segunda-feira, novembro 17, 2008

Só não vê quem não quer!!!

Até Vasco Pulido Valente conseguiu enxergar!!! Será que Miguel Sousa Tavares e outros que se julgam intelectuais conseguem lá chegar. O único propósito da política educativa deste Governo resume-se a duas palavras: sucesso estatístico!!! "Custe o que custar", pensará a Ministra.
Desde a lógica das Novas Oportunidades, dos CEF`s, dos PIEF`s e dos cursos profissionais até tudo o que rodeia a nova gestão das escolas e o modelo de avaliação dos professores, passando até pelo próprio Estatuto do Aluno, o grande anseio de Maria de Lurdes Rodrigues passa por levar a Bruxelas dados estatísticos que evidenciem a melhoria do sucesso escolar.
"Há que pôr os alunos a passar de ano, há que evitar as retenções, há que melhorar os resultados nos exames, há que pôr em ordem os professores que dão muitas negativas aos seus alunos", terá dito Sócrates a Maria de Lurdes Rodrigues. Esta, qual súbdita do seu general, tudo tem feito para não desiludir ao seu superior.
Facilitismo é palavra que este Ministério não quer ouvir falar. Mas, a verdade é só uma, e só os mais ingénuos ou aqueles que não fazem a mínima ideia de como, por estes dias, funciona uma escola é que ainda ousam pensar que a palavra de ordem é "exigência". Mentira!!! O que este Governo quer é mostrar serviço em Bruxelas, à custa do fomento da ignorância da maior parte dos alunos. Alunos estes que serão, num futuro breve, adultos iliterados, sem formação, sem educação e sem propósitos. Uma miséria...

quarta-feira, novembro 05, 2008

Um dia histórico!!!

Obama é o novo Presidente dos EUA, pelo que está aberto o caminho para o estabelecimento de uma nova ordem internacional, assente na paz, na democracia e na redução das desigualdades mundiais.
Com a vitória de um afro-americano para o principal cargo político mundial, não restam dúvidas de que tudo é, realmente, possível de ocorrer nos EUA. Esta é a maior democracia do mundo e o país onde todos podem almejar a conquistar o chamado "sonho americano".
Agora é tempo de terminar com a festa e arregaçar as mangas. Acredito sinceramente que Obama, caso não venha a ser alvo de um qualquer atentado perpretado por fanáticos radicais (que cada vez os há mais!), seja capaz de liderar o mundo, tendo como ideais a paz, a democraticidade e o desenvolvimento humano. Que a sorte o acompanhe...

sexta-feira, outubro 31, 2008

Uma eleição verdadeiramente planetária...

Aproxima-se o dia que poderá ser decisivo, não só para o futuro dos EUA, mas também para o dealbar de uma nova ordem mundial. Obama surge, aos olhos da generalidade das opiniões pública e publicada mundiais, como o possível "salvador" de um mundo que tende a ser cada vez mais desigual e injusto.
Um homem que foge ao estereótipo do típico Presidente dos EUA e que rompe com tudo aquilo que tem sido a vida política americana nos últimos dois séculos! Obama é a junção do homem branco e negro, do homem formal e informal, do homem rico e pobre, enfim, é a multiculturalidade em si mesmo, o que lhe traz benefícios e contratempos. Na hora da verdade, muitos serão os americanos a colocar em dúvida para que lado devem pender: se para a razão ou a para a emoção...
O mundo aguarda ansioso pelos resultados de terça-feira. A crise financeira transformou estas eleições no possível ponto de viragem da ampulheta da incerteza... Entretanto, e caso se confirme a (desejada) vitória de Obama, não se deve colocar de lado os perigos que poderão emergir com um "mestiço" à frente do país mais poderoso do mundo: ver-se-á até que ponto é que a América conservadora e dada aos fanatismos e contradições quer ou não mudar de rumo.
O mundo anseia! E, ao mesmo tempo, desespera. Espero sinceramente que Obama não desiluda e saiba arregaçar as mangas e pôr mãos à obra. A bem do mundo!!!

domingo, outubro 19, 2008

O que é que a Ministra quer? Milagres?

Afirma também que a repetência é um erro que deve ser evitado pelos professores, pelo que o ideal é que os alunos não tenham de ficar no mesmo ano de escolaridade dois anos seguidos. Enfim, comentários de quem está profundamente a leste do que realmente é uma escola.
Para a Ministra, a Escola deve ter como primeira tarefa qualificar os jovens. À custa de quê é que ela não diz!!! Será à custa do facilitismo e do abaixamento do nível de exigência? Será à custa da deturpação das regras da assiduidade e da disciplina? Será à custa da procura frenética pelo sucesso estatístico??? Se não é, parece...
Este ano tenho uma turma do secundário do curso profissional de Turismo Ambiental e Rural. Tenho alunos para todos os gostos, desde os que pretendem vir a trabalhar no sector turístico até aos que dizem "cara na cara" estar na escola para passar o tempo. Ora, pela lógica da Ministra estes alunos que estão na escola para passar o tempo deveriam pura e simpesmente ser "afastados" do sistema ou, por um passo de magia, serem alvo de um qualquer acto psicológico que os fizesse mudar de opinião. Ora, o que acontece na prática é que as directivas emanadas do Ministério, em forma de decreto-lei ou de circular, quase que forçam os docentes a não reprovarem os alunos que vão para os cursos profissionais. Mais: caso os alunos tenham perdido, com justificação, mais de 10% das aulas programadas o professor terá que o compensar com aulas, sem que este serviço seja considerado como tempo lectivo extraordinário. Melhor ainda: no primeiro teste que dei a esta turma tive alunos que não souberam realizar uma simples multiplicação (ver imagem para acreditar). Uma miséria!
Para a Ministra a culpa deste alunos não saberem, no 10º ano de escolaridade, fazer uma simples conta de multiplicar é, certamente, dos professores que tiveram em anos anteriores. Para a Ministra, esse professores irresponsáveis não souberam ensinar. Para mim, a culpa está no sistema que incentiva os professores a passarem alunos que não atingiram as competências básicas. Resultado: cada vez temos mais alunos a passarem tempo na escola, em vez de aí estarem com a intenção de aprender...
Como diz o outro, e o burro sou eu???

domingo, outubro 05, 2008

5 de Outubro: dia mundial dos professores. E, em Portugal, dia dos mal-tratados!!!

Mais um Dia Mundial dos Professores. Desde há uns anos a esta parte, um dia para a comunicação social relembrar a forma como os professores portugueses são mal tratados, quer seja pela tutela, quer seja pela generalidade dos pais, que pura e simplesmente, ignoram a vida escolar dos seus educandos.
Muitos dos meus amigos que não são professores têm uma ideia muito errada da função docente. Afirmam que nós, professores, temos uma vida facilitada, trabalhamos poucas horas por semana, temos férias como nenhuma outra profissão e ganhamos muito bem para aquilo que produzimos. E, agora, com os Magalhães até nos atiram à cara que podemos dar as aulas mandando os alunos consultar a matéria na Internet. Puros disparates vindos de quem não faz a miníma ideia da nobreza e responsabilidade da função docente...
Pois bem, quando me vêm com a conversa que os professores "não fazem nada" apenas responde que, tal como em todas as profissões, há os bons, os razoáveis e os maus... Mas, também lhes dou a conhecer o meu caso para perceberem se, realmente é fácil ou não, ser-se professor neste país.
Este ano lectivo lecciono a disciplina de Geografia a quase duzentos alunos, distribuídos por sete turmas de três níveis diferentes, desde o 7º ano ao 9º ano. Tenho ainda a meu cargo a disciplina de Turismo e Técnicas de Gestão do 10º ano. Passo, de 2ª a 6ª feira, no mínimo, 35 horas na escola, distribuídas por aulas, reuniões ordinárias e preparação de aulas. Isto sem contar o tempo gasto em casa com trabalho da escola!!! Quando tenho reuniões de departamento ou conselhos de turma, as horas na escola prolongam-se até mais tarde. Por exemplo, na passada semana, tive um dia em que cheguei à escola às 8. 20H (como habitualmente) e saí de lá às 20.20H. Prejudicados, mais do que eu, foram os meus filhos e a minha esposa. Vida fácil? Então o que dizer quando tenho de corrigir 220 testes? A dez minutos, no mínimo, cada teste, perfaz um total de 36 horas só para corrigir testes de avaliação. Depois há que lançar as notas no Excel e fazer médias e mais médias. Tudo a mando do Ministério da Educação.
E, agora, a novidade que vai fazer com que muitos professores passem mais tempo à volta dos papéis, das grelhas e dos planos, do que a preparar aulas para os seus alunos: a avaliação de desempenho docente. Há escolas que obrigam o professor a elaborar um plano rigoroso e pormenorizado de cada aula leccionada. Para quê? Para ficar no portefólio de avaliação do docente. Meras burocracias que em nada contribuem para o sucesso dos alunos.
E falta falar do ambiente "de cortar à faca" que impera em muitas escolas deste país. Porquê? Porque o ME resolveu dividir os professores em titulares e não titulares, destruindo o espírito de cooperação que se exija a qualquer escola e colocando docentes contra docentes. Ainda na semana passada, numa reunião de departamento, uma colega minha de Filosofia se indignava por ter de vir a ser avaliada por uma colega de Geografia...
Para finalizar apenas há que dizer que, com o novo Estatuto da Carreira Docente, me arrisco a ter de dar aulas até aos 68 anos (recordo que lecciono desde os 21 anos) e a ficar com uma reforma a rondar os 1500 Euros. Como dizem os italianos "porca miseria"...

sexta-feira, setembro 26, 2008

O triunfo das máquinas!!!

O actual Ministério da Educação vangloria-se a toda a hora como o grande protagonista da revolução tecnológica em curso na área do educação em Portugal. Depois de no ano lectivo passado, os professores e alunos do ensino secundário terem tido a possibilidade de adquirir um portátil com ligação à Internet sem fios a preços reduzidos, independentemente do real uso que lhe seria dado, eis que, no actual ano lectivo tivemos a novidade do Magalhães: um portátil de reduzidas dimensões, mas grandes potencialidades, a preços de saldo e colocado à disposição dos alunos de mais tenra idade...
Enquanto os quadros interactivos, os projectores multimédia e os computadores não são generalizados a todas as escolas e a todas as salas de aula, é já possível vermos alunos de seis anos agarrados ao Magalhães, qual "io-io" do século XXI!!! Os alunos da minha esposa, que é professora do 1º ciclo, já a questionaram várias vezes a propósito do Magalhães. E os pais também não se cansam de lhe perguntar "quando é que os Magalhães chegam aqui à escola?"
Apesar da iliteracia ser um problema em crescente evolução e do cálculo matemático mais elementar, como a tabuada, andar pelas ruas da amargura, o que está na moda, para os alunos portugueses é andar agarrado ao telemóvel e daqui a uns tempos ao Magalhães. Tudo, obra e graça deste Ministério da Educação...
Aquilo que poderia ter sido uma boa aposta, levada a sério e de forma sustentada, está a transformar-se numa "roda viva" e num problema que evidencia, por parte de muitos alunos e, sobretudo, dos próprios pais, uma possibilidade de adquirir um portátil a preço de saldos, sem controlo pelo verdadeiro uso que lhe é dado...
Só um exemplo: miúdos com seis anos que ainda não sabem distinguir as letras do alfabeto, mas que anseiam desesperadamente pelo momento de terem o seu Magalhães. Para quê? Para brincarem ou para os seus pais poderem ir à net a preços baixos? A política tem destas coisas e a caça ao voto não é desperdiçada!!!

quarta-feira, setembro 17, 2008

Um mundo (cada vez mais) virado do avesso!!!

Os mais recentes dados da FAO (Agência da ONU para a Alimentação e Agricultura) dão conta do descalabro a que o mundo chegou com a história dos biocombustíveis. Em apenas um ano a fome no mundo aumentou de 850 milhões para 925 milhões de indivíduos. Ou seja, é possível dizer que em cada seis seres humanos um deles passa fome. Vergonhoso!!! A FAO afirma que seria possível reduzir este flagelo se, por ano, fossem investidos 30 mil milhões de dólares para duplicar a produção agrícola. Ora, sabendo nós que por estes dias a Reserva Federal dos EUA e o Banco Central Europeu têm injectado dezenas de milhares de milhões de dólares no mercado financeiro para evitar a falência de instituições financeiras, facilmente chegamos à conclusão que a falta de dinheiro não é justificação razoável para que este problema não se resolva.
Para além das catástrofes naturais que atingem muitos dos países onde a fome é mais intensa, o problema principal reside, em minha opinião, na incapacidade manifestada pela ONU para saber lidar com os ditadores que (des)governam muitos dos países de África e da Ásia onde a fome atinge milhões de seres humanos. Se a ONU fosse uma organização para levar a sério, teria força suficiente para colocar na ordem parasitas políticos como o Presidente do Sudão e outros afins que enriquecem à custa do povo miserável que ignoram.
Para piorar ainda mais a situação, venderam-nos a ilusão dos biocombustíveis. Deixe-se a terra para o cultivo de bens alimentares, trate-se da vida aos ditadores e invista-se nos carros híbridos e eléctricos. Aí poderá estar a solução para resolver dois problemas de uma só vez...

quarta-feira, setembro 10, 2008

O sucesso escolar do Governo Sócrates

Argumento de José Sócrates, Maria de Lurdes Rodrigues e Valter Lemos para estes dados estatísticos: "Mais tempo de aplicação no trabalho e no estudo é o que permite melhorar".
A verdade é que, actualmente, a legislação vigente, com destaque para a catadupa de circulares que todos os dias chegam às escolas emanadas do Minsitério da Educação, quase que impede um Conselho de Turma de reter um aluno que não esteja em final de ciclo. Por outro lado, um aluno que tenha já uma retenção no seu historial escolar tem quase "porta aberta" para progredir de ano, tal é a quantidade de papéis, reuniões e burocracias que têm de se efectivar para reter esse aluno. Ah, e não nos esqueçamos da realidade dos CEF`,s, dos PIEF`s, dos cursos profissionais e das Novas Oportunidades!!! O facilitismo é tanto que só um aluno verdadeiramente "hiper-baldas" é que não consegue concluir este tipo de cursos.
Enfim, tenho pena daqueles que acreditam no que a máquina de propaganda deste Governo vai debitando para a opinião pública acerca deste suposto sucesso escolar. E, tenho pena dos professores, alguns colegas meus, que já desistiram de elevar a fasquia da exigência. No meu dia-a-dia de professor, a palavra que mais tenho ouvido nestes últimos anos é a prova de como a realidade é mais que sombria: "desilusão". Com a avaliação do desempenho docente, a tendência será para este suposto sucesso escolar aumentar. Não porque os alunos saibam mais, mas porque muitos professores já se deixaram levar pela onda do facilitismo. Infelizmente...

quarta-feira, setembro 03, 2008

Uma Justiça "troca-tintas"...

Dois juízes, o mesmo caso, decisões completamente opostas!!! Esta é a Justiça que temos, que ora se diz, ora se desdiz! Uma vergonha. A decisão da juíza Amélia Loupo a favor das pretensões de Paulo Pedroso, acusando a decisão do juíz Rui Teixeira de errada, mereceu da parte de muita gente ligada à Justiça, com destaque para o Bastonário da Ordem dos Advogados, um elogio à forma de se fazer Justiça. Caso a decisão da juíza tivesse sido outra ou venha ainda a ser numa instância superior já tinhamos mais um caso de injustiça.
O que me apetece dizer com esta história toda é muito simples. Temos uma Justiça à altura do nosso país político: pequenina e imparcial. Ainda há pouco ouvi no jornal da SIC uma notícia que deveria corar de vergonha todos aqueles que agora vieram elogiar a Justiça portuguesa: um tipo que matou a sua ex-namorada, regando-a com gasolina e ateando-lhe fogo, foi hoje libertado, depois de três e quatro meses de prisão, porque a decisão ainda não transitou em julgado, dado que tem vindo sucessivamente a recorrer para instâncias superiores e o prazo de prisão preventiva chegou ao fim. Uma vergonha... A rapariga morreu, a família sofre e o miserável do homicida que apenas levou 20 anos de pena de prisão vai agora de "férias" para casa.
A nossa Justiça é tudo menos justa. É miserável!!!

quarta-feira, agosto 27, 2008

Os russos devem andar loucos!!!

Os russos devem andar loucos! Com uma China que, na última década, tem vindo, sucessivamente, a mostrar ao mundo a sua capacidade de crescimento económico, a realidade russa foi esquecida da política internacional... Aliás, desde a implosão da URSS em 1991, que a Rússia tem dado ao mundo uma figura triste de si, com uma população que continua a querer emigrar, um nível de vida médio abaixo do razoável e uma minoria de milionários que enriqueceram à custa do conluio do poder político e da exploração das riquezas naturais do país. De resto, continuamos a ter uma Rússia que "sobrevive" à custa da sua dimensão geográfica, mas que, de resto, não se consegue impôr nas difíceis relações internacionais de um mundo cada vez menos bipolar...
A recente declaração do "Presidente-fantoche" russo Medveded de apoiar a independência de duas regiões da Geórgia, depois de uma vergonhosa e ilegal invasão em território alheio, apenas demonstra a necessidade que o "vilão" Putin tinha de avisar o mundo que a Rússia ainda existe... Agora que o estrago está feito, é tempo da comunidade internacional, com EUA e UE à cabeça, não serem complacentes com a estratégia russa. É tempo de isolar os russos, visto que está provado que com eles, o Ocidente não pode contar. A ilusão do Império Russo continua a ser uma pretensão do poder político russo.
Recorde-se que o conflito Rússia-Geórgia teve o seu início em 1999, quando os russos acusaram o Governo da Geórgia de apoiar os rebeldes Tchetchenos. Desde aí que os russos começaram, por vingança, a apoiar as pretensões dos revoltosos da Abcásia e da Ossétia do Sul. O precedente que foi o mundo ocidental apoiar a independência do Kosovo e as boas relações da Polónia e de alguns dos seus vizinhos com os EUA (o caso dos anti-mísseis com a fronteira da Rússia) só deram mais força às pretensões russas.
Agora temos a ameaça russa de mais uma Guerra Fria, com tendência para aquecer à medida que as eleições nos EUA se aproximam. Mais uma vez o mundo está refém do futuro Presidente dos EUA para puxar as orelhas aos russos. De resto, a UE prefere ir a reboque dos EUA. Como sempre...

segunda-feira, agosto 18, 2008

Viagens na minha terra... Portugal!

Depois de nos últimos anos termos passado férias no Gerês, eu e a Salete resolvemos este ano partir à descoberta, com os nossos filhotes, de um Portugal diferente. Um Portugal longe das confusões bem típicas nesta altura do ano em boa parte do litoral português. Dividimos as férias em duas partes. Na primeira semana fomos para a região da Estremadura e passeámos pela cidade de Lisboa. Visitámos o Oceanário e o Jardim Zoológico para felicidade da Dianinha e do Pedrinho. A foto do lado direito foi tirada em Mafra, na aldeia de João Franco, onde são dadas a conhecer muitas das tradições do Portugal profundo e que deveria ser visita obrigatória para qualquer adolescente. Dirigimo-nos um pouco mais para norte e percorremos as grutas de Alvados, na região de Leiria. Fomos ainda ao Mosteiro de Alcobaça e à bonita vila de Óbidos.

Depois de uma breve passagem pela Covilhã, a minha terra natal, iniciámos a segunda semana de férias tendo como destino o Alentejo. Fixámo-nos em Évora e ao longo de vários dias percorremos todo o interior alentejano. Só para conhecer toda a história monumental da cidade intra-muralhas de Évora necessitámos de dois dias, de manhã à noite. A bonita Praça do Giraldo, a majestosa Igreja de São Francisco com a arrepiante Capela dos Ossos, a grandeza do Templo de Diana, o longo e imponente Aqueduto e muitos outros monumentos desta "Capital da Humanidade" mereceram a nossa visitam. Nos outros dias visitámos Portalegre, Estremoz, Évoramonte, Elvas, Vila Viçosa, Alandroal, Monforte, Marvão (patente na foto do lado esquerdo), Castelo de Vide e ainda tivémos tempo de ir conhecer o centro histórico de Badajoz.

Enfim, não se poderá dizer que estas foram umas férias para descansar, mas, como diz o povo, "quem corre por gosto não se cansa". Ah, e não posso deixar de me referir à gostosa gastronomia alentejana. Aliás, muitos dos restaurantes onde fomos almoçar e jantar serviram-nos "bom e barato", com destaque para o "Escondidinho" em Portalegre...

Agora é tempo para iniciar um novo ano de trabalho. Daqui a poucos dias começa um novo ano lectivo e há que aproveitar os últimos dias de férias...

quinta-feira, julho 31, 2008

Férias pelos caminhos de Portugal...

Agosto, mês de férias. Mas, isso não tem necessariamente de coincidir com confusão e multidão. Geralmente, este é o mês em que Portugal se "inclina" para o litoral, com milhões de portugueses (entre eles dezenas de milhares de emigrantes) e estrangeiros a deleitarem-se com o mar e o sol portugueses...
Para mim e para os meus, férias é sinónimo de sossego, descanso e descoberta. Por isso, eu, a minha esposa e os nossos dois filhotes estamos a passar as nossas férias da melhor maneira possível. Isto, claro, no nosso modo de pensar. Estamos a percorrer o país cultural e ambiental que temos e não apenas o país balnear, resumido às praias muito concorridas nesta altura do ano.
Depois de já termos visitado muitos dos belos castelos que possuímos, iremos percorrer, uma vez mais, as regiões minhota e duriense. Aliás, já há alguns anos que por esta época do ano nos deslocamos para o Gerês e partimos à descoberta do muito que esta região tem para oferecer aos forasteiros. Desta vez, com duas crianças de tenra idade a cargo iremos privilegiar o descanso entre o rio e o mar do Noroeste português e não tanto os caminhos pedestres minhotos...
Mas, pela primeira vez desde o nascimento dos nossos filhotes, iremos estar alguns dias em Lisboa, a fim de visitar o muito que a nossa capital e a região que lhe está em redor tem para oferecer: as deslumbrantes sete colinas e os seus bairros típicos, a riqueza cultural da Baixa pombalina, a animação do Parque das Nações e a grandeza arquitectónica da zona de Belém, mas também a alegria para as crianças do Jardim Zoológico, a beleza das praias da zona Oeste, o aconchego do Parque Natural Sintra-Cascais e a beleza da Arrábida... Muito há para ver e sentir neste Portugal longe da confusão balnear.
Há pois que dedicar por inteiro este período de férias à família, pelo que durante os próximos dias não irei frequentar a blogosfera. Assim, desejo umas boas férias a todos os que aqui me costumam visitar...

sexta-feira, julho 25, 2008

Os bairros (anti)sociais das nossas cidades: o caso de Viseu

Graças a um vídeo dado a conhecer ao mundo por um anónimo, os problemas dos ditos "bairros sociais" tornaram-se em tema de debate nacional nestas últimas duas semanas. Tal como já havia acontecido com as filmagems de uma aluna a agredir uma professora numa escola do Porto, agora foi a vez de um vídeo com um tiroteio na Quinta da Fonte, em Loures, qual faroeste português, ter chamado a atenção dos mais distraídos para os problemas decorrentes do autêntico caos urbanístico que muitas autarquias, com o beneplácito do Estado central, têm levado a cabo com a edificação de "bairros sociais" que apenas têm servido de prova à incapacidade social de muitos engenheiros e arquitectos para este tipo de função.
A edificação de qualquer bairro destinado a agregados familiares de baixos recursos financeiros (os chamados bairros sociais) deveria ser alvo de um verdadeiro trabalho de equipa, com a intervenção de engenheiros e arquitectos, mas também de sociólogos, geógrafos e assistentes sociais. Ora, pelos vistos as entidades competentes apenas se têm interessado em edificar autênticos blocos de cimento, tirados a papel químico uns dos outros, onde as paredes monótonas e sombrias parecem ser intermináveis...
Dou-vos a conhecer a "Quinta da Fonte" de Viseu, o Bairro da Balsa, situado a menos de 500 metros do centro de Viseu e cujos casos de violência não são assim tão escassos. Apenas não têm sido, por enquanto, alvo de filmagens de alguém que mande o vídeo para a SIC. Este bairro, constituído por cinco filas de blocos de apartamentos, onde imperam as paredes fechadas, sem se vislumbrarem varandas, apresenta uma qualidade urbanística bastante reduzida. Durante o dia, é possível verificar muitos dos seus residentes encostados às paredes de cada prédio, sem fazer nada. Há quem diga (não sei se é verdade) que por lá muitas das casas estão completamente descaracterizadas, com pessoas a quererem praticar agricultura dentro de banheiras e que nalgumas casas há mais cães e gatos do que pessoas. Certo é que a monotonia e a opacidade são aqui ponto de ordem. À noite impera o sentimento de insegurança. O espírito de solidariedade e de vizinhança parece inexistente. Enfim, a vida bairrista é uma nulidade... Analisando bem a foto, parece estarmos na presença de um estabelecimento prisional, onde a repetição e a monotonia são ponto de ordem...
Esperemos que a construção de "bairros sociais" não perdure por muito mais tempo. Quanto às soluções, criem-se incentivos à requalificação dos bairros construídos nas décadas de 70, 80 e 90 e pratique-se uma verdadeira política social que não permita a edificação de autênticos guetos, autênticos denotadores de insegurança, marginalidade e violência. Ah, e não nos esqueçamos que o Estado não pode ser permissivo com aqueles (muitas vezes uma minoria dentro dos bairros) que, julgando-se líderes de massas, são o foco principal da má vivência existente nestes locais da cidade. E, já agora, não é de ignorar os malefícios causados pela inactividade que o Estado alimenta junto dos residentes destes espaços urbanos. É que não é por acaso que 90% dos habitantes da Quinta da Fonte vivem dos subsídios do Estado!

domingo, julho 20, 2008

Sobre a possibilidade do casamento entre homossexuais, Ferreira Leite foi, como se esperava, séria e frontal...

A líder do PSD afirmou há pouco tempo que não existem razões objectivas para "atribuir o mesmo estatuto àquilo que é uma relação de duas pessoas do mesmo sexo igualmente ao estatuto de pessoas de sexo diferente". Ou seja, aqueles que apelidam de igual aquilo que é diferente não são sérios e apenas tentam camuflar a verdade à custa do politicamente correcto.
Alguns países governados por partidos de esquerda entraram na onda de legislar por forma a colocar na mesma balança homossexuais e heterossexuais no que toca à aquisição de determinados direitos cuja aplicação deveria requerer a existência de alguns pressupostos. É o caso do casamento, instituição basilar de qualquer sociedade que se queira sustentável, mas sobretudo o caso da adopção de crianças...
Tal como a concessão de beneficios fiscais exige que se cumpram determinados requisitos, também a concessão do direito ao casamento exige que se cumpra o requisito de estarmos na presença de duas pessoas de sexo diferente. Apelidar de retrógrados todos aqueles que são contra o casamento de pessoas do mesmo sexo apenas demonstra que a vitimização e o ataque pessoal são as principais estratégias utilizadas pelos defensores dos casamentos homossexuais. Qual a razão que os leva a não responderem a uma questão tão simples como esta: apelidar de igual aquilo que é diferente não constitui falta de seriedade na discussão pública deste tema?".
Existe alguma lei em Portugal que impeça que dois homens ou duas mulheres queiram viver juntos? Não. Agora quererem ter os mesmos benefícios de uma verdadeira família, fazendo de conta que dois homens juntos ou duas mulheres juntas formam uma família, é que é ter a atitude da avestruz: fazer de conta que o que é diferente é igual...
Por isso, revejo-me nas afirmações de Ferreira Leite: "A sociedade está organizada e tem determinado tipo de privilégios, tem determinado tipo de regalias e de medidas fiscais no sentido de promover a família". "Quanto aos casamentos gay, chame-se-lhes o que se quiser, não se lhes chame é o mesmo nome. Uma coisa é o casamento, outra é outra coisa qualquer".
Quanto à questão da procriação, apenas uma nota. Ao contrário do que Sócrates tem dito, Ferreira Leite não disse que a procriação é a principal função da família, mas sim um dos seus objectivos. E essa função, do ponto de vista biológico, a união entre pessoas do mesmo sexo não permite... Sócrates pensa que se torna mais moderno por se permitir o casamento entre homossexuais. Está redondamente enganado! Este não é um assunto de modernices...

domingo, julho 13, 2008

O verdadeiro Estado da Nação...

Cada um de nós consegue percepcionar, no seu dia-a-dia e na relação com os outros, o estado socio-económico do país. Podemos ainda recorrer às estatísticas para percebermos até que ponto Portugal, no contexto europeu e mundial, está no bom ou mau caminho.
Por outro lado, há que saber distinguir estado da governação de estado da Nação, apesar de, muitas vezes, estas duas avaliações estarem muito próximas uma da outra.
Desde os tempos do Governo de Guterres que se apostou numa política social de "financiamento" da pobreza instalada, com a concessão indiscriminada de subsídios, rendimentos mínimos e abonos aos que declaram baixos rendimentos, tendo-se ignorado a diminuição constante do poder de compra da classe média, nomeadamente dos funcionários públicos. Agora temos os resultados dessa política: os pobres de há dez anos continuam pobres e a classe média empobreceu. O endividamento das famílias aumenta. O desemprego aumenta. A emigração aumenta. A insegurança aumenta. Enfim, o país está sem um rumo definido, dependente dos ventos que soprem de Bruxelas...

quinta-feira, julho 10, 2008

Acabe-se com esta vergonha!!!

A menos de 500 metros do principal shopping-center da região Centro do país (o novo Palácio do Gelo) e à beira da principal entrada rodoviária de Viseu assiste-se, há muitos anos, a um triste espectáculo de prostituição de rua, onde coabitam miséria, imundice, mau exemplo e falta de higiene. Uma vergonha!!!
A Câmara Municipal de Viseu sabe há muito tempo desta situação e nada tem feito para acabar com este problema social. Alguns poderão dizer que não é competência camarária acabar com a prostituição de rua, mas não tenhamos dúvidas que a protecção do espaço público é um dos deveres das autarquias. E naquele "buraco" à beira da estrada assiste-se ao completo desprezo pelo espaço público.
Por outro lado, desde o tempo do Estado Novo que parece que os poderes públicos têm feito da prostituição de rua um tema tabu. Ninguém ousa falar sobre o tema. Pelo contrário, na Itália estudam-se propostas que visam controlar a crescente prostituição nas ruas, avançando-se com soluções como a criação de distritos reservados para a prostituição, assim como a legalização dos bordéis e a aplicação de penas de prisão perpétua para os condenados de praticarem actos de lenocínio.
Enquanto não aparecer um Governo que tenha a coragem de alterar a actual (des)lei que se aplica sobre a prostituição teremos que continuar a conviver com esta vergonha de vermos mulheres a "venderem-se" em pleno espaço público, muitas vezes em condições de autêntica imundice, que dão uma imagem vergonhosa de algumas zonas das nossas cidades. Torne-se ilegal a prostituição de rua e certamente que estas vergonhas terão os dias contados...

sábado, julho 05, 2008

Vergonha às portas de Viseu

Vivo em Viseu há cerca de cinco anos. A impressão que tenho da cidade para se viver é bastante positiva: a existência de ordenamento urbano, de boas acessibilidades, de muitos espaços verdes, de comércio diversificado e de um razoável índice de segurança. Enfim, uma cidade média onde vale a pena viver...
Infelizmente, habituei-me a ter de assistir, numa das principais entradas da cidade junto à A25 (por onde passo todos os dias rumo ao meu local de trabalho) à forma ilegal, mas sobretudo imunda, como uma família de ciganos se fixou num local à vista de todos aqueles que entram na cidade vindos de Sul. No entanto, outras duas entradas da cidade (a Norte e a Oeste) apresentam também sinais de invasão por parte de elementos desta comunidade étnica. Numa cidade que honra a limpeza, o planeamento e o bem-estar, não se percebe como é que as autoridades locais não colocam ordem nesta situação. Em cinco anos que levo de vivência nesta cidade não tenho visto, por parte das autoridades responsáveis, a adopção de uma verdadeira política de erradicação destas barracas que povoam as entradas da cidade. O mesmo se poderá dizer em relação a duas zonas da cidade frequentadas por prostitutas e que ficam à vista de todos aqueles que se dirigem para a cidade vindos de Sul e Oeste. Veja-se a foto que mostra bem a forma impune como a sujidade impera à beira da estrada em plena cidade de Viseu...
Estes são dois dos problemas que atingem muitas das cidades portugueses e cuja resolução parece não ter efectividade. Por medo, por desleixo ou simplesmente por incapacidade, considero miserável que em pleno século XXI tenhamos que continuar a ter barracas de ciganos e zonas de prostituição à vista de toda a gente em muitas das entradas de cidades portuguesas. Não defendo a guetização destas situações, mas tão só a sua erradicação, através de uma política séria de integração social!!!

terça-feira, julho 01, 2008

A multiplicação dos pobres...

Vivo em Viseu há apenas cinco anos, os mesmos que levo de casado. Neste período de tempo, a vivência nesta cidade média do Interior, permitiu-me compreender até que ponto a pobreza urbana, até agora característica das principais cidades do litoral (nomeadamente Lisboa e Porto) se propagou um pouco por todo o país, qual praga nacional do século XXI...
Nos últimos tempos, os sinais da carência porque passam muitas pessoas deste país (contam-se nas estatísticas 2 milhões de pobres em Portugal) começaram a ser mais evidentes, fazendo lembrar as paisagens urbanas de mendicidade de muitas das avenidas de Lisboa quando por lá estudei há uma década atrás.
Passei a minha adolescência na Covilhã e nunca por lá vi um mendigo na rua a pedir esmola. Quanto muito, apareciam alguns ciganos vindos das aldeias em redor a tocar à campainha de casa para pedir alimentos e roupas. Depois, com 18 anos, fui estudar para Lisboa e não havia dia que não passasse por algum mendigo, fosse no metro, à entrada dos shoppings ou nas artérias mais importantes da cidade. Em 2003 fixei-me em Viseu e raramente via alguém na rua a pedir (quanto muito à terça-feira, dia da feira semanal, lá apareciam ciganos a pedir na Rua Direita). Mas, de há uns meses a esta parte a mendicidade parece não abrandar e, cada vez que me desloco para o centro de Viseu, é raro o dia em que não encontro pessoas idosas sentadas no chão a pedir dinheiro para comer, romenos com bebés ao colo a suplicar esmola junto aos semáforos, crianças com cães "amestrados" a pedir dinheiro aos transeuntes, enfim, episódios intermináveis de pobreza... E, volto a lembrar, numa cidade do Interior do nosso país...
Hoje resolvi levar a máquina fotográfica para o Rossio e não faltaram oportunidades para registar a prova de como aquilo que digo é verdade...

quinta-feira, junho 26, 2008

A procura da ilusão ou o confronto com a realidade

Nos últimos dias ficámos a saber do sucesso de um livro que pretende servir de auto-ajuda para aqueles que não se encontram satisfeitos com a sua vida, seja a nível económico ou social, seja em termos amorosos ou até de saúde. O livro chama-se "O Segredo", supostamente revelado pela autora com vista à generalização da felicidade alheia.
Será a leitura deste livro (li umas partes na Bertrand para poder opinar sobre o mesmo) uma solução credível e séria para enfrentar os problemas com que nos confrontamos? Não creio. Parece-me mais uma mera ilusão...
Seria interessante conhecer o leitor típico deste livro. Aposto que, maioritariamente, será do sexo feminino, com uma idade compreendida entre os 25 e os 40 anos, solteira ou desgostosa de amores. Não me apelidem de sexista, mas deixo aqui um conselho a um(a) possível leitor(a) do livro em questão que possa estar a ler este artigo: em vez de gastar 13 Euros num livro de mera "charlatanice", confraternize. Pior ainda (ou seja mais caro e sem grandes melhorias) será consultar um psiquiatra... Fechar-se na "concha" do segredo é a pior solução; actuar de forma racional é o caminho a seguir...

segunda-feira, junho 23, 2008

Lembram-se? Uma vergonha!

Ficámos hoje a saber que o líder da oposição do Zimbábue viu-se obrigado a desistir da segunda volta das eleições daquele país africano para assim evitar que se multipliquem os "banhos de sangue" que nos últimos tempos têm sido de frequência diária...
A UE pouco diz sobre o assunto e a ONU está submersa num silêncio vergonhoso... Assistimos apenas a pedidos e mais pedidos!!! Com ditadores não se pede nada; exige-se... Há menos de um ano José Sócrates não se coibiu de dar palmadinhas nas costas do ditador zimbabueno que veio a Portugal passar uns dias de férias à custa de uma pseudo-cimeira UE-África. A UE não teve a capacidade e a elevação de se furtar ao "politicamente correcto". Sério e rigoroso teria sido levar a cabo uma verdadeira política de fomento da paz e da democratização do continente africano, quer fosse através do fortalecimento dos poderes do Tribunal Penal Internacional, quer fosse através de uma política de persuação de possíveis aliados africanos...