quarta-feira, novembro 02, 2005

Uma pequena amostra do que aí vem...

Quem hoje assistiu pela TVI à primeira grande entrevista concedida por Mário Soares depois deste ter apresentado a sua candidatura à Presidência da República ficou com uma pequena amostra do caminho difícil que espera Cavaco Silva ao longo dos próximos dois meses...
Só os mais distraídos e menos atentos à política portuguesa é que podem ter ficado admirados com a postura, no mínimo, arrogante e maldosa com que Soares se referiu repetidamente a propósito de Cavaco Silva. Aliás, em vez de ter sido a jornalista a conduzir a entrevista vimos um Mário Soares a aproveitar todas as questões para atacar o seu adversário Cavaco Silva, tendo-o mesmo apelidado de intermitente, silenciador e desconhecedor de política internacional. Soares chegou ao ponto de ler afirmações proferidas por Cavaco Silva em contextos diferentes, ao mesmo tempo que tudo fez para tentar passar a mensagem de Cavaco Silva poderá colocar em causa os direitos dos trabalhadores portugueses, esquecendo-se que é ao Governo de Sócrates que cabe conduzir a política económica e social do País.
Fica claro que a campanha eleitoral não será fácil para Cavaco Silva, sobretudo porque Soares e os restantes candidatos de esquerda não se cansarão de assustar os portugueses com a imagem do Cavaco Silva "papão". Os ataques pessoais serão mais que muitos e a equipa liderada por Soares tudo fará para denegrir a imagem de Cavaco.
Esperemos que o povo português tenha a lucidez suficiente para não se deixar levar neste tipo de ataques pessoais e consiga alhear-se de uma campanha de esquerda que apenas funciona pela negativa e na base do ódio e da raiva...

segunda-feira, outubro 31, 2005

1 de Novembro: um feriado discutível...

Em muitos países do mundo, no dia 1 de Novembro celebra-se o "Dia de Todos os Santos". Este é um feriado de origem católica, embora seja "aproveitado" pela generalidade da população, quer se seja católico ou não para fazer uma folgazinha ao trabalho...
Este é daqueles dias, como a terça-feira de Carnaval e outros, em que não consigo compreender qual a razão que leva o Estado a continuar a institui-lo como feriado nacional, quando aposto que a maior parte da população não o celebra, nem sequer sabe qual o seu significado. Aliás, convém lembrar para os mais distraídos que no dia 1 de Novembro é feriado para que, segundo a Igreja Católica, se "agradeça a existência daquelas pessoas que alcançaram a perfeita introspecção das suas almas Divinas e se ore para que no devido tempo da nossa perfeição, nos possamos juntar aos líderes da Luz"! Será que na prática é isto que acontece? Não me parece...
Depois, não nos podemos esquecer que a maioria da população nem sequer quer saber da Festa de Todos os Santos, nem tão pouco do Dia dos Fiéis Defuntos. Aliás, muitos aproveitam o feriado para passear e, este ano, muitos até o reforçam como fim-de-semana alargado, fazendo "ponte" na segunda-feira...
Eu próprio, que sou católico, não preciso deste feriado para homenagear os meus familiares que já partiram. Todos os dias me lembro dos meus avós e não preciso de me deslocar ao cemitério do dia 1 ou 2 de Novembro para me recordar deles. Aliás, considero absurdo que os cemitérios se encham de gente nestes dias, quando o domingo é já por si um dia de celebração festiva para os católicos...
Por outro lado, a haver feriado, pelo menos poder-se-ia "deslocá-lo" para um dia mais junto ao fim-de-semana para, assim evitar o que, mais uma vez, aconteceu: o País a meio gás durante um dia e parado no seguinte...

terça-feira, outubro 25, 2005

Diferenças mais que óbvias

Como se costuma dizer, os dados estão lançados rumo às eleições para a Presidência da República Portuguesa. Havendo cinco candidaturas assumidas, interessa realçar as diferenças que existem entre os respectivos candidatos e perceber qual o tipo de motivação que os levou a avançar rumo à conquista do lugar de Chefe de Estado.
De Louçã e Jerónimo de Sousa pouco há a dizer. Ambos dão corpo a candidaturas de âmbito partidário, com o objectivo claro de aproveitarem os tempos de antena disponíveis e dispararem "cobras e lagartos" cheios de ódio contra a direita portuguesa.
De Mário Soares e Manuel Alegre, poder-se-á dizer que as suas motivações são diversas, embora envoltas num mesmo propósito prioritário: enfrentar Cavaco Silva numa segunda volta. Soares pretende ter o seu derradeiro e único "frente-a-frente" da sua vida contra Cavaco Silva, já que em nenhuma eleição anterior ambos se enfrentaram. Soares, mais do que nunca, deseja afrontar Cavaco Silva e "atirar-lhe à cara" tudo o que lhe vai na alma, aproveitando os debates televisivos e o interesse da opinião pública. Mais do que nunca, Soares quer fazer a "vida negra" a Cavaco Silva, ao mesmo tempo que sonha com a hipótese de poder vir a receber as luzes dos holofotes durante mais cinco anos. É que Soares é parecido com Manuel Maria Carrilho num aspecto: não consegue viver sem as luzes da ribalta.
Já Manuel Alegre pretende capitalizar o muito do mal-estar que predomina em torno deste Governo, pelo que aproveita o facto de muita da esquerda portuguesa não se rever em Soares para tentar vir a ocupar o cargo de Presidente da República. Por outro lado, e tendo em conta a condição do voto útil, Alegre tem a esperança que numa segunda volta destas eleições possa dar corpo a muito do ressentimento que parte do eleitorado português tem para com Cavaco Silva.
E, de Cavaco? O que poderemos dizer? Muito simples. Depois de dez anos onde a sobriedade e o distanciamento a nível partidário foram provas concretas da capacidade de independência de Cavaco Silva, é chegada a hora de Portugal poder ter como seu Chefe de Estado uma personalidade que dê vida própria a este importante cargo. Não chega termos um Presidente da República que se limita a fazer discursos de incentivo ao povo e cheios de moralidade, ao mesmo tempo que passa metade do seu tempo em cerimónias protocolares e viagens de representação. Este é o cargo e o momento apropriados para Cavaco Silva. É Portugal quem fica a ganhar...

quarta-feira, outubro 19, 2005

Pois é! A resposta está na educação...

Quem diria que numa conferência com dois dos mais reputados pensadores da economia mundial se tenha chegado à conclusão (como se fosse uma grande novidade!) de que a educação é a resposta certa para ultrapassar a crise por que passa Portugal. Pois é! Numa recente iniciativa de um grupo bancário, vieram a Portugal, dois Prémios Nobel da Economia falar sobre a actual situação da economia portuguesa e ambos referiram-se à aposta na educação como um ponto fulcral para que o nosso País possa, de uma vez por todas, seguir o rumo certo no sentido de conseguir fazer face a outras economias mundiais (nomeadamente a China e dos países do Leste europeu) e, assim, aproximar-se das principais potências europeias...
No entanto, verificamos que, apesar das nossas despesas na área da educação serem muito próximas (em percentagem do PIB) das realizadas por países como a Finlândia ou a Alemanha, o facto é que o retorno em termos de sucesso escolar em Portugal é deveras confrangedor. Daqui se conclui que, mais do que aumentar a despesa pública na educação, interessa que saibamos racionalizar os gastos. É que os gastos supérfluos na educação devem ser, actualmente, mais que muitos...
Por outro lado, algumas das medidas que estão a ser implementadas por este Governo são de proveito muito duvidoso. "Enfiar" os alunos na escola durante todo o dia, com mais de dez disciplinas, sem recursos convenientes e exigindo que estes "metam" na cabeça fórmulas, conhecimentos teóricos e outras matérias de pertinência duvidosa, sem perceber que o sucesso escolar passa em grande medida pela forma como se ensina e pelos recursos afectos a este processo, é meio caminho andado para o insucesso escolar.
Depois, não nos podemos esquecer do ensino superior existente no nosso País e da forma como uma boa parte do ensino universitário e politécnico português não passa de um mero saber enciclopédico, desprezando a investigação e a ligação à vida real. Gastar mais dinheiro é importante, mas não chega. É importante exigir mais do Ensino Superior Público Português. Isto já para não falar da reduzida exigência que existe em algumas instituições de ensino superior públicas e, sobretudo privadas, em Portugal.
Mas, continuo a pensar que enquanto não houver uma nova reforma do ensino básico e secundário em Portugal continuaremos a destacar-nos pela negativa ao nível dos rankings europeus da educação.

domingo, outubro 16, 2005

Ai Portugal, Portugal...

E, isto porquê? Apenas porque vivemos num País em que meio "mundo" tenta enganar o outro meio "mundo". Pego no jornal e leio a letras garrafais: "Laboratórios farmacêuticos condenados por cartelização". Miséria! É uma vergonha termos um País onde empresas que fabricam medicamentos essenciais a milhares de portugueses se organizam e combinam preços para aumentarem os seus lucros, já de si enormes, à custa dos contribuintes e dos doentes. E qual é o resultado da condenação? Uma multa pecuniária, sem haver lugar a um processo-crime...
Mas, há mais! No país da UE onde há mais desigualdade entre ricos e pobres, pode-se ler no jornal que, em menos de um ano, já quase cem mil pessoas desempregadas recusaram um trabalho oferecido pelos Centros de Emprego do IEFP. Mas, afinal para onde vamos? Damo-nos ao "luxo" de termos desempregados a rejeitarem empregos. E, depois, ainda há quem culpe os imigrantes da crise que grassa pelo País. Mas, claro, crise só para alguns...
O mínimo que se pode dizer é que não podemos deixar de nos sentir indignados e inconformados quando notícias deste género se multiplicam a olhos vistos, num País onde alguns dos valores básicos pelos quais se deve reger uma sociedade equilibrada e decente começam a definhar...

quarta-feira, outubro 12, 2005

Era uma vez...

Era uma vez um jovem que, desde cedo, vendo-se confrontado com a ausência de um pai (que pouco tempo dava à família e tinha nos seus "amigos" a prioridade do seu tempo) teve no seu avô a imagem daquele "velho", que com a sua sabedoria e argúcia, fazia brilhar de orgulho os olhos do pequeno jovem.
Assim, desde muito novo que o rapaz começou a acompanhar o seu avô, em vivências e aventuras que a memória guardará para sempre. Fosse em tertúlias de café que o avô tinha com os da sua idade e para as quais fazia questão de levar o neto ávido de curiosidade; fosse nos passeios que ambos faziam pelos caminhos escondidos da Serra da Estrela, munidos apenas de um saco de maçãs e de uma garrafa de água; fosse nas esplanadas das praias da Figueira da Foz e de S. Pedro de Moel, no tempo das férias de Verão, nas quais as mulheres iam para o areal tomar banhos de sol e eles os dois ficavam numa qualquer esplanada virada para o mar, com o avô a contar histórias com mais de meio século; fosse na velha oficina de encadernação em que o avô dava largas à sua vocação de artista (encadernador de livros), com o jovem rapaz a aprender com o velho mestre avô a arte de bem encadernar; enfim, muitas foram as horas nas quais avô e neto passaram juntos belos e inesquecíveis momentos...
Esse jovem sempre viu o avô como o seu grande ídolo, pelo que desde novo foi decisivamente influenciado pelos ensinamentos que o avô lhe foi dando, assumindo a defesa de valores para os quais o seu velho mestre sempre se esforçou: o respeito, o esforço, a dedicação e a verdade... Assim, com o passar dos anos, o jovem rapaz foi moldando a sua maneira de ser, sem nunca esquecer os conselhos que o seu avô lhe prestou.
Agora que o seu avô deixou o mundo dos vivos, o jovem sabe o que seu velho mestre estará para sempre presente junto de si, em lembranças e recordações de momentos maravilhosos por ambos vividos e, inclusivamente, nas formas de pensar e estar na vida assumidas por esse rapaz, qual fã que segue os passos do seu ídolo.
Esta história é verídica. O rapaz sou eu e o velho mestre o meu avô. Jamais te esquecerei, querido avô...

segunda-feira, outubro 10, 2005

Autárquicas 2005: uma breve reflexão

Os resultados destas eleições autárquicas evidenciam, em primeiro lugar, que a maioria dos portugueses estão satisfeitos com o trabalho desenvolvido pelos "seus" autarcas, apesar de tudo o que se diz e se sabe sobre o endividamento de muitos municípios e as ligações perigosas que alguns autarcas parecem ter com o lobbie da construção civil...
Por outro lado, não admitir que o PSD e a sua liderança saem reforçados destas eleições é não querer admitir que a estratégia levada a cabo por Marques Mendes deu excelentes resultados, da qual a derrota em Faro constitui a excepção que confirma a regra. Depois, há que aceitar os factos: o PS, nas pessoas de Jorge Coelho e José Sócrates, saem amplamente derrotados, visto que os candidatos por eles apoiados a cidades tão importantes como Lisboa, Porto, Sintra, Coimbra ou Gaia tiveram resultados aquém dos esperados, alguns dos quais vergonhosos. Outros derrotados que deveriam aprender a lição e afastar-se de vez da política foram Carrilho e Soares (pai e filho).
Quanto à questão que se tem levantado sobre se o Governo deve tirar ilações desta derrota socialista, penso que tal não se deve colocar. Os portugueses sabem distinguir os actos eleitorais e não acredito que alguém fosse votar num candidato do PSD, da CDU ou de outro partido apenas para penalizar o Governo. Agora que Sócrates sai fragilizado, enquanto líder do partido que apoia o Governo, disso não restam dúvidas.
E o que dizer do trio de independentes de que tanto se fala? Penso que os eleitores desses três concelhos avaliaram de forma positiva a acção desenvolvida nos respectivos municípios por Valentim, Fátima e Isaltino, ignorando a falta de ética que estes demonstraram. Mas, fica claro que ainda há que legislar muito para que algum caciquismo seja derrubado a nível autárquico e para que a ética política seja valorizada para bem de todos nós. Aliás, a postura de Valentim na hora de cantar vitória demonstra bem que há quem tenha muito medo de perder o poder. Porque será?
Seguem-se as presidenciais...

sábado, outubro 08, 2005

Por um final de vida com dignidade...

Hoje, 8 de Outubro, comemorou-se o Dia Mundial dos Cuidados Paliativos. Tal como em muitas outras ocasiões, hoje falou-se um pouco sobre este fenómeno nos noticiários televisivos e jornais, para depois se passar mais um ano no silêncio e esquecimento. Até é provável que muita gente desconheça o significado de "cuidados paliativos" e nem sequer se dê ao trabalho de reflectir sobre este novo desafio com que as sociedades desenvolvidas se confrontam...
É que com o aumento da esperança média de vida e o reforço da medicação tem vindo a aumentar o número de pessoas que têm um final de vida cheio de sofrimento, numa espécie de morte degenerativa. Com uma população cada vez mais envelhecida e, muitas vezes, esquecida e abandonada pelos mais novos (até pelos próprios filhos!) cabe ao Estado, na sua vertente social, prestar o apoio efectivo e qualificado aos que são confrontados com doenças prolongadas e incuráveis. Portugal apenas possui sete hospitais preparados para cuidar destes doentes, pelo que, num País onde o envelhecimento é cada vez mais notório, urge apostar na criação de estruturas e na formação de profissionais especializados a este nível.
Sei do que falo, visto que tenho assistido, de há dois anos a esta parte, ao sofrimento que tem tomado conta do meu avô e que tem sido, dentro do possível, minimizado pela acção que tem sido desenvolvida pelos excelentes profissionais do Serviço de Medicina Paliativa do Hospital do Fundão.
Ninguém sabe o dia de amanhã, mas não desejo a ninguém o final de vida que tem tomado conta do meu avô. Apesar do sofrimento que o aflige, ele tem a sorte de ter uma família que o tem apoiado continuamente e a excelência de um serviço hospitalar especializado nos cuidados paliativos. Mas, pensemos nos milhares de idosos que são simplesmente abandonados às portas da morte! E, não me venham com a conversa da eutanásia...
Aqui deixo o meu sincero agradecimento a todos os profissionais (médicos, enfermeiros e auxiliares) que dão do seu melhor em benefício daqueles que têm o azar de ter um final de vida em sofrimento. E, ao meu querido avô, que "espera" agora que Deus o chame, o meu muito obrigado por todos os ensinamentos de vida que me deu e moldaram, em muito, a minha personalidade.

terça-feira, outubro 04, 2005

Que dizer das eleições do próximo domingo?

A poucos dias de mais um acto eleitoral, não acredito que ainda haja eleitores que não sabem em quem irão votar. O mesmo não direi em relação aos que, de tão desiludidos que estão com os políticos, ainda não sabem se irão dar-se ao "trabalho" de votar...
Depois de semanas onde se gastaram "rios" de dinheiro, com propaganda aberrante, sem grande utilidade e, em alguns casos, de muito mau gosto, é tempo de cada munícipe participar na escolha do seu "governo" local. De facto, no próximo domingo deve-se votar apenas com o propósito de escolher o melhor candidato a Presidente de Câmara, independentemente do seu partido ou ideologia política. Dou o exemplo da cidade de onde sou natural: a Covilhã, cidade outrora operária, conhecida como a "Manchester Portuguesa" e de forte tendência de esquerda (nas últimas legislativas o covilhanense Sócrates registou mais de 60% dos votos locais), tem à frente do município um homem do PSD, mas que tem tido o apoio dos covilhanenses, por via do excelente trabalho que o mesmo tem vindo a desenvolver em prol do concelho. Isto só prova que votar contra ou a favor da acção do Governo em eleições autárquicas não faz qualquer tipo de sentido.
Por outro lado, o eleitorado tende a criar certos laços de cumplicidade com o Presidente de Câmara, quando este aposta num estilo de populismo ou até bairrismo desenfreado contra os ventos de mudança. Assim, se explica que candidatos suspeitos de crimes de corrupção, mas detentores de simpatia popular, como Fátima Felgueiras, Valentim Loureiro, Isaltino Morais ou Ferreira Torres, tenham grandes hipóteses de ganhar no próximo domingo.
Nas grandes cidades, mais do que os programas eleitorais, é o perfil dos candidatos que decide quem tem mais hipóteses de vencer. Ora, se em Lisboa a vitória de Carmona poderá ter origem na rejeição do estilo de Carrilho, já no caso do Porto, poderá ser o estilo independente e rigoroso, mas também afável e simpático de Rui Rio a dar-lhe o segundo mandato consecutivo.
Confundir eleições autárquicas com maior ou menor descontentamento pelo desempenho de Sócrates parece-me um disparate. Mas, o que é mais grave é ver que alguns portugueses não se importam de depositar confiança em candidatos que simplesmente não deveriam poder apresentar-se a eleições democráticas...

sexta-feira, setembro 30, 2005

Sócrates, do que esperas?

Sócrates anda numa roda viva, com anúncios quase diários de novos planos e projectos, segundo ele, de grande impulso inovador. Eles são os Projectos de Potencial Interesse Nacional, o Plano da Ota e do TGV, o Plano Nacional de Emprego, o Programa "Novas Oportunidades", o Programa Inov Jovem, entre muitos outros planos...
No entanto, Sócrates e a sua equipa parece que andam distraídos relativamente a um assunto crucial e de extrema importância para a própria sustentabilidade do nosso País: a recessão demográfica que tem vindo a atingir Portugal!
Esta semana vieram a público diversas conclusões acerca da situação populacional portuguesa. Cada vez há menos nascimentos, visto que o número médio de filhos por mulher em idade fértil é pouco mais que um (1,4), ao mesmo tempo que a proporção de população idosa continua a aumentar, "engordando" as despesas do Estado com as reformas e os subsídios à terceira idade.
E o Governo? O que diz em relação a este estado de coisas? Nada, absolutamente nada... Ou melhor, este Governo parece estar bem mais interessado com a política de despenalização do aborto, em vez de se preocupar com medidas que visem fomentar a natalidade, implementando, por exemplo, um plano de acção que proporcione melhores condições sociais e financeiras aos casais que querem ter filhos...
Por este andar, no ano 2050 Portugal será um País de velhos, a suplicar por imigrantes, com vista a fazer frente à falta de população activa, ao mesmo tempo que muitos dos direitos da população idosa simplesmente serão retirados, por falta de sustentabilidade financeira para cumprir com os encargos socais de um população cada vez mais idosa!

segunda-feira, setembro 26, 2005

Atirar areia para os olhos...

A pré-campanha eleitoral para as próximas autárquicas de Outubro tem dominado a situação política do País, ao mesmo tempo que continua a saga protagonizada pelos sindicatos da função pública e o controlo rosa do aparelho do Estado.
Os debates televisivos tidos entre os candidatos a algumas das principais autarquias do País (neste âmbito não se compreendem os debates sobre Felgueiras ou Gondomar) têm-se revelado, salvo raras excepções, autênticas peças de teatro onde dominam o sarcasmo, a raiva, a mentira e a acusação. Eu cá tenho aproveitado o visionamento destes debates para me rir um pouco das "tiradas" dos nossos políticos. A este nível, é deveras vergonhosa a forma como alguns dos candidatos a Presidentes de Câmara não têm pejo algum em vir aliciar o eleitorado com a promessa de criação de postos de emprego. Esta é a típica promessa (ou compromisso, como alguns lhe gostam de chamar) que equivale a atirar areia para os olhos do Zé-povinho, como se um Presidente de Câmara tivesse uma varinha mágica que permitisse fomentar a criação de emprego!!!
Sócrates foi o primeiro a dar o exemplo com a sua conversa dos 150 000 postos de emprego. Esqueceu-se o nosso Primeiro-ministro que o emprego é uma realidade cada vez mais volátil, dependente da conjuntura económica internacional e da capacidade dos empresários em realizarem investimentos sustentáveis. Quanto aos candidatos a Presidentes de Câmara, estes apenas deviam falar dos seus projectos ao nível das infra-estruturas e equipamentos colectivos e das medidas de índole social e cultural que tencionam tomar, em vez de virem com o "rebuçado" do emprego... Mas, ainda há quem vá na conversa fiada das promessas!!!

quarta-feira, setembro 21, 2005

Qualificar? Sim, mas com exigência!

A prioridade concedida por este Governo à qualificação da população portuguesa, nomeadamente da que está em idade adulta, é de elogiar e assenta numa estratégia que vem da famosa Estratégia de Lisboa e que, em grande medida, redundou num grande fracasso por toda a UE.
Mas, mais do que princípios teóricos ou o simples enumerar de intenções, interessa contextualizar as propostas que o actual Executivo tem em vista levar a cabo. Ora, a verdade é que Sócrates e a sua equipa governamental parecem não perceber que quanto maior é a escalada, maior pode ser a queda. Afirmar que com um novo Programa "Novas Oportunidades" se conseguirá, até 2010, aumentar as qualificações de um milhão (?) de portugueses e triplicar a oferta de cursos técnicos e profissionais, sem entender que muito do esforço terá que ser feito a montante dos problemas, é o mesmo que deitar areia para os olhos dos portugueses e preparar o caminho para, uma vez mais, esbanjar dinheiros públicos como tem sido feito com o conjunto de "investimentos" que têm vindo a ser realizados ao nível de muitos programas de formação profissional, onde os formadores são muito bem pagos e os alunos saem dessas acções com um diploma na mão, mas, muitas vezes, a saber o mesmo de quando entraram nesses programas...
Será que Sócrates quer formar à pressa um milhão de portugueses sem seguir regras básicas, como as do rigor, do esforço ou da exigência? É que formar por formar não leva a lado nenhum... Veja-se o que se passa com grande parte das escolas profissionais, onde a exigência é francamente reduzida. Ou o caso de muitos centros de formação deste País, onde se gastam milhões de euros todos os anos com alunos e formadores e cujo resultado final tem deixado muito a desejar. As empresas que o digam...
Só com rigor, disciplina e esforço da parte de quem ensina e aprende é que poderemos formar pessoal qualificado a nível técnico e de cursos médios e profissionais que possam proporcionar às empresas portugueses aumentos de produtividade, de forma a competir eficazmente num mercado cada vez mais exigente... O resto é conversa!!!

domingo, setembro 18, 2005

Assim não...

A forma esbanjadora e a roçar o estilo da "peixaria" como têm decorrido muitas das campanhas para a eleição das próximas equipas camarárias em muitas das principais cidades portuguesas, como Lisboa, Porto, Sintra, Oeiras ou Coimbra constitui um autêntico atentado ao respeito que os candidatos autárquicos deveriam ter, ao menos, pelos seus concidadãos...
Quem assistiu, na semana passada, à "verborreia" vergonhosa que caracterizou o debate entre Carmona Rodrigues e Manuel Maria Carrilho transmitido na SIC-Notícias deve ter sentido que aqueles dois senhores apenas tiveram a preocupação de mostrar os "podres" do adversário, em vez de elucidarem o eleitorado acerca das suas propostas. Também no Porto se nota que os dois principais candidatos à Câmara Municipal (Rui Rio e Francisco Assis) mal se podem ver, tal é a raiva que grassa pela cidade nortenha por causa do Túnel de Ceuta e do Mercado do Bolhão.
Depois há que acrescentar o "encharcar" de poluição visual que inundou o País, de norte a sul, num estilo que não olha a meios para gastar dinheiro e depositar verdadeiros "monos" que em nada contribuem, penso eu, para que a decisão final do voto seja tomada...
Os comícios a sério ainda não começaram, mas estas parecem ser umas eleições que apenas irão demonstrar que os políticos cada vez mais se parecem com os dirigentes do futebol: discutem, odeiam-se, maltratam-se e dão o exemplo inverso daquele que deveria ser dado às novas gerações. E, depois ainda há quem se admire da juventude que temos...

sábado, setembro 10, 2005

Contra um Portugal de corporações, mude-se a lei!

Pois é, depois de políticos e sindicatos terem estado dois meses sem nos "chatear" e dos incêndios florestais terem ocupado as capas de jornais e as aberturas dos noticiários televisivos, chegamos à época do "volta à carga". Sócrates e companhia recomeçam o ano político afirmando que o País está a recuperar e a voltar ao rumo certo (parece esquecer-se que as exportações continuam a diminuir e que o investimento registou uma forte quebra!), enquanto que os sindicatos corporativos voltam a marcar manifestações e greves, fazendo de Portugal um dos países da UE onde menos se trabalha por motivos de contestação laboral...
Há que ter a coragem de impor limites ao modo subversivo como algumas associações sindicais, quais autênticas corporações, se aproveitam de alguns direitos para prejudicarem a maioria dos portugueses e impedirem o desenvolvimento de Portugal. Altere-se a lei, que com quase 30 anos já pede reforma!!!

quinta-feira, setembro 08, 2005

Demolições, rissóis e uns copos...

Só mesmo em Portugal para termos tanto frenesim em redor da demolição de duas torres na região de Tróia. E só mesmo Belmiro de Azevedo para vir falar em espectáculo, depois da SIC ter decidido transmitir em directo a implosão dos dois edifícios. Mas, o mais caricato, digno da elevação de uma mera banalidade de engenharia a um acontecimento que obrigou à presença do Primeiro-Ministro e de dezenas figuras do Estado português foi vermos, na SIC-Notícias, Sócrates falar da concretização seu primeiro PIN (projecto de Potencial Interesse Nacional), enquanto nas suas costas estava uma multidão a comer rissóis e bolinhos, bem regados com sumos e vinhos da região... A típica atitude portuguesa: aproveitar qualquer cerimónia para encher a barriga!!!
Quanto aos "coitados" de Grândola, que tiveram direito a uma écran gigante para verem o tal "espectáculo", foi surrealista ver a jornalista da SIC questionar a alguns habitantes da vila alentejana se acreditavam que o projecto turístico de Tróia poderá vir ser a estratégia para contrariar o desemprego daquela região. Já estou mesmo a ver a população desempregada de Grândola, sem estudos, nem qualificações a servir à mesa dos restaurantes de Tróia! Que rico serviço...
Há que compreender que o turismo não pode ser elevado à qualidade de único "salvador" da Pátria e que os portugueses têm capacidade para muito mais do que simplesmente "vender" praia e sol...

segunda-feira, setembro 05, 2005

Candidaturas pela negativa

A cerca de um mês das eleições autárquicas e a mais de meio ano das eleições presidenciais, os três partidos de esquerda já avançaram com as suas candidaturas ao cargo de Presidente da República (PR). Sim, é verdade! E não me venham com a conversa de que as eleições presidenciais são unipessoais e independentes dos partidos, porque, até agora o que temos visto foi a intervenção activa do PS, do PCP e do BE na apresentação dos seus candidatos ao cargo de PR.
No entanto, mais do que me admirar com esta postura uniforme da esquerda portuguesa, o que mais me surpreende é a actuação pela negativa com que Soares, Jerónimo e Louçã anunciaram aos portugueses as suas candidaturas. De facto, estes senhores demonstram ter em comum um ódio a Cavaco Silva que não se compreende...
Soares vem falar na necessidade de unir o País em torno da sua candidatura, quando o próprio bem sabe que Cavaco Silva teve mais de 48% dos votos nas últimas eleições a que se apresentou há dez anos atrás. Depois, vemos Jerónimo de Sousa vir com a conversa de que a direita não pode chegar à Presidência da República, quando ele bem sabe que quem conduz a política económica de um país é o Governo. Finalmente, temos a cassete do Louçã que apenas sabe atacar de forma grosseira e malcriada Cavaco Silva, parecendo esquecer-se que tal atitude é ofensiva para centenas de milhares de portugueses.
Enfim, apesar de uma esquerda dividida em três candidaturas, que Cavaco agradece e deixa Sócrates pior que estragado, não há dúvidas de que Soares, Jerónimo e Louçã tem algo em comum: o estilo baixo e arrogante de quem se apresenta a votos pela negativa... O costume!!!

quinta-feira, setembro 01, 2005

Regresso ao trabalho

Depois de uma semana de descanso por terras magníficas do Gerês e agora que as baterias já estão "recarregadas", é tempo de voltar ao trabalho e à escrita. Ora, neste primeiro artigo depois das férias, poderia vir aqui escrever sobre os incêndios deste Verão, os anúncios da desistência acobardada de Alegre ou do avanço arrogante de Soares à Presidência da República, do terrível furacão que assolou Nova Orleães ou do regresso das campanhas autárquicas à ordem do dia. Mas não... Decidi-me por retornar ao tema a que me tinha referido no meu último artigo: a vida de professor...
Pois é, como tinha previsto, nos últimos três dias, depois de várias semanas em que o tema da Educação parece ter estado arredado das primeiras páginas dos jornais, eis que voltamos à conversa de sempre: publicadas as listas de colocação de professores, os sindicatos da educação emergem da "maresia" por onde tinham andado e voltam à carga com anúncios de manifestações e greves contra a política de recrutamento de docentes vigente em Portugal. FENPROF e FNE aproveitam-se de mais de uns largos milhares de novos desempregados para voltarem à sua rotina de propaganda eleitoralista.
Quanto à actuação da Ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, que é pouco dada a aparições públicas, continua tudo na mesma: as vagas em quadro de escola e de zona são insuficientes para preencher a oferta de docentes existente, mas, mesmo assim, continuam a abrir centenas de vagas nas universidades públicas e privadas para a frequência de cursos do ramo educacional; continuam a proliferar escolas com 30 alunos por turma, sem se dar prioridade ao sucesso escolar; as ajudas de custo de transporte e alojamento na função pública parecem continuar a ser privilégio só de alguns (como os juízes), enquanto há professores que vão leccionar a centenas de Kms da sua área de residência, sem que isso pareça ser importante para a tutela...
A ver vamos quais vão ser as medidas de fundo que este Ministério da Educação irá implementar, depois de quase meio ano em que nada de novo aconteceu na área da educação, a não ser o alargamento da componente horária dos professores e do congelamento das carreiras... Quanto ao sucesso escolar, parece que esta equipa ministerial está pouco interessada em fazer algo nesta matéria...

quarta-feira, agosto 24, 2005

Vida de professor...

A faltar uma semana para o início de um novo ano lectivo (não para os alunos, mas sim para os professores) o Ministério da Educação veio anunciar a público, através de uma simples circular, que as listas de colocação de professores só serão publicadas no dia 30 de Agosto, ou seja, a 48 horas do dia de apresentação dos docentes nas suas novas escolas.
Afinal, as expectativas criadas pela Ministra Maria de Lurdes Rodrigues de que os professores estariam colocados na terceira semana de Agosto saíram defraudadas. Mais uma vez, dezenas de milhares de famílias estarão os seus últimos dias de férias numa "crise" de stress e angústia à espera de saberem que futuro as espera: ficar longe de casa, ficar com um horário incompleto ou até ficar no desemprego...
Eu, que marquei as minhas férias para a última semana de Agosto a pensar que iria descansar durante uns dias longe da balbúrdia das colocações, afinal só a dois dias do começo de um novo ano lectivo ficarei a saber o que me calhará na "rifa". Lá terei depois que organizar a vida familiar à pressa (quem sabe arranjar uma nova casa!) para estar cheio de vontade de conhecer as novas turmas, os novos colegas, a nova escola, a nova terra, enfim, mais uma "aventura"...
A todos os leitores deste blogue uma continuação de boas férias, se for esse o caso. Eu cá vou desfrutar das paisagens do Parque Nacional da Peneda-Gerês. Até Setembro...

segunda-feira, agosto 22, 2005

Com tantos planos, o que se pode esperar?

Depois do Primeiro-Ministro ter regressado de quinze dias de férias no Quénia é que o Presidente da República se lembrou de vir a público dizer o que pensa sobre os incêndios que deflagram por este Portugal fora...
Sampaio veio com a conversa do costume: que é necessário apoiar os bombeiros, que urge ser-se solidário, que interessa prevenir, que é importante saber as causas dos fogos florestais e que é imprescindível planear... Nada de novidades. Nem sequer teve coragem de repreeender o chefe do Governo pela prova de desprezo que demonstrou ter com o povo português ao não querer encurtar as suas férias...
Quanto ao planeamento de que deve ser alvo a floresta portuguesa, falar é fácil. O pior é concretizá-la. Eu bem percebo a ideia do caro Congeminações, mas será que um dos problemas do sector florestal, entre muitos outros, não é precisamente a excessiva mania de planear que existe em Portugal? É que, não tenhamos dúvidas: o processo de planeamento é importante, mas quando temos planos que se contradizem entre si, o resultado não pode ser muito benéfico.
Ora vejamos: são os Planos Regionais de Ordenamento do Território, os Planos Regionais de Ordenamento Florestal, os Planos de Defesa da Floresta contra Incêndios, os Planos de Desenvolvimento Sustentável da Floresta Portuguesa, os Planos Municipais de Intervenção na Floresta, os Planos Directores Municipais, os Planos Intermunicipais de Intervenção na Floresta, os Planos Zonais das Áreas Protegidas, os Planos Orientadores de Prevenção, entre muitos mais planos... Com tantos planos, a sobreposição e a contradição é mais do que inevitável.
Não seria melhor intervir à escala municipal? Para quando uma verdadeira política de defesa do municipalismo, onde as Câmaras Municipais possam ter competência e meios suficientes para intervir junto dos proprietários florestais e das comunidades locais na defesa da floresta? E, já agora, que a fiscalização seja levada a séria, tanto para as autarquias, como para o proprietário florestal. Entretanto, a floresta portuguesa continua a arder...

sexta-feira, agosto 19, 2005

Entregues à bicharada...

Hoje assisti à apresentação de um novo concurso que a SIC vai emitir a partir de Setembro. Já não bastava termos que aturar com as desgraças que a SIC e a TVI têm vindo a apostar nos últimos tempos no horário nobre da televisão portuguesa, como agora vamos ter que levar com a versão Castelo-Branco na SIC! Este novo lixo televisivo irá chamar-se "Esquadrão G", provavelmente por ser apresentado por cinco gays e parece ter como objectivo transformar labregos em metrossexuais... Mais uma miséria que, às tantas, até vai para o ar depois do noticiário da noite. Enfim, uma desgraça...
Claro que este tipo de programas só os vê quem quer, mas não seria lógico que o Instituto da Comunicação Social tivesse uma intervenção mais activa, no sentido de exigir às empresas televisivas um pouco mais de credibilidade e de preocupações a nível social? É que, se o Estado concedeu licenças televisivas à SIC e à TVI para emitirem em canal aberto, então estas não deveriam ter apenas a missão de encher os seus cofres de lucro, devendo também cumprir o seu papel de intervenientes a sociedade. Não é voltar aos tempos do lápis azul da censura, mas sim perceber que a formação e a educação dos nossos jovens não se concretiza só na Escola, mas também em casa e que, infelizmente, a televisão, a par da Internet, é cada vez mais a companhia da nossa juventude...
Neste sentido, há que elogiar a forma como a RTP tem "ignorado" a guerra das audiências e cumprido o seu compromisso de serviço público. Pena é que canais como a RTP Memória ou a SIC Notícias ainda não estejam à disposição da maioria da população portuguesa e que muitos dos seus programas não sejam emitidos pela RTP1 e SIC.
Agora, com a nova abjecção da SIC que aí vem, qual será a estratégia da TVI? Cavar ainda mais no fundo da podridão televisiva?