Quem costuma vir a este blogue com alguma regularidade já se deve ter apercebido que discordo em muito do teor dos decretos-lei, despachos ministeriais e circulares que, nos últimos anos, as sucessivas equipas do Ministério da Educação têm "enviado" para as escolas, numa estratégia de reformar aos bocadinhos um sistema que necessita de uma reforma a sério... Também já devem ter constatado que, ao contrário do que o actual Ministério da Educação proclama, defendo uma escola pública que conjugue conceitos como a qualidade e o rigor, imputando aos pais e encarregados de educação a responsabilização que devem ter pela educação dos seus filhos e educandos.
Assim, foi sem surpresa que soube da notícia de que o Governo de Tony Blair pretende introduzir alterações muito sérias no sistema de educação inglês, por forma a responsabilizar os pais pela educação dos seus filhos. Já há muito que defendo que o abono de família não deve ser uma "esmola" concedida de forma indiscriminada aos pais dos jovens que frequentam a escola, podendo, pelo contrário, servir de incentivo para a obtenção de bons resultados escolares. Por outro lado, já noutros artigos aqui defendi que, no caso de alunos que andam na escola apenas para passear os livros (quando os levam!) e apenas se interessam por prejudicar os que querem estudar e fazer a vida "negra" aos professores não basta a aplicação de burocráticos e morosos processos disciplinares que acabam em meros dias de suspensão da escola a que os alunos apelidam de "férias" intercalares, já que nem essas faltas servem para reprovar de ano...
Pois bem, o Governo de Tony Blair teve que esperar que a escola inglesa se tornasse insuportável e que a profissão de professor fosse considerada como de alto risco para aplicar medidas com vista a fomentar o rigor, a disciplina e a ordem. O que se diria por cá se fossem aplicadas multas aos pais que não têm "mão" nos filhos!!!
Pois bem, quando é que iremos seguir o exemplo dos ingleses? Quando for tarde demais?