sábado, dezembro 31, 2005

Agradecimentos e votos de um grande 2006...

Esta última semana tem sido alucinante (no bom sentido, claro) devido ao nascimento da Diana. A vida mudou muito desde que a Diana passou a tomar conta de (quase) todo o tempo dos pais, nomeadamente do da mãe. Tenho a sorte de ter uma esposa incansável, no sentido de que nada falte à Diana. Nos últimos dias, tudo (preocupações, prioridades, anseios...) tem girado à volta do que é o melhor para a nossa filha. As duas são maravilhosas...
Dado que os meus ritmos de vida pessoal e familiar têm vindo a mudar na última semana, espero no próximo ano retomar em força a escrita aqui no INTIMISTA.
A todos os que me endereçaram os parabéns pelo nascimento da Diana o meu muito obrigado, com votos de um 2006 cheio de alegrias e repleto de boas notícias.

domingo, dezembro 25, 2005

O melhor Natal...

No dia 25 de Dezembro, mais do que a rotina das prendas e do bacalhau, celebra-se o nascimento do Menino Jesus, pelo que a mensagem a reter nesta quadra natalícia deve ser dominada pelo Amor, Paz e Alegria.
Pois bem, este ano o meu Natal foi aquele a que se pode chamar de verdadeiro Natal. Assistir ao nascimento de uma filha na mesma noite em que se lembra o nascimento de Jesus é de uma riqueza espiritual e emocional indescritíveis.
Foi maravilhoso ver a Diana chorar aquando da sua chegada ao mundo, depois de uns longos nove meses de muita emoção e ansiedade.
Obrigado Pai Natal pela melhor prenda que se pode desejar...

sexta-feira, dezembro 23, 2005

Tempo de Natal

Na passagem de mais uma época natalícia, desejo a todos os frequentadores deste blogue um Natal cheio de alegria e amor, na companhia daqueles que são mais chegados. Contudo, e dado que o Natal não é só prendas e bacalhau, faço votos para que os próximos dias sejam também dedicados a ajudar os mais necessitados e a um pouco de reflexão e meditação sobre a nossa prestação nas diversas comunidades em que nos inserimos (família, amigos, emprego, vizinhança, etc).

quarta-feira, dezembro 21, 2005

Uma questão de inteligência...

O debate mais esperado da pré-campanha eleitoral presidencial demonstrou o quão grave pode ser para um político não evoluir no tempo e ter um discurso conflituoso, agressivo e deturpador da realidade.
De facto, no debate Cavaco-Soares, ficou bem patente a capacidade que Cavaco Silva teve para se adaptar a este novo tempo mediático, no qual a sociedade civil apresenta um nível mais apurado (embora ainda insuficiente) em termos de acesso à informação que lhe chega dos mais diferentes modos. Por outro lado, Cavaco Silva, no seu estilo professoral preocupa-se em explicar convenientemente as suas ideias, num tom mais humano e até mais sorridente. Quanto a Soares, a desilusão é total. Viu-se, no debate de terça-feira, o mesmo político dos idos anos 70 e 80 do século passado, com Soares a recorrer a um discurso agressivo e mentiroso (mas alguém já ouviu, nesta pré-campanha, Cavaco afirmar que vai acabar com o desemprego, como referiu o candidato socialista?). Soares recorreu à mesma estratégia aquando do debate que teve com Freitas do Amaral há vinte anos atrás, só que desta vez o tiro saiu-lhe pela culatra, visto que o seu interlocutor é outro e o povo já não é tão ignorante como era há duas décadas atrás.

sábado, dezembro 17, 2005

Quantas "Fátimas" mais terão que sofrer?

O recente caso de inúmeras e violentas agressões físicas cometidas pelo próprio pai a uma bebé de apenas 50 dias deixa qualquer pessoa decente em completo estado de consternação e indignação pelo sistema que (não) temos de protecção e defesa dos mais indefesos.
Estando, actualmente, a viver em Viseu e conhecendo muito bem a aldeia onde vivia a pequena Fátima Letícia, foi com extremo repúdio que ouvi algumas das declarações proferidas por algumas das pessoas que tiveram, directa ou indirectamente, responsabilidades na condução do referido caso. Desde a representante da Comissão de Protecção de Menores de Viseu, passando pelo director do Hospital Central de Viseu, até ao próprio Ministro da Segurança Social, é incompreensível que a primeira preocupação destes indivíduos seja o "sacudir" de responsabilidades, ainda antes que se dê início ao apuramento efectivo das mesmas através de um relatório que se espera sério e imparcial...
Fica claro, mais uma vez, que a comunidade envolvente (a dita sociedade civil) tem um papel importantíssimo a desempenhar no sentido de precaver este tipo de situações, ao mesmo tempo que tanto as instituições de saúde, como de educação, têm uma esfera de acção que vai muito mais além das que usualmente se lhe pedem...
Esperemos que, ao menos os casos das infelizes pequenas "Joanas", "Fátimas" e muitas outras crianças desprezadas deste país "sirvam" para despertar as autoridades competentes para este tipo de situações indignas, para que a protecção aos mais indefesos possa ser uma prioridade da sociedade actual.

domingo, dezembro 11, 2005

Dois pesos e duas medidas?

Se bem que este relatório da actual equipa da IGE possa ter tido como objectivo fundamental desmontar a forma conturbada e desorganizada como o ano lectivo 2004/05 se iniciou, o mesmo não deixa de retratar um pouco o modo irresponsável como, muitas vezes, a contratação dos docentes é efectuada em Portugal.
O que mais ressalta à evidência é o facto de ser a própria IGE vir afirmar que são cometidos inúmeros atropelos à legislação no que concerne à colocação de professores, com óbvios prejuízos não só para os próprios docentes, mas também para as escolas e alunos. O principal problema apontado relaciona-se com a excessiva mobilidade da função docente que, quer se queira, quer não, tem consequências ao nível de uma maior taxa de absentismo por parte destes professores que têm de leccionar longe das suas casas.
O que mais me intriga é o facto da IGE apenas apontar recomendações e nada fazer em termos da assumpção de responsabilidades por este tipo de irregularidades cometidas. Então ninguém se responsabiliza por erros que são cometidos nas colocações dos professores, com enormes problemas para a vida destes? Pois é, assim não vale...
Já agora, o "drama" das supostas aulas de "substituição" continua: agora temos o caso de uma escola do Porto, cuja Assembleia de Escola se uniu em torno da inexequibilidade (nos actuais contornos) deste tipo de actividade lectiva.

domingo, dezembro 04, 2005

Como seria hoje Portugal?

Hoje recordou-se a memória de Francisco Sá Carneiro, 25 anos após o seu desaparecimento. Neste tempo todo, não se conseguiu (ainda?) chegar à conclusão se o incidente de Camarate se tratou de mero acidente de origem mecânica ou se, efectivamente, houve "mão" criminosa... Agora, será difícil chegar a certezas, o que não deixa de constituir uma vergonha nacional.
Não sou do tempo de Sá Carneiro. Na época em que este foi Primeiro-Ministro tinha apenas 4 anos, mas lembro-me de como na minha adolescência me habituei a ouvir elogios de saudade dos meus avós maternos e dos meus pais em relação ao fundador do PPD/PSD. A sua influência não foi negligenciada na hora de decidir o meu posicionamento a nível político-partidário...
Mas, como teria sido a história do nosso País caso Sá Carneiro tivesse tido a oportunidade de tomar conta do destino de Portugal por mais anos? Quero acreditar que hoje estaríamos muito melhor do que estamos hoje... Pelo menos ao nível da cultura política!

quinta-feira, dezembro 01, 2005

Para quando o abrir dos olhos...

Hoje comemora-se, uma vez mais, o dia que lembra o combate que a sociedade tem que travar contra esse flagelo que é o HIV/SIDA. Nesta luta desigual entre uma medicina cada vez mais aprumada, mas limitada, e uma doença que contorna a possibilidade da descoberta da sua cura, torna-se imperioso e premente que os cidadãos abram os olhos para a prevenção. Dito isto, não se compreende que a Igreja Católica continue a condenar em surdina o uso do preservativo como forma de evitar a propagação do HIV/SIDA.
Neste caso, como noutros, seria bom que a Igreja Católica tivesse, pelo menos, a coragem de informar os seus seguidores que não é pecado o uso do preservativo, visto que entre os valores da defesa da fidelidade e descendência e o da promoção da vida, este deve sobrepor-se aos anteriores, por forma a que a taxa de incidência do HIV/SIDA, com risco de mortalidade, diminua consideravelmente. Seria um passo importante a dar pelas instâncias superiores da Igreja Católica e um sinal de abertura aos novos tempos...
Resta-nos o consolo de que ainda há quem, mesmo no interior da Igreja Católica, tenha o bom senso para ver esta realidade e não seguir à risca as "instruções" dos poderes superiores do catolicismo.

domingo, novembro 27, 2005

Polémicas sem sentido...

Algumas das afirmações constantes num novo documento aprovado pelo Papa Bento XVI a 31 de Agosto de 2005 e que foi dado a conhecer na passada semana foram recebidas com alguma revolta e admiração por uma parte significativa da sociedade, católicos incluídos.

Ora bem, esta polémica deveu-se à seguinte afirmação: "a Igreja não poderá admitir no seminário e nas ordens sagradas aqueles que praticam a homossexualidade, apresentam tendências homossexuais enraizadas ou apoiam o que se chama a cultura gay'". Será que há alguma novidade nesta ideia defendida pelo Papa Bento XVI? Não me parece...

Pode-se criticar a oportunidade da declaração ou até mesmo o teor clarificador e frontal que a mesma incorpora. Há quem diga que, ao omitir-se a posição da Igreja relativamente aos heterossexuais, estamos na presença de um "ataque" aos gays. Mas, convém não esquecer que a Igreja tem como base da sua acção a família, pelo que não pode aceitar que alguém homossexual proclame, "eucaristicamente", a defesa da família, dita, tradicional: pai, mãe e filho(a)s...

Bem sei que recorrendo a estudos das áreas da medicina, da biologia ou da psicologia não fará muito sentido afirmar que a homossexualidade é uma "desordem", como consta da declaração. Mas, a esfera em que a Igreja Católica se move é outra: é a da defesa e promoção de um estilo de vida que vise princípios basilares como a família e a descendência. Ora, a promoção da cultura gay não enquadra nestes postulados, pelo que é normal que para abençoar um casamento ou um baptizado não se possa ser homossexual...

Afinal, porquê tanto frenesim? A mania da vitimização por parte dos gays ou a incapacidade da Igreja Católica para melhor comunicar com uma sociedade cada vez mais parca na defesa de valores e princípios? Talvez as duas razões sejam verdadeiras!!!

segunda-feira, novembro 21, 2005

Ai se fosse por cá!!!

Quem costuma vir a este blogue com alguma regularidade já se deve ter apercebido que discordo em muito do teor dos decretos-lei, despachos ministeriais e circulares que, nos últimos anos, as sucessivas equipas do Ministério da Educação têm "enviado" para as escolas, numa estratégia de reformar aos bocadinhos um sistema que necessita de uma reforma a sério... Também já devem ter constatado que, ao contrário do que o actual Ministério da Educação proclama, defendo uma escola pública que conjugue conceitos como a qualidade e o rigor, imputando aos pais e encarregados de educação a responsabilização que devem ter pela educação dos seus filhos e educandos.
Assim, foi sem surpresa que soube da notícia de que o Governo de Tony Blair pretende introduzir alterações muito sérias no sistema de educação inglês, por forma a responsabilizar os pais pela educação dos seus filhos. Já há muito que defendo que o abono de família não deve ser uma "esmola" concedida de forma indiscriminada aos pais dos jovens que frequentam a escola, podendo, pelo contrário, servir de incentivo para a obtenção de bons resultados escolares. Por outro lado, já noutros artigos aqui defendi que, no caso de alunos que andam na escola apenas para passear os livros (quando os levam!) e apenas se interessam por prejudicar os que querem estudar e fazer a vida "negra" aos professores não basta a aplicação de burocráticos e morosos processos disciplinares que acabam em meros dias de suspensão da escola a que os alunos apelidam de "férias" intercalares, já que nem essas faltas servem para reprovar de ano...
Pois bem, quando é que iremos seguir o exemplo dos ingleses? Quando for tarde demais?

quarta-feira, novembro 16, 2005

Os nacionais, os imigrantes e os sem Pátria...

Ainda não escrevi nada sobre a situação vivida nas últimas três semanas em muitas das cidades francesas, com a desordem pública e o desrespeito pela lei que tem imperado nas noites dos arredores de Paris e de muitas outras cidades da França...
Muito poderia dizer sobre este fenómeno social, enunciando um conjunto de teorias da sociologia que explicam o desenrolar deste tipo de ocorrências... Muitos são aqueles que têm criticado a política de imigração dos Governos franceses dos últimos anos e a forma como os imigrantes que não arranjem emprego são excluídos da sociedade francesa. Outros preferem carregar baterias contra a falta de estratégia que tem sido notada no que concerne à incapacidade da França em assimilar os filhos dos imigrantes que já nasceram em terras francesas e que se sentem como que desprovidos de qualquer Pátria. Outros há que incidem a sua análise no escancarar de portas à imigração africana que durante muitos anos foi sintoma de falta de lucidez e de detonador destes problemas sociais...
Ora, está provado que a Europa, continente cada vez mais envelhecido e crescentemente egoísta, onde o número médio de filhos por mulher é pouco mais do que um (manifestamente insuficiente para a renovação de gerações e para as reais necessidades em termos de população activa) precisa de imigrantes, venham eles do Leste Europeu, do Norte de África, do continente americano ou da Ásia. Mas, esta realidade não implica que não se regulem as entradas, sob o risco de passarmos de uma situação deficitária para uma crise de excesso de imigrantes. Por outro lado, urge que se desenvolvam medidas de cariz social que visem contrariar o que durante muitos anos foi apanágio dos europeus: isolar e "guetizar" os imigrantes de cor de pele diferente e os seus descendentes, nomeadamente os originários das antigas colónias africanas...
A educação e a qualificação são meios essenciais para atingir os fins da integração. Muito há para fazer neste âmbito, pelo que não devem ser desaproveitados recursos que fomentem a instrução desta população, mss nunca descurando o respeito pela ordem pública... Será que os nossos governantes conseguem ver isto ou estão à espera que ocorra uma versão portuguesa do inferno francês?

quinta-feira, novembro 10, 2005

A diferença entre ser-se discreto ou provocatório...

Nos últimos dias foi notícia em alguns jornais (não sei se passou nas televisões) o caso de duas alunas de uma escola secundária de Vila Nova de Gaia que se queixaram de terem sido humilhadas e discriminadas pelo facto de se assumirem como lésbicas. Esta situação desencadeou-se depois das referidas alunas terem sido, segundo as mesmas, provocadas e insultadas por uma funcionária da escola por irem de mãos dadas, já depois de terem sido, por diversas "apanhadas" a darem beijos nos corredores da escola. Segundo as alunas, também a Vice-Presidente do Conselho Executivo actuou de forma errada, tendo-as apelidado de "lésbicas" e afirmado que da escola para fora poderiam ter os comportamentos que bem entendessem. Por parte da escola ficou-se a saber que estas são duas alunas problemáticas, que faltam muito e cujo aproveitamento escolar é negativo...
Pois bem, enquanto professor, mais do que fazer juízos de valores ou criticar uma das partes e "absolver" a outra, penso que será importante que as escolas reflictam muito bem sobre este tipo de situações, incorporando nos seus Regulamentos Internos o que fazer em casos análogos. Se bem que seja diferente, muitas escolas já prevêem o que fazer no caso dos alunos serem "apanhados" a fumar ou na posse de objectos contundentes. Mas, não seria melhor estipular a proibição de determinados comportamentos e atitudes entre alunos que possam sugerir condutas de cariz provocatório para com a comunidade educativa em geral? Atente-se que há escolas onde convivem alunos com idades compreendidas entre os 11 e os 20 anos... Independentemente dos namoros serem entre heterossexuais ou homossexuais, um estabelecimento escolar é um local onde a reserva, o ser-se discreto e a boa conduta devem prevalecer. Na escola onde lecciono já passei por casais de namorados que fazem questão de dar nas vistas em poses que tendem, no mínimo, a incomodar quem passa ao lado... Porque não proibir gestos e atitudes que de discreto não têm nada? Não me falem em coarctar a liberdade pessoal e individual das pessoas. Como se costuma dizer, a liberdade de cada um acaba quando a do outro é posta em causa... Apenas se trata de impor limites a certos comportamentos que tendem a perturbar o normal desenrolar das actividades educativas...
Quanto a juízos de valor, apenas direi que quem parece ter-se aproveitado deste caso para fazer um pouco mais de politiquice foi, como não poderia deixar de ser, o Bloco de Esquerda. Sempre é algum tempo de antena que se consegue ter, não é?
Já agora, depois de o Presidente da CONFAP (Confederação das Associações de Pais) ter afirmado que "é inaceitável pensar que é com regulamentos ou com falsos moralismos que se vai probir seja o que for", não será melhor lembrar ao senhor Albino Almeida que tem sido a aplicação, nos Regulamentos Internos das escolas, da proibição de fumar em recinto escolar a forma mais acertada e com melhores resultados no sentido dos alunos deixarem de fumar nas escolas? Na escola onde lecciono tem sido...

sábado, novembro 05, 2005

A (bem)dita Pátria...

Já não é novidade para ninguém que alguma da nossa comunicação social dá destaque a notícias que nem nos rodapés dos noticiários televisivos deveriam passar e que quase ignora por completo acontecimentos de relevante interesse público e que, estes sim, deveriam ser destaque de abertura e de primeira página...
Mas, mesmo assim, não deixei de me surpreender com a forma, digamos provinciana (e que me desculpem todos aqueles que se consideram provincianos!), como quase toda a comunicação social portuguesa (escrita, radiofónica e televisiva) noticiou o nascimento de uma neta dos Reis de Espanha... Mas, que raio! Será que é assim tão importante para os portugueses saber o peso, o tamanho, a cor dos olhos e outros pormenores de mais uma criança que veio ao mundo? Enfim, não há dúvida que a classe dos jornalistas reflecte muito da forma como o português comum e típico pensa.
Claro que, se os espanhóis soubessem do que se falou e escreveu por cá acerca deste não acontecimento, fartar-se-iam de rir à nossa custa. Provavelmente, até se aperceberam, tal o elevado número de jornalistas portugueses que se deslocaram ao país vizinho para fazer directos em horário nobre televisivo...
Esta postura da nossa comunicação social é ainda mais engraçada (ou não) se tivermos em conta que há por aí agora muita gente de esquerda que quer ressuscitar a palavra Pátria. Sabem a quem me refiro, não sabem? Pois é, Mário Soares e Manuel Alegre (quem diria!) usam e abusam agora do termo Pátria em qualquer circunstância... É a estratégia do piscar de olho ao eleitorado do centro-direita, não é??? Eles que diziam cobras e lagartos do "Deus, Pátria e Família"... São as ironias da vida...

quarta-feira, novembro 02, 2005

Uma pequena amostra do que aí vem...

Quem hoje assistiu pela TVI à primeira grande entrevista concedida por Mário Soares depois deste ter apresentado a sua candidatura à Presidência da República ficou com uma pequena amostra do caminho difícil que espera Cavaco Silva ao longo dos próximos dois meses...
Só os mais distraídos e menos atentos à política portuguesa é que podem ter ficado admirados com a postura, no mínimo, arrogante e maldosa com que Soares se referiu repetidamente a propósito de Cavaco Silva. Aliás, em vez de ter sido a jornalista a conduzir a entrevista vimos um Mário Soares a aproveitar todas as questões para atacar o seu adversário Cavaco Silva, tendo-o mesmo apelidado de intermitente, silenciador e desconhecedor de política internacional. Soares chegou ao ponto de ler afirmações proferidas por Cavaco Silva em contextos diferentes, ao mesmo tempo que tudo fez para tentar passar a mensagem de Cavaco Silva poderá colocar em causa os direitos dos trabalhadores portugueses, esquecendo-se que é ao Governo de Sócrates que cabe conduzir a política económica e social do País.
Fica claro que a campanha eleitoral não será fácil para Cavaco Silva, sobretudo porque Soares e os restantes candidatos de esquerda não se cansarão de assustar os portugueses com a imagem do Cavaco Silva "papão". Os ataques pessoais serão mais que muitos e a equipa liderada por Soares tudo fará para denegrir a imagem de Cavaco.
Esperemos que o povo português tenha a lucidez suficiente para não se deixar levar neste tipo de ataques pessoais e consiga alhear-se de uma campanha de esquerda que apenas funciona pela negativa e na base do ódio e da raiva...

segunda-feira, outubro 31, 2005

1 de Novembro: um feriado discutível...

Em muitos países do mundo, no dia 1 de Novembro celebra-se o "Dia de Todos os Santos". Este é um feriado de origem católica, embora seja "aproveitado" pela generalidade da população, quer se seja católico ou não para fazer uma folgazinha ao trabalho...
Este é daqueles dias, como a terça-feira de Carnaval e outros, em que não consigo compreender qual a razão que leva o Estado a continuar a institui-lo como feriado nacional, quando aposto que a maior parte da população não o celebra, nem sequer sabe qual o seu significado. Aliás, convém lembrar para os mais distraídos que no dia 1 de Novembro é feriado para que, segundo a Igreja Católica, se "agradeça a existência daquelas pessoas que alcançaram a perfeita introspecção das suas almas Divinas e se ore para que no devido tempo da nossa perfeição, nos possamos juntar aos líderes da Luz"! Será que na prática é isto que acontece? Não me parece...
Depois, não nos podemos esquecer que a maioria da população nem sequer quer saber da Festa de Todos os Santos, nem tão pouco do Dia dos Fiéis Defuntos. Aliás, muitos aproveitam o feriado para passear e, este ano, muitos até o reforçam como fim-de-semana alargado, fazendo "ponte" na segunda-feira...
Eu próprio, que sou católico, não preciso deste feriado para homenagear os meus familiares que já partiram. Todos os dias me lembro dos meus avós e não preciso de me deslocar ao cemitério do dia 1 ou 2 de Novembro para me recordar deles. Aliás, considero absurdo que os cemitérios se encham de gente nestes dias, quando o domingo é já por si um dia de celebração festiva para os católicos...
Por outro lado, a haver feriado, pelo menos poder-se-ia "deslocá-lo" para um dia mais junto ao fim-de-semana para, assim evitar o que, mais uma vez, aconteceu: o País a meio gás durante um dia e parado no seguinte...

terça-feira, outubro 25, 2005

Diferenças mais que óbvias

Como se costuma dizer, os dados estão lançados rumo às eleições para a Presidência da República Portuguesa. Havendo cinco candidaturas assumidas, interessa realçar as diferenças que existem entre os respectivos candidatos e perceber qual o tipo de motivação que os levou a avançar rumo à conquista do lugar de Chefe de Estado.
De Louçã e Jerónimo de Sousa pouco há a dizer. Ambos dão corpo a candidaturas de âmbito partidário, com o objectivo claro de aproveitarem os tempos de antena disponíveis e dispararem "cobras e lagartos" cheios de ódio contra a direita portuguesa.
De Mário Soares e Manuel Alegre, poder-se-á dizer que as suas motivações são diversas, embora envoltas num mesmo propósito prioritário: enfrentar Cavaco Silva numa segunda volta. Soares pretende ter o seu derradeiro e único "frente-a-frente" da sua vida contra Cavaco Silva, já que em nenhuma eleição anterior ambos se enfrentaram. Soares, mais do que nunca, deseja afrontar Cavaco Silva e "atirar-lhe à cara" tudo o que lhe vai na alma, aproveitando os debates televisivos e o interesse da opinião pública. Mais do que nunca, Soares quer fazer a "vida negra" a Cavaco Silva, ao mesmo tempo que sonha com a hipótese de poder vir a receber as luzes dos holofotes durante mais cinco anos. É que Soares é parecido com Manuel Maria Carrilho num aspecto: não consegue viver sem as luzes da ribalta.
Já Manuel Alegre pretende capitalizar o muito do mal-estar que predomina em torno deste Governo, pelo que aproveita o facto de muita da esquerda portuguesa não se rever em Soares para tentar vir a ocupar o cargo de Presidente da República. Por outro lado, e tendo em conta a condição do voto útil, Alegre tem a esperança que numa segunda volta destas eleições possa dar corpo a muito do ressentimento que parte do eleitorado português tem para com Cavaco Silva.
E, de Cavaco? O que poderemos dizer? Muito simples. Depois de dez anos onde a sobriedade e o distanciamento a nível partidário foram provas concretas da capacidade de independência de Cavaco Silva, é chegada a hora de Portugal poder ter como seu Chefe de Estado uma personalidade que dê vida própria a este importante cargo. Não chega termos um Presidente da República que se limita a fazer discursos de incentivo ao povo e cheios de moralidade, ao mesmo tempo que passa metade do seu tempo em cerimónias protocolares e viagens de representação. Este é o cargo e o momento apropriados para Cavaco Silva. É Portugal quem fica a ganhar...

quarta-feira, outubro 19, 2005

Pois é! A resposta está na educação...

Quem diria que numa conferência com dois dos mais reputados pensadores da economia mundial se tenha chegado à conclusão (como se fosse uma grande novidade!) de que a educação é a resposta certa para ultrapassar a crise por que passa Portugal. Pois é! Numa recente iniciativa de um grupo bancário, vieram a Portugal, dois Prémios Nobel da Economia falar sobre a actual situação da economia portuguesa e ambos referiram-se à aposta na educação como um ponto fulcral para que o nosso País possa, de uma vez por todas, seguir o rumo certo no sentido de conseguir fazer face a outras economias mundiais (nomeadamente a China e dos países do Leste europeu) e, assim, aproximar-se das principais potências europeias...
No entanto, verificamos que, apesar das nossas despesas na área da educação serem muito próximas (em percentagem do PIB) das realizadas por países como a Finlândia ou a Alemanha, o facto é que o retorno em termos de sucesso escolar em Portugal é deveras confrangedor. Daqui se conclui que, mais do que aumentar a despesa pública na educação, interessa que saibamos racionalizar os gastos. É que os gastos supérfluos na educação devem ser, actualmente, mais que muitos...
Por outro lado, algumas das medidas que estão a ser implementadas por este Governo são de proveito muito duvidoso. "Enfiar" os alunos na escola durante todo o dia, com mais de dez disciplinas, sem recursos convenientes e exigindo que estes "metam" na cabeça fórmulas, conhecimentos teóricos e outras matérias de pertinência duvidosa, sem perceber que o sucesso escolar passa em grande medida pela forma como se ensina e pelos recursos afectos a este processo, é meio caminho andado para o insucesso escolar.
Depois, não nos podemos esquecer do ensino superior existente no nosso País e da forma como uma boa parte do ensino universitário e politécnico português não passa de um mero saber enciclopédico, desprezando a investigação e a ligação à vida real. Gastar mais dinheiro é importante, mas não chega. É importante exigir mais do Ensino Superior Público Português. Isto já para não falar da reduzida exigência que existe em algumas instituições de ensino superior públicas e, sobretudo privadas, em Portugal.
Mas, continuo a pensar que enquanto não houver uma nova reforma do ensino básico e secundário em Portugal continuaremos a destacar-nos pela negativa ao nível dos rankings europeus da educação.

domingo, outubro 16, 2005

Ai Portugal, Portugal...

E, isto porquê? Apenas porque vivemos num País em que meio "mundo" tenta enganar o outro meio "mundo". Pego no jornal e leio a letras garrafais: "Laboratórios farmacêuticos condenados por cartelização". Miséria! É uma vergonha termos um País onde empresas que fabricam medicamentos essenciais a milhares de portugueses se organizam e combinam preços para aumentarem os seus lucros, já de si enormes, à custa dos contribuintes e dos doentes. E qual é o resultado da condenação? Uma multa pecuniária, sem haver lugar a um processo-crime...
Mas, há mais! No país da UE onde há mais desigualdade entre ricos e pobres, pode-se ler no jornal que, em menos de um ano, já quase cem mil pessoas desempregadas recusaram um trabalho oferecido pelos Centros de Emprego do IEFP. Mas, afinal para onde vamos? Damo-nos ao "luxo" de termos desempregados a rejeitarem empregos. E, depois, ainda há quem culpe os imigrantes da crise que grassa pelo País. Mas, claro, crise só para alguns...
O mínimo que se pode dizer é que não podemos deixar de nos sentir indignados e inconformados quando notícias deste género se multiplicam a olhos vistos, num País onde alguns dos valores básicos pelos quais se deve reger uma sociedade equilibrada e decente começam a definhar...

quarta-feira, outubro 12, 2005

Era uma vez...

Era uma vez um jovem que, desde cedo, vendo-se confrontado com a ausência de um pai (que pouco tempo dava à família e tinha nos seus "amigos" a prioridade do seu tempo) teve no seu avô a imagem daquele "velho", que com a sua sabedoria e argúcia, fazia brilhar de orgulho os olhos do pequeno jovem.
Assim, desde muito novo que o rapaz começou a acompanhar o seu avô, em vivências e aventuras que a memória guardará para sempre. Fosse em tertúlias de café que o avô tinha com os da sua idade e para as quais fazia questão de levar o neto ávido de curiosidade; fosse nos passeios que ambos faziam pelos caminhos escondidos da Serra da Estrela, munidos apenas de um saco de maçãs e de uma garrafa de água; fosse nas esplanadas das praias da Figueira da Foz e de S. Pedro de Moel, no tempo das férias de Verão, nas quais as mulheres iam para o areal tomar banhos de sol e eles os dois ficavam numa qualquer esplanada virada para o mar, com o avô a contar histórias com mais de meio século; fosse na velha oficina de encadernação em que o avô dava largas à sua vocação de artista (encadernador de livros), com o jovem rapaz a aprender com o velho mestre avô a arte de bem encadernar; enfim, muitas foram as horas nas quais avô e neto passaram juntos belos e inesquecíveis momentos...
Esse jovem sempre viu o avô como o seu grande ídolo, pelo que desde novo foi decisivamente influenciado pelos ensinamentos que o avô lhe foi dando, assumindo a defesa de valores para os quais o seu velho mestre sempre se esforçou: o respeito, o esforço, a dedicação e a verdade... Assim, com o passar dos anos, o jovem rapaz foi moldando a sua maneira de ser, sem nunca esquecer os conselhos que o seu avô lhe prestou.
Agora que o seu avô deixou o mundo dos vivos, o jovem sabe o que seu velho mestre estará para sempre presente junto de si, em lembranças e recordações de momentos maravilhosos por ambos vividos e, inclusivamente, nas formas de pensar e estar na vida assumidas por esse rapaz, qual fã que segue os passos do seu ídolo.
Esta história é verídica. O rapaz sou eu e o velho mestre o meu avô. Jamais te esquecerei, querido avô...

segunda-feira, outubro 10, 2005

Autárquicas 2005: uma breve reflexão

Os resultados destas eleições autárquicas evidenciam, em primeiro lugar, que a maioria dos portugueses estão satisfeitos com o trabalho desenvolvido pelos "seus" autarcas, apesar de tudo o que se diz e se sabe sobre o endividamento de muitos municípios e as ligações perigosas que alguns autarcas parecem ter com o lobbie da construção civil...
Por outro lado, não admitir que o PSD e a sua liderança saem reforçados destas eleições é não querer admitir que a estratégia levada a cabo por Marques Mendes deu excelentes resultados, da qual a derrota em Faro constitui a excepção que confirma a regra. Depois, há que aceitar os factos: o PS, nas pessoas de Jorge Coelho e José Sócrates, saem amplamente derrotados, visto que os candidatos por eles apoiados a cidades tão importantes como Lisboa, Porto, Sintra, Coimbra ou Gaia tiveram resultados aquém dos esperados, alguns dos quais vergonhosos. Outros derrotados que deveriam aprender a lição e afastar-se de vez da política foram Carrilho e Soares (pai e filho).
Quanto à questão que se tem levantado sobre se o Governo deve tirar ilações desta derrota socialista, penso que tal não se deve colocar. Os portugueses sabem distinguir os actos eleitorais e não acredito que alguém fosse votar num candidato do PSD, da CDU ou de outro partido apenas para penalizar o Governo. Agora que Sócrates sai fragilizado, enquanto líder do partido que apoia o Governo, disso não restam dúvidas.
E o que dizer do trio de independentes de que tanto se fala? Penso que os eleitores desses três concelhos avaliaram de forma positiva a acção desenvolvida nos respectivos municípios por Valentim, Fátima e Isaltino, ignorando a falta de ética que estes demonstraram. Mas, fica claro que ainda há que legislar muito para que algum caciquismo seja derrubado a nível autárquico e para que a ética política seja valorizada para bem de todos nós. Aliás, a postura de Valentim na hora de cantar vitória demonstra bem que há quem tenha muito medo de perder o poder. Porque será?
Seguem-se as presidenciais...