Uma das notícias que esta semana fez a manchete dos jornais e a abertura dos noticiários televisivos foi a da chegada de quatro famílias brasileiras que decidiram mudar o rumo das suas vidas e apostarem numa nova vida por terras do interior de Portugal. E bem lá no interior: uma aldeia do concelho de Vila de Rei, que atravessa um grave período de despovoamento e envelhecimento populacionais!
Ora, a questão que se coloca é a de saber se a política de incentivos à atracção e fixação de população em terras despovoadas do interior é suficiente para alterar o rumo dos "novos" tempos da urbanização.
Como interessado neste tipo de questões, sobretudo por ser docente de Geografia, sou da opinião de que este tipo de medidas em aldeias com estas características não passam de "balões de oxigénio" que não darão os seus frutos a longo prazo. Com o desenvolvimento do país em termos de vias de comunicação e a inevitável concentração de serviços de saúde e educação visando a racionalização de custos, é mais do que lógico que muitas das aldeias e vilas (e provavelmente até cidades!) dos mais que muitos concelhos que existem actualmente no país não conseguirão sobreviver à vontade das pessoas em optarem por viver onde há emprego, onde se localizam os serviços de saúde e educação de que necessitam, onde existem equipamentos culturais...
Não quero dizer com isto que a litoralização acabará por "asfixiar" o interior. Bem pelo contrário! O que penso é que a falta de qualidade de vida das grandes cidades do litoral e seus subúrbios acabará por levar muita gente a decidir-se por ir viver no interior, mas não para aldeias ou vilas isoladas. Irão sim para as denominadas cidades de média dimensão, que têm o que de bom há no litoral (menos a praia) e estão imunes ao que de mau existe nessas urbes, como a insegurança, os engarrafamentos de trânsito ou a falta de convívio e solidariedade...
Sou natural da Covilhã, vivo presentemente em Viseu e posso assegurar que nestas duas cidades médias a qualidade de vida é muito superior da existente em muitas do litoral. Quanto às aldeias e vilas espalhadas pelo interior, apenas algumas irão subsistir no futuro como uma espécie de recordação do que era a vida antigamente. Serão a continuação das já existentes aldeias históricas...