A proposta do Governo para reformar o sistema de Segurança Social já avançou, apesar da "overdose" de futebol estar a distrair muitos portugueses deste tema de carácter decisivo para o futuro do nosso país...
Depois de analisar sucintamente a proposta governamental não me custa nada afirmar que concordo com a generalidade das medidas avançadas, embora considere a existência de duas falhas imperdoáveis.
Por um lado, penso que esta reforma deveria ir muito mais além no que aos cargos públicos, nomeadamente políticos diz respeito, acabando com muitos dos benefícios que continuam vigentes na lei para presidentes de autarquias, deputados, gestores públicos e outros. Há que ter a coragem política de acabar com benesses e mordomias para esta classe mais que privilegiada.
Por outro lado, considero de muito pouco alcance e, praticamente, inócuas as medidas previstas para combater o envelhecimento da população portuguesa, pois não é com aumentos "caritativos" do abono de família que se conseguirá aumentar o índice de fecundidade em Portugal.
Bem sei que me seria muito mais fácil vir aqui dizer que os direitos, a que alguns chamam de "adquiridos", não podem ser alterados ou que as regras do "jogo" não podem ser modificadas ou até que nada poderia justificar estas medidas, visto que me iriam prejudicar, mas neste, como noutros assuntos, há que ter o bom-senso de defender o bem-comum e deixar de lado "umbiguismos" egoístas. É que é Portugal e o futuro dos portugueses que estão em causa, pelo que todos devemos contribuir para que a sustentabilidade da nossa Segurança Social seja uma realidade, ao mesmo tempo que devemos combater o envelhecimento populacional, reforçando aquela que é a instituição-base de toda a civilização: a família...
Só com medidas concretas ao nível, por exemplo, do alargamento a sério da licença de maternidade e do aumento do número de infantários públicos é que poderemos esperar que a natalidade aumente no nosso país...
Mas, o país continua distraído com o futebol, não é??? O Governo agradece...