quarta-feira, setembro 08, 2004

Crime à vista...

Quando a má fé e a falta de bom senso superam o respeito pela lei vigente e a fuga para a frente parece ser a única saída encontrada por aqueles que apenas têm como objectivo afrontar o regime jurídico português e fazer valer à força as suas convicções e as suas ideias, o resultado final só poderá ser mau e contraproducente.
Vem isto tudo a propósito da reacção tida pela fundadora da organização "Women on Waves" que, depois de ter sido confrontada por uma decisão judicial que não lhe agradou, resolveu, com a conivência da SIC, prestar um mau serviço à população portuguesa divulgando publicamente a forma de cometer um aborto com um medicamento comprado numa farmácia, medicamento esse destinado a dores de estômago.
Ora, por muito boas que sejam as intenções dessa senhora e das organizações que a apoiam, a verdade é que nada em democracia pode ser mais importante que o respeito pela lei em vigor, sob pena de entrarmos num estado de auto-regulação, mais parecido com uma espécie de anarquia.
Em Portugal, a interrupção voluntária da gravidez, bem ou mal, encontra-se legislada, pelo que a lei não é omissa relativamente a esta matéria. Ainda por cima, houve um referendo há seis anos sobre este tema, pelo que nada justifica que alguns queiram à força contrariar a lei portuguesa. O que esta senhora fez foi um atentado à saúde pública, agindo como se Portugal não tivesse um sistema nacional de saúde, nem uma lei em vigor sobre a IVG.
Esperemos que a justiça portuguesa actue. Se possível, depressa e bem...

terça-feira, setembro 07, 2004

A evidência que alguns tentam esconder...

A esquerda mais ortodoxa anda num fernesim insaciável no sentido de tentar explicar os mais recentes atentados terroristas e as capturas de reféns no Iraque como meras respostas ao "pseudo-anseio" dos EUA de quererem dominar o mundo a seu bel-prazer... O que temos visto em muitos blogues da esquerda mais radical é a análise fria da justificação dos mais recentes massacres de Beslan e de Madrid como tendo sido o ripostar a um hipotético acto de crescente dominação dos EUA em todo o mundo.
Porém, estes mesmos críticos de Bush, Blair e companhia esquecem-se de apontar a evidência mais crucial deste fenómeno terrivelmente desumano: "A maior parte das operações suicidas realizadas no mundo nos últimos dez anos foram perpetradas por muçulmanos". Sirvo-me de uma afirmação proferida por Abdulrahman al Rashed, director-geral da rede de televisão Al Arabiya. Este intelectual muçulmano vai mais longe e chega a dizer: "Os nossos filhos terroristas são fruto da nossa cultura corrompida (...); os muçulmanos não serão capazes de limpar a sua imagem, a menos que admitam factos escandalosos, em vez de justificarem tais actos".
Ora, é de saudar esta frontalidade de Abdulrahman al Rashed, que coloca o dedo na ferida ao apontar o radicalismo islâmico como a principal causa do terrorismo internacional, com o epicentro deste fenómeno a dar-se na Palestina e nos países onde a iliteracia e a falta de cultura democrática são autênticos cancros da civilização humana...
Entretanto, continuamos a assitir à omissão desta evidência por parte de uma pseudo facção intelectual da esquerda portuguesa. Esta continua a preferir carregar baterias contra Bush e os EUA...

segunda-feira, setembro 06, 2004

Bush tinha razão...

No encerramento da Convenção Republicana e após o discurso de Bush, essencialmente virado para a importância da luta contra o terrorismo internacional, a opinião pública americana parece ter acordado da anestesia "mooreana" provocada pelo tão badalado "Fahrenheit 9/11". Agora, as sondagens dão um confortável avanço a Bush, o que parece vir provar que a alternativa Kerry não é assim tão forte como se julgava ao princípio.
Goste-se ou não do estilo de Bush (e eu não gosto!) e apesar de todas as suas gafes, a verdade é que o vulgar cidadão americano está mais interessado em ter um Presidente que sabe o que quer e para onde vai na procura de um mundo mais seguro, do que apostar num homem que é um autêntico tiro no escuro. É que, a apenas dois meses das eleições, temos assistido, até agora, a uma campanha eleitoral de Kerry que parece dar maior destaque às críticas a Bush do que à apresentação de uma estratégia minimamente válida para combater o terrorismo.
As mais recentes notícias vindas a público vêm confirmar que o massacre de Beslan, na Rússia, foi perpetrado por terroristas de várias nacionalidades, pelo que a escala deste caso é muito mais global do que se supunha. De facto, há que acordar para a nova ameaça planetária que é este novo terrorismo desencadeado contra a população civil e que tem como único objectivo fragilizar e derrubar as Nações livres e democráticas. Convém não esquecer que tudo começou antes da invasão do Iraque e que os ideais destes novos mercenários apenas têm que ver com o ódio à democracia, à liberdade e a um estilo de vida ocidentalizado.
Desta vez, Bush tinha razão. Urge unir esforços para combater o terrorismo, esse novo flagelo do século XXI...

sábado, setembro 04, 2004

O inferno na Terra...

O que dizer da mais recente barbárie cometida por terroristas que não olham a meios para atingir os seus fins? Muito se tem escrito sobre as razões do massacre de Beslan, condenando os terroristas tchetchenos, mas criticando também a acção do governo russo. Penso que muito do que se tem escrito revela demasiado simplismo face a uma realidade muito mais abrangente e global que é o terrorismo. Seja a acção dos rebeldes tchetchenos, a estratégia dos suicídas da Palestina ou a táctica utilizada pela guerrilha iraquiana de Al-Sadr contra a população civil inocente, entre muitos outros exemplos que poderia referir, parece claro que a resposta a este tipo de barbaridades desumanas não pode ser o diálogo com estes terroristas.
É tempo de as nações livres e democráticas instituírem uma nova ordem mundial (no seio da ONU ou de uma nova organização) que tenha como missão principal combater as várias faces do terrorismo, qualquer que sejam os seus objectivos. Vir agora criticar a forma como Moscovo respondeu ao ataque dos rebeldes tchechenos é entrar numa espiral de crítica fácil, sem perceber que a questão vai muito mais além que o simples desejo justo ou não da independência da Tchetchénia.
Os desejos de independência de alguns povos podem ser alcançados, mas nunca enveredando por este caminho infernal de matança e barbárie... Veja-se o caso da guerrilha timorense que conseguiu levar a bom porto os seus anseios de independência, sem nunca ter infligido ataques à população civil ocupante, mas apenas aos militares indonésios e numa vertente defensiva e não de puro ataque.

sexta-feira, setembro 03, 2004

Polémica abortada...

A polémica suscitada pela acção "ofensiva" de várias organizações não governamentais pró-aborto em quererem afrontar a actual lei portuguesa quanto à interrupção voluntária da gravidez parece ter os dias contados. Recordemos que várias associações convidaram a organização "Women on Waves" para trazerem o seu barco, de nome "Borndiep", até águas portuguesas para, supostamente, realizarem acções de divulgação e informação junto da população portuguesa sobre a matéria em questão. Ora, interessa não esquecer que a referida embarcação está equipada com uma clínica ginecológica que permite realizar abortos até às seis semanas e meia de gravidez, com recurso à pílula abortiva. A verdade é que tal prática não é permitida à luz da lei portuguesa, pelo que se justifica, por completo, a atitude frontal do Governo em não deixar entrar o dito barco em águas nacionais.
O que não se compreende é a atitude provocatória e de má fé da dita organização em querer forçar a entrada da embarcação em território nacional, pois, caso a sua real intenção fosse o debate sério e o esclarecimento dos cidadãos não se tornava imprescindível a entrada da embarcação munida de equipamento e medicamentos suspeitos.
Pena é que a esquerda ortodoxa se sirva deste tipo de acções provocatórias para fazer política baixa, quando os partidos da coligação e o próprio Governo estão abertos ao debate de ideias sobre uma questão onde o princípio do respeito pela lei (que foi referendada) deveria ser ponto de ordem para todos. Infelizmente, não o é para alguns...

quinta-feira, setembro 02, 2004

Quem se queima é o "mexilhão"...

O mais recente episódio do autêntico drama, que tem sido este ano, o processo de colocação de professores tem contornos verdadeiramente inconcebíveis, se se pensar que o início das aulas está previsto para daqui a apenas quinze dias, numa altura em que ainda nem metade dos docentes sabe a escola em que irá leccionar.
No ano passado, assim como nos anteriores, a maior parte dos professores tinha-se já, por esta altura, apresentado na escola em que iria dar aulas. Este ano é o que se vê! Mais de 70 mil vão ainda ao longo desta semana preencher formulários para concorrerem às escolas da zona a que estão afectos. E, muitos outros, não sabem ainda sequer se terão alguma vaga numa qualquer escola do País com horário incompleto.
É um autêntico drama. As culpas são fáceis de apontar, a começar pela incompetência do Ministério da Educação em ter encarregue uma empresa privada de proceder ao processo de colocação de professores, que deu no que deu: listas de graduação incorrectas e o consequente atraso de todas as fases seguintes. Depois, não tenho dúvidas que muitos professores não sabem preencher os formulários (em papel ou por via electrónica), havendo casos incompreensíveis de docentes que não sabem sequer ligar um computador... Finalmente, o que dizer de alguns sindicatos que, de forma indisfarçada, pretendem apenas protagonismo e a adesão de mais sócios à custa da trapalhada do processo de colocação dos docentes!
A verdade é que muitas famílias de professores (centenas ou mesmo milhares) estão por estes dias com os cabelos em pé, sem saberem se ficarão perto das suas áreas de residência ou se terão, ao menos, alguma escola em que leccionar. Claro que não podemos esquecer que muitos candidatos a professores e professores contratados ficarão de fora por inexistência de vagas. Mas, nestes casos, também não se percebe como se continuam a formar licenciados em ensino quando muitos grupos de docência estão simplesmente a rebentar pelas costuras.
Para o Ministério e os sindicatos apenas interessam os números e as primeiras páginas de jornais, mas quem sofre são os professores e, inevitávelmente, os próprios alunos e as taxas de (in)sucesso no ensino em Portugal...

quarta-feira, setembro 01, 2004

De regresso...

Depois de alguns dias de férias por terras do maravilhoso Parque Nacional da Peneda Gerês é tempo de voltar à rotina da vida de professor, com o início de um ano lectivo a decorrer de forma bastante atribulada e stressante. Hoje foi dia de apresentação e sensibilizou-me o facto de muitos colegas meus terem ido à escola entregar o pedido de subsídio de desemprego por não terem tido colocação. Mas, agora não é tempo para lamentações... Sobre este e outros assuntos haverá tempo para escrever algumas coisas. Até já...

quarta-feira, agosto 18, 2004

Quando a vergonha não tem limites...

A associação "Opus Gay" resolveu incluir o Santuário de Fátima, em concreto os seus wc`s, no rol de locais de "engate" para gays. Esta falta de respeito para com todos aqueles que vão a Fátima visitar o Santuário ou simplesmente fazer as suas preces é condenável a todos os títulos e só contribui ainda mais para que o clima de "hostilidade" entre a comunidade gay e a Igreja se intensifique ainda mais.
A comunidade gay costuma queixar-se da falta de complacência e de benevolência da Igreja para com os gays, mas o que dizer desta atitude de uma organização que "ataca" desta forma toda a comunidade católica portuguesa? Será que o movimento gay necessita de ofender os católicos para se fazer ouvir e "saltar" para as primeiras páginas dos jornais?
Incluir o Santuário de Fátima num guia de propaganda gay terá apenas como único objectivo injuriar os católicos portugueses, contribuindo, inevitavelmente, para que a maioria dos portugueses continue a não ver com bons olhos as pretensões dos gays portugueses, muito por culpa das atitudes levadas a cabo pelos seus dirigentes associativos. Quanto ao facto de os ditos sanitários serem utilizados para práticas homossexuais só merece um comentário: nojento... Depois, os gays que não venham queixar-se que Portugal é que é conservador...

terça-feira, agosto 17, 2004

O boom da música "made in" Portugal...

Nas últimas semanas tenho tido a oportunidade de assistir a vários concertos de bandas portuguesas, umas cantando em português, outras em inglês, o que me tem permitido avaliar um pouco melhor o muito que se vai fazendo pelo nosso País em termos musicais.
Se não há dúvidas acerca da prestação de algumas bandas portuguesas já com créditos firmados na áera musical, tais como os "decanos" Xutos & Pontapés, Rui Veloso, GNR ou Delfins, que contam com muitos anos de músicas e concertos, ou os "alternativos" Blind Zero e Silence Four (agora com David Fonseca a solo), já com carreiras sólidas, há que dar os parabéns a uma série de bandas que neste Verão têm posto os portugueses a cantar as suas músicas. São os casos dos Fingertips, dos Toranja, dos Ez Special, dos Gomo ou dos Blunder que têm animado as festas de Verão um pouco por todo o País.
Pena é que o sucesso da maioria destas bandas se cante em inglês. Daí que seja justo prestar a devida homenagem aos Toranja por cantarem (e bem) na nossa língua. Tal como aconteceu há uns anos com João Pedro Pais, também agora os Toranja demonstram que é possível ser-se bom na música portuguesa cantando em português.
Se ainda não viram um concerto de alguma desta bandas, aqui deixo uma sugestão: aproveitem o resto do Verão para poderem "curtir" ao som de boa música pop-rock cantada por portugueses...

sábado, agosto 14, 2004

Segredo de justiça? Onde?

O mais recente caso de fuga ao segredo de justiça é apenas mais um no vasto rol de situações em que muitos dos agentes da justiça (desde juízes e advogados a procuradores e funcionários judiciais) aparecem como autênticos "passadores" de informação sigilosa a jornais que vivem das vendas e do lucro daí obtido.
Ora, importa perceber que, na realidade, o segredo de justiça não passa de pura teoria legislativa assente em paredes de vidro e que facilmente é violado, com vista à descredibilização de casos investigados e prontos a ir a julgamento, assim como com o objectivo de fazer capas de jornais que levem ao aumento de vendas. O que ontem se passou com o Independente, tal como antes se havia passado com o Correio da Manhã, é bem elucidativo da forma como em Portugal se pratica algum jornalismo obscuro e pouco dado ao cumprimento da lei em vigor. O mesmo se poderá dizer de muita gente que, aproveitando-se dos seus cargos na área da justiça, vendem informação por baixo da mesa.
A solução passa por abrir um precedente que meta medo a esta gente sem escrúpulos, por forma a que o segredo de justiça seja efectivamente respeitado e cumprido. Para quando o dia em que alguém será afastado da justiça ou do jornalismo por violar o segredo de justiça?

quinta-feira, agosto 12, 2004

Sete dias em Lisboa...

Depois de cinco anos a viver em Lisboa, mais precisamente nas zonas de Picoas e do Campo Grande, resolvi fixar-me numa cidade do interior. Nascido e criado na Covilhã, fui para Lisboa estudar no ensino universitário público por opção, mas sempre com a plena ideia de me fixar numa cidade de média dimensão que me pudesse proporcionar uma qualidade de vida acima da média.
Apesar de ter gostado de viver em Lisboa durante o tempo de estudante, sempre me fez alguma confusão a forma stressada e apressada como se vive na grande capital, sobretudo daqueles que vivem na periferia e trabalham em Lisboa. Viver numa cidade com centenas de milhares de habitantes poderá ter as suas vantagens, mas em termos de acessibilidades, segurança e ambiente fica muito atrás das cidades de média dimensão como Viseu, Leiria, Évora ou Covilhã.
Depois de ter deixado Lisboa há seis anos, tenho por hábito ali deslocar-me várias vezes ao ano para estar com a família (toda a parte paterna vive na capital) e "sentir" a verdadeira cidade, mas quando estou por lá mais de uma semana fico farto e com vontade de retornar à chamada "província". Foi o que voltou a acontecer desta vez. Depois de ter estado durante estes dias em Lisboa, com residência no bairro da Graça (onde o meu pai vive), parti até Viseu sem grandes saudades, convencido de que não há dinheiro que pague o sossego e a tranquilidade que se respira por estas bandas...
Dez anos passaram desde que cheguei a Lisboa para ir tirar o curso de Geografia e a ideia com que fico é que muitos daqueles que vivem em Lisboa têm inveja dos que com menos dinheiro possuem uma melhor qualidade de vida numa cidade do interior de Portugal.

quinta-feira, agosto 05, 2004

Túneis e rotundas...

A moda dos túneis e rotundas veio, definitivamente, para ficar. Agora, até Viseu, que era conhecida por ser a cidade das duzentas rotundas (meio a sério, meio a brincar, pois nunca as contei...) , tem o seu primeiro túnel, obra esta que custou cerca de quatro milhões de euros e que, segundo o edil camarário, irá facilitar o tráfego rodoviário.
Ora, será que as Câmaras Municipais deste País não têm outra finalidade a dar ao dinheiro dos seus contribuintes que não seja a de construirem rotundas, túneis e estradas? Com quatro milhões de euros pode-se fazer muita obra, bem menos vistosa do que um túnel, mas talvez mais necessária para o bem comum, nomeadamente acabar com os bairros de lata, criar espaços verdes e investir em estruturas de apoio à juventude a aos mais idosos.
Cada vez mais as cidades portuguesas se assemelham a estruturas do "lego", onde proliferam autênticas "auto-estradas" em plena cidade, "buracos" rodoviários de quatro faixas e viadutos quase a "rasgarem" o céu...

quarta-feira, agosto 04, 2004

A culpa é do facilitismo...

Os mais recentes números vindos a público sobre a reduzida taxa de conclusão do 12º ano de escolaridade (mais de metade dos alunos matriculados no último ano do ensino secundário em 2001 não o concluíram) só podem surpreender os mais distraídos ou menos conhecedores do actual estado do ensino em Portugal.
Nas duas últimas décadas, a Educação no nosso País tem vindo a ser alvo de sucessivas medidas legislativas "subservientes" que apenas têm conduzido a um estado de crescente facilitismo, com graves consequências ao nível da (não) aquisição de conhecimentos científicos dos alunos portugueses quando avaliados em exames nacionais. Ou seja, o que se passa é que no ensino básico o grau de exigência tem vindo a decrescer de tal forma que os alunos quando chegam ao ensino secundário começam a "tropeçar" na barreira do mínimo exigível. Deste modo, quando postos à prova em exames rigorosos de âmbito nacional, muitos dos alunos que foram sendo empurrados à "força" para prosseguirem os seus estudos, enfrentam a verdade nua e crua do seu real estado de ignorância.
Com um ensino básico que "condecora" os professores que dão boas notas, independentemente das mesmas corresponderem ao real valor dos alunos, e que desprestigia e cria problemas aos docentes que são exigentes para com os seus alunos, temos que muitos dos alunos que não demonstram capacidades para prosseguirem os seus estudos a partir do 9º ano de escolaridade embarcam numa "aventura" de irem para o ensino secundário (não obrigatório) sem as mínimas condições de concluírem o 12º ano de escolaridade.
Muito mais se poderia dizer sobre as reais causas deste problema educacional, desde a existência de professores sem a mínima vocação para estarem no ensino, ao excesso de disciplinas dos 2º e 3º ciclos do ensino básico, ao desprezo manifestado por muitos pais em relação à situação dos seus filhos na escola, até à forma desleixada como muitas escolas são geridas. Mas, continuo a pensar que mais vale termos poucos alunos no ensino geral, mas com reais capacidades de sucesso, do que termos um ensino facilitista, mas ilusório em termos das reais capacidades de muitos dos nossos jovens. Enquanto se pensar que todos os jovens portugueses têm de ser licenciados em alguma coisa, continuaremos a ter de enfrentar notícias que apenas nos envergonham face aos demais parceiros da UE...

terça-feira, agosto 03, 2004

Assuntos quentes...

Depois de uns dias de férias pela costa ocidental portuguesa, retorno à blogosfera para aqui manifestar a minha opinião sobre o que vai sendo notícia por este País fora. Durante este período de tempo muito se falou dos incêndios florestais e da campanha eleitoral que está em curso no PS.
Gostaria de deixar aqui expressa a minha opinião sobre estes dois assuntos que estão na ordem do dia. Em relação aos fogos florestais, penso não haver dúvidas de que se trata de um flagelo nacional já de há muitos anos, que ultrapassa Governos de direita ou de esquerda. Por muita prevenção que possa ser assegurada em termos de vigilância ou de abertura de caminhos, penso que só se poderá combater eficazmente este problema quando os municípios tiverem competência legal para poderem fiscalizar as condições em que os proprietários privados da floresta portuguesa (não) conservam os seus terrenos florestais. Todos sabemos que mais de 90% da floresta portuguesa é privada; ora, para quem é detentor de um bem, não basta detê-lo, é preciso saber geri-lo. Esta situação faz-me lembrar os proprietários de prédios em estado de ruína que insistem em não fazer nada para os recuperar (veja-se o mais recente caso).
Já no que respeita às eleições internas do PS, se por um lado é positivo que estejam em confronto diversos candidatos com ideias e posturas diferentes, já se torna contraproducente que os mesmos entrem em quezílias acerca da (falta de) transparência e legalidade que envolve a eleição do líder do PS. Penso que a forma directa como os militantes do PS podem escolher o seu Secretário-Geral deveria ser seguida pelos demais partidos portugueses, pois o voto secreto e universal é a verdadeira base da democracia. Ora, se há que elogiar o PS por ser o primeiro partido português a avançar para este novo modelo de democracia interna a nível partidário, já é pena que a mesma seja dominada por uma névoa de desconfiança e intriga que em nada dignifica o maior partido da oposição.

sábado, julho 24, 2004

Férias sem blogues...

Durante uns dias vou-me ausentar de férias. Deixo o interior de Portugal e vou desfrutar de algumas das nossas belas praias. Ora, para estas serem umas verdadeiras férias vou fazer um pequeno esforço para me "esquecer" da blogosfera durante esta pausa. Apesar disso, não me "afastarei" do mundo real, ficando, minimamente atento ao que a comunicação social escrita emana do mundo... Quanto à televisão só vou precisar dela para assistir aos jogos do Benfica. Para leitura levo dois livros da colecção Trajectos da editora Gradiva sobre a história mundial do último século. Se for o caso, bom descanso; se não for, bom trabalho...

sexta-feira, julho 23, 2004

Uma política de continuidade...

Dando uma rápida vista de olhos às linhas gerais do Programa de Governo do actual executivo, facilmente se chega à conclusão que, efectivamente, Santana Lopes cumpriu com a palavra e se prepara, a fazer fé no Programa de Governo, para continuar com a política de consolidação financeira iniciada pelo anterior executivo.
Como prioridades ao nível das finanças, o actual Governo propõe-se continuar a levar a bom termo a saúde orçamental, as reformas estruturais e o aprofundamento da justiça social (pág.64). A este propósito consta do Programa de Governo uma medida de revisão do IRS e dos benefícios e isenções fiscais (pág.69).
Claro que, nos próximos dias, lá virá a oposição acusar o Governo de populismo, criticando a medida de revisão do imposto sobre os rendimentos singulares (IRS), esquecendo-se que a mesma constava do anterior Programa de Governo. Ou seja, se a política geral deste executivo é de continuidade, é-se acusado de populismo; se a política geral é de ruptura, é-se criticado de faltar à palavra. É caso para dizer: a crítica fácil passou a ser um vício de alguns! 

quinta-feira, julho 22, 2004

A apologia das tempestades em copos de água...

A formação do XVI Governo Constitucional não foi de resolução fácil, por manifesta falta de tempo e por se inserir num contexto político muito próprio e de carácter excepcional. Todos já sabíamos disso. Apesar de tudo, parece haver por parte de algumas pessoas a procura insistente de pequenos episódios sem importância (os chamados fait-divers) para, assim, justificarem o tão propalado populismo de que acusam este Governo.
O mais recente caso mediático foi o ocorrido com a Secretária de Estado Teresa Caeiro. A propósito deste caso, a ter havido alguma falha , a todos os níveis evitável, foi a da precipitação de Paulo Portas em vir para a comunicação social falar de uma situação que ainda não estava concretizada. Podemos apelidar esta falha de ingenuidade, acto irreflectido ou demasiada confiança, mas daí a ser dado como factor de instabilidade ou de irresponsabilidade do Governo vai uma grande distância. Digo isto porque, pelo que se diz em surdina, o que se passou foi que o Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas, o Almirante Mendes Cabeçadas, terá informado Sampaio de que não aceitaria ter uma mulher na Secretaria de Estado da Defesa, obrigando, assim,  a alterações de última hora.
Fazer deste caso uma tempestade num copo de água demonstra bem a forma como alguns pretendem "tabloidar" a política portuguesa. Duas evidências ressaltam deste episódio: a de que a serenidade é sempre boa conselheira (dirigida a Paulo Portas) e a de que o machismo e o conservadorismo arcaico continuam bem patentes nas mentes de algumas figuras do Estado (dirigida às altas patentes militares). Quanto a Santana Lopes fez o que lhe era exigido: manteve a calma, não afrontou os militares e resolveu o problema.
Actualização: alguma comunicação social diz agora que a mudança de Teresa Caeiro da Defesa para a Cultura se ficou a dever à insistência do PSD em ter um lugar no Ministério da Defesa. A ser verdade, em nada é desculpável a atitude imprudente e apressada de Portas em ter vindo falar antes de tempo, causando toda a confusão que se sabe. Quanto aos militares, devem ter ficado mais aliviados, pois não é de admirar que alguns não gostassem da ideia de ver uma mulher numa área dominado por homens.

terça-feira, julho 20, 2004

Uma questão prioritária...

No primeiro Conselho de Ministros realizado pelo novo Governo, Santana Lopes deu instruções à nova Ministra da Educação para que esta verifique a actual situação da colocação dos professores, por forma a garantir que o novo ano escolar comece com toda a normalidade.
Depois de uma semana conturbada, dominada por um novo adiamento na publicação das listas definitivas de graduação dos professores e pelo veto de Sampaio à nova Lei de Bases do Sistema Educativo, Santana Lopes teve o discernimento necessário para colocar a questão da Educação como uma prioridade na actual linha de acção do Governo.
É imprecindível que a nova Ministra da Educação, Maria do Carmo Seabra, dê aos professores e aos encarregados de educação deste país, todas as garantias de que, ainda antes das aulas se iniciarem (16 de Setembro), a grande maioria dos professores estarão (bem) colocados nas suas escolas para, assim, darem início ao novo ano lectivo de forma serena e tranquila. Esta será uma das tarefas "quentes" com que a nova Ministra terá com que se confrontar, não podendo refugiar-se nas acções tomadas a cabo pelo seu antecessor. Espero bem que, pelo menos, desta vez, tenhamos um início de ano lectivo bem mais tranquilo que os anteriores. Para bem de todos: alunos, pais, professores e Governo...
Actualização: parecem-me correctas e de bom augúrio as escolhas  de José Canavarro e de Diogo Feio para as duas Secretarias de Estado do Ministério da Educação, com destaque para Canavarro por ser um especialista em temas educativos.

segunda-feira, julho 19, 2004

Arafat refém dos grupos terroristas

As autênticas peripécias que têm marcado nos últimos dias as nomeações e demissões nos Serviços da Segurança Geral Palestinianos são a prova de como Arafat se encontra refém dos grupos terroristas palestinianos e das "ordens" por eles emanadas. Parece, pois, cada vez mais claro que, enquanto Arafat se mantiver  na linha da frente da Autoridade Palestiniana, a paz não passará de uma miragem para as populações do Médio Oriente. 
Se, por um lado, a estratégia de eliminação selectiva dos chefes dos grupos terroristas da Palestina levada a cabo pelo Governo israelita parece ter tido resultados óbvios na diminuição dos atentados terroristas contra a população civil israelita e no consequente aumento da sua segurança, fica-se cada vez mais com a ideia de que o clima de paz só poderá ser uma realidade nesta região do mundo quando, na parte palestiniana, estiver à frente um líder rigoroso e firme na procura da paz e que não esteja sujeito às pressões exercidas pelos grupos terroristas do Hamas e da Al Fatah.
Por muitos muros que se construam à volta de Israel para, compreensívelmente, aumentar o nível de segurança da população israelita, torna-se imprescindível que a democracia chegue à Palestina para tornar esta região do mundo mais segura. A seguir ao Iraque, será necessário que uma democracia a sério chegue à Palestina. Para bem da paz regional e mundial...

sábado, julho 17, 2004

Os Ministros que ninguém esperava...

Santana Lopes deu ontem a conhecer a totalidade dos novos Ministros que irão fazer parte do seu novo Governo e as primeiras ideias com que se fica são que este é um Governo mais político do que técnico e que caberá agora a cada Ministro escolher  Secretários de Estado com capacidade técnica suficiente para que os dossiers pendentes sejam retomados o mais depressa e da melhor maneira possíveis.
Percebe-se que Santana quis ter à sua volta um Governo de plena confiança e pronto para o combate político nas pastas mais díficeis. Por outro lado, o facto de haver muitas individualidades novas no Governo, algumas delas até desconhecidas do grande público,  poderá propiciar a que não se repitam erros e vícios do passado e que venham a ocorrer importantes mudanças no estilo de governação. São os casos dos Ministérios da Administração Interna, da Justiça ou da Educação, onde um novo estilo de comunicação para com o cidadão comum poderá dar uma lufada de ar fresco a estas pastas algo desgastadas.
De uma coisa estamos certos: Santana Lopes não se deixa conduzir pela pressão da comunicação social e terá que ser esta a "adaptar-se" ao estilo de Santana e não o oposto. O caminho está traçado. E, parece bem traçado...