quinta-feira, julho 10, 2008

Acabe-se com esta vergonha!!!

A menos de 500 metros do principal shopping-center da região Centro do país (o novo Palácio do Gelo) e à beira da principal entrada rodoviária de Viseu assiste-se, há muitos anos, a um triste espectáculo de prostituição de rua, onde coabitam miséria, imundice, mau exemplo e falta de higiene. Uma vergonha!!!
A Câmara Municipal de Viseu sabe há muito tempo desta situação e nada tem feito para acabar com este problema social. Alguns poderão dizer que não é competência camarária acabar com a prostituição de rua, mas não tenhamos dúvidas que a protecção do espaço público é um dos deveres das autarquias. E naquele "buraco" à beira da estrada assiste-se ao completo desprezo pelo espaço público.
Por outro lado, desde o tempo do Estado Novo que parece que os poderes públicos têm feito da prostituição de rua um tema tabu. Ninguém ousa falar sobre o tema. Pelo contrário, na Itália estudam-se propostas que visam controlar a crescente prostituição nas ruas, avançando-se com soluções como a criação de distritos reservados para a prostituição, assim como a legalização dos bordéis e a aplicação de penas de prisão perpétua para os condenados de praticarem actos de lenocínio.
Enquanto não aparecer um Governo que tenha a coragem de alterar a actual (des)lei que se aplica sobre a prostituição teremos que continuar a conviver com esta vergonha de vermos mulheres a "venderem-se" em pleno espaço público, muitas vezes em condições de autêntica imundice, que dão uma imagem vergonhosa de algumas zonas das nossas cidades. Torne-se ilegal a prostituição de rua e certamente que estas vergonhas terão os dias contados...

sábado, julho 05, 2008

Vergonha às portas de Viseu

Vivo em Viseu há cerca de cinco anos. A impressão que tenho da cidade para se viver é bastante positiva: a existência de ordenamento urbano, de boas acessibilidades, de muitos espaços verdes, de comércio diversificado e de um razoável índice de segurança. Enfim, uma cidade média onde vale a pena viver...
Infelizmente, habituei-me a ter de assistir, numa das principais entradas da cidade junto à A25 (por onde passo todos os dias rumo ao meu local de trabalho) à forma ilegal, mas sobretudo imunda, como uma família de ciganos se fixou num local à vista de todos aqueles que entram na cidade vindos de Sul. No entanto, outras duas entradas da cidade (a Norte e a Oeste) apresentam também sinais de invasão por parte de elementos desta comunidade étnica. Numa cidade que honra a limpeza, o planeamento e o bem-estar, não se percebe como é que as autoridades locais não colocam ordem nesta situação. Em cinco anos que levo de vivência nesta cidade não tenho visto, por parte das autoridades responsáveis, a adopção de uma verdadeira política de erradicação destas barracas que povoam as entradas da cidade. O mesmo se poderá dizer em relação a duas zonas da cidade frequentadas por prostitutas e que ficam à vista de todos aqueles que se dirigem para a cidade vindos de Sul e Oeste. Veja-se a foto que mostra bem a forma impune como a sujidade impera à beira da estrada em plena cidade de Viseu...
Estes são dois dos problemas que atingem muitas das cidades portugueses e cuja resolução parece não ter efectividade. Por medo, por desleixo ou simplesmente por incapacidade, considero miserável que em pleno século XXI tenhamos que continuar a ter barracas de ciganos e zonas de prostituição à vista de toda a gente em muitas das entradas de cidades portuguesas. Não defendo a guetização destas situações, mas tão só a sua erradicação, através de uma política séria de integração social!!!

terça-feira, julho 01, 2008

A multiplicação dos pobres...

Vivo em Viseu há apenas cinco anos, os mesmos que levo de casado. Neste período de tempo, a vivência nesta cidade média do Interior, permitiu-me compreender até que ponto a pobreza urbana, até agora característica das principais cidades do litoral (nomeadamente Lisboa e Porto) se propagou um pouco por todo o país, qual praga nacional do século XXI...
Nos últimos tempos, os sinais da carência porque passam muitas pessoas deste país (contam-se nas estatísticas 2 milhões de pobres em Portugal) começaram a ser mais evidentes, fazendo lembrar as paisagens urbanas de mendicidade de muitas das avenidas de Lisboa quando por lá estudei há uma década atrás.
Passei a minha adolescência na Covilhã e nunca por lá vi um mendigo na rua a pedir esmola. Quanto muito, apareciam alguns ciganos vindos das aldeias em redor a tocar à campainha de casa para pedir alimentos e roupas. Depois, com 18 anos, fui estudar para Lisboa e não havia dia que não passasse por algum mendigo, fosse no metro, à entrada dos shoppings ou nas artérias mais importantes da cidade. Em 2003 fixei-me em Viseu e raramente via alguém na rua a pedir (quanto muito à terça-feira, dia da feira semanal, lá apareciam ciganos a pedir na Rua Direita). Mas, de há uns meses a esta parte a mendicidade parece não abrandar e, cada vez que me desloco para o centro de Viseu, é raro o dia em que não encontro pessoas idosas sentadas no chão a pedir dinheiro para comer, romenos com bebés ao colo a suplicar esmola junto aos semáforos, crianças com cães "amestrados" a pedir dinheiro aos transeuntes, enfim, episódios intermináveis de pobreza... E, volto a lembrar, numa cidade do Interior do nosso país...
Hoje resolvi levar a máquina fotográfica para o Rossio e não faltaram oportunidades para registar a prova de como aquilo que digo é verdade...

quinta-feira, junho 26, 2008

A procura da ilusão ou o confronto com a realidade

Nos últimos dias ficámos a saber do sucesso de um livro que pretende servir de auto-ajuda para aqueles que não se encontram satisfeitos com a sua vida, seja a nível económico ou social, seja em termos amorosos ou até de saúde. O livro chama-se "O Segredo", supostamente revelado pela autora com vista à generalização da felicidade alheia.
Será a leitura deste livro (li umas partes na Bertrand para poder opinar sobre o mesmo) uma solução credível e séria para enfrentar os problemas com que nos confrontamos? Não creio. Parece-me mais uma mera ilusão...
Seria interessante conhecer o leitor típico deste livro. Aposto que, maioritariamente, será do sexo feminino, com uma idade compreendida entre os 25 e os 40 anos, solteira ou desgostosa de amores. Não me apelidem de sexista, mas deixo aqui um conselho a um(a) possível leitor(a) do livro em questão que possa estar a ler este artigo: em vez de gastar 13 Euros num livro de mera "charlatanice", confraternize. Pior ainda (ou seja mais caro e sem grandes melhorias) será consultar um psiquiatra... Fechar-se na "concha" do segredo é a pior solução; actuar de forma racional é o caminho a seguir...

segunda-feira, junho 23, 2008

Lembram-se? Uma vergonha!

Ficámos hoje a saber que o líder da oposição do Zimbábue viu-se obrigado a desistir da segunda volta das eleições daquele país africano para assim evitar que se multipliquem os "banhos de sangue" que nos últimos tempos têm sido de frequência diária...
A UE pouco diz sobre o assunto e a ONU está submersa num silêncio vergonhoso... Assistimos apenas a pedidos e mais pedidos!!! Com ditadores não se pede nada; exige-se... Há menos de um ano José Sócrates não se coibiu de dar palmadinhas nas costas do ditador zimbabueno que veio a Portugal passar uns dias de férias à custa de uma pseudo-cimeira UE-África. A UE não teve a capacidade e a elevação de se furtar ao "politicamente correcto". Sério e rigoroso teria sido levar a cabo uma verdadeira política de fomento da paz e da democratização do continente africano, quer fosse através do fortalecimento dos poderes do Tribunal Penal Internacional, quer fosse através de uma política de persuação de possíveis aliados africanos...

sexta-feira, junho 20, 2008

Acabaram-se as férias...

Com a despedida da selecção nacional do Europeu 2008, chegaram ao fim as férias para jogadores e treinadores. Agora já poderão reflectir nos milhões de euros que os grandes clubes europeus lhes propõem...
Para além disso, acabou-se também a boa vida para os jornalistas que acompanharam de forma degradante e pouco profissional estas últimas semanas de futebolmania. A maioria das reportagens foram simplesmente inócuas e vergonhosas para uma profissão que se quer digna e séria. O sedativo acabou-se. Voltemos ao que interessa...

quinta-feira, junho 19, 2008

Comprar? Para quê?

Que tipo de pessoas é que irão comprar um livro com a história de um Primeiro-Ministro ainda em funções e que é escrito por uma jornalista que trabalha para uma rádio pública?
Um livro que o visado afirma não ser a sua biografia oficial, mas que tudo fez para promover a obra, desde sessões de trabalho com a jornalista até à concessão de entrevistas...
Um livro que, tendo em conta o timing escolhido para a sua publicação, pode ser visto como autêntica propaganda pré-eleitoral...
Um livro que tem no título a expressão "menino de ouro", tão semelhante com a mais que criticada expressão "menino guerreiro" de Santana Lopes... Lembram-se da forma como os comentadores políticos criticaram o então candidato a Primeiro-Ministro?
Um livro que é escrito por uma jornalista da rádio pública e que a partir deste momento terá uma imagem de fuga à imparcialidade, dada a forma como neste livro não são aprofundadas situações, no mínimo, obscuras relacionadas com a forma como o Primeiro-Ministro obteve a sua licenciatura ou avalizou determinadas obras de engenharia...
O melhor mesmo para se ter uma ideia geral sobre o livro é fazer o que eu costumo fazer: ir à FNAC, fazer uma "leitura à Marcelo" e ver até que ponto este livro cheira a propaganda barata!!!
Volto a perguntar: o que levará alguém a gastar 25 Euros para comprar um livro destes???

sábado, junho 14, 2008

Obrigado, amigos irlandeses!!!

Pois bem, a Europa de agora é muito diferente da de 1957, quando se criou a então CEE. Também a exigência dos cidadãos europeus pela postura tomada pelos seus representantes em Bruxelas é agora muito diferente.
A decisão de evitar a todo o custo um referendo para ouvir a opinião dos europeus a propósito do Tratado de Lisboa, uma espécia de "copy-paste" encapotado da ex-Constituição Europeia, foi agora vingada, em nome dos cidadãos dos 27, pelos irlandeses. Pode ser que este cartão amarelo aos burocratas e candidatos a burocratas (como Sócrates) de Bruxelas lhes sirva de exemplo. Não governem de costas voltadas para o povo europeu.
Só mais uma nota: se a forma encontrada pela elite europeia para "resolver" este imbróglio for a convocação de um segundo referendo na Irlanda, então estaremos na presença de uma farsa de baixo nível perpetrada por líderes sem carácter!!!

terça-feira, junho 10, 2008

O Presidente passou-se de vez...

Na véspera das comemorações de mais um "Dia de Portugal", eis que Cavaco Silva se passou de vez. Visivelmente incomodado com as questões dos jornalistas sobre os recentes protestos dos camionistas, o Presidente saiu-se com uma frase, no mínimo, incompreensível. Apelidar o 10 de Junho como o "dia da raça" é mau de mais para um Presidente da República que se tem desmultiplicado em declarações públicas apelando ao rigor, à exigência e à maturidade da população portuguesa, nomeadamente dos mais jovens. Ponho-me a imaginar se numa das minhas aulas de Geografia dissesse aos meus alunos que a cada 10 de Junho se comemora o dia da "raça portuguesa"! Porventura até poderia ter um processo disciplinar em cima... Mas, com os políticos tudo ou quase tudo se perdoa.

Votei em Cavaco Silva para Presidente da República, mas isso não me impede de pensar que esta sua declaração é simplesmente repugnante. Ando eu a fomentar junto dos meus alunos o respeito pela diversidade cultural e o combate ao racismo e à xenofobia (no 8º ano de escolaridade este é um dos conteúdos a desenvolver na disciplina de Geografia) e Cavaco Silva sai-se com esta!!! Só visto... Imperdoável!!!

sexta-feira, junho 06, 2008

A festa dos pobres...

Durante os próximos dias o futebol irá inundar (ainda mais!) tudo o que diga respeito a noticiários. Depois de três semanas de uma frenética ânsia jornalistica pelo mais insignificante não-acontecimento relacionado com o estágio da selecção portuguesa em Viseu e a partida para a Suiça, eis que é chegada a hora de se debaterem tácticas, lances da bola, arbitragens, substituições, etc...
Foi confrangedor ter de assistir a peças jornalisticas inócuas e a roçar a incúria e a vergonha. A SIC ganhou a todos os níveis em termos de parvoíce jornalística!!! Jornalistas a falarem com cães vestidos com as cores nacionais, outros a darem a conhecer as casas e os carros dos jogadores, outros a revelarem os hábitos de lazer ou as preferências gastronómicas dos treinadores...
E o que dizer daqueles que aguardaram horas e horas pela passagem de carros desportivos com vidros fumados para acenarem em direcção ao desconhecido? E aqueles que no caminho para o aeroporto seguiram o autocarro da selecção, como se de uma revolução se tratasse? E as atitudes de puro fanatismo e ânsia pela aparecimento à frente das cãmaras de filmar das televisões protagonizadas pelos emigrantes portugueses na Suíça?
O visionamento do vídeo que se segue ficará para a história como a prova insufismável de como o futebol é a festa dos pobres. Qual América do Sul, qual quê? A parolice é mais que muita nos comportamentos revelados por muitos dos portugueses que não se importam de ser profundos iliterados, mas que ficam felizes quando é chegada a hora de "discutir bola"...
Ganhe ou perca, não estou para gastar muito mais do meu tempo com um conjunto de vinte e tal privilegiados que correm atrás de uma bola. Futebol, sim! Fanatismo, nem pensar!!!

segunda-feira, junho 02, 2008

Resolvida a questão da liderança eis a prioridade que se segue: derrotar Sócrates!!!

Manuela Ferreira Leite ganhou as eleições para a liderança do PSD. Assunto arrumado. Agora é tempo de "arregimentar" as tropas sociais-democratas para iniciarmos o difícil combate que teremos de travar daqui a pouco mais de um ano. O PS tudo fará para tentar descredibilizar Ferreira Leite, seja por causa da sua imagem fragilizada, seja pela conotação que alguns lhe dão de excessiva austeridade. Também não faltarão aqueles que, dentro do partido, irão fazer o que tanto criticaram dos seus opositores: cheios de ódio e raiva alguns dos que tudo fizeram para que Ferreira Leite não ganhasse estas eleições não irão ficar calados.
Da minha parte, apesar de não ter apoiado Ferreira Leite nestas eleições, tenho a franca convicção que, antes de ser apoiante deste ou daquele candidato a líder, sou social-democrata, pelo que é tempo de unir esforços por forma a derrotar toda a propaganda socialista que se espera vir a ser gigantesca.
Não se esperam tempos fáceis para Ferreira Leite. Quatro eleições seguidas são muito desgastantes. A máquina governamental está muito bem oleada em termos de propaganda. Os boys socialistas encontram-se muito bem distribuídos por todo o país. Alguns sindicatos perderam toda a sua credibilidade. A esquerda comunista e bloquista está ávida por receber os votos dos descontentes que votaram PS nas últimas eleições. Enfim, obstáculos que há que ultrapassar...
Ganhar a Sócrates será difícil, mas esse é um objectivo longe de ser impossível de se concretizar. Há que cativar a classe média, aquela que foi desprezada e maltratada por este Governo que de esquerda apenas tem uma única evidência: a prática de uma política de caridadezinha (nem chega a ser de solidariedade) pelos mais pobres e facilmente influenciáveis...
Não há dúvidas de que o país está bem pior do que há três anos atrás. O poder de compra das famílias diminuiu e as desigualdades sociais aumentaram. É nisto que se resume a praxis socialista. Mudar é urgente e possível!

quarta-feira, maio 28, 2008

A escolha possível...

Como militante social-democrata que me orgulho de ser tenho assistido com atenção à campanha interna que se tem vindo a desenrolar para as eleições à liderança do PSD. As dúvidas têm sido maiores que as convicções e, pela primeira vez desde que sou militante (já lá vão 14 anos), não sei, com certezas, qual o rumo que o partido deverá seguir.
Santana Lopes preconiza a candidatura das rupturas e das quezílias, não só por culpa própria (o erro de ter pegado no Governo de Durão foi gravíssimo), mas sobretudo pelo ódio que muitos dos históricos do partido nutrem por esta figura de grande carisma do PPD-PSD. Ferreira Leite apresenta-se como a imagem do imobilismo e do politicamente correcto, para além de que tem a enorme desvantagem de não incentivar ao rejuvenescimento do partido (haver a possibilidade de alguém com mais de 70 anos estar à frente do partido é demasiado frustrante). Passos Coelho é, como se costuma dizer em bom português, um autêntico tiro no escuro, demasiado conotado com os muitos oportunistas do partido que veem neste jovem político, uma possibilidade de utilizarem a sua imagem cordata e limpa para facilmente manietarem o partido a seu belo prazer.
As dúvidas são mais que muitas e só tenho pena que Marcelo não tenha avançado nesta oportunuidade que, para ele, teria sido de ouro. Sendo assim, e depois de muito reflectir, tomei a decisão de, no próximo sábado, ir votar em Santana Lopes. Apesar de saber que uma possível vitória de Santana iria quase revolucionar o partido, afastando de vez muitos daqueles que por ele têm um ódio de estimação, também penso que é legítimo que Santana tenha a possibilidade de ir a votos com Sócrates. Nas últimas legislativas, Sócrates ganhou enganando muitos milhares de portugueses. Muitos daqueles que ora votam PS, ora votam PSD, sentem-se defraudados com o governo PS. Pode ser que agora votem em Santana e lhe deem a oportunidade de provar que, ao contrário de Sócrates, tem sensilidade social.
Ferreira Leite apresenta uma clara imagem de regresso ao passado. Parece, descupem a analogia, um Sócrates de saias.
Passos Coelho é demasiado liberal para o meu gosto. Talvez daqui a uns anos possa ser uma boa alternativa. Por enquanto, não me inspira confiança.
Santana Lopes é o eterno lutador que não vira as costas ao partido, nem ao país. Não tem interesses instalados, nem segue o politicamente correcto.
Enfim, em jeito de resumo diria que Santana Lopes foi enganado por Sampaio. O povo foi enganado por Sócrates. Pode ser que Santana não seja enganado pelos militantes do PSD. A ver vamos...

terça-feira, maio 13, 2008

Um problema demasiado sério para que o possamos ignorar!!!

A crise alimentar mundial parece que chegou de vez aos países desenvolvidos. As razões são várias, desde o crescimento económico brutal da China e Índia e o consequente aumento do poder de compra de centenas de milhões de habitantes destes dois países até à crescente procura do petróleo e à substituição dos cereais alimentares por cereais destinados a produzir biodiesel...
Depois de décadas de fome contínua em muitos dos países africanos, eis que os problemas alimentares chegam aos países ricos. Com o aumento dos preços de muitos bens de primeira necessidade, milhões de agregados familiares dos paises desenvolvidos enfrentam sérios problemas ao nível da redução do seu nível de vida. Claro que esta situação em nada se pode comparar com a fome que atinge milhões de pessoas nos países pobres. Gente que morre à fome...
Há que mudar rapidamente o paradigma vigente na relação vigente entre os países desenvolvidos e os que estão em desenvolvimento. A lógica dos simples donativos, dádivas e perdões de dívida tem que dar lugar à lógica do investimento na educação, na democracia e na repartição da riqueza existente. Por outro lado, parece claro que a ilusão dos biocombustíveis produzidos a partir dos cereais alimentares tem de ser posta de lado de uma vez por todas. Finalmente, a ONU tem de ter uma intervenção eficaz e séria no sentido de obrigar os EUA, a China, a Índia, a Rússia e a UE a diminuirem a emissão de gases poluentes.
O cartoon que apresento, da autoria de John Darkov, é bem elucidativo do desprezo que muitos dos países ricos têm pelos países pobres. A outra figura (aconselho a clicarem em cima dela para a visualizarem melhor) constitui um excelente esquema publicado na revista Visão que resume as causas inerentes a este grave problema de âmbito mundial...
É tempo dos nossos governantes actuarem!!! Amanhã será tarde demais!!!

quarta-feira, abril 30, 2008

Até os miúdos percebem!!!

Nestas últimas semanas tenho andado a leccionar aos meus alunos do 8º ano conteúdos relacionados com a demografia.
Temos desenvolvido sobretudo questões que dizem respeito aos problemas populacionais com que Portugal se confronta.
No último teste de avaliação coloquei aos meus alunos a seguinte questão: "O que pensas que o Governo deveria fazer para melhorar a situação demográfica do nosso país?". Muitas foram as respostas de miúdos de 13 e 14 anos que, certamente, fariam corar de vergonha qualquer um dos nossos governantes.
Deixo-vos com a resposta de um desses alunos. Fica provado que apenas falta vontade política para levar a cabo autênticas medidas de protecção à família. E depois vêm com propostas anti-família, como as mais recentes liberalizações do aborto ou do divórcio, já para não falar dos milhões que se gastam no betão. Medidas sociais de verdadeiro cariz geracional, nem vê-las...

domingo, abril 20, 2008

O maior tesouro que se pode ter...

Se o actual estado da Educação, do Benfica, do PSD e do Governo nada tem contribuído para a minha felicidade, a verdade é que não é por isso que me sinto menos feliz ou mais angustiado. Porquê? Porque há mais vida para além do que a profissão, o partido e o futebol... Nada é mais importante do que a nossa família. É ela quem nos conforta quando estamos mais em baixo; é ela quem nos acompanha quando estamos mais alegres; é ela quem nos melhor conhece quando nos refugiamos no silêncio; é ela quem nos alerta quando estamos tentados a entrar num qualquer labirinto.
Há uns dias atrás assiti na SIC à alegria que dominava o estado de espírito de um emigrante português a residir no Canadá, a quem lhe tinham caído na conta bancária cerca de 9 milhões de Euros por ter acertado nos números do totoloto. O homem não se cansava de dizer que o dia em que ficou rico tinha sido o dia mais feliz da sua vida. Ah, e não parava de chorar de emoção, por pensar em tal quantia de dinheiro. Pensei cá para mim: "Mas, será que este homem não tem família? Não terá filhos?"

Bem sei que vivemos num mundo cada vez mais materialista, avesso a valores como a família ou a amizade. É o dinheiro que crescentemente domina a mente da maior parte das pessoas. Quantas vezes já não vimos alguém dizer-nos que se ganhasse o totoloto teria alcançado a maior das suas felicidades?

Pois bem, para mim não haverá dia, aliás, dias mais felizes do que aqueles em que nasceram os meus dois filhos. Para um homem decente e minimamente conscencioso não há tesouro maior do que ser pai. O dinheiro bem pode ajudar à felicidade, mas não é determinante. Decisivo para a nossa felicidade é sim podermos chegar a casa depois de um dia de trabalho e termos uma esposa e dois filhos amorosos à nossa espera. Entre o amor de família e a felicidade do dinheiro, não pestanejo de dúvida um segundo. Que se lixe o dinheiro...

terça-feira, abril 15, 2008

Desilusões (parte IV)

Este é o último artigo dedicado às desilusões que, actualmente, dominam (embora, sem afligirem) a minha vida social e profissional. Não é tanto uma desilusão, mas sobretudo revolta, pois não tem sido com surpresa que tenho assistido à forma como este Governo tem actuado: arrogância e mentira têm sido pontos de ordem durante oos últimos três anos.
Arrogância, na medida em que o autismo e a prática pouco democrática como muitas das medidas têm sido aplicadas, nomeadamente, nas áreas da Segurança Social e da Educação, evidenciam bem o estilo autoriário como José Sócrates actua na pele de Primeiro-Ministro. Só os mais distraídos é que não se lembram como já nos tempos de Ministro de Ambiente, Sócrates evidenciava tiques de pessoa nada tolerante e excessivamente nervosa e arrogante.
Mentira, porque as promessas que fez durante a campanha eleitoral, a que agora chama de compromissos, foram, pura e simplesmente, ignoradas e desprezadas. Aliás, a forma como Sócrates se serviu da mentira do défice para aumentar os impostos e fazer o que bem quis da Função Pública foi simplesmente vergonhoso. Não nos esqueçamos que a redução do défice (a grande bandeira deste Governo) apenas foi alcançada à custa de 28 meses de congelamento de carreiras nos funcionários públicos e da concessão de aumentos salariais bem abaixo da taxa de inflação. De resto, nada de substancial foi realizado. Na educação, foi aberta uma guerra contra os professores e abriu-se o caminho ao facilitismo. Na saúde, as listas de espera continuam enormes e os privados continuam a reinar. Na justiça, a lentidão veio para ficar, já para não falar da banalização da corrupção. O choque tecnológico transformou-se em autêntico choque de betão, com milhões de Euros a serem gastos no aeroporto, no TGV e nas auto-estradas.

segunda-feira, abril 07, 2008

Desilusões (parte III)

Seguindo o rol de artigos que tenho vindo a escrever sobre algumas das minhas actuais desilusões, é chegada a hora de falar um pouco sobre a lastimável imagem que o PSD tem passado para a sociedade civil.
Por influências familiares, mas também por razões de carácter ideológico, tenho orgulho em ser social-democrata. Mais do que ser um seguidor ferrenho ou cego e a qualquer preço do PSD, não tenho quaisquer dúvidas de que, desde os meus tempos de adolescente, sempre me identifiquei com este partido. Seja pela forma como a liberdade individual é defendida, como a família é valorizada ou como o reformismo é assumido, tenho a ideia clara que o PSD foi o partido que mais contribuiu para o desenvolvimento de Portugal.
Filiei-me na JSD quando andava no liceu a estudar, em plena vigência da segunda maioria cavaquista. Fui a dezenas de comícios (quando ainda eram realizados ao ar livre), fiz muitas caravanas e participei em muitas campanhas... Emocionei-me ao ouvir o meu avô e o meu pai contarem as aventuras que viveram nas décadas de 70 e 80, quando, na Covilhã, cidade eminentemente industrial, os PSD`s eram perseguidos pelos fanáticos comunistas. Muitas vezes, foram "corridos" à pedrada do Tortosendo, a chamada vila vermelha da Cova da Beira...
Com o fim do cavaquismo, o PSD entrou em crise, mas rapidamente soube retomar a linha do poder, através do delfim de Cavaco Silva. Mas, foi com a saída de Durão Barroso para Bruxelas que o declínio laranja começou a ser mais do que preocupante. Santana Lopes foi na conversa de Sampaio e a jogada socialista deu frutos. Agora, temos Menezes à frente dos destinos do partido, apenas porque muitos dos que o agora criticam não foram a votos.
Luís Filipe Menezes não é o meu líder de eleição. Penso que o PSD estaria melhor servido com Marcelo Rebelo de Sousa ou mesmo com Rui Rio. No entanto, entre Menezes e Sócrates não pestanejo um segundo. Menezes é um homem simples, emotivo e verdadeiro. Enfim, inspira confiança, no sentido de ser leal e humilde. Pelo contrário, Sócrates é a protótipo de governante arrogante, vaidoso e falso. As suspeitas que sobre si recaem acerca da forma como "adquiriu" a sua licenciatura e as peripécias que se conhecem da sua vida de "engenheiro", obrigam a que, apesar de não rejubilar com Menezes à frente do PSD, apoie totalmente o actual líder do PSD na hora de votar.

terça-feira, março 25, 2008

Desilusões (parte II)

No artigo anterior escrevi sobre uma das minhas maiores desilusões: o actual estado da educação em Portugal. Vou-me reportar agora a outra das minhas grandes desilusões: o Benfica.
Como sabemos ser-se do Benfica, do Sporting ou do Porto não depende de uma decisão tomada em plena consciência. Se assim fosse, mudaríamos facilmente de clube, de acordo com o sucesso momentâneo de cada um. É pois claro que ficamos reféns do clube que adoptámos em criança, quer tenha sido por influência do pai ou do avô, quer tenha sido por afinidades diversas ou por qualquer outra razão supérflua. A verdade é que esta é uma decisão puramente emotiva e nada (ou quase nada) racional.
O meu caso particular é interessante de contar. Quando comecei a perceber mais a sério o que era o futebol (por volta dos meus 5 anos) afimava-me sportinguista, muito por influência do meu avô, que era fanático pelo Sporting da Covilhã (filial do SCP). Para grande desgosto do meu pai, ferveroso benfiquista, comecei a fazer colecção de objectos do SCP. O meu pai começou a ver o tempo escassear, até que se decidiu a levar-me da Covilhã a Lisboa assistir a um jogo do Benfica, caso eu mudasse do SCP para o SLB. Essa era a última hipótese para me ver mudar de clube ainda a tempo: "Ninguém muda de clube em idade adulta", dizia-me ele... Então fui com o meu pai assistir ao Benfica-Steaua de Bucareste (2-0) ao velhinho Estádio da Luz e fiquei encantado com a grandeza do Benfica. Nessa mesma noite decidi mudar de clube: de mero e ingénuo adepto sportinguista passei a ser um fanático sócio do Benfica. A partir dos meus onze anos de idade e ao longo destes quase vinte anos que passaram, fui ver dezenas de jogos do Benfica. Muitas alegrias foram vividas; algumas tristezas também.
No entanto, o ainda curto século XXI tem sido terrível para os benfiquistas que se prezam de ter orgulho no seu clube. Depois da contratação de Artur Jorge (um ex-portista) para treinador do clube, a lógica da desmontagem e montagem de uma nova equipa de futebol no início de cada época desportiva impediu que a mística benfiquista se apoderasse da maioria dos jogadores. Agora, é a lógica do dinheiro que domina a equipa de futebol. Faltam o carisma, a garra e o orgulho... O presidente bem tenta copiar Pinto da Costa, mas falta-lhe qualquer coisa: talvezs genuinidade.
O Benfica de agora em nada se compara com o de há vinte anos atrás. Todos os quinze dias deslocavam-se dezenas de autocarros de todo o país a Lisboa para que milhares de pessoas pudessem assistir aos jogos do Glorioso. Fui em muitas dessas excursões de domingo. As quartas-feiras europeias eram arrepiantes, com o Inferno da Luz. Os jogadores tinham na sua grande maioria classe e suavam a camisola. Agora é o que vê: uma miséria fransciscana, com um presidente desorientado e com o "entra e sai" constante de treinadores e jogadores. Deixei de ser sócio e, por vezes, nem sequer me dou ao trabalho de ver os jogos do Benfica na televisão.
Entretanto, aguarda-se que alguém com credibilidade tome conta do clube. Até lá, o Benfica até poderá ter lucro nas suas contas, mas em termos desportivos é o que se vê. Saudosos anos 80 em que o Benfica dominava no futebol, basquetebol, andebol, voleibol, hoquéi em patins, entre outras modalidades...

quinta-feira, março 20, 2008

Desilusões (parte I)

O vídeo de que todos falam é demonstrativo da decadência que grassa na Escola Pública portuguesa. No entanto, alguém tem tentado abafar a situação, retirando o vídeo do Youtube. Claro que esta situação não passará de um caso extremo e raro, tendo em conta que existem cerca de um milhão e meio de alunos no ensino pré-universiário português, distribuídos por quase 150 000 professores. No entanto, interessa ressalvar duas notas sobre a situação retratada neste vídeo:

1. A falta de respeito e a indisciplina são cada vez mais duas das realidades com que, nos dias de hoje, as escolas se têm de enfrentar. Com a proliferação de problemas sociais na nossa sociedade e a democratização da escola, os problemas com que muitos jovens se confrontam no seu dia-a-dia (falta de valores, défice de responsabilidade, banalização da violência) são levados para a escola, espalhando-se, qual mancha de óleo, pelas salas de aula, pelo recreio, pelos corredores, pela cantina. Enfim, só quem vive a escola por dentro sabe da forma como muitos miúdos desprezam por completo a primeira finalidade da escola: incutir nos alunos o gosto pelo conhecimento...
2. As sucessivas equipas ministeriais da Educação, por completo desconhecimento da realidade escolar, têm descurado a necessidade urgente de responsabilizar os pais pela postura (boa ou má) que os seus filhos têm na escola. O insucesso educativo tem vindo, sucessivamente, a ser justificado pela incompetência dos professores. "Os alunos reprovam por culpa dos professores", "os professores exigem muito", "os professores não sabem motivar os alunos menos empenhados": é este o tipo de justificações que se ouvem para o insucesso dos alunos portugueses! Esquecem-se que, regra geral, os alunos que têm nos pais pessoas interessadas pela vida escolar dos educandos, conseguem ultrapassar as suas dificuldades. Pelo contrário, a maioria dos alunos cujos pais desprezam os estudos dos seus filhos são aqueles que ficam para trás, tendo-se depois que optar pelas estratégias dos CEF ´s e cursos profissionais, utilizados não tanto para captar os alunos interessados por vias diferenciadas de ensino, mas sobretudo para "despachar" mais rapidamente da escola os alunos problemáticos.

quarta-feira, março 12, 2008

De mal a pior...

A imagem ao lado representa, na minha humilde opinião, quatro das actuais desgraças do país!
Por estes dias, quase que tenho vergonha de ser benfiquista, de ser professor, de ser social-democrata e de viver num país (des)governado por um partido que se diz socialista.
Sou do Benfica não por qualquer motivo de cariz racional, mas sim pelo facto do meu pai, quando eu era de tenra idade, me ter levado ao velhinho e saudoso Estádio da Luz num Marselha-Benfica com mais de 120000 adeptos befiquistas. Foram grandes as alegrias que vivi naquele estádio. Por estes dias, vejo uma equipa moribunda e completamente desastrosa... Até o treinador teve de fugir de tanta impotência... É verdade que os últimos dez anos do Benfica têm sido de uma fraqueza desesperante, mas já era tempo do actual Presidente de Benfica mudar de vida...
Sou professor de Geografia por convicção. Fui para o ensino, não por exclusão de partes, mas sim porque sempre foi esse o meu desejo. Fortemente influenciado por um professor que me deu aulas de Geografia no Liceu da Covilhã (sim, o mesmo liceu onde estudou o actual Primeiro-Ministro), enveredei pelo caminho da Educação. Quando comecei a leccionar (já lá vão dez anos) a fasquia da exigência andava cá por cima. Agora, quase que é proibido ser-se exigente com os alunos, sendo que os tempos que se avizinham não auguram nada de bom...
Sou filiado no PSD, desde os tempos dos Governos de Cavaco Silva. Foi no tempo das chamadas "vacas gordas". O país crescia e melhorava em todos os índices de desenvolvimento. O PSD era, no final dos anos 80, o partido de referência da democracia portuguesa. Credibilidade era muito mais do que uma mera palavra. Agora é o que se vê: um PSD dividido, descrente e sem rumo. Com um líder sem chama. Um partido que, tal como está, não surge como alternativa à maioria socialista. Para mal do país...
Finalmente, vivo num país desenvolvido. No entanto, está na cauda dos 27 da UE. Bate recordes ao nível das desigualdades sociais, do insucesso escolar, da fuga ao fisco, da sinistralidade rodoviária, das filas de espera na saúde, da lentidão da justiça. Um país governado por um partido que comemora três anos de Governo como se o auto-elogio exacerbado fosse um normal exercício de democraticidade, quando o país não avança e se prevêem tempos (ainda) mais difíceis... Com um Primeiro-Ministro cuja licenciatura foi o que se soube!!!
Resta-me a felicidade de ter uma esposa e dois filhos maravilhosos. De resto, sinto-me completamente na mó de baixo!