quarta-feira, junho 16, 2004

Soares e as europeias: o disparate continua

Em entrevista ao programa "Sociedade Aberta" da SIC-Notícias, Mário Soares analisou os resultados das eleições europeias e, entre diversas considerações, teve o condão de "avisar" Cavaco Silva de que este deve tirar as ilações óbvias do risco que poderá correr caso se decida a ser candidato a Presidente da República com o apoio dos partidos da coligação. É caso para dizer que Mário Soares consegue, por vezes, ultrapassar o próprio filho na capacidade de proferir disparates...
O "pai" dos socialistas deve pensar que os portugueses são tão burros que não sabem distinguir umas eleições europeias, aproveitadas para mostrar algum descontentamento pela acção do Governo, de umas eleições presidenciais, nas quais o que conta são, sobretudo, a personalidade e o carisma dos candidatos. O que Mário Soares demonstra nesta entrevista é um total desprezo pelos eleitores portugueses e um ódio de estimação por Cavaco, que continua a não conseguir disfarçar.
Mas, será que a esquerda não consegue captar a mensagem que foi dada nestas eleições um pouco por toda a União Europeia: mais do que premiar os partidos da oposição (fossem de esquerda ou de direita), os europeus (com os portugueses incluídos) quiseram mostrar o seu descontentamento pelo rigor e aperto financeiros que os Governos dos principais países da UE tiveram que cumprir, por força da desfavorável conjuntura internacional.
Entretanto, a caça às bruxas continua entre os socialistas: já vão no terceiro candidato a Secretário-Geral...

segunda-feira, junho 14, 2004

O Governo está avisado...

Os resultados das eleições europeias em Portugal só surpreendem os mais distraídos. Efectivamente, com um Governo de centro-direita a meio de um mandato onde tem imperado a exigência e o rigor, aliado a uma campanha eleitoral dominada pelo desaparecimento trágico de um dos cabeças de lista, a vitória retumbante do PS e a derrota dos partidos da coligação só deixam surpresos aqueles que não entendem muito da sociologia política do nosso País...
A maioria dos (poucos) que decidiram ir às urnas resolveram votar para as europeias com a cabeça em Portugal e deixaram uma mensagem bem clara a Durão Barroso: mais do que se reverem no PS ou noutro qualquer partido de esquerda para governar o nosso País, os portugueses querem que este Governo faça alguns reajustamentos na sua política e começe a dar uns bombons e rebuçados ao "Zé Povinho", que já começa a estar farto do discurso de rigor financeiro.
Estou em crer que Durão tenha assimilado a mensagem. Já a reacção quase eufórica do PS parece-me desprovida de clarividência: Ferro Rodrigues acha que se as eleições fossem legislativas, a expressão eleitoral seria a mesma. Pura ingenuidade: mais do que premiar o PS, o povo quis mostrar o tal cartão amarelo de que a esquerda tanto falou, mas sem que isso signifique que haja uma melhor alternativa a este Governo... Mas, compreende-se o estado de alívio de Ferro. Pelo menos, poderá ir mais uma vez a votos numas legislativas.
O Governo de Durão Barroso, depois de dois anos a atravessar o purgatório e o inferno deixados pelos socialistas e pela conjuntura externa, tem agora a segunda volta do mandato para se aproximar do paraíso e começar a dar os tais rebuçados que adoçam os portugueses e os fazem viver mais alegres e contentes. Resta saber se a conjuntura internacional (da qual estamos dependentes) assim o permite...

sexta-feira, junho 11, 2004

Diferentes posturas...

Ontem, durante as comemorações do Dia de Portugal, que se realizaram em Bragança, assistiu-se, uma vez mais, à falta de respeito e de civismo que muita gente de esquerda nutre pelos políticos de direita. Apesar de Durão e Portas terem sido escolhidos para nos governar pela maioria dos portugueses que foram votar nas últimas eleições legislativas, continuam a ser vaiados e vistos de lado por aqueles que têm dificuldades em interiorizar as regras básicas da democracia.
Não digo que os que não se reveem neste Governo não possam manifestar o seu desagrado. Mas, o civismo e o respeito devem estar acima de qualquer acto de manifestação, pois existem momentos e locais próprios para se exteriorizar o que se sente acerca daqueles que nos governam. Agora, aproveitar a presença do Primeiro Ministro e do Ministro da Defesa nas comemorações do Dia de Portugal para fazer oposição, seja por intermédio de partidos de esquerda ou de sindicatos, é de uma falta de respeito democrático pelo dia que se comemora que roça a incredulidade... É não ter qualquer orgulho pelo País que se comemora...
Não me lembro de alguma vez ter visto apoiantes de partidos de direita apuparem governantes de esquerda em ocasiões de festejos nacionais. Fosse com Guterres ou Soares, nunca vi as gentes de direita faltar ao respeito pelos nossos governantes. Mas, se é a própria esquerda que, como à poucos dias se viu na lota de Matosinhos, que não tem respeito pelos seus, como se pode exigir que essa mesma esquerda tenha respeito por aqueles que, sendo do PSD e do PP, nos governam?
Não há dúvidas! As posturas da direita e da esquerda são mesmo díspares... E, neste aspecto, tenho orgulho no partido de que sou militante.

quarta-feira, junho 09, 2004

O silêncio não chega...

O desaparecimento trágico de Sousa Franco, para além de desencadear em qualquer cidadão com o mínimo de juízo um profundo sentimento de desconforto e angústia, deveria servir para que os políticos parassem para pensar um pouco acerca do que é e como se deve estar, actualmente, na política...
Depois de analisar toda a informação que nos chegou a casa através dos diversos órgãos de comunicação social fico com a ideia que o PS olhou para Sousa Franco nestas eleições, não como um mero candidato que concorre a umas eleições europeias, mas mais como que uma espécie de "máquina" mediática capaz de chegar ao maior número possível de pessoas, por forma a angariar mais uns votos para o partido e lançar mais umas metáforas e contra-ataques políticos aos seus adversários destas eleições.
Segundo o jornalista Ricardo Costa da SIC-Notícias (por sinal, irmão do agora número um da lista do PS, António Costa), Sousa Franco chegava a ter de se deslocar a mais de dez localidades diferentes por dia, o que implicava um esforço físico exagerado para uma pessoa como Sousa Franco, com mais de 60 anos. Muitas vezes, o cansaço era bem visível na face do candidato socialista. Ora, depois do triste espectáculo que pessoas afectas ao PS, mas de facções locais diferentes, protagonizaram hoje de manhã, na lota de Matosinhos, envolvendo uma carga emocional de consequências trágicas (claro que indirectamente) para Sousa Franco, seria bom que se repensasse a forma como alguns estão na política e nos partidos.
O que o PS fez a Sousa Franco (obviamente, sem intenção) não se deve repetir: quem serve a política não se deve "escravizar" perante ela...

terça-feira, junho 08, 2004

Afinal, quem é que quer a paz?

Foi aprovado pelo Governo israelita o plano do Primeiro Ministro Ariel Sharon de retirada gradual de todos os colonatos judeus na Faixa de Gaza e desmantelamento de outros quatro na Cisjordânia, até ao final do próximo ano. Este é mais um claro sinal de como, da parte israelita, todos os esforços são visíveis no sentido de se alcançar a paz para a região do Médio Oriente.
Infelizmente, a notícia foi recebida com desprezo pelas hostes palestinianas, o que denota que há quem trabalhe efectivamente pela paz, enquanto que outros mais parecem viver da guerra e do terrorismo... De Arafat até agora nem uma palavra se ouviu, enquanto que dos líderes dos grupos terroristas palestinianos surge a acusação de que Israel quer é evitar a criação de um Estado Palestiniano!
Uma coisa parece certa. Sabendo-se que neste tema não há, entre os intervenientes, quem tenha as mãos limpas, pois, tanto israelitas, como palestinianos, têm culpas no derramar de sangue, a verdade é que, quem tem lutado mais no sentido de alcançar a paz naquela região do mundo têm sido as autoridades israelitas, desta vez, inclusivamente, com o apoio do vizinho Egipto. É caso para perguntar: afinal, a quem é que não interessa a paz no Médio Oriente?

sexta-feira, junho 04, 2004

Quotas? Só quando convir...

O tema à volta das quotas em função do género humano regressou ao debate nacional, depois de António Sousa Pereira, médico e presidente do Conselho Directivo do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar do Porto ter vindo a público aventar a hipótese de se criarem quotas para os homens nas Faculdades de Medicina, caso não se altere o modelo de ingresso nos cursos de Medicina. A polémica aumentou com as declarações do Ministro da Saúde, Luís Filipe Pereira, que não descartou a hipótese de serem criadas quotas masculinas para "contrabalançar o peso das mulheres na área médica".
Ora, com o suscitar deste debate, logo vieram uma série de organizações femininas (ou serão feministas?), com destaque para a "Associação Mulheres em Acção", insurgirem-se contra este, e cito, "despudorado atentado à dignidade da mulher". Não critico as mulheres que condenam a presente proposta colocada em cima da mesa. Eu próprio não concordo com esta ideia de "quotizar" a entrada de estudantes no Ensino Superior em função do sexo, mas penso ser imprescindível ter alguma coerência intelectual quando se critica uma ideia deste tipo. Ora, parece-me que esta e outras associações de mulheres não tiveram a mesma postura quando alguns partidos políticos, com destaque para o PS, implementaram a estratégia das quotas na candidatura de mulheres para a Assembleia da República. Pelo menos não as ouvi fazer tanto "barulho" como agora...
Parece-me que discriminar positivamente um dos géneros, seja o masculino ou o feminino, através da criação de quotas mínimas, com o objectivo de atingir a igualdade entre os sexos ou, como no caso em questão, melhorar a qualidade dos serviços prestados à população, constitui, porventura, o caminho mais fácil de seguir, mas, talvez seja o mais falso e o menos digno de prosseguir.
Alcançar a igualdade ou, independentemente da actividade humana em questão, diferenciar o bom ou o mau prestador de serviços, com base no sexo, parece-me uma ideia retrógrada. Pena que alguns (homens e mulheres) só se revoltem contra este tipo de ideias quando lhes convém...

quinta-feira, junho 03, 2004

Tolerância de quê?

Ontem, em pleno comício do PS para as eleições europeias, assistimos a mais uma tirada do candidato António Costa, assumindo-se como crítico de uma hipotética tolerância de ponto para o dia 11 de Junho. Mais do que isso, o número dois socialista afirmou, de fonte segura, que lhe teria chegado aos ouvidos que o actual executivo se preparava para conceder tolerância de ponto aos funcionários públicos, com o objectivo de, imagine-se, provocar um aumento propositado da taxa de abstenção. Quanta ficção impera nas hostes socialistas...
Pois bem, com que autoridade é que este ou qualquer outro dirigente socialista vem assumir-se como contra a tolerância de ponto quando, foi nos Governos de Guterres que tivémos mais tolerâncias de ponto. E será que os socialistas ainda se lembram que foi no Governo social-democrata de Cavaco Silva, aquando da passagem de uma terça-feira de Carnaval, que houve a tentativa de acabar com as tolerâncias de ponto, medida esta só não concretizada pela pressão dos sindicatos e dos socialistas, então na oposição?
Criticar é fácil, mas há que ter a consciência limpa quando se fazem críticas. E, neste caso, mais valia a António Costa ter ficado calado. Quanto a Durão Barroso, só ficou a ganhar...

quarta-feira, junho 02, 2004

O primeiro debate das Europeias...

O primeiro debate tido ontem, na SIC-Notícias, entre os cabeças de lista dos principais partidos candidatos às eleições europeias não trouxe novidades. Assistimos a dois estilos e posturas contrastantes: de um lado, os candidatos da coligação PSD/PP e do PS com um discurso fluente sobre verdadeiras questões europeias e, do outro lado, dois candidatos que não se reveem nesta UE e que apenas vão a votos com o objectivo de olearem a máquina partidária para futuras eleições e desgastarem o Governo.
João de Deus Pinheiro e Sousa Franco entiveram como peixe na água, dando a entender que sabem como funciona a UE e concedendo primazia ao discurso da negociação com Bruxelas e não à táctica do "murro na mesa", defendida por bloquistas e comunistas. Se Miguel Portas capitalizou o tema Iraque, já Ilda Figueiredo revelou-se a versão feminina de Carlos Carvalhas, portando-se como uma autêntica "cassete" mais que gasta, atropelando adversários e repetindo a mesma lengalenga de sempre.
Quanto à questão que está, por estes dias, na ordem do dia, sobre os insultos trocados entre candidatos de diversas listas, parece-me que Deus Pinheiro tem sabido colocar-se no nível exigido, enquanto que Sousa Franco, com o discurso de ontem à noite num jantar de campanha só se prejudicou a si mesmo, entrando na fraqueza de alguns em se deixarem levar pelo calor emotivo da campanha eleitoral...
Uma coisa é certa: tendo em conta as reduzidas diferenças entre a coligação e o PS em termos europeus, qualquer resultado que não seja a vitória do PS por mais de 5% é uma vitória do Governo de Durão Barroso. É que, não haja dúvidas, estas eleições vão funcionar como um autêntico referendo à política do actual Executivo. Para o bem e para o mal...

segunda-feira, maio 31, 2004

Não se "brinque" com o Ambiente...

Ontem fui assistir ao filme "O Dia Depois de Amanhã", que funciona como um autêntico "panfleto" de alerta para os perigos que a Humanidade pode vir a sofrer, caso os países mais desenvolvidos do mundo, com destaque para os EUA, continuem a insistir numa política de "brincar" com a Natureza.
Mais importante do que analisar minuciosamente o argumento do filme e a forma como a ficção se pode ou não transformar em realidade, importa realçar a mensagem que o filme pretende transmitir, por forma a consciencializar a população em geral para os perigos das alterações climáticas que o efeito de estufa está a provocar na planeta Terra.
O facto do realizador Roland Emmerich ter recorrido a cenas de uma excessiva espectacularidade, não deve servir de embuste para menosprezar esta obra, que tem uma função muito mais cívica, do que apenas servir de entretenimento ao espectador. Por outro lado, a crítica que é feita, directamente, à Administração Bush e a ironia de serem, desta vez, os EUA a terem que pedir auxílio ao México, numa situação de crise, funcionam como duas pedras no lamaçal que é o actual processo de relações entre os países do Norte e os do Sul.
Enfim, este é um filme que vai mais além do que a simples tarefa de entreter o espectador através da monumentalidade e da espectacularidade das cenas feitas em computador. A defesa e o respeito pelo Ambiente deve ser a mensagem que valerá a pena interiorizar deste filme, sobretudo para os governantes dos países mais poluídores...

sexta-feira, maio 28, 2004

Eleições entre música e futebol...

Começou hoje, pelo menos formalmente, a campanha para as eleições europeias. Contudo, com a comunicação social a conceder total destaque ao futebol, nomeadamente ao EURO 2004, e aos vários festivais de música que se aproximam (com enfâse para o Rock in Rio), a verdade é que a campanha para as eleições europeias parece vir a passar completamente ao lado do interesse dos portugueses.
Com o povo português completamente absorvido pelas notícias que andam à volta do FCP campeão europeu, a novela Mourinho, a prestação da selecção nacional no EURO 2004 e o início dos festivais de Verão de música, as eleições que se aproximam para o Parlamento Europeu arriscam-se a bater todos os recordes de abstenção até agora verificados. A juntar a estas contrariedades, há ainda a acrescentar o desinteresse provocado pelos debates amorfos e inócuos que se avizinham entre os cabeças de lista dos vários partidos. Se, por um lado, teremos Deus Pinheiro e Sousa Franco a discutirem a prestação económica do actual e do anterior Governos, é quase certo que do outro lado assistiremos à habitual guerrilha de palavras para ver qual dos partidos de esquerda (PCP ou BE) mais desce de nível.
Enfim, o próximo mês promete ser de autêntica overdose de futebol e música. Os políticos "agradecem"...

quinta-feira, maio 27, 2004

Festa com o Benfica na boca...

O FCP sagrou-se vencedor da Liga dos Campeões e logo muitos adeptos portistas tiveram que vir para as ruas comemorar a justa vitória averbada, não com vivas ao seu clube, mas sim mandando bocas ao Glorioso...
Claro que nem todos os portistas são mal-educados e, adeptos fanáticos há-os em todos os clubes. Mas, a forma como muita gente da cidade do Porto e arredores fomenta o ódio a Lisboa é, no mínimo, deplorável. E, agora, já nem o Mourinho poupam nas críticas...
Parabéns ao FCP. Mas, não se esqueçam que o Benfica ainda há uns dias atrás ganhou aos campeões da Europa...

quarta-feira, maio 26, 2004

Sintoma de precaridade...

Segundo dados do INE, o número de crianças nascidas fora do casamento representa já um quarto do total de nascimentos em Portugal (25,5% em 2002). Esta realidade deve-se a vários factores, entre os quais se destacam o aumento das uniões de facto, o crescimento da taxa de divórcios e a preferência crescente pelo celibato.
Contudo, este é também um sinal de precaridade por valores que há uns anos atrás eram tidos quase como que intocáveis. Como acentuam prestigiados sociólogos do Instituto de Ciências Sociais ouvidos pelo Público, "longe de poderem ser vistos como a realização do ideal moderno da relação conjugal, os actuais nascimentos fora do casamento são antes um sintoma de precariedades várias".
Quer se queira, quer não, a verdade é que a banalização dos nascimentos fora do casamento cria na sociedade e, sobretudo, nas camadas mais jovens, um certo desrespeito por normas civilizacionais que, até há bem pouco tempo eram convenientemente preservadas.
Nascer no seio de uma "família" complexa e desregulada, com um pai que tem filhos de outra mulher com quem está casado ou com uma mãe que já o foi antes noutra família, cria uma instabilidade emocional nessas crianças, que, muitas vezes, está na origem de comportamentos de risco que essas crianças adoptam. Por outro lado, o acompanhamento que os legítimos pais deveriam fazer para com os seus filhos, nestas circunstâncias de instabilidade, não é, muitas vezes, o melhor, com consequências negativas ao nível escolar e social.
Seja como for, os portugueses continuam a preferir o casamento e a maior parte continua a casar-se na Igreja Católica, o que é prova de como as ideias libertárias de alguns ainda não são regra. Felizmente...

segunda-feira, maio 24, 2004

Assim não...

Na passada quinta-feira, a Assembleia da República aprovou, sob proposta do Governo, a nova Lei de Bases do Sistema Educativo (LBSE) apenas com os votos dos deputados da maioria PSD/PP.
Quando se trata de alterar uma Lei de Bases, seja da educação ou de qualquer outro sector, é imprescindível que, para que a mesma tenha algum efeito positivo prático, haja um largo consenso parlamentar. Só assim poderemos ter a certeza de que um novo Governo, de outra cor partidária, não desfaça o que o anterior fez.
Ora, o que se passou com esta nova LBSE foi de uma completa falta de bom senso, tanto por parte do Governo, como por parte da oposição. Por um lado, os partidos da oposição tiveram uma postura de travão, evidenciando desde o início pouca vontade em colaborar na aprovação de uma Lei que trespassa todo o sistema educacional português e que, desde logo, serve de pilar ao nosso desenvolvimento humano. Por outro lado, o Governo, apesar da maioria confortável que o sustenta, pouco ou nada aceitou das propostas avançadas pela oposição.
De um Governo quer-se e exige-se que governe e decida, mas quando estão em causa leis como esta, seria bom que a maioria PSD/PP e o PS se entendessem para que a esta nova LBSE durasse pelo menos tanto tempo como a anterior, ou seja, quase vinte anos...
Mal anda a nossa Educação quando o PSD e o PS fazem uma autêntica guerrilha partidária de uma questão tão importante para o nosso país como esta...

quinta-feira, maio 20, 2004

As universidades-cogumelo...

Durão Barroso iniciou a presente semana com uma visita a Viseu para inaugurar o remodelado Museu Grão Vasco, mas o que deu mais que falar foi o anúncio da criação de uma nova universidade pública, desta vez, em Viseu. A notícia foi, obviamente, bem acolhida pelas forças vivas da cidade beirã, mas de resto, a generalidade dos meios académicos, com destaque para o Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas, não recebeu com bons olhos a novidade.
Vamos aos factos. Portugal tem 14 universidades públicas e 16 politécnicos que representam 98 escolas de ensino tecnológico. Por outro lado, todos os anos há dezenas de cursos superiores públicos, cujas vagas ficam com mais de metade das vagas por preencher. Viseu tem neste momento duas instituições privadas de ensino superior (a Universidade Católica e o Instituto Piaget) e uma instituição de cariz pública (o Instituto Superior de Viseu, com vários pólos espalhados pela cidade), prefazendo no total, cerca de 13000 estudantes. Além disso, a cidade de Viseu localiza-se a a 1 hora de distância de Coimbra e Aveiro, cidades que já possuem universidades de renome, ao mesmo tempo que as rivalidades já se começaram a notar com Leiria a reclamar a pretensão de também querer uma universidade pública na cidade. Fica a questão: quais as razões que levaram Durão Barroso a anunciar a criação de uma nova universidade pública em Viseu?
Se a solução é passar o Politécnico a Universidade ainda se poderá compreender a medida legislativa. Agora, se o Governo apenas está preocupado em satisfazer as reinvindicações de Fernando Ruas e dos viseenses, criando uma nova universidade de raíz, talvez se tenha aberto uma autêntica "caixa de pandora"...

terça-feira, maio 18, 2004

A apologia da greve

Com a Revolução de Abril iniciou-se em Portugal um processo de verdadeira conquista dos direitos e liberdades inerentes à salutar condição humana. Este foi um dos grandes benefícios que o 25 de Abril nos trouxe, mas que nos últimos anos tem perdido o seu carácter de nobreza e de civismo. Digo isto porque, actualmente, não há abertura de noticiário televisivo que não dê destaque ao anúncio de mais uma greve ou manifestação desencadeadas por uma qualquer associação sindical. Eles são médicos, professores, funcionários judiciais, enfermeiros e muitos outros que, trabalhando para o Estado se "encostam" à certeza de que o Estado não vai a falência, usando e abusando de um direito que deveria ser tido como de excepção...
Em Portugal, cada vez que a direita está no poder parece haver uma sintonia entre os partidos de esquerda (sobretudo o PCP) e as grandes organizações sindicais (com destaque para a CGTP e a UGT), que se concretiza numa apologia à greve dirigida aos trabalhadores do Estado. O que nos últimos dias se tem passado com constantes ameaças de greve marcadas para os dias do EURO e do Rock in Rio é a prova de como os sindicatos são cada vez mais meros tentáculos político-partidários que visam destronar a direita do poder.

segunda-feira, maio 17, 2004

Finalmente...

Passados oito anos de jejum, finalmente a equipa de futebol do Benfica conquistou um troféu e, logo, contra a equipa que ao longo da presente época mais deu nas vistas na Europa do futebol.
Em 120 minutos de muita emoção e espectáculo, o Benfica suplantou a equipa de Mourinho, que lá foi sobrevivendo ao ímpeto vermelho, muito à custa da arte de Deco.
No final, valeu a festa do Glorioso por todo o país e, ficámos com a certeza que o treinador do Porto está perfeitamente ao nível de Pinto da Costa. Ou seja, quando perde, não se sabe comportar e as declarações que proferiu no final do jogo só demonstra que a arbitragem, mesmo quando imparcial, tudo justifica para as mentes mais deturpadas.
Parabéns BENFICA! E, uma justa homenagem aos benfiquistas Féher e Baião.

quinta-feira, maio 13, 2004

A força do "diz que disse"...

Ontem fui ao cinema ver o filme "Os Friedman", um documentário verídico feito a partir de diversos testemunhos e de vários vídeos caseiros de uma família americana que se vê envolvida num pretenso caso de pedofilia que vai abalar por completo o relacionamento entre os diversos membros da família (o pai, a mãe e os seus três filhos). Este é um excelente documentário que permite ao espectador reflectir sobre o poder que um simples boato pode ter na vida de cada um de nós. Mais do provar a inocência ou culpa dos acusados de abusos sexuais de menores (o pai e o seu filho Jesse), o realizador tenta despertar-nos para o perigo que uma simples acusação judicial pode ter na vida de uma pessoa e da sua família.
Num tempo em que, por cá, tanto se fala do caso Casa Pia e em que o comum do cidadão português tende a ter como que uma opinião já formada acerca da culpa dos acusados, "Os Friedman" é o exemplo claro de como uma acusação é, quase sempre, tida como sinónimo de culpa. O documentário tem outros motivos de interesse relacionados com o facto de os vídeos caseiros prestarem um ar dramático (mas sem ser falso) a uma história que realmente aconteceu. O espectador facilmente se vê como que envolvido nas discussões familiares dos Friedman...
Para quem ainda não viu o filme e ainda o pode fazer, aqui deixo o meu conselho de o visionar com "olhos de ver"...

segunda-feira, maio 10, 2004

Quem tem medo das avaliações?

A notícia avançada hoje de que Jorge Sampaio já promulgou o decreto-lei do Governo que institui o novo sistema de avaliação dos funcionários públicos foi recebida pelas organizações sindicais com consternação e notório desconforto. Tanto a CGTP como a UGT já afirmaram que, mesmo com a promulgação por Sampaio do referido decreto-lei, tudo farão para que o novo sistema de avaliação no funcionalismo público não seja posto em prática.
Ora, a verdade é que os trabalhadores da Função Pública em geral estão mal habituados e têm medo de ser avaliados, pois com o actual sistema de progressões automáticas na carreira, qualquer funcionário público, mesmo que seja pouco atencioso ou pouco produtivo, facilmente sobe de escalão, o que é injusto precisamente em relação aos trabalhadores da Função Pública que honram, condignamente, o seu posto. É que também há funcionários públicos que trabalham bem. Pena é que sejam uma minoria a julgar pela opinião dos utentes dos serviços públicos.
Com tanta oposição ao novo sistema de avaliação dos funcionários públicos, que se destaca por ser mais rigoroso que o actual, a ideia que passa é que a maioria dos trabalhadores da Função Pública tem receio de que com uma avaliação rigorosa se possa deixar de subir na carreira de forma tão facilitada como acontece actualmente.
Resta perguntar: não seria hora de também os sindicatos serem avaliados pelo Estado? É que com tantos sindicatos, como acontece, por exemplo no sector da Educação, mais parece que o sindicalismo português se tornou para muitos funcionários públicos num autêntico "tacho dourado"...

quinta-feira, maio 06, 2004

Breve análise da Semana da Educação

Durante a presente semana tem estado a decorrer uma Presidência Aberta dedicada ao tema da educação. Jorge Sampaio optou por dar destaque às questões do abandono escolar e da escolaridade obrigatória, estando, ao longo destes dias, de visita a diversas escolas do país que possuem programas específicos de combate a este flagelo nacional que é o abandono escolar. Também não seria má ideia se Sampaio fizesse uma visita "surpresa" às escolas onde o problema do abandono escolar é uma realidade ignorada pela comunidade local, desde os eleitos camarários até aos administradores escolares e encarregados de educação.
Contudo, esta Semana da Educação tem sido marcada, vergonhosamente para o Ministro David Justino, pela confusão que foi a publicação das listas provisórias de ordenação dos professores, onde se prevê que a taxa de erros na dita lista será de 100%. Ou seja, mais de 130 mil professores, estarão, por estes dias, com a cabeça em água, não sabendo se poderão ou não vir a ser excluídos ou prejudicados na próxima fase de colocação de docentes. As aulas devem estar a decorrer às "mil maravilhas"... Quanto a esta situação, no mínimo, lamentável, Jorge Sampaio não fez (ainda) qualquer referência concreta, não tendo ainda, aliás, proferido qualquer palavra em defesa da dignidade dos professores, dando quase a entender que se esquece que o abandono escolar só poderá ser, efectivamente, combatido quando o rigor e a firmeza forem realidades concretas nas nossas escolas.
A verdade é que a educação em Portugal só poderá vencer quando os professores, as famílias e os alunos estiverem sujeitos a uma esfera onde impere a responsabilização, o rigor e a exigência. Não é com a descida da fasquia que teremos orgulho nos resultados a atingir pela nossa comunidade estudantil. Também neste sector da vida portuguesa tenho saudades dos tempos em que o nível era de maior exigência e respeito pelo sector da educação...

segunda-feira, maio 03, 2004

Salazar e as claques...

O que ontem se passou no Estádio Alvalade XXI, depois de Geovanni ter marcado o golo da vitória do Benfica sobre o Sporting revela, para além da falta de meios e de carácter de parte das forças de segurança portuguesas (sobretudo dos agentes da PSP que estiveram no estádio), a total incapacidade dos dirigentes do Sporting em conseguirem ter "mão" nas claques por si apoiadas.
Por um lado, foi vergonhosa a forma, no mínimo displicente, como os poucos polícias que apareceram no relvado, demonstraram ter para tentar suster as bestas enfurecidas. Aquela imagem do polícia agarrado ao adepto leonino a caminho do túnel de saída como se de dois amigos se tratassem é quase um convite à violência. Por outro lado, exigia-se que os dirigentes do SCP tivessem tido uma reacção "automática" de impedir que aquelas bestas pudessem entrar no estádio do SCP. É que só não vê quem não quer que são sempre os mesmos indivíduos a armar confusão. Imagine-se o que não teria acontecido caso o árbitro tivesse assinalado alguma grande penalidade duvidosa a favor do Benfica...
É caso para dizer que para estas criaturas que respiram violência, o regresso de Salazar ao poder não faria qualquer mal. Bem pelo contrário. Talvez assim soubessem ter um pouco de mais respeito e civismo!