segunda-feira, maio 24, 2004

Assim não...

Na passada quinta-feira, a Assembleia da República aprovou, sob proposta do Governo, a nova Lei de Bases do Sistema Educativo (LBSE) apenas com os votos dos deputados da maioria PSD/PP.
Quando se trata de alterar uma Lei de Bases, seja da educação ou de qualquer outro sector, é imprescindível que, para que a mesma tenha algum efeito positivo prático, haja um largo consenso parlamentar. Só assim poderemos ter a certeza de que um novo Governo, de outra cor partidária, não desfaça o que o anterior fez.
Ora, o que se passou com esta nova LBSE foi de uma completa falta de bom senso, tanto por parte do Governo, como por parte da oposição. Por um lado, os partidos da oposição tiveram uma postura de travão, evidenciando desde o início pouca vontade em colaborar na aprovação de uma Lei que trespassa todo o sistema educacional português e que, desde logo, serve de pilar ao nosso desenvolvimento humano. Por outro lado, o Governo, apesar da maioria confortável que o sustenta, pouco ou nada aceitou das propostas avançadas pela oposição.
De um Governo quer-se e exige-se que governe e decida, mas quando estão em causa leis como esta, seria bom que a maioria PSD/PP e o PS se entendessem para que a esta nova LBSE durasse pelo menos tanto tempo como a anterior, ou seja, quase vinte anos...
Mal anda a nossa Educação quando o PSD e o PS fazem uma autêntica guerrilha partidária de uma questão tão importante para o nosso país como esta...

quinta-feira, maio 20, 2004

As universidades-cogumelo...

Durão Barroso iniciou a presente semana com uma visita a Viseu para inaugurar o remodelado Museu Grão Vasco, mas o que deu mais que falar foi o anúncio da criação de uma nova universidade pública, desta vez, em Viseu. A notícia foi, obviamente, bem acolhida pelas forças vivas da cidade beirã, mas de resto, a generalidade dos meios académicos, com destaque para o Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas, não recebeu com bons olhos a novidade.
Vamos aos factos. Portugal tem 14 universidades públicas e 16 politécnicos que representam 98 escolas de ensino tecnológico. Por outro lado, todos os anos há dezenas de cursos superiores públicos, cujas vagas ficam com mais de metade das vagas por preencher. Viseu tem neste momento duas instituições privadas de ensino superior (a Universidade Católica e o Instituto Piaget) e uma instituição de cariz pública (o Instituto Superior de Viseu, com vários pólos espalhados pela cidade), prefazendo no total, cerca de 13000 estudantes. Além disso, a cidade de Viseu localiza-se a a 1 hora de distância de Coimbra e Aveiro, cidades que já possuem universidades de renome, ao mesmo tempo que as rivalidades já se começaram a notar com Leiria a reclamar a pretensão de também querer uma universidade pública na cidade. Fica a questão: quais as razões que levaram Durão Barroso a anunciar a criação de uma nova universidade pública em Viseu?
Se a solução é passar o Politécnico a Universidade ainda se poderá compreender a medida legislativa. Agora, se o Governo apenas está preocupado em satisfazer as reinvindicações de Fernando Ruas e dos viseenses, criando uma nova universidade de raíz, talvez se tenha aberto uma autêntica "caixa de pandora"...

terça-feira, maio 18, 2004

A apologia da greve

Com a Revolução de Abril iniciou-se em Portugal um processo de verdadeira conquista dos direitos e liberdades inerentes à salutar condição humana. Este foi um dos grandes benefícios que o 25 de Abril nos trouxe, mas que nos últimos anos tem perdido o seu carácter de nobreza e de civismo. Digo isto porque, actualmente, não há abertura de noticiário televisivo que não dê destaque ao anúncio de mais uma greve ou manifestação desencadeadas por uma qualquer associação sindical. Eles são médicos, professores, funcionários judiciais, enfermeiros e muitos outros que, trabalhando para o Estado se "encostam" à certeza de que o Estado não vai a falência, usando e abusando de um direito que deveria ser tido como de excepção...
Em Portugal, cada vez que a direita está no poder parece haver uma sintonia entre os partidos de esquerda (sobretudo o PCP) e as grandes organizações sindicais (com destaque para a CGTP e a UGT), que se concretiza numa apologia à greve dirigida aos trabalhadores do Estado. O que nos últimos dias se tem passado com constantes ameaças de greve marcadas para os dias do EURO e do Rock in Rio é a prova de como os sindicatos são cada vez mais meros tentáculos político-partidários que visam destronar a direita do poder.

segunda-feira, maio 17, 2004

Finalmente...

Passados oito anos de jejum, finalmente a equipa de futebol do Benfica conquistou um troféu e, logo, contra a equipa que ao longo da presente época mais deu nas vistas na Europa do futebol.
Em 120 minutos de muita emoção e espectáculo, o Benfica suplantou a equipa de Mourinho, que lá foi sobrevivendo ao ímpeto vermelho, muito à custa da arte de Deco.
No final, valeu a festa do Glorioso por todo o país e, ficámos com a certeza que o treinador do Porto está perfeitamente ao nível de Pinto da Costa. Ou seja, quando perde, não se sabe comportar e as declarações que proferiu no final do jogo só demonstra que a arbitragem, mesmo quando imparcial, tudo justifica para as mentes mais deturpadas.
Parabéns BENFICA! E, uma justa homenagem aos benfiquistas Féher e Baião.

quinta-feira, maio 13, 2004

A força do "diz que disse"...

Ontem fui ao cinema ver o filme "Os Friedman", um documentário verídico feito a partir de diversos testemunhos e de vários vídeos caseiros de uma família americana que se vê envolvida num pretenso caso de pedofilia que vai abalar por completo o relacionamento entre os diversos membros da família (o pai, a mãe e os seus três filhos). Este é um excelente documentário que permite ao espectador reflectir sobre o poder que um simples boato pode ter na vida de cada um de nós. Mais do provar a inocência ou culpa dos acusados de abusos sexuais de menores (o pai e o seu filho Jesse), o realizador tenta despertar-nos para o perigo que uma simples acusação judicial pode ter na vida de uma pessoa e da sua família.
Num tempo em que, por cá, tanto se fala do caso Casa Pia e em que o comum do cidadão português tende a ter como que uma opinião já formada acerca da culpa dos acusados, "Os Friedman" é o exemplo claro de como uma acusação é, quase sempre, tida como sinónimo de culpa. O documentário tem outros motivos de interesse relacionados com o facto de os vídeos caseiros prestarem um ar dramático (mas sem ser falso) a uma história que realmente aconteceu. O espectador facilmente se vê como que envolvido nas discussões familiares dos Friedman...
Para quem ainda não viu o filme e ainda o pode fazer, aqui deixo o meu conselho de o visionar com "olhos de ver"...

segunda-feira, maio 10, 2004

Quem tem medo das avaliações?

A notícia avançada hoje de que Jorge Sampaio já promulgou o decreto-lei do Governo que institui o novo sistema de avaliação dos funcionários públicos foi recebida pelas organizações sindicais com consternação e notório desconforto. Tanto a CGTP como a UGT já afirmaram que, mesmo com a promulgação por Sampaio do referido decreto-lei, tudo farão para que o novo sistema de avaliação no funcionalismo público não seja posto em prática.
Ora, a verdade é que os trabalhadores da Função Pública em geral estão mal habituados e têm medo de ser avaliados, pois com o actual sistema de progressões automáticas na carreira, qualquer funcionário público, mesmo que seja pouco atencioso ou pouco produtivo, facilmente sobe de escalão, o que é injusto precisamente em relação aos trabalhadores da Função Pública que honram, condignamente, o seu posto. É que também há funcionários públicos que trabalham bem. Pena é que sejam uma minoria a julgar pela opinião dos utentes dos serviços públicos.
Com tanta oposição ao novo sistema de avaliação dos funcionários públicos, que se destaca por ser mais rigoroso que o actual, a ideia que passa é que a maioria dos trabalhadores da Função Pública tem receio de que com uma avaliação rigorosa se possa deixar de subir na carreira de forma tão facilitada como acontece actualmente.
Resta perguntar: não seria hora de também os sindicatos serem avaliados pelo Estado? É que com tantos sindicatos, como acontece, por exemplo no sector da Educação, mais parece que o sindicalismo português se tornou para muitos funcionários públicos num autêntico "tacho dourado"...

quinta-feira, maio 06, 2004

Breve análise da Semana da Educação

Durante a presente semana tem estado a decorrer uma Presidência Aberta dedicada ao tema da educação. Jorge Sampaio optou por dar destaque às questões do abandono escolar e da escolaridade obrigatória, estando, ao longo destes dias, de visita a diversas escolas do país que possuem programas específicos de combate a este flagelo nacional que é o abandono escolar. Também não seria má ideia se Sampaio fizesse uma visita "surpresa" às escolas onde o problema do abandono escolar é uma realidade ignorada pela comunidade local, desde os eleitos camarários até aos administradores escolares e encarregados de educação.
Contudo, esta Semana da Educação tem sido marcada, vergonhosamente para o Ministro David Justino, pela confusão que foi a publicação das listas provisórias de ordenação dos professores, onde se prevê que a taxa de erros na dita lista será de 100%. Ou seja, mais de 130 mil professores, estarão, por estes dias, com a cabeça em água, não sabendo se poderão ou não vir a ser excluídos ou prejudicados na próxima fase de colocação de docentes. As aulas devem estar a decorrer às "mil maravilhas"... Quanto a esta situação, no mínimo, lamentável, Jorge Sampaio não fez (ainda) qualquer referência concreta, não tendo ainda, aliás, proferido qualquer palavra em defesa da dignidade dos professores, dando quase a entender que se esquece que o abandono escolar só poderá ser, efectivamente, combatido quando o rigor e a firmeza forem realidades concretas nas nossas escolas.
A verdade é que a educação em Portugal só poderá vencer quando os professores, as famílias e os alunos estiverem sujeitos a uma esfera onde impere a responsabilização, o rigor e a exigência. Não é com a descida da fasquia que teremos orgulho nos resultados a atingir pela nossa comunidade estudantil. Também neste sector da vida portuguesa tenho saudades dos tempos em que o nível era de maior exigência e respeito pelo sector da educação...

segunda-feira, maio 03, 2004

Salazar e as claques...

O que ontem se passou no Estádio Alvalade XXI, depois de Geovanni ter marcado o golo da vitória do Benfica sobre o Sporting revela, para além da falta de meios e de carácter de parte das forças de segurança portuguesas (sobretudo dos agentes da PSP que estiveram no estádio), a total incapacidade dos dirigentes do Sporting em conseguirem ter "mão" nas claques por si apoiadas.
Por um lado, foi vergonhosa a forma, no mínimo displicente, como os poucos polícias que apareceram no relvado, demonstraram ter para tentar suster as bestas enfurecidas. Aquela imagem do polícia agarrado ao adepto leonino a caminho do túnel de saída como se de dois amigos se tratassem é quase um convite à violência. Por outro lado, exigia-se que os dirigentes do SCP tivessem tido uma reacção "automática" de impedir que aquelas bestas pudessem entrar no estádio do SCP. É que só não vê quem não quer que são sempre os mesmos indivíduos a armar confusão. Imagine-se o que não teria acontecido caso o árbitro tivesse assinalado alguma grande penalidade duvidosa a favor do Benfica...
É caso para dizer que para estas criaturas que respiram violência, o regresso de Salazar ao poder não faria qualquer mal. Bem pelo contrário. Talvez assim soubessem ter um pouco de mais respeito e civismo!

sábado, maio 01, 2004

A vida é para a frente...

Depois de eu e a minha esposa termos passado por uma experiência difícil de superar no imediato (sobretudo para ela), a vida tem de voltar à normalidade possível, com a esperança de que melhores dias virão e convictos de que o pessimismo e o derrotismo não nos levam a nenhum lado.
Tanto eu como a Salete queremos, antes de mais, agradecer as palavras amigas e de conforto que recebemos aqui no Intimista, vindas de pessoas que não conhecemos pessoalmente, mas que nos deixaram sensibilizados. A todos, o nosso muito obrigado...
Esta foi uma daquelas experiências que julgamos só acontecer aos outros, mas que na realidade, depois do que observámos no hospital onde a Salete esteve internada, acontece, infelizmente, com alguma regularidade. Pelo que passámos, tanto eu, como a Salete, apronfundámos ainda mais a nossa ideia de que a liberalização do aborto não constitui mais do que o abrir de portas à banalização de um crime, que é retirar a vida a um ser que, na verdade, está formado e que age e reage... Perturba-me sobretudo a ideia de se poder vir a permitir a morte de seres humanos (independentemente do tempo de gestação) que não sofrem de qualquer anomalia e que não colocam em risco a vida das suas mães, com a justificação de que o direito a ser "dona de uma barriga" é mais importante que o direito à vida...
Depois de duas semanas de contacto com muitos casos de aborto expontâneo e de casos em que o feto não sobreviveu, naturalmente, à gestação, com mães e pais chorando o desaparecimento dos seus filhos, fico ainda mais convencido que o aborto só deve continuar a ser válido para os casos de excepção já previstos na lei. Agora, retirar a vida a seres indefesos só porque não são desejados, não passa, quanto a mim, de um autêntico acto de infanticídio...

domingo, abril 25, 2004

Dias de angústia...

Os últimos dias têm sido terríveis para mim e para a minha esposa (principalmente para ela). A perda de um filho, ainda no ventre da mãe, mas já motivo de muito amor e carinho, não é de fácil superação. Nestes momentos de profunda tristeza e dor, tudo o resto é motivo de desinteresse... Mas, a vida tem de continuar, na certeza de que o Pedrinho ficará para sempre no nosso coração!

segunda-feira, abril 19, 2004

A maior riqueza é o conhecimento...

Iniciou-se hoje o terceiro período de aulas nas escolas portuguesas. Um período que costuma ser o mais curto, mas também o mais angustiante para alunos e professores. Por um lado, estão os bons alunos, cujas provas globais e exames nacionais irão constituir testes decisivos às suas capacidades para uma possível subida das notas finais. Por outro, lá teremos que aturar aquele conjunto de alunos que, tendo obtido péssimos resultados nos períodos anteriores, vão para este último período de aulas apenas para chatear a cabeça dos professores... Para estes casos (e hoje apareceram-me na escola onde lecciono alguns que tiveram mais de oito negativas no período passado!), cada vez mais me convenço que só com medidas que responsabilizem os pais pelas atitudes dos seus educandos é que se poderia acabar com esta mediocridade nacional que constitui o insucesso escolar.
Mas, este dia deve ser lembrado, não como de mais um regresso às aulas, mas sim como o dia em que foi dado mais um passo para que Portugal se desenvolva cada vez mais em termos do conhecimento e da cultura... Depois do apoio concedido ao regresso de investigadores portugueses ao nosso país, a inauguração da Biblioteca do Conhecimento On Line, que coloca à disposição dos investigadores portugueses 3.500 revistas científicas internacionais, é a prova da aposta deste Governo na investigação e na educação.

Declarações que deveriam valer a prisão!

A entrevista a Omar Bakri Mohammed, fundamentalista islâmico e ferveroso adepto do terrorismo, que a revista Pública edita na edição de ontem do jornal Público, deveria ser lida por todos aqueles que têm adoptado uma postura moderada e comedida relativamente aos grupos terroristas ligados ao Hamas e à Al-Qaeda.
O que esta criatura demonstra é um total desrespeito pelo valor da vida, afirmando coisas monstruosas, que lhe deveriam, no mínimo, valer um mandato de captura judicial e consequente julgamento em tribunal por fomento de actos terroristas. A verdade é que, se esta coisa vivesse em Israel, já teria tido o mesmo destino dos seus amigos Yassin e Rantissi. Por isso mesmo, optou por se fixar em Londres e incentivar a maldita "Jihad islâmica"...
Deixo apenas aqui alguns exemplos das barbaridades proferidas por esta coisa:

Pergunta: Os atentados de 11 de Setembro foram legítimos?

Resposta: Claro que sim. A América atacou o Afeganistão, a Somália, o Sudão, o Iraque, apoia regimes ditatoriais nos países árabes, estacionou tropas em território muçulmano. Há o direito de retaliar. Al-Qaeda atacou a América. É a acção e a reacção. Vocês são terroristas, nós somos terroristas. O terrorismo é a forma de agir do século XXI.

Pergunta: Mas o que pode justificar matar deliberadamente milhares de civis inocentes?

Resposta: Nós não fazemos a distinção entre civis e não civis, inocentes e não inocentes. Apenas entre muçulmanos e descrentes. E a vida de um descrente não tem qualquer valor. Não tem santidade.

Pergunta: Mas havia muçulmanos entre as vítimas.

Resposta: Isso está previsto. Segundo o Islão, os muçulmanos que morrerem num ataque serão aceites imediatamente no paraíso como mártires. Quanto aos outros, o problema é deles. Deus mandou-lhes mensagens, os muçulmanos levaram-lhes mensagens, eles não acreditaram. Deus disse: "Quando os descrentes estão vivos, guia-os, persuade-os, faz o teu melhor. Mas quando morrem, não tenhas pena deles, nem que seja o teu pai ou mãe, porque o fogo do Inferno é o único lugar para eles".

sexta-feira, abril 16, 2004

O que fazer com a prostituição?

Assisti hoje, no canal Odisseia, a um documentário sobre o fenómeno da prostituição em diversos países da Europa, com destaque para o caso da Holanda, onde a prostituição é legal. Este é um fenómeno social que não considera fronteiras e, sendo considerado, meio a brincar, meio a sério, como a mais antiga profissão do mundo, não é de fácil resolução.
Em Portugal, há quem defenda a legalização deste flagelo, com destaque para os partidos mais radicais de esquerda, por forma a, segundo eles, conceder uma melhor segurança ao nível da saúde das mulheres que optaram por dar este rumo à sua vida. Por outro lado, afirmam os defensores desta medida, o índice das doenças sexualmente transmissíveis, com destaque para a SIDA e a hepatite C, teria uma quebra considerável com a legalização da prostituição.
Ora, depois de ter visionado o referido documentário no canal Odisseia, onde reparei que as "trabalhadoras do sexo" na Holanda são tratadas como um simples meio de fazer dinheiro para os empresários legais que as colocam em cotação numa espécie de bolsa de valores do sexo, reforcei ainda mais a minha opinião de que legalizar a prostituição é um perigoso caminho a tomar, tanto ao nível da dignificação da condição feminina, como no que concerne a um conjunto de ideais e valores que o Estado tem como função preservar e fomentar.
A verdade é que a prostituição, legalizada ou não, consiste numa forma extrema de discriminação sexual. Legalizar este tipo de violência feminina retiraria qualquer tipo de liberdade às mulheres, bem como os seus direitos de cidadania, abrindo as portas a um tipo de comércio que, actualmente, é considerado ilegal e tratando as mulheres como uma simples mercadoria e objecto de satisfação para aqueles que têm poder de compra. Se as mulheres se podem transformar numa comodidade legitima para quem as procura, então é-lhes atribuída uma cidadania de segunda categoria. Legalizar uma situação destas é deturpar o próprio princípio da democracia.
Ora, é, no mínimo contraditório, assistir-se ao discurso de uma esquerda que, ao mesmo tempo que combate, desenfreadamente, a liberalização da economia e o comércio internacional sem fronteiras, vem apelar à legalização de um fenómeno que transforma as mulheres numa simples mercadoria transacionável de forma lícita... Mas, mais estranho foi ver a JSD ter vindo, em tempos atrás, defender esta medida. Felizmente que o PSD soube pôr os laranjinhas na ordem... Mas, quem abrirá as consciências da esquerda radical portuguesa?
Solução para o problema: instruir e educar a população dentro dos valores e princípios da verdade e do respeito, combatendo toda a espécie de fenómeno que fomenta o tráfico de seres humanos...

quinta-feira, abril 15, 2004

Revolução com evolução...

Nos últimos dias, muito se tem discutido sobre o teor dos cartazes espalhados um pouco por todo o país, onde se faz referência aos trinta anos que passam sobre o 25 de Abril de 1974, referência essa acompanhada do termo "evolução". Ora, a esquerda não gostou que se retirasse a consoante "r" ao termo revolução, e logo veio dizer que a direita quer menorizar toda a envolvência histórica que deve ser dada à Revolução do 25 de Abril...
A este propósito, o editorial do Público de hoje, escrito por José Manuel Fernandes, dá, como se costuma dizer, "uma no cravo e outra na ferradura", abarcando a ideia de que o 25 de Abril foi, efectivamente, uma revolução que permitiu a evolução e progresso do nosso país, o que torna inócuo qualquer debate que tenha lugar sobre esta questão...
Ora, é esta ideia que a esquerda deveria compreender e assimilar, por forma a entender que, para todos aqueles que não viveram o 25 de Abril (e é sobretudo aos jovens que deve ser dirigido o teor dos ditos cartazes), considerar esta data como a porta de saída da ditadura e da censura, que permitiu o desenvolvimento de Portugal, é, de facto, interligar a revolução à própria evolução. Retornar às velhas ideologias maçadoras e nada atractivas para a juventude portuguesa seria comemorar o 25 de Abril, retrocedendo no tempo e fechando os olhos ao futuro...

quarta-feira, abril 14, 2004

Dialogar com moderados? Claro que sim...

Depois da disparatada ideia de Soares, de que se deveria dialogar com terroristas, já ter caído em saco roto, chega-nos agora a notícia de que os EUA solicitaram o apoio ao Irão, país que se tem vindo a "reconverter", aos poucos, ao Ocidente, a fim de que este possa ajudar à resolução do conflito iraquiano. Esta boa nova surge depois de Freitas do Amaral, num excelente artigo publicado na revista Visão, ter criticado Soares, defendendo a ideia de que o Ocidente deve "estender a mão aos árabes moderados", combatendo "apenas os radicais".
Ora, o que Bush e Blair têm vindo a fazer é, precisamente, separar o trigo do joio, apoiando as Nações que recuaram nos arsenais nucleares e que começam a dar sinais de que caminham para uma gradual democratização, ao mesmo tempo que não dão tréguas a todos aqueles que defendem o terrorismo como forma de aniquilar o Ocidente.
Por outro lado, o emissário da ONU para o Iraque afirmou hoje que tudo se prepara para que no próximo dia 30 de Junho se processe a transferência de poderes para as autoridades iraquianas e que as primeiras eleições livres e democráticas podem ocorrer já em Janeiro de 2005. Nem tudo são más notícias...

segunda-feira, abril 12, 2004

De leitura obrigatória para bloquistas...

Na revista Visão desta semana é publicada uma excelente entrevista a Tony Anatrella, padre e psiquiatra francês, que deveria ser de leitura obrigatória para todos aqueles que tem uma postura libertária em termos de valores e ideais pelos quais se deve reger uma sociedade civilizada. Refiro-me, nomeadamente, aos simpatizantes e militantes do Bloco de Esquerda, que tendem a sofrer de um síndrome gravíssimo, que é confundir o conceito de liberdade com o de libertinagem.
A referida entrevista incide sobretudo no tema da toxicodependência e no perigo que seria caso partíssemos para a legalização das drogas, como defende o Bloco de Esquerda. Afirma Anatrella e, muito bem que, "legalizando a droga, não é o produto que fica liberalizado, mas sim as razões que levam ao consumo que ficam validadas".
Ora, é precisamente aqui que residem os perigos de se legalizarem comportamentos que, em nada contribuem para a construção de uma sociedade valorativa, responsável e respeitadora dos princípios mais básicos da vida humana. Comportamentos ignóbeis como a legalização do consumo de drogas, da prostituição ou dos casamentos entre homossexuais devem ser totalmente rejeitados pelo Estado, se este tiver como preocupação a promoção de uma verdadeira atitude consciente, firme e responsabilizadora na sociedade em geral e, na juventude, em particular.
Numa palavra: a liberdade só se atinge com a pedagogia da exigência e não com a teoria do "Deus dará"...

sábado, abril 10, 2004

Confundir democratização com extremismo...

Manuel Carvalho escreve hoje no Público um editorial com o título "A Derrocada da Nation Building", onde defende a ideia de que as nações livres e democráticas não têm qualquer legitimidade para desencadear políticas externas que levem à democratização do mundo árabe ditatorial e embrião das formas mais diversas do terrorismo actual emergente.
Afirma o jornalista que "o conceito de "nation building" não passa de uma ideologia extremista, uma combinação perigosa de messianismo com voluntarismo, que é completamente destituída de qualquer sentido da História". Ora, penso que com esta argumentação, apoiada no medo e no voltar costas ao medievalismo político em que está subjugado grande parte do mundo árabe, só engrandece os próprios terroristas, dando-lhes razão na afirmação por eles proferida de que "não queremos cá ninguém na nossa casa" (como se a casa deles fosse um antro de paz, democracia e liberdade).
Será que as nações mais desenvolvidas do mundo, onde a democracia e a liberdade são conceitos adquiridos, não têm a legitimidade de, em nome da segurança de um mundo cada vez mais globalizado e da defesa do combate à pobreza em que (sobre)vive a população árabe (pobreza essa que fomenta o ódio ao mundo ocidental), dizia, não têm a legitimidade de orientar políticas que levem à democratização do mundo árabe? Para mim, essa legitimidade é total... De facto, penso que, tal como aconteceu na Europa Ocidental, após a 2ª Guerra Mundial e na Europa de Leste após a queda do muro de Berlim, já para não falar dos casos do Japão ou da África do Sul, a melhor forma de se garantir um mundo mais pacífico e menos desigual em termos de desenvolvimento humano é, precisamente, através da criação de condições de fomento da democracia e da liberdade nos países onde reina a ditadura e a censura.
O exemplo do Iraque poderá ser o princípio de um processo de democratização de uma região do mundo onde a falta de uma educação dos jovens assente em pilares tão básicos como a democracia e a liberdade, tem levado ao fortalecimento do fundamentalismo islâmico e do ódio ao Ocidente. Urge, agora, travar esta batalha, para que as próximas gerações possam viver num mundo mais pacífico e harmonioso...

quinta-feira, abril 08, 2004

O orgulho de ser-se beirão (um apontamento dedicado aos naturais da Beira)

Fui ontem assitir a uma conferência que tinha como tema "Estará a desertificação a ameaçar a identidade beirã?", realizada no âmbito do ciclo de conferências "Olhares Cruzados Sobre Viseu", promovido pelo Público e pela Câmara Municipal de Viseu. O debate teve como conferencistas o fotógrafo Homem Cardoso e o antropólogo João Pereira Neto. Certamente que os impulsionadores deste ciclo de debates tiveram como fundamento para convidar estes interlocutores os objectivos de dar a conhecer a visão de alguém que, como fotógrafo e artista da imagem, poderia abordar a evolução da paisagem beirã, assim como a visão de um estudioso das relações humanas, que poderia evidenciar algumas especificidades culturais que o beirão poderá ou não ter.
A verdade é que o dito debate foi, quanto a mim, uma completa desilusão. Por um lado, Pereira Neto fez uma abordagem, mais da identidade portuguesa do que propriamente do ser-se beirão, tendo extrapolado uma sua experiência pessoal para elogiar de forma simpática a identidade beirã. Por outro lado, Homem Cardoso revelou-se uma competa "seca", tendo estado durante quase uma hora a contar histórias da sua vida pessoal, como se isso contribuísse em alguma coisa para o tema em questão. É o que dá quando se convidam figuras que pouco sabem do que realmente é o sentimento beirão...
Como beirão que sou senti-me completamente defraudado com a dita conferência... E, o que é isto de ser-se beirão? Muito simples... É o sentimento de pertença a um território com o qual as afinidades são enormes. Tal como o alentejano tem orgulho em pertencer ao Alentejo e o minhoto ao Minho, o beirão identifica-se, por completo, com a Beira. Especificidades de ser-se beirão? Sinceramente, tirando a legítima pertença territorial, não vejo nenhuma em especial... Vir dizer que é mais trabalhador ou mais bruto não tem, quanto a mim, nenhuma lógica... Quanto à questão da desertificação (noção utilizada de forma errada para o processo de despovoamento humano), esta é uma realidade que afecta, sobretudo, as aldeias e o mundo rural em geral e não, propriamente, cidades de média dimensão, como Viseu, Covilhã ou Guarda. Estas têm conseguido suster a migração para o litoral, com base na diversificação dos sectores económicos, mas também (infelizmente) graças à captação de população que vivia nas aldeias circundantes.
Contudo, penso que a identidade beirã não está em risco de sucumbir. O grande risco está, sobretudo, no abandono do meio rural e na perda das tradições e costumes mais antigos que caracterizavam o beirão. Mas, esta é uma realidade que afecta todo o país e para a qual a solução está, por exemplo, no impulsionamento das aldeias históricas e na concretrização de medidas que visem defender a cultura tradicional das diversas regiões portuguesas.

terça-feira, abril 06, 2004

Responsabilizar os pais...

O Governo aprovou, hoje, em Conselho de Ministros, o Plano Nacional de Prevenção do Abandono Escolar, com o objectivo de reduzir para metade as taxas de saída precoce do sistema de ensino português. Para tal, o Governo pretende revitalizar o ensino técnico e profissional, criar uma rede de 15 a 20 escolas tecnológicas de referência, instituir em todas as escolas a figura do tutor escolar e dar maior importância ao papel dos pais, através da criação do programa Pais na Escola.
Penso que estas medidas são positivas, no sentido de diminuir o abandono escolar. Contudo, só com um real empenhamento dos pais na vida escolar dos seus filhos se poderá combater este flagelo que fere o estado do educação em Portugal. Seria bom que os pais dos alunos que andam na escola apenas para passar tempo e não terem que ir trabalhar fossem "coercivamente" alertados para a situação escolar dos seus educandos, pois, geralmente, os encarregados de educação que menos vezes vão à escola saber da situação escolar dos seus filhos, são, precisamente, os dos alunos mais problemáticos em termos de comportamento e, consequentemente, de aproveitamento. Ainda por cima, estes alunos desestabilizadores costumam arrastar consigo outros alunos, prejudicando o normal rendimento escolar das respectivas turmas.
Para quando a apresentação de medidas que, realmente, possam acordar os pais para o percurso escolar dos seus filhos, como o corte do abono de família ou a aplicação de multas, como acontece já no Reino Unido, relativamente aos alunos que andam na escola em regime de "passatempo"? É que a educação começa em casa...

segunda-feira, abril 05, 2004

Só cá faltava esta!

Depois de, ontem, a SIC ter seguido o caminho da TVI ao emitir uma reportagem sobre os problemas que os adolescentes homossexuais enfrentam no seu dia-a-dia, como se todos os outros jovens fossem imunes a problemas de relacionamento com os pais ou colegas, soube pelo Público que um grupo empresarial de comunicação dos EUA pretende lançar, com o apoio de grupos gays, um canal de televisão destinado ao público homossexual. Vejam bem, esta é a prova mais que provada de como os grupos que se dizem defensores da condição gay, são os primeiros a fomentar a segregação e a sua auto-discriminação... Imagine-se o que seria se, agora começassem a surgir canais de televisão destinados só a pessoas de uma determinada condição sexual, raça ou grupo social...
Se a moda pegar cá em Portugal, esta é a prova de como os homossexuais são os primeiros a defender a "catalogação" das pessoas em função da sua condição sexual, o que deita por terra qualquer tipo de credibilidade quando as associações de gays vêm com a conversa da exigência de igualdade de direitos. Ora, os próprios gays são os primeiros a considerarem-se diferentes. Deste modo, se os gays querem um mundo só deles, com canais de televisão, rádio, jornais e, provavelmente, até escolas e hospitais apenas destinados aos que têm a sua condição sexual, não me venham com conversas de homofobia e discriminação... Tomem é juízo!