quarta-feira, abril 25, 2007

Finalmente!!! O dedo na ferida...

Cavaco Silva decidiu, hoje, nas comemorações do 25 de Abril, por o dedo na ferida sobre a monotonia e vulgaridade que têm vindo a dominar nos últimos anos as celebrações do dia a que todos chamam "da liberdade".
Assumindo a necessidade de acordar a juventude portuguesa para a importância de valorizar a conquista da liberdade de opinião e da própria democracia (assente sobretudo na liberdade de voto), Cavaco Silva pediu aos jovens que nasceram depois do 25 de Abril de 1974 (eu sou um desses jovens) que não se resignem e façam valer o seu inconformismo. Quem havia de dizer que ainda fosse possível ouvir estas palavras do antigo Primeiro-Ministro que, recorde-se, há uns anos atrás ficou severamente incomodado com as lutas académicas levadas a cabo pela chamada geração rasca!!! Mas, enfim, Cavaco mudou e está mais "humano" e menos "tecnocrata". Ainda bem!!!
Concordo com a necessidade de repensar por completo a forma de comemorar a conquista da democracia que, convém não esquecer, não se resume ao 25 de Abril. Outros acontecimentos merecem ser lembrados, com destaque para o 25 de Novembro de 1975!!!
Quanto ao inconformismo pelo actual estado de coisas, sempre que posso assumo-o aqui na blogosfera, manifestando a minha opinião sobre alguns dos assuntos que penso serem de maior relevo. Também no local de trabalho faço os possíveis (e quantas vezes os impossíveis) para que os mais jovens entendam que o saber não ocupa lugar e que, mais do que um ensino monocórdico, interessa desenvolver nos alunos a capacidade de questionar, reflectir e opinar sobre tudo aquilo que os rodeia.
Espero que daqui a um ano não voltemos às palavras de circunstância e que, de facto, o inconformismo tenha vindo para ficar!!! É que, enquanto tivermos gente que se dá ao trabalho de comemorar de forma efusiva (às passeatas de carro e buzinadelas) a simples abertura de um túnel de betão está tudo dito sobre a qualidade da nossa sociedade...

quarta-feira, abril 11, 2007

Haverá coincidências? Continuamos sem saber...

Escrevo depois de ter assistido à mais que extremamente pouco convincente entrevista televisiva que José Sócrates concedeu, imagine-se à mais que "imparcial" RTP1, que tinha como suposto tema central os dois anos de governação, mas que, na verdade serviu como mero instrumento de auto-elogio, com ausência total de sentido de humildade ou sequer a capacidade de considerar pequenas (ou grandes) omissões, erros ou falhas dolosas (ou não).
Fica claro que as coincidências que vieram a lume neste caso (que, sublinhe-se, foi avançado pela primeira vez pelo autor do blogue Do Portugal Profundo e não pelo jornal Público) são mais que evidentes, não se devendo esquecer que quando José Sócrates adjectiva de "impecável" a forma como a Independente funcionou em 1996, as dúvidas tornam-se ainda maiores.
Ah, e não nos esqueçamos da velha frase de Jorge Coelho "quem se mete com o PS leva...". Isto porque, tão ou mais grave do que estas legítimas dúvidas que se colocam é o que se sabe sobre como o Governo tentou "controlar" a forma como a comunicação social trabalha. Quando o Director de Informação da Rádio Renascença afirma, preto no branco, que recebeu ameaças caso publicasse uma notícia sobre o caso está tudo dito...

segunda-feira, março 26, 2007

Portugalidade, Salazar e Allgarve

A ideia de criar a marca "Allgarve" para valorizar do ponto de vista turístico uma região com o potencial do Algarve demonstra bem até que ponto pode chegar a falta de respeito pelos valores de um população e o território em que esta se insere, já para não falar do completo défice de inspiração e de originalidade em termos do marketing territorial. Por outro lado, a forma como esta estratégia de publicidade banaliza os valores histórico-geográficos, dando a prova que vale quase tudo para cativar mais uns quantos turistas anglo saxónicos, é bem elucidativo da lógica fácil do mercantilismo barato e desenfreado a que chegámos. E entretanto, tudo passa incólume: qualquer dia termos as novidades "Oporto", "Azores" e "Allntejo" para atrair mais turistas...
Enfim, num começo de semana em que se discute o facto de num concurso televisivo a figura de Salazar ter sido aquela que mais votos arrecadou dos que se deram ao trabalho de gastar dinheiro a telefonar para votar nos "Grandes Portugueses", não deixa de ser irónico que quando tudo vale para vender a marca turística de Portugal, a figura de Salazar retorne em forma de cartão amarelo para os políticos que nos têm governado após o 25 de Abril de 1974.
Salazar foi um ditador que causou muitos dissabores ao nosso país. Mas, também devemos dizer que evitou a entrada de Portugal na 2ª Guerra Mundial. Salazar impediu o desenvolvimento industrial do nosso país, fomentando uma economia ruralizada. Mas, também devemos dizer que fomentou a ideia da Portugalidade e de defesa dos valores nacionais. Salazar teve medo da democracia e apostou nos três "efes" (fado, futebol e Fátima) para distrair o povo. Mas, também devemos dizer que o respeito, a disciplina e a autoridade, durante o seu "reinado" não foram palavras vãs.
E hoje, o que temos? Um país sujeito às directivas de Bruxelas, com políticos que se submetem aos interesses dos grandes grupos económicos, onde a Educação é um conceito desvalorizado e cada um de nós desconfia dos políticos que temos. Criar a marca "Allgarve" para potenciar o nosso turismo demonstra bem o ponto zero da Portugalidade a que chegámos!!!
Com os políticos que temos tido não nos podemos queixar de Salazar continuar a ser, para muita gente, o político que melhor representa os valores da Portugalidade! Infelizmente...

sábado, março 10, 2007

Finalmente!!! A ver se é desta...

Depois de nos Governos de Durão Barroso e Santana Lopes se ter ponderado avançar com medidas legislativas de defesa dos direitos dos cidadãos que não fumam, parece que vai ser desta que, finalmente, se irá pôr cobro à impunidade e descaramento com que muitos fumadores impingem o "seu" fumo aos que não fumam.
Seja no café, no restaurante ou noutro local de lazer fechado, qual o não fumador que nunca se sentiu incomodado com o fumo do tabaco de alguém que, a seu lado, pouco se importa com quem está perto? E, quando se tem filhos, só pessoas sem escrúpulos é que podem considerar como perfeitamente normal que quem está mal é que tem que se mudar!!!
Não foram já poucas as vezes que, desde que a minha filha nasceu há cerca de 15 meses, tive que sair apressado do café devido à nuvem de fumo provocada por fumadores ou, pior ainda, ter de pedir no restaurante que me arranjem um lugar num "cantinho" mais reservado da sala para apreciar um bom almoço de convívio familiar, longe daqueles que teimam em puxar cigarro atrás de cigarro.
Espero sinceramente que a nova lei do tabaco avance, no sentido da salvaguarda dos direitos daqueles que não fumam e que, ao longo de muitos anos, têm vindo a suportar a má educação de muitos dos fumadores que não respeitam a liberdade dos outros, nem que fosse, pelo menos a dos mais novos...

sábado, março 03, 2007

Confusões e aproveitamentos à volta da figura de Salazar...

A ideia avançada pela autarquia de Santa Comba Dão de se criar um Centro de Estudos do Estado Novo nas casas semiarruinadas onde nasceu e viveu António de Oliveira Salazar tem suscitado grande controvérsia, aproveitamentos baratos e insinuações erradas.
Aqui por Viseu muito se tem falado sobre o assunto, havendo opiniões tão extremas que chegam a roçar a desinformação. Esta começa logo na própria comunicação social que tem vindo a criar a ideia na opinião pública de que o que se pretende é exaltar as "bem feitorias" de Salazar. Completo disparate, dado que o objectivo da autarquia é o de desenvolver os estudos à volta dos tempos em que o ditador teve Portugal nas "mãos". Depois temos os conterrâneos de Salazar que, envoltos numa névoa de orgulho bairrista, parecem esquecer quem, de facto, foi Salazar: um ditador que, à custa do silêncio e da ignorância impostos ao povo português, impediu que Portugal se desenvolvesse ao ritmo dos demais países da Europa Ocidental.
Mas, qual o medo de se construir um Centro de Estudos do Estado Novo em Santa Comba Dão? Porventura, o mesmo medo que esteve na origem do não aproveitamento da antiga sede da PIDE, em Lisboa, para aí abrir um Centro de Documentação do Estado Novo: a vergonha de desenterrar memórias de décadas de isolamento, sofrimento e iliteracia...
Nem Salazar foi um líder livre de defeitos, como alguns querem fazer crer, nem tão pouco foi um ditador equiparado a Hitler, como outros dizem ter sido. Salazar apenas foi quem foi, porque durante quase cinquenta anos, a maioria dos portugueses da época se deixou levar pela inércia que, desde sempre, tem caracterizado o nosso povo!!!
Não tenho receio que nasça em Santa Comba Dão um Museu ou um Centro de Estudos que dê a conhecer às gerações mais jovens quem, de facto, foi Salazar: no seu pior, mas também no seu melhor... Não nos esqueçamos que Salazar fechou o nosso país numa espécie de "redoma de vidro", fomentando a iliteracia de um povo envergonhado, mas também "safou" Portugal de uma guerra mundial e tudo fez para que o respeito e a disciplina fossem ponto de ordem!!! Infelizmente, hoje sabemos como estamos, depois de mais de 30 anos de democracia.

sábado, fevereiro 24, 2007

Nova rede de urgências: uma questão de lógica

Apesar de não ter votado no PS nas últimas eleições legislativas, e portanto estar à vontade para criticar este Governo naquilo que de errado tem feito, a verdade é que penso também ter a capacidade e o bom senso necessários para elogiar o que correctamente tem vindo a ser realizado. Ora, num tempo em que não se pode esbanjar os parcos recursos financeiros que o país tem (imagine-se como será quando se fechar a torneira de Bruxelas em 2013!), não posso estar mais de acordo com a necessidade de se reformularem muitas das redes de serviços e equipamentos sociais existentes em Portugal. O Portugal de 2007 já nada tem que ver com o Portugal de 1985...
Depois das escolas primárias e das maternidades, chegou a vez das urgências. Qualquer pessoa minimamente inteligente perceberá que, com a melhoria verificada ao nível das vias de comunicação nos últimos vinte anos, a noção de distância-tempo sobrepõe-se à de distância quilométrica. Ao mesmo tempo, as áreas de influência dos lugares centrais alargam-se, pelo que deixa de ter qualquer lógica, termos dois ou mais serviços com as mesmas características em locais próximos uns dos outros. Aliás, apenas em jeito de curiosidade, direi que, por estes dias, estou a leccionar esta problemática aos meus alunos de Geografia do 11º ano e nenhum deles discordou da lógica de se racionalizarem correctamente os equipamentos sociais colocados à disposição das populações. Que lógica fará ter um serviço de urgência nocturno aberto durante a noite quando apenas é utilizado por uma média de quatro pessoas, tendo a menos de 30 minutos de distância um outro com as mesmas valências? Nenhuma...
O que há que criticar no Ministro da Saúde e no Primeiro-Ministro é a incapacidade que estes demonstraram para esclarecerem as populações e a falta de humildade que tiveram em não querer falar "abertamente" com os autarcas que representam as populações locais. Em vez disso, o Governo PS avançou com as propostas, assustando e desesperando um povo que, como sabemos, é dominado pela iliteracia...
As vias de comunicação poderão ter muitas vantagens, diminuindo assimetrias e anulando isolamentos, mas também provocam lógicas de concentração, levando inclusivamente, e como bem sabemos, ao desaparecimento de povoações insustentáveis...
Já agora, para quando a reestruturação administrativa do país, nomeadamente ao nível das freguesias?

sexta-feira, fevereiro 16, 2007

Para terminar este debate: o que dizem os mais novos...

Um dos conteúdos programáticos da disciplina de Geografia do 8º ano de escolaridade (também no 10º e 12º anos) prende-se com a demografia, ou seja, o estudo da população. Ora, no início desta semana comecei a leccionar às minhas três turmas de 8º ano matéria relacionada com as disparidades mundiais existentes ao nível dos índices de natalidade e de fecundidade: regiões do mundo, como a maioria dos países africanos, onde o número médio de filhos por mulher em idade fértil é bastante elevado e outras regiões do mundo desenvolvido onde a falta de nascimentos preocupa (ou deveria preocupar) os governantes.
Claro que me poderão vir dizer que falo de alunos de um concelho do Interior, pertencente ao distrito de Viseu e, portanto, com forte influência religiosa e de mentalidade conservadora. Pouco me importa o contexto social que está na origem deste pensamento. Apenas poderei dizer-vos que me agrada ver como (ainda) há jovens que defendem a vida e não perdoam que o "esquecimento" ou a "distracção" sejam razões invocadas para justificar a interrupção de uma gravidez indesejada...

segunda-feira, fevereiro 12, 2007

O pós-referendo: mais dúvidas que certezas...

Dos 8 832 628 de portugueses inscritos nos cadernos eleitorais com capacidade para se pronunciarem sobre a questão da "despenalização do aborto até às 10 semanas por opção da mulher em estabelecimento legalmente autorizado" perfizeram o total de 2 238 053 indivíduos aqueles que deram concordância à alteração da lei em vigor. Ou seja, foram pouco mais de 25% os portugueses com mais de 18 anos que deram o seu aval à mudança legislativa a introduzir no Código Penal.
Não coloco em dúvida da vitória do SIM, mas discordo totalmente daquilo a que José Sócrates apelidou de consenso social. Não se verificou nenhum consenso!!! Aliás, a haver vitória clara foi a dos mais de quatro milhões de eleitores que se abstiveram...
Mas, sabendo-se que a lei sobre esta matéria vai ser alterada, convém não esquecermos que as dúvidas e interrogações são bem mais profundas do que as certezas. E, nem os mais acérrimos defensores do SIM conseguem responder às questões que agora nos são colocadas:
1. As investigações e os julgamentos deixarão de acontecer para os abortos realizados com 10 semanas e um dia de gravidez?
3. De onde virão os recursos financeiros para pagar os abortos a realizar, seja no sistema público, seja no sistema privado?
4. Não será legítimo que o dinheiro gasto por cada aborto realizado seja igual ao subsídio a atribuir a cada mulher que decida prosseguir com a sua gravidez até ao fim?
5. Não estaremos perante uma lei que discrimina o pai, visto que este não tem na lei uma alínea que lhe permita impedir a decisão da mãe de aniquilar a vida do seu filho?
6. Estaremos perante um Sistema Nacional de Saúde capaz de dar provimento aos milhares de abortos que lhe vão chegar "ás mãos" ou iremos ter um Estado que subsidia os privados para realizar abortos, sabendo nós que estes últimos têm como objectivo final a maximização do lucro?
7. Finalmente, a maior dúvida de todas, os defensores do NÃO têm ou não legitimidade para exigir a realização de mais um referendo daqui a nove anos, visto que este foi tão vinculativo (ou seja não foi) como o realizado há nove anos atrás? Teremos agora sempre um referendo sobre o aborto por cada década que passe?
Convém não esquecer que apenas 25% dos portugueses com capacidade para votar apoiaram a mudança da lei, pelo que há 75% que, directa ou indirectamente, discordam da liberalização do aborto... E, não há dúvidas que temos um país "partido" ao meio: um Norte e ilhas conservadores e defensores acérrimos da vida, e um Sul que nas palavras de Sócrates é modernista e que vai atrás daquilo que vem do resto da Europa e que, infelizmente, menos convinha "copiar"...

sexta-feira, fevereiro 09, 2007

A propósito do referendo (6)

A poucas horas do referendo de domingo é chegado o momento da decisão final. Depois de durante algumas semanas ter debatido o tema da despenalização do aborto com muita gente, não só aqui na blogosfera, como em muitos outros locais, fico com a sensação de que a abstenção irá atingir proporções bastante elevadas, quiça superiores a 50% (ainda por cima irá chover no próximo domingo!). Por outro lado, parece-me que aqueles que vão votar já têm a sua decisão tomada há muito tempo. Não nos esqueçamos que esta é uma questão que muito tem que ver com a consciência individual de cada um de nós...
Acredito que, no próximo domingo, os portugueses irão provar que o nosso país continua a estar na vanguarda daqueles que têm respeito pela vida dos mais indefesos. País de brandos costumes? Sim senhor e com muito prazer...
Para a semana cá estaremos para debater o dia seguinte ao referendo. Esperemos que para falar mais de nascimentos do que de abortos!!!

sexta-feira, fevereiro 02, 2007

A propósito do referendo (5)

Estamos já em pleno período de campanha para o referendo do próximo dia 11 de Fevereiro e, como sempre, as notícias incidem mais sobre as asneiras que se vão dizendo, tanto por protagonistas do SIM como do NÃO, do que pela acção pedagógica e informativa que, ainda assim, se vai fazendo um pouco por todo o país. Quem mais recebe as atenções dos "media" não são aqueles que, de forma ponderada e séria, tentam elucidar a população sobre as consequências do SIM ou do NÃO ganhar, mas sim aqueles que vão dizendo e fazendo verdadeiras asneiras, que comportam atitudes radicais e formas de pensar pouco dadas a ouvir argumentos contrários ao seu.
Mas, afinal o que vamos votar neste referendo? A pergunta em causa, que considero mal elaborada e manifestamente deturpada, enquadra-se na legislação penal em vigor. Ora, interessa saber, desde já, qual a função do código penal. Para além de uma função punitiva, convém alertar os mais distraídos que a legislação penal tem em vista uma função pedagógica e também orientadora do cidadão, por forma a distinguir o BEM do MAL...
Todos os actos e acções que impliquem atitudes maléficas ou fora daquilo que se enquadram, em termos civilizacionais, como apologistas do "bem comum" devem ser alvo de penalização no Código Penal. Quanto à pena em si, a mesma deve ser debatida ao nível do Parlamento: pena de prisão, multa, tarefas em prol da sociedade...
Ora, abortar livremente, quando estão em "jogo" dois seres humanos, sendo que um deles é indefeso, pelo que necessita de uma protecção jurídica acrescida, implica que o Código Penal condena tal acto abortivo. Quanto ao tipo de condenação a efectivar, não é essa a questão que nos é proposta no referendo. Infelizmente...

segunda-feira, janeiro 22, 2007

A propósito do referendo (4)

Nos últimos dias não muito se tem dito e escrito do caso do Sargento Gomes, condenado a seis anos de prisão por sequestro de uma menor. Não há ninguém que não tenha opinião sobre o assunto, sendo que me parece que a maioria das pessoas defende a ideia de que o Sargento Gomes não deveria ter sido condenado, mas antes "condecorado" por ter ficado com uma bebé de três meses entregue pela mãe biológica e abandonada pelo pai biológico.
Ora, numa época em que se debate a liberalização ou não do aborto é bom que se alertem as consciências mais distraídas de que o aborto não é solução. O exemplo desta mãe que entregou a filha a um casal para adopção deve servir de alerta aos que (ainda) pensam que o direito a "mandar no seu corpo" é mais importante que o direito à vida...
A pequena Esmeralda de que hoje todos os portugueses falam apenas existe porque a mãe não se decidiu pelo aborto. De forma consciente ou não, ainda bem que assim foi! Pena é que muitas "Esmeraldas" não tenham podido vir a este mundo porque houve mulheres que optaram pelo aborto. Neste referendo, votar NÃO é dizer SIM À VIDA!!!

segunda-feira, janeiro 08, 2007

A propósito do referendo (3)

O Governo alemão, apercebendo-se dos graves problemas decorrentes da falta de jovens e do crescente envelhecimento que grassa no seu país, apenas colmatado pela entrada anual de milhares de imigrantes, resolveu abrir os cordões à bolsa e investir em medidas natalistas. A mais importante prende-se com a atribuição às famílias de um subsídio de 25.200 Euros por cada nascimento.
Por cá, andamos a discutir a possibilidade de se liberalizar a prática do aborto até às 10 semanas, como se Portugal tivesse que se comportar como a China de há trinta anos atrás. O Ministro da Saúde afirma que se irá poupar mais dinheiro investindo nos abortos livres até às 10 semanas em relação ao que se gasta nos hospitais públicos a tratar das mulheres que recorrem actualmente ao aborto clandestino. Pena é que ninguém deste Governo tenha a coragem de vir falar na necessidade de se criarem medidas sérias de incentivo à natalidade...
Num país cada vez mais envelhecido, a rumar para a cauda da UE e onde o egoísmo parece ser o pão-nosso de cada dia, é vergonhoso termos um abono de família médio mensal que nem para comprar fraldas dá. E ainda vêm com a conversa de que abortar apenas diz respeito à vontade individual de cada mulher, como se a sociedade não se devesse reger por princípios sérios e eticamente responsáveis!!!

quinta-feira, dezembro 21, 2006

Um Feliz Natal para todos!!!

Já diz a sabedoria popular que o Natal sem crianças não tem o mesmo significado. E eu que o diga!!! Faz agora um ano que eu e a Salete estávamos à espera que a nossa princesa resolvesse deixar o ventre da mãe para nos fazer companhia. A marota resolveu-o fazer em plena noite de Consoada, na passagem de 24 para 25 de Dezembro, pouco depois da meia-noite. Foi a melhor noite de Natal que tivemos até hoje. E assistir ao nascimento da minha filhota foi a maior prenda do mundo!!!
Passados doze meses, a Diana está crescida e é a rainha da casa. Depois de termos passado o último Natal na maternidade, vai ser a primeira vez que o vamos passar juntos em casa. Com bacalhau, peru, doces e muitas prendinhas para a nossa pequenota. Afinal, 25 de Dezembro é dia de Natal, mas também o dia de aniversário da nossa Dianinha.

sábado, dezembro 16, 2006

A propósito do referendo (2)

Proponho ao leitor um pequeno exercício de imaginação. Imagine-se um aluno a ditar regras de disciplina a um professor. Imagine-se a equipa do Benfica a fazer a sua apresentação aos sócios no Estádio do Sporting. Imagine-se alguém afirmar que a Coreia do Norte é um país apologista da liberdade de expressão. Imagine-se um polícia a roubar um transeunte. E, agora, imagine-se uma organização que defende a liberalização do aborto até às 10 semanas a apresentar as suas propostas numa maternidade pública!!! Pois bem, não tem de imaginar esta última hipótese, pois aconteceu no nosso país!!!
Como é possível que numa maternidade (estabelecimento que tem como prioridade a defesa da vida) se possa fazer a apologia da morte??? Há gente com muitas responsabilidades que anda a brincar com questões muito sérias, ainda para mais quando se trata de uma instituição pública que tem como dever prioritário a defesa da vida!!!

sábado, dezembro 09, 2006

A propósito do referendo (1)

Agora que já se conhece a data do referendo sobre a interrupção voluntária da gravidez é natural que aqui na blogosfera se intensifique o debate (que se espera sério e rigoroso) a propósito da questão que nos é colocada a referendar. Assim, dou início a um conjunto de artigos que amiúde e até 11 de Fevereiro próximo irei escrever sobre o assunto.
Ora, hoje aos folhear o jornal Público analisei com atenção os anúncios publicitários de duas das mais conhecidas clínicas espanholas que praticam o aborto e o que mais me surpreendeu foi a forma despudorada como a sua publicidade é feita: "tratamento voluntário da gravidez" é o que vem referido nos anúncios! Como se a gravidez fosse uma doença e a forma de a tratar (sinónimo de curar) fosse matar um ser inocente!!!
Caso o "sim" ganhe no referendo, estas e muitas outras clínicas virão para Portugal (uma até já tem abertura marcada) à procura de dinheiro fácil, fazendo do aborto indiscriminado até às 10 semanas um negócio chorudo, independentemente de haver ou não razões sérias para praticar esse acto (que apenas deveria ser praticado em casos extremos, por sinal, já contemplados pela lei em vigor).

sexta-feira, dezembro 01, 2006

Recordes destes? Não, obrigado...

No dia em que, a nível mundial, se lembram as vítimas da SIDA, há um número que deve ser relembrado para vermos até que ponto é que a multiplicação de planos, projectos e medidas não passa, muitas vezes, de simples retórica e de um enumerar de ambições que em Power Point ficam muito bonitas, mas que, na prática, resultam num simples fiasco: Portugal é o país da UE com a maior taxa de infectados com o vírus HIV!!! Eis que agora surge um novo Programa Nacional de Prevenção da doença que vai vigorar até 2010. Mais um plano a juntar às centenas de planos que abundam neste país...
Aliás, é triste quando analisamos o nível de recordes que Portugal tem no conjunto dos países da UE: temos a maior taxa de infectados com o HIV, as maiores listas de espera na saúde, os maiores índices de abandono e insucesso escolar, as maiores desigualdades entre os que mais ganham e os que menos auferem, enfim, naquilo que verdadeiramente interessa para um satisfatório nível de vida da população estamos na cauda da UE.
Então no que é que somos bons? Infelizmente no supérfluo, bem evidente no facto de alguns de nós se orgulharem de termos a maior árvore de Natal da Europa, de termos feito o maior logotipo humano, de termos construído as maiores ponte e albufeira de água doce da Europa. Ah, e ainda temos o condão de nos orgulharmos de termos uma série de recordes gastronómicos, desde pães com chouriço e sopas da pedra até bolos rei e de chocolate...
Para quando os recordes naquilo que verdadeiramente interessa?

sábado, novembro 25, 2006

Há que não fazer esquecer o 25 de Novembro de 1975...

Todos os anos é a mesma coisa!!! Depois de no mês de Abril se dar vivas, e muito bem, ao 25 de Abril de 1974 entra-se na esfera da "rotinização" política do país e chega-se ao final do mês de Novembro fazendo-se quase tábua rasa de uma data que marcou decisivamente a institucionalização do regime democrático em Portugal.
Faz hoje 31 anos que as forças partidárias do vanguardismo revolucionário foram derrotadas e se liquidou a estratégia protagonizada por uma certa esquerda ideológica de impor a Portugal um novo regime antidemocrático, desta vez, em sentido contrário. Ou seja, de uma ditadura de direita corria-se o sério risco de uma nova dinâmica ditatorial, mas agora de esquerda... E foi com o 25 de Novembro de 1975 que se evitou tal "desastre"!!!

quinta-feira, novembro 23, 2006

O bom exemplo que vem de França...

Entre os 191 países membros das Nações Unidas, apenas em sete as mulheres ocupam o cargo político mais elevado de Chefe de Estado. O caso mais conhecido dos últimos anos foi o de Mary Robinson, ex-chefe de Estado da República da Irlanda e que teve um papel decisivo na forma como este país se conseguiu impor em termos de crescimento económico e de desenvolvimento humano à escala mundial. Todos nós nos lembramos de quando na década de 80 ainda nos orgulhávamos de Portugal estar à frente da Irlanda no seio dos países da União Europeia. Agora, já nem vemos os nossos congéneres irlandeses, tal foi o ritmo a que a sua economia prosperou...
Agora parece que é a França que tem fortes probabilidades de vir a ter uma mulher como chefe de Estado, o que configura uma situação inédita num país que, muitas vezes, é conotado com algum sentimento machista e discriminatório em relação às mulheres.
Ora, a história parece demonstrar que a política "feita" só por homens não tem o mesmo "sabor" e não dá os mesmos frutos de quando é realizada também pelas mulheres. Infelizmente em Portugal a realidade é a que sabemos, com uma política cinzenta do género "vira o disco e toca o mesmo" e com a inclusão intermitente de mulheres que não têm dado provas de trazer uma lufada de ar fresco à acção política portuguesa. Basta recordarmos as antigas Ministras Manuela Ferreira Leite e Manuela Arcanjo ou as actuais Ministras da Educação e da Cultura para percebermos que em nada se comparam à nova esperança da política francesa: Ségolène Royal, mãe de quatro crianças, várias vezes ministra, actual presidente da região Poitou-Charentes e candidata à Presidência da República Francesa.
Claro que não sou apologista da estratégia das quotas para a entrada de mulheres na política portuguesa, mas que bom que seria se, também por cá, e como acontece agora com a França e com os EUA (lembremo-nos de Hilary Clinton) tivéssemos mulheres capazes de enfrentar o cinzentismo em que se encontra envolta a nossa classe política...

quinta-feira, novembro 16, 2006

E a Educação, Sr. Presidente da República???

A primeira grande entrevista que Cavaco Silva concedeu em Portugal (já tinha dado uma em Espanha!) desde que assumiu o cargo de Presidente da República foi, na minha opinião, demasiado calculista e pouco ambiciosa. Cavaco Silva fez-me lembrar a posição do treinador de futebol que coloca a sua equipa para não perder, contentando-se com o empate.
O que mais me incomodou na entrevista foi o facto de Cavaco Silva ter colocado uma excessiva ênfase na necessidade de assumir acordos político-partidários minimamente sustentáveis a longo prazo, referindo os casos da Justiça, da Segurança Social, da Europa e da Defesa Nacional, ao mesmo tempo que, ao nível da Educação, nem uma única referência foi feita. Falou-se na prioridade que deve ser dada no combate à reduzida qualificação da população portuguesa, mas o silêncio imperou na forma de o conseguir.
Ora, uma das medidas anunciada nos últimos dias pelo Governo e que se relaciona com a facilidade com que a população adulta menos instruída poderá adquirir o certificado de equivalência ao 12º ano de escolaridade, através da simples comprovação de experiência profissional de três anos e da frequência de algumas acções de formação, deixa a clara ideia que se pretende que Portugal ascenda nas estatísticas europeias da Educação com base no facilitismo e na falta de rigor e exigência... Ou seja, os adultos que queiram ter o 12º ano já não precisarão de frequentar o ensino recorrente como acontecia até agora!
No "zapping" que fiz entre a SIC e a RTP1, houve alturas em que preferi ouvir a entrevista de Santana Lopes a Judite de Sousa. É que Santana Lopes pode ser acusado de muita coisa, mas de falta de frontalidade é que não...

sábado, novembro 11, 2006

De regresso...

Passados pouco mais de dois meses desde o último artigo deixado aqui no blogue, é chegado o tempo de retomar a escrita. Durante esta pausa continuei a escrever na SALA DE AULA (o meu outro blogue sobre matérias da educação) e a frequentar, sempre que possível, outros blogues do meu interesse. Entretanto, surgiu um novo blogue, dinamizado pelos meus alunos do 11º E e que trata de assuntos da actualidade nacional e mundial: NA AULA DE GEOGRAFIA. Aconselho todos a darem lá uma espreitadela e a deixarem um comentário de ânimo. Eles vão gostar...
Quanto à razão que me levou a fazer um interregno na escrita do INTIMISTA, a falta de tempo devido à elaboração da tese de mestrado, poderei dizer-vos que a mesma se encontra praticamente finalizada, faltando apenas (e não é pouco!) o "aval" do orientador da mesma e a parte decisiva de a defender. Mas, o mais difícil já foi feito: uma investigação sobre a a percepção da qualidade de vida e do nível de desenvolvimento da cidade da Covilhã, a minha terra natal. Mais tarde darei mais notícias...
Nestes dois últimos meses, não faltaram assuntos alvo de debate na blogosfera. Desde a recente apresentação do Orçamento de Estado para 2007 e a derrota dos republicanos nas eleições dos EUA, até ao início da discussão em torno do referendo sobre a despenalização da interrupção voluntária da gravidez e a guerra de palavras em torno da ameaça nuclear da Coreia do Norte, de tudo isto e de muito mais se escreveu na blogosfera. No entanto, penso que houve, até agora, um assunto pouco debatido e que deveria suscitar um maior interesse por parte dos blogosféricos: a realização da Conferência das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas. Ora, fica claro que enquanto os EUA, a China e a Índia, entre outros países, não tomarem consciência da importância de diminuírem as suas emissões poluentes para a atmosfera, o terrorismo não será o único inimigo público a abater...