terça-feira, julho 13, 2004

Exames nacionais: o panorama de sempre...

As médias das classificações dos exames nacionais do ensino secundário realizados na primeira fase mantiveram a tendência evolutiva dos últimos anos, com as disciplinas consideradas "chave" - Português B e Matemática - a registarem uma queda em relação ao ano passado. Português B ficou-se pelos 10,5 valores (menos 0,5 do que no ano anterior) e Matemática continua a registar uma média negativa de 8,8 valores (menos 0,2 valores).
As causas para esta situação desoladora do ensino secundário, com graves consequências na admissão de estudantes ao ensino superior com médias baixas, talvez estejam na forma desorganizada e banalizada como se encontram estruturados os ensinos básico e secundário. Penso que, enquanto se mantiver em prática o paradigma da quantidade em vez do da qualidade, os resultados finais não sofrerão grandes melhorias. É que mais vale ter menos disciplinas ao longo dos anos, mas exigir mais dos alunos, do que se ter (como acontece actualmente) muitas disciplinas de conhecimentos díspares e diversos e que impedem os alunos de "mergulharem" no conhecimento sério, eficaz e interessado dos conteúdos de aprendizagem.
Com este panorama, os resultados universitários estão à vista. Como muitos alunos do secundário apenas pensam em entrar para a Universidade, independentemente do curso, lá iremos ter futuros estudantes universitários com médias de entrada na Faculdade verdadeiramente vergonhosas. E, serão estes os futuros engenheiros, advogados, professores...

segunda-feira, julho 12, 2004

Acerca de fugitivos...

Saramago aproveitou o funeral da Maria de Lurdes Pintassilgo para mandar, através da SIC, umas farpas à decisão de Jorge Sampaio e acusar Guterres, Durão, Sampaio e Ferro de serem todos fugitivos, esquecendo-se (ou talvez não...) que foi o próprio a preconizar há cerca de dez anos atrás a verdadeira e autêntica fuga para o estrangeiro...
De facto, com que autoridade é que Saramago se julga imbuído para vir criticar a atitude democrática e legítima de Sampaio, quando foi o próprio escritor que virou as costas a Portugal pelo facto das autoridades governamentais de há dez anos atrás não terem tido uma atitude servil para com Saramago? O grande fugitivo foi, sim, o escritor, que optou por uma atitude de "chantagem" bem semelhante à de Ferro Rodrigues: ou as suas exigências eram atendidas ou ambos viravam costas às suas responsabilidades. E, foi o que fizeram Saramago, que "fugiu" para Espanha, Ferro Rodrigues, que "fugiu" do combate político e Guterres, que "fugiu" do Governo. Colocar neste saco de autênticos "fugitivos" os nomes de Sampaio e Durão, que se comportaram de forma exemplar em defesa dos interesses nacionais, é ter uma visão parcial e facciosa da realidade. Mas, para quem vive da ficção, não admira nada que confunda a realidade com mera ficção...

sexta-feira, julho 09, 2004

O interesse nacional...

Sampaio, finalmente, decidiu e decidiu bem. Tal como havido escrito há duas semanas atrás, foi possível compatibilizar a ida de Durão Barroso para um dos mais importantes e honrosos cargos políticos a nível mundial, com a continuação do cumprimento do programa de Governo levado a cabo pela coligação PSD/PP.
Felizmente que noções como legitimidade, coerência e imparcialidade ainda têm valor para alguns e, neste particular, Sampaio merece o nosso aplauso, quer tenhamos ou não votado nele.
O oportunismo fácil saiu derrotado e com ele saem, pela porta pequena, Mário Soares, Freitas do Amaral e toda a "trupe" socialista. A "guerra" no PS lá irá ressurgir! Quanto à coligação, espera-se que a política firme, responsável e rigorosa dos últimos dois anos continue a ser uma realidade...

As asneiras de Freitas do Amaral...

No seu artigo na revista Visão, Freitas do Amaral, profere as seguintes afirmações: "a escolha do primeiro-ministro pertence ao povo" e "que o Presidente da República (...) exija de qualquer novo primeiro-ministro (...) a continuidade de uma sã política de consolidação financeira".
Ora, pegando na Constituição da República Portuguesa, Freitas do Amaral comete dois erros clamorosos.
Por um lado, parece ignorar o Art.187º, nº1 onde consta: "O Primeiro-Ministro é nomeado pelo Presidente da República, ouvidos os partidos representados na Assembleia da República e tendo em conta os resultados eleitorais". Logo, a escolha do Primeiro-Ministro não é competência do povo, como afirma Freitas, mas sim, competência do Parlamento, tendo em conta os resultados das últimas eleições legislativas (e não europeias como gostariam alguns).
O segundo erro centra-se no facto de nos Arts.133º e 134º, onde estão presentes as competências do Presidente da República (PR), em lado algum estar presente a faculdade deste para poder exigir a continuidade de uma qualquer política de ordem financeira concretizada pelo Governo. Quanto muito, o PR pode dirigir mensagens à Assembleia da República e não promulgar ou não mandar publicar as leis, os decretos-leis e os decretos regulamentares.
No melhor pano, cai a nódoa! Freitas do Amaral deveria ter feito uma revisão final ao seu texto, pois com a pressa de "desancar" na coligação, esqueceu-se que não se deve brincar com as palavras... Sobretudo, um catedrático em Direito!

quinta-feira, julho 08, 2004

Afinal, estamos ou não em retoma?

Numa altura em que Sampaio continua a testar a (im)paciência dos portugueses ao deixar arrastar no tempo a decisão de convocar ou não eleições antecipadas (as últimas indicações dão a ideia de que Sampaio irá presentear a esquerda...), surge a notícia de que o Banco de Portugal acaba de rever em alta o crescimento económico para 2004. Ora, parece óbvio que a retoma económica em Portugal é já uma realidade que, apenas mentes catastróficas e que se regem por princípios de desinformação, continuam a não querer aceitar como certa.
As próprias associações empresariais e banqueiras afirmam que este é o ano da viragem e que, no actual cenário económico, haver eleições antecipadas e o sério risco de virmos a ter um Governo minoritário ou uma coligação de esquerda (com o BE no poder!), seria retroceder no tempo e deitar por terra os sacrifícios porque os portugueses passaram nos dois últimos anos.
Entretanto, Sampaio convocou o Conselho de Estado e parece cada vez mais claro que tudo se encaminha para que tenhamos mesmo eleições antecipadas. Pode ser que me engane...

quarta-feira, julho 07, 2004

Educação sexual. Onde e como?

À medida que os tempos passam e a sexualidade se vai banalizando parece cada vez mais claro que urge começar a prestar aos adolescentes e jovens portugueses uma verdadeira educação sexual. De facto, duas circunstâncias actuais exigem que a informação sexual chegue aos jovens, já que parece ainda haver um grande tabu e vergonha por parte dos pais relativamente a este tema: por um lado, verifica-se uma iniciação sexual cada vez mais precoce, com uma grande percentagem de jovens a iniciarem-se sexualmente por volta dos 15 anos; por outro lado, o número de infectados pelo VIH são cada vez mais jovens, independentemente da sua orientação sexual.
Ora, a grande dúvida centra-se na forma como é que o Estado deve prestar um serviço de educação e formação sexual, sabendo-se que a família deveria ser o pilar principal dessa prioridade. A solução encontrada por muitos é, mais uma vez, a Escola, devendo-se, segundo muitos estudiosos na matéria, criar uma nova disciplina para leccionar exclusivamente temas de educação sexual. Poder-se-ia chamar Educação para a Saúde, Educação Sexual ou ter outro nome, mas, no essencial, passaria por orientar conteúdos relacionados com o corpo humano, os comportamentos sexuais, as doenças sexualmente transmissíveis, as formas de as prevenir, entre muitos outros temas.
A dúvida que se coloca é se a criação de uma nova disciplina será factor decisivo para que a educação sexual seja uma realidade ou se uma opção plurisdisciplinar seria uma melhor solução. Tendo em conta que, por exemplo, no 7º ano de escolaridade os jovens chegam a ter treze disciplinas (mais os clubes da floresta, da matemática e as aulas de apoio...), na sua maioria leccionadas por diferentes professores, acrescentar mais uma disciplina a este currículo já de si extenso seria uma sobrecarga insuportável para os alunos. Por isso, acho que todos os conteúdos a leccionar numa hipotética disciplina de Educação Sexual poderiam muito bem ser dados nas aulas de Ciências Naturais, de Geografia e de Formação Cívica, pelo que os professores destas disciplinas deveriam desenvolver um projecto de turma interdisciplinar, envolvendo estes conteúdos nas suas disciplinas. Aliás, muitos professores já o fazem nas suas aulas. Desta forma, poder-se-ia fazer uma abordagem contextualizada destes conteúdos a outros temas da actualidade, em vez de se "compartimentar" a Educação Sexual, descontextualizando-a das outras disciplinas.
Mas, o que faz mesmo falta em Portugal é uma completa reforma curricular do ensino básico, pois não faz sentido que os alunos tenham uma sobrecarga excessiva de disciplinas e de actividades extra-curriculares, como acontece actualmente, que condicionam o seu (in)sucesso escolar...

segunda-feira, julho 05, 2004

Santana no seu melhor...

Santana Lopes, na entrevista que ontem à noite concedeu à RTP1, apresentou-se como alguém que está preparado, consciente e anímicamente, para se tornar Primeiro-Ministro de Portugal. A sua frontalidade revela bem que Santana se sente capaz de prosseguir o caminho traçado há pouco mais de dois anos quando o PSD tomou conta dos destinos do País. E a sua legitimidade é total...
Gostei particularmente da postura firme como Santana apresentou os argumentos nos quais baseia a sua convicção de que não faz qualquer sentido haver eleições antecipadas.
Já a forma como Marcelo Rebelo de Sousa se apresentou à mesma hora na TVI para fazer "concorrência" a Santana não lhe fica nada bem, sobretudo quando indirectamente se apresentou como disponível para, caso Santana assim o quisesse, ser Primeiro-Ministro, ficando Santana como líder do partido. Marcelo não tinha necessidade de fazer figura de "pedinchão", enquanto Santana dava a sua primeira entrevista depois de eleito Presidente do PSD. Não lhe fica bem e só demonstra que, tal como outras (poucas) figuras do PSD, não "engole" a ideia de Santana Lopes se vir a tornar Primeiro-Ministro de Portugal.
PS - Tenho pena de termos um Presidente da República que, por tudo e por nada, não contém as emoções e não consegue impôr-se a si mesmo um carácter de determinação e firmeza exigíveis em momentos solenes à principal figura política do País...

domingo, julho 04, 2004

Somos vice-campeões...

Nos momentos que se seguem a uma derrota, os portugueses costumam ser "peritos" nas lamentações, nas lamúrias e na procura de culpados. Ora, depois da derrota da selecção portuguesa diante da sua congénere grega por 1-0, interessa relembrar que Portugal se sagrou vice-campeão europeu de futebol e que o campeonato realizado em território luso se revelou como o melhor de sempre em termos de organização, segurança, convívio entre claques e até no que concerne às surpresas.
Há que dar os parabéns a todos os jogadores da selecção, à equipa técnica e ao povo português que foi de um entusiasmo e vivacidade enormes ao longo de todo o campeonato. Viva Portugal!!!

sexta-feira, julho 02, 2004

Comportamento irrepreensível...

Desde que se entrou numa nova etapa da situação política portuguesa, desencadeada pela ida de Durão Barroso para Bruxelas, que o PSD, enquanto partido mais votado nas últimas eleições legislativas e com um mandato expresso de quatro anos para tomar conta dos destinos de Portugal, se tem vindo a comportar de forma adulta, serena e responsável.
De facto, o PSD, enquanto partido com plena legitimidade para formar um novo Governo tem demonstrado uma atitude adulta ao não "fugir" das responsabilidades que a democracia exige deste grande partido, demonstrando disponibilidade e vontade para compatibilizar a ida de um português para um cargo de enorme relevância internacional com a continuação da política sufragada pelos portugueses há dois anos atrás.
Por outro lado, a serenidade tem estado presente não só no discurso da grande maioria dos militantes do PSD, mas também na acção desencadeada para a eleição de um novo líder do partido. A eleição legítima e democrática de Santana Lopes para Presidente do PSD em Conselho Nacional é a prova da maturidade com que o PSD consegue resolver situações inesperadas. E, não são as afirmações críticas de alguns militantes que têm conflitos pessoais com Santana Lopes que beliscam a forma séria com que o PSD tem encarado e resolvido esta situação.
Finalmente, os órgãos sociais do partido têm respeitado por completo a acção de Sampaio e não o têm colocado entre a espada e a parede. Já por várias vezes que Santana Lopes tem vindo a afirmar que o PSD está pronto a prosseguir com o cumprimento do programa de Governo, por forma a evitar que o País entre num processo de auto-gestão durante vários meses. Se Sampaio optar pelas eleições, Santana já disse que respeita a decisão de Sampaio e que estará pronto para as mesmas...
Agora, não me esqueço que Sampaio é socialista e já se coligou com os comunistas para ganhar a Câmara Municipal de Lisboa, tendo o próprio deixado o município lisboeta entregue a João Soares para ir para a Presidência da República. E, também não me esqueço que ao longo de oito anos de mandato a palavra por si mais pronunciada tem sido "estabilidade". A ver vamos o que vale o termo "coerência" para Sampaio...

quinta-feira, julho 01, 2004

Quase que me esquecia...

Faz hoje um ano que comecei esta aventura de escrever umas quantas palavras sobre alguns dos factos e acontecimentos que são notícia no nosso País. Depois de mais de 400 artigos de opinião quero agradecer a paciência que a minha querida esposa Salete tem tido comigo, pois muito do tempo passado aqui na blogosfera é-lhe "retirado" a ela. Mas, sei que ela compreende este "vício". Não posso, também, deixar de agradecer os comentários deixados no "Intimista" pelos companheiros da blogosfera que aqui vêm ler as minhas opiniões. O meu sincero obrigado a todos...

Venha quem vier...

Quer seja a Grécia ou a República Checa a chegar à final do EURO 2004, a verdade é que a selecção portuguesa se encontra num tal nível de auto-estima, confiança, capacidade de sacrifício e esforço que, me parece claro que, nesta altura, nenhuma outra selecção seria capaz de impedir que Portugal se venha a sagrar campeão europeu...
A vitória que ontem alcançámos frente à denominada "laranja mecânica" elucida bem a justiça de Portugal chegar à final de domingo e é a prova de como, apesar das afirmações proferidas por alguns "profetas da desgraça" e pelos "invejosos do costume", quando o crer e o saber se conjugam, a vitória é mais fácil de ser alcançada. Parabéns a todos aqueles que tornaram possível a chegada à final de Portugal. E, que no domingo, possamos afirmar que já somos, finalmente, campeões europeus...

terça-feira, junho 29, 2004

Haja serenidade...

A esquerda portuguesa anda numa roda viva no sentido de "pressionar" Jorge Sampaio para que este convoque eleições antecipadas, depois da demissão de Durão Barroso por motivos de relevante interesse nacional. Agora, até Freitas do Amaral vem para os jornais com cartas abertas dirigidas a Sampaio...
Ora, interessa que haja alguma serenidade nas afirmações proferidas por aqueles que têm alguma responsabilidade na vida política nacional. Muitas asneiras se têm dito, desde as pseudo-semelhanças que alguns encontram entre a demissão de Guterres e a de Durão até ao risco de "golpe de estado" no PSD aventado, inesperadamente, por Ferreira Leite.
Bem têm estado as figuras mais faladas por estes dias: Sampaio, Durão e Santana. Por um lado, Sampaio tem sabido ponderar as palavras, apelando à estabilidade governativa do País, ao mesmo tempo que saúda a decisão de Durão, por via dos relevantes interesses nacionais daí decorrentes. Também Durão Barroso se tem comportado de forma firme e rigorosa, pois apenas tomou a decisão de ir para Bruxelas, depois de se certificar que o PSD não se furtaria às suas responsabilidades e após receber o apoio de Sampaio nesse sentido. Finalmente, Santana Lopes não se tem colocado em "bicos" de pés e tem evitado comentários sobre as especulações que se têm feito a seu respeito.
De resto, muita asneira se tem dito, havendo por aí muita gente que se tem esquecido que as legislaturas duram quatro anos e que, neste caso em particular, não houve lugar a qualquer tipo de fuga às responsabilidades por parte do partido que a maioria dos portugueses mandatou para governar o País. Interessa agora compatibiliar o interesse nacional com a exigível legitimidade e estabilidade governativas...

domingo, junho 27, 2004

O cúmulo do ridículo...

Quem ontem assistiu aos noticiários da noite da RTP ou da TVI teve a oportunidade de ver duas reportagens sobre uma denominada "parade" gay, ou seja, uma espécie de manifestação exibicionista de homossexuais, lésbicas, transsexuais e outros que tais, realizada, ontem, em Lisboa. Em ambas as reportagens televisivas fica bem patente o ridículo a que certas pessoas se sujeitam com a ânsia de, segundo elas, promover o direito da igualdade entre todos os cidadãos.
Ora, será com aquele género de marcha "carnavalesca", profundamente exibicionista, que a igualdade de direitos (resta saber quais!) entre heterossexuais e homossexuais poderá ser alcançada? Penso que não. Ao ver as ditas reportagens (que não mostraram nada que não se tenha realizado), penso que a comunidade gay só sai prejudicada aos olhos da sociedade em geral. Pessoalmente, senti-me incomodado ao ver supostos homens maquilhados de mulheres, raparigas a tratarem outras raparigas como namoradas e homens "colados" aos abraços e beijos, por uma avenida abaixo como se estivessem num circo, à qual só faltaram as bancadas para os curiosos verem tais figuras. Haja paciência...

sexta-feira, junho 25, 2004

O interesse nacional...

Ainda hoje tinha escrito um apontamento sobre a boa notícia que o PSD recebeu do seu "aliado" PP e parece que as novidades não se ficam por aqui. Pelas últimas informações aventadas pela comunicação social, Durão Barroso prepara-se para ser o novo Presidente da Comissão Europeia, o que, a ser verdade, é de um prestígio enorme para o PSD e para Portugal.
Se esta reviravolta inesperada é de enorme significado para o interesse nacional, já a solução governativa pode parecer, aos olhos de muitos, justificativa da realização de eleições antecipadas. Sou contrário a tal opção, pois a estabilidade governativa deve superar a ânsia de alguns em quererem ser levados pelo descontentamento manifestado nas recentes eleições europeias.
Não valerá a pena virem com a lembrança do caso Guterres, pois as situações em nada se assemelham. Este acontecimento concerteza irá trazer mais-valias a Portugal e a ida de Durão para a Comissão Europeia trará um novo fôlego ao prestígio de Portugal e da própria UE.
Santana Lopes parece ser a escolha mais consensual no PSD e na coligação. Sampaio, certamente, irá ser coerente com as suas ideias de estabilidade governativa e do que é, neste momento, o melhor para os interesses políticos de Portugal.

Mas, que boa notícia...

A notícia que o Público de hoje avança, segundo a qual o CDS/PP está a ponderar seriamente a hipótese de ter que ir sozinho a votos nas próximas eleições legislativas, revela que os dirigentes populares, com destaque para Portas, já se aperceberam do sério risco de o actual CDS/PP se esfumar, por via da transição de votos populares para o PSD, caso a actual coligação se mantenha para além da actual legislatura.
Esta é uma boa notícia para as hostes laranjas, pois, assim parece já não ser necessário "esticar" mais a corda no sentido de "obrigar" Portas e o seu partido a desligarem-se do PSD.
De facto, penso que uma possível coligação pré-eleitoral em 2006 iria ser prejudicial ao PSD, pois muitos dos seus militantes e simpatizantes preferem abster-se a terem de ir colocar a cruz numa coligação onde aparece um partido, cujo líder, incomoda muitos "laranjinhas". Por outro lado, muitos eleitores do centro, que ora votam PSD, ora votam PS, sentem-se muito mais à vontade para apoiarem um PSD sozinho do que uma coligação PSD/PP.
Durão já deve ter dado sinais suficientes a Portas para que este vá organizando as suas "tropas" para a batalha eleitoral de 2006. E a possibilidade de o PSD voltar a governar sozinho surge outra vez como uma séria hipótese a ter em conta. É que a manter-se o actual líder Ferro Rodrigues à frente dos destinos do PS não parece haver alternativa credível a Durão Barroso...

quarta-feira, junho 23, 2004

E, a esquerda, o que pensa?

O Ministro dos Transportes e Habitação, Carmona Rodrigues, anunciou ontem que o Governo se prepara para avançar com a reestruturação do sistema de transportes públicos em Lisboa, que prevê a discriminação do preço do passe social em função do rendimento do utente. Ou seja, prevê-se que passem a existir diferentes preços no custo dos passes sociais consoante o poder de compra de cada família. É a chamada medida de discriminação positiva. E, isto num governo de centro-direita, o que afasta a velha ideia marxista de que a direita não tem preocupações de cariz social...
Seria interessante saber o que pensam os partidos de esquerda desta nova proposta governamental. Será que concordam com ela? Duvido. Será que a acham insuficiente? Provavelmente. Será que a consideram meramente populista e propagandista? De certeza. É que, sinceramente, não estou a ver a esquerda portugesa, sobretudo a mais radical, a demonstrar capacidade suficiente para vir "aplaudir" qualquer medida governativa, mesmo que ela seja favorável à população com maiores dificuldades financeiras.

segunda-feira, junho 21, 2004

A vitória do crer e do esforço...

O que ontem se passou no estádio Alvalade XXI, com a vitória da selecção portuguesa sobre a sua congénere espanhola, com um golo solitário, mas suficiente de Nuno Gomes, num jogo de forte emotividade e enorme nervosismo até final, deveria servir de exemplo para todos aqueles que têm um discurso conformista e arrogante, cheio de "profecias" que apenas servem de estima ao seu egoísmo, esquecendo-se que a humildade (não a humilhação) é das melhores qualidades que se pode ter nas relações sociais.
Esta vitória de Portugal fez-me lembrar daqueles que, nos cafés, nas ruas e um pouco por todo o lado, afirmavam que a selecção portuguesa não teria qualquer hipótese de ultrapassar a equipa espanhola e que imputavam culpas ao seleccionador nacional por este, imagine-se, "não perceber nada de futebol". Ainda não me esqueci das várias indirectas que Mourinho mandou a Scolari nos seus comentários, na TVI, durante a transmissão do jogo. Esquecem-se que Scolari acertou em cheio nas subsituições dos três jogos, com os jogadores que entraram na 2ª parte dos jogos a marcarem nos três jogos...
É caso para dizer que ainda persiste em muitos portugueses um sentimento de pouco nacionalismo (que em nada se deve confundir com ideais de extrema-direita). Mas, o português também é aquele indivíduo que só nos bons momentos de festejo e alegria se esquece do seu pessimismo habitual.
PS - Que esta vitória sirva de exemplo a todos aqueles que pensam que os próximos combates eleitorais já estão no papo...

sábado, junho 19, 2004

Boas novas de Bruxelas...

Da Cimeira Europeia realizada em Bruxelas surge a boa nova de que foi aprovada uma Constituição que tem contornos históricos e que apenas terá agora de ser ratificada pelos 25 Estados-membros para se tornar uma realidade. Mais uma vez, Portugal está na linha da frente deste acordo europeu, que consagra os princípios da igualdade e da democratização entre os Estados-membros: se por um lado, são definidas competências exclusivas da UE, outras há que continuam a ser partilhadas entre a UE e os diversos Governos nacionais, pelo que a falta de autonomia nacional de que tanto falavam o PCP e a BE não passam de puras mentiras.
Mas, desta Cimeira histórica surge também a notícia de que Durão Barroso foi convidado para suceder a Romano Prodi no cargo de Presidente da Comissão Europeia. É a prova de como o nosso Primeiro-Ministro é respeitado pelos seus pares, inclusivamente por representantes da família socialista europeia, como Tony Blair. Durão Barroso tudo tem feito para manter a candidatura de António Vitorino como uma possibilidade coerente, mas se nem os próprios socialistas europeus apoiam Vitorino pouco há a fazer. Durão portou-se ao longo de todo este processo político (apoiando Vitorino e recusando a sua própria candidatura) de forma idónea e respeitável.
PS: Deixo uma questão no ar. Que credibilidade tem Ferro Rodrigues na UE e na família socialista europeia se nem consegue convencer sequer o seu "amigo" Zapatero a apoiar António Vitorino?

quinta-feira, junho 17, 2004

Onde está, afinal, a politização da Judiciária?

Depois de o PS ter levantado há cerca de um ano a teoria da cabala, aquando da detenção de Paulo Pedroso no âmbito do caso Casa Pia, foi agora a vez de toda a "esquerda unida" portuguesa ter avançado com a ideia de que a Polícia Judiciária está transformada num mero "instrumento das conveniências partidárias do Governo". Isto a propósito das recentes demissões na PJ do Porto.
Ora, agora que surge a notícia de que o filho de Leonor Beleza foi detido pela PSP de Lisboa na terça-feira no âmbito de uma operação contra tráfico de droga, surge a interrogação: se as polícias são um instrumento do Governo como se justifica que o filho de uma reputada militante e dirigente partidária do PSD seja investigado e, inclusivamente detido? Ou será que o problema está no facto da "esquerda unida" continuar com a estratégia da cabala e da contra-informação? Estou mais inclinado para esta última hipótese...
Que diriam os socialistas se fosse o filho de um qualquer deputado do PS a ser detido para interrogatório? Lá viria novamente a teoria da cabala! Será que não conseguem fazer oposição sem lançar disparates para a opinião pública? É que para esse papel já temos o Mário Soares...

quarta-feira, junho 16, 2004

Soares e as europeias: o disparate continua

Em entrevista ao programa "Sociedade Aberta" da SIC-Notícias, Mário Soares analisou os resultados das eleições europeias e, entre diversas considerações, teve o condão de "avisar" Cavaco Silva de que este deve tirar as ilações óbvias do risco que poderá correr caso se decida a ser candidato a Presidente da República com o apoio dos partidos da coligação. É caso para dizer que Mário Soares consegue, por vezes, ultrapassar o próprio filho na capacidade de proferir disparates...
O "pai" dos socialistas deve pensar que os portugueses são tão burros que não sabem distinguir umas eleições europeias, aproveitadas para mostrar algum descontentamento pela acção do Governo, de umas eleições presidenciais, nas quais o que conta são, sobretudo, a personalidade e o carisma dos candidatos. O que Mário Soares demonstra nesta entrevista é um total desprezo pelos eleitores portugueses e um ódio de estimação por Cavaco, que continua a não conseguir disfarçar.
Mas, será que a esquerda não consegue captar a mensagem que foi dada nestas eleições um pouco por toda a União Europeia: mais do que premiar os partidos da oposição (fossem de esquerda ou de direita), os europeus (com os portugueses incluídos) quiseram mostrar o seu descontentamento pelo rigor e aperto financeiros que os Governos dos principais países da UE tiveram que cumprir, por força da desfavorável conjuntura internacional.
Entretanto, a caça às bruxas continua entre os socialistas: já vão no terceiro candidato a Secretário-Geral...