segunda-feira, abril 07, 2008

Desilusões (parte III)

Seguindo o rol de artigos que tenho vindo a escrever sobre algumas das minhas actuais desilusões, é chegada a hora de falar um pouco sobre a lastimável imagem que o PSD tem passado para a sociedade civil.
Por influências familiares, mas também por razões de carácter ideológico, tenho orgulho em ser social-democrata. Mais do que ser um seguidor ferrenho ou cego e a qualquer preço do PSD, não tenho quaisquer dúvidas de que, desde os meus tempos de adolescente, sempre me identifiquei com este partido. Seja pela forma como a liberdade individual é defendida, como a família é valorizada ou como o reformismo é assumido, tenho a ideia clara que o PSD foi o partido que mais contribuiu para o desenvolvimento de Portugal.
Filiei-me na JSD quando andava no liceu a estudar, em plena vigência da segunda maioria cavaquista. Fui a dezenas de comícios (quando ainda eram realizados ao ar livre), fiz muitas caravanas e participei em muitas campanhas... Emocionei-me ao ouvir o meu avô e o meu pai contarem as aventuras que viveram nas décadas de 70 e 80, quando, na Covilhã, cidade eminentemente industrial, os PSD`s eram perseguidos pelos fanáticos comunistas. Muitas vezes, foram "corridos" à pedrada do Tortosendo, a chamada vila vermelha da Cova da Beira...
Com o fim do cavaquismo, o PSD entrou em crise, mas rapidamente soube retomar a linha do poder, através do delfim de Cavaco Silva. Mas, foi com a saída de Durão Barroso para Bruxelas que o declínio laranja começou a ser mais do que preocupante. Santana Lopes foi na conversa de Sampaio e a jogada socialista deu frutos. Agora, temos Menezes à frente dos destinos do partido, apenas porque muitos dos que o agora criticam não foram a votos.
Luís Filipe Menezes não é o meu líder de eleição. Penso que o PSD estaria melhor servido com Marcelo Rebelo de Sousa ou mesmo com Rui Rio. No entanto, entre Menezes e Sócrates não pestanejo um segundo. Menezes é um homem simples, emotivo e verdadeiro. Enfim, inspira confiança, no sentido de ser leal e humilde. Pelo contrário, Sócrates é a protótipo de governante arrogante, vaidoso e falso. As suspeitas que sobre si recaem acerca da forma como "adquiriu" a sua licenciatura e as peripécias que se conhecem da sua vida de "engenheiro", obrigam a que, apesar de não rejubilar com Menezes à frente do PSD, apoie totalmente o actual líder do PSD na hora de votar.

terça-feira, março 25, 2008

Desilusões (parte II)

No artigo anterior escrevi sobre uma das minhas maiores desilusões: o actual estado da educação em Portugal. Vou-me reportar agora a outra das minhas grandes desilusões: o Benfica.
Como sabemos ser-se do Benfica, do Sporting ou do Porto não depende de uma decisão tomada em plena consciência. Se assim fosse, mudaríamos facilmente de clube, de acordo com o sucesso momentâneo de cada um. É pois claro que ficamos reféns do clube que adoptámos em criança, quer tenha sido por influência do pai ou do avô, quer tenha sido por afinidades diversas ou por qualquer outra razão supérflua. A verdade é que esta é uma decisão puramente emotiva e nada (ou quase nada) racional.
O meu caso particular é interessante de contar. Quando comecei a perceber mais a sério o que era o futebol (por volta dos meus 5 anos) afimava-me sportinguista, muito por influência do meu avô, que era fanático pelo Sporting da Covilhã (filial do SCP). Para grande desgosto do meu pai, ferveroso benfiquista, comecei a fazer colecção de objectos do SCP. O meu pai começou a ver o tempo escassear, até que se decidiu a levar-me da Covilhã a Lisboa assistir a um jogo do Benfica, caso eu mudasse do SCP para o SLB. Essa era a última hipótese para me ver mudar de clube ainda a tempo: "Ninguém muda de clube em idade adulta", dizia-me ele... Então fui com o meu pai assistir ao Benfica-Steaua de Bucareste (2-0) ao velhinho Estádio da Luz e fiquei encantado com a grandeza do Benfica. Nessa mesma noite decidi mudar de clube: de mero e ingénuo adepto sportinguista passei a ser um fanático sócio do Benfica. A partir dos meus onze anos de idade e ao longo destes quase vinte anos que passaram, fui ver dezenas de jogos do Benfica. Muitas alegrias foram vividas; algumas tristezas também.
No entanto, o ainda curto século XXI tem sido terrível para os benfiquistas que se prezam de ter orgulho no seu clube. Depois da contratação de Artur Jorge (um ex-portista) para treinador do clube, a lógica da desmontagem e montagem de uma nova equipa de futebol no início de cada época desportiva impediu que a mística benfiquista se apoderasse da maioria dos jogadores. Agora, é a lógica do dinheiro que domina a equipa de futebol. Faltam o carisma, a garra e o orgulho... O presidente bem tenta copiar Pinto da Costa, mas falta-lhe qualquer coisa: talvezs genuinidade.
O Benfica de agora em nada se compara com o de há vinte anos atrás. Todos os quinze dias deslocavam-se dezenas de autocarros de todo o país a Lisboa para que milhares de pessoas pudessem assistir aos jogos do Glorioso. Fui em muitas dessas excursões de domingo. As quartas-feiras europeias eram arrepiantes, com o Inferno da Luz. Os jogadores tinham na sua grande maioria classe e suavam a camisola. Agora é o que vê: uma miséria fransciscana, com um presidente desorientado e com o "entra e sai" constante de treinadores e jogadores. Deixei de ser sócio e, por vezes, nem sequer me dou ao trabalho de ver os jogos do Benfica na televisão.
Entretanto, aguarda-se que alguém com credibilidade tome conta do clube. Até lá, o Benfica até poderá ter lucro nas suas contas, mas em termos desportivos é o que se vê. Saudosos anos 80 em que o Benfica dominava no futebol, basquetebol, andebol, voleibol, hoquéi em patins, entre outras modalidades...

quinta-feira, março 20, 2008

Desilusões (parte I)

O vídeo de que todos falam é demonstrativo da decadência que grassa na Escola Pública portuguesa. No entanto, alguém tem tentado abafar a situação, retirando o vídeo do Youtube. Claro que esta situação não passará de um caso extremo e raro, tendo em conta que existem cerca de um milhão e meio de alunos no ensino pré-universiário português, distribuídos por quase 150 000 professores. No entanto, interessa ressalvar duas notas sobre a situação retratada neste vídeo:

1. A falta de respeito e a indisciplina são cada vez mais duas das realidades com que, nos dias de hoje, as escolas se têm de enfrentar. Com a proliferação de problemas sociais na nossa sociedade e a democratização da escola, os problemas com que muitos jovens se confrontam no seu dia-a-dia (falta de valores, défice de responsabilidade, banalização da violência) são levados para a escola, espalhando-se, qual mancha de óleo, pelas salas de aula, pelo recreio, pelos corredores, pela cantina. Enfim, só quem vive a escola por dentro sabe da forma como muitos miúdos desprezam por completo a primeira finalidade da escola: incutir nos alunos o gosto pelo conhecimento...
2. As sucessivas equipas ministeriais da Educação, por completo desconhecimento da realidade escolar, têm descurado a necessidade urgente de responsabilizar os pais pela postura (boa ou má) que os seus filhos têm na escola. O insucesso educativo tem vindo, sucessivamente, a ser justificado pela incompetência dos professores. "Os alunos reprovam por culpa dos professores", "os professores exigem muito", "os professores não sabem motivar os alunos menos empenhados": é este o tipo de justificações que se ouvem para o insucesso dos alunos portugueses! Esquecem-se que, regra geral, os alunos que têm nos pais pessoas interessadas pela vida escolar dos educandos, conseguem ultrapassar as suas dificuldades. Pelo contrário, a maioria dos alunos cujos pais desprezam os estudos dos seus filhos são aqueles que ficam para trás, tendo-se depois que optar pelas estratégias dos CEF ´s e cursos profissionais, utilizados não tanto para captar os alunos interessados por vias diferenciadas de ensino, mas sobretudo para "despachar" mais rapidamente da escola os alunos problemáticos.

quarta-feira, março 12, 2008

De mal a pior...

A imagem ao lado representa, na minha humilde opinião, quatro das actuais desgraças do país!
Por estes dias, quase que tenho vergonha de ser benfiquista, de ser professor, de ser social-democrata e de viver num país (des)governado por um partido que se diz socialista.
Sou do Benfica não por qualquer motivo de cariz racional, mas sim pelo facto do meu pai, quando eu era de tenra idade, me ter levado ao velhinho e saudoso Estádio da Luz num Marselha-Benfica com mais de 120000 adeptos befiquistas. Foram grandes as alegrias que vivi naquele estádio. Por estes dias, vejo uma equipa moribunda e completamente desastrosa... Até o treinador teve de fugir de tanta impotência... É verdade que os últimos dez anos do Benfica têm sido de uma fraqueza desesperante, mas já era tempo do actual Presidente de Benfica mudar de vida...
Sou professor de Geografia por convicção. Fui para o ensino, não por exclusão de partes, mas sim porque sempre foi esse o meu desejo. Fortemente influenciado por um professor que me deu aulas de Geografia no Liceu da Covilhã (sim, o mesmo liceu onde estudou o actual Primeiro-Ministro), enveredei pelo caminho da Educação. Quando comecei a leccionar (já lá vão dez anos) a fasquia da exigência andava cá por cima. Agora, quase que é proibido ser-se exigente com os alunos, sendo que os tempos que se avizinham não auguram nada de bom...
Sou filiado no PSD, desde os tempos dos Governos de Cavaco Silva. Foi no tempo das chamadas "vacas gordas". O país crescia e melhorava em todos os índices de desenvolvimento. O PSD era, no final dos anos 80, o partido de referência da democracia portuguesa. Credibilidade era muito mais do que uma mera palavra. Agora é o que se vê: um PSD dividido, descrente e sem rumo. Com um líder sem chama. Um partido que, tal como está, não surge como alternativa à maioria socialista. Para mal do país...
Finalmente, vivo num país desenvolvido. No entanto, está na cauda dos 27 da UE. Bate recordes ao nível das desigualdades sociais, do insucesso escolar, da fuga ao fisco, da sinistralidade rodoviária, das filas de espera na saúde, da lentidão da justiça. Um país governado por um partido que comemora três anos de Governo como se o auto-elogio exacerbado fosse um normal exercício de democraticidade, quando o país não avança e se prevêem tempos (ainda) mais difíceis... Com um Primeiro-Ministro cuja licenciatura foi o que se soube!!!
Resta-me a felicidade de ter uma esposa e dois filhos maravilhosos. De resto, sinto-me completamente na mó de baixo!

sexta-feira, março 07, 2008

Manifestação do descontentamento

As duas últimas semanas foram marcadas por um conjunto de manifestações de professores ocorridas um pouco por todo o país. Também se realizou, junto à escola onde lecciono, uma concentração de cerca de 300 docentes em protesto contra uma série de medidas emanadas do Ministério da Educação, cujos conteúdos apresentam muitos pontos de duvidosa seriedade e rigor.
Mas, não tenhamos ilusões! Mais do que protestar contra a necessidade de termos um novo (e não primeiro, como tem afirmado José Sócrates) modelo de avaliação de professores, mais simples e justo que o proposto pelo Governo, a maioria dos professores protestam contra a forma como este Ministério da Educação tem tratado os professores: com desprezo, arrogância e desconfiança. Só quem está numa escola sabe do que falo... Muitos docentes protestam também contra o conjunto de medidas que o Ministério da Educação tem "inventado", visando um facilitismo extremo em prol de um sucesso escolar, no mínimo, forçado!
Tenho pena de não poder ir à manifestação em Lisboa. Os meus dois filhos de 2 anos e 5 meses impedem-me de o fazer. O direito à indignação dos professores é uma realidade que ninguém pode escamotear. Nem as palavras "bondosas" da Ministra...

sábado, fevereiro 23, 2008

Emigração crescente: um sinal preocupante!

Num colóquio organizado na passada semana em Lisboa a propósito de diversas questões relacionadas com as comunidades portuguesas no estrangeiro foi dado a conhecer um indicador, no mínimo, preocupante: os portugueses são o segundo povo no mundo que mais emigra. Este facto é elucidativo sobre os tempos que correm no nosso país. Tempos difíceis, onde o emprego escasseia, a falta de estabilidade profissional aumenta e o custo de vida dispara...
Esta emigração apresenta duas realidades diferentes. Por um lado, assiste-se à debandada anual de centenas de portugueses altamente qualificados que não se sentem atraídos pelas condições de emprego colocadas à sua disposição no nosso país (quando têm emprego!) e que levam à sua saída para outros países mais desenvolvidos e que lhes proporcionam salários bem superiores em relação aos praticados por cá. Aliás, ainda esta semana o Banco Mundial deu a conhecer que Portugal é o país que lidera na Europa a chamada "fuga de cérebros", com quase 150 000 jovens licenciados portugueses a viverem no estrangeiro. Preocupante? Claro que sim...
Depois, temos a situação de milhares de portugueses que, com reduzidas ou médias qualificações profissionais, não conseguem arranjar emprego e se vêem obrigados a deslocar-se para Espanha, França, Suiça, Alemanha e outros países à procura de um emprego na construção civil, no comércio ou nos serviços banais. Os que optam ou são obrigados a ficar por cá, pelas mais diversas razões, sujeitam-se crescentemente a situações extremas de precariedade...
E o que dizer dos 30 000 jovens licenciados inscritos nos centros de emprego e dos muitos mais milhares que arranjaram um emprego que em nada tem que ver com o curso que concluíram? Enfim, a situação em que se encontra o nosso país é, sem dúvida, difícil e nada condizente com a imagem positiva que este Governo tenta fazer passar para a opinião pública!
Entretanto, de Bruxelas chega-nos outro indicador: Portugal é o pais que, no conjunto dos 27 da UE, apresenta o maior índice de desigualdades sociais. Uma coisa é certa: a emigração é e sempre foi sinal de fuga às más condições de vida do país de origem e, tal como na década de 1960, parece que voltámos aos tempos das dificuldades e carências!!!
Urge alertar as consciências mais distraídas para esta dura realidade...

domingo, fevereiro 17, 2008

Uma questão de cidadania...

A cidadania constitui não apenas um direito, mas também um dever que, infelizmente, é muitas vezes praticado por uma reduzida franja da população portuguesa. Aliás, sabendo-se que o povo português sofre de um grave problema de iliteracia e de falta de cultura, não é de admirar que, por cá, a cidadania se resuma quase só à realização de greves e manifestações, que de espectacular até poderão ter algum peso, mas que apresentam um carácter demasiado fugaz em termos de argumentação e capacidade de confronto sério de ideias.
As possibilidades que cada um de nós possui para se fazer ouvir no seu protesto contra algo que considera injusto, vindo dos poderes públicos, passa não apenas pela velha táctica da greve, que de capacidade de eficácia todos sabemos que "morre" no dia seguinte à sua realização, mas sobretudo e, cada vez mais, pela apresentação de argumentos consistentes e rigorosos, tanto em artigos de opinião nos meios de comunicação social (nomeadamente os jornais), como na blogosfera (com um peso crescente na vida pública portuguesa), mas também em petições apresentadas à Assembleia da República ou na intervenção individual em fóruns ou assembleias de esclarecimento. Enfim, a velha estratégia sindical de fazer barulho está gasta e, cada vez mais, é na apresentação consistente de ideias que se consegue alertar a opinião pública e os poderes instituídos para os problemas actuais.
No caso actualmente mais badalado da Educação, a propósito da proposta do Governo de avaliação de desempenho dos professores, apesar da estratégia sindical poder ser a mais ruidosa, a verdade é que tem sido na blogosfera e na constante apresentação de argumentos, tanto por cidadãos anónimos, como pelos especialistas na matéria, nos jornais, nas rádios e nas televisões que o Governo tem sido confrontado em termos dos erros constantes na actual proposta ministerial...
É necessário que o dever de cidadania se cultive e se instale de vez neste país de brandos costumes. Eu, por mim, tenho a consciência tranquila: tenho escrito na blogosfera e amíude vou deixando a minha opinião nos diversos jornais da nossa praça pública. E você?

terça-feira, fevereiro 05, 2008

Quanto custa um filho por mês...

Uma equipa de psicólogas (?) de Coimbra fez as contas para saber quanto custa ser um «bom pai» e concluiu que nos primeiros 25 anos de vida cada família de classe média-baixa gasta, em média, 236 euros mensais com cada filho, enquanto que uma família da classe média-alta gasta uma média de 678 euros.
Para já, duas observações:
2. O método utilizado no estudo (a simples soma de gastos imaginados pelas duas psicólogas) parece-me tão simplista que até alunos meus do secundário conseguiriam chegar a conclusões semelhantes.
- mensalidade do infantário = 350 euros
- 7 embalagens de fraldas (70 unidades cada) = 120 euros
- alimentação = 100 euros
- vestuário = 200 euros
- consultas médicas e farmácia = 100 euros
- brinquedos e outros extras = 50 euros
E, pronto, assim por baixo, fica calculada a despesa média de uma família com dois filhos menores: 460 euros mensais por cada filho!!! Apenas resta dizer que acabei de calcular as despesas mensais tidas com os meus dois filhotes e que não sou formado em Psicologia, nem este constitui qualquer tipo de estudo científico...
E, depois, ainda há quem pense que, sem políticas sérias de incentivo à natalidade (e não os actuais apoios apenas concedidos às famílias mais carenciadas) poderemos combater o crescente envelhecimento da população portuguesa...

sexta-feira, fevereiro 01, 2008

Mais uma para o currículo do nosso Primeiro-Ministro...

Das duas, uma! Ou José Sócrates está a ser alvo de uma acusação infundada e está à vista a pouca competência de Sócrates para obras de engenharia (tendo em conta a fraca qualidade de alguns dos "seus" projectos), ou então temos um Primeiro Ministro que mente à vista grossa e tenta vitimizar-se, fugindo às suas responsabilidades.
Depois do caso Independente, que ficou muito longe de ser esclarecido, é mais uma vez o jornal Público que faz de Ministério Público e investiga matéria de manifesto interesse público. Uma coisa é certa: o Público é cada vez mais o meu jornal de referência...
Parece-me que há coincidências a mais, tanto no caso da sua licenciatura, com matéria que roça o facilitismo extremo, como agora no caso dos projectos (alguns de muito fraca qualidade) que indiciam a troca de favores entre engenheiros.
Que mais histórias existirão que deixam o nosso Primeiro Ministro tão irritado? Não há dúvida que a expressão "dois pesos e duas medidas" se aplica cada vez mais a este país... E, não admira que os políticos sejam a classe profissional menos confiável aos olhos da opinião pública portuguesa!

sexta-feira, janeiro 25, 2008

Ao cuidado da Sr.ª Ministra

Uma sondagem mundial efectuada pela Gallup para o Fórum Económico Mundial (WEF) indica que os professores são os cidadãos em quem os portugueses mais confiam e também aqueles a quem confiariam mais poder no país. Seria bom que a equipa ministerial responsável pela área da Educação tomasse consciência desta tendência e se preocupasse um pouco mais em dignificar os docentes deste país. Aliás, não é por acaso que a classe política é aquela que menos respostas favoráveis recebeu dos inquiridos.
Claro que me poderão dizer que nem todos os professores são competentes. Claro que isso é verdade. Como em todas as profissões do mundo, há bons e maus em todo o lado. Agora, não tenhamos dúvida que os professores são "pau para toda a colher": são educadores, formadores, confidentes, orientadores, animadores, enfim, para muitos jovens, cujos pais estão ausentes (não só fisica, como moralmente), os professores são autênticos pais...
Agora, quem não está dentro do sistema de ensino, não imagina aquilo que se vive nas escolas: professores desanimados e esgotados, que se sentem desprezados e desrespeitados pela tutela, e que, por exemplo, viram nos últimos dez anos o seu poder de compra diminuir, em média, 12%. Isto já para não falar da questão das quotas, que torna possível que um docente fique instalado no mesmo escalão até ao fim da sua carreira. E o que é feito da dignidade e prestígio da profissão docente, quando é alguém do próprio Ministério que trata os professores como "professorzecos"! Enfim, sem ovos não se fazem omoletes e sem professores dignificados e respeitados não se educam os adultos de amanhã...
Retirando Santana Castilho, não vejo mais ninguém que, assiduamente, dê a conhecer nos órgãos de comunicação social, a verdade sobre a Educação deste país... Cavaco Silva tem sido uma desilusão, Mário Nogueira está excessivamanente conotado com o PCP (o que lhe retira credibilidade), no PSD tudo é surdo e mudo, a restante oposição eclipsou-se... Enfim, estamos na mó de baixo!

terça-feira, janeiro 15, 2008

Um Portugal roto disfarçado de jeitoso...

O ano 2008 inicia-se sem que se vislumbrem alterações no rumo seguido por Portugal: uma classe média a definhar, uma pobreza a rondar os 20% que persiste, uma classe alta que tende a engordar e um conjunto de problemas estruturais que não melhoram, seja ao nível da ineficácia das nossas políticas de saúde, educação e justiça, seja pela incapacidade da nossa economia e poder de compra quando comparados com a grande maioria dos restantes países da UE.
Na verdade, apenas uma minoria dos portugueses se revê naquilo que passamos para o exterior! O que por cá se passa nada tem que ver com o nível de vida dos nossos parceiros europeus. Por cá impera uma Educação de rastos, envolta num sucesso escolar irrealista, uma Saúde onde as listas de espera perduram, uma Justiça lenta e vergonhosa (o novo Código de Processo Penal é simplesmente uma afronta à dignidade humana), um Ambiente e uma Cultura desprezados...
Enfim, parece-me que tendemos para o abismo. E, se nada for feito, a partir de 2013 é que vão ser elas. Com o fim dos dinheiros de Bruxelas as dificuldades irão aumentar. Há que mudar de rumo!!!

domingo, dezembro 30, 2007

2008: tempo para a família...

Tempo de Natal! Tempo para a família...

Em véspera da passagem de mais um ano, deixo aqui os votos para que 2008 seja um ano de concretizações positivas para todos os que aqui costumam vir visitar o Intimista.
Em termos nacionais, esperemos que a verdadeira retoma económica se efective e que deixemos de estar envoltos em estratégias de propaganda e marketing políticos que estão bem longe dos tempos difíceis que dominaram o ano 2007. Justiça, educação e saúde continuam a ser os três sectores da vida nacional que precisam de reformas a sério. Também a oposição ao Governo precisa de se credibilizar, se quisermos ter um novo Governo em 2009 com uma política diferente. Finalmente, mas não menos importante, esperemos que as discrepâncias sociais que dominam este nosso Portugal deixem de aumentar e que a pobreza seja alvo de reais políticas de inversão e não só de mera "caridade franciscana".

A nível internacional, tenho receio que a situção de instabilidade que se vive em muitas regiões do mundo se agrave: Kosovo, Médio Oriente, Rússia e um pouco por toda a África esperam por melhores dias. O terrorismo veio definitivamente para ficar. A corrupção e a politiquice mesquinha continuam a dominar grande parte dos decisores mundiais...

Enfim, que em cada família abundem o amor, paz e saúde, são os votos que deixo para 2008...

sábado, dezembro 15, 2007

Acredita quem quer...

Depois do flop que constituiu a Cimeira de Lisboa, onde imperou a retórica, a falácia e a estratégia do faz-de-conta, seguiu-se a assinatura de um Tratado que nada diz aos cidadãos europeus e que, ao contrário do que afirmou Sócrates não é condição essencial para a criação de emprego ou para uma elevação considerável da qualidade de vida dos povos da UE.
Como é possível acreditar naquilo que estes eurocratas retóricos, a começar por Sócrates, nos vêm dizer? Que com o Tratado a UE fica mais forte e coesa! Que com o Tratado a igualdade entre os 27 países constitui uma realidade! Que com o Tratado se criam mais empregos! Mentiras e falácias...
Basta ter em conta que dos 27 países apenas quatro têm direito de veto em decisões tomadas em Bruxelas para percebermos que este Tratado não tem o valor que lhe querem dar os senhores de Bruxelas.
Sócrates parece querer seguir o caminho de Guterres e de Barroso e começar a fazer o necessário para daqui a uns anos conseguir um lugar numa das muitas instituições de carácter institucional que existem.
Quanto ao Tratado, muita parra e pouquíssima uva!!!

sexta-feira, dezembro 07, 2007

A cimeira da mentira

Este fim-de-semana vai ser marcado pela pompa e circunstância de cumprimentos e abraços entre os democratas (qb) da Europa e um conjunto de ditadores de África. Muitos discursos vão ser lidos, muitas fotos vão ser tiradas, muitos sorrisos vão ser dados, mas a verdade é que milhões de africanos vão continuar a viver na miséria. Tamanha hipocrisia que vai ser dada à estampa durante dois dias, para que no final muitos dos ditadores africanos regressem aos seus países para continuarem com as suas políticas displicentes e antidemocráticas. Aliás, o mais provável é que regressem a África com perdões de alguns milhões de Euros de dívidas e com mais benesses que em nada contribuem para a melhoria das condições de vida da população africana.

sexta-feira, novembro 30, 2007

Greve da Função Pública: fazer ou não fazer?

Há dez anos que sou professor de Geografia na Escola Pública. Ao longo desta década, nunca assisti, por parte do Governo, a um ataque tão feroz contra os direitos dos funcionários públicos: estatuto profissional, progressão na carreira, regime salarial, entre outros aspectos, têm vindo a ser alterados no sentido de retirar à função docente a sua credibilidade, ao mesmo tempo que se reduz, de forma significativa, o nível de vida e poder de compra destes trabalhadores do Estado...
No entanto, há algo que não posso esconder: não votei neste Governo, pelo que, em nada contribuí para que esta situação de deprezo pelos funcionários públicos viesse a vingar. Por outro lado, tenho a plena convicção de que a greve não constitui uma forma eficaz de fazer com que o Governo altere a sua política. Nunca foi e com este Governo muito menos...
Nos últimos dias recebi mails e sms da Fenprof (apesar de não ser sindicalizado) a convocarem-se para fazer greve. Nessas mensagens dizia-se que, caso não fizesse greve eu seria considerado como um "fura greves" e estaria a concordar com a política deste Governo. Não penso assim...
Daqui a um ano e pouco farei o meu julgamento sobre este Governo, mostrando-lhe um "cartão vermelho" nas eleições. Aí darei conta do meu protesto...

terça-feira, novembro 20, 2007

Choque tecnológico: o flop...

Está mais que visto que a oposição parlamentar ao Governo anda completamente moribunda. Felizmente que alguma comunicação social, com destaque para o jornal Público, trata de dar a conhecer as verdades que este Governo tenta sonegar...
José Sócrates veio a terreiro congratular-se com a criação de 106 000 novos postos de trabalho desde que o seu Governo tomou posse. É preciso descaramento!!! Num tempo em que o número de desempregados não pára de aumentar, o poder de compra dos portugueses decresce e o número de empregos qualificados e de caráter efectivo decrescem, só um Primeiro-Ministro imune à realidade pura e dura e viciado no marketing e propaganda políticas poderia vir para as televisões sorrir aos portugueses e dizer-lhes que a promessa da criação dos 150 000 empregos está prestes e ser cumprida.
Apesar dos partidos da oposição não terem estudado o tema em profundidade, os jornalistas do Público trataram de esmiuçar as estatísticas do emprego e descobriram que o Choque tecnológico não passa, de facto, de um Power-Point. Isto porque o emprego precário aumentou, a mão-de-obra qualificada diminuiu e o número de licenciados no desemprego disparou... Ou seja, continuamos no último pelotão da Europa!!!

quinta-feira, novembro 15, 2007

Conhecem as ruas de Viseu?

Pelo que vem escrito na comunicação social, parece que na sexta-feira passada o Presidente da Câmara Municipal de Viseu, Fernando Ruas, foi apanhado em excesso de velocidade numa das avenidas de Viseu. Pelo que se diz conduzia a 89 Km/hora quando o limite máximo era de 50 Km/hora. Até aqui nada de especial se descontarmos o facto de que alguém que tem um cargo público de extrema responsabilidade poderia ter uma maior preocupação em dar o bom exemplo cívico de cumprir o Código da Estrada. Mas, o mais extraordinário ainda estava para vir...
Fernando Ruas afirma que o agente policial que o abordou, depois de mandar parar a viatura que conduzia, e na presença do Governador Civil, mandou-o seguir viagem sem lhe ter comunicado que havia transgredido uma das leis do Código da Estrada. Pelos vistos, Fernando Ruas também não se interessou por saber se tinha ou não ultrapassado os 50 Km./hora permitidos. Agora, Fernando Ruas diz que apenas soube da transgressão cometida através dos jornalistas. Abençoados jornalistas!!!
Para apimentar a coisa, em reunião de Câmara, Fernando Ruas continua a dizer que não está nos planos da autarquia aumentar dos 50 Km/hora para os 80 Km/hora o limite máximo permitido de circulação na Circunvalação de Viseu, eixo rodoviário que apresenta quatro faixas de rodagem e que, sejamos francos, incita a velocidades bem acima dos 50Km/hora. Quem já veio a Viseu deve conhecer a via a que me refiro.
Há uma lição que se retira desta história: a lógica dos dois pesos e duas medidas continua bem vincada neste país mascarado de justiceiro...

quarta-feira, novembro 07, 2007

O que não se disse sobre o acidente da A23

O recente acidente rodoviário ocorrido na A23 revela, para além do drama decorrente dos mortos e feridos que o despiste provocou, uma outra realidade que convém chamar a atenção. A conduzir o veículo ligeiro que se julga ter despoletado tamanho flagelo ia uma professora da Covilhã que tinha saído da escola por volta das 20 horas e se dirigia para casa, situada a mais de 100 Kms do seu local de trabalho.
Quem é professor sabe do drama a que me refiro. Docentes que se deslocam todos os dias largas dezenas de Kms para cumprirem o seu trabalho docente, tendo que se sujeitar ao stress emanado da indisciplina que grassa por muitas das nossas escolas, num tempo em que a imagem e a dignidade dos professores anda pelas ruas da amargura.
Certamente que esta professora se estava a deslocar para casa numa situação de desgaste absoluto: depois de se ter deslocado pela manhã mais de 120 Kms para dar aulas, teve de ficar na escola para ter uma reunião e já noite teria de fazer outros 120 Kms de volta a casa. Infelizmente aconteceu o que sabemos... Há vidas difíceis!!!

terça-feira, outubro 30, 2007

Longe da realidade...

A entrevista que a Ministra da Educação concede, na edição de hoje, ao Diário de Notícias revela aquilo que se costuma apelidar como "completo desfazamento da realidade". Ou seja, é o mesmo que falar daquilo que não se conhece.
Dou apenas alguns exemplos:
A Ministra afirma que com o anterior Estatuto do Aluno "um professor para repreender um aluno quase que tinha de meter um requerimento". Ora, enquanto professor posso informá-la que para repreeender um aluno apenas preciso que o mesmo me olhe na cara para lhe dar aquilo a que se chama um "grande sermão".
A Ministra diz que "acabamos com o anterior conceito de falta justificada ou injustificadas". Ora, na minha opinião isso não passa de colocar no mesmo saco alunos que faltam por estarem doentes e alunos que faltam para irem para o café. Pura injustiça!
A Ministra pergunta e dá a resposta: "Sabe quantos alunos reprovaram por faltas no ano passado? Provavelmente nenhum." Quem diz isto faz dos Directores de Turma uns completos imbecis, pois, a verdade é que não conheço nenhuma escola onde não existam alunos que não tenham reprovado por terem ultrapassado o limite máximo de faltas. Caso contrário seria o mesmo que dizer que a maioria dos DT`s fecham os olhos às irresponsabilidades de alunos e pais que se baldam à escola.
A Ministra diz que "a relação com os pais tem de ser de cumplicidade". Muito bem dito, mas há que dizer que só há cumplicidade com os pais quando a mesma é a "doer". Se a Ministra quer trazer à escola os pais dos piores alunos então crie uma lei que faça com que o desprezo pela escola doa nas carteiras dos pais: cortem-se nos abonos de família e nos rendimentos mínimos e os pais dos piores alunos já se interesserão pela vida escolar dos seus filhos.
A Ministra diz que "o facto de um aluno ter um mau comportamento no primeiro período não significa que não recupere no segundo e no terceiro e por isso é que esta é uma revisão do estatuto que acredita na capacidade de recuperação dos jovens". Ora, convinha que a Ministra soubesse que os maus comportamentos dos alunos não se resolvem com provas facilitistas de final de ano lectivo, mas sim com o compromisso da família do aluno, visto que muitos dos maus comportamentos já vêm de casa. Ora, para tal é preciso que os pais valorizem a Escola, a bem ou a mal, tocando-lhes no bolso. Siga-se o exemplo inglês com multas pecuniárias para os pais dos alunos que se baldam para os professores.
Mais haveria para dizer. Mas, penso que chega. Enquanto não tivermos à frente do Mnistério da Educação gente que "sinta" efectivamente a escola básica e secundária e que não esteja lá porque vem do Ensino Superior não teremos mudanças para melhor...

domingo, outubro 21, 2007

Porreiro, porreiro era...

José Sócrates rejubilou-se com o acordo alcançado entre os 27 países da UE para a assinatura do Tratado Reformador. "Porreiro, pá. Porreiro", desabafou ele com Durão Barroso, no final da conferência de imprensa que dava a conhecer os contornos daquele que ficará conhecido como o Tratado de Lisboa.
Este provinciamismo bacoco que levou a tão grande felicidade por parte do nosso Primeiro-Ministro revela bem a diferença entre os que pensam alto e os que vivem para as luzes da ribalta. E tudo porque o Tratado, que não é mais que um agilizar dos seus antecessores, ficará com o título de "Tratado de Lisboa"!!!
Porreiro era vivermos num país onde as listas de espera para consultas e operações cirúrgicas no Sistema Nacional de Sáude não fossem a vergonha que são!
Porreiro era vivermos num país onde o abandono escolar e o insucesso educativo não fossem a vergonha que são!
Porreiro era vivermos num país onde o apoio à natalidade e a protecção à família não fossem a vergonha que são!
Porreiro era vivermos num país onde a corrupção e a lentidão na justiça não fossem a vergonha que são!
Mas, com políticos destes que rejubilam com o facto de ficarem para a história pelo simples episódio de assinarem um Tratado que em nada evitará o esgotamento de uma UE cada vez mais dividida e menos consensual não iremos longe...