sábado, abril 08, 2006

Contra os tabagistas que incomodam os inocentes...

O recente projecto de diploma apresentado pelo Governo limitando fortemente a prática do tabagismo configura um objectivo claro no sentido de defender todos aqueles que, não fumando, sentem todos os dias, o incómodo de terem que se confrontar com pessoas que têm pouco ou nenhum respeito pelo próximo.
Seja no emprego, no café ou no restaurante quem é que é capaz de afirmar que nunca se sentiu afrontado no seu direito a não ter que inalar o fumo do tabaco dos outros? Só mesmo aqueles que têm o vício do tabaco é que poderão dizer que não... Dou apenas um exemplo: na escola onde lecciono, apesar de haver um pequeno cubículo junto à sala de professores, com uns 6 m2, teoricamente destinado aos docentes que fumam, é raro o dia em que não tenho que "levar" com o fumo do cigarro dos colegas que fumam, seja por ter que me deslocar ao referido cubículo beber um café (dado que a máquina de bebidas se situa no dito cubículo), seja pelo facto de alguns colegas terem o condão de irem fumar para a sala de professores, por não haver nenhuma lei que os proíba de praticar tal acto...
Só espero que este projecto do Governo não se trate de mais uma daquelas situações em que o Governo joga alto no início, provocando grandes expectativas, para depois, no final, ficar quase tudo na mesma. Quantos exemplos de elefantes que pariram um rato já temos neste Governo!!! Lembremo-nos do recente episódio da pseudodiminuição da taxa de alcoolémia durante a condução ou daquela vez em que o Ministro da Saúde veio dizer que os serviços de saúde teriam que ser pagos de acordo com os rendimentos dos portugueses. E tudo ficou na mesma...

quarta-feira, abril 05, 2006

Uma Constituição parada no tempo...

Hoje a Constituição da República Portuguesa (CRP) comemora os seus trinta anos de vigência. Há quem defenda a sua alteração completa, a mera revisão circunstancial ou a manutenção tal e qual como a temos...
Pois eu cá defendo que a nossa lei geral seja novamente revista, por forma a que a mesma se torne mais simplificada e de mais fácil interpretação ao comum dos portugueses. Por outro lado, há que descomplicar o conteúdo de muitos dos artigos, na medida em que há muitas ideias que se contradizem no seio da nossa lei geral, isto já para não falar da mera teoria que grassa em muitos dos direitos e deveres que constam na Constituição. O mais visível desta contradição entre artigos é o que diz respeito ao direito à igualdade, tantas vezes referenciado na CRP e que é alvo de tantos debates, vitimizações e apropriações indevidas no nosso dia-a-dia.
Mas, o que considero mais retrógrado na nossa Constituição é mesmo a referência ao socialismo. Digo isto porque, em pleno século XXI, há quem continue a pensar como se o muro de Berlim ainda existisse e a Europa de Leste não se tivesse aberto à democracia... É que a CRP não deve estar refém de valores históricos utópicos, mas sim servir o povo português no seu dia-a-dia.

sexta-feira, março 31, 2006

A senhora pertence à quota X???

Ou seja, entramos na lógica da quantidade, em desfavor da qualidade. Para o PS (e, pelos vistos também para o BE) o que interessa é que cada lista eleitoral apresente um mínimo de 33% de representação para cada sexo, o que é o mesmo que desvalorizar a capacidade de mérito e de valor próprio de cada um dos eleitos à mera questão do género.
Por este andar, os casos de senhoras como o da esposa do antigo Ministro Sousa Franco vão multiplicar-se. A senhora é deputada na Assembleia da República eleita pelo círculo eleitoral de Coimbra (ainda por cima como cabeça de lista!) e consta-se que passa os dias calada no Parlamento, isto, quando se digna a aparecer ao "trabalho"...
É caso para daqui a uns tempos começarmos a questionar as senhoras eleitas: a senhora pertence à quota ou está aqui por mérito próprio???

quarta-feira, março 29, 2006

Quando a esmola é grande o pobre desconfia...

No início desta semana, José Sócrates apresentou, com toda a pompa e circunstância, uma nova iniciativa respeitante à necessária reforma da Administração Pública (AP), sob a infeliz designação de Simplex 2006. Digo infeliz porque me parece que a terminação lex (derivada de lei) faz lembrar a linguagem ultramoderna de muitos dos nossos jovens de hoje em dia. Mas, vamos ao que interessa...
Este programa de simplificação administrativa e legislativa apresenta um conjunto de 333 medidas, sendo que muitas delas se entrecruzam e dizem respeito à mesma iniciativa. Por exemplo, sabe-se que vai ser abolida a obrigatoriedade de apresentação de certidões em mais de 100 situações: então porque não apresentar esta iniciativa como sendo uma única medida, em vez de multiplicá-la, dando a entender que temos centenas de medidas diferentes? Poderia também dar o caso dos muitos requerimentos que passarão a ter que ser feitos por via electrónica e que constituem dezenas de medidas que poderiam muito bem ser englobadas numa só. Ou seja, o facto é que as ditas 333 medidas são, na realidade, apenas algumas dezenas de alterações na relação Estado-cidadão.
Por um lado, há que não esconder que este conjunto de medidas vai, seguramente, dar origem à dispensa de muitos dos trabalhadores da AP o que configura uma provável situação, que se deseja, de diminuição do número de funcionários públicos e da redução de despesas correntes no sector Estado. Assim, a ser levado a sério este programa terá como consequência óbvia um aumento da dispensa de centenas ou milhares de trabalhadores da AP, realidade a que Sócrates não fez qualquer referência. É que não chega dizer meias-verdades...
Por outro lado, algumas das medidas enunciadas poderão ter consequências nefastas para outros sectores produtivos da nossa economia. Dou apenas um exemplo. Com a obrigatoriedade do Diário da República passar a ser exclusivamente electrónico e com o fim das facturas de papel as indústrias tipográfica e de encadernação irão sofrer um forte abalo. Conheço muito bem este sector e sei que muitas das empresas de encadernação "vivem" das encadernações do Diário da República que escolas, tribunais, advogados, autarquias e bibliotecas mandavam realizar. Com esta medida muitas das oficinas de encadernação acabarão por falir...

sexta-feira, março 24, 2006

As confusões e contradições de Sócrates...

O Primeiro-Ministro José Sócrates apresentou-se esta semana no Conselho Europeu para repetir o que António Guterres já havia afirmado há quase seis anos atrás: há que apostar em medidas de incentivo ao emprego. Há quantos anos é que já ouvimos falar nisto? Lembram-se da famosa Estratégia de Lisboa, que tinha como propósito fundamental fomentar o emprego?
Ao mesmo tempo que Sócrates vai a Bruxelas retomar a velha questão do emprego, por cá, no nosso cantinho, a situação não é brilhante. O desemprego no último ano aumentou, com os sectores têxtil e do calçado a continuarem em situação crítica e muitas das multinacionais deslocalizaram-se para os países de Leste... E, o que vemos em termos de investimento? A contínua e incorrigível aposta no turismo, a velha e mais que gasta saída para a crise. A verdadeira aposta na Educação continua por fazer...
Entretanto, números do INE revelaram que em 2005 foram suspensos 20000 postos de trabalho na Administração Pública, mas, ao mesmo tempo, entraram 19000 novos funcionários públicos, ou seja, houve um saldo negativo de "apenas" 1000 empregos. Onde está a promessa feita na campanha eleitoral por Sócrates de que "por cada dois funcionários públicos que saírem entrará apenas um"??? É que Portugal continua a não cortar nas despesas correntes do Estado, chegando-se ao ponto de se gastar metade das receitas cobradas em impostos com despesas do "monstro" Estado...
Bem sei que estão previstas medidas importantes no que concerne à reforma do sector Estado, desde o encerramento de repartições do Estado com reduzida produtividade, até ao combate à burocracia e diminuição do peso do sector público nas Finanças do Estado. Concordo com quase todas elas. Não sou como os sindicalistas da CGTP e da UGT que apenas olham para o que lhes interessa... Mas, não sejamos ingénuos: o desemprego terá tendência a aumentar e Sócrates sabe disso. Por isso, escusava de tentar enganar os portugueses e assumir que a promessa dos 150000 novos empregos até 2009 são simplesmente inalcansáveis. A não ser que o "monstro" Estado continue a engordar... E, isso é o mesmo que tapar o sol com a peneira!
A solução está na Educação, desde que levada a sério, e não com medidas avulsas e de "cosmética"... E as más notícias continuam: na Europa dos 25 estamos no 18º lugar, atrás da República Checa, da Eslovénia e do Chipre. A retoma não se vislumbra...

domingo, março 19, 2006

A caminho dos três meses...

Hoje é dia do pai e, pela primeira vez não desempenharei apenas o papel do filho que telefona ao pai para lhe dizer que não me esqueço dele, apesar de estarmos longe e de termos uma ligação pai-filho pouco recomendável. Não é que nos tratemos mal, mas o facto de termos estilos de vida bem diferentes e algumas peripécias passadas há muitos anos atrás fez com que o ambiente entre nós seja, apesar de cordial, algo frio e distante...
Mas, o que quero mesmo frisar neste artigo é o facto deste ser o meu primeiro dia do pai. Sim, pai da Diana, a minha querida filhota que já vai a caminho dos três meses. Desde o dia do seu nascimento que a minha forma de ver e sentir o dia-a-dia mudou por completo: todos os problemas que possam existir são pequenos nadas desde que com a Dianinha esteja tudo bem.
A paternidade é algo que apenas quando sentida e vivida a sério e com toda a dedicação e orgulho pode ser valorizada. Pena é que não possa estar mais tempo junto da Diana. De segunda a sexta-feira apenas a partir das 18 horas até à hora de deitar consigo brincar um pouco com ela, pelo que é ao fim-de-semana que tento desforrar-me e aproveitar o máximo de tempo para estar com ela. A sua evolução tem sido excelente e, felizmente, tudo tem corrido pelo melhor...
Ser pai é muito mais que sentir o orgulho de ter dado origem a um novo ser. É ter a responsabilidade de tudo fazer para que a Diana, ao longo do seu crescimento, saiba distinguir a verdade da mentira, o esforço do facilitismo, a dedicação do desleixo e ponha em prática os ensinamentos e a educação que lhe foram dadas pelo pai e pela mãe. Sim, porque não é apenas a Escola que educa: tudo parte de casa e do exemplo que vem dos pais...

quinta-feira, março 16, 2006

O problema da (ainda) falta de solidariedade intermunicipal...

A recente decisão tomada pelo Ministro da Saúde a propósito da reformulação da rede de maternidades no território nacional teve por parte da opinião pública, em geral, uma receptividade não muito longe do que seria de esperar num país onde as invejas entre municípios são enormes e a iliteracia domina a olhos vistos. Digo isto porquê???
Repare-se... Num país que nas últimas duas décadas investiu elevados recursos financeiros em IP`s e auto-estradas, diminuindo o tempo a percorrer entre as diferentes localidades, não faz sentido gastar o dinheiro proveniente dos impostos dos contribuintes na manutenção de equipamentos sociais que se situam em locais próximos uns dos outros. De facto, a solidariedade intermunicipal deverá ter resultados práticos a este nível, seja em termos de hospitais, escolas, pavilhões desportivos, entre outros equipamentos.
No caso vertente das maternidades mandava o bom-senso que a decisão tomada por este Governo fosse recebida de forma natural, como consequência do próprio desenvolvimento do país. Mais importante do que termos maternidades espalhadas por todo o território nacional, com riscos óbvios em termos de redução da prestação de serviços, interessa que a localização das maternidades (e de outros equipamentos) respeite critérios de proximidade, facilidade de deslocação e qualidade garantida.
Num tempo de crise, em que urge não desperdiçar recursos financeiros, é fundamental que a eficiência locativa de muitos equipamentos colectivos seja uma realidade, respeitando sempre a igualdade de direitos e a prestação de serviços de qualidade a toda a população.
No entanto, interessa que este tipo de decisões seja tomado tendo em conta critérios de eficiência, evitando a sua banalização em troca de benefícios meramente economicistas. Daí que cada caso seja um caso e falar do Interior do país não é o mesmo que falar do Litoral.... Atenção ao que se vai fazer na região da Beira Interior!!!
Será esta mais uma razão para que o processo de regionalização avance? Penso que não. Continuo a defender a aposta na cooperação intermunicipal e nos processos de descentralização e de reforço do municipalismo...

segunda-feira, março 13, 2006

Um ano do Governo de Sócrates...

Por estes dias, nos jornais, nas televisões, nas rádios, na blogosfera, enfim, um pouco por todo o lado, fazem-se balanços sobre o primeiro ano da governação de Sócrates.
Mais do vir elogiar ou criticar as medidas avançadas por este Governo, interessa-me avaliar a postura e o estilo que Sócrates e a sua equipa evidenciaram ao longo dos últimos 12 meses, dado que, muitas das medidas tomadas ainda não podem ser devidamente avaliadas nos resultados finais que propiciaram (ou não) ao país.
Claro que sempre poderei concordar ou discordar de algumas acções tomadas pelo Governo Sócrates: discordo da aposta no TGV e na Ota, rejeito o avanço da co-incineração, não compreendo a subida de impostos levada a efeito logo no início da governação, sou contra a implementação das aulas de substituição nos moldes em que foram aplicadas, mas também sou capaz de concordar com a aposta que deve ser feita na reorganização da rede escolar, das maternidades, das freguesias, enfim de muito que asfixia o própria Estado, assim como aceito a aposta feita (ou será enunciada?) no dito "Plano Tecnológico", e até comungo das medidas levadas a cabo para apoiar a população mais idosa...
No entanto, é difícil avaliar o primeiro ano deste Governo, pois os resultados, a verem-se, apenas serão postas à prova daqui a um ou dois anos. Por isso, interessará sobretudo fazer um balanço do estilo deste Governo e da forma como se relaciona com a opinião pública e a comunicação social. De facto, ninguém poderá negar que Sócrates apostou forte no marketing político, avançando, quase todas as semanas com anúncios de medidas, reformas, planos, projectos, investimentos, etc. que, podendo ou não, ter resultados práticos no desenvolvimento de Portugal, enche o olho à comunicação social e desgasta qualquer tipo de oposição. Daí que Marques Mendes tenha tido enormes dificuldades para fazer passar a sua mensagem que, convenhamos, não tem sido devidamente apoiada no seio do PSD.
O estilo simpático de Sócrates, qual político sósia de Blair, tem sido de uma eficácia tal a todos os níveis que, nem a demissão de Campos e Cunha, o aumento do desemprego, as derrotas nas autárquicas e nas presidenciais ou até mesmo a incapacidade que este Governo teve para fazer diminuir a despesa pública ou inverter a tendência do clientelismo e da força dos lobbies, foram suficientes para que os seus níveis de popularidade fossem afectados.
Esperemos que o próximo ano seja de medidas concretas e que nos deixemos de anúncios ao mais puro estilo populista. Para bem do país, há ainda muito por fazer. Como afirmou Sócrates o próximo ano 2006 vai ser duro. Esperemos para ver, desde que Portugal fique a ganhar...

sexta-feira, março 10, 2006

A diferença entre ter nível e não ter educação... Uma lição para as novas gerações do que não se deve ser!

Depois do que escrevi no artigo anterior e das opiniões veiculadas por alguns dos leitores deste blogue, seria lógico que apresentasse de seguida a primeira impressão acerca da postura do novo Presidente da República. Claro que ainda é muito cedo para avançar com certezas, mas o primeiro discurso de Cavaco, após a sua investidura, permite apontar o rumo da sua magistratura. Assim, fica claro que, mais do que um Presidente "agarrado" a mordomias e caprichos de banquetes e palacetes, teremos em Cavaco alguém interessado em apontar caminhos certos, alertar para os perigos e erros a que qualquer governação está sujeita, vigiar possíveis despesismos e a promoção do controlo partidário do aparelho de Estado, evitar a lógica dos lobbies e das cunhas, enfim, é certo que Cavaco se preocupará muito mais com os temas que são prioritários para os portugueses: a aposta no crescimento económico e o combate ao desemprego, a qualificação dos recursos humanos, a credibilização da justiça, a sustentabilidade da segurança social e a credibilização do sistema político e combate à corrupção. Por outro lado, também na área da política externa será concedida prioridade à lusofonia e a UE, embora não acredite que venhamos a ver Cavaco entrar na lógica da banalização das visitas de Estado e condecorações a que assistimos nos últimos vinte anos...
Mas, o que mais me surpreendeu foi a forma como alguns partidos e individualidades que também se candidataram às últimas eleições presidenciais se comportaram na tomada de posse do novo Presidente. É que, apesar de saber da raiva que alguns têm por Cavaco, a má-educação falou mais alto do que o respeito e a integridade, pelo que foi com enorme surpresa que soube que os deputados do PCP e do BE, acompanhados de Mário Soares, (não) souberam respeitar, uma vez mais, o veredicto do povo português. E, dizem-se eles democratas...
Tenho a certeza que a grande maioria do povo português reprova esta atitude destes senhores e saberá dar-lhes a resposta certa: PCP e BE nunca deixarão de ser pequenos partidos e Soares acabou de deixar escrita a sua "morte" política.
Cavaco sabe que não terá um mandato descansado e será o Presidente da República que, depois do 25 de Abril de 1974, sofrerá mais contestação popular, dado que ainda há quem, neste país, não distinga confronto de cariz partidário de respeito pela democracia.
Nunca fui um grande adepto da forma como Sampaio exerceu os seus dois mandatos, e muito menos os de Soares, mas, apesar de nunca ter votado em Sampaio, sempre que estive em cerimónias com a sua presença soube ser bem-educado, cumprimentá-lo e respeitá-lo. Cavaco sabe que não terá a vida fácil... É que ainda há quem pense e actue como se a democracia não existisse em Portugal!

sexta-feira, março 03, 2006

Adeus Sampaio. Não vais deixar saudades...

Sampaio está prestes a despedir-se de dez anos à frente do da Presidência da República e que ficam marcados por um estilo baseado de forma excessiva na emotividade, na lamúria, nos discursos repetidos até à exaustão e numa série de caprichos que fazem pensar que Sampaio se serviu do cargo que ocupou mais para proveito próprio e não tanto para influenciar o rumo de Portugal...
Aliás, por alguma razão é que eleições as últimas foram apelidadas como decisivas para o futuro de Portugal, o que confere ao Presidente da República uma acção que vai muito além da protagonizada por Sampaio.
Bem vistas as coisas, podemos concluir que em dez anos de mandato Sampaio teve como principais preocupações concretizar o desejo de visitar todos os concelhos do país, nem que fosse de corrida, como aconteceu nas últimas visitas ao distrito de Viseu, por mero capricho egocêntrico e, não tanto, com o intuito de dinamizar ou levar algo de bom aos locais que visitou. Por outro lado, é comumente aceite a ideia de que Sampaio exagerou nas condecorações atribuídas, banalizando cerimónias que se deveriam revestir de interesse público e de alguma notoriedade, aspectos que foram menorizados pelo Presidente da República que agora nos deixa. Finalmente, o que dizer da rasteira que Sampaio pregou a Santana Lopes, deixando-o pegar no rebuçado do poder, já com a intenção de deixar que Sócrates se preparasse para a luta eleitoral...
O resto não passou de discursos repetitivos, monótonos e de fazer dormir qualquer um, para já não falar das constantes imagens de "choramingas" a que Sampaio nos habituou...
Assim, é com elevada expectativa que esperamos pelo novo estilo de Cavaco, que, mais do que se servir do cargo de Presidente da República para a concretização de caprichos pessoais, certamente colocará Portugal à frente de todas as suas prioridades...

sábado, fevereiro 25, 2006

Carnaval, mascarados e outras figuras tristes...

Estamos agora numa das épocas do ano que mais me passa ao lado. É verdade, correndo o risco de que me apelidem de casmurro, velhaco ou até indivíduo desprovido de qualquer sentido de humor, tenho que reconsiderar que não gosto do Carnaval e não acho piada nenhuma à tradição que alguns têm de se mascararem de uma qualquer figura dita "engraçada", já para não falar do ridículo que é, em tempo de pleno Inverno (este ano com muito frio e até neve) se vir para a rua em corsos, onde meninas portuguesas tentam imitar as suas congéneres brasileiras vestindo o menos possível e mexendo-se o mais que se podem...
Não sei se a culpa será minha ou dos meus pais, que, felizmente, nunca me mascararam de qualquer figura durante a minha infância, mas quando chega esta altura do ano e vejo adultos na pele de crianças "travestidos" na figura, porventura, dos seus ídolos de infância, penso se tal atitude não estará relacionada com algum tipo de falta de carinho ou afecto que tiveram algures na sua vida. É que, se ainda consigo perceber que as crianças tenham a tentação e até o gosto de se vestirem de Super-Homem ou de Princesa das Arábias, já ver adultos mascarados pela rua de uma qualquer personagem do imaginário ou assistir à triste figura de umas quantas jovens portuguesas andarem meio-despidas e cheias de frio a tentarem dançar o samba, deixa-me no mundo do surreal...

quarta-feira, fevereiro 22, 2006

O perigo de se banalizar a fertilização in vitro...

O "pai" da pílula contraceptiva esteve há uns dias atrás no Porto e concedeu algumas entrevistas aos jornais portugueses, cujo conteúdo não deixa de ser, em algumas partes, polémico e controverso.
Afirmou Carl Djerassi que "a decisão de engravidar é da mulher e de mais ninguém e que será impensável, sequer, legislar sobre o assunto". Ora, este tipo de afirmação corre o risco de ser mal interpretada, visto que dá a entender que o homem não deve ser tido nem achado para o acto da concepção. Refere ainda o cientista que "o futuro será o de filhos sem sexo e que pessoas sem problemas de infertilidade irão usar os métodos de fertilização in vitro e que serão quase exclusivamente mulheres a tomar essa decisão". Ora, a forma simples e banal como estas afirmações são proferidas pode provocar uma certa desresponsabilização do acto de concepção, o que se poderá tornar perigoso e insustentável no futuro...
De facto, não se pode "pedir" à sociedade que se despreocupe com o acto de conceber novas vidas, numa espécie de umbiguismo e egoísmo exacerbados, fazendo-se crer que no futuro bastará recorrer a um banco de esperma para qualquer mulher ter o seu filhinho, como se um filho fosse um brinquedo qualquer.
Dito isto, penso que as entidades competentes devem legislar no sentido de não termos uma banalização da concepção assistida, ao mesmo tempo que se devem defender os casais com problemas de fertilidade. Os caprichos e egoísmos individualistas não se devem sobrepor à responsabilidade de defender e promover a família...

domingo, fevereiro 19, 2006

Emoções fortes e novas prioridades...

Com um fim-de-semana fortemente chuvoso e dominado pelo vento e frio como este, o mais óbvio é apetecer-nos ficar em casa. Ora, o que poderia tornar-se aborrecido pode transformar-se, afinal, num fim-de-semana recheado de momentos apetecíveis e bem passados junto daqueles que mais amamos. É isto que sinto depois de um dia inteiro passado com a minha esposa e a nossa filhota...
É verdade! Como ao longo da semana são poucos os momentos que posso estar com a família, pois o trabalho obriga a madrugar, sendo que muitas vezes só chego a casa quase à hora de jantar (esta semana tive dias em que saí de casa às 7H. para regressar apenas às 21H.), aproveitei ao máximo o dia chuvoso que esteve hoje para brincar com a Dianinha. Ficámos os três em casa, no aconchego da lareira, e nem reparámos que lá por fora o vendaval era enorme. Brincámos, cantámos, ouvimos música, enfim, divertimo-nos e a Dianinha parece que adorou, tal foi a forma como dormiu descansada...
A Salete tem a sorte (e a responsabilidade) de poder estar mais tempo junto da Diana. Por isso, tento aproveitar da melhor maneira os fins-de-semana para recuperar o tempo "perdido" ao longo da semana.
Um grande amigo meu da Covilhã disse-me ontem que durante os primeiros cinco anos de vida da filha dele escreveu um diário apontando as melhores peripécias passadas com a filha. Também nós tivemos uma ideia semelhante depois da Diana ter nascido: a Salete tem um livro onde escreve a evolução registada pela Dianinha, para além de descrever no blogue dela muitas das emoções tidas com a filhota, enquanto que eu fico com a incumbência de tirar o máximo de fotos da nossa pequenota, desde os momentos do banhinho ou da mamada até às visitas que temos em casa ou às brincadeiras que temos com ela...
Desde o nascimento da Diana que, cá por casa, as prioridades mudaram por completo e tudo gira à volta do que melhor é para a nossa pequenota. Os horários mudaram, os ritmos alteraram-se, as rotinas acabaram. Enfim, a felicidade é total. E a miúda já vai a caminho dos dois meses...

domingo, fevereiro 12, 2006

Reforma administrativa do território: uma necessidade urgente...

O Governo prepara-se para extinguir ou fundir algumas das freguesias que apresentam uma dimensão populacional insignificante no contexto das regiões em que se inserem. São os casos de algumas freguesias da cidade de Lisboa que deverão ser aglomeradas numa só, de outras que têm pouco mais de 100 habitantes ou daquelas cujos limites administrativos coincidem com os do município a que pertencem.
Considero esta uma medida necessária, mas cujos contornos deveriam ter uma alcance muito maior. De facto, para quem conhece minimamente a realidade do nosso país, diversas questões ressaltam à vista. Que sentido faz termos freguesias de 100 habitantes e de 50 000 habitantes com as mesmas competências e funções? Será necessário termos mais de 300 municípios que em muitos aspectos viram costas aos concelhos vizinhos, não funcionando de forma organizada e complementar? Há necessidade de termos tribunais, centros de saúde, repartições de finanças, pavilhões multiusos e outros equipamentos colectivos em municípios diferentes que ficam a apenas 15 minutos de distância? Fará sentido não apostar no associativismo intermunicipal?
Por isso, concordo com a opção do Governo. É preciso avançar com a reforma administrativa do território, tanto em termos de freguesias, municípios, repartições públicas, tribunais, escolas, centros de saúde, ETAR´s, barragens e muitos mais. O dinheiro não estica...

quarta-feira, fevereiro 08, 2006

Assim vale a pena....

Nas minhas aulas de Geografia leccionadas ao 10º ano de escolaridade é habitual o desenvolvimento de uma actividade que é do agrado dos alunos. A actividade consiste no apuramento semanal por um grupo de dois alunos (escolhidos por ordem alfabética) das principais notícias da semana relacionadas com a disciplina de Geografia e que são apresentadas pelos próprios alunos ao resto da turma através dos recursos que bem entenderem (geralmente optam pela apresentação em Data-Show através do Power Point). Assim, uma vez por semana, durante 45 minutos, são os alunos que dinamizam a aula de Geografia e debatem os assuntos que consideram mais pertinentes, sendo que eu, enquanto professor, tento desempenhar uma função mais de moderador e não tanto de protagonista interveniente.
Ora, nas últimas sessões foram debatidos dois assuntos que estão na ordem do dia e que tiveram, por parte da maioria dos alunos, uma prestação que me agradou imenso. Numa das sessões debateu-se os prós e contras da instalação em Portugal de uma central nuclear. Os dois alunos que dinamizaram a aula fizeram a devida pesquisa em casa sobre o tema e conseguiram cativar os seus colegas para o assunto. Ora, a grande maioria dos alunos demonstrou a sua oposição à hipótese de Portugal avançar com a construção de uma central nuclear, argumentando de forma clara e justificando correctamente a sua posição, com base nas potencialidades do nosso país em apostar nas energias renováveis.
Já na sessão de hoje, debateu-se a questão dos cartoons sobre Maomé e foi interessante verificar que não houve nenhum aluno que concordasse com a postura tomada pelo jornal dinamarquês que, voluntariamente ou não, despoletou toda a situação que se conhece. Por outro lado, foi focada a questão da liberdade de expressão e os limites que lhe são devidos quando o respeito pela cultura alheia é atingido. Claro que nada justifica muita da violência que se viu pelo mundo muçulmano, mas até jovens de 16 anos compreendem a insensibilidade que houve da parte de muitos jornais europeus que decidiram publicar as caricaturas e despoletar toda esta controvérsia.
Duas conclusões: ensinar é muito mais do que "despejar" matéria e o bom-senso deve basear as nossas condutas e atitudes. Se a juventude compreende estas ideias, porque razão ainda há adultos que ousam em continuar a ser teimosos?

domingo, fevereiro 05, 2006

Cartoons de Maomé: não havia necessidade...

A discussão que, por agora, está na ordem do dia é a da decisão que alguns jornais europeus tomaram de apresentarem diversos cartoons "glosando" com a figura de Maomé, suscitando-se a dúvida de que até que ponto é que a liberdade de expressão deverá ou não ser limitada em situações especiais.
Ora, mais do que criticar a acção tomada pelo jornal dinamarquês que, certamente sem querer (penso eu), desencadeou a revolta que se conhece em muitos países do Médio Oriente, penso que há uma questão de bom-senso que deveria ter sido suscitada. Sabendo-se do fanatismo que é preconizado em muitos países muçulmanos relativamente à figura de Maomé e tudo o que diga respeito à sua religião (tantas vezes adulterada pelos próprios) e, tendo em conta a relação, no mínimo, algo problemática existente entre o povo muçulmano e os países ocidentais, mandava o bom-senso que se evitassem situações que pudessem levar à escalada de violência a que se tem assistido em diversos países do Médio Oriente contra embaixadas e interesses de diversos países europeus, levando, inclusive, à constituição de embargos comerciais.
Há ainda um longo caminho a desbravar nos países muçulmanos no que à democracia diz respeito. Ora, não será, certamente, com acções provocatórias, propositadas ou não, que o fanatismo poderá ser derrotado. O segredo está no reforço da educação, em todos os seus sentidos, e ainda na erradicação da pobreza extrema nestes países...

quarta-feira, fevereiro 01, 2006

Prioridade: a família ou meros caprichos???

Pois é, depois da derrota eleitoral que o Bloco de Esquerda obteve nas últimas eleições a que concorreu (sim, porque Louçã apresentou-se às presidenciais como candidato bloquista e não como independente), este pequeno partido não se fez rogado e aproveita agora a relativa acalmia política para voltar à carga com a pretensão dos homossexuais em assumirem-se na sociedade através do casamento...
Não sei se as duas senhoras que agora aparecem em tudo o que é comunicação social estão ou não, directa ou indirectamente, ligadas ao BE, mas que existem muitas coincidências nos momentos escolhidos para avançarem com o pedido de casamento lá isso existem...
O debate sobre os casamentos entre homossexuais parece que está relançado, o que, infelizmente, apenas vai distrair, mais uma vez, a sociedade civil do que, de facto, urge debater: a assumpção de uma política verdadeiramente natalista que permita um aumento do índice de fecundidade, a protecção à verdadeira instituição familiar (pai, mãe e filhos), a introdução de mecanismos de benefícios fiscais às famílias menos abonadas e com maior número de filhos, a protecção às crianças órfãs, a aceleração dos processos de adopção, entre outras matérias. Enfim, mais do que se discutir uma questão completamente estéril como a dos casamentos entre homossexuais (pois a actual lei já contempla as uniões de facto) e que apenas aparece como capricho de grupos minoritários que, constantemente, se auto-vitimizam, importa que o Estado e a sociedade civil abram os olhos para o que, de facto, é importante: defender a família, a infância e as gerações futuras, através de mecanismos que levem ao aumento da natalidade em Portugal...
Sim, porque, se é verdade que muito se fala no artigo 13º da Constituição da República Portuguesa, convém não esquecer o que diz o artigo 36º da lei geral e a defesa que é devida ao casamento e à família...

segunda-feira, janeiro 30, 2006

Estará o clima "louco"?

De facto, a simples circunstância de Lisboa ter a avenida europeia com os maiores índices de poluição atmosférica provocada pela circulação automóvel deveria servir-nos de alerta para os graves erros que estamos a cometer em matéria de ambiente. Não chega descarregarmos as culpas para os grandes responsáveis pelo aquecimento global (nomeadamente os EUA e a China) se, no nosso território não conseguimos implementar medidas sérias que conduzam à redução da emissão dos gases poluentes.
Nas minhas aulas de Geografia eu bem tento sensibilizar os alunos para esta questão, fazendo-os compreender que o clima em Portugal tenderá a ficar cada vez mais instável e dominado por situações extremas e anómalas se nada for feito. Se os meus alunos compreendem esta matéria, porque razão é que alguns políticos mundiais e nacionais continuam a teimar em não se preocupar com o (nosso) ambiente?
Há quem diga que o clima anda "louco". Poderá ser verdade, mas, convém não esquecer que somos nós que andamos a enlouquecer o clima...

quinta-feira, janeiro 26, 2006

Terroristas no poder. E agora, Soares?

Vindo da Palestina já nada me surpreende! Nem sequer a escolha pelo povo de um partido, para liderar o Governo, que defende a "simples" extinção de um país vizinho e advoga a estratégia dos atentados terroristas suicidas para assassinar cidadãos indefesos.
Seria quase o mesmo que termos na nossa vizinha Espanha uma versão politiqueira da ETA no poder. Só que aqui pela Europa ainda se distingue a democracia séria da ditadura de ideais e fanatismos.
Das duas, uma: ou o Hamas muda de estratégia e, num acto de humildade reconsidera as posições tomadas e a paz será possível de alcançar ou, pelo contrário, a ameaça instalar-se-á em força no Médio Oriente e o novo Governo continuará a mergulhar o povo palestiniano na pobreza absoluta, sem paz à vista.
E, já agora, será que ainda se lembram da famosa frase proferida por Mário Soares aquando dos atentados do 11 de Setembro, segundo o qual se deveria estabelecer o diálogo com grupos terroristas, a fim de que a paz fosse alcançada? Pois bem, depois da derrota sofrida nas recentes eleições presidenciais, porque não aconselhar Soares a fazer uma viagem à Palestina para conversar com o terrorista que está à frente dos destinos do Hamas? E que tal levar com ele Jerónimo e Louçã?

domingo, janeiro 22, 2006

A vitória do bom-senso e da credibilidade...

Cavaco Silva é o novo Presidente da República (PR), eleito por mais de metade dos eleitores que se decidiram por exercer de forma séria e responsável o seu direito (mas também dever) de cidadania. Agora, há que respeitar a decisão da maioria da população e compreender que Cavaco Silva passa a ser o Presidente de todos os portugueses...
Obviamente que me congratulo com esta eleição, pois quem frequenta este blogue sabe a posição que tomei no que respeita a este acto eleitoral. Sempre afirmei que, de entre os candidatos a PR, Cavaco Silva era aquele que inspirava maior confiança, no sentido de exercer de forma séria e rigorosa os poderes que cabem ao PR, quer em termos da relação institucional a desenvolver com os demais órgãos institucionais, quer na representatividade que no exterior fará do nosso País, e ainda como legítimo ouvidor e defensor dos anseios do povo português...
Resta-me apenas apreciar os resultados e reacções dos restantes candidatos. Garcia, Louçã e Jerónimo continuam arrogantes como sempre e ainda não perceberam que o respeito pela decisão tomada pela maioria do povo português não se coaduna com uma estratégia de ódio e raiva. Soares acaba a sua carreira política da pior maneira e arrasta com ele um PS moribundo, dividido e sem rumo. Alegre prova que há espaço na democracia portuguesa para os que não se deixam seguir por partidos políticos, ao mesmo tempo que demonstra o quão instável é a esquerda portuguesa.
Enfim, esperemos que aqueles que não votaram em Cavaco Silva saibam respeitar a decisão da maioria dos portugueses e que se comportem da mesma forma como aqueles que, ao longo dos trinta anos, não votaram Eanes, Soares e Sampaio souberam aceitar o veredicto eleitoral.