Comemora-se hoje o "Dia Internacional da Juventude", num tempo em que debater o ser-se jovem equivale a termos que nos debruçar sobre uma série de problemáticas. Desde logo, convém termos bem presente que em Portugal, assim como em toda a Europa, os jovens são cada vez menos, dependem mais dos pais até mais tarde, casam menos, divorciam-se mais e têm menos filhos, chegando estes em idades muito mais tardias. Esta situação comporta sérias dúvidas sobre a renovação de gerações e a própria capacidade de um povo para ser dinâmico, audaz e minimamente sustentável.
Dou apenas um exemplo: vejamos o que se passa no Japão. Obcecados nas últimas décadas com o crescimento e o desenvolvimento económico do seu país, a maioria dos japoneses investiu muito da sua vida na procura de um nível de vida elevado. Assim, o trabalho sobrepôs-se à família, tendo-se chegado a uma situação em que, em média, cada mulher japonesa em idade fértil tem apenas 1,25 filhos (índice de fecundidade). Ora, com a esperança média de vida mais elevada do planeta (82 anos), os japoneses andam agora a desesperar, tentando responder à questão de quem vai sustentar as crescentes legiões de pensionistas!!!
Por cá, continuamos a ter um Governo que pouco parece preocupar-se com as famílias numerosas, não assumindo uma verdadeira política natalista. Outros países com problemas semelhantes ao de Portugal, já abriram os olhos e investem em medidas que promovam a natalidade. Dou apenas o exemplo da Alemanha, onde a partir de 2007, aqueles que decidirem ficar em casa, para criar os filhos, receberão dois terços do salário até um máximo de 1800 Euros. Em vez de terem rendimentos mínimos garantidos, que apenas promovem a precariedade e a miséria, os alemães investem na sustentabilidade, salvaguardando o direito à família daqueles que com o seu trabalho e devidos impostos contribuem para as finanças do país.
Se a situação não se inverter rapidamente correremos o sério risco de termos um país de "velhos" (muitos deles sem as mínimas condições de vida, visto as reformas serem reduzidas), dependente da imigração para que haja crianças e onde os jovens "cérebros" nacionais tendem a emigrar à procura de melhores condições de vida.