sábado, março 03, 2007

Confusões e aproveitamentos à volta da figura de Salazar...

A ideia avançada pela autarquia de Santa Comba Dão de se criar um Centro de Estudos do Estado Novo nas casas semiarruinadas onde nasceu e viveu António de Oliveira Salazar tem suscitado grande controvérsia, aproveitamentos baratos e insinuações erradas.
Aqui por Viseu muito se tem falado sobre o assunto, havendo opiniões tão extremas que chegam a roçar a desinformação. Esta começa logo na própria comunicação social que tem vindo a criar a ideia na opinião pública de que o que se pretende é exaltar as "bem feitorias" de Salazar. Completo disparate, dado que o objectivo da autarquia é o de desenvolver os estudos à volta dos tempos em que o ditador teve Portugal nas "mãos". Depois temos os conterrâneos de Salazar que, envoltos numa névoa de orgulho bairrista, parecem esquecer quem, de facto, foi Salazar: um ditador que, à custa do silêncio e da ignorância impostos ao povo português, impediu que Portugal se desenvolvesse ao ritmo dos demais países da Europa Ocidental.
Mas, qual o medo de se construir um Centro de Estudos do Estado Novo em Santa Comba Dão? Porventura, o mesmo medo que esteve na origem do não aproveitamento da antiga sede da PIDE, em Lisboa, para aí abrir um Centro de Documentação do Estado Novo: a vergonha de desenterrar memórias de décadas de isolamento, sofrimento e iliteracia...
Nem Salazar foi um líder livre de defeitos, como alguns querem fazer crer, nem tão pouco foi um ditador equiparado a Hitler, como outros dizem ter sido. Salazar apenas foi quem foi, porque durante quase cinquenta anos, a maioria dos portugueses da época se deixou levar pela inércia que, desde sempre, tem caracterizado o nosso povo!!!
Não tenho receio que nasça em Santa Comba Dão um Museu ou um Centro de Estudos que dê a conhecer às gerações mais jovens quem, de facto, foi Salazar: no seu pior, mas também no seu melhor... Não nos esqueçamos que Salazar fechou o nosso país numa espécie de "redoma de vidro", fomentando a iliteracia de um povo envergonhado, mas também "safou" Portugal de uma guerra mundial e tudo fez para que o respeito e a disciplina fossem ponto de ordem!!! Infelizmente, hoje sabemos como estamos, depois de mais de 30 anos de democracia.

sábado, fevereiro 24, 2007

Nova rede de urgências: uma questão de lógica

Apesar de não ter votado no PS nas últimas eleições legislativas, e portanto estar à vontade para criticar este Governo naquilo que de errado tem feito, a verdade é que penso também ter a capacidade e o bom senso necessários para elogiar o que correctamente tem vindo a ser realizado. Ora, num tempo em que não se pode esbanjar os parcos recursos financeiros que o país tem (imagine-se como será quando se fechar a torneira de Bruxelas em 2013!), não posso estar mais de acordo com a necessidade de se reformularem muitas das redes de serviços e equipamentos sociais existentes em Portugal. O Portugal de 2007 já nada tem que ver com o Portugal de 1985...
Depois das escolas primárias e das maternidades, chegou a vez das urgências. Qualquer pessoa minimamente inteligente perceberá que, com a melhoria verificada ao nível das vias de comunicação nos últimos vinte anos, a noção de distância-tempo sobrepõe-se à de distância quilométrica. Ao mesmo tempo, as áreas de influência dos lugares centrais alargam-se, pelo que deixa de ter qualquer lógica, termos dois ou mais serviços com as mesmas características em locais próximos uns dos outros. Aliás, apenas em jeito de curiosidade, direi que, por estes dias, estou a leccionar esta problemática aos meus alunos de Geografia do 11º ano e nenhum deles discordou da lógica de se racionalizarem correctamente os equipamentos sociais colocados à disposição das populações. Que lógica fará ter um serviço de urgência nocturno aberto durante a noite quando apenas é utilizado por uma média de quatro pessoas, tendo a menos de 30 minutos de distância um outro com as mesmas valências? Nenhuma...
O que há que criticar no Ministro da Saúde e no Primeiro-Ministro é a incapacidade que estes demonstraram para esclarecerem as populações e a falta de humildade que tiveram em não querer falar "abertamente" com os autarcas que representam as populações locais. Em vez disso, o Governo PS avançou com as propostas, assustando e desesperando um povo que, como sabemos, é dominado pela iliteracia...
As vias de comunicação poderão ter muitas vantagens, diminuindo assimetrias e anulando isolamentos, mas também provocam lógicas de concentração, levando inclusivamente, e como bem sabemos, ao desaparecimento de povoações insustentáveis...
Já agora, para quando a reestruturação administrativa do país, nomeadamente ao nível das freguesias?

sexta-feira, fevereiro 16, 2007

Para terminar este debate: o que dizem os mais novos...

Um dos conteúdos programáticos da disciplina de Geografia do 8º ano de escolaridade (também no 10º e 12º anos) prende-se com a demografia, ou seja, o estudo da população. Ora, no início desta semana comecei a leccionar às minhas três turmas de 8º ano matéria relacionada com as disparidades mundiais existentes ao nível dos índices de natalidade e de fecundidade: regiões do mundo, como a maioria dos países africanos, onde o número médio de filhos por mulher em idade fértil é bastante elevado e outras regiões do mundo desenvolvido onde a falta de nascimentos preocupa (ou deveria preocupar) os governantes.
Claro que me poderão vir dizer que falo de alunos de um concelho do Interior, pertencente ao distrito de Viseu e, portanto, com forte influência religiosa e de mentalidade conservadora. Pouco me importa o contexto social que está na origem deste pensamento. Apenas poderei dizer-vos que me agrada ver como (ainda) há jovens que defendem a vida e não perdoam que o "esquecimento" ou a "distracção" sejam razões invocadas para justificar a interrupção de uma gravidez indesejada...

segunda-feira, fevereiro 12, 2007

O pós-referendo: mais dúvidas que certezas...

Dos 8 832 628 de portugueses inscritos nos cadernos eleitorais com capacidade para se pronunciarem sobre a questão da "despenalização do aborto até às 10 semanas por opção da mulher em estabelecimento legalmente autorizado" perfizeram o total de 2 238 053 indivíduos aqueles que deram concordância à alteração da lei em vigor. Ou seja, foram pouco mais de 25% os portugueses com mais de 18 anos que deram o seu aval à mudança legislativa a introduzir no Código Penal.
Não coloco em dúvida da vitória do SIM, mas discordo totalmente daquilo a que José Sócrates apelidou de consenso social. Não se verificou nenhum consenso!!! Aliás, a haver vitória clara foi a dos mais de quatro milhões de eleitores que se abstiveram...
Mas, sabendo-se que a lei sobre esta matéria vai ser alterada, convém não esquecermos que as dúvidas e interrogações são bem mais profundas do que as certezas. E, nem os mais acérrimos defensores do SIM conseguem responder às questões que agora nos são colocadas:
1. As investigações e os julgamentos deixarão de acontecer para os abortos realizados com 10 semanas e um dia de gravidez?
3. De onde virão os recursos financeiros para pagar os abortos a realizar, seja no sistema público, seja no sistema privado?
4. Não será legítimo que o dinheiro gasto por cada aborto realizado seja igual ao subsídio a atribuir a cada mulher que decida prosseguir com a sua gravidez até ao fim?
5. Não estaremos perante uma lei que discrimina o pai, visto que este não tem na lei uma alínea que lhe permita impedir a decisão da mãe de aniquilar a vida do seu filho?
6. Estaremos perante um Sistema Nacional de Saúde capaz de dar provimento aos milhares de abortos que lhe vão chegar "ás mãos" ou iremos ter um Estado que subsidia os privados para realizar abortos, sabendo nós que estes últimos têm como objectivo final a maximização do lucro?
7. Finalmente, a maior dúvida de todas, os defensores do NÃO têm ou não legitimidade para exigir a realização de mais um referendo daqui a nove anos, visto que este foi tão vinculativo (ou seja não foi) como o realizado há nove anos atrás? Teremos agora sempre um referendo sobre o aborto por cada década que passe?
Convém não esquecer que apenas 25% dos portugueses com capacidade para votar apoiaram a mudança da lei, pelo que há 75% que, directa ou indirectamente, discordam da liberalização do aborto... E, não há dúvidas que temos um país "partido" ao meio: um Norte e ilhas conservadores e defensores acérrimos da vida, e um Sul que nas palavras de Sócrates é modernista e que vai atrás daquilo que vem do resto da Europa e que, infelizmente, menos convinha "copiar"...

sexta-feira, fevereiro 09, 2007

A propósito do referendo (6)

A poucas horas do referendo de domingo é chegado o momento da decisão final. Depois de durante algumas semanas ter debatido o tema da despenalização do aborto com muita gente, não só aqui na blogosfera, como em muitos outros locais, fico com a sensação de que a abstenção irá atingir proporções bastante elevadas, quiça superiores a 50% (ainda por cima irá chover no próximo domingo!). Por outro lado, parece-me que aqueles que vão votar já têm a sua decisão tomada há muito tempo. Não nos esqueçamos que esta é uma questão que muito tem que ver com a consciência individual de cada um de nós...
Acredito que, no próximo domingo, os portugueses irão provar que o nosso país continua a estar na vanguarda daqueles que têm respeito pela vida dos mais indefesos. País de brandos costumes? Sim senhor e com muito prazer...
Para a semana cá estaremos para debater o dia seguinte ao referendo. Esperemos que para falar mais de nascimentos do que de abortos!!!

sexta-feira, fevereiro 02, 2007

A propósito do referendo (5)

Estamos já em pleno período de campanha para o referendo do próximo dia 11 de Fevereiro e, como sempre, as notícias incidem mais sobre as asneiras que se vão dizendo, tanto por protagonistas do SIM como do NÃO, do que pela acção pedagógica e informativa que, ainda assim, se vai fazendo um pouco por todo o país. Quem mais recebe as atenções dos "media" não são aqueles que, de forma ponderada e séria, tentam elucidar a população sobre as consequências do SIM ou do NÃO ganhar, mas sim aqueles que vão dizendo e fazendo verdadeiras asneiras, que comportam atitudes radicais e formas de pensar pouco dadas a ouvir argumentos contrários ao seu.
Mas, afinal o que vamos votar neste referendo? A pergunta em causa, que considero mal elaborada e manifestamente deturpada, enquadra-se na legislação penal em vigor. Ora, interessa saber, desde já, qual a função do código penal. Para além de uma função punitiva, convém alertar os mais distraídos que a legislação penal tem em vista uma função pedagógica e também orientadora do cidadão, por forma a distinguir o BEM do MAL...
Todos os actos e acções que impliquem atitudes maléficas ou fora daquilo que se enquadram, em termos civilizacionais, como apologistas do "bem comum" devem ser alvo de penalização no Código Penal. Quanto à pena em si, a mesma deve ser debatida ao nível do Parlamento: pena de prisão, multa, tarefas em prol da sociedade...
Ora, abortar livremente, quando estão em "jogo" dois seres humanos, sendo que um deles é indefeso, pelo que necessita de uma protecção jurídica acrescida, implica que o Código Penal condena tal acto abortivo. Quanto ao tipo de condenação a efectivar, não é essa a questão que nos é proposta no referendo. Infelizmente...

segunda-feira, janeiro 22, 2007

A propósito do referendo (4)

Nos últimos dias não muito se tem dito e escrito do caso do Sargento Gomes, condenado a seis anos de prisão por sequestro de uma menor. Não há ninguém que não tenha opinião sobre o assunto, sendo que me parece que a maioria das pessoas defende a ideia de que o Sargento Gomes não deveria ter sido condenado, mas antes "condecorado" por ter ficado com uma bebé de três meses entregue pela mãe biológica e abandonada pelo pai biológico.
Ora, numa época em que se debate a liberalização ou não do aborto é bom que se alertem as consciências mais distraídas de que o aborto não é solução. O exemplo desta mãe que entregou a filha a um casal para adopção deve servir de alerta aos que (ainda) pensam que o direito a "mandar no seu corpo" é mais importante que o direito à vida...
A pequena Esmeralda de que hoje todos os portugueses falam apenas existe porque a mãe não se decidiu pelo aborto. De forma consciente ou não, ainda bem que assim foi! Pena é que muitas "Esmeraldas" não tenham podido vir a este mundo porque houve mulheres que optaram pelo aborto. Neste referendo, votar NÃO é dizer SIM À VIDA!!!

segunda-feira, janeiro 08, 2007

A propósito do referendo (3)

O Governo alemão, apercebendo-se dos graves problemas decorrentes da falta de jovens e do crescente envelhecimento que grassa no seu país, apenas colmatado pela entrada anual de milhares de imigrantes, resolveu abrir os cordões à bolsa e investir em medidas natalistas. A mais importante prende-se com a atribuição às famílias de um subsídio de 25.200 Euros por cada nascimento.
Por cá, andamos a discutir a possibilidade de se liberalizar a prática do aborto até às 10 semanas, como se Portugal tivesse que se comportar como a China de há trinta anos atrás. O Ministro da Saúde afirma que se irá poupar mais dinheiro investindo nos abortos livres até às 10 semanas em relação ao que se gasta nos hospitais públicos a tratar das mulheres que recorrem actualmente ao aborto clandestino. Pena é que ninguém deste Governo tenha a coragem de vir falar na necessidade de se criarem medidas sérias de incentivo à natalidade...
Num país cada vez mais envelhecido, a rumar para a cauda da UE e onde o egoísmo parece ser o pão-nosso de cada dia, é vergonhoso termos um abono de família médio mensal que nem para comprar fraldas dá. E ainda vêm com a conversa de que abortar apenas diz respeito à vontade individual de cada mulher, como se a sociedade não se devesse reger por princípios sérios e eticamente responsáveis!!!

quinta-feira, dezembro 21, 2006

Um Feliz Natal para todos!!!

Já diz a sabedoria popular que o Natal sem crianças não tem o mesmo significado. E eu que o diga!!! Faz agora um ano que eu e a Salete estávamos à espera que a nossa princesa resolvesse deixar o ventre da mãe para nos fazer companhia. A marota resolveu-o fazer em plena noite de Consoada, na passagem de 24 para 25 de Dezembro, pouco depois da meia-noite. Foi a melhor noite de Natal que tivemos até hoje. E assistir ao nascimento da minha filhota foi a maior prenda do mundo!!!
Passados doze meses, a Diana está crescida e é a rainha da casa. Depois de termos passado o último Natal na maternidade, vai ser a primeira vez que o vamos passar juntos em casa. Com bacalhau, peru, doces e muitas prendinhas para a nossa pequenota. Afinal, 25 de Dezembro é dia de Natal, mas também o dia de aniversário da nossa Dianinha.

sábado, dezembro 16, 2006

A propósito do referendo (2)

Proponho ao leitor um pequeno exercício de imaginação. Imagine-se um aluno a ditar regras de disciplina a um professor. Imagine-se a equipa do Benfica a fazer a sua apresentação aos sócios no Estádio do Sporting. Imagine-se alguém afirmar que a Coreia do Norte é um país apologista da liberdade de expressão. Imagine-se um polícia a roubar um transeunte. E, agora, imagine-se uma organização que defende a liberalização do aborto até às 10 semanas a apresentar as suas propostas numa maternidade pública!!! Pois bem, não tem de imaginar esta última hipótese, pois aconteceu no nosso país!!!
Como é possível que numa maternidade (estabelecimento que tem como prioridade a defesa da vida) se possa fazer a apologia da morte??? Há gente com muitas responsabilidades que anda a brincar com questões muito sérias, ainda para mais quando se trata de uma instituição pública que tem como dever prioritário a defesa da vida!!!

sábado, dezembro 09, 2006

A propósito do referendo (1)

Agora que já se conhece a data do referendo sobre a interrupção voluntária da gravidez é natural que aqui na blogosfera se intensifique o debate (que se espera sério e rigoroso) a propósito da questão que nos é colocada a referendar. Assim, dou início a um conjunto de artigos que amiúde e até 11 de Fevereiro próximo irei escrever sobre o assunto.
Ora, hoje aos folhear o jornal Público analisei com atenção os anúncios publicitários de duas das mais conhecidas clínicas espanholas que praticam o aborto e o que mais me surpreendeu foi a forma despudorada como a sua publicidade é feita: "tratamento voluntário da gravidez" é o que vem referido nos anúncios! Como se a gravidez fosse uma doença e a forma de a tratar (sinónimo de curar) fosse matar um ser inocente!!!
Caso o "sim" ganhe no referendo, estas e muitas outras clínicas virão para Portugal (uma até já tem abertura marcada) à procura de dinheiro fácil, fazendo do aborto indiscriminado até às 10 semanas um negócio chorudo, independentemente de haver ou não razões sérias para praticar esse acto (que apenas deveria ser praticado em casos extremos, por sinal, já contemplados pela lei em vigor).

sexta-feira, dezembro 01, 2006

Recordes destes? Não, obrigado...

No dia em que, a nível mundial, se lembram as vítimas da SIDA, há um número que deve ser relembrado para vermos até que ponto é que a multiplicação de planos, projectos e medidas não passa, muitas vezes, de simples retórica e de um enumerar de ambições que em Power Point ficam muito bonitas, mas que, na prática, resultam num simples fiasco: Portugal é o país da UE com a maior taxa de infectados com o vírus HIV!!! Eis que agora surge um novo Programa Nacional de Prevenção da doença que vai vigorar até 2010. Mais um plano a juntar às centenas de planos que abundam neste país...
Aliás, é triste quando analisamos o nível de recordes que Portugal tem no conjunto dos países da UE: temos a maior taxa de infectados com o HIV, as maiores listas de espera na saúde, os maiores índices de abandono e insucesso escolar, as maiores desigualdades entre os que mais ganham e os que menos auferem, enfim, naquilo que verdadeiramente interessa para um satisfatório nível de vida da população estamos na cauda da UE.
Então no que é que somos bons? Infelizmente no supérfluo, bem evidente no facto de alguns de nós se orgulharem de termos a maior árvore de Natal da Europa, de termos feito o maior logotipo humano, de termos construído as maiores ponte e albufeira de água doce da Europa. Ah, e ainda temos o condão de nos orgulharmos de termos uma série de recordes gastronómicos, desde pães com chouriço e sopas da pedra até bolos rei e de chocolate...
Para quando os recordes naquilo que verdadeiramente interessa?

sábado, novembro 25, 2006

Há que não fazer esquecer o 25 de Novembro de 1975...

Todos os anos é a mesma coisa!!! Depois de no mês de Abril se dar vivas, e muito bem, ao 25 de Abril de 1974 entra-se na esfera da "rotinização" política do país e chega-se ao final do mês de Novembro fazendo-se quase tábua rasa de uma data que marcou decisivamente a institucionalização do regime democrático em Portugal.
Faz hoje 31 anos que as forças partidárias do vanguardismo revolucionário foram derrotadas e se liquidou a estratégia protagonizada por uma certa esquerda ideológica de impor a Portugal um novo regime antidemocrático, desta vez, em sentido contrário. Ou seja, de uma ditadura de direita corria-se o sério risco de uma nova dinâmica ditatorial, mas agora de esquerda... E foi com o 25 de Novembro de 1975 que se evitou tal "desastre"!!!

quinta-feira, novembro 23, 2006

O bom exemplo que vem de França...

Entre os 191 países membros das Nações Unidas, apenas em sete as mulheres ocupam o cargo político mais elevado de Chefe de Estado. O caso mais conhecido dos últimos anos foi o de Mary Robinson, ex-chefe de Estado da República da Irlanda e que teve um papel decisivo na forma como este país se conseguiu impor em termos de crescimento económico e de desenvolvimento humano à escala mundial. Todos nós nos lembramos de quando na década de 80 ainda nos orgulhávamos de Portugal estar à frente da Irlanda no seio dos países da União Europeia. Agora, já nem vemos os nossos congéneres irlandeses, tal foi o ritmo a que a sua economia prosperou...
Agora parece que é a França que tem fortes probabilidades de vir a ter uma mulher como chefe de Estado, o que configura uma situação inédita num país que, muitas vezes, é conotado com algum sentimento machista e discriminatório em relação às mulheres.
Ora, a história parece demonstrar que a política "feita" só por homens não tem o mesmo "sabor" e não dá os mesmos frutos de quando é realizada também pelas mulheres. Infelizmente em Portugal a realidade é a que sabemos, com uma política cinzenta do género "vira o disco e toca o mesmo" e com a inclusão intermitente de mulheres que não têm dado provas de trazer uma lufada de ar fresco à acção política portuguesa. Basta recordarmos as antigas Ministras Manuela Ferreira Leite e Manuela Arcanjo ou as actuais Ministras da Educação e da Cultura para percebermos que em nada se comparam à nova esperança da política francesa: Ségolène Royal, mãe de quatro crianças, várias vezes ministra, actual presidente da região Poitou-Charentes e candidata à Presidência da República Francesa.
Claro que não sou apologista da estratégia das quotas para a entrada de mulheres na política portuguesa, mas que bom que seria se, também por cá, e como acontece agora com a França e com os EUA (lembremo-nos de Hilary Clinton) tivéssemos mulheres capazes de enfrentar o cinzentismo em que se encontra envolta a nossa classe política...

quinta-feira, novembro 16, 2006

E a Educação, Sr. Presidente da República???

A primeira grande entrevista que Cavaco Silva concedeu em Portugal (já tinha dado uma em Espanha!) desde que assumiu o cargo de Presidente da República foi, na minha opinião, demasiado calculista e pouco ambiciosa. Cavaco Silva fez-me lembrar a posição do treinador de futebol que coloca a sua equipa para não perder, contentando-se com o empate.
O que mais me incomodou na entrevista foi o facto de Cavaco Silva ter colocado uma excessiva ênfase na necessidade de assumir acordos político-partidários minimamente sustentáveis a longo prazo, referindo os casos da Justiça, da Segurança Social, da Europa e da Defesa Nacional, ao mesmo tempo que, ao nível da Educação, nem uma única referência foi feita. Falou-se na prioridade que deve ser dada no combate à reduzida qualificação da população portuguesa, mas o silêncio imperou na forma de o conseguir.
Ora, uma das medidas anunciada nos últimos dias pelo Governo e que se relaciona com a facilidade com que a população adulta menos instruída poderá adquirir o certificado de equivalência ao 12º ano de escolaridade, através da simples comprovação de experiência profissional de três anos e da frequência de algumas acções de formação, deixa a clara ideia que se pretende que Portugal ascenda nas estatísticas europeias da Educação com base no facilitismo e na falta de rigor e exigência... Ou seja, os adultos que queiram ter o 12º ano já não precisarão de frequentar o ensino recorrente como acontecia até agora!
No "zapping" que fiz entre a SIC e a RTP1, houve alturas em que preferi ouvir a entrevista de Santana Lopes a Judite de Sousa. É que Santana Lopes pode ser acusado de muita coisa, mas de falta de frontalidade é que não...

sábado, novembro 11, 2006

De regresso...

Passados pouco mais de dois meses desde o último artigo deixado aqui no blogue, é chegado o tempo de retomar a escrita. Durante esta pausa continuei a escrever na SALA DE AULA (o meu outro blogue sobre matérias da educação) e a frequentar, sempre que possível, outros blogues do meu interesse. Entretanto, surgiu um novo blogue, dinamizado pelos meus alunos do 11º E e que trata de assuntos da actualidade nacional e mundial: NA AULA DE GEOGRAFIA. Aconselho todos a darem lá uma espreitadela e a deixarem um comentário de ânimo. Eles vão gostar...
Quanto à razão que me levou a fazer um interregno na escrita do INTIMISTA, a falta de tempo devido à elaboração da tese de mestrado, poderei dizer-vos que a mesma se encontra praticamente finalizada, faltando apenas (e não é pouco!) o "aval" do orientador da mesma e a parte decisiva de a defender. Mas, o mais difícil já foi feito: uma investigação sobre a a percepção da qualidade de vida e do nível de desenvolvimento da cidade da Covilhã, a minha terra natal. Mais tarde darei mais notícias...
Nestes dois últimos meses, não faltaram assuntos alvo de debate na blogosfera. Desde a recente apresentação do Orçamento de Estado para 2007 e a derrota dos republicanos nas eleições dos EUA, até ao início da discussão em torno do referendo sobre a despenalização da interrupção voluntária da gravidez e a guerra de palavras em torno da ameaça nuclear da Coreia do Norte, de tudo isto e de muito mais se escreveu na blogosfera. No entanto, penso que houve, até agora, um assunto pouco debatido e que deveria suscitar um maior interesse por parte dos blogosféricos: a realização da Conferência das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas. Ora, fica claro que enquanto os EUA, a China e a Índia, entre outros países, não tomarem consciência da importância de diminuírem as suas emissões poluentes para a atmosfera, o terrorismo não será o único inimigo público a abater...

terça-feira, setembro 05, 2006

Um interregno por manifesta falta de tempo...

Desde há uns tempos atrás que tenho vindo a escrever com menos regularidade aqui no INTIMISTA em relação ao que acontecia anteriormente. Agora que as aulas vão recomeçar e quando tenho pouco mais de dois meses para acabar a minha tese de mestrado, penso que o melhor será fazer uma pausa na escrita durante dois ou três meses. É que o tempo disponível para "cuidar" deste blogue, para responder aos comentários que aqui deixam e para escrever noutros blogues é manifestamente insuficiente...
Assim, irei fazer aqui um interregno, que espero ser breve, embora continue a escrever no meu outro blogue NA SALA DE AULA, relacionado com assuntos da educação. Espero também, de vez em quando, continuar a frequentar os blogues habituais, na certeza de que este é um projecto para dar seguimento.
A todos, um até já...

terça-feira, agosto 29, 2006

Portugal em bicos dos pés...

Sinceramente, não consigo perceber a vontade desenfreada que impera na esfera do poder político português no sentido de forçar a comunidade internacional a conceder um "lugarzinho" nas chamadas operações de manutenção(?) de paz às nossas forças militares. Depois do Kosovo, da Bósnia, de Timor e do Afeganistão, agora é a vez do Líbano...
Num período em que deveria imperar a contenção de despesas (é o próprio Governo quem o afirma) é, no mínimo, aburdo e contraditório ver a figura que Portugal faz ao quase implorar para que seja chamado a contribuir na força da ONU que irá intervir no Líbano. Alias, só nesta intervenção poderão ser gastos, à custa daqueles que pagam impostos, mais de 10 milhões de euros. Outro número a reter: só este ano Portugal irá despender quase 90 milhões de euros com 816 militares em missões no estrangeiro. Não será um exagero???
Não sou como os comunistas ou bloquistas que recusam qualquer intervenção de Portugal em missões de paz. Mas, nem tanto à terra e nem tanto ao mar... Há que ter bom senso e Portugal bem que poderia, desta vez, ficar de fora desta intervenção no Médio Oriente. Ainda por cima, a mesma reveste-se de contornos bem mais delicados...

sexta-feira, agosto 25, 2006

Ano (lectivo) novo, vida nova...

Escrevo no dia em que a nossa pequenota faz oito meses de vida fora do ventre da mãe. Todos os meses tenho aqui vindo recordar esse dia maravilhoso que foi o dia de Natal da nossa Diana.
Aproxima-se um novo ano lectivo, e com ele, aguardam-nos mudanças e novidades. Desde logo há o facto da nossa filhota ir para o infantário, visto que chegou ao fim o tempo de estar com a mãe. Esta nova experiência não vai ser fácil para nenhuma das duas, isto porque a mãe se habituou durante este tempo todo a uma rotina e estilo de vida que foi do seu agrado, tendo que agora confiar no profissionalismo de outras pessoas para tomarem conta da filhota, mas também não será fácil à Diana, de um momento para o outro, ter de se acostumar a novos horários, novos ambientes, novos espaços... Até eu, certamente, acharei estranho esta nova rotina de a "ir deixar e trazer" do infantário.
Esperemos que tudo corra pelo melhor. Acredito que apenas os primeiros dias serão difíceis de ultrapassar e logo estaremos todos habituados à nova rotina de um novo ano lectivo para todos. A Diana está a progredir da melhor maneira e já lhe apareceram dois dentinhos à frente. Continua cheia de genica e adora passear pela rua. Agora que vai conhecer novos amigos na sua "nova" casa, espera-se que evolua ainda mais depressa.
Entretanto, há que começar a preparar o novo ano lectivo. Já me desloquei à escola para aceitar a colocação para os próximos três anos lectivos e pedi para que não entre em nenhum dia às 8.20 H. para, assim, poder ir levar a Diana ao infantário. A ver vamos no que vai dar este pedido. Também já sei os anos de escolaridade a que vou leccionar: 7º, 8º e 11º anos, o que é do meu agrado. Agora só há que esperar por Setembro para começar mais um ano lectivo a todo o vapor...

quarta-feira, agosto 23, 2006

Que sistema é este???

Depois de umas férias intercaladas passadas entre as regiões de Fátima, Covilhã e Minho, eis que se aproxima o dia de novamente voltar ao trabalho. Finalmente chegou o ano dos professores poderem saber com um pouco mais de antecedência qual a escola para onde irão trabalhar, desta vez por um período de três anos, o que será positivo para os alunos, mas nefasto para muitas famílias de professores. Pessoalmente, não me posso queixar da minha colocação, visto ter ficado na escola que coloquei como primeira opção...
Embora ainda em período de férias há que começar a organizar um novo ano lectivo. Leio os jornais, como habitualmente faço e o que vejo? "Endividamento das famílias cresce, mal-parado desce" e "Empréstimos sobem num ano 14 mil milhões". Pois é, a dependência das famílias portuguesas face aos bancos não pára de crescer, sobretudo no caso dos casais mais jovens. Há que comprar casa e carro e os empréstimos parecem a solução...
A propósito, se há coisa que considero um absurdo é o sistema de subida de escalão assente no avanço da idade. Digo isto por uma razão muito simples... Onde está a justiça deste sistema cego? Respondam-me à seguinte questão: quando é que o dinheiro faz mais falta a uma família? No início da sua vida profissional, quando tem de comprar casa e carro e ter as despesas com a saúde e educação dos filhos (escola, livros, etc.) ou quando já se está a caminho da idade da reforma, com a casa e o carro pagos e os filhos já despachados? A resposta é mais que óbvia. Por isso, nunca concordei com este sistema que, por exemplo no caso dos professores, permite salários de 2000 Euros limpos a um docente com 50 anos de idade, enquanto que um professor em início de carreira e a constituir família recebe um ordenado de pouco mais de 1000 Euros. A minha proposta seria a de todos receberem por igual: a igual serviço, o mesmo salário, havendo depois a hipótese de existirem complementos financeiros para os que melhor desempenhassem a sua função...
Enfim, mais uma das muitas contradições dos tempos modernos!