No discurso de tomada de posse, José Sócrates decidiu avançar com uma medida que, aos olhos de muitos, parece ser essencial e reveladora de coragem política. Refiro-me à possibilidade dos medicamentos de venda sem receita médica poderem ser comercializados em grandes superfícies, nomeadamente nos hipermercados.
Logo veio a DECO concordar com a medida, enquanto que o lobbie das farmácias alertou para os perigos da venda livre de medicamentos que não necessitam de receita médica. Será que alguém reparou que o lobbie dos hipermercados, com Belmiro de Azevedo à cabeça, ficou calado? É que não sejamos ingénuos: esta medida favorece os hipermercados, não se percebendo quais os reais benefícios para o cidadão comum.
Sócrates defende esta medida com a necessidade de reduzir o preço dos medicamentos. Mas, então, porque não avança com o estabelecimento do preço único aplicado aos medicamentos, como já acontece com os livros? É que deixar de vender medicamentos exclusivamente nas farmácias para se poder passar a comprá-los em hipermercados terá como óbvia consequência o aumento indiscriminado do consumo de medicamentos, acompanhado de um possível incremento de muitas patologias. Veja-se o caso da Alemanha...
Lá teremos o zé povinho a ir ao Continente fazer as suas comprinhas de fim-se-semana e abastecer o seu carrinho de compras com mais umas quantas aspirinas e paracetamol, abrindo o caminho para o perigo da auto-medicação. Já estou a ver os anúncios de preço baixo no corredor dos medicamentos, apelando à compra desses produtos.
Entretanto, Belmiro de Azevedo e companhia devem esfregar as mãos de contentes...
domingo, março 13, 2005
quinta-feira, março 10, 2005
O estilo de Sócrates...
Apenas duas semanas, desde o dia em que se realizaram as eleições legislativas, foram suficientes para perceber o estilo de fazer política com que José Sócrates irá governar Portugal.
As suas escolhas para os elementos da sua nova equipa governamental deixam transparecer duas características óbvias: um claro facilitismo, por ter recorrido a mais de dez ex-Ministros ou Secretários de Estado do antigo governo de Guterres que, não nos esqueçamos, se demitiu por manifesta incapacidade, e uma evidente contradição, por ter colocado à frente da mais importante pasta uma pessoa que, face ao resto do governo, não tem nada que ver com as promessas feitas por Sócrates na campanha eleitoral. Aliás, a este propósito, escolher para a pasta das Finanças alguém que já veio mostrar que não está para aturar as ideias de Sócrates revela, no mínimo, uma boa dose de imobilismo e falta de liderança por parte do novo Primeiro-Ministro. O mesmo se poderia dizer do convite feito a Freitas do Amaral e que prova a falta de frontalidade de ambas as personagens em terem combiando esta negociata antes das eleições.
Mas, o que mais me surpreendeu foi a velocidade e a "cara de pau" com que o novo Governo (mesmo ainda ser estar empossado) já veio desdizer o que tinha dito na campanha eleitoral: os impostos vão ter que ser aumentados e o fim das receitas extraordinárias é só para cumprir no final da legislatura. Quanto ao desemprego o novo Primeiro-Ministro já prefere dizer nada... Enfim, aqueles que votaram o PS à espera de milagres (que devem ter sido a maioria) vão ter que enfiar a carapuça na cabeça...
Imagine-se que até Sampaio já vem com discursos que não teve a coragem de fazer durante o consulado de Santana. Mas, o melhor estará apara vir com a apresentação do Programa de Governo, que já não irá ser elaborado por Vitorino, pois não? Esse também soube entrar no filme dos enganos...
As suas escolhas para os elementos da sua nova equipa governamental deixam transparecer duas características óbvias: um claro facilitismo, por ter recorrido a mais de dez ex-Ministros ou Secretários de Estado do antigo governo de Guterres que, não nos esqueçamos, se demitiu por manifesta incapacidade, e uma evidente contradição, por ter colocado à frente da mais importante pasta uma pessoa que, face ao resto do governo, não tem nada que ver com as promessas feitas por Sócrates na campanha eleitoral. Aliás, a este propósito, escolher para a pasta das Finanças alguém que já veio mostrar que não está para aturar as ideias de Sócrates revela, no mínimo, uma boa dose de imobilismo e falta de liderança por parte do novo Primeiro-Ministro. O mesmo se poderia dizer do convite feito a Freitas do Amaral e que prova a falta de frontalidade de ambas as personagens em terem combiando esta negociata antes das eleições.
Mas, o que mais me surpreendeu foi a velocidade e a "cara de pau" com que o novo Governo (mesmo ainda ser estar empossado) já veio desdizer o que tinha dito na campanha eleitoral: os impostos vão ter que ser aumentados e o fim das receitas extraordinárias é só para cumprir no final da legislatura. Quanto ao desemprego o novo Primeiro-Ministro já prefere dizer nada... Enfim, aqueles que votaram o PS à espera de milagres (que devem ter sido a maioria) vão ter que enfiar a carapuça na cabeça...
Imagine-se que até Sampaio já vem com discursos que não teve a coragem de fazer durante o consulado de Santana. Mas, o melhor estará apara vir com a apresentação do Programa de Governo, que já não irá ser elaborado por Vitorino, pois não? Esse também soube entrar no filme dos enganos...
sexta-feira, março 04, 2005
Será este um Governo PS com uma política de direita?
Finalmente, e depois de tanta compreensão da comunicação social pelo acto de formação do Governo de Sócrates (situação que não aconteceu com Santana Lopes, cujas especulações noticiosas foram constantes), ficámos a saber os nomes dos Ministros que irão acompanhar o novo Primeiro-Ministro durante os próximos tempos.
Duas palavras podem definir a nova equipa governamental: confirmação e ironia. Confirmação em relação a muitos daqueles que tiveram responsabilidade no abandono de Guterres do Governo a meio do mandato, confirmando a sua incapacidade para tomar conta do País e que, recorde-se, deixou Portugal à beira do "pântano". Aí estão novamente, para além do próprio Sócrates, figuras da herança guterrista como os antigos Ministros ou Secretários de Estado António Costa, Pedro Silva Pereira, Luís Amado, Alberto Costa, Vieira da Silva, Correia de Campos, Santos Silva e Mariano Gago. Quanto à ironia, ela diz respeito às personalidades convidadas para as Finanças e Economia e que, pelo que se sabe, nada têm que ver com a visão da esquerda conservadora que Sócrates deixou "escapar" na campanha eleitoral. Aliás, o novo Ministro das Finanças é conhecido por ter uma visão bastante liberal da economia, o que não corresponde às expectativas de muitos daqueles que votaram no PS. Muitos entendidos até dizem que por ter estado a trabalhar nos EUA, Campos e Cunha, o novo homem forte das Finanças, ficaria melhor num Governo de centro-direita...
E, o que dizer da inclusão de Freitas do Amaral neste Governo? Apenas a confirmação de que existem pessoas que negoceiam lugares antes das eleições, assumindo a figura de autênticos "vira-casacas".
A ver vamos até quando dura o estado de graça desta equipa? Eu cá penso que irá aguentar até à altura em que o novo Ministro das Finanças se fartar da "tralha" guterrista.
Duas palavras podem definir a nova equipa governamental: confirmação e ironia. Confirmação em relação a muitos daqueles que tiveram responsabilidade no abandono de Guterres do Governo a meio do mandato, confirmando a sua incapacidade para tomar conta do País e que, recorde-se, deixou Portugal à beira do "pântano". Aí estão novamente, para além do próprio Sócrates, figuras da herança guterrista como os antigos Ministros ou Secretários de Estado António Costa, Pedro Silva Pereira, Luís Amado, Alberto Costa, Vieira da Silva, Correia de Campos, Santos Silva e Mariano Gago. Quanto à ironia, ela diz respeito às personalidades convidadas para as Finanças e Economia e que, pelo que se sabe, nada têm que ver com a visão da esquerda conservadora que Sócrates deixou "escapar" na campanha eleitoral. Aliás, o novo Ministro das Finanças é conhecido por ter uma visão bastante liberal da economia, o que não corresponde às expectativas de muitos daqueles que votaram no PS. Muitos entendidos até dizem que por ter estado a trabalhar nos EUA, Campos e Cunha, o novo homem forte das Finanças, ficaria melhor num Governo de centro-direita...
E, o que dizer da inclusão de Freitas do Amaral neste Governo? Apenas a confirmação de que existem pessoas que negoceiam lugares antes das eleições, assumindo a figura de autênticos "vira-casacas".
A ver vamos até quando dura o estado de graça desta equipa? Eu cá penso que irá aguentar até à altura em que o novo Ministro das Finanças se fartar da "tralha" guterrista.
terça-feira, março 01, 2005
De mansinho...
Já há mais de uma semana que decorreram as eleições legislativas e, depois da vitória do PS, o País parece ter entrado num ambiente de letargia e hipnotismo, sem notícias-bomba, nem ondas de contra-informação. A comunicação social abrandou o seu ímpeto inconformista com que se empenhou tanto durante os quatro meses de vigência santanista à frente dos destinos do Governo de Portugal.
O que mudou em Portugal? Diria que, por enquanto, mais do que uma mudança de Governo (visto que ainda não sabemos como será a equipa de Sócrates), assistimos a um novo estilo de fazer informação, com aberturas de noticiários menos especulativas e com primeiras páginas de jornal bem mais sérias e incontroversas. Dá a ideia que com Santana Lopes no poder, os jornalistas tinham um ímpeto de ataque, à procura da mais pequena coisa sem importância para a transformar num alarido total...
Sócrates não se pode queixar da comunicação social, provando-se agora que tinha lógica o que muita gente afirmava: "Sócrates está a ser levado ao colo pelos jornalistas". A ver vamos o que nos reserva a equipa socialista: se desconhecidos independentes, mas competentes; se os velhos do Restelo socialistas...
O que mudou em Portugal? Diria que, por enquanto, mais do que uma mudança de Governo (visto que ainda não sabemos como será a equipa de Sócrates), assistimos a um novo estilo de fazer informação, com aberturas de noticiários menos especulativas e com primeiras páginas de jornal bem mais sérias e incontroversas. Dá a ideia que com Santana Lopes no poder, os jornalistas tinham um ímpeto de ataque, à procura da mais pequena coisa sem importância para a transformar num alarido total...
Sócrates não se pode queixar da comunicação social, provando-se agora que tinha lógica o que muita gente afirmava: "Sócrates está a ser levado ao colo pelos jornalistas". A ver vamos o que nos reserva a equipa socialista: se desconhecidos independentes, mas competentes; se os velhos do Restelo socialistas...
segunda-feira, fevereiro 21, 2005
Agora, a responsabilidade governativa é absoluta...
Tenho de confessar que nunca pensei que o PS conseguisse a maioria absoluta que o povo português lhe concedeu nestas eleições. Ao longo dos próximos tempos muito se dirá sobre as causas destes resultados e os tempos difíceis que o País irá enfrentar. Neste artigo muito sintético quero apenas deixar algumas notas:
1. A vitória do PS e da esquerda portuguesa são absolutas, o que prova que a maioria do povo português não compreendeu as medidas difíceis que a anterior coligação governamental teve que tomar, nem se identificou com as propostas que Santana Lopes protagonizou ao longo da campanha em termos de legislação laboral, aumento da idade da reforma, fim das SCUT`s, continuação da política de propinas nas universidades, etc., enfim, as medidas rigorosas que se impunham ao País para diminuir o défice orçamental e enfrentar os nossos parceiros comunitários. O eleitorado não gosta de verdades desagradáveis...
2. O próximo Governo liderado por Sócrates tem todas as condições para continuar a política de crescimento económico dos últimos tempos e não poderá refugiar-se na herança que o PSD-PP lhe deixam em termos de défice, inflação e contenção da despesa pública, visto que nestes três aspectos a realidade é bem positiva. Em termos de desemprego, o PS sabia muito bem a realidade que o País enfrenta, no que concerne à concorrência da China e dos países do Leste europeu, pelo que nos próximos quatro anos qualquer aumento do desemprego apenas atestará da responsabilidade que foi termos um partido em campanha eleitoral prometer que o desemprego seria combatido e reduzido. A ver vamos quem enganou os portugueses...
3. O PS muito poderá agradecer ao Presidente da República o favor que este lhe fez ao convocar estas eleições num momento sempre difícil para um Governo (a meio da legislatura), quando a fazê-lo, o deveria ter feito antes de Durão ter aceite o cargo que lhe foi proposto. Até na declaração antes das eleições, Sampaio reforçou a ideia de crise e de mudança. "Obrigado, caro Jorge", dirá Sócrates...
4. Os partidos perdedores saem de cena de diferentes formas: o PP, unido em torno do seu líder e com um resultado que, na prática, não desmerece o esforço de Portas e o PSD, dividido e envergonhado, esperando-se tempos difíceis e de cortar à faca no próximo Congresso. Sobre a atitude de Santana, penso que numa noite de derrota como a de ontem, nenhuma decisão de cabeça quente deveria ter sido tomada em termos de futuro, pelo que os próximos dias serão importantes para clarificar a intenção de Santana em relação à liderança do partido. Esperemos que o País não se distraia com o PSD, esquecendo-se das tarefas que o próximo Governo terá que tomar...
1. A vitória do PS e da esquerda portuguesa são absolutas, o que prova que a maioria do povo português não compreendeu as medidas difíceis que a anterior coligação governamental teve que tomar, nem se identificou com as propostas que Santana Lopes protagonizou ao longo da campanha em termos de legislação laboral, aumento da idade da reforma, fim das SCUT`s, continuação da política de propinas nas universidades, etc., enfim, as medidas rigorosas que se impunham ao País para diminuir o défice orçamental e enfrentar os nossos parceiros comunitários. O eleitorado não gosta de verdades desagradáveis...
2. O próximo Governo liderado por Sócrates tem todas as condições para continuar a política de crescimento económico dos últimos tempos e não poderá refugiar-se na herança que o PSD-PP lhe deixam em termos de défice, inflação e contenção da despesa pública, visto que nestes três aspectos a realidade é bem positiva. Em termos de desemprego, o PS sabia muito bem a realidade que o País enfrenta, no que concerne à concorrência da China e dos países do Leste europeu, pelo que nos próximos quatro anos qualquer aumento do desemprego apenas atestará da responsabilidade que foi termos um partido em campanha eleitoral prometer que o desemprego seria combatido e reduzido. A ver vamos quem enganou os portugueses...
3. O PS muito poderá agradecer ao Presidente da República o favor que este lhe fez ao convocar estas eleições num momento sempre difícil para um Governo (a meio da legislatura), quando a fazê-lo, o deveria ter feito antes de Durão ter aceite o cargo que lhe foi proposto. Até na declaração antes das eleições, Sampaio reforçou a ideia de crise e de mudança. "Obrigado, caro Jorge", dirá Sócrates...
4. Os partidos perdedores saem de cena de diferentes formas: o PP, unido em torno do seu líder e com um resultado que, na prática, não desmerece o esforço de Portas e o PSD, dividido e envergonhado, esperando-se tempos difíceis e de cortar à faca no próximo Congresso. Sobre a atitude de Santana, penso que numa noite de derrota como a de ontem, nenhuma decisão de cabeça quente deveria ter sido tomada em termos de futuro, pelo que os próximos dias serão importantes para clarificar a intenção de Santana em relação à liderança do partido. Esperemos que o País não se distraia com o PSD, esquecendo-se das tarefas que o próximo Governo terá que tomar...
quinta-feira, fevereiro 17, 2005
Ainda é possível ganhar...
Ontem a comitiva do PSD, liderada por Santana Lopes, foi recebida em Viseu num ambiente de confiança e alegria, que nada teve que ver com o espírito de derrota e de descrença na vitória que toda a esquerda tem tentado contagiar naqueles que se consideram como de centro-direita. Claro que para estas recepções calorosas muito contribuem as máquinas partidárias, que incentivam muita gente dos concelhos limítrofes a ir de autocarro pago aos comícios e arruadas. Mas, isso não acontece só com o PSD, mas sim também com o PS e o PP. Porventura só o PCP e o BE não actuam da mesma maneira: o PCP por falta de apoio generalizado, à excepção do baluarte alentejano e o BE, por manifesta incapacidade eleitoral...
Mas, o que me interessa aqui destacar é que a possibilidade da maioria absoluta para o PS parece já não ter base de sustentação, o que, a confirmar-se, significará, primeiro que tudo, uma derrota pessoal de Sampaio (que, lembremo-nos, convocou estas eleições para proporcionar estabilidade governativa ao País). No entanto, estas eleições revelaram-se também como responsáveis pela continuação de tempos difíceis para Portugal, visto que constituíram, por exclusiva culpa de Sampaio, um momento de ruptura quando o nosso País estava já numa fase crescente de confiança económica e social.
Chegados ao momento de votar, existem duas vias possíveis:
1. A vitória do PS (sem maioria absoluta, pois não valerá a pena falarmos em utopias), tornando o País refém de partidos radicais e anti-europeus como o PCP e o BE ou sujeitando Portugal a mais um governo que não conseguirá completar até ao fim a legislatura.
2. A vitória do PSD, que, com a assumpção do acordo com o PP, poderá levar o nosso País a um Governo estável e reformador, com capacidade para tomar as medidas difíceis de que Portugal precisa para enfrentar os próximos tempos.
A escolha parece-me óbvia. Eu já decidi. E você?
Mas, o que me interessa aqui destacar é que a possibilidade da maioria absoluta para o PS parece já não ter base de sustentação, o que, a confirmar-se, significará, primeiro que tudo, uma derrota pessoal de Sampaio (que, lembremo-nos, convocou estas eleições para proporcionar estabilidade governativa ao País). No entanto, estas eleições revelaram-se também como responsáveis pela continuação de tempos difíceis para Portugal, visto que constituíram, por exclusiva culpa de Sampaio, um momento de ruptura quando o nosso País estava já numa fase crescente de confiança económica e social.
Chegados ao momento de votar, existem duas vias possíveis:
1. A vitória do PS (sem maioria absoluta, pois não valerá a pena falarmos em utopias), tornando o País refém de partidos radicais e anti-europeus como o PCP e o BE ou sujeitando Portugal a mais um governo que não conseguirá completar até ao fim a legislatura.
2. A vitória do PSD, que, com a assumpção do acordo com o PP, poderá levar o nosso País a um Governo estável e reformador, com capacidade para tomar as medidas difíceis de que Portugal precisa para enfrentar os próximos tempos.
A escolha parece-me óbvia. Eu já decidi. E você?
terça-feira, fevereiro 15, 2005
Já não há respeito!!!
Ontem assistimos por parte de algumas personalidades bem conhecidas da praça pública ao que pior se podia esperar do respeito que é devido ao desaparecimento físico da Irmã Lúcia. Então não é que, no momento em que o silêncio e a meditação eram os gestos mais condignos a ter depois do falecimento da Irmã Lúcia, algumas personalidades da política e da Igreja Católica vieram criticar a atitude de alguns partidos que decidiram suspender as suas actividades de campanha por respeito ao luto nacional? Chegou-se ao ponto de vermos o antigo Bispo de Setúbal vir afirmar que alguns partidos quiseram tirar partido da morte da Irmã Lúcia, o que evidencia que há quem não olhe a meios para vir julgar os outros, mesmo em momentos em que o recato seria o que mais se lhes exigiria!
Já não falo das afirmações proferidas por Manuel Monteiro ou por Francisco Louçã, mas esperava-se mais respeito por parte de pessoas como o D. Januário Torgal e D. Manuel Martins que vieram para a comunicação social dar destaque pela negativa a uma decisão de partidos políticos que têm nas suas fileiras militantes e simpatizantes católicos e que aprovam a atitude tomada pela liderança dos seus partidos.
Como diz o povo, há alturas em que o silêncio é de ouro... Este foi um deles, abruptamente interrompido por alguns indivíduos que apenas parecem ter como objectivo vir a terreiro armados em autênticos juízes de intenções...
Já não falo das afirmações proferidas por Manuel Monteiro ou por Francisco Louçã, mas esperava-se mais respeito por parte de pessoas como o D. Januário Torgal e D. Manuel Martins que vieram para a comunicação social dar destaque pela negativa a uma decisão de partidos políticos que têm nas suas fileiras militantes e simpatizantes católicos e que aprovam a atitude tomada pela liderança dos seus partidos.
Como diz o povo, há alturas em que o silêncio é de ouro... Este foi um deles, abruptamente interrompido por alguns indivíduos que apenas parecem ter como objectivo vir a terreiro armados em autênticos juízes de intenções...
quinta-feira, fevereiro 10, 2005
Surpresas da campanha...
Como a vida de professor tem as suas vantagens, eu e a minha esposa aproveitámos estas mini-férias de Carnaval, de quase uma semana, para, durante uns dias, dar uma escapadela e passear um pouco por algumas regiões da nossa preferência.
O fim-de-semana foi passado em Lisboa, onde, como habitualmente, visitámos a zona de Belém e os bairros históricos, com destaque para os alfarrabistas do Bairro Alto. Fomos também assistir à vitória do Glorioso no Estádio da Luz frente à Académica e confraternizámos com os nossos amigos de Penha de França, onde o meu pai tem um estabelecimento comercial e costumamos passar uns bons tempos cada vez que aí vamos.
Na segunda-feira fomos para a Covilhã, local de residência da parte materna da minha família. No caminho resolvemos fazer uma visita à capital do Gótico, a bonita cidade de Santarém. Qual não foi o nosso espanto quando, ao lancharmos numa das pastelarias da zona histórica da cidade, fomos surpreendidos pelo candidato a Primeiro-Ministro José Sócrates que estava a oferecer rosas às senhoras que encontrava. Tanto eu como a Salete ficámos com a ideia de ver um homem pouco afável e nada espontâneo nos seus gestos. Aliás, o que valeu a Sócrates é que estava acompanhado por uma banda musical que ia animando as hostes socialistas. Recordei-me, então, do que o meu pai me havia dito no dia anterior: no Liceu da Covilhã, onde o meu pai e Sócrates foram colegas de escola, este tinha a fama (e proveito) de ser aluno-cábula e adorava colar cartazes do PSD. Sócrates era, nessa altura, um ferrenho JSD que viria, mais tarde, a mudar-se para o PS por zangas internas na JSD-Covilhã. Ou seja, a força da conveniência foi maior que o rigor da convicção...
Depois de termos passado uma alegre noite na minha cidade-natal, a Covilhã, partimos então para Espanha, rumo a Salamanca a fim de aproveitar a terça-feira de Carnaval. Mais uma vez, visitámos os monumentos desta bela cidade espanhola e divertimo-nos com a animada noite de "nuestros hermanos". Continuo a não gostar da gastronomia espanhola, nem da mania da "siesta" dos nossos vizinhos, mas não me restam dúvidas que, em termos de alegria, os espanhóis superam-nos. Por mera curiosidade, resolvi meter conversa com alguns espanhóis sobre as eleições de Portugal e, curiosamente, ouvi boas impressões em relação a Santana Lopes e alguma indiferença a propósito de Sócrates.
De regresso a Portugal, soube da não-notícia sobre Cavaco Silva e da forma, cada vez mais arrogante, como Sócrates tem vindo a pautar a sua campanha eleitoral. Ou seja, nada de novo...
O fim-de-semana foi passado em Lisboa, onde, como habitualmente, visitámos a zona de Belém e os bairros históricos, com destaque para os alfarrabistas do Bairro Alto. Fomos também assistir à vitória do Glorioso no Estádio da Luz frente à Académica e confraternizámos com os nossos amigos de Penha de França, onde o meu pai tem um estabelecimento comercial e costumamos passar uns bons tempos cada vez que aí vamos.
Na segunda-feira fomos para a Covilhã, local de residência da parte materna da minha família. No caminho resolvemos fazer uma visita à capital do Gótico, a bonita cidade de Santarém. Qual não foi o nosso espanto quando, ao lancharmos numa das pastelarias da zona histórica da cidade, fomos surpreendidos pelo candidato a Primeiro-Ministro José Sócrates que estava a oferecer rosas às senhoras que encontrava. Tanto eu como a Salete ficámos com a ideia de ver um homem pouco afável e nada espontâneo nos seus gestos. Aliás, o que valeu a Sócrates é que estava acompanhado por uma banda musical que ia animando as hostes socialistas. Recordei-me, então, do que o meu pai me havia dito no dia anterior: no Liceu da Covilhã, onde o meu pai e Sócrates foram colegas de escola, este tinha a fama (e proveito) de ser aluno-cábula e adorava colar cartazes do PSD. Sócrates era, nessa altura, um ferrenho JSD que viria, mais tarde, a mudar-se para o PS por zangas internas na JSD-Covilhã. Ou seja, a força da conveniência foi maior que o rigor da convicção...
Depois de termos passado uma alegre noite na minha cidade-natal, a Covilhã, partimos então para Espanha, rumo a Salamanca a fim de aproveitar a terça-feira de Carnaval. Mais uma vez, visitámos os monumentos desta bela cidade espanhola e divertimo-nos com a animada noite de "nuestros hermanos". Continuo a não gostar da gastronomia espanhola, nem da mania da "siesta" dos nossos vizinhos, mas não me restam dúvidas que, em termos de alegria, os espanhóis superam-nos. Por mera curiosidade, resolvi meter conversa com alguns espanhóis sobre as eleições de Portugal e, curiosamente, ouvi boas impressões em relação a Santana Lopes e alguma indiferença a propósito de Sócrates.
De regresso a Portugal, soube da não-notícia sobre Cavaco Silva e da forma, cada vez mais arrogante, como Sócrates tem vindo a pautar a sua campanha eleitoral. Ou seja, nada de novo...
quinta-feira, fevereiro 03, 2005
Um debate que soube a pouco...
No final do primeiro e único debate entre Santana Lopes e José Sócrates fiquei com a clara ideia da razão pela qual Sócrates, desde o início desta campanha, evitou confrontar-se com Santana Lopes num frente-a-frente que pudesse de uma vez por todas esclarecer os mais indecisos. Digo isto porque Sócrates se apresentou como o aluno-cábulo, que decora tudo no dia anterior ao teste, para depois se esquecer do que disse. De facto, vimos um líder do PS quase "robotizado", sem espontaneidade, nem sentido de improvisação e, imagine-se, vestindo a pele de vítima e de coitadinho, à qual só faltou um choradinho à moda de Sampaio para cativar uns quantos votos. Nem o melhor actor de cinema faria melhor...
Ao invés, e ao contrário do que seria de supor, vimos um Santana Lopes com sentido de Estado, demonstrando a obra feita e explicando aos portugueses a forma coerente e rigorosa como em quatro meses se tomaram tantas medidas polémicas e difíceis, mas necessárias a Portugal.
Pena é que nem todas as questões pudessem ter sido abordadas e que o formato do debate fosse prejudicial ao verdadeiro confronto de argumentos entre os dois candidatos a Primeiro-Ministro, para já não falar dos próprios jornalistas que me pareceram ter confundido e atrapalhado ainda mais o debate que se queria mais vivo e aberto...
Enfim, esperemos que nas duas semanas de campanha que faltam aqueles que continuam indecisos percebam o que está em causa. Como afirmava Santana: ou se continua com a política reformadora do Governo liderado pelo PSD ou teremos que voltar à velha "trupe" socialista que muito dialoga, mas pouco faz...
Ao invés, e ao contrário do que seria de supor, vimos um Santana Lopes com sentido de Estado, demonstrando a obra feita e explicando aos portugueses a forma coerente e rigorosa como em quatro meses se tomaram tantas medidas polémicas e difíceis, mas necessárias a Portugal.
Pena é que nem todas as questões pudessem ter sido abordadas e que o formato do debate fosse prejudicial ao verdadeiro confronto de argumentos entre os dois candidatos a Primeiro-Ministro, para já não falar dos próprios jornalistas que me pareceram ter confundido e atrapalhado ainda mais o debate que se queria mais vivo e aberto...
Enfim, esperemos que nas duas semanas de campanha que faltam aqueles que continuam indecisos percebam o que está em causa. Como afirmava Santana: ou se continua com a política reformadora do Governo liderado pelo PSD ou teremos que voltar à velha "trupe" socialista que muito dialoga, mas pouco faz...
segunda-feira, janeiro 31, 2005
Agora calam-se...
Pois é, as eleições no Iraque correram melhor do aquilo que se julgava e o povo iraquiano demonstrou que a sua vontade de ter liberdade e democracia no seu País é maior do que o medo do terror e a teoria do "deixa andar"...
Depois de longos meses de um ruído ensurdecedor por parte dos que se auto-apelidam de "anti-Bush", este é já o segundo sapo vivo que tiveram que engolir em pouco tempo: depois da vitória de Bush nos EUA, só mesmo uma forte adesão do povo iraquiano a estas eleições para calar aqueles que se diziam "amiguinhos" do povo iraquiano. Agora ficaram calados!!!
A História ensina que foram raras as ocasiões em que os valores democráticos venceram sem custos humanos (o caso português é uma excepção à regra) e, infelizmente, tivemos que assistir a muitas baixas em solo iraquiano para que estas eleições pudessem ter ocorrido. O caminho é longo, mas fica a lição: ainda há quem lute pela democracia!
Depois de longos meses de um ruído ensurdecedor por parte dos que se auto-apelidam de "anti-Bush", este é já o segundo sapo vivo que tiveram que engolir em pouco tempo: depois da vitória de Bush nos EUA, só mesmo uma forte adesão do povo iraquiano a estas eleições para calar aqueles que se diziam "amiguinhos" do povo iraquiano. Agora ficaram calados!!!
A História ensina que foram raras as ocasiões em que os valores democráticos venceram sem custos humanos (o caso português é uma excepção à regra) e, infelizmente, tivemos que assistir a muitas baixas em solo iraquiano para que estas eleições pudessem ter ocorrido. O caminho é longo, mas fica a lição: ainda há quem lute pela democracia!
quinta-feira, janeiro 27, 2005
Programas eleitorais? Para quê?
Será que alguém ainda se lembra do que vinha escrito nos programas eleitorais do PS em 1995 e 1999 ou do PSD em 2002? Não creio... Vem isto a propósito do que muito se tem escrito sobre o conteúdo dos programas eleitorais que PSD e PS apresentaram recentemente. Convém lembrar que os ditos programas não passam de propósitos ambiciosos que, legitimamente, cada partido pensa poder vir a cumprir, caso a conjuntura socio-económica lhe seja favorável. Claro que há promessas que soam a puro populismo: a criação de 150 mil novos empregos proposta pelo PS (quantos serão destruídos?) ou a diminuição do peso do Estado de 48% para 40% do PIB ambicionada pelo PSD (à custa de quanto desemprego?)...
Mais do que discutir números interessa discutir a forma de estar na política dos principais intervenientes nesta campanha! E, se Santana Lopes pode ser considerado como intempestivo, pelo menos é alguém que não tem medo de lobbies, nem de propostas reformadoras. Já José Sócrates, dá a ideia de alguém que não tem força para combater o imobilismo, deixando transparecer falta de coragem e de ambição quando aparece em público.
A verdade é que nos últimos quatro meses, apesar de alguma confusão, Santana Lopes deixou a imagem de alguém que pretende enfrentar os lobbies instalados em muitos sectores da população portuguesa, pretendendo introduzir taxas diferenciadoras na saúde e educação, acabar com o sigilo bancário, reformar a Administração Pública e a Segurança Social, aumentar os impostos aos bancos, etc. Já Sócrates, rodeado do que resta do pior guterrismo, mais parece o "fantoche" de Vitorino, sem ideias novas, nem propostas que enfrentem o estado actual de coisas.
Mais do que discutir números interessa discutir a forma de estar na política dos principais intervenientes nesta campanha! E, se Santana Lopes pode ser considerado como intempestivo, pelo menos é alguém que não tem medo de lobbies, nem de propostas reformadoras. Já José Sócrates, dá a ideia de alguém que não tem força para combater o imobilismo, deixando transparecer falta de coragem e de ambição quando aparece em público.
A verdade é que nos últimos quatro meses, apesar de alguma confusão, Santana Lopes deixou a imagem de alguém que pretende enfrentar os lobbies instalados em muitos sectores da população portuguesa, pretendendo introduzir taxas diferenciadoras na saúde e educação, acabar com o sigilo bancário, reformar a Administração Pública e a Segurança Social, aumentar os impostos aos bancos, etc. Já Sócrates, rodeado do que resta do pior guterrismo, mais parece o "fantoche" de Vitorino, sem ideias novas, nem propostas que enfrentem o estado actual de coisas.
domingo, janeiro 23, 2005
A campanha começa a aquecer...
Quando, formalmente, ainda estamos em pré-campanha eleitoral, os debates entre alguns líderes partidários e a constante troca de acusações começam já a alertar a opinião pública para aquilo que nos espera ao longo das próximas semanas.
O tiro de partida começou logo com a completa falta de educação demonstrada por Louçã quando este afirmou que Portas devia estar calado sobre o referendo do aborto por este não saber o que é ser-se pai. Como é possível que um líder partidário consiga descer tão baixo e evidenciar tiques de totalitarismo exacerbado. Louçã ainda se há-de arrepender do que disse... Do lado do PCP a cassete continua e ora se atacam os "amigos" da esquerda bloquista e socialista, ora os alvos são o PSD e PP.
E o que dizer de Sócrates? Uma completa desilusão, na aplicação de uma estratégia de fuga ao debate de ideias e ao confronto de opiniões e na defesa de um programa eleitoral inócuo, sem propostas inovadoras que sejam diferentes das apresentadas pelo PSD. Enfim, Sócrates consegue ser pior do que o mais amorfo Guterres.
E Santana, o que tem mostrado? Sem dúvida, uma força e vontade enormes que o tão bem caracterizam, no sentido de chamar a atenção aos portugueses que urge "atacar" os interesses dos lobbies que são contra as reformas de que Portugal necessita, desde a reforma laboral e administrativa à concretização das mudanças em curso na saúde, na segurança social e no ambiente, entre outras áreas. Na actual conjuntura, só um partido reformador como o PSD e um homem sem medo como Santana Lopes podem fazer com que Portugal prossiga o caminho do desenvolvimento.
O tiro de partida começou logo com a completa falta de educação demonstrada por Louçã quando este afirmou que Portas devia estar calado sobre o referendo do aborto por este não saber o que é ser-se pai. Como é possível que um líder partidário consiga descer tão baixo e evidenciar tiques de totalitarismo exacerbado. Louçã ainda se há-de arrepender do que disse... Do lado do PCP a cassete continua e ora se atacam os "amigos" da esquerda bloquista e socialista, ora os alvos são o PSD e PP.
E o que dizer de Sócrates? Uma completa desilusão, na aplicação de uma estratégia de fuga ao debate de ideias e ao confronto de opiniões e na defesa de um programa eleitoral inócuo, sem propostas inovadoras que sejam diferentes das apresentadas pelo PSD. Enfim, Sócrates consegue ser pior do que o mais amorfo Guterres.
E Santana, o que tem mostrado? Sem dúvida, uma força e vontade enormes que o tão bem caracterizam, no sentido de chamar a atenção aos portugueses que urge "atacar" os interesses dos lobbies que são contra as reformas de que Portugal necessita, desde a reforma laboral e administrativa à concretização das mudanças em curso na saúde, na segurança social e no ambiente, entre outras áreas. Na actual conjuntura, só um partido reformador como o PSD e um homem sem medo como Santana Lopes podem fazer com que Portugal prossiga o caminho do desenvolvimento.
segunda-feira, janeiro 17, 2005
Sampaio com as orelhas a arder...
Desta vez, nem Sampaio foi poupado. Depois das criticas absurdas à visita de trabalho de Morais Sarmento a S. Tomé e Princípe, com o PS a analisar ao pormenor os gastos de deslocação e alojamento do Ministro, foi agora a vez de o Presidente da República levar um "puxão de orelhas" dos sindicatos têxteis pelo facto de na sua visita à China ter levado consigo alguns empresários portugueses que estão interessados em, e diga-se, de forma legítima, internacionalizarem os seus negócios.
Claro que numa economia aberta e global, é importante que as empresas nacionais consigam internacionalizar-se e expandir o seu negócio extra-fronteiras. Só que Sampaio esqueceu-se que convinha dar a ideia que a sua visìta à China devia também servir de incentivo a que multinacionais chinesas e outras do Sudeste Asiático investissem am Portugal, em vez de ter passado cinco dias a "suplicar" às autoridades chinesas para terem pena do nosso País e não inundarem o mercado português de produtos baratos.
Sampaio tem o hábito de publicar uns livros sobre as suas Presidências Abertas. Seria bom que Sampaio também tivesse a preocupação de informar os portugueses sobre as mais-valias das suas viagens de Estado ao estrangeiro. É que não chega vermos o Presidente dançar com umas chinesinhas ou emocionar-se ao ouvir um poema lusitano, quando os empresários apenas estão interessados em aumentarem os seus lucros.
Quem semeia ventos arrisca-se a ter que se confrontar com tempestades. Desta vez, foi Sampaio quem se disponibilizou ao ridiculo.
Claro que numa economia aberta e global, é importante que as empresas nacionais consigam internacionalizar-se e expandir o seu negócio extra-fronteiras. Só que Sampaio esqueceu-se que convinha dar a ideia que a sua visìta à China devia também servir de incentivo a que multinacionais chinesas e outras do Sudeste Asiático investissem am Portugal, em vez de ter passado cinco dias a "suplicar" às autoridades chinesas para terem pena do nosso País e não inundarem o mercado português de produtos baratos.
Sampaio tem o hábito de publicar uns livros sobre as suas Presidências Abertas. Seria bom que Sampaio também tivesse a preocupação de informar os portugueses sobre as mais-valias das suas viagens de Estado ao estrangeiro. É que não chega vermos o Presidente dançar com umas chinesinhas ou emocionar-se ao ouvir um poema lusitano, quando os empresários apenas estão interessados em aumentarem os seus lucros.
Quem semeia ventos arrisca-se a ter que se confrontar com tempestades. Desta vez, foi Sampaio quem se disponibilizou ao ridiculo.
quinta-feira, janeiro 13, 2005
De que novas propostas fala Sócrates?
O candidato do PS a Primeiro-Ministro faz-me lembrar Guterres no que este tinha de pior: o falar muito para fazer pouco. Desde que Sócrates entrou em campanha eleitoral que ainda não ouvimos da sua parte nenhuma ideia séria e concreta que seja contrária às protagonizadas por Santana Lopes. Até agora só banalidades: fomentar o crescimento económico, criar emprego, reforçar a educação, etc, etc, etc... De concreto nada de novo. Nem uma única ideia que se possa levar a sério...
Imagine-se que, agora, o líder socialista até já vem dizer que caso venha a governar Portugal irá manter a isenção dos beneficíos fiscais concretizada pela coligação PSD-PP e que havia servido de justificação para o PS votar contra o Orçamento de Estado. A confusão é total no PS.
A ânsia de poder é tanta que o que Sócrates gostava mesmo era que não houvesse lugar a campanha eleitoral e que os portugueses fossem chamados a votar o mais depressa possível para não ter que ir a debates e ser confrontado com perguntas às quais tem que responder sem o auxílio do teleponto.
Sócrates viveu durante muitos anos na cidade donde sou natural, a Covilhã, e o que por lá se diz dele não o favorece muito. Conta-se que na escola não era dado a grandes notas e que durante os testes gostava de cabular. Não sei se é verdade ou não, mas que quanto a poder de oratória não é lá muito dotado, parece-me evidente.
Estou para ver se Sócrates continuará na estratégia do "foge, foge" ou se, de uma vez por todas, consegue enfrentar o seu principal adversário político, o temível Santana Lopes, sem telepontos, nem cábulas de ocasião. Que venham os debates...
Imagine-se que, agora, o líder socialista até já vem dizer que caso venha a governar Portugal irá manter a isenção dos beneficíos fiscais concretizada pela coligação PSD-PP e que havia servido de justificação para o PS votar contra o Orçamento de Estado. A confusão é total no PS.
A ânsia de poder é tanta que o que Sócrates gostava mesmo era que não houvesse lugar a campanha eleitoral e que os portugueses fossem chamados a votar o mais depressa possível para não ter que ir a debates e ser confrontado com perguntas às quais tem que responder sem o auxílio do teleponto.
Sócrates viveu durante muitos anos na cidade donde sou natural, a Covilhã, e o que por lá se diz dele não o favorece muito. Conta-se que na escola não era dado a grandes notas e que durante os testes gostava de cabular. Não sei se é verdade ou não, mas que quanto a poder de oratória não é lá muito dotado, parece-me evidente.
Estou para ver se Sócrates continuará na estratégia do "foge, foge" ou se, de uma vez por todas, consegue enfrentar o seu principal adversário político, o temível Santana Lopes, sem telepontos, nem cábulas de ocasião. Que venham os debates...
segunda-feira, janeiro 10, 2005
A contra-informação continua...
A pouco mais de um mês para a realização das eleições legislativas e depois do bombardeamento de reportagens sobre a catástrofe natural que assolou o Índico, os jornalistas portuguesas voltam a insistir na "novela" do caso Casa Pia e na procura de pseudo-escândalos que envolvam membros do actual Governo, no sentido de não reduzir as audiências televisivas e as vendas de jornais.
Agora voltamos a ver as capas dos nossos jornais e as aberturas dos noticiários televisivos inundados de reportagens sobre o que disse Silvino e restantes arguidos do caso de pedofilia, ao mesmo tempo que uma viagem de trabalho a São Tomé e Príncipe do Ministro da Presidência é apelidada de mini-férias pelos partidos da oposição.
Quando as ideias da oposição não abundam, restam-lhes a maledicência e o abuso de confiança, no sentido de confundir o eleitorado e fugir às principais questões que actualmente se colocam à governação de Portugal: Como se pode diminuir o défice orçamental? O que fazer com as SCUT`s? Quais as propostas para a reforma da Administração Pública? Quais as mudanças a aplicar ao nível da educação e da saúde?
Entretanto, Sócrates continua a preferir não abrir o jogo sobre hipotéticas coligações e só fala em maioria absoluta. Aguardemos por dias melhores...
Agora voltamos a ver as capas dos nossos jornais e as aberturas dos noticiários televisivos inundados de reportagens sobre o que disse Silvino e restantes arguidos do caso de pedofilia, ao mesmo tempo que uma viagem de trabalho a São Tomé e Príncipe do Ministro da Presidência é apelidada de mini-férias pelos partidos da oposição.
Quando as ideias da oposição não abundam, restam-lhes a maledicência e o abuso de confiança, no sentido de confundir o eleitorado e fugir às principais questões que actualmente se colocam à governação de Portugal: Como se pode diminuir o défice orçamental? O que fazer com as SCUT`s? Quais as propostas para a reforma da Administração Pública? Quais as mudanças a aplicar ao nível da educação e da saúde?
Entretanto, Sócrates continua a preferir não abrir o jogo sobre hipotéticas coligações e só fala em maioria absoluta. Aguardemos por dias melhores...
quinta-feira, janeiro 06, 2005
Deputados de onde?
Este novo ano não começou nada bem a nível internacional, com a catástrofe natural que assolou alguns países do Índico, ao mesmo tempo que continuam os atentados em solo iraquiano e muitas outras misérias escondidas se multiplicam por esse mundo fora.
Entretanto, aqui, por este Portugal meio adormecido, muito se tem falado das listas de candidatos a deputados que os principais partidos vão levar às próximas eleições. A confusão deve estar instalada na cabeça de muitos portugueses: afinal, as senhoras e senhores que representam o povo na Assembeia da República são deputados da Nação ou do distrito? É que se uns acusam os partidos de colocarem nas listas os chamados "paráquedistas" que nada têm que ver com os distritos pelos quais vão a votos, há outros que, e muito bem na minha opinião, lembram que em legislativas vota-se, quer se queira, quer não, num partido candidato a governar Portugal.
O que faz falta a Portugal é uma efectiva e completa reforma do sistema político, pois, nem a divisão distrital do País tem lógica na actual configuração regional de Portugal, nem sequer o acto eleitoral das legislativas se enquadra, de facto, num voto em deputados que, na maior parte das vezes, são desconhecidos da opinião pública.
Que venha a discussão sobre os programas eleitorais e as propostas de cada partido, que, afinal, é o que interessa neste momento...
Entretanto, aqui, por este Portugal meio adormecido, muito se tem falado das listas de candidatos a deputados que os principais partidos vão levar às próximas eleições. A confusão deve estar instalada na cabeça de muitos portugueses: afinal, as senhoras e senhores que representam o povo na Assembeia da República são deputados da Nação ou do distrito? É que se uns acusam os partidos de colocarem nas listas os chamados "paráquedistas" que nada têm que ver com os distritos pelos quais vão a votos, há outros que, e muito bem na minha opinião, lembram que em legislativas vota-se, quer se queira, quer não, num partido candidato a governar Portugal.
O que faz falta a Portugal é uma efectiva e completa reforma do sistema político, pois, nem a divisão distrital do País tem lógica na actual configuração regional de Portugal, nem sequer o acto eleitoral das legislativas se enquadra, de facto, num voto em deputados que, na maior parte das vezes, são desconhecidos da opinião pública.
Que venha a discussão sobre os programas eleitorais e as propostas de cada partido, que, afinal, é o que interessa neste momento...
quarta-feira, dezembro 29, 2004
O tempo que voa...
Aproxima-se um novo ano e, como noutros, é usual fazer-se uma análise retrospectiva e o balanço daquilo que dominou (ou não) o ano que agora nos diz adeus. Poderia aqui discorrer ao longo de várias linhas acontecimentos positivos e negativos que marcaram o ano aos níveis político, económico, cultural, desportivo e outros, de âmbito nacional e internacional.
No entanto, cada vez mais me convenço que, mais importante do que analisarmos aspectos gerais e que pouco ou nada influenciámos, é bom que cada um faça um exame de consciência daquilo que fez de melhor, mas, sobretudo de menos positivo, durante o ano que finda, no sentido de que, em 2005, o sorriso seja o gesto mais comum entre cada um de nós. Saúde, amor e trabalho são as pedras basilares que devem reger cada dia que começa.
Por mim, que tenho tido cada vez menos tempo para vir à blogosfera (a frequência num curso de mestrado, o trabalho na escola e a companhia devida à minha família, assim me obrigam) resta-me desejar um feliz 2005 para todos aqueles que aqui costumam vir...
No entanto, cada vez mais me convenço que, mais importante do que analisarmos aspectos gerais e que pouco ou nada influenciámos, é bom que cada um faça um exame de consciência daquilo que fez de melhor, mas, sobretudo de menos positivo, durante o ano que finda, no sentido de que, em 2005, o sorriso seja o gesto mais comum entre cada um de nós. Saúde, amor e trabalho são as pedras basilares que devem reger cada dia que começa.
Por mim, que tenho tido cada vez menos tempo para vir à blogosfera (a frequência num curso de mestrado, o trabalho na escola e a companhia devida à minha família, assim me obrigam) resta-me desejar um feliz 2005 para todos aqueles que aqui costumam vir...
quinta-feira, dezembro 23, 2004
O Natal, os laicos e os ateus...
Nesta altura do ano, faz-me alguma confusão que, aqueles que se dizem não religiosos ou descrentes da existência de um qualquer Deus, comemorem o 25 de Dezembro como se assistisse à "apropriação" de uma tradição que, na verdade, não lhes diz muito... É o mesmo que vermos um monárquico comemorar a Implantação da República ou assistirmos à comemoração pelos espanhóis do 1º de Dezembro. Enfim, uma série de contradições!
Muitos daqueles que se orgulham de não acreditarem num qualquer ser superior ao Homem, criticando a opção dos católicos, chegam a esta época do ano com o habitual discurso de que o Natal é uma festa com tradições pagãs, esquecendo-se que, na realidade, o Natal surge no tempo do Papa Júlio I (séc. IV) como uma oportunidade para cristianizar uma festa que, de facto, era pagã e que, assim, o deixou de ser. Por outro lado, é costume ouvirmos os ateus criticarem as tradições ditas materialistas do Natal, como o presépio, a árvore ou as trocas de prendas. Esquecem-se que na maioria das famílias católicas, estes costumes têm como objectivo unir as famílias e alegrar os mais novos.
Contradição é, sim, vermos ateus, laicos e agnósticos aproveitarem-se do Natal para cumprirem esta tradição católica e depois virem criticar os católicos. O mesmo se poderia dizer quando aqueles que são ateus aproveitam os feriados religiosos para não trabalharem. Isso sim é contraditório...
Mas, enfim, há que compreender o comportamento daqueles que criticam o Natal e o, sem se darem conta, o festejam. Ao menos que durante um dia ao longo do ano, a Luz entre na consciência daqueles que vivem com um deus que é só deles...
Para todos os leitores deste blogue, sobretudo para aqueles que são mais descrentes, um Feliz Natal.
Muitos daqueles que se orgulham de não acreditarem num qualquer ser superior ao Homem, criticando a opção dos católicos, chegam a esta época do ano com o habitual discurso de que o Natal é uma festa com tradições pagãs, esquecendo-se que, na realidade, o Natal surge no tempo do Papa Júlio I (séc. IV) como uma oportunidade para cristianizar uma festa que, de facto, era pagã e que, assim, o deixou de ser. Por outro lado, é costume ouvirmos os ateus criticarem as tradições ditas materialistas do Natal, como o presépio, a árvore ou as trocas de prendas. Esquecem-se que na maioria das famílias católicas, estes costumes têm como objectivo unir as famílias e alegrar os mais novos.
Contradição é, sim, vermos ateus, laicos e agnósticos aproveitarem-se do Natal para cumprirem esta tradição católica e depois virem criticar os católicos. O mesmo se poderia dizer quando aqueles que são ateus aproveitam os feriados religiosos para não trabalharem. Isso sim é contraditório...
Mas, enfim, há que compreender o comportamento daqueles que criticam o Natal e o, sem se darem conta, o festejam. Ao menos que durante um dia ao longo do ano, a Luz entre na consciência daqueles que vivem com um deus que é só deles...
Para todos os leitores deste blogue, sobretudo para aqueles que são mais descrentes, um Feliz Natal.
domingo, dezembro 19, 2004
O problema de Sócrates...
Aos poucos o eleitorado português começa a aperceber-se no que pode resultar uma vitória do PS nas próximas legislativas. Por enquanto, Sócrates ainda vai fugindo à questão que o atormenta: caso ganhe as eleições sem maioria absoluta haverá coligação do PS com os restantes partidos de esquerda?
PCP e BE já vieram a público oferecer-se para apoiarem um hipotético Governo de Sócrates. Ora, utilizando a lógica dos socialistas poder-se-á afirmar que quem quiser um Governo de esquerda, com PS, PCP e BE juntos, que apoie Sócrates, ao passo que quem quiser a continuação de Santana e Portas à frente dos destinos de Portugal que vote no PSD.
Seria um absurdo e um retrocesso civilizacional termos partidos radicais como o PCP e o BE, que pouco evoluíram no tempo, no Governo de um País que faz parte da UE. Penso que Sócrates, por muito que tente fugir à questão, começa a dar-se conta que não irá conseguir estar dois meses com o discurso-cassete do pedido de maioria absoluta. Santana, pelo menos, foi coerente e directo: o PSD não foge a uma possível coligação governamental com o PP e o mais importante é ter mais votos que o PS...
As verdades começam a descobrir-se e na hora dos debates televisivos as fragilidades e contradições de Sócrates virão ao de cima...
PCP e BE já vieram a público oferecer-se para apoiarem um hipotético Governo de Sócrates. Ora, utilizando a lógica dos socialistas poder-se-á afirmar que quem quiser um Governo de esquerda, com PS, PCP e BE juntos, que apoie Sócrates, ao passo que quem quiser a continuação de Santana e Portas à frente dos destinos de Portugal que vote no PSD.
Seria um absurdo e um retrocesso civilizacional termos partidos radicais como o PCP e o BE, que pouco evoluíram no tempo, no Governo de um País que faz parte da UE. Penso que Sócrates, por muito que tente fugir à questão, começa a dar-se conta que não irá conseguir estar dois meses com o discurso-cassete do pedido de maioria absoluta. Santana, pelo menos, foi coerente e directo: o PSD não foge a uma possível coligação governamental com o PP e o mais importante é ter mais votos que o PS...
As verdades começam a descobrir-se e na hora dos debates televisivos as fragilidades e contradições de Sócrates virão ao de cima...
quarta-feira, dezembro 15, 2004
O caminho mais coerente e acertado...
Qualquer que fosse a solução encontrada por PSD e PP quanto à forma como iriam concorrer às próximas eleições antecipadas, era mais que certo que a esquerda viria criticar. Foi o que aconteceu...
Penso que o facto dos dois partidos da coligação irem separados às eleições constitui um acto de coerência e de transparência. Aliás, sempre defendi que o PSD devia ir a votos sozinho... Tal como há dois anos e meio, quando PSD e PP concorreram com listas próprias e só, à posteriori, se coligaram, parece-me óbvio que agora o mesmo teria que ocorrer, sobretudo para tornar claro o peso de cada partido numa hipotética coligação governamental.
Aliás, a decisão tomada por ambos os partidos vai mais além: nenhum dos dois partidos poderá viabilizar um governo minoritário de esquerda. Mais clarividência do que esta opção, parece-me difícil...
Quanto à postura dos partidos da esquerda, nenhuma novidade. O PS desespera pela maioria absoluta e faz um discurso monocórdico. O PCP implora pela não discriminação dos seus parceiros de esquerda. O BE, personalizado na figura de Louçã, pisca o olho aos socialistas. Ou seja, no centro-direita, joga-se claro e limpo. Na esquerda, muito barulho e pouca seriedade.
A campanha segue dentro de momentos. Santana e Portas têm um caminho duro, mas as vitórias sofridas são as mais saborosas...
Penso que o facto dos dois partidos da coligação irem separados às eleições constitui um acto de coerência e de transparência. Aliás, sempre defendi que o PSD devia ir a votos sozinho... Tal como há dois anos e meio, quando PSD e PP concorreram com listas próprias e só, à posteriori, se coligaram, parece-me óbvio que agora o mesmo teria que ocorrer, sobretudo para tornar claro o peso de cada partido numa hipotética coligação governamental.
Aliás, a decisão tomada por ambos os partidos vai mais além: nenhum dos dois partidos poderá viabilizar um governo minoritário de esquerda. Mais clarividência do que esta opção, parece-me difícil...
Quanto à postura dos partidos da esquerda, nenhuma novidade. O PS desespera pela maioria absoluta e faz um discurso monocórdico. O PCP implora pela não discriminação dos seus parceiros de esquerda. O BE, personalizado na figura de Louçã, pisca o olho aos socialistas. Ou seja, no centro-direita, joga-se claro e limpo. Na esquerda, muito barulho e pouca seriedade.
A campanha segue dentro de momentos. Santana e Portas têm um caminho duro, mas as vitórias sofridas são as mais saborosas...
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