pertença territorial, não vejo nenhuma em especial... Vir dizer que é mais trabalhador ou mais bruto não tem, quanto a mim, nenhuma lógica... Quanto à questão da desertificação (noção utilizada de forma errada para o processo de despovoamento humano), esta é uma realidade que afecta, sobretudo, as aldeias e o mundo rural em geral e não, propriamente, cidades de média dimensão, como Viseu, Covilhã ou Guarda. Estas têm conseguido suster a migração para o litoral, com base na diversificação dos sectores económicos, mas também (infelizmente) graças à captação de população que vivia nas aldeias circundantes.
Contudo, penso que a identidade beirã não está em risco de sucumbir. O grande risco está, sobretudo, no abandono do meio rural e na perda das tradições e costumes mais antigos que caracterizavam o beirão. Mas, esta é uma realidade que afecta todo o país e para a qual a solução está, por exemplo, no impulsionamento das aldeias históricas e na concretrização de medidas que visem defender a cultura tradicional das diversas regiões portuguesas.

terça-feira, abril 06, 2004

Responsabilizar os pais...

O Governo aprovou, hoje, em Conselho de Ministros, o Plano Nacional de Prevenção do Abandono Escolar, com o objectivo de reduzir para metade as taxas de saída precoce do sistema de ensino português. Para tal, o Governo pretende revitalizar o ensino técnico e profissional, criar uma rede de 15 a 20 escolas tecnológicas de referência, instituir em todas as escolas a figura do tutor escolar e dar maior importância ao papel dos pais, através da criação do programa Pais na Escola.
Penso que estas medidas são positivas, no sentido de diminuir o abandono escolar. Contudo, só com um real empenhamento dos pais na vida escolar dos seus filhos se poderá combater este flagelo que fere o estado do educação em Portugal. Seria bom que os pais dos alunos que andam na escola apenas para passar tempo e não terem que ir trabalhar fossem "coercivamente" alertados para a situação escolar dos seus educandos, pois, geralmente, os encarregados de educação que menos vezes vão à escola saber da situação escolar dos seus filhos, são, precisamente, os dos alunos mais problemáticos em termos de comportamento e, consequentemente, de aproveitamento. Ainda por cima, estes alunos desestabilizadores costumam arrastar consigo outros alunos, prejudicando o normal rendimento escolar das respectivas turmas.
Para quando a apresentação de medidas que, realmente, possam acordar os pais para o percurso escolar dos seus filhos, como o corte do abono de família ou a aplicação de multas, como acontece já no Reino Unido, relativamente aos alunos que andam na escola em regime de "passatempo"? É que a educação começa em casa...

segunda-feira, abril 05, 2004

Só cá faltava esta!

Depois de, ontem, a SIC ter seguido o caminho da TVI ao emitir uma reportagem sobre os problemas que os adolescentes homossexuais enfrentam no seu dia-a-dia, como se todos os outros jovens fossem imunes a problemas de relacionamento com os pais ou colegas, soube pelo Público que um grupo empresarial de comunicação dos EUA pretende lançar, com o apoio de grupos gays, um canal de televisão destinado ao público homossexual. Vejam bem, esta é a prova mais que provada de como os grupos que se dizem defensores da condição gay, são os primeiros a fomentar a segregação e a sua auto-discriminação... Imagine-se o que seria se, agora começassem a surgir canais de televisão destinados só a pessoas de uma determinada condição sexual, raça ou grupo social...
Se a moda pegar cá em Portugal, esta é a prova de como os homossexuais são os primeiros a defender a "catalogação" das pessoas em função da sua condição sexual, o que deita por terra qualquer tipo de credibilidade quando as associações de gays vêm com a conversa da exigência de igualdade de direitos. Ora, os próprios gays são os primeiros a considerarem-se diferentes. Deste modo, se os gays querem um mundo só deles, com canais de televisão, rádio, jornais e, provavelmente, até escolas e hospitais apenas destinados aos que têm a sua condição sexual, não me venham com conversas de homofobia e discriminação... Tomem é juízo!

sábado, abril 03, 2004

A urgência de reformar as políticas de defesa

Depois de no dia 11 de Setembro de 2001 se ter aberto uma nova realidade em termos de insegurança internacional, com o dealbar de uma nova forma de terrorismo que apela à luta contra tudo o que diga respeito a um pensamento tido como ocidentalizado, e com os recentes episódios de Espanha (o último ocorrido ontem) urge reformar as políticas de defesa e segurança nos países ocidentais, com destaque para os da UE.
No caso português, mais importante do que se gastarem dinheiros públicos em submarinos, aviões F16 ou tanques, urge investir os recursos destinados à defesa nacional em verdadeiras políticas de segurança interna, que compatibilizem a defesa da liberdade individual dos cidadãos com o reforço da vigilância e da investigação criminal, por forma a combater esta nova realidade terrorista, que sobrevive à custa do fanatismo cego e do ódio ao Ocidente... Só com uma aposta forte nas polícias de investigação, nos serviços de informação e na cooperação entre democracias é que se poderão anular os efeitos desta nova forma de guerra, que por ser invisível é mais difícil de combater... Claro que a questão palestiniana é fulcral nos dias de hoje, tal como o combate à fome e à pobreza no Terceiro Mundo, mas face à realidade actual, resta-nos, nos próximos tempos, "jogar" à defesa...

sexta-feira, abril 02, 2004

A verdade sobre o Bloco...

No Público de hoje, José Manuel Fernandes, escreve sobre o partido menos representado na Assembleia da República, mas que tem uma intervenção junto dos meios de comunicação social em geral, como se de uma grande força partidária se tratasse. Haverá algum dia em que não tenhamos que aturar com as afirmações inflamadas e cheias de ironia e sarcasmo de Francisco Louçã ou de Fernando Rosas na SIC Notícias, no Fórum TSF ou em grande parte da imprensa escrita diária?
Finalmente que alguns dos comentadores políticos da nossa praça começam a tirar o capote de cordeirinho com que os bloquistas se escondem...
Numa época em que grande parte da opinião pública portuguesa parece estar algo desanimada com este Governo, convém alertar os mais distraídos quais as ideias que o BE defende, não vá este partido conseguir angariar votos daqueles cidadãos que não têm força política definida ou que querem, pura e simplesmente, deitar o voto num qualquer partido da oposição, em prol do tão falado cartão amarelo ao Governo.
Pois bem, o Bloco de Esquerda é um partido que fala muito em liberdade, mas que se esquece que não se deve confundir liberdade com libertinagem. E, a verdade, é que estes senhores defendem, entre outras ideias, a liberalização do aborto, a liberalização das drogas, a possibilidade de haver casamentos entre homossexuais, a possibilidade dos gays adoptarem crianças, a existência de máquinas de preservativos nas escolas públicas (como se tratassem de rebuçados), etc, etc... Enfim, defendem muitas das realidades existentes para as quais os verdadeiros democratas tiveram que lutar para termos uma sociedade equilibrada e civilizada, regulada por valores tão importantes como a vida, a família e a responsabilidade cívica...

quinta-feira, abril 01, 2004

O "endeusamento" da greve...

Nos tempos que correm, quando algum grupo social ou classe profissional, se sente prejudicada em matéria de direitos, regalias ou privilégios, opta, geralmente, com a anuência dos sindicatos ou associações representativas, pelo acto da greve. Ou seja, cada vez mais se banaliza a paralisação laboral como pseudo-solução para os problemas que os grevistas consideram afectar as suas vidas...
Vem isto a propósito da greve nacional que os estudantes do ensino superior público realizam hoje. Com jovens deste calibre (felizmente são uma minoria), que se servem de um direito que deveria ser utilizado em última instância, como se a greve fosse o equivalente a mais uma "party universitária", que poderemos esperar daqui a uns anos, quando estes jovens fizerem parte da população activa portuguesa? Felizmente que estas greves costumam ter uma adesão fraquíssima, mas com dirigentes associativos que mais parecem sindicalistas da CGTP, a realidade sindical portuguesa parece não ter hipóteses de sair do obscurantismo latente em que está envolto...

quarta-feira, março 31, 2004

Multipliquemo-nos!!!

Pelos recentes dados do INE, Portugal poderá vir a perder um quarto da sua população até 2050, como resultado da diminuição da taxa de natalidade e do crescimento da taxa de mortalidade. O problema principal reside ao nível dos valores estimados de fecundidade, que em 2050 rondarão os 1,3 crianças por mulher, o que é um valor manifestamente aquém dos 2,1 necessários para o regular índice de renovação das gerações.
Há poucos dias atrás, o Governo apresentou os "100 Compromissos para uma Política da Família", que apesar de englobar algumas medidas em defesa da família, fica algo aquém do que se exigiria de um compromisso devidamente sustentável e preocupado com o futuro populacional do País. Das 100 propostas, nenhuma tem um cariz verdadeiramente natalista, no sentido de discriminar positivamente, em termos fiscais, as famílias que tenham mais filhos.
Numa época em que cada vez há menos casamentos (e que são cada vez mais tardios) e que parece estar na moda o celibato e as uniões de facto não reprodutivas, já para não falar dos casos de homossexualidade, ainda tenho esperança que este Governo e o Ministro Bagão Félix coloquem a mão na consciência e apresentem verdadeiras propostas natalistas, a favor da família e da reprodução consciente e sustentável...

terça-feira, março 30, 2004

O escritor que vive da polémica...

Não penso ler o muito falado romance de José Saramago. Aliás, nunca consegui ler até ao fim um único romance deste polémico escritor... Por um lado, porque sou pouco dado à ficção (aliás, não percebo o que leva tanta gente a ter a necessidade de se recrear com ficções, quando a realidade é tão profícua em conhecimento e enriquecimento intelectual). Por outro lado, considero a escrita de Saramago demasiado "martelada" e assente em determinadas premissas com as quais não me revejo...
Contudo, o que mais me incomoda em Saramago é a sua propensão para, à custa da polémica fácil e do que, moral e politicamente, é controverso ganhar protagonismo para, assim, ser campeão de vendas, mesmo que para isso tenha que questionar e pôr em causa o próprio conceito de democracia...

De que se ri a esquerda portuguesa?

A esquerda portuguesa anda numa autêntica roda viva com os resultados das recentes eleições realizadas em Espanha e na França. Mesmo considerando o cariz diferenciado das eleições em causa e as diferentes razões objectivas que levaram a que os principais partidos de esquerda espanhol e francês saíssem vitoriosos dos respectivos actos eleitorias, a esquerda portuguesa não deixou de se regozijar com os resultados obtidos pelas suas congéneres europeias e tem-se desmultiplicado em artigos de opinião, dando "vivas" à suposta vassourada que a direita europeia estará a sofrer.
Atente-se no último artigo de Eduardo Prado Coelho (EPC) onde este se congratula com a recente derrota da direita francesa nas eleções regionais, dando a entender que também Durão Barroso irá colher os frutos da sua (segundo EPC) má governação. Já Mário Soares prefere profetizar a próxima grande derrota da direita, que irá, segundo ele, mudar o mundo: a de Bush nas próximas eleições americanas...
Ora, não percebo esta euforia da esquerda portuguesa com acontecimentos externos que pouco nos dizem respeito, quando internamente nos deparamos com uma esquerda sem propostas alternativas, protagonizada por um partido dominante cujo líder tem défice de carisma, falta de firmeza e se dá à vergonha de não descurar uma coligação governamental com um partido radical que se especializou na "arte" de desinformar e apelar à insurreição popular... Com uma esquerda de tão baixa categoria não sei o que leva alguns a rirem-se do que se passa lá por fora...

segunda-feira, março 29, 2004

O elo mais fraco...

Mais uma vez, os funcionários públicos vão ser beneficiados relativamente aos trabalhadores do sector privado na questão da tolerância de ponto que o Governo lhes concedeu para a tarde de 8 de Abril, Quinta-Feira Santa. Apesar de ser trabalhador do Estado, revolta-me o laxismo a que chegámos em termos de direitos laborais tidos como banais e adquiridos.
É por esta e por outras que defendo uma completa reforma da Administração Pública, que valorize a competência, a responsabilização e a produtividade, fixando regalias para os que cumprem eficazmente a sua missão e punindo os que pensam apenas no seu posto de trabalho, não como isso mesmo, mas sim como um emprego fixo e vitalício. Urge, pois que este Governo combata os vícios de que padece a Administração Pública portuguesa e que não se deixe "abalar" pela cassete dos Sindicatos. Contudo, muito mais haveria que mudar. A começar, por exemplo, pela abolição das tolerâncias de ponto e de muitos feriados que não têm razão de existir...

domingo, março 28, 2004

Menos um na lista...

António Guterres afirmou ontem que não é "candidato a candidato" e que, portanto, não pensa entrar na corrida às eleições para a Presidência da República. Mais uma dor de cabeça para Ferro Rodrigues e uma boa notícia para Soares, que, provavelmente, ainda pensa numa vaga de fundo...
Depois da intervenção de Guterres, ontem em Leiria, fica provado que Guterres se revelou um completo erro de "casting" na política portuguesa, com prestações louváveis na oposição, mas sem firmeza para estar à frente de um Governo... A forma como justificou a sua demissão do cargo de Primeiro-Ministro revela falta de carisma, aborrecimento da política e pouco sentido de Estado.
Entretanto, a guerrilha político-partidária é para durar no PS. Com a direita a sorrir...

sábado, março 27, 2004

Ainda acerca da pobreza em Portugal...

Ontem, no programa da SIC Notícias, Expresso da Meia-Noite, falou-se sobre os mais recentes números vindos a público a propósito do fenómeno da pobreza em Portugal. No dito programa, o Professor Bruto da Costa, especialista na matéria, com variadíssimos estudos realizados, explanou de viva voz algumas das considerações sobre este fenómeno, do qual alguns políticos da nossa praça se aproveitaram para fazer guerrilha poítica, com destaque para Ferro Rodrigues, Carlos Carvalhas e, o sempre incontornável, Mário Soares.
Afirmou Bruto da Costa que não se pode dizer que o fenómeno da pobreza se agudizou nos últimos anos e que, muito menos, se deve tentar equiparar a pobreza actual com a pobreza de há vinte anos atrás. E, isto porque o conceito do que é ser-se pobre evolui no tempo e a consciência que cada um tem do seu nível de vida é muito relativa e dependente das expectativas que cada um tem e, inclusivé, da literacia que se possui para responder a inquéritos, muitas vezes, incompreendidos pela população menos instruída.
Não se faça, pois, da pobreza, motivo de disputa político-partidária... Estude-se, seriamente, o fenómeno da pobreza em Portugal e, em vez de o combatermos apenas com obras de caridade, invista-se na educação, na formação profissional e na iniciativa privada...

sexta-feira, março 26, 2004

Não há ninguém que o mande calar?

Está a tornar-se algo repetitivo vir aqui tecer algumas considerações sobre as afirmações proferidas por Mário Soares. Mas, ultimamente, os disparates que esta personagem tem dito têm sido tantos, que todos aqueles que votaram neste Governo (e, convém não esquecer, foram a maioria!) não podem ficar calados perante a ofensiva que Soares e seus acólitos têm feito contra a política da maioria PSD/PP. Lá que Soares se queira meter com Portas e o seu partido, é lá com ele; agora, vir de forma recorrente intoxicar a opinião pública menos informada com autênticas mentiras, revela uma falta de respeito pela maioria que aprova a política deste Governo. Ele que deixe essa estratégia guerreira para Ferro Rodrigues e os deputados da oposição!
Desta vez, Mário Soares acusou este Governo de ter colocado Portugal na situação "mais difícil" desde o 25 de Abril de 1974. Ora, será que Soares anda com amnésia e já se esqueceu como se vivia em Portugal nos princípios da década de 80? E, será que não se recorda que foi durante o seu Governo, em 1983, que Portugal teve de recorrer ao programa de estabilização económica do FMI para ultrapassar a grave crise económica que assolou o País?
Deixo aqui apenas alguns números da situação de Portugal em 1983, cujo Governo foi liderado por Mário Soares: a inflação rondava os 26%, o défice orçamental era de 11%, a dívida externa ascendia aos 60% do PNB, a taxa de desemprego era superior a 10%, o salário mínimo era de 13 contos, a taxa de mortalidade infantil era de 2%... Convém não nos esquecermos das dificuldades porque Portugal já passou, para sabermos dar valor ao que temos no presente!

quarta-feira, março 24, 2004

Nem um pedido de autorização sabem formular!

Como é que seis mil estudantes podem ir atrás da conversa de dirigentes estudantis que marcam uma manifestação em Lisboa, desde a Cidade Universitária até São Bento, ao longo de vários quilómetros, e nem se lembram de pedir a respectiva autorização ao Governo Civil de Lisboa? Com universitários deste calibre, este país não vai longe...
Quanto às razões do protesto, são as de sempre: manifestam-se pelo reforço da acção social e contra o aumento das propinas, "esquecendo-se" de que os alunos realmente carenciados têm acesso a bolsas de estudo, residências universitárias e isenção de propinas.

Uma proposta a ponderar

Penso que a proposta apresentada pelo PS para que o horário de votação nas próximas eleições europeias seja alargado até às 22h00 só deverá ser levada a sério se tal medida for aplicada em futuras eleições e não se cinja às do próximo dia 13 de Junho.
Tendo em conta que a abstenção em Portugal tem vindo a aumentar nos últimos anos, sobretudo nas eleições para o Parlamento Europeu, mas também nas demais, e já que todas as campanhas feitas para que se valorize o acto cívico de votar não parecem dar resultado, não me incomoda nada que uma das formas possíveis de diminuir os índices abstencionistas dos portugueses passe por se alargar o horário de votação. Mas, não se deve ficar por aqui...
Não seria tempo de se reformar todo o sistema eleitoral, desde a forma como as eleições decorrem em termos de propanganda eleitoral e do processo "artesanal" como decorrem até à redefinição das regras dos candidatos eleitorais, em termos de limite de mandatos e de alteração dos círculos uninominais?
Finalmente, não me repugnaria nada que o dever cívico de votar se tornasse obrigatório ou então que se punisse de alguma forma todos aqueles que não votam, mas passam todo o tempo a queixar-se dos políticos...

Está mais que visto quem manda no PS...

O Público noticia hoje que Mário Soares está a tentar envolver António Gueterres na pré-campanha do PS para as eleições europeias. Sob o "disfarce" de um jantar-debate sobre globalização, marcado para o próximo sábado no distrito de Leiria, Mário Soares quer reunir na mesma sala, além dele próprio, Ferro Rodrigues, Sousa Franco e António Guterres, para assim captar a atenção dos meios televisivos e fazer deste acontecimento um verdadeiro show-off mediático, a cheirar a pré-campanha para as eleições do Parlamento Europeu.
Resta saber se algum dos convidados tem a coragem de responder "não" ao convite do pai dos socialistas. Entretanto, fica a certeza que quem manda no PS é, efectivamente, Mário Soares...

terça-feira, março 23, 2004

E se tivesse sido o Bin Laden?

A morte do fundador e líder espiritual do Hamas, Ahmed Yassin, por tropas israelitas foi condenada pela generalidade da comunidade internacional. Depois dos acontecimentos de 11 de Março em Madrid, importa analisar a forma como quase todos os países do Mundo, com excepção dos EUA, receberam a notícia do desaparecimento de alguém que, por trás de um corpo frágil e inofensivo, escondia o prazer pela morte e terror perpretados à população civil israelita. Estamos a falar de um homem que nunca aceitou o Estado de Israel e que afirmou jamais ceder enquanto os judeus não saíssem da "Terra Santa"...
Penso que a condenação do acto israelita é uma espécie de reacção "politicamente" correcta que tem a ver, mais com a gestão das palavras, agora que a Europa está amedrontada pelo perigo terrorista, do que propriamente com o que os líderes das Nações democráticas e livres realmente pensam, mas que não podem, para bem da população, exteriorizá-lo.
A pergunta que faço é a seguinte: E se tivesse sido Bin Laden? Também teríamos assistido a esta condenação generalizada da morte de alguém que vive da morte alheia? Lá no fundo, estou certo que a maioria dos líderes ocidentais estarão à espera que Bin Laden siga o caminho do seu "amigo" Yassin...
A única condenação que faço a Israel é a forma como liquidou este carrasco da morte. Penso que o ideal seria, no futuro, tratar estas autênticas criaturas da morte com mandatos judiciais que permitam às autoridades israelitas capturar os lideres e seguidores das organizações terroristas palestinianas e entregá-los aos tribunais independentes para que, assim, estes os possam julgar... Mas, em casos extremos, medidas extremas!

domingo, março 21, 2004

Como combater a pobreza...

A pobreza, em qualquer país do mundo, não é de fácil resolução. Contudo, quanto mais desenvolvido for o país, melhores meios haverá, em princípio, que permitam reduzir os casos de pobreza. Um país rico, não significa que tenha o mesmo nível de desenvolvimento. Atente-se por exemplo aos EUA, que apesar de serem o país mais rico do mundo, ficam atrás dos países nórdicos da Europa, em termos de desenvolvimento humano. Mas, mesmo os países mais desenvolvidos do mundo apresentam situações de pobreza, não tão graves como as existentes em Portugal, mas com dimensão considerável.
Ora, vem tudo isto a propósito dos resultados de um estudo levado a cabo por alguns investigadores portugueses, segundo o qual a pobreza em Portugal atinge, pelo menos 200 000 indivíduos. A verdade é que, apesar da melhoria geral das condições de vida dos portugueses, desde a entrada de Portugal na CEE, muito há ainda por fazer nesta problemática.
Ao contrário do que a esquerda pensa, acho que a pobreza não se combate com a política da subsídio-dependência, mas sim com uma política socio-económica sustentável, que permita o fortalecimento de uma classe média auto-suficiente, que liberte o Estado para a incumbência de tratar os casos mais extremos, relacionados com o alcoolismo, a toxicodependência ou outros comportamentos desviantes.
Ora, em relação à pobreza "escondida" existente, sobretudo, nos meios rurais e, na maior parte das vezes, relacionada com a falta de instrução da população residente, penso que este flagelo deverá ser combatido através de uma aposta clara na educação e no fortalecimento das cidades de média dimensão, capazes de servir de "escape" à mão-de-obra disponível no meio rural. Quero com isto dizer que, só tomando políticas de desenvolvimento do interior português e das cidades de média dimensão, como Viseu, Vila Real, Portalegre, Beja e outras é que se poderá diminuir a pobreza ligada à população que depende da agricultura de auto-subsistência e à população que, sem estudos, tem de emigrar ou "refugiar-se" em situações desviantes e de subsídio-dependência...
Claro que os partidos de esquerda têm dificuldade em perceber este ponto de vista e preferem apontar culpas, em vez de estudar soluções... Mas, muito mais haveria que dizer sobre este assunto de tão difícil resolução.

sábado, março 20, 2004

Não se podem queixar do tempo!

Com o dia favorável a manifestações (bom tempo, sem chuva, nem frio), foram apenas cerca de 5 000 pessoas que desfilaram pela tarde desde o Largo do Camões até à Praça do Município, em Lisboa, em defesa da paz e da retirada das tropas portuguesas do Iraque. Segundo a comunicação social, a marcha, que foi bastante publicitada, teve a participação de cerca de 90 associações cívicas, entre sindicatos, ONG`s e, inclusivé, partidos de esquerda. Ora, com tanta associação a aderir à marcha, conseguir reunir apenas cerca de 5 000 manifestantes é, deveras, confrangedor, ainda para mais, quando à frente da marcha estiveram personalidades tão conhecidas como os líderes da CGTP, do PCP e do BE...
Se tivesse chovido teriam facilmente arranjado justificação para a reduzida adesão, mas com o tempo que esteve, qual será a desculpa?