Será que alguém ainda se lembra do que vinha escrito nos programas eleitorais do PS em 1995 e 1999 ou do PSD em 2002? Não creio... Vem isto a propósito do que muito se tem escrito sobre o conteúdo dos programas eleitorais que PSD e PS apresentaram recentemente. Convém lembrar que os ditos programas não passam de propósitos ambiciosos que, legitimamente, cada partido pensa poder vir a cumprir, caso a conjuntura socio-económica lhe seja favorável. Claro que há promessas que soam a puro populismo: a criação de 150 mil novos empregos proposta pelo PS (quantos serão destruídos?) ou a diminuição do peso do Estado de 48% para 40% do PIB ambicionada pelo PSD (à custa de quanto desemprego?)...
Mais do que discutir números interessa discutir a forma de estar na política dos principais intervenientes nesta campanha! E, se Santana Lopes pode ser considerado como intempestivo, pelo menos é alguém que não tem medo de lobbies, nem de propostas reformadoras. Já José Sócrates, dá a ideia de alguém que não tem força para combater o imobilismo, deixando transparecer falta de coragem e de ambição quando aparece em público.
A verdade é que nos últimos quatro meses, apesar de alguma confusão, Santana Lopes deixou a imagem de alguém que pretende enfrentar os lobbies instalados em muitos sectores da população portuguesa, pretendendo introduzir taxas diferenciadoras na saúde e educação, acabar com o sigilo bancário, reformar a Administração Pública e a Segurança Social, aumentar os impostos aos bancos, etc. Já Sócrates, rodeado do que resta do pior guterrismo, mais parece o "fantoche" de Vitorino, sem ideias novas, nem propostas que enfrentem o estado actual de coisas.
quinta-feira, janeiro 27, 2005
domingo, janeiro 23, 2005
A campanha começa a aquecer...
Quando, formalmente, ainda estamos em pré-campanha eleitoral, os debates entre alguns líderes partidários e a constante troca de acusações começam já a alertar a opinião pública para aquilo que nos espera ao longo das próximas semanas.
O tiro de partida começou logo com a completa falta de educação demonstrada por Louçã quando este afirmou que Portas devia estar calado sobre o referendo do aborto por este não saber o que é ser-se pai. Como é possível que um líder partidário consiga descer tão baixo e evidenciar tiques de totalitarismo exacerbado. Louçã ainda se há-de arrepender do que disse... Do lado do PCP a cassete continua e ora se atacam os "amigos" da esquerda bloquista e socialista, ora os alvos são o PSD e PP.
E o que dizer de Sócrates? Uma completa desilusão, na aplicação de uma estratégia de fuga ao debate de ideias e ao confronto de opiniões e na defesa de um programa eleitoral inócuo, sem propostas inovadoras que sejam diferentes das apresentadas pelo PSD. Enfim, Sócrates consegue ser pior do que o mais amorfo Guterres.
E Santana, o que tem mostrado? Sem dúvida, uma força e vontade enormes que o tão bem caracterizam, no sentido de chamar a atenção aos portugueses que urge "atacar" os interesses dos lobbies que são contra as reformas de que Portugal necessita, desde a reforma laboral e administrativa à concretização das mudanças em curso na saúde, na segurança social e no ambiente, entre outras áreas. Na actual conjuntura, só um partido reformador como o PSD e um homem sem medo como Santana Lopes podem fazer com que Portugal prossiga o caminho do desenvolvimento.
O tiro de partida começou logo com a completa falta de educação demonstrada por Louçã quando este afirmou que Portas devia estar calado sobre o referendo do aborto por este não saber o que é ser-se pai. Como é possível que um líder partidário consiga descer tão baixo e evidenciar tiques de totalitarismo exacerbado. Louçã ainda se há-de arrepender do que disse... Do lado do PCP a cassete continua e ora se atacam os "amigos" da esquerda bloquista e socialista, ora os alvos são o PSD e PP.
E o que dizer de Sócrates? Uma completa desilusão, na aplicação de uma estratégia de fuga ao debate de ideias e ao confronto de opiniões e na defesa de um programa eleitoral inócuo, sem propostas inovadoras que sejam diferentes das apresentadas pelo PSD. Enfim, Sócrates consegue ser pior do que o mais amorfo Guterres.
E Santana, o que tem mostrado? Sem dúvida, uma força e vontade enormes que o tão bem caracterizam, no sentido de chamar a atenção aos portugueses que urge "atacar" os interesses dos lobbies que são contra as reformas de que Portugal necessita, desde a reforma laboral e administrativa à concretização das mudanças em curso na saúde, na segurança social e no ambiente, entre outras áreas. Na actual conjuntura, só um partido reformador como o PSD e um homem sem medo como Santana Lopes podem fazer com que Portugal prossiga o caminho do desenvolvimento.
segunda-feira, janeiro 17, 2005
Sampaio com as orelhas a arder...
Desta vez, nem Sampaio foi poupado. Depois das criticas absurdas à visita de trabalho de Morais Sarmento a S. Tomé e Princípe, com o PS a analisar ao pormenor os gastos de deslocação e alojamento do Ministro, foi agora a vez de o Presidente da República levar um "puxão de orelhas" dos sindicatos têxteis pelo facto de na sua visita à China ter levado consigo alguns empresários portugueses que estão interessados em, e diga-se, de forma legítima, internacionalizarem os seus negócios.
Claro que numa economia aberta e global, é importante que as empresas nacionais consigam internacionalizar-se e expandir o seu negócio extra-fronteiras. Só que Sampaio esqueceu-se que convinha dar a ideia que a sua visìta à China devia também servir de incentivo a que multinacionais chinesas e outras do Sudeste Asiático investissem am Portugal, em vez de ter passado cinco dias a "suplicar" às autoridades chinesas para terem pena do nosso País e não inundarem o mercado português de produtos baratos.
Sampaio tem o hábito de publicar uns livros sobre as suas Presidências Abertas. Seria bom que Sampaio também tivesse a preocupação de informar os portugueses sobre as mais-valias das suas viagens de Estado ao estrangeiro. É que não chega vermos o Presidente dançar com umas chinesinhas ou emocionar-se ao ouvir um poema lusitano, quando os empresários apenas estão interessados em aumentarem os seus lucros.
Quem semeia ventos arrisca-se a ter que se confrontar com tempestades. Desta vez, foi Sampaio quem se disponibilizou ao ridiculo.
Claro que numa economia aberta e global, é importante que as empresas nacionais consigam internacionalizar-se e expandir o seu negócio extra-fronteiras. Só que Sampaio esqueceu-se que convinha dar a ideia que a sua visìta à China devia também servir de incentivo a que multinacionais chinesas e outras do Sudeste Asiático investissem am Portugal, em vez de ter passado cinco dias a "suplicar" às autoridades chinesas para terem pena do nosso País e não inundarem o mercado português de produtos baratos.
Sampaio tem o hábito de publicar uns livros sobre as suas Presidências Abertas. Seria bom que Sampaio também tivesse a preocupação de informar os portugueses sobre as mais-valias das suas viagens de Estado ao estrangeiro. É que não chega vermos o Presidente dançar com umas chinesinhas ou emocionar-se ao ouvir um poema lusitano, quando os empresários apenas estão interessados em aumentarem os seus lucros.
Quem semeia ventos arrisca-se a ter que se confrontar com tempestades. Desta vez, foi Sampaio quem se disponibilizou ao ridiculo.
quinta-feira, janeiro 13, 2005
De que novas propostas fala Sócrates?
O candidato do PS a Primeiro-Ministro faz-me lembrar Guterres no que este tinha de pior: o falar muito para fazer pouco. Desde que Sócrates entrou em campanha eleitoral que ainda não ouvimos da sua parte nenhuma ideia séria e concreta que seja contrária às protagonizadas por Santana Lopes. Até agora só banalidades: fomentar o crescimento económico, criar emprego, reforçar a educação, etc, etc, etc... De concreto nada de novo. Nem uma única ideia que se possa levar a sério...
Imagine-se que, agora, o líder socialista até já vem dizer que caso venha a governar Portugal irá manter a isenção dos beneficíos fiscais concretizada pela coligação PSD-PP e que havia servido de justificação para o PS votar contra o Orçamento de Estado. A confusão é total no PS.
A ânsia de poder é tanta que o que Sócrates gostava mesmo era que não houvesse lugar a campanha eleitoral e que os portugueses fossem chamados a votar o mais depressa possível para não ter que ir a debates e ser confrontado com perguntas às quais tem que responder sem o auxílio do teleponto.
Sócrates viveu durante muitos anos na cidade donde sou natural, a Covilhã, e o que por lá se diz dele não o favorece muito. Conta-se que na escola não era dado a grandes notas e que durante os testes gostava de cabular. Não sei se é verdade ou não, mas que quanto a poder de oratória não é lá muito dotado, parece-me evidente.
Estou para ver se Sócrates continuará na estratégia do "foge, foge" ou se, de uma vez por todas, consegue enfrentar o seu principal adversário político, o temível Santana Lopes, sem telepontos, nem cábulas de ocasião. Que venham os debates...
Imagine-se que, agora, o líder socialista até já vem dizer que caso venha a governar Portugal irá manter a isenção dos beneficíos fiscais concretizada pela coligação PSD-PP e que havia servido de justificação para o PS votar contra o Orçamento de Estado. A confusão é total no PS.
A ânsia de poder é tanta que o que Sócrates gostava mesmo era que não houvesse lugar a campanha eleitoral e que os portugueses fossem chamados a votar o mais depressa possível para não ter que ir a debates e ser confrontado com perguntas às quais tem que responder sem o auxílio do teleponto.
Sócrates viveu durante muitos anos na cidade donde sou natural, a Covilhã, e o que por lá se diz dele não o favorece muito. Conta-se que na escola não era dado a grandes notas e que durante os testes gostava de cabular. Não sei se é verdade ou não, mas que quanto a poder de oratória não é lá muito dotado, parece-me evidente.
Estou para ver se Sócrates continuará na estratégia do "foge, foge" ou se, de uma vez por todas, consegue enfrentar o seu principal adversário político, o temível Santana Lopes, sem telepontos, nem cábulas de ocasião. Que venham os debates...
segunda-feira, janeiro 10, 2005
A contra-informação continua...
A pouco mais de um mês para a realização das eleições legislativas e depois do bombardeamento de reportagens sobre a catástrofe natural que assolou o Índico, os jornalistas portuguesas voltam a insistir na "novela" do caso Casa Pia e na procura de pseudo-escândalos que envolvam membros do actual Governo, no sentido de não reduzir as audiências televisivas e as vendas de jornais.
Agora voltamos a ver as capas dos nossos jornais e as aberturas dos noticiários televisivos inundados de reportagens sobre o que disse Silvino e restantes arguidos do caso de pedofilia, ao mesmo tempo que uma viagem de trabalho a São Tomé e Príncipe do Ministro da Presidência é apelidada de mini-férias pelos partidos da oposição.
Quando as ideias da oposição não abundam, restam-lhes a maledicência e o abuso de confiança, no sentido de confundir o eleitorado e fugir às principais questões que actualmente se colocam à governação de Portugal: Como se pode diminuir o défice orçamental? O que fazer com as SCUT`s? Quais as propostas para a reforma da Administração Pública? Quais as mudanças a aplicar ao nível da educação e da saúde?
Entretanto, Sócrates continua a preferir não abrir o jogo sobre hipotéticas coligações e só fala em maioria absoluta. Aguardemos por dias melhores...
Agora voltamos a ver as capas dos nossos jornais e as aberturas dos noticiários televisivos inundados de reportagens sobre o que disse Silvino e restantes arguidos do caso de pedofilia, ao mesmo tempo que uma viagem de trabalho a São Tomé e Príncipe do Ministro da Presidência é apelidada de mini-férias pelos partidos da oposição.
Quando as ideias da oposição não abundam, restam-lhes a maledicência e o abuso de confiança, no sentido de confundir o eleitorado e fugir às principais questões que actualmente se colocam à governação de Portugal: Como se pode diminuir o défice orçamental? O que fazer com as SCUT`s? Quais as propostas para a reforma da Administração Pública? Quais as mudanças a aplicar ao nível da educação e da saúde?
Entretanto, Sócrates continua a preferir não abrir o jogo sobre hipotéticas coligações e só fala em maioria absoluta. Aguardemos por dias melhores...
quinta-feira, janeiro 06, 2005
Deputados de onde?
Este novo ano não começou nada bem a nível internacional, com a catástrofe natural que assolou alguns países do Índico, ao mesmo tempo que continuam os atentados em solo iraquiano e muitas outras misérias escondidas se multiplicam por esse mundo fora.
Entretanto, aqui, por este Portugal meio adormecido, muito se tem falado das listas de candidatos a deputados que os principais partidos vão levar às próximas eleições. A confusão deve estar instalada na cabeça de muitos portugueses: afinal, as senhoras e senhores que representam o povo na Assembeia da República são deputados da Nação ou do distrito? É que se uns acusam os partidos de colocarem nas listas os chamados "paráquedistas" que nada têm que ver com os distritos pelos quais vão a votos, há outros que, e muito bem na minha opinião, lembram que em legislativas vota-se, quer se queira, quer não, num partido candidato a governar Portugal.
O que faz falta a Portugal é uma efectiva e completa reforma do sistema político, pois, nem a divisão distrital do País tem lógica na actual configuração regional de Portugal, nem sequer o acto eleitoral das legislativas se enquadra, de facto, num voto em deputados que, na maior parte das vezes, são desconhecidos da opinião pública.
Que venha a discussão sobre os programas eleitorais e as propostas de cada partido, que, afinal, é o que interessa neste momento...
Entretanto, aqui, por este Portugal meio adormecido, muito se tem falado das listas de candidatos a deputados que os principais partidos vão levar às próximas eleições. A confusão deve estar instalada na cabeça de muitos portugueses: afinal, as senhoras e senhores que representam o povo na Assembeia da República são deputados da Nação ou do distrito? É que se uns acusam os partidos de colocarem nas listas os chamados "paráquedistas" que nada têm que ver com os distritos pelos quais vão a votos, há outros que, e muito bem na minha opinião, lembram que em legislativas vota-se, quer se queira, quer não, num partido candidato a governar Portugal.
O que faz falta a Portugal é uma efectiva e completa reforma do sistema político, pois, nem a divisão distrital do País tem lógica na actual configuração regional de Portugal, nem sequer o acto eleitoral das legislativas se enquadra, de facto, num voto em deputados que, na maior parte das vezes, são desconhecidos da opinião pública.
Que venha a discussão sobre os programas eleitorais e as propostas de cada partido, que, afinal, é o que interessa neste momento...
quarta-feira, dezembro 29, 2004
O tempo que voa...
Aproxima-se um novo ano e, como noutros, é usual fazer-se uma análise retrospectiva e o balanço daquilo que dominou (ou não) o ano que agora nos diz adeus. Poderia aqui discorrer ao longo de várias linhas acontecimentos positivos e negativos que marcaram o ano aos níveis político, económico, cultural, desportivo e outros, de âmbito nacional e internacional.
No entanto, cada vez mais me convenço que, mais importante do que analisarmos aspectos gerais e que pouco ou nada influenciámos, é bom que cada um faça um exame de consciência daquilo que fez de melhor, mas, sobretudo de menos positivo, durante o ano que finda, no sentido de que, em 2005, o sorriso seja o gesto mais comum entre cada um de nós. Saúde, amor e trabalho são as pedras basilares que devem reger cada dia que começa.
Por mim, que tenho tido cada vez menos tempo para vir à blogosfera (a frequência num curso de mestrado, o trabalho na escola e a companhia devida à minha família, assim me obrigam) resta-me desejar um feliz 2005 para todos aqueles que aqui costumam vir...
No entanto, cada vez mais me convenço que, mais importante do que analisarmos aspectos gerais e que pouco ou nada influenciámos, é bom que cada um faça um exame de consciência daquilo que fez de melhor, mas, sobretudo de menos positivo, durante o ano que finda, no sentido de que, em 2005, o sorriso seja o gesto mais comum entre cada um de nós. Saúde, amor e trabalho são as pedras basilares que devem reger cada dia que começa.
Por mim, que tenho tido cada vez menos tempo para vir à blogosfera (a frequência num curso de mestrado, o trabalho na escola e a companhia devida à minha família, assim me obrigam) resta-me desejar um feliz 2005 para todos aqueles que aqui costumam vir...
quinta-feira, dezembro 23, 2004
O Natal, os laicos e os ateus...
Nesta altura do ano, faz-me alguma confusão que, aqueles que se dizem não religiosos ou descrentes da existência de um qualquer Deus, comemorem o 25 de Dezembro como se assistisse à "apropriação" de uma tradição que, na verdade, não lhes diz muito... É o mesmo que vermos um monárquico comemorar a Implantação da República ou assistirmos à comemoração pelos espanhóis do 1º de Dezembro. Enfim, uma série de contradições!
Muitos daqueles que se orgulham de não acreditarem num qualquer ser superior ao Homem, criticando a opção dos católicos, chegam a esta época do ano com o habitual discurso de que o Natal é uma festa com tradições pagãs, esquecendo-se que, na realidade, o Natal surge no tempo do Papa Júlio I (séc. IV) como uma oportunidade para cristianizar uma festa que, de facto, era pagã e que, assim, o deixou de ser. Por outro lado, é costume ouvirmos os ateus criticarem as tradições ditas materialistas do Natal, como o presépio, a árvore ou as trocas de prendas. Esquecem-se que na maioria das famílias católicas, estes costumes têm como objectivo unir as famílias e alegrar os mais novos.
Contradição é, sim, vermos ateus, laicos e agnósticos aproveitarem-se do Natal para cumprirem esta tradição católica e depois virem criticar os católicos. O mesmo se poderia dizer quando aqueles que são ateus aproveitam os feriados religiosos para não trabalharem. Isso sim é contraditório...
Mas, enfim, há que compreender o comportamento daqueles que criticam o Natal e o, sem se darem conta, o festejam. Ao menos que durante um dia ao longo do ano, a Luz entre na consciência daqueles que vivem com um deus que é só deles...
Para todos os leitores deste blogue, sobretudo para aqueles que são mais descrentes, um Feliz Natal.
Muitos daqueles que se orgulham de não acreditarem num qualquer ser superior ao Homem, criticando a opção dos católicos, chegam a esta época do ano com o habitual discurso de que o Natal é uma festa com tradições pagãs, esquecendo-se que, na realidade, o Natal surge no tempo do Papa Júlio I (séc. IV) como uma oportunidade para cristianizar uma festa que, de facto, era pagã e que, assim, o deixou de ser. Por outro lado, é costume ouvirmos os ateus criticarem as tradições ditas materialistas do Natal, como o presépio, a árvore ou as trocas de prendas. Esquecem-se que na maioria das famílias católicas, estes costumes têm como objectivo unir as famílias e alegrar os mais novos.
Contradição é, sim, vermos ateus, laicos e agnósticos aproveitarem-se do Natal para cumprirem esta tradição católica e depois virem criticar os católicos. O mesmo se poderia dizer quando aqueles que são ateus aproveitam os feriados religiosos para não trabalharem. Isso sim é contraditório...
Mas, enfim, há que compreender o comportamento daqueles que criticam o Natal e o, sem se darem conta, o festejam. Ao menos que durante um dia ao longo do ano, a Luz entre na consciência daqueles que vivem com um deus que é só deles...
Para todos os leitores deste blogue, sobretudo para aqueles que são mais descrentes, um Feliz Natal.
domingo, dezembro 19, 2004
O problema de Sócrates...
Aos poucos o eleitorado português começa a aperceber-se no que pode resultar uma vitória do PS nas próximas legislativas. Por enquanto, Sócrates ainda vai fugindo à questão que o atormenta: caso ganhe as eleições sem maioria absoluta haverá coligação do PS com os restantes partidos de esquerda?
PCP e BE já vieram a público oferecer-se para apoiarem um hipotético Governo de Sócrates. Ora, utilizando a lógica dos socialistas poder-se-á afirmar que quem quiser um Governo de esquerda, com PS, PCP e BE juntos, que apoie Sócrates, ao passo que quem quiser a continuação de Santana e Portas à frente dos destinos de Portugal que vote no PSD.
Seria um absurdo e um retrocesso civilizacional termos partidos radicais como o PCP e o BE, que pouco evoluíram no tempo, no Governo de um País que faz parte da UE. Penso que Sócrates, por muito que tente fugir à questão, começa a dar-se conta que não irá conseguir estar dois meses com o discurso-cassete do pedido de maioria absoluta. Santana, pelo menos, foi coerente e directo: o PSD não foge a uma possível coligação governamental com o PP e o mais importante é ter mais votos que o PS...
As verdades começam a descobrir-se e na hora dos debates televisivos as fragilidades e contradições de Sócrates virão ao de cima...
PCP e BE já vieram a público oferecer-se para apoiarem um hipotético Governo de Sócrates. Ora, utilizando a lógica dos socialistas poder-se-á afirmar que quem quiser um Governo de esquerda, com PS, PCP e BE juntos, que apoie Sócrates, ao passo que quem quiser a continuação de Santana e Portas à frente dos destinos de Portugal que vote no PSD.
Seria um absurdo e um retrocesso civilizacional termos partidos radicais como o PCP e o BE, que pouco evoluíram no tempo, no Governo de um País que faz parte da UE. Penso que Sócrates, por muito que tente fugir à questão, começa a dar-se conta que não irá conseguir estar dois meses com o discurso-cassete do pedido de maioria absoluta. Santana, pelo menos, foi coerente e directo: o PSD não foge a uma possível coligação governamental com o PP e o mais importante é ter mais votos que o PS...
As verdades começam a descobrir-se e na hora dos debates televisivos as fragilidades e contradições de Sócrates virão ao de cima...
quarta-feira, dezembro 15, 2004
O caminho mais coerente e acertado...
Qualquer que fosse a solução encontrada por PSD e PP quanto à forma como iriam concorrer às próximas eleições antecipadas, era mais que certo que a esquerda viria criticar. Foi o que aconteceu...
Penso que o facto dos dois partidos da coligação irem separados às eleições constitui um acto de coerência e de transparência. Aliás, sempre defendi que o PSD devia ir a votos sozinho... Tal como há dois anos e meio, quando PSD e PP concorreram com listas próprias e só, à posteriori, se coligaram, parece-me óbvio que agora o mesmo teria que ocorrer, sobretudo para tornar claro o peso de cada partido numa hipotética coligação governamental.
Aliás, a decisão tomada por ambos os partidos vai mais além: nenhum dos dois partidos poderá viabilizar um governo minoritário de esquerda. Mais clarividência do que esta opção, parece-me difícil...
Quanto à postura dos partidos da esquerda, nenhuma novidade. O PS desespera pela maioria absoluta e faz um discurso monocórdico. O PCP implora pela não discriminação dos seus parceiros de esquerda. O BE, personalizado na figura de Louçã, pisca o olho aos socialistas. Ou seja, no centro-direita, joga-se claro e limpo. Na esquerda, muito barulho e pouca seriedade.
A campanha segue dentro de momentos. Santana e Portas têm um caminho duro, mas as vitórias sofridas são as mais saborosas...
Penso que o facto dos dois partidos da coligação irem separados às eleições constitui um acto de coerência e de transparência. Aliás, sempre defendi que o PSD devia ir a votos sozinho... Tal como há dois anos e meio, quando PSD e PP concorreram com listas próprias e só, à posteriori, se coligaram, parece-me óbvio que agora o mesmo teria que ocorrer, sobretudo para tornar claro o peso de cada partido numa hipotética coligação governamental.
Aliás, a decisão tomada por ambos os partidos vai mais além: nenhum dos dois partidos poderá viabilizar um governo minoritário de esquerda. Mais clarividência do que esta opção, parece-me difícil...
Quanto à postura dos partidos da esquerda, nenhuma novidade. O PS desespera pela maioria absoluta e faz um discurso monocórdico. O PCP implora pela não discriminação dos seus parceiros de esquerda. O BE, personalizado na figura de Louçã, pisca o olho aos socialistas. Ou seja, no centro-direita, joga-se claro e limpo. Na esquerda, muito barulho e pouca seriedade.
A campanha segue dentro de momentos. Santana e Portas têm um caminho duro, mas as vitórias sofridas são as mais saborosas...
sábado, dezembro 11, 2004
E ao décimo dia disse... nada!
Sampaio vai de mal a pior. Será o excesso de trabalho, um sintoma de cansaço ou simplesmente a incapacidade de se revelar imparcial na tomada de decisões? Depois de ao longo dos últimos oito anos, Sampaio ter-se esforçado por dar uma imagem de alguém que estava acima dos partidos e que preservava a estabilidade e o respeito pelas instituições democráticas, eis que em apenas duas semanas Sampaio estraga a "pintura" toda e "copia" Soares no que este tinha de pior.
O discurso de Sampaio na divulgação das justificações que o levaram a dissolver a Assembleia da República é de uma falta de coerência e de conteúdo completamente surpreendentes, agravadas pela espera de dez dias a que sujeitou o povo português. Para quê? Para vir falar em supostos "incidentes, declarações, contradições e descoordenações que (na opinião sujectiva de Sampaio) contribuíram para o desprestígio do Governo, dos seus membros e das instituições"? Ora, qual a razão que leva o PR a não mencionar tais acidentes? E, qual o Governo que não tem de enfrentar acidentes de percurso? Não se lembrará Sampaio dos problemas que Guterres teve com Manuela Arcanjo, Armando Vara ou Pina Moura, para não falar em mais casos? Mas, mesmo assim, se tais acidentes fossem de um alcance gravíssimo, então, em nome da coerência, teria que demitir o Governo e não dissolver um Parlamento estável e credível...
A isto tudo, há a gravidade de Sampaio ter feito um discurso de pura propaganda eleitoral, apelando de forma indirecta ao voto noutros partidos que não os da coligação. Haverá maneira mais clara de Sampaio apelar ao voto no PS?
Enfim, Sampaio deu uma "cambalhota"de 180º na sua maneira de estar na política, o que o transforma numa "cópia", para pior, de Soares. É o que dá termos socialistas na Presidência da República que não conseguem despir a camisola do partido no exercício das suas funções.
Resta dizer que, caso não saia das eleições nenhum Governo com maioria absoluta, Sampaio só terá que deixar vago mais cedo o cargo que ocupa, em nome da coerência e da verdade... Será ele capaz disso???
O discurso de Sampaio na divulgação das justificações que o levaram a dissolver a Assembleia da República é de uma falta de coerência e de conteúdo completamente surpreendentes, agravadas pela espera de dez dias a que sujeitou o povo português. Para quê? Para vir falar em supostos "incidentes, declarações, contradições e descoordenações que (na opinião sujectiva de Sampaio) contribuíram para o desprestígio do Governo, dos seus membros e das instituições"? Ora, qual a razão que leva o PR a não mencionar tais acidentes? E, qual o Governo que não tem de enfrentar acidentes de percurso? Não se lembrará Sampaio dos problemas que Guterres teve com Manuela Arcanjo, Armando Vara ou Pina Moura, para não falar em mais casos? Mas, mesmo assim, se tais acidentes fossem de um alcance gravíssimo, então, em nome da coerência, teria que demitir o Governo e não dissolver um Parlamento estável e credível...
A isto tudo, há a gravidade de Sampaio ter feito um discurso de pura propaganda eleitoral, apelando de forma indirecta ao voto noutros partidos que não os da coligação. Haverá maneira mais clara de Sampaio apelar ao voto no PS?
Enfim, Sampaio deu uma "cambalhota"de 180º na sua maneira de estar na política, o que o transforma numa "cópia", para pior, de Soares. É o que dá termos socialistas na Presidência da República que não conseguem despir a camisola do partido no exercício das suas funções.
Resta dizer que, caso não saia das eleições nenhum Governo com maioria absoluta, Sampaio só terá que deixar vago mais cedo o cargo que ocupa, em nome da coerência e da verdade... Será ele capaz disso???
terça-feira, dezembro 07, 2004
Sampaio em versão soarista...
No dia em que Mário Soares comemora os seus oitenta anos, Sampaio resolveu dar, mais uma vez, mostras que está apostado em terminar o seu mandato de Presidente da República numa versão ostensiva e de ataque pessoal aos partidos de direita que (ainda) estão no Governo. Imitando o seu antecessor no que este tinha de pior, Sampaio mostra-se cada vez menos coerente com a imagem que deu ao longo de todo a seu primeiro mandato e parte do actual, resvalando, agora, para uma ostensiva parcialidade ao fazer o claro favor ao seu partido de antecipar as eleições legislativas.
Devem-se contar pelos dedos de uma mão (ou nem tanto) as situações que por esse mundo democrático fora, um parlamento com maioria absoluta é dissolvido, sem que nada de anormal tenha ocorrido entretanto, ainda para mais quando, com apenas quatro meses de legislatura, o Governo de Santana Lopes estava a imprimir uma verdadeira acção reformadora, que não agradava aos grandes poderes económicos instalados.
Sampaio aproveitou o dia de hoje para mandar uma série de recados ao Governo, chegando a prestar opiniões pessoais de discordância relativamente a muitas matérias que este Governo pretendia legislar. Ora, Sampaio deveria-o fazer no acto de promulgar ou não as leis provenientes do Governo e não no momento actual, quando se está já em plena campanha eleitoral. É que, se Santana é Primeiro-Ministro, mas também Presidente do PSD, Sampaio exerce a tempo inteiro o seu cargo de PR.
Cada vez mais me convenço que Sampaio tinha a lição muito bem estudada desde há quatro meses a esta parte, mas, pode ser que o tiro lhe saia pela culatra e tenha que "engolir", novamente, com Santana Lopes. A ver vamos...
Devem-se contar pelos dedos de uma mão (ou nem tanto) as situações que por esse mundo democrático fora, um parlamento com maioria absoluta é dissolvido, sem que nada de anormal tenha ocorrido entretanto, ainda para mais quando, com apenas quatro meses de legislatura, o Governo de Santana Lopes estava a imprimir uma verdadeira acção reformadora, que não agradava aos grandes poderes económicos instalados.
Sampaio aproveitou o dia de hoje para mandar uma série de recados ao Governo, chegando a prestar opiniões pessoais de discordância relativamente a muitas matérias que este Governo pretendia legislar. Ora, Sampaio deveria-o fazer no acto de promulgar ou não as leis provenientes do Governo e não no momento actual, quando se está já em plena campanha eleitoral. É que, se Santana é Primeiro-Ministro, mas também Presidente do PSD, Sampaio exerce a tempo inteiro o seu cargo de PR.
Cada vez mais me convenço que Sampaio tinha a lição muito bem estudada desde há quatro meses a esta parte, mas, pode ser que o tiro lhe saia pela culatra e tenha que "engolir", novamente, com Santana Lopes. A ver vamos...
terça-feira, novembro 30, 2004
Lá vamos para eleições. Sem medo...
Jorge Sampaio, depois de ter passado quatro meses numa situação de mal-estar e isolamento político, atacado pelos partidos de esquerda e desgastado pela generalidade da imprensa, resolveu dar o "braço" a torcer e convocar eleições antecipadas. O mais grave é que o poderia ter feito há quatro meses atrás ou aquando da apresentação do Orçamento de Estado. Não o fez nessas alturas... Decidiu-se agora por esta decisão depois de um Ministro sem qualquer força política (porventura seria dos menos conhecidos pela opinião pública) ter saído do Governo pelo próprio pé e zangado com o seu "amigo" Santana Lopes, imbuído num estado de raiva e ódio.
Jorge Sampaio sai desta situação de forma comprometida e dando a imagem de falta de coerência. A mais que provável ingovernabilidade dos próximos meses será, em primeira instância, responsabilidade sua. Claro que PS, PCP e BE batem as palmas, sonhando com a possibilidade de entrarem numa possível esfera governativa de esquerda.
Quanto ao PSD e PP, nos próximos dias terá que ser esclarecida a forma como cada partido se apresentará a eleições. Em caso de concorrerem separados (esperemos que sim), o PP terá a vida dificultada, enquanto o PSD se poderá "soltar" das amarras da coligação e tentar convencer os portugueses que só com uma política de centro-direito é que Portugal poderá continuar o rumo certo de abandono dos tempos difíceis que, recorde-se, começaram nos tempos da governação de Guterres.
Santana Lopes terá apenas que se confrontar com um problema (por sinal, bem grave): o partido está dividido, com alguns (poucos, mas ruidosos) ilustres militantes do PSD contra a liderança do próprio partido e a generalidade dos militantes de base unidos em torno do seu líder. Creio que o PSD saberá, em tempo de dificuldades, unir-se e enfrentar as próximas eleições confiante e sem medo...
Jorge Sampaio sai desta situação de forma comprometida e dando a imagem de falta de coerência. A mais que provável ingovernabilidade dos próximos meses será, em primeira instância, responsabilidade sua. Claro que PS, PCP e BE batem as palmas, sonhando com a possibilidade de entrarem numa possível esfera governativa de esquerda.
Quanto ao PSD e PP, nos próximos dias terá que ser esclarecida a forma como cada partido se apresentará a eleições. Em caso de concorrerem separados (esperemos que sim), o PP terá a vida dificultada, enquanto o PSD se poderá "soltar" das amarras da coligação e tentar convencer os portugueses que só com uma política de centro-direito é que Portugal poderá continuar o rumo certo de abandono dos tempos difíceis que, recorde-se, começaram nos tempos da governação de Guterres.
Santana Lopes terá apenas que se confrontar com um problema (por sinal, bem grave): o partido está dividido, com alguns (poucos, mas ruidosos) ilustres militantes do PSD contra a liderança do próprio partido e a generalidade dos militantes de base unidos em torno do seu líder. Creio que o PSD saberá, em tempo de dificuldades, unir-se e enfrentar as próximas eleições confiante e sem medo...
sábado, novembro 27, 2004
O sonho de Cunhal...
Quando o ideal comunista não passa de mera utopia, a concretização de pequenos sonhos pode ser sinónimo de grandes conquistas. É com este estado de espírito que os comunistas assistem à passagem de testemunho entre Carvalhas e Jerónimo de Sousa. A partir de hoje, Álvaro Cunhal pode, finalmente, sentir-se como um homem medianamente feliz por um elemento do operariado fabril ter alcançado o lugar cimeiro do partido comunista mais ortodoxo da Europa.
Com a escolha "cirúrgica" de Jerónimo de Sousa, certamente orientada pelo próprio Cunhal, o PCP atinge o seu auge, o que sendo motivo de orgulho para o próprio partido, não deve deixar de preocupar os militantes e simpatizantes comunistas. É que, depois do sonho vem o acordar para a realidade com que o PCP se irá deparar. E esta será bem negra: o sonho transformar-se-á em pesadelo...
Claro que a maioria dos comunistas rejubilam de euforia por verem (formalmente) um elemento do proletariado na liderança do seu partido. Mas, o mais certo é que à medida que aumente a ortodoxia radical comunista, diminuirão os votos nas urnas e o PCP caminhará para o seu gradual definhamento. Socialistas e bloquistas devem estar contentes com a tomada de opção comunista, sendo que cada vez fica mais claro que só o desaparecimento de Álvaro Cunhal poderá "salvar" o PCP da morte certa.
Ironia dos tempos: aquele que fez do PCP, em tempos, um partido de razoável implantação em Portugal actua agora como principal responsável pela sua regressão...
Com a escolha "cirúrgica" de Jerónimo de Sousa, certamente orientada pelo próprio Cunhal, o PCP atinge o seu auge, o que sendo motivo de orgulho para o próprio partido, não deve deixar de preocupar os militantes e simpatizantes comunistas. É que, depois do sonho vem o acordar para a realidade com que o PCP se irá deparar. E esta será bem negra: o sonho transformar-se-á em pesadelo...
Claro que a maioria dos comunistas rejubilam de euforia por verem (formalmente) um elemento do proletariado na liderança do seu partido. Mas, o mais certo é que à medida que aumente a ortodoxia radical comunista, diminuirão os votos nas urnas e o PCP caminhará para o seu gradual definhamento. Socialistas e bloquistas devem estar contentes com a tomada de opção comunista, sendo que cada vez fica mais claro que só o desaparecimento de Álvaro Cunhal poderá "salvar" o PCP da morte certa.
Ironia dos tempos: aquele que fez do PCP, em tempos, um partido de razoável implantação em Portugal actua agora como principal responsável pela sua regressão...
quarta-feira, novembro 24, 2004
Quem tem medo que se cuide...
Com a entrevista de Santana Lopes concedida ontem à RTP1 ficou mais clarificada a posição do PSD em relação à postura do partido nas próximas eleições legislativas, isto, claro, se Sampaio não resolver contradizer-se a si mesmo e dissolver o Parlamento.
Todos aqueles que têm profetizado a depedência do PSD em relação ao PP viram as suas premonições viradas do avesso. O PSD não tem medo de ir sozinho às próximas eleições de 2006 e é mais do que lógico que assim seja. Quem parece ter medo é o PS que, como se sabe, só teria a ganhar com uma coligação pré-eleitoral.
Convém lembrar que a actual conjuntura de coligação teve, desde o seu início, uma base temporal de quatro anos e não é pelo facto de a mesma expirar no dia anterior às eleições que o Governo não tem condições para exercer o seu mandato até ao fim. Uma coisa é o Governo. Outra, bem diferente, é toda a lógica de combate político-partidário.
Claro que todos aqueles que anseiam pela destituição de Santana Lopes têm agora que apostar na procura de quezílias entre Santana e Portas, a fim de que a coligação começe a definhar. É o que faz pensar mais nos ódios pessoais de que na estabilidade e governabilidade do País.
Todos aqueles que têm profetizado a depedência do PSD em relação ao PP viram as suas premonições viradas do avesso. O PSD não tem medo de ir sozinho às próximas eleições de 2006 e é mais do que lógico que assim seja. Quem parece ter medo é o PS que, como se sabe, só teria a ganhar com uma coligação pré-eleitoral.
Convém lembrar que a actual conjuntura de coligação teve, desde o seu início, uma base temporal de quatro anos e não é pelo facto de a mesma expirar no dia anterior às eleições que o Governo não tem condições para exercer o seu mandato até ao fim. Uma coisa é o Governo. Outra, bem diferente, é toda a lógica de combate político-partidário.
Claro que todos aqueles que anseiam pela destituição de Santana Lopes têm agora que apostar na procura de quezílias entre Santana e Portas, a fim de que a coligação começe a definhar. É o que faz pensar mais nos ódios pessoais de que na estabilidade e governabilidade do País.
domingo, novembro 21, 2004
O que fazer com a actual lei do aborto...
Cada vez que alguma mulher é chamada a tribunal para ser julgada pelo crime de aborto ilegal, os grupos cívicos que são a favor e os que são contra a despenalização do aborto "digladiam-se" entre si à procura do maior protagonismo possível. Convenhamos que neste combate sem nexo os grupos favoráveis à despenalização e/ou liberalização do aborto têm tido maior visibilidade, muito à custa da realização de marchas e manifestações apoiadas pelos partidos de esquerda.
Agora surge a notícia (não sei se verdadeira ou não) de que o PSD está a ponderar apoiar a ideia do PCP de suspender todas as investigações e julgamentos pela interrupção ilegal da gravidez. Ora, neste particular tenho que estar de acordo com o líder do PP, Paulo Portas: ou as leis existem para se cumprir, ou se não servem para nada há que mandá-las para o lixo... Agora, suspender uma lei em vigor não me parece ter sentido algum, nem tão pouco ser constitucional.
Quanto à lei em si, já aqui exprimi a minha opinião sobre a mesma: não sendo a ideal, poder-se-á melhorar, tendo sempre em linha de conta que o objectivo da mesma é defender a vida de seres humanos indefesos. Mais do que condenar uma mulher a pena efectiva de prisão (e convém não esquecer que não conheço nenhum caso onde tal tenha ocorrido, embora, em alguns determinados casos algumas mulheres o merecessem) a lei terá que ser vista como uma espécie de indicação à sociedade de que cometer um aborto não pode ser um acto alvo de branqueamento. E, convém lembrar: há casos e casos... Tenho para mim a opinião clara de que a lei deve incorporar uma pena de índole social para a maior parte dos casos (mas, de pena de prisão para os mais gravosos e obscenos, porque os há) que evidencie a ideia de que cometer um aborto sem causa aceitável é um acto que não pode passar ao lado dos valores e princípios de uma sociedade que se quer democrática e desenvolvida.
Mas, mais do que suspender a actual lei, importa não esquecer que qualquer alteração à actual lei do aborto só se pode efectivar com a realização de um novo referendo.
Agora surge a notícia (não sei se verdadeira ou não) de que o PSD está a ponderar apoiar a ideia do PCP de suspender todas as investigações e julgamentos pela interrupção ilegal da gravidez. Ora, neste particular tenho que estar de acordo com o líder do PP, Paulo Portas: ou as leis existem para se cumprir, ou se não servem para nada há que mandá-las para o lixo... Agora, suspender uma lei em vigor não me parece ter sentido algum, nem tão pouco ser constitucional.
Quanto à lei em si, já aqui exprimi a minha opinião sobre a mesma: não sendo a ideal, poder-se-á melhorar, tendo sempre em linha de conta que o objectivo da mesma é defender a vida de seres humanos indefesos. Mais do que condenar uma mulher a pena efectiva de prisão (e convém não esquecer que não conheço nenhum caso onde tal tenha ocorrido, embora, em alguns determinados casos algumas mulheres o merecessem) a lei terá que ser vista como uma espécie de indicação à sociedade de que cometer um aborto não pode ser um acto alvo de branqueamento. E, convém lembrar: há casos e casos... Tenho para mim a opinião clara de que a lei deve incorporar uma pena de índole social para a maior parte dos casos (mas, de pena de prisão para os mais gravosos e obscenos, porque os há) que evidencie a ideia de que cometer um aborto sem causa aceitável é um acto que não pode passar ao lado dos valores e princípios de uma sociedade que se quer democrática e desenvolvida.
Mas, mais do que suspender a actual lei, importa não esquecer que qualquer alteração à actual lei do aborto só se pode efectivar com a realização de um novo referendo.
terça-feira, novembro 16, 2004
Irá acontecer a Santana o mesmo que a Bush?
Este fim de semana, as bases do PSD puderam, finalmente, desabafar e deitar cá para fora o que lhes vai na alma. Muito se falou da forma de estar do PSD (ou da falta dela) na coligação e da pertinência de haver (ou não) uma coligação pré-eleitoral nas próximas eleições legislativas de 2006, isto, caso não sejam antecipadas por uma qualquer razão inesperada.
Penso que Santana está "refém" dos militantes de base do partido e, por muito que tente levar os sociais-democratas a colocar a hipótese de o PSD encabeçar uma plataforma de partidos de centro-direita (mas, quais para além do PSD e PP?) e de organizações sociais e económicas de cariz privado, parece-me que o rumo a seguir será o de tudo fazer para evitar o esticar da corda da coligação e colocar os interesses do País à frente dos de índole partidária.
Esta coligação tem, para bem da necessária estabilidade política, económica e social do País, que sobreviver a todos os ataques externos que se lhe coloquem, pelo que apenas no início de 2006 se deve decidir sobre o que fazer com esta coligação, que, não nos esqueçamos, foi formada após as eleições de 2002.
Sou da opinião que PSD e PP devem concorrer sozinhos às próximas legislativas e, só depois do apuramento dos resultados finais se deve colocar a hipótese de se retomar a coligação que, aquando da sua formação original, teve como limite temporal os quatro anos da legislatura.
Entretanto, cada vez mais me convenço que Santana poderá muito bem ter o mesmo futuro que Bush. Apesar da grande generalidade dos comentadores políticos e dos editoriais da imprensa portuguesa serem hostis ao actual chefe do Governo (tal como aconteceu com Bush), não me admiro nada que Santana consiga, contra tudo e todos, vencer as próximas eleições legislativas. As bases do PSD, certamente, estarão com ele, se ele souber estar com o partido...
Penso que Santana está "refém" dos militantes de base do partido e, por muito que tente levar os sociais-democratas a colocar a hipótese de o PSD encabeçar uma plataforma de partidos de centro-direita (mas, quais para além do PSD e PP?) e de organizações sociais e económicas de cariz privado, parece-me que o rumo a seguir será o de tudo fazer para evitar o esticar da corda da coligação e colocar os interesses do País à frente dos de índole partidária.
Esta coligação tem, para bem da necessária estabilidade política, económica e social do País, que sobreviver a todos os ataques externos que se lhe coloquem, pelo que apenas no início de 2006 se deve decidir sobre o que fazer com esta coligação, que, não nos esqueçamos, foi formada após as eleições de 2002.
Sou da opinião que PSD e PP devem concorrer sozinhos às próximas legislativas e, só depois do apuramento dos resultados finais se deve colocar a hipótese de se retomar a coligação que, aquando da sua formação original, teve como limite temporal os quatro anos da legislatura.
Entretanto, cada vez mais me convenço que Santana poderá muito bem ter o mesmo futuro que Bush. Apesar da grande generalidade dos comentadores políticos e dos editoriais da imprensa portuguesa serem hostis ao actual chefe do Governo (tal como aconteceu com Bush), não me admiro nada que Santana consiga, contra tudo e todos, vencer as próximas eleições legislativas. As bases do PSD, certamente, estarão com ele, se ele souber estar com o partido...
quinta-feira, novembro 11, 2004
Uma oportunidade...
Arafat morreu. Abre-se uma nova oportunidade para o necessário e premente acordo político entre Israel e a Palestina. Já aqui referi que é costume vermos personalidades políticas elogiarem qualquer líder político que desapareça. Desta vez, não se fugiu à regra: ainda não vi um único líder de um País ocidental criticar a actuação de Arafat, enquanto "travão" para a paz no Médio Oriente. Todos o gabam enquanto pessoa, quase o comparando a um mártir... Qualquer dia, passar-se-á o mesmo com Fidel Castro!
Sejamos directos. Penso que há males que vêm por bem. E, não querendo dar a ideia que fico feliz pela morte de Arafat, acredito que será difícil não evoluirmos para uma situação política que não passe pela paz nesta problemática região do mundo. A "bola" está, mais uma vez, do lado dos palestinianos e há que ter a esperança que os novos líderes da OLP tenham, finalmente, a capacidade de pôr ordem e disciplina na frente palestiniana. Israel, como sempre, anseia pela segurança interna e sabe que só com um acordo com os seus vizinhos da Palestina a poderá alcançar.
Quanto a Arafat, a História tratará de o descrever como realmente se portou em vida: um líder agarrado ao poder e com jeito para a vitimização...
Sejamos directos. Penso que há males que vêm por bem. E, não querendo dar a ideia que fico feliz pela morte de Arafat, acredito que será difícil não evoluirmos para uma situação política que não passe pela paz nesta problemática região do mundo. A "bola" está, mais uma vez, do lado dos palestinianos e há que ter a esperança que os novos líderes da OLP tenham, finalmente, a capacidade de pôr ordem e disciplina na frente palestiniana. Israel, como sempre, anseia pela segurança interna e sabe que só com um acordo com os seus vizinhos da Palestina a poderá alcançar.
Quanto a Arafat, a História tratará de o descrever como realmente se portou em vida: um líder agarrado ao poder e com jeito para a vitimização...
sábado, novembro 06, 2004
Presunção e água benta...
Pois é! Afinal, todos aqueles que se julgavam donos da verdade enganaram-se e acabou por ser Bush a ganhar as eleições presidenciais dos EUA. Desta vez, todos aqueles que apelaram à vitória de Kerry e, quase fizeram campanha eleitoral aqui na blogosfera não se podem refugiar na desculpa do método eleitoral maioritário americano (que muitos consideram injusto), nem tão pouco na falta de informação do eleitorado mais jovem (a esperança dos democratas). A razão que desta vez parecem ter encontrado para a inequívoca vitória de Bush é, imagine-se, a suposta estupidez do povo americano. Com a falta de lucidez evidenciada neste tipo de argumentos de mau perdedor não vale a pena perder tempo. Resta-me apenas paciência para dizer que a esquerda europeia que se julga intelectualmente superior só tem, com este tipo de discurso, provocado o crescente distanciamento visível entre a superpotência EUA e uma Europa cheia de contradições e divisões...
Um último comentário para o que muita gente tem dito sobre Arafat. Quando uma personalidade importante morre é costume vermos a classe política vir com conversa elogiosa sobre a dita pessoa. No momento em que escrevo ainda não se sabe se Arafat morreu ou não e já muitos políticos portugueses vieram falar do líder palestiniano como se homem fosse quase um "santo" ou mártir. Até Cavaco Silva veio dizer que Arafat tudo tentou para promover a paz no Médio Oriente. Detesto este tipo de "água benta"... Lá por Arafat ter recebido um Prémio Nobel da Paz (mais como incentivo à paz naquela região do mundo do que como recompensa pelo trabalho feito), não nos esqueçamos que Arafat durante muitas décadas incentivou a táctica terrorista apenas para manter o poder, "fugindo", por diversas vezes, à assinatura de tratados de paz com Israel. Esperemos que o seu sucessor pense menos em si e mais no povo que representa...
Um último comentário para o que muita gente tem dito sobre Arafat. Quando uma personalidade importante morre é costume vermos a classe política vir com conversa elogiosa sobre a dita pessoa. No momento em que escrevo ainda não se sabe se Arafat morreu ou não e já muitos políticos portugueses vieram falar do líder palestiniano como se homem fosse quase um "santo" ou mártir. Até Cavaco Silva veio dizer que Arafat tudo tentou para promover a paz no Médio Oriente. Detesto este tipo de "água benta"... Lá por Arafat ter recebido um Prémio Nobel da Paz (mais como incentivo à paz naquela região do mundo do que como recompensa pelo trabalho feito), não nos esqueçamos que Arafat durante muitas décadas incentivou a táctica terrorista apenas para manter o poder, "fugindo", por diversas vezes, à assinatura de tratados de paz com Israel. Esperemos que o seu sucessor pense menos em si e mais no povo que representa...
segunda-feira, novembro 01, 2004
As primeiras eleições planetárias...
Aí estão, finalmente, as primeiras eleições que, apesar de serem nacionais, vão "mexer" com todo o mundo. Efectivamente, esta é a primeira vez que umas eleições americanas têm contornos globais e criam sentimentos de apoio e repulsa por cada uma das candidaturas presidenciais.
Desde orgãos de comunicação social até partidos e organizações não governamentais, passando, obviamente, pelo cidadão comum, não conheço ninguém que não tenha a sua opinião formada sobre o candidato que prefere para tomar conta dos destinos da única superpotência mundial. Estas são, de facto, as primeiras eleições planetárias da história humana e delas sairá um conjunto de indicações pertinentes sobre o que poderemos esperar dos EUA na luta contra o terrorismo, a principal preocupação da opinião pública mundial.
Já aqui manifestei várias vezes o meu apoio a Bush, apesar de não apreciar a ingenuidade (alguns chamar-lhe-ão burrice) tantas vezes demonstrada nas suas aparições televisivas. No entanto, parece-me que Bush encarna a imagem do típico cidadão norte-americano que sabe o que quer e para onde vai: enfrentar o inimigo terrorista e difundir a democracia pelo mundo muçulmano. Claro que muitos prefeririam que os EUA, enquanto poderio político, económico e militar estivesse mudo e calado. Ora, é por essa razão que prefiro o enérgico Bush ao amorfo Kerry. Mas, quem decide é o povo americano. Para bem do mundo, esperemos que decida bem...
Desde orgãos de comunicação social até partidos e organizações não governamentais, passando, obviamente, pelo cidadão comum, não conheço ninguém que não tenha a sua opinião formada sobre o candidato que prefere para tomar conta dos destinos da única superpotência mundial. Estas são, de facto, as primeiras eleições planetárias da história humana e delas sairá um conjunto de indicações pertinentes sobre o que poderemos esperar dos EUA na luta contra o terrorismo, a principal preocupação da opinião pública mundial.
Já aqui manifestei várias vezes o meu apoio a Bush, apesar de não apreciar a ingenuidade (alguns chamar-lhe-ão burrice) tantas vezes demonstrada nas suas aparições televisivas. No entanto, parece-me que Bush encarna a imagem do típico cidadão norte-americano que sabe o que quer e para onde vai: enfrentar o inimigo terrorista e difundir a democracia pelo mundo muçulmano. Claro que muitos prefeririam que os EUA, enquanto poderio político, económico e militar estivesse mudo e calado. Ora, é por essa razão que prefiro o enérgico Bush ao amorfo Kerry. Mas, quem decide é o povo americano. Para bem do mundo, esperemos que decida bem...
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