sexta-feira, agosto 19, 2005

Entregues à bicharada...

Hoje assisti à apresentação de um novo concurso que a SIC vai emitir a partir de Setembro. Já não bastava termos que aturar com as desgraças que a SIC e a TVI têm vindo a apostar nos últimos tempos no horário nobre da televisão portuguesa, como agora vamos ter que levar com a versão Castelo-Branco na SIC! Este novo lixo televisivo irá chamar-se "Esquadrão G", provavelmente por ser apresentado por cinco gays e parece ter como objectivo transformar labregos em metrossexuais... Mais uma miséria que, às tantas, até vai para o ar depois do noticiário da noite. Enfim, uma desgraça...
Claro que este tipo de programas só os vê quem quer, mas não seria lógico que o Instituto da Comunicação Social tivesse uma intervenção mais activa, no sentido de exigir às empresas televisivas um pouco mais de credibilidade e de preocupações a nível social? É que, se o Estado concedeu licenças televisivas à SIC e à TVI para emitirem em canal aberto, então estas não deveriam ter apenas a missão de encher os seus cofres de lucro, devendo também cumprir o seu papel de intervenientes a sociedade. Não é voltar aos tempos do lápis azul da censura, mas sim perceber que a formação e a educação dos nossos jovens não se concretiza só na Escola, mas também em casa e que, infelizmente, a televisão, a par da Internet, é cada vez mais a companhia da nossa juventude...
Neste sentido, há que elogiar a forma como a RTP tem "ignorado" a guerra das audiências e cumprido o seu compromisso de serviço público. Pena é que canais como a RTP Memória ou a SIC Notícias ainda não estejam à disposição da maioria da população portuguesa e que muitos dos seus programas não sejam emitidos pela RTP1 e SIC.
Agora, com a nova abjecção da SIC que aí vem, qual será a estratégia da TVI? Cavar ainda mais no fundo da podridão televisiva?

quarta-feira, agosto 17, 2005

Na procura da imagem mais dantesca...

As televisões portuguesas, nomeadamente a SIC e a TVI, parecem ter aproveitado a silly season estival para, mais uma vez, competirem na procura das imagens mais aterradoras dos incêndios florestais que grassam por este nosso Portugal. Imagine-se que a própria SIC chegou a introduzir nos seus noticiários uma rubrica, a que chama "Jornalismo do Cidadão", onde se pede ao telespectador da SIC que envie um mail com a imagem mais aterradora de um fogo florestal, qual espécie de concurso a roçar o absurdo e a irresponsabilidade...
Será que as entidades governamentais não podem fazer nada, no sentido de evitar esta instrumentalização dos fogos florestais por parte de alguns órgãos de comunicação social, nomeadamente, das televisões? É que não me admiro nada que este tipo de incentivo à caça do fogo mais espectacular leve gente menos astuta e instruída a provocar incêndios para que a sua terrinha apareça na televisão ou para conseguir uma fotografia "espectacular" e ver o seu nome aparecer no noticiário da SIC como o autor da foto de um qualquer fogo florestal!!!
Será que não há maneira de parar com este vergonhoso aproveitamento da desgraça alheia?
Entretanto, enquanto uma parte substancial do País arde, já lá vão quase duas semanas sem que ninguém ouça o que o Primeiro-Ministro tem a dizer sobre o que por cá se passa. É que lá pelo Quénia, as informações devem demorar a chegar ou então a preocupação de Sócrates é tão pouca que nada o demove de passar férias longe de Portugal... Uma vergonha!

sábado, agosto 06, 2005

Soares e Cavaco: diferenças mais que óbvias...

Partindo do princípio de que Mário Soares e Cavaco Silva serão os principais (e talvez únicos!) candidatos ao cargo de Presidente da República interessa, desde já, e antes que ambos assumam as respectivas candidaturas, inventariar algumas das diferenças existentes entre estas duas personalidades da política portuguesa:
1. Na postura: Soares não tem sabido ser discreto e tem optado pela exposição mediática das suas acções de "audição" e "auscultação", enquanto que Cavaco tem assumido que a sua possível candidatura apenas será comunicada ao País depois das eleições autárquicas, o que demonstra carácter e respeito pelo povo português;
2. Na integridade: Soares anda há menos de um ano afirmava que "nem numa situação-limite seria candidato (...) seria uma loucura", enquanto que Cavaco nunca escondeu a possibilidade de voltar a apresentar uma candidatura ao cargo de PR, o que demonstra que Soares faltou à verdade, enquanto que Cavaco tem no respeito pela verdade uma das suas principais qualidades;
3. Na necessidade do equilíbrio do poder: Soares apresenta-se como fundador do PS, o que implica que nada fará para colocar em risco o Governo de Sócrates, pelo que a sua capacidade de intervenção e independência face ao Governo fica posta em causa, enquanto que Cavaco é reconhecidamente um perito a nível económico-financeiro, o que implica que terá uma maior capacidade de intervenção nas decisões menos acertadas deste Governo;
4. Na forma de estar: Soares vive dos holofotes e da exposição pública, sendo bem conhecido o seu gosto de viajar pelo mundo fora, o que dá a ideia de querer servir-se do cargo de PR para interesses meramente pessoais, enquanto que Cavaco se apresenta como uma personalidade bem mais discreta, sóbria, estudiosa e conhecedora dos reais problemas do País, o que demonstra que os interesses de Portugal estão bem acima dos interesses pessoais;
5. Na lucidez: independentemente da idade de Soares todos recordamos as vezes em que Soares foi "apanhado" a dormir em colóquios e conferências, para além das suas gaffes, como aquela em que confundiu milhares com milhões de euros, enquanto que a Cavaco se reconhece a sua capacidade para durante cinco anos representar condignamente a República Portuguesa.
Estas são apenas algumas das diferenças existentes entre Soares e Cavaco que me levam a pensar que só no caso de termos um povo muito distraído é que Cavaco não será eleito o próximo Presidente da República...

quarta-feira, agosto 03, 2005

"Seria uma loucura", dizia ele...

Há menos de um ano, Mário Soares, a propósito de uma possível candidatura a Belém afirmava o seguinte: "Nem numa situação-limite seria candidato. A política tem de se renovar. Seria uma loucura. Sou uma pessoa que teve um papel na política portuguesa. Mas hoje já não tem".
Que comentários merece uma pessoa que ainda há alguns meses colocava completamente de lado a possibilidade de avançar com uma candidatura à Presidência da República e que, por estes dias, anda, segundo o próprio, a "auscultar e a ouvir o que alguns sectores da sociedade portuguesa têm a dizer sobre o assunto de que se fala"? Sim, porque, nem o próprio Soares consegue ser frontal e dizer se tem ou não vontade de ser Presidente da República! Cada vez mais me parece que ainda há quem julgue que a política é como um brinquedo que se joga quando apetece e se deita fora quando se está farto...
Alegre tem razões mais do que suficientes para estar desiludido com o seu camarada Soares e, agora, mais do que nunca tem razões para apresentar a sua candidatura a Belém, porque nunca omitiu a sua vontade e porque este é um cargo que deve ter contornos de autonomia e independência e não, como fez Soares, com interesses de cariz partidário...
Quanto a Cavaco, que não anda a reboque do PSD, tem agora razões de sobra para ficar mais descansado com a hipótese Soares. É que se ao princípio esta hipótese o poderia preocupar, a forma como a mesma foi desencadeada apenas beneficia a postura íntegra e honesta de Cavaco...

sábado, julho 30, 2005

Que tipo de universidades queremos?

Há uns dias atrás foi dado a conhecer pelo jornal Público (qual haveria de ser!) alguns dos resultados de um estudo realizado por um docente universitário sobre a investigação científica que é feita nas universidades portuguesas.
Primeiro que tudo, dois breves apontamentos. Por um lado, há que elogiar o facto de, mais uma vez, ser o jornal Público a informar os portugueses deste tipo de resultados, uma vez que parece que vivemos num tempo em que se fala muito de estudos, mas vê-los é que nada... Olhe-se para o caso dos ditos estudos sobre o TGV e o aeroporto da OTA de que o Governo tanto fala, mas que ninguém sabe onde é que páram!
Em segundo lugar, há que reconhecer a pertinência deste tipo de análises reveladas pelo Público que servem para reflectir um pouco sobre o que queremos, realmente, do ensino superior público português.
Relativamente ao referido estudo, que dá conta do número de artigos publicados em revistas científicas internacionais, a Universidade de Aveiro aparece destacada como aquela onde a produção e investigação científicas são mais notórias, fruto do resultado obtido de 1,5 artigos publicados, anualmente, por cada docente de carreira. Seguem-se as Universidades do Algarve, do Porto e Técnica de Lisboa com 0,8 artigos publicados por docente. As restantes universidades aparecem com valores inferiores a 0,7 artigos.
Ora, apesar deste estudo ter a mais-valia de alertar as entidades competentes para este assunto e dar conta do reduzido peso que a investigação ainda tem no nosso ensino superior, penso que é um erro reduzir a investigação científica a um mera contabilização de artigos publicados, ignorando outros factores importantes nessa análise, tais como a cooperação universidade-empresa e a realização de estudos a nível local e regional, entre outros. Claro que a publicação de artigos em revistas internacionais é um elemento importante e, nesse aspecto, há que elogiar a Universidade de Aveiro, mas não deve ser esquecida toda a componente prática que uma instituição de ensino superior revela quando apoia as empresas da sua região, fomenta a investigação ligada à indústria, coopera com as autarquias na consolidação de projectos locais, promove a incubação de empresas, etc.
Esperemos que os resultados deste estudo não fiquem na gaveta e sirvam, pelo menos, para aumentar o rigor com que as universidades devem ser avaliadas, por forma a termos universidades não só voltadas para o ensino, mas, cada vez mais, com ligações à investigação e ao desenvolvimento regional.

terça-feira, julho 26, 2005

Nuclear??? Com tanto sol e vento...

Há umas semanas atrás um qualquer empresário deste País que se deve julgar um "expert" em matéria de energia afirmou que a única saída de Portugal para superar a nossa dependência energética face ao exterior seria o de promover a construção de, pelo menos, uma central nuclear. Dizia esse senhor que as vantagens superavam em muito os possíveis riscos inerentes à existência de uma central nuclear, embora, segundo o próprio, esta opção fosse completamente segura e imune a qualquer tipo de acidente.
A conclusão que podemos retirar é que ainda há quem não se tivesse apercebido que Portugal é um dos países com mais potencialidades ao nível das energias solar e eólica, para além da própria energia das ondas e marés e da proveniente das barragens.
Se é uma evidência mais do que clara que devemos investir neste tipo de energias renováveis (apesar do esforço deste Governo, a aposta deveria e poderia ser ainda maior), também se sabe que um dos graves problemas do nosso País prende-se com a dependência total do exterior face ao petróleo, um dos factores responsáveis pelo crónico défice comercial de Portugal. A solução para este problema, enquanto os automóveis e camiões não funcionarem a hidrogénio (talvez daqui a 50 anos...) passaria pelo nosso País conseguir ter influência junto de algumas das nossas antigas colónias que possuem este recurso energético, casos de Timor-Leste ou de Angola. Mas nada! Também neste aspecto deixámo-nos ficar para trás e continuamos sem conseguir termos influência logística junto dos nossos parceiros da CPLP...
Ironicamente, por cá, prevê-se que o investimento em energia eólica, na sua maioria de origem privada, seja de 900 milhões de Euros, menos de metade do que o Governo se prepara para esbanjar em dois projectos alucinantes (o TGV e o novo aeroporto da Ota) que não trazem qualquer contrapartida benéfica a Portugal e, mais, apenas irão beneficiar a economia espanhola...

domingo, julho 24, 2005

Reféns da Ota e do TGV...

Depois de dez anos de Governos de Cavaco Silva dominados pela construção de rodovias, de escolas, de hospitais, de tribunais, enfim, de todo um conjunto de infra-estruturas básicas de que Portugal carecia, seguiram-se seis anos de Guterres em que o que parece ter ficado pouco mais foi que o "investimento" em estádios de futebol e numa novidade chamada "rendimento mínimo garantido" que, na verdade, se transformou numa espécie de subsídio à inactividade e à preguiça. Os Governos seguintes de coligação PSD-PP trataram de se preocupar apenas com a reforma da legislação laboral e com a redução do défice orçamental deixado pelos seus antecessores, numa altura em que o incumprimento das regras comunitárias a este respeito pressupunha a perda de fundos comunitários...
Chegados ao novo Governo PS, chefiado por Sócrates, o que temos? Pois bem, a velha máxima socialista de piscar o olho aos lobbies instalados, neste momento dominados pelas grandes empresas de construção civil que vêem as próximas eleições autárquicas como uma possibilidade de financiarem muitos dos autarcas deste País e, assim, receberem as benesses do Executivo socialista. Deste modo, temos o abandono do conceito gasto do "choque tecnológico" com que Sócrates enganou o eleitorado e passamos à estratégia dos investimentos no betão e no ferro, ou seja, num novo aeroporto a 50 Kms de Lisboa e numa estrutura ferroviária do tipo TGV que apenas servirá para "meia dúzia de executivos" irem a Madrid tratar de negócios. Isto num País que nem sequer tem uma condigna rede ferroviária nacional que ligue, através de Intercidades, as principais urbes de Portugal continental. Quanto ao aeroporto da Ota, será que Sócrates pensa que irá convencer os turistas estrangeiros a aterrarem na Ota quando pretenderem passar férias em Espanha? Está muito enganado...
Importante e urgente seria, efectivamente, investir no capital humano, ou seja, qualificar de forma séria e rigorosa (e não como tem acontecido com muitos cursos de formação que por aí abundam para alguns ganharem muito sem fazerem nada...) a nossa mão-de-obra, ao mesmo tempo que se deveria apostar em dois ou três clusters específicos da nossa estrutura económica (têxteis e vestuário, moldes e vidros), com vista à exportação e, assim, potenciar a entrada de mais valias em Portugal.
Enquanto insistirmos em gastar recursos que não têm retorno e não investirmos a sério na educação, formação e inovação, continuaremos a ver passar-nos à frente os (poucos que restam) nossos parceiros comunitários...

quinta-feira, julho 21, 2005

Se não fosse um assunto tão sério daria vontade de rir...

O Governo de Sócrates teve a sua primeira grande baixa. E, logo, do Ministro que serviu de "porta estandarte" aquando da formação deste Executivo. Ou será que já se esqueceram que Campos e Cunha foi, sem dúvida, a grande surpresa pela positiva de Sócrates, com o intuito de fazer lançar para a opinião pública a ideia que este seria um Governo diferente dos anteriores, com mais personalidades independentes e técnicamente mais habilitadas...
Pois bem, aquele que foi apresentado há quatro meses como um rigoroso e conceituado catedrático de Economia que iria colocar as contas públicas na ordem, desde cedo se começou a revelar como alguém que pensava pela sua cabeça e que não estava no Governo para fazer fretes ao PS. A corda esticou e o Ministro foi obrigado a pedir a sua demissão, vindo agora com a justificação esfarrapada do cansaço e das questões familiares. Ora, então ainda há cinco dias, Campos e Cunha concedeu uma entrevista ao Público, assumindo compromissos para o próximo ano e agora já está cansado. Acredite quem quiser...
Daqui a uns meses lá virá Campos e Cunha contar a verdade sobre este assunto, dando conta dos "podres" existentes no interior deste Governo. A continuar assim, o próximo a seguir-lhe os passos será Freitas do Amaral, quando este constatar que o PS não o irá apoiar para se candidatar às Presidências.
Entretanto, a tralha guterrista volta ao Governo. Desta feita, alguém que durante o último Governo de Guterres também teve responsabilidades no descalabro em que foram deixadas as contas públicas... Cada vez mais se nota que Sócrates está a ser completamente "trucidado" pelo aparelho socialista: agora voltamos à teoria do betão, com os mais que "gastos" TGV e OTA...

segunda-feira, julho 11, 2005

Perdoar dívidas não é solução! E a democracia?

Este último fim-se-semana fica marcado por mais uma barbaridade cometida por uma cambada de estupores que nutrem um ódio implacável contra os valores democráticos e que se servem de justificações estéreis em redor da defesa do Alcorão para matarem inocentes e incendiarem o medo pelos países mais ricos do mundo. Pena é que aqueles que se unem em torno de organizações anti-globalização não percebam que as suas manifestações de pressão contra os EUA só dão mais força a estes terroristas canibalescos...
Ironicamente, ou nem tanto, realizou-se na Escócia mais uma reunião dos oito países mais poderosos do mundo, cujas decisões finais resultaram num aumento da ajuda financeira a África em mais de 50 mil milhões de euros e na anulação da dívida externa dos países africanos mais pobres.
Pois bem, será que alguém já se deu conta que os países africanos mais endividados são a Nigéria, o Egipto, a Argélia e Marrocos, que em conjunto têm uma dívida de mais de 100 mil milhões de dólares? E o que dizer destes países? São governados por gente séria? Elogiam a democracia e a paz? Não têm recursos naturais que possam trazer benefícios às suas populações? Apostam na educação e no desenvolvimento? Enfim, bastará um pouco de cultura geral para responder de forma correcta a estas questões...
Para quando uma política séria que relacione o desenvolvimento africano com dois postulados: a democracia e a paz? É que, por mais que se perdoem dívidas e se injecte dinheiro nestes países, (des)governados por gente corrupta que se instala no poder à custa do desvio das riquezas dos seus povos e do fomento da guerra, não se conseguirá alcançar o desenvolvimento sério de um continente onde a democracia está a milhas de distância de ser concretizada.
Quanto a concertos de grupos musicais que dizem querer fomentar a paz em África, apenas direi que na passada semana as vendas da indústria discográfica aumentaram a olhos vistos...

quinta-feira, julho 07, 2005

Uma Espanha muito estranha...

Há poucos dias foi aprovada, no nosso país vizinho, uma lei que concede aos homossexuais a possibilidade de contraírem matrimónio e adoptarem crianças. Por cá, apesar de toda a pressão exercida pelos grupos que se auto-intitulam defensores dos direitos dos gays, ainda não se vislumbram quaisquer sintomas de que nos deixemos afectar por "modas" que contrariam o bom senso e o respeito pelos valores civilizacionais. Por cá, a maioria do povo português ainda preza o direito à vida, o respeito pela família e a procriação e a defesa dos mais indefesos...
O que mais me surpreendeu nesta "hecatombe" espanhola foi a forma pouco consensual e deveras arrogante como o Governo de Zapatero avançou para uma medida que "destrói" um valor que dura há centenas de anos, banalizando por completo o conceito de família. Zapatero esquece-se que, tal como agora, se socorreu de uma maioria parlamentar para mudar uma lei fundamental, também um próximo Governo do centro-direita que detenha maioria parlamentar facilmente fará voltar esta questão ao seu ponto inicial e do qual nunca deveria ter saído. É que Zapatero nem sequer colocou a hipótese de uma consulta ao povo espanhol, por meio de referendo. Esta atitude do Governo espanhol roça a teimosia, ignorando por completo, a opinião da Igreja Católica e de milhões de espanhóis que deveriam ter sido chamados a pronunciar-se sobre um tema que tem que ver com a defesa da família e os direitos de crianças órfãs, às quais devem ser concedidas um pai e uma mãe.
Alguns amigos meus, meio a brincar, meio a sério, costumavam dizer-me que, se fossemos espanhóis, viveríamos muito melhor. Agora, já colocam um ponto de interrogação nessa possibilidade. É que, mais vale viver num Portugal um pouco menos rico, mas de cara lavada e com orgulho na defesa dos valores da família e das crianças desprotegidas, do que numa Espanha, que na ânsia de "copiar" alguns países menos conservadores, se deixa levar pelo imediatismo de grupos que só pensam nos seus direitos, esquecendo-se que, numa sociedade, contam todos...

quinta-feira, junho 30, 2005

As asneiras de um Estado de mãos largas...

Por estes dias não se fala noutra coisa: impostos, reformas, direitos, privilégios, greves, manifestações... Apesar do Governo tentar colocar água na fervura e desviar as atenções, seja com o recurso ao relançamento do referendo ao aborto, seja com o silêncio ao nível governamental, este período não parece ser de rosas para Sócrates.
Depois dos sindicatos se terem auto-silenciado durante a campanha eleitoral, aparecem agora cheios de força e vontade em abalar com as estruturas sociais deste País. Tudo porque, provavelmente, pensavam que o Governo de Sócrates iria ter uma acção muito diferente da do anterior Governo PSD-PP em termos de revisão de muitos dos direitos que os funcionários públicos possuem actualmente e que urge serem alterados, caso se queira ter um Estado de cariz social com o mínimo de sustentabilidade a médio-longo prazo.
Depois de nos anos 80 e 90, em particular com os Governos de Cavaco Silva, terem sido criados uma série de benefícios de cariz social em favor dos funcionários públicos, desde o sistema da ADSE até à proliferação de subsídios "disto e daquilo" e reformas antecipadas, entre muitas outras regalias, chegou a hora da verdade: o Estado não tem capacidade para cumprir os compromissos que assumiu há cerca de vinte anos atrás...
Sinceramente, sou da opinião que não restava a Sócrates tomar outra solução do que assumir publicamente a necessidade de continuar a política de contenção da despesa pública que o anterior Governo iniciou através da implementação das mudanças no código laboral e do aumento da idade da reforma. Agora há que continuar com a revisão de muitos dos privilégios que os funcionários públicos detêm em comparação com os trabalhadores do sector privado. E, depois da asneira do aumento do IVA, não ter medo de acabar com as SCUT`s!
Quer se concorde ou não, a verdade é que o Estado português não tem capacidade para continuar a ter uma Função Pública com quase 1 milhão de trabalhadores (ninguém sabe o número ao certo, mas se tivermos em conta a acumulação de cargos, o número não andará longe deste...) que apresentam um reduzido índice de produtividade e cujos direitos sociais têm vindo a aumentar sucessivamente desde 1974.
Há que dar um murro na mesa! Pena é que Sócrates tenha agora que se sujeitar a ser apelidado de mentiroso por esses milhares de trabalhadores que andam nas ruas a protestar, desde professores e polícias até enfermeiros e militares...
Mais valia termos um Governo de maioria relativa, mas de consciência limpa, do que um Governo com maioria absoluta, mas de cara envergonhada...

domingo, junho 26, 2005

Stress ou desânimo???

Num recente estudo sobre o stress na docência, da autoria de Alexandra Marques Pinto, da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação, da Universidade Clássica de Lisboa, conclui-se que os professores estão entre os trabalhadores que maiores níveis de stress apresentam. Segundo a investigadora, os docentes são "profissionais sujeitos a elevados níveis de exigência face a recursos insuficientes e poucos apoios por parte da família ou sociedade".
Ora, mais do que o stress, o que me preocupa é a falta de qualidade do ensino, que se agrava à medida que os anos passam e as equipas ministeriais da Educação se vão revezando, sem meter mãos no que, de facto, interessa...Vem esta conversa a propósito da "terrível" semana que se aproxima em termos de reuniões de avaliação. Depois de mais um ano lectivo a esforçar-me para que mais de 100 jovens dos 7º e 8º anos ficassem a conhecer melhor o seu País e o mundo que os rodeia, é tempo de avaliações finais... Ora, esta é das tarefas mais ingratas que um professor pode ter, nomeadamente quando o actual sistema de educação parece favorecer os piores alunos e nivelar a exigência escolar por baixo. A verdade é que, ao contrário do que acontecia há vinte ou trinta anos atrás, toda a panóplia legislativa em termos de avaliação dos alunos tende a quase "proibir" a reprovação dos alunos que, pelas mais diversas razões (das mais compreensíveis às menos aceitáveis) não demonstraram ao longo de quase dez meses de aulas ter capacidade para singrar num sistema educativo que deveria primar pela exigência, rigor e responsabilização.
Custa-me, enquanto director de turma, ter que justificar no papel o facto de um aluno não progredir de ano de escolaridade por manifesta falta de empenho deste, quando são os próprios pais que, por ausência de acompanhamento do mesmo, nada fazem para que o seu filho se aplique nos estudos ou, pelo menos, frequente as aulas quando ainda está em idade de escolaridade obrigatória... Ainda por cima, eu e demais professores do dito aluno estamos sujeitos a ter que reunir novamente em Conselho de Turma para que "sua excelência" transite de ano apenas porque, segundo a lei, se deve fazer tudo (até quase passar um atestado de incompetência aos docentes!) para que um aluno não apresente duas ou mais retenções no mesmo ciclo de ensino.
Para quê tanta protecção aos "maus" alunos? Pois, muito simples! É que desta forma as taxas do sucesso escolar aumentam, mesmo que à custa de ausência de qualidade do verdadeiro aproveitamento escolar. Assim, os nossos políticos já não se envergonharão quando compararem os níveis de sucesso escolar de Portugal no seio da UE. Esquecem-se é que a iliteracia continuará a ser uma "praga" neste País, com sérias consequências ao nível da falta de competitividade da mão-de-obra portuguesa quando comparada com a dos restantes países da UE.
Mais do que o stress provocado pela crescente indisciplina que grassa nas escolas portuguesas, pela ansiedade dos resultados das colocações dos professores, pelo castigo de deixar a família para dar aulas a mais de 100 Kms de casa, é o mal-estar provocado por esta "protecção legislativa" que é concedida aos maus alunos que me incomoda enquando professor...
Nem quero pensar o que será da Educação em Portugal quando, com tanto facilitismo empacotado em leis, decretos-lei, artigos, circulares e despachos-normativos, tivermos um ensino obrigatório até aos doze anos de escolaridade!!!

quarta-feira, junho 22, 2005

Afinal, quem é que tem medo de enfrentar a criminalidade?

Em Portugal, a "espuma" dos dias é ditada pelas manchetes dos jornais e pelas aberturas dos noticiários televisivos. Quase que se pode afirmar que são os editores dos órgãos de comunicação social que decidem o que está na ordem do dia e quais as conversas que (des)animam a vida dos portugueses...
Nos últimos dias muito se tem falado sobre a criminalidade que, dizem alguns, tem vindo a aumentar à medida que a corrente imigratória tende a crescer. Desta constatação até ao fomento de um discurso xenófobo e racista vai um pequeno passo! Ora, será que existe alguma relação entre imigração e criminalidade? Sinceramente, penso que a realidade vai muito para além desta abordagem simplista que alguns parecem querer transmitir para a opinião pública. Mas, isto não quer dizer que seja tão ingénuo ao ponto de dizer que uma parte considerável desta criminalidade nada tem que ver com as comunidades imigrantes provenientes de Leste ou das ex-colónias. Há que ser frontal e dizer que, infelizmente, esta também é uma realidade dos nossos dias, o que implica repensar seriamente a política de integração da população estrangeira, não só em Portugal, como também nos restantes países da UE.
Efectivamente, a questão da criminalidade não se cinge à mera abordagem da origem geográfica daqueles que cometem crimes ou da área de residência dos mesmos. A principal forma de encarar este problema social está sobretudo na forma como a criminalidade é combatida. Ou o Estado tem autoridade suficiente para construir um edifício jurídico que puna de forma clara e sem rodeios aqueles que infringem a lei ou quase que passa a ideia que compensa roubar... Mas, atenção! Não chega ter o discurso da integração social para prevenir estes problemas sociais, sob pena de se enveredar pelo caminho da desculpabilização...
Não é só em Lisboa que há este género de criminalidade ligada ao mundo da delinquência e da droga. Também em muitas das cidades e vilas do Portugal profundo se assiste a este flagelo social dos nossos tempos. Agora, o que não compreendo são as razões que levam as autoridades (in)competentes a considerar este tipo de criminalidade como pouco grave, quando se deveria perceber que o pior tipo de criminalidade é o que vai contra as pessoas e não propriamente os crimes de carácter económico. A lei neste aspecto deveria mudar e punir exemplarmente todo o tipo de crimes que vão contra a integridade física das pessoas. Um assalto tem muito mais consequências nefastas do que a simples perda de um telemóvel ou de uma carteira. É todo o peso psicológico que se segue que deveria ser tido em conta pelos senhores que fazem as leis e as fazem cumprir...
É nestas alturas que admiro a forma firme e rigorosa como nos EUA a questão da criminalidade é combatida: sem rodeios, sem misericórdia e colocando os presidiários a trabalhar no duro e não a passar "férias" durante uns tempos...

segunda-feira, junho 20, 2005

Sindicatos "afundam" professores...

A greve anunciada pelos principais sindicatos da educação (FENPROF e FNE) para esta semana, em plena época de exames, contra as medidas anunciadas pelo Governo relativamente ao estatuto da carreira docente, parece-me revelar-se como uma atitude irresponsável e de completa afronta, que apenas tem como ojectivo relançar a força sindical, sem ter em conta as consequências nefastas que a mesma poderá ter para os alunos e os próprios docentes.
Em relação às medidas que o Governo anunciou apenas discordo da forma "enganosa" como Sócrates se fez passar por alguém muito bonzinho durante a campanha eleitoral e a reviravolta que protagonizou após a tomada de posse. Sócrates enganou "meio mundo" e assim canalizou em seu redor uma onda de protestos. Neste aspecto, estou de consciência tranquila, pois não votei no PS...
Mas, no concreto das medidas há que relembrar que as mesmas parecem ter sido tiradas a papel químico das anunciadas por Santana durante a campanha eleitoral. Concordando, no geral com as mesmas, discordo do congelamento das progressões nas carreiras. Se queriam poupar dinheiro, mais valia congelarem os salários, como fez Durão Barroso. De resto, concordo com o rigor das avaliações, o fim das subidas automáticas de escalão, a extinção dos horários zero e o fim das mordomias para os professores que estão nos sindicatos...
Pena é que o Ministério apenas pareça estar preocupado com o estatuto da carreira docente, esquecendo-se que não basta poupar dinheiro para dar qualidade ao ensino. Aliás, o âmago do problema está no currículo escolar. Aí também se deveria mexer!
Quanto à greve, os sindicatos precisam de se mostrar e depois do que não fizeram durante a campanha eleitoral, resolveram agora afrontar o Governo, os alunos e as suas famílias. Nunca concordei com greves, mas esta apenas a apelidarei de "umbiguista". Muitos dos professores que estão à frente dos sindicatos não sabem o que é leccionar há muitos anos e apenas seguem instruções partidárias...
Reformem-se os sindicatos!!!

quarta-feira, junho 15, 2005

Quando os dogmas atraiçoam as convicções...

As cerimónias fúnebres de Cunhal e toda a panóplia de reportagens, entrevistas e comentários que tornearam o desaparecimento do líder "espiritual" do PCP roçaram, em minha opinião, um excesso de emoção e até de romantismo, sobretudo, por parte daqueles que são comunistas.
A reportagem que, logo na segunda-feira, a SIC emitiu no Jornal da Noite foi um autêntico serviço público no intuito de esclarecer um pouco o percurso político e cultural de Cunhal. Já o programa "Prós e Contras" que a RTP1 exibiu sobre o líder comunista pareceu-me pouco aprofundado, tendo dado a ideia que tudo não passou de uma tentativa de homenagem feita a Cunhal.
Contudo, o que mais me surpreendeu foi a transmissão que as televisões resolveram fazer da cerimónia fúnebre e a forma como o PCP fez desta celebração uma tentativa de exibição do seu poder e da sua força eleitoral. Não havia necessidade. Nem sei se Cunhal gostaria de ter tido um funeral tão ao estilo "propagandista"...
Mas, afinal, o que se pode dizer de Cunhal e do seu percurso? Pois bem, para mim (que apenas tenho 28 anos e, portanto, me baseio no que a História conta), Cunhal ficará nos compêndios históricos como alguém que se deixou levar pelo radicalismo dos seus ideais, nunca tenho reconhecido o fracasso dos mesmos nos países onde vingaram e ainda subsistem, como Cuba.
Cunhal ficou aprisionado nos seus dogmas e tal atitude valeu-lhe o apoio, apenas, daqueles que continuam a teimar que o comunismo é o único sistema político que poderá conduzir ao desenvolvimento económico e social dos povos.
Cunhal pode ter sido um excelente escrito e homem de artes, mas, enquanto político (condição pela qual mais se deu a conhecer) não pode ser a sua morte a valer-lhe o epíteto de herói. Cunhal não soube reconhecer os erros da ex-URSS e a sua teimosia fez com que muita gente em Portugal ainda pense que o caminho certo a seguir é o comunismo. Aí reside a sua derrota...

quinta-feira, junho 09, 2005

Carrilho em versão "pimba"!!!

A apresentação oficial da candidatura de Manuel Maria Carrilho à Câmara Municipal de Lisboa não passou da mera confirmação do que os lisboetas podem esperar de um filósofo da esquerda elitista (não que eu tenha alguma afronta aos filósofos!) como Carrilho à frente de um município de destaque como o de Lisboa.
Se na apresentação do cartaz de candidatura a risada foi à volta dos bairros típicos "trocados" de sítio, desta feita foi a mais que anedótica "cidadões" com que Carrilho nos brindou no seu discurso. A estas peripécias há que acrescentar o não menos engraçado "apoio" que Bárbara Guimarães quis prestar ao seu marido, num estilo meio "pimba", meio "cor-de-rosa"...
Apesar de não votar em Lisboa, tenho muitos familiares (como o meu pai) que o fazem, pelo que me interessa o resultado destas eleições autárqicas, até porque costumo ir a Lisboa frequentemente. Por outro lado, é a reputação da nossa capital que está em jogo...
Ora, a verdade é que Carrilho não me parece a pessoa mais indicada para tomar conta dos destinos do município alfacinha. Por um lado, não basta pensar a cidade para fazer uma boa obra. É preciso saber como é que o cidadão comum "vive" a cidade, para levar a efeito as medidas necessárias para que a cidade seja sustentável e proporcione uma boa qualidade de vida para os que nela habitam e trabalham.
Pelo contrário, Carmona Rodrigues é um homem que já tem o diagnóstico da cidade feito. Por outro lado, mais do que pensar a cidade, Carmona tem os conhecimentos científicos que lhe permitem continuar a fazer uma obra positiva à frente de Lisboa.
Já agora, seria bom que a direita se unisse em torno da candidatura de Carmona, até porque a esquerda parece dividida entre a versão Carrilho-vip ou Fernandes-guerreiro...

quinta-feira, junho 02, 2005

Os sindicatos começam a dar sinal de si...

Será que ainda se lembram de como durante a última campanha eleitoral para as legislativas os sindicatos se comportaram? É que convém não esquecer a forma como a CGTP e UGT se assumiram como "muletas" de Sócrates, depois de terem tornado difícil a vida do Governo PSD-PP.
Agora que a verdade começa a revelar-se (sobretudo para os mais distraídos e ingénuos), começamos a ver surgir nos noticiários televisivos de forma quase diária Carvalho da Silva e João Proença alertando os trabalhadores para a retirada de, como eles dizem, "direitos adquiridos". Esquecem-se de com andaram calados durante a campanha, assumindo ou acreditando nas promessas de Sócrates.
Médicos, professores, polícias e demais funcionalismo público aparecem agora, quais inocentes ofendidos, a exigir a manutenção de direitos que estão na origem, em grande medida, do descalabro das contas públicas.
O que critico são duas stuações: a forma arrogante como Sócrates fez do eleitorado português um "cambada" de estúpidos, fazendo de conta que não sabia o estado real das finanças públicas e a jogada dos sindicatos de esquerda que se assumiram durante a campanha eleitoral como frontais adversários da coligação PSD-PP, optando pelo silêncio em relação às promessas de Sócrates...
Estou para ver até onde vão as pretensões dos sindicatos de esquerda...

quinta-feira, maio 26, 2005

O regresso do monstro!

Depois de mais de dois meses em que o país político esteve quase que "adormecido", devido a um Governo que fingiu governar e optou pela estratégia do silêncio e da passividade, chegamos ao final de Maio e vislumbramos que, afinal de contas, sempre temos um Primeiro-Ministro e um Governo neste País...
Depois da vitória do Benfica no campeonato nacional, José Sócrates resolveu "jogar" as cartas que, ao longo dos últimos meses, foi acertando juntamente com o Presidente da República e o Governador do Banco de Portugal. A "carta" mais forte foi o anunciar de um número que tem um significado real muito diferente do que aquele que o Governo quis e conseguiu fazer passar para a opinião pública menos bem informada. 6,83% é o número da mentira e das desculpas de mau pagador...
Digo isto, porquê? Muito simples. O valor do défice orçamental no final de 2004 foi de 2,8% do PIB. Esse foi o valor da responsabilidade do anterior executivo de coligação PSD-PP registado com o recurso a receitas extraordinárias e num tempo em que o não cumprimento do PEC poderia implicar a perda dos fundos de coesão.
O Governo mudou e as medidas de redução das despesas do Estado e de aumento das receitas (nomeadamente com a introdução de portagens nas SCUT`s, de taxas moderadoras diferenciadas no sistema nacional de saúde, de diminuição dos benefícios fiscais, entre outras) propostas pelo Governo de Santana Lopes e que foram tidas em conta na proposta do orçamento para 2005 não puderam ser concretizadas pela mudança de Governo. Ora, o número de que agora tanto se fala diz respeito à previsão do défice orçamental para Dezembro de 2005, pelo que deve ter como principal responsável o Governo que em 2005 impediu a concretização das medidas anunciadas na proposta de OE para este ano, ou seja, o actual Governo liderado por José Sócrates. Isto, já para não falar de todas as implicações em termos de instabilidade económica que o derrube de um Parlamento estável teve na diminuição do investimento externo em Portugal e na contenção do consumo interno...
Agora muitos daqueles que votaram em Sócrates já se queixam das medidas anunciadas para diminuir o défice, depois de, durante a campanha eleitoral, o PS ter prometido não fazer aquilo que agora vem dizer que vai ter que fazer. Ingénuos foram aqueles que foram atrás da conversa dos socialistas...
Quanto às medidas em si, mais uma vez, se conclui que Sócrates é teimoso. Em vez de se apostar com força na redução das despesas do Estado e no combate à fraude fiscal, opta-se pelo caminho mais fácil: aumentar o IVA de 19% para 21%, o que irá implicar a diminuição do consumo das famílias e o aumento da fuga aos impostos. Outras medidas poderão ser positivas, mas são mais simbólicas do que estruturais. O monstro Estado continua à solta...

quinta-feira, maio 19, 2005

A Constituição da UE: discórdias a bem do esclarecimento...

A posição tomada por Pacheco Pereira, no sentido de abrir caminho ao debate, que se quer esclarecido e frontal, sem demagogias ou fundamentalismos, sobre o referendo da Constituição Europeia parece-me de louvar, sobretudo quando vem de alguém que conhece as instâncias europeias por dentro e que não tem interesses pessoais na matéria. Não quero com isto dizer que sou contra a UE ou a existência de uma Constituição Europeia que possa configurar uma ordem jurídica mais simples e acessível ao cidadão europeu.
Mas, afinal quais são os perigos que a actual proposta constitucional apresenta? Provavelmente, o principal medo que alguns têm sobre o referido documento é a hipótese se haver uma perda de soberania nacional de cada um dos Estados-membros. Ora, convém alertar que o princípio da subsidariedade continua assegurado caso a UE adopte a nova Constituição. Por outro lado, numa UE que se aproxima dos 30 Estados-membros é necessário que deixemos de ter uma organização que se "embrulha" em torno dos mais de 80 000 documentos legislativos, com muita burocracia à mistura e uma reduzida capacidade de transpôr para a prática as intenções levadas a efeito em termos de uma política externa comum.
O que provavelmente não faz sentido é avançar-se para um referendo em tom de ameaça ou chantagem para com o eleitorado, numa espécie de "encosto à parede" onde se diz: "ou votas no sim ou votas no sim"... Quando se aceita o referendo as partes interessadas devem actuar de forma coerente, informando, em vez de ameaçar. E, na França, mais do que informar, há quem tenha vindo para a opinião pública em tom de confronto ou vitimização. Por cá, há que elogiar a atitude tomada por Pacheco Pereira. Esperemos é que não sigamos o caminho da desinformação...

quarta-feira, maio 11, 2005

A solução não passa por despenalizar...

A política assumida por este novo Governo em relação a determinados problemas sociais como o consumo de drogas ou a prática do aborto parece ser a da tolerância exacerbada, a roçar a complacência e a inércia. Ora, um Estado que se quer frontal e responsabilizador na tomada de posições que visem a consciencialização da opinião pública, assim como a defesa e promoção de um estilo de vida mais sustentável e equilibrado, não se deve assumir como o elo mais fraco no que toca à resolução de questões sociais que requerem por parte da população mais jovem a assunção de comportamentos saudáveis e moralmente correctos.
Nos últimos tempos temos assistido a diversas tomadas de posição por parte de elementos deste Governo que parecem estar de acordo com o paradigma liberalizador de alguma esquerda mais retrógrada que defende um Estado menos activo na condenação de comportamentos, no mínimo, duvidosos, quando se deveria preocupar em promover uma sociedade mais equilibrada, reguladora e saudável.
Não condenar o consumo de drogas, por menos duras que elas sejam, é o mesmo que assumir a existência de um Estado fraco que não é pessoa de bem e que prefere ignorar a existência de um problema social, que deve ser combatido por duas vias: a da promoção de comportamentos saudáveis e a do combate ao consumo e tráfico de drogas. Ora, condenar o tráfico, deixando escapar o consumo, é não perceber que se está a passar uma mensagem de liberalização das drogas que terá reflexos preocupantes nas gerações futuras. Por outro lado, o contrário de repressão não tem que ser necessariamente o desleixo. Ora, deixar de penalizar o consumo de drogas demonstra uma atitude de medo para com este problema social, quando o Estado deve ser a última entidade a ter receios de combater eficazmente este tipo de problemas sociais.
Mas, esta atitude de mãos abertas para com comportamentos problemáticos não se fica por aqui. Também no que à prática do aborto diz respeito a ideia em vigor neste Governo é a da despenalização, como que "tirar" a vida a um ser indefeso de dez semanas fosse, em qualquer circunstâncias, uma atitude compreensível e socialmente aceite. Ora, como tudo na vida, cada caso é um caso e nada justifica que se generalizem situações que são díspares. Todos sabemos que não são apenas razões de pobreza ou de marginaliade que levam à interrupção voluntária da gravidez, pelo que um Estado que se quer promotor de ideais responsabilizadores e civilizacionais não se deve "vergar" às teorias do facilitismo e da desresponsabilização.