quarta-feira, dezembro 29, 2004

O tempo que voa...

Aproxima-se um novo ano e, como noutros, é usual fazer-se uma análise retrospectiva e o balanço daquilo que dominou (ou não) o ano que agora nos diz adeus. Poderia aqui discorrer ao longo de várias linhas acontecimentos positivos e negativos que marcaram o ano aos níveis político, económico, cultural, desportivo e outros, de âmbito nacional e internacional.
No entanto, cada vez mais me convenço que, mais importante do que analisarmos aspectos gerais e que pouco ou nada influenciámos, é bom que cada um faça um exame de consciência daquilo que fez de melhor, mas, sobretudo de menos positivo, durante o ano que finda, no sentido de que, em 2005, o sorriso seja o gesto mais comum entre cada um de nós. Saúde, amor e trabalho são as pedras basilares que devem reger cada dia que começa.
Por mim, que tenho tido cada vez menos tempo para vir à blogosfera (a frequência num curso de mestrado, o trabalho na escola e a companhia devida à minha família, assim me obrigam) resta-me desejar um feliz 2005 para todos aqueles que aqui costumam vir...

quinta-feira, dezembro 23, 2004

O Natal, os laicos e os ateus...

Nesta altura do ano, faz-me alguma confusão que, aqueles que se dizem não religiosos ou descrentes da existência de um qualquer Deus, comemorem o 25 de Dezembro como se assistisse à "apropriação" de uma tradição que, na verdade, não lhes diz muito... É o mesmo que vermos um monárquico comemorar a Implantação da República ou assistirmos à comemoração pelos espanhóis do 1º de Dezembro. Enfim, uma série de contradições!
Muitos daqueles que se orgulham de não acreditarem num qualquer ser superior ao Homem, criticando a opção dos católicos, chegam a esta época do ano com o habitual discurso de que o Natal é uma festa com tradições pagãs, esquecendo-se que, na realidade, o Natal surge no tempo do Papa Júlio I (séc. IV) como uma oportunidade para cristianizar uma festa que, de facto, era pagã e que, assim, o deixou de ser. Por outro lado, é costume ouvirmos os ateus criticarem as tradições ditas materialistas do Natal, como o presépio, a árvore ou as trocas de prendas. Esquecem-se que na maioria das famílias católicas, estes costumes têm como objectivo unir as famílias e alegrar os mais novos.
Contradição é, sim, vermos ateus, laicos e agnósticos aproveitarem-se do Natal para cumprirem esta tradição católica e depois virem criticar os católicos. O mesmo se poderia dizer quando aqueles que são ateus aproveitam os feriados religiosos para não trabalharem. Isso sim é contraditório...
Mas, enfim, há que compreender o comportamento daqueles que criticam o Natal e o, sem se darem conta, o festejam. Ao menos que durante um dia ao longo do ano, a Luz entre na consciência daqueles que vivem com um deus que é só deles...
Para todos os leitores deste blogue, sobretudo para aqueles que são mais descrentes, um Feliz Natal.

domingo, dezembro 19, 2004

O problema de Sócrates...

Aos poucos o eleitorado português começa a aperceber-se no que pode resultar uma vitória do PS nas próximas legislativas. Por enquanto, Sócrates ainda vai fugindo à questão que o atormenta: caso ganhe as eleições sem maioria absoluta haverá coligação do PS com os restantes partidos de esquerda?
PCP e BE já vieram a público oferecer-se para apoiarem um hipotético Governo de Sócrates. Ora, utilizando a lógica dos socialistas poder-se-á afirmar que quem quiser um Governo de esquerda, com PS, PCP e BE juntos, que apoie Sócrates, ao passo que quem quiser a continuação de Santana e Portas à frente dos destinos de Portugal que vote no PSD.
Seria um absurdo e um retrocesso civilizacional termos partidos radicais como o PCP e o BE, que pouco evoluíram no tempo, no Governo de um País que faz parte da UE. Penso que Sócrates, por muito que tente fugir à questão, começa a dar-se conta que não irá conseguir estar dois meses com o discurso-cassete do pedido de maioria absoluta. Santana, pelo menos, foi coerente e directo: o PSD não foge a uma possível coligação governamental com o PP e o mais importante é ter mais votos que o PS...
As verdades começam a descobrir-se e na hora dos debates televisivos as fragilidades e contradições de Sócrates virão ao de cima...

quarta-feira, dezembro 15, 2004

O caminho mais coerente e acertado...

Qualquer que fosse a solução encontrada por PSD e PP quanto à forma como iriam concorrer às próximas eleições antecipadas, era mais que certo que a esquerda viria criticar. Foi o que aconteceu...
Penso que o facto dos dois partidos da coligação irem separados às eleições constitui um acto de coerência e de transparência. Aliás, sempre defendi que o PSD devia ir a votos sozinho... Tal como há dois anos e meio, quando PSD e PP concorreram com listas próprias e só, à posteriori, se coligaram, parece-me óbvio que agora o mesmo teria que ocorrer, sobretudo para tornar claro o peso de cada partido numa hipotética coligação governamental.
Aliás, a decisão tomada por ambos os partidos vai mais além: nenhum dos dois partidos poderá viabilizar um governo minoritário de esquerda. Mais clarividência do que esta opção, parece-me difícil...
Quanto à postura dos partidos da esquerda, nenhuma novidade. O PS desespera pela maioria absoluta e faz um discurso monocórdico. O PCP implora pela não discriminação dos seus parceiros de esquerda. O BE, personalizado na figura de Louçã, pisca o olho aos socialistas. Ou seja, no centro-direita, joga-se claro e limpo. Na esquerda, muito barulho e pouca seriedade.
A campanha segue dentro de momentos. Santana e Portas têm um caminho duro, mas as vitórias sofridas são as mais saborosas...

sábado, dezembro 11, 2004

E ao décimo dia disse... nada!

Sampaio vai de mal a pior. Será o excesso de trabalho, um sintoma de cansaço ou simplesmente a incapacidade de se revelar imparcial na tomada de decisões? Depois de ao longo dos últimos oito anos, Sampaio ter-se esforçado por dar uma imagem de alguém que estava acima dos partidos e que preservava a estabilidade e o respeito pelas instituições democráticas, eis que em apenas duas semanas Sampaio estraga a "pintura" toda e "copia" Soares no que este tinha de pior.
O discurso de Sampaio na divulgação das justificações que o levaram a dissolver a Assembleia da República é de uma falta de coerência e de conteúdo completamente surpreendentes, agravadas pela espera de dez dias a que sujeitou o povo português. Para quê? Para vir falar em supostos "incidentes, declarações, contradições e descoordenações que (na opinião sujectiva de Sampaio) contribuíram para o desprestígio do Governo, dos seus membros e das instituições"? Ora, qual a razão que leva o PR a não mencionar tais acidentes? E, qual o Governo que não tem de enfrentar acidentes de percurso? Não se lembrará Sampaio dos problemas que Guterres teve com Manuela Arcanjo, Armando Vara ou Pina Moura, para não falar em mais casos? Mas, mesmo assim, se tais acidentes fossem de um alcance gravíssimo, então, em nome da coerência, teria que demitir o Governo e não dissolver um Parlamento estável e credível...
A isto tudo, há a gravidade de Sampaio ter feito um discurso de pura propaganda eleitoral, apelando de forma indirecta ao voto noutros partidos que não os da coligação. Haverá maneira mais clara de Sampaio apelar ao voto no PS?
Enfim, Sampaio deu uma "cambalhota"de 180º na sua maneira de estar na política, o que o transforma numa "cópia", para pior, de Soares. É o que dá termos socialistas na Presidência da República que não conseguem despir a camisola do partido no exercício das suas funções.
Resta dizer que, caso não saia das eleições nenhum Governo com maioria absoluta, Sampaio só terá que deixar vago mais cedo o cargo que ocupa, em nome da coerência e da verdade... Será ele capaz disso???

terça-feira, dezembro 07, 2004

Sampaio em versão soarista...

No dia em que Mário Soares comemora os seus oitenta anos, Sampaio resolveu dar, mais uma vez, mostras que está apostado em terminar o seu mandato de Presidente da República numa versão ostensiva e de ataque pessoal aos partidos de direita que (ainda) estão no Governo. Imitando o seu antecessor no que este tinha de pior, Sampaio mostra-se cada vez menos coerente com a imagem que deu ao longo de todo a seu primeiro mandato e parte do actual, resvalando, agora, para uma ostensiva parcialidade ao fazer o claro favor ao seu partido de antecipar as eleições legislativas.
Devem-se contar pelos dedos de uma mão (ou nem tanto) as situações que por esse mundo democrático fora, um parlamento com maioria absoluta é dissolvido, sem que nada de anormal tenha ocorrido entretanto, ainda para mais quando, com apenas quatro meses de legislatura, o Governo de Santana Lopes estava a imprimir uma verdadeira acção reformadora, que não agradava aos grandes poderes económicos instalados.
Sampaio aproveitou o dia de hoje para mandar uma série de recados ao Governo, chegando a prestar opiniões pessoais de discordância relativamente a muitas matérias que este Governo pretendia legislar. Ora, Sampaio deveria-o fazer no acto de promulgar ou não as leis provenientes do Governo e não no momento actual, quando se está já em plena campanha eleitoral. É que, se Santana é Primeiro-Ministro, mas também Presidente do PSD, Sampaio exerce a tempo inteiro o seu cargo de PR.
Cada vez mais me convenço que Sampaio tinha a lição muito bem estudada desde há quatro meses a esta parte, mas, pode ser que o tiro lhe saia pela culatra e tenha que "engolir", novamente, com Santana Lopes. A ver vamos...

terça-feira, novembro 30, 2004

Lá vamos para eleições. Sem medo...

Jorge Sampaio, depois de ter passado quatro meses numa situação de mal-estar e isolamento político, atacado pelos partidos de esquerda e desgastado pela generalidade da imprensa, resolveu dar o "braço" a torcer e convocar eleições antecipadas. O mais grave é que o poderia ter feito há quatro meses atrás ou aquando da apresentação do Orçamento de Estado. Não o fez nessas alturas... Decidiu-se agora por esta decisão depois de um Ministro sem qualquer força política (porventura seria dos menos conhecidos pela opinião pública) ter saído do Governo pelo próprio pé e zangado com o seu "amigo" Santana Lopes, imbuído num estado de raiva e ódio.
Jorge Sampaio sai desta situação de forma comprometida e dando a imagem de falta de coerência. A mais que provável ingovernabilidade dos próximos meses será, em primeira instância, responsabilidade sua. Claro que PS, PCP e BE batem as palmas, sonhando com a possibilidade de entrarem numa possível esfera governativa de esquerda.
Quanto ao PSD e PP, nos próximos dias terá que ser esclarecida a forma como cada partido se apresentará a eleições. Em caso de concorrerem separados (esperemos que sim), o PP terá a vida dificultada, enquanto o PSD se poderá "soltar" das amarras da coligação e tentar convencer os portugueses que só com uma política de centro-direito é que Portugal poderá continuar o rumo certo de abandono dos tempos difíceis que, recorde-se, começaram nos tempos da governação de Guterres.
Santana Lopes terá apenas que se confrontar com um problema (por sinal, bem grave): o partido está dividido, com alguns (poucos, mas ruidosos) ilustres militantes do PSD contra a liderança do próprio partido e a generalidade dos militantes de base unidos em torno do seu líder. Creio que o PSD saberá, em tempo de dificuldades, unir-se e enfrentar as próximas eleições confiante e sem medo...

sábado, novembro 27, 2004

O sonho de Cunhal...

Quando o ideal comunista não passa de mera utopia, a concretização de pequenos sonhos pode ser sinónimo de grandes conquistas. É com este estado de espírito que os comunistas assistem à passagem de testemunho entre Carvalhas e Jerónimo de Sousa. A partir de hoje, Álvaro Cunhal pode, finalmente, sentir-se como um homem medianamente feliz por um elemento do operariado fabril ter alcançado o lugar cimeiro do partido comunista mais ortodoxo da Europa.
Com a escolha "cirúrgica" de Jerónimo de Sousa, certamente orientada pelo próprio Cunhal, o PCP atinge o seu auge, o que sendo motivo de orgulho para o próprio partido, não deve deixar de preocupar os militantes e simpatizantes comunistas. É que, depois do sonho vem o acordar para a realidade com que o PCP se irá deparar. E esta será bem negra: o sonho transformar-se-á em pesadelo...
Claro que a maioria dos comunistas rejubilam de euforia por verem (formalmente) um elemento do proletariado na liderança do seu partido. Mas, o mais certo é que à medida que aumente a ortodoxia radical comunista, diminuirão os votos nas urnas e o PCP caminhará para o seu gradual definhamento. Socialistas e bloquistas devem estar contentes com a tomada de opção comunista, sendo que cada vez fica mais claro que só o desaparecimento de Álvaro Cunhal poderá "salvar" o PCP da morte certa.
Ironia dos tempos: aquele que fez do PCP, em tempos, um partido de razoável implantação em Portugal actua agora como principal responsável pela sua regressão...

quarta-feira, novembro 24, 2004

Quem tem medo que se cuide...

Com a entrevista de Santana Lopes concedida ontem à RTP1 ficou mais clarificada a posição do PSD em relação à postura do partido nas próximas eleições legislativas, isto, claro, se Sampaio não resolver contradizer-se a si mesmo e dissolver o Parlamento.
Todos aqueles que têm profetizado a depedência do PSD em relação ao PP viram as suas premonições viradas do avesso. O PSD não tem medo de ir sozinho às próximas eleições de 2006 e é mais do que lógico que assim seja. Quem parece ter medo é o PS que, como se sabe, só teria a ganhar com uma coligação pré-eleitoral.
Convém lembrar que a actual conjuntura de coligação teve, desde o seu início, uma base temporal de quatro anos e não é pelo facto de a mesma expirar no dia anterior às eleições que o Governo não tem condições para exercer o seu mandato até ao fim. Uma coisa é o Governo. Outra, bem diferente, é toda a lógica de combate político-partidário.
Claro que todos aqueles que anseiam pela destituição de Santana Lopes têm agora que apostar na procura de quezílias entre Santana e Portas, a fim de que a coligação começe a definhar. É o que faz pensar mais nos ódios pessoais de que na estabilidade e governabilidade do País.

domingo, novembro 21, 2004

O que fazer com a actual lei do aborto...

Cada vez que alguma mulher é chamada a tribunal para ser julgada pelo crime de aborto ilegal, os grupos cívicos que são a favor e os que são contra a despenalização do aborto "digladiam-se" entre si à procura do maior protagonismo possível. Convenhamos que neste combate sem nexo os grupos favoráveis à despenalização e/ou liberalização do aborto têm tido maior visibilidade, muito à custa da realização de marchas e manifestações apoiadas pelos partidos de esquerda.
Agora surge a notícia (não sei se verdadeira ou não) de que o PSD está a ponderar apoiar a ideia do PCP de suspender todas as investigações e julgamentos pela interrupção ilegal da gravidez. Ora, neste particular tenho que estar de acordo com o líder do PP, Paulo Portas: ou as leis existem para se cumprir, ou se não servem para nada há que mandá-las para o lixo... Agora, suspender uma lei em vigor não me parece ter sentido algum, nem tão pouco ser constitucional.
Quanto à lei em si, já aqui exprimi a minha opinião sobre a mesma: não sendo a ideal, poder-se-á melhorar, tendo sempre em linha de conta que o objectivo da mesma é defender a vida de seres humanos indefesos. Mais do que condenar uma mulher a pena efectiva de prisão (e convém não esquecer que não conheço nenhum caso onde tal tenha ocorrido, embora, em alguns determinados casos algumas mulheres o merecessem) a lei terá que ser vista como uma espécie de indicação à sociedade de que cometer um aborto não pode ser um acto alvo de branqueamento. E, convém lembrar: há casos e casos... Tenho para mim a opinião clara de que a lei deve incorporar uma pena de índole social para a maior parte dos casos (mas, de pena de prisão para os mais gravosos e obscenos, porque os há) que evidencie a ideia de que cometer um aborto sem causa aceitável é um acto que não pode passar ao lado dos valores e princípios de uma sociedade que se quer democrática e desenvolvida.
Mas, mais do que suspender a actual lei, importa não esquecer que qualquer alteração à actual lei do aborto só se pode efectivar com a realização de um novo referendo.

terça-feira, novembro 16, 2004

Irá acontecer a Santana o mesmo que a Bush?

Este fim de semana, as bases do PSD puderam, finalmente, desabafar e deitar cá para fora o que lhes vai na alma. Muito se falou da forma de estar do PSD (ou da falta dela) na coligação e da pertinência de haver (ou não) uma coligação pré-eleitoral nas próximas eleições legislativas de 2006, isto, caso não sejam antecipadas por uma qualquer razão inesperada.
Penso que Santana está "refém" dos militantes de base do partido e, por muito que tente levar os sociais-democratas a colocar a hipótese de o PSD encabeçar uma plataforma de partidos de centro-direita (mas, quais para além do PSD e PP?) e de organizações sociais e económicas de cariz privado, parece-me que o rumo a seguir será o de tudo fazer para evitar o esticar da corda da coligação e colocar os interesses do País à frente dos de índole partidária.
Esta coligação tem, para bem da necessária estabilidade política, económica e social do País, que sobreviver a todos os ataques externos que se lhe coloquem, pelo que apenas no início de 2006 se deve decidir sobre o que fazer com esta coligação, que, não nos esqueçamos, foi formada após as eleições de 2002.
Sou da opinião que PSD e PP devem concorrer sozinhos às próximas legislativas e, só depois do apuramento dos resultados finais se deve colocar a hipótese de se retomar a coligação que, aquando da sua formação original, teve como limite temporal os quatro anos da legislatura.
Entretanto, cada vez mais me convenço que Santana poderá muito bem ter o mesmo futuro que Bush. Apesar da grande generalidade dos comentadores políticos e dos editoriais da imprensa portuguesa serem hostis ao actual chefe do Governo (tal como aconteceu com Bush), não me admiro nada que Santana consiga, contra tudo e todos, vencer as próximas eleições legislativas. As bases do PSD, certamente, estarão com ele, se ele souber estar com o partido...

quinta-feira, novembro 11, 2004

Uma oportunidade...

Arafat morreu. Abre-se uma nova oportunidade para o necessário e premente acordo político entre Israel e a Palestina. Já aqui referi que é costume vermos personalidades políticas elogiarem qualquer líder político que desapareça. Desta vez, não se fugiu à regra: ainda não vi um único líder de um País ocidental criticar a actuação de Arafat, enquanto "travão" para a paz no Médio Oriente. Todos o gabam enquanto pessoa, quase o comparando a um mártir... Qualquer dia, passar-se-á o mesmo com Fidel Castro!
Sejamos directos. Penso que há males que vêm por bem. E, não querendo dar a ideia que fico feliz pela morte de Arafat, acredito que será difícil não evoluirmos para uma situação política que não passe pela paz nesta problemática região do mundo. A "bola" está, mais uma vez, do lado dos palestinianos e há que ter a esperança que os novos líderes da OLP tenham, finalmente, a capacidade de pôr ordem e disciplina na frente palestiniana. Israel, como sempre, anseia pela segurança interna e sabe que só com um acordo com os seus vizinhos da Palestina a poderá alcançar.
Quanto a Arafat, a História tratará de o descrever como realmente se portou em vida: um líder agarrado ao poder e com jeito para a vitimização...

sábado, novembro 06, 2004

Presunção e água benta...

Pois é! Afinal, todos aqueles que se julgavam donos da verdade enganaram-se e acabou por ser Bush a ganhar as eleições presidenciais dos EUA. Desta vez, todos aqueles que apelaram à vitória de Kerry e, quase fizeram campanha eleitoral aqui na blogosfera não se podem refugiar na desculpa do método eleitoral maioritário americano (que muitos consideram injusto), nem tão pouco na falta de informação do eleitorado mais jovem (a esperança dos democratas). A razão que desta vez parecem ter encontrado para a inequívoca vitória de Bush é, imagine-se, a suposta estupidez do povo americano. Com a falta de lucidez evidenciada neste tipo de argumentos de mau perdedor não vale a pena perder tempo. Resta-me apenas paciência para dizer que a esquerda europeia que se julga intelectualmente superior só tem, com este tipo de discurso, provocado o crescente distanciamento visível entre a superpotência EUA e uma Europa cheia de contradições e divisões...
Um último comentário para o que muita gente tem dito sobre Arafat. Quando uma personalidade importante morre é costume vermos a classe política vir com conversa elogiosa sobre a dita pessoa. No momento em que escrevo ainda não se sabe se Arafat morreu ou não e já muitos políticos portugueses vieram falar do líder palestiniano como se homem fosse quase um "santo" ou mártir. Até Cavaco Silva veio dizer que Arafat tudo tentou para promover a paz no Médio Oriente. Detesto este tipo de "água benta"... Lá por Arafat ter recebido um Prémio Nobel da Paz (mais como incentivo à paz naquela região do mundo do que como recompensa pelo trabalho feito), não nos esqueçamos que Arafat durante muitas décadas incentivou a táctica terrorista apenas para manter o poder, "fugindo", por diversas vezes, à assinatura de tratados de paz com Israel. Esperemos que o seu sucessor pense menos em si e mais no povo que representa...

segunda-feira, novembro 01, 2004

As primeiras eleições planetárias...

Aí estão, finalmente, as primeiras eleições que, apesar de serem nacionais, vão "mexer" com todo o mundo. Efectivamente, esta é a primeira vez que umas eleições americanas têm contornos globais e criam sentimentos de apoio e repulsa por cada uma das candidaturas presidenciais.
Desde orgãos de comunicação social até partidos e organizações não governamentais, passando, obviamente, pelo cidadão comum, não conheço ninguém que não tenha a sua opinião formada sobre o candidato que prefere para tomar conta dos destinos da única superpotência mundial. Estas são, de facto, as primeiras eleições planetárias da história humana e delas sairá um conjunto de indicações pertinentes sobre o que poderemos esperar dos EUA na luta contra o terrorismo, a principal preocupação da opinião pública mundial.
Já aqui manifestei várias vezes o meu apoio a Bush, apesar de não apreciar a ingenuidade (alguns chamar-lhe-ão burrice) tantas vezes demonstrada nas suas aparições televisivas. No entanto, parece-me que Bush encarna a imagem do típico cidadão norte-americano que sabe o que quer e para onde vai: enfrentar o inimigo terrorista e difundir a democracia pelo mundo muçulmano. Claro que muitos prefeririam que os EUA, enquanto poderio político, económico e militar estivesse mudo e calado. Ora, é por essa razão que prefiro o enérgico Bush ao amorfo Kerry. Mas, quem decide é o povo americano. Para bem do mundo, esperemos que decida bem...

quarta-feira, outubro 27, 2004

Quando a política é de baixo nível...

Desde o momento em que Marcelo Rebelo de Sousa decidiu, após uma reunião tida com o patrão da TVI, Paes do Amaral, acabar com os seus comentários dominicais no Jornal Nacional da TVI, que muitas têm sido as tentativas de aproveitamento político por parte de deputados da oposição que foram eleitos, não para alimentarem estórias absurdas, mas sim para representarem condignamente os seus eleitores.
Ora, o que PS, PCP e BE têm feito desta "historinha" não passa de um conjunto de meras especulações e tentativas de deturpação da verdade, indo ao ponto de relacionar situações sem nexo nenhum... Ainda hoje, com Marcelo a afirmar que, ao ser pressionado para alterar o formato dos seus comentários por Paes do Amaral, se decidiu por terminar com o seu espaço televisivo, mesmo assim lá tiveram que vir os partidos da oposição reclamar por um debate de urgência sobre liberdade de expressão, um inquérito parlamentar sobre os negócios do Estado com os grupos económicos detentores de órgãos de comunicação social e, imagine-se, explicações urgentes por parte de Santana Lopes sobre as declarações de Marcelo! Será que estes senhores não percebem que o alimentar deste "não-caso" só favorece o próprio Marcelo e prejudica aquilo que interessa ao País e que passa, por exemplo, pela análise e discussão do Orçamento de Estado. É que no Parlamento há muito mais que fazer do que lavar "roupa suja"! Já chega de politiquíces baixas...

sábado, outubro 23, 2004

O claro exemplo da desinformação abusiva...

Depois de ter escrito um post sobre os perigos da desinformação (que, não sei porquê, mas, desapareceu do blogue!!!), em que dei conta de três situações concretas de deturpação abusiva, por parte da oposição, de várias afirmações proferidas por alguns elementos deste Governo, vários foram os leitores deste blogue que se insurgiram contra o teor das minhas palavras.
Para clarificar a minha opinião sobre o assunto em questão, vou socorrer-me apenas do mais recente caso de aproveitamento político-partidário de uma situação que envolveu uma decisão política por parte deste Governo e a crítica fácil e abusiva por parte da oposição e de alguma comunicação social. Reporto-me à decisão tomada pelo Ministro das Obras Públicas, António Mexia, de encerrar temporariamente o túnel do Rossio por razões de segurança.
A verdade é que, ao saber-se do súbito encerramento do túnel do Rossio na sexta-feira de manhã, logo vieram os partidos de oposição, com destaque para o PS, insinuar que o problema estrutural do túnel se devia às obras do túnel do Marquês. Ora, não será esta a prova clara de que os partidos da oposição definiram como estratégia prioritária a implementação de uma cultura de desinformação e deturpação da realidade, talvez motivados por gente que apenas quer protagonismo fácil (como o advogado José Sá Fernandes) e por alguma comunicação social que "vive" dos pseudo-escândalos inventados?
Ora, como se sabe, a própria REFER já veio esclarecer que o problema do túnel do Rossio já tinha sido diagnosticado em 1979 e que é abusivo, no mínimo, relacionar as obras do túnel do Marquês de Pombal com a presente situação do túnel do Rossio.
Será, assim tão difícil reconhecer que se vive, actualmente em Portugal, uma situação de tentativa de aproveitamento político-partidário por parte dos partidos da oposição e de alguns sindicatos, com base na deturpação das afirmações veiculadas pelos membros deste Governo?

segunda-feira, outubro 18, 2004

Algumas notas sobre o OE para 2005

Depois de uma análise rigorosa e serena sobre a proposta de Orçamento de Estado (OE) apresentado pelo actual executivo governamental, facilmente se pode concluir que, das duas, uma: ou o Orçamento proposto é cumprido ao longo do próximo ano e estamos perante uma importante viragem de actuação, no sentido de compatibilizar a justiça fiscal com a justeza social (o que é de louvar vindo de um governo de direita), ou esta é uma proposta demasiado ambiciosa e optimista que poderá não ser concretizada...
Uma coisa é certa: este Governo está a respeitar o compromisso assumido pelo anterior executivo, segundo o qual, a segunda metade da legislatura seria de menos aperto para os contribuintes e de uma maior aposta no investimento público e no combate à fraude fiscal. Ora, tais objectivos são plenamente assumidos com este OE.
Claro que muitos dirão que este é um Orçamento de propaganda política, estilo "piscar" de olho ao eleitorado. Não vou negar que tais ideias poderão estar implícitas no OE, mas, desde que os seus objectivos de maior equidade e justiça sociais sejam atingidos, quem poderá estar contra o princípio de os mais desfavorecidos serem compensados com maiores regalias, em termos de diminuição do IRS, e os mais abastados, como o sector bancário, verem agravados os seus deveres fiscais?
Claro que este não é um OE perfeito: a Educação e a Saúde, apesar de serem os sectores que mais dinheiro recebem, ainda não conseguem geri-lo de forma harmoniosa; os contratos feitos pelo executivo de Guterres em relação às ex-SCTU`s concedem pouca folga orçamental ao sector das Obras Públicas; o crescimento do investimento da Defesa, apesar de dinamizador das indústrias naval e aeronáutica portuguesas ainda assusta uma parte da esquerda pouca dada aos valores da segurança e vigilância das fronteiras; as receitas extraordinárias continuam a ser um recurso necessário; o sigílo bancário não passa ainda de um objectivo a concretizar...
Mas, não tenho dúvidas que, caso este OE venha a ser cumprido, Bagão Félix arrisca-se a entrar para a história dos Ministros das Finanças que colocaram as contas públicas do País no rumo certo. Santana Lopes e os portugueses agradecem...

sexta-feira, outubro 15, 2004

Eleições regionais

No próximo domingo, Santana Lopes e José Sócrates, serão, porventura, os principais interessados em saber qual os destinos políticos que madeirenses e açoreanos decidiram dar às suas regiões insulares. Apesar destas serem umas eleições de onde não se podem retirar conclusões de âmbito nacional, tanto Santana como Sócrates tentarão retirar dividendos políticos caso os seus partidos saiam vitoriosos destas eleições regionais...
Penso que Santana Lopes é o que leva maior vantagem. Isto porque na Madeira, certamente que Alberto João Jardim conseguirá averbar mais uma maioria absoluta, para além de que nos Açores se tem assistido a uma evolução crescente da coligação PSD-PP. Deste modo, parece que Sócrates terá que começar a redigir o discurso justificativo da provável derrota que o PS terá nas eleições regionais.
Na Região Autónoma da Madeira, apesar de não gostar nada do estilo de Jardim e do recorrente discurso "anti-colonialista" e "anti-corporativo" que utiliza (como se houvesse qualquer risco de ataque às autonomias regionais!), o certo é que o povo madeirense tem escolhido, livre e democraticamente, este homem para seu líder. É caso para dizer que, ou as alternativas a Jardim não existem, ou a população está mesmo convencida que o trabalho do PSD na Madeira tem sido impecável. Inclino-me mais para a segunda hipótese...
E, nos Açores? O que há para dizer? Bem, parece claro que a candidatura de Carlos César não está muito confiante, ao contrário da de Vitor Cruz. E, a verdade é que, em oito anos, o grande "cancro" social dos Açores, a freguesia de Rabo de Peixe, continua na mesma: a mais pobre da UE. Por isso e por muitas outras razões, não me admiro que os açoreanos se decidam por mudar de líder, ainda por cima, quando PSD e PP se encontram coligados.
A ver vamos o que dirão Santana e Sócrates depois de se saberem os resultados finais. Qual deles ficará a sorrir? Acho que vai ser Santana...

quarta-feira, outubro 13, 2004

Sampaio com piadas de mau gosto...

A maioria dos portugueses têm uma imagem do nosso Presidente da República como alguém sensato, prestável, respeitador da estabilidade e facilmente dado a emoções. Ora, depois de ter ouvido as declarações de Sampaio sobre a condecoração que recebeu em Espanha ( Prémio Carlos V) pela sua dedicação aos ideais europeus, fiquei surpreendido e interroguei-me sobre o que terá passado pela cabeça de Sampaio para ter proferido afirmações de muito mau gosto...
Então, não é que Sampaio afirmou que o valor do prémio que recebeu, 90 000 euros, não será por si entregue a qualquer instituição de caridade porque, e passo a citar, "os tempos vão maus"! Será que Sampaio não percebe que só recebeu o dito prémio porque tem o cargo institucional que os portugueses lhe "concederam"? Será que Sampaio não entende que a sua situação financeira é, de longe, muito melhor que a da comum dos portugueses e, que portanto, respostas como a que deu só demonstram uma grande falta de respeito pelo povo português? Será que Sampaio não atinge que, depois de tanto "choradinho", falar daquela maneira só evidencia arrogância e presunção?
Sampaio esteve mal. Mas, ao menos, acertou quando disse que, futuramente, se vai remeter mais ao silêncio. Pena é que, desta vez, não o tenha feito...

segunda-feira, outubro 11, 2004

Falar do que interessa...

Mais uma vez, e ao contrário do que muitos julgavam, Santana Lopes colocou os interesses do País à frente das quezílias pessoais e centrou a sua comunicação aos portugueses nos assuntos que verdadeiramente são importantes para todos nós: as contas públicas, o crescimento económico, o combate às desigualdades sociais, entre outras questões...
Compreendo e concordo com a atitude de Santana Lopes em vir apresentar aos portugueses o seu ponto de vista sobre a actual situação do País em termos governativos e, até penso que seria muito positivo que, de vez em quando, o Primeiro-Ministro explicasse a todos nós, de viva voz e da forma mais directa possível (que, de facto, é a televisão) qual a sua versão sobre o estado da governação. Claro que muitos defenderão que é no Parlamento que se faz a análise do estado da Nação. Mas, sejamos coerentes: nos últimos anos o Parlamento não tem, neste aspecto, sido mais do que um mero local de discussão, de muito debate aceso, mas de poucas conclusões. É que, onde o ruído é muito, o que se entende é pouco e é este o estado actual em que se encontra a Assembleia da República quando se fazem debates parlamentares...
Com este tipo de comunicações ao País, o Governo consegue chegar de forma mais esclarecedora e rigorosa aos portugueses, o que não invalida que a oposição possa ter o seu espaço para a livre crítica. No final, os portugueses farão o seu juízo... Resta saber quem é que tem medo da opinião daqueles que exercem o seu direito de voto!