quarta-feira, janeiro 14, 2009

Para os que condenam Israel...

A guerra que há três semanas eclodiu entre as forças armadas de um país soberano e democrático e um grupo fanático, terrorista e antidemocrático tem sido pretexto para o confronto de diferentes pontos de vista sobre a legitimidade de recorrer à força militar para defender uma Nação...
Sejamos claros! Israel é um dos países mais democráticos do mundo, onde a defesa dos cuidados de saúde, a elevação da qualificação/educação e a promoção da qualidade de vida da sua população constituem princípios básicos das políticas nacionais. Em Israel, a liberdade de expressão é um dado adquirido. Pelo contrário, na Palestina, o povo está refém de um grupo terrorista que se julga "dono" dos valores defendidos por um povo iletrado, sujeito ao delito de opinião, cujas crianças são, desde cedo, moldadas com fins belicistas.
O Hamas, como muitos outros grupos terroristas espalhados pelo mundo, sobrevive à custa da ignorância dos seus súbditos. Já em Israel, a diversidade de pontos de vista (ortodoxos, liberais, conservadores) não impede que um povo se una em defesa do seu território e das suas gentes.
Para aqueles que (ainda) defendem a postura tomada pelo Hamas e se deixam levar pela propaganda veiculada por muita da comunicação social, com a promoção de imagens chocantes, deixo-vos com esta imagem que é prova de como é o Hamas que promove a guerra. Uma guerra que não é só militar, mas também de princípios, valores e atitudes...

quinta-feira, janeiro 08, 2009

Não vale a pena radicalizar. Em Setembro, Sócrates vai ter a resposta dos professores...

O DN publica hoje, em primeira página, que alguns dos sindicatos de professores ponderam a possibilidade de defender a convocação de uma greve por tempo indeterminado por forma a forçar o Governo a mudar de posição quanto ao actual modelo de avaliação de desempenho docente. Este jornal, órgão (quase) oficial do Governo, tem vindo a promover, nos seus editorais e colunas de opinião, uma campanha de desinformação sobre a temática da educação, chegando, muitas vezes, através de Fernanda Câncio e outros jornalistas, a denegrir a própria imagem da classe profissional dos professores... Agora lança o medo sobre o país, tentando colocar pais contra professores!
Já Maria de Lurdes Rodrigues tem vindo a optar, através do seu mensageiro-mor Pedreira, pela estratégia da ameaça e chantagem, tentando com que os professores tenham medo de fazer valer a sua opinião. Gostaria de ver mais de 100 000 profissionais a serem alvo de um processo disciplinar colectivo por não entregarem um documento cuja legislação não o confere como de entrega obrigatória.
Quanto aos sindicatos, depois de terem assinado um memorando de entendimento contra a vontade dos seus representantes, sentem-se obrigados a, finalmente, irem atrás das circunstâncias. E as circunstâncias resumem-se à opinião dos professores deste país... Os professores deixaram de estar reféns da Fenprof...
Podem os professores continuar a ser marginalizados por este Governo ou a ser ignorados por muitos supostos encarregados de educação deste país, mas é quase certo que será a classe docente a retirar, daqui a pouco mais de meio ano, a maioria absoluta ao PS. Vai uma aposta???

domingo, dezembro 21, 2008

Feliz Natal!!!

O espírito natalício toma conta dos nossos corações há já várias semanas. Claro que, como diz o povo, Natal verdadeiro é aquele que é vivido quando um Homem quiser e o melhor mesmo é que seja vivido todos os dias do ano.

Cá em casa, desde há três anos que o Natal tem outro "sabor", muito especial... Depois do nascimento da Diana em pleno Natal, pouco depois da meia-noite de 25 de Dezembro de 2005, esta época do ano é vivida de uma forma muito especial que se prolonga pelo resto do ano dada a felicidade que a Diana e o irmão Pedro proporcionam aos papás. Não me restam dúvidas que o Natal é mesmo a festa das e, sobretudo, para as crianças. É que Natal sem crianças não tem o mesmo significado!!! Desde há três anos que, cá em casa, esta época festiva é passada de uma forma verdadeiramente única. A Diana, que ainda acredita no Pai Natal não se cansa de vibrar com o homem das barbas brancas. Já o Pedro, com pouco mais de um ano, só quer estar junto da árvore de Natal. Tem sido um mês igual aos outros onze meses do ano: envolto na alegria contagiante e vibrante destes dois reguilas!!!

A todos aqueles que aqui constumam passar, desejo um Natal vivido no verdadeiro espírito de concórdia, paz e amizade.

quinta-feira, dezembro 11, 2008

Deputados sem-vergonha!!!

O que se passou na última sexta-feira na Assembleia da República, acrescido de tudo aquilo que se tem vindo a saber nos últimos dias pela comunicação social é sinal do imenso desprezo que muitos deputados provam ter por aqueles que têm a obrigação de representar.
Urge reformar por completo este sistema político que permite que na Assembleia da República impere a "rebaldaria" e o "quero, posso e mando". Então, dezenas destes indivíduos assinam o livro de ponto e não vão às votações em Plenário??? É preciso descaramento...
Eu se me atrasar a chegar à sala de aula onde tenho os meus alunos à espera arrisco-me a levar falta no livro de ponto. O mesmo não acontece com os deputados que, pelos vistos, fazem o que bem lhes apetece em termos de presença nas sessões plenárias. Mas, há mais profissões onde a rebaldaria impera. Só alguns exemplos: basta ir a um hospital ou a um centro de saúde para nos apercebermos da falta de respeito que muitos médicos têm pelos pacientes que, impacientemente, esperam por uma consulta; também num tribunal, é raro o julgamento que começa a horas, por atraso do juíz que chega quando quer e lhe apetece; também nas universidades reina o "sem rei, nem roque", com professores universitários a darem aulas de 90 minutos quando estão programados 120 minutos!!! Enfim, muitos mais exemplos poderiam ser aqui dados. Mas, este último caso ocorrido na Assembleia da República é demasiado vergonhoso para que não existam consequências efectivas. Urge saber quais os deputados que, pura e simplesmente, se baldaram ao serviço...

Adenda:
No Diário de Notícias de hoje li um artigo publicado pela jornalista Fernanda Câncio que demonstra até que ponto a ignorância pode tomar conta de gente supostamente culta e informada. Esta senhora escreve um texto em que desanca forte e feio nos professores, como se estes fossem uma cambada de lambões e queixinhas. Socorre-se de estatísticas da OCDE para tentar provar que a classe docente portuguesa é privilegiada e que, por isso, deveria manter-se calada, em vez de manifestar a sua revolta perante o actual estado de coisas.
Afirma esta senhora que os professores portugueses estão em vantagem no seio dos países da OCDE em termos de tempo de trabalho, rácio alunos/professor e níveis salariais. Esquece-se porém de vários promenores: 1. o trabalho extra-lectivo não é tido nas contas da OCDE; 2. menos alunos por docente não significa automaticamente melhoria da qualidade das aprendizagens; 3. a massa salarial deveria ter em conta não o salário médio nacional de cada país, como faz a OCDE, mas a média dos salários dos docentes dos países da OCDE. Assim, os seus números virar-se-iam de pernas para o ar. Aliás, o recurso às estatísticas pode ser enganador quando se trata de avaliar a Educação de um país. Veja-se o exemplo deste Governo PS que, com ambição de colocar Portugal no topo das estatísticas da Educação da UE optou pelo caminho do facilitismo, de que a falta de rigor e exigência dos últimos exames nacionais são o cabal exemplo de como os números podem ser redutores. Um conselho para a dita jornalista: fazendo juz à sua profissão saia do gabinete e realize um trabalho sério de investigação jornalística, indo para uma escola durante uma semana para ver o que é a verdadeira arte de ser professor. Investigue, não nos números, mas inserindo-se na realidade escolar. Vários colegas seus já o fizeram e deram a conhecer a realidade da função docente. Ah, já agora, para quando um artigo o que pensam os portugueses dos políticos e professores???

terça-feira, dezembro 02, 2008

Um nevão para recordar!!!

Finalmente, tivémos um daqueles nevões à antiga!!! Durante três dias nevou de forma intensa e a neve cobriu vastas regiões do Norte e Centro do país. Fez-me recordar muitos dos Invernos da minha adolescência passada na minha terra natal: a Covilhã.
Lembro-me como se fosse hoje... Nos dias de frio intenso e chuva, acordava e quando chegava à janela e via o quintal coberto de um manto branco ficava entusiasmadíssimo. Sabia que não haveria aulas e ficava o dia inteiro a divertir-me com os meus amigos de bairro...
Agora são os meus filhotes que ficam imbuídos de uma alegria enorme, sobretudo a mais velha. Com quase três anos, a Diana assistiu ao seu primeiro grande nevão. No sábado, fomos à Aldeia da Serra, perto do Sabugueiro, no domingo deslocámo-nos ao Mezio, perto de Castro Daire e na segunda-feira encontrámo-nos com um grande amigo, o Quim Zé, em Trancoso... Foram três dias repletos de neve, de aventura e de muitas alegrias. Adorámos...
Agora é esperar pelo próximo fim-de-semana para irmos à Covilhã visitar a família e aproveitar-mos a neve que há na Serra da Estrela... A neve que está por lá vai durar muito tempo. Por isso, aproveitem e façam uma visita à mais bela serra de Portugal...

sexta-feira, novembro 28, 2008

Portugal e a crescente emigração...

Segundo um estudo realizado pela Comissão Europeia, Portugal tem a mais alta percentagem de trabalhadores que escolheram viver noutros países da União Europeia. Aliás, nos últimos quatro anos, já atingimos valores semelhantes aos verificados nos países de Leste. Esta é a prova de como o nosso país está muito longe da ilusão que José Sócrates nos tenta impingir, com a propaganda e marketing políticos que todos os dias nos entram em casa por via dos noticiários televisivos!!!
Ora, tendo em conta a crise que se irá apoderar do nosso país nos próximos anos e o retorno forçado de muitos emigrantes portugueses que foram há uns anos para Espanha e para o Reino Unido (dois dos mais recentes destinos prioritários da emigração nacional), é muito provável que a taxa de desemprego se aproxime dos 10% e que as dificuldades financeiras atinjam milhares de famílias, com graves consequências sociais...
Sócrates, que gosta tanto de números e de "trabalhar" para as estatísticas (veja-se a vergonha que tem sido a política de educação, visando o sucesso escolar forçado!), deveria lembrar-se que em 2007, o rendimento nacional bruto per capita português foi de apenas 64% da média dos 15 membros clássicos da UE. Só alguns países do Leste tiveram pior desempenho.
A emigração é sinal de desespero. O regresso forçado ao país de origam é sinónimo de dificuldades. A crise está a instalar-se aos poucos e o Governo continua a vender ilusões. Portugal precisa de um novo preciso um novo Sá Carneiro!!!

segunda-feira, novembro 17, 2008

Só não vê quem não quer!!!

Até Vasco Pulido Valente conseguiu enxergar!!! Será que Miguel Sousa Tavares e outros que se julgam intelectuais conseguem lá chegar. O único propósito da política educativa deste Governo resume-se a duas palavras: sucesso estatístico!!! "Custe o que custar", pensará a Ministra.
Desde a lógica das Novas Oportunidades, dos CEF`s, dos PIEF`s e dos cursos profissionais até tudo o que rodeia a nova gestão das escolas e o modelo de avaliação dos professores, passando até pelo próprio Estatuto do Aluno, o grande anseio de Maria de Lurdes Rodrigues passa por levar a Bruxelas dados estatísticos que evidenciem a melhoria do sucesso escolar.
"Há que pôr os alunos a passar de ano, há que evitar as retenções, há que melhorar os resultados nos exames, há que pôr em ordem os professores que dão muitas negativas aos seus alunos", terá dito Sócrates a Maria de Lurdes Rodrigues. Esta, qual súbdita do seu general, tudo tem feito para não desiludir ao seu superior.
Facilitismo é palavra que este Ministério não quer ouvir falar. Mas, a verdade é só uma, e só os mais ingénuos ou aqueles que não fazem a mínima ideia de como, por estes dias, funciona uma escola é que ainda ousam pensar que a palavra de ordem é "exigência". Mentira!!! O que este Governo quer é mostrar serviço em Bruxelas, à custa do fomento da ignorância da maior parte dos alunos. Alunos estes que serão, num futuro breve, adultos iliterados, sem formação, sem educação e sem propósitos. Uma miséria...

quarta-feira, novembro 05, 2008

Um dia histórico!!!

Obama é o novo Presidente dos EUA, pelo que está aberto o caminho para o estabelecimento de uma nova ordem internacional, assente na paz, na democracia e na redução das desigualdades mundiais.
Com a vitória de um afro-americano para o principal cargo político mundial, não restam dúvidas de que tudo é, realmente, possível de ocorrer nos EUA. Esta é a maior democracia do mundo e o país onde todos podem almejar a conquistar o chamado "sonho americano".
Agora é tempo de terminar com a festa e arregaçar as mangas. Acredito sinceramente que Obama, caso não venha a ser alvo de um qualquer atentado perpretado por fanáticos radicais (que cada vez os há mais!), seja capaz de liderar o mundo, tendo como ideais a paz, a democraticidade e o desenvolvimento humano. Que a sorte o acompanhe...

sexta-feira, outubro 31, 2008

Uma eleição verdadeiramente planetária...

Aproxima-se o dia que poderá ser decisivo, não só para o futuro dos EUA, mas também para o dealbar de uma nova ordem mundial. Obama surge, aos olhos da generalidade das opiniões pública e publicada mundiais, como o possível "salvador" de um mundo que tende a ser cada vez mais desigual e injusto.
Um homem que foge ao estereótipo do típico Presidente dos EUA e que rompe com tudo aquilo que tem sido a vida política americana nos últimos dois séculos! Obama é a junção do homem branco e negro, do homem formal e informal, do homem rico e pobre, enfim, é a multiculturalidade em si mesmo, o que lhe traz benefícios e contratempos. Na hora da verdade, muitos serão os americanos a colocar em dúvida para que lado devem pender: se para a razão ou a para a emoção...
O mundo aguarda ansioso pelos resultados de terça-feira. A crise financeira transformou estas eleições no possível ponto de viragem da ampulheta da incerteza... Entretanto, e caso se confirme a (desejada) vitória de Obama, não se deve colocar de lado os perigos que poderão emergir com um "mestiço" à frente do país mais poderoso do mundo: ver-se-á até que ponto é que a América conservadora e dada aos fanatismos e contradições quer ou não mudar de rumo.
O mundo anseia! E, ao mesmo tempo, desespera. Espero sinceramente que Obama não desiluda e saiba arregaçar as mangas e pôr mãos à obra. A bem do mundo!!!

domingo, outubro 19, 2008

O que é que a Ministra quer? Milagres?

Afirma também que a repetência é um erro que deve ser evitado pelos professores, pelo que o ideal é que os alunos não tenham de ficar no mesmo ano de escolaridade dois anos seguidos. Enfim, comentários de quem está profundamente a leste do que realmente é uma escola.
Para a Ministra, a Escola deve ter como primeira tarefa qualificar os jovens. À custa de quê é que ela não diz!!! Será à custa do facilitismo e do abaixamento do nível de exigência? Será à custa da deturpação das regras da assiduidade e da disciplina? Será à custa da procura frenética pelo sucesso estatístico??? Se não é, parece...
Este ano tenho uma turma do secundário do curso profissional de Turismo Ambiental e Rural. Tenho alunos para todos os gostos, desde os que pretendem vir a trabalhar no sector turístico até aos que dizem "cara na cara" estar na escola para passar o tempo. Ora, pela lógica da Ministra estes alunos que estão na escola para passar o tempo deveriam pura e simpesmente ser "afastados" do sistema ou, por um passo de magia, serem alvo de um qualquer acto psicológico que os fizesse mudar de opinião. Ora, o que acontece na prática é que as directivas emanadas do Ministério, em forma de decreto-lei ou de circular, quase que forçam os docentes a não reprovarem os alunos que vão para os cursos profissionais. Mais: caso os alunos tenham perdido, com justificação, mais de 10% das aulas programadas o professor terá que o compensar com aulas, sem que este serviço seja considerado como tempo lectivo extraordinário. Melhor ainda: no primeiro teste que dei a esta turma tive alunos que não souberam realizar uma simples multiplicação (ver imagem para acreditar). Uma miséria!
Para a Ministra a culpa deste alunos não saberem, no 10º ano de escolaridade, fazer uma simples conta de multiplicar é, certamente, dos professores que tiveram em anos anteriores. Para a Ministra, esse professores irresponsáveis não souberam ensinar. Para mim, a culpa está no sistema que incentiva os professores a passarem alunos que não atingiram as competências básicas. Resultado: cada vez temos mais alunos a passarem tempo na escola, em vez de aí estarem com a intenção de aprender...
Como diz o outro, e o burro sou eu???

domingo, outubro 05, 2008

5 de Outubro: dia mundial dos professores. E, em Portugal, dia dos mal-tratados!!!

Mais um Dia Mundial dos Professores. Desde há uns anos a esta parte, um dia para a comunicação social relembrar a forma como os professores portugueses são mal tratados, quer seja pela tutela, quer seja pela generalidade dos pais, que pura e simplesmente, ignoram a vida escolar dos seus educandos.
Muitos dos meus amigos que não são professores têm uma ideia muito errada da função docente. Afirmam que nós, professores, temos uma vida facilitada, trabalhamos poucas horas por semana, temos férias como nenhuma outra profissão e ganhamos muito bem para aquilo que produzimos. E, agora, com os Magalhães até nos atiram à cara que podemos dar as aulas mandando os alunos consultar a matéria na Internet. Puros disparates vindos de quem não faz a miníma ideia da nobreza e responsabilidade da função docente...
Pois bem, quando me vêm com a conversa que os professores "não fazem nada" apenas responde que, tal como em todas as profissões, há os bons, os razoáveis e os maus... Mas, também lhes dou a conhecer o meu caso para perceberem se, realmente é fácil ou não, ser-se professor neste país.
Este ano lectivo lecciono a disciplina de Geografia a quase duzentos alunos, distribuídos por sete turmas de três níveis diferentes, desde o 7º ano ao 9º ano. Tenho ainda a meu cargo a disciplina de Turismo e Técnicas de Gestão do 10º ano. Passo, de 2ª a 6ª feira, no mínimo, 35 horas na escola, distribuídas por aulas, reuniões ordinárias e preparação de aulas. Isto sem contar o tempo gasto em casa com trabalho da escola!!! Quando tenho reuniões de departamento ou conselhos de turma, as horas na escola prolongam-se até mais tarde. Por exemplo, na passada semana, tive um dia em que cheguei à escola às 8. 20H (como habitualmente) e saí de lá às 20.20H. Prejudicados, mais do que eu, foram os meus filhos e a minha esposa. Vida fácil? Então o que dizer quando tenho de corrigir 220 testes? A dez minutos, no mínimo, cada teste, perfaz um total de 36 horas só para corrigir testes de avaliação. Depois há que lançar as notas no Excel e fazer médias e mais médias. Tudo a mando do Ministério da Educação.
E, agora, a novidade que vai fazer com que muitos professores passem mais tempo à volta dos papéis, das grelhas e dos planos, do que a preparar aulas para os seus alunos: a avaliação de desempenho docente. Há escolas que obrigam o professor a elaborar um plano rigoroso e pormenorizado de cada aula leccionada. Para quê? Para ficar no portefólio de avaliação do docente. Meras burocracias que em nada contribuem para o sucesso dos alunos.
E falta falar do ambiente "de cortar à faca" que impera em muitas escolas deste país. Porquê? Porque o ME resolveu dividir os professores em titulares e não titulares, destruindo o espírito de cooperação que se exija a qualquer escola e colocando docentes contra docentes. Ainda na semana passada, numa reunião de departamento, uma colega minha de Filosofia se indignava por ter de vir a ser avaliada por uma colega de Geografia...
Para finalizar apenas há que dizer que, com o novo Estatuto da Carreira Docente, me arrisco a ter de dar aulas até aos 68 anos (recordo que lecciono desde os 21 anos) e a ficar com uma reforma a rondar os 1500 Euros. Como dizem os italianos "porca miseria"...

sexta-feira, setembro 26, 2008

O triunfo das máquinas!!!

O actual Ministério da Educação vangloria-se a toda a hora como o grande protagonista da revolução tecnológica em curso na área do educação em Portugal. Depois de no ano lectivo passado, os professores e alunos do ensino secundário terem tido a possibilidade de adquirir um portátil com ligação à Internet sem fios a preços reduzidos, independentemente do real uso que lhe seria dado, eis que, no actual ano lectivo tivemos a novidade do Magalhães: um portátil de reduzidas dimensões, mas grandes potencialidades, a preços de saldo e colocado à disposição dos alunos de mais tenra idade...
Enquanto os quadros interactivos, os projectores multimédia e os computadores não são generalizados a todas as escolas e a todas as salas de aula, é já possível vermos alunos de seis anos agarrados ao Magalhães, qual "io-io" do século XXI!!! Os alunos da minha esposa, que é professora do 1º ciclo, já a questionaram várias vezes a propósito do Magalhães. E os pais também não se cansam de lhe perguntar "quando é que os Magalhães chegam aqui à escola?"
Apesar da iliteracia ser um problema em crescente evolução e do cálculo matemático mais elementar, como a tabuada, andar pelas ruas da amargura, o que está na moda, para os alunos portugueses é andar agarrado ao telemóvel e daqui a uns tempos ao Magalhães. Tudo, obra e graça deste Ministério da Educação...
Aquilo que poderia ter sido uma boa aposta, levada a sério e de forma sustentada, está a transformar-se numa "roda viva" e num problema que evidencia, por parte de muitos alunos e, sobretudo, dos próprios pais, uma possibilidade de adquirir um portátil a preço de saldos, sem controlo pelo verdadeiro uso que lhe é dado...
Só um exemplo: miúdos com seis anos que ainda não sabem distinguir as letras do alfabeto, mas que anseiam desesperadamente pelo momento de terem o seu Magalhães. Para quê? Para brincarem ou para os seus pais poderem ir à net a preços baixos? A política tem destas coisas e a caça ao voto não é desperdiçada!!!

quarta-feira, setembro 17, 2008

Um mundo (cada vez mais) virado do avesso!!!

Os mais recentes dados da FAO (Agência da ONU para a Alimentação e Agricultura) dão conta do descalabro a que o mundo chegou com a história dos biocombustíveis. Em apenas um ano a fome no mundo aumentou de 850 milhões para 925 milhões de indivíduos. Ou seja, é possível dizer que em cada seis seres humanos um deles passa fome. Vergonhoso!!! A FAO afirma que seria possível reduzir este flagelo se, por ano, fossem investidos 30 mil milhões de dólares para duplicar a produção agrícola. Ora, sabendo nós que por estes dias a Reserva Federal dos EUA e o Banco Central Europeu têm injectado dezenas de milhares de milhões de dólares no mercado financeiro para evitar a falência de instituições financeiras, facilmente chegamos à conclusão que a falta de dinheiro não é justificação razoável para que este problema não se resolva.
Para além das catástrofes naturais que atingem muitos dos países onde a fome é mais intensa, o problema principal reside, em minha opinião, na incapacidade manifestada pela ONU para saber lidar com os ditadores que (des)governam muitos dos países de África e da Ásia onde a fome atinge milhões de seres humanos. Se a ONU fosse uma organização para levar a sério, teria força suficiente para colocar na ordem parasitas políticos como o Presidente do Sudão e outros afins que enriquecem à custa do povo miserável que ignoram.
Para piorar ainda mais a situação, venderam-nos a ilusão dos biocombustíveis. Deixe-se a terra para o cultivo de bens alimentares, trate-se da vida aos ditadores e invista-se nos carros híbridos e eléctricos. Aí poderá estar a solução para resolver dois problemas de uma só vez...

quarta-feira, setembro 10, 2008

O sucesso escolar do Governo Sócrates

Argumento de José Sócrates, Maria de Lurdes Rodrigues e Valter Lemos para estes dados estatísticos: "Mais tempo de aplicação no trabalho e no estudo é o que permite melhorar".
A verdade é que, actualmente, a legislação vigente, com destaque para a catadupa de circulares que todos os dias chegam às escolas emanadas do Minsitério da Educação, quase que impede um Conselho de Turma de reter um aluno que não esteja em final de ciclo. Por outro lado, um aluno que tenha já uma retenção no seu historial escolar tem quase "porta aberta" para progredir de ano, tal é a quantidade de papéis, reuniões e burocracias que têm de se efectivar para reter esse aluno. Ah, e não nos esqueçamos da realidade dos CEF`,s, dos PIEF`s, dos cursos profissionais e das Novas Oportunidades!!! O facilitismo é tanto que só um aluno verdadeiramente "hiper-baldas" é que não consegue concluir este tipo de cursos.
Enfim, tenho pena daqueles que acreditam no que a máquina de propaganda deste Governo vai debitando para a opinião pública acerca deste suposto sucesso escolar. E, tenho pena dos professores, alguns colegas meus, que já desistiram de elevar a fasquia da exigência. No meu dia-a-dia de professor, a palavra que mais tenho ouvido nestes últimos anos é a prova de como a realidade é mais que sombria: "desilusão". Com a avaliação do desempenho docente, a tendência será para este suposto sucesso escolar aumentar. Não porque os alunos saibam mais, mas porque muitos professores já se deixaram levar pela onda do facilitismo. Infelizmente...

quarta-feira, setembro 03, 2008

Uma Justiça "troca-tintas"...

Dois juízes, o mesmo caso, decisões completamente opostas!!! Esta é a Justiça que temos, que ora se diz, ora se desdiz! Uma vergonha. A decisão da juíza Amélia Loupo a favor das pretensões de Paulo Pedroso, acusando a decisão do juíz Rui Teixeira de errada, mereceu da parte de muita gente ligada à Justiça, com destaque para o Bastonário da Ordem dos Advogados, um elogio à forma de se fazer Justiça. Caso a decisão da juíza tivesse sido outra ou venha ainda a ser numa instância superior já tinhamos mais um caso de injustiça.
O que me apetece dizer com esta história toda é muito simples. Temos uma Justiça à altura do nosso país político: pequenina e imparcial. Ainda há pouco ouvi no jornal da SIC uma notícia que deveria corar de vergonha todos aqueles que agora vieram elogiar a Justiça portuguesa: um tipo que matou a sua ex-namorada, regando-a com gasolina e ateando-lhe fogo, foi hoje libertado, depois de três e quatro meses de prisão, porque a decisão ainda não transitou em julgado, dado que tem vindo sucessivamente a recorrer para instâncias superiores e o prazo de prisão preventiva chegou ao fim. Uma vergonha... A rapariga morreu, a família sofre e o miserável do homicida que apenas levou 20 anos de pena de prisão vai agora de "férias" para casa.
A nossa Justiça é tudo menos justa. É miserável!!!

quarta-feira, agosto 27, 2008

Os russos devem andar loucos!!!

Os russos devem andar loucos! Com uma China que, na última década, tem vindo, sucessivamente, a mostrar ao mundo a sua capacidade de crescimento económico, a realidade russa foi esquecida da política internacional... Aliás, desde a implosão da URSS em 1991, que a Rússia tem dado ao mundo uma figura triste de si, com uma população que continua a querer emigrar, um nível de vida médio abaixo do razoável e uma minoria de milionários que enriqueceram à custa do conluio do poder político e da exploração das riquezas naturais do país. De resto, continuamos a ter uma Rússia que "sobrevive" à custa da sua dimensão geográfica, mas que, de resto, não se consegue impôr nas difíceis relações internacionais de um mundo cada vez menos bipolar...
A recente declaração do "Presidente-fantoche" russo Medveded de apoiar a independência de duas regiões da Geórgia, depois de uma vergonhosa e ilegal invasão em território alheio, apenas demonstra a necessidade que o "vilão" Putin tinha de avisar o mundo que a Rússia ainda existe... Agora que o estrago está feito, é tempo da comunidade internacional, com EUA e UE à cabeça, não serem complacentes com a estratégia russa. É tempo de isolar os russos, visto que está provado que com eles, o Ocidente não pode contar. A ilusão do Império Russo continua a ser uma pretensão do poder político russo.
Recorde-se que o conflito Rússia-Geórgia teve o seu início em 1999, quando os russos acusaram o Governo da Geórgia de apoiar os rebeldes Tchetchenos. Desde aí que os russos começaram, por vingança, a apoiar as pretensões dos revoltosos da Abcásia e da Ossétia do Sul. O precedente que foi o mundo ocidental apoiar a independência do Kosovo e as boas relações da Polónia e de alguns dos seus vizinhos com os EUA (o caso dos anti-mísseis com a fronteira da Rússia) só deram mais força às pretensões russas.
Agora temos a ameaça russa de mais uma Guerra Fria, com tendência para aquecer à medida que as eleições nos EUA se aproximam. Mais uma vez o mundo está refém do futuro Presidente dos EUA para puxar as orelhas aos russos. De resto, a UE prefere ir a reboque dos EUA. Como sempre...

segunda-feira, agosto 18, 2008

Viagens na minha terra... Portugal!

Depois de nos últimos anos termos passado férias no Gerês, eu e a Salete resolvemos este ano partir à descoberta, com os nossos filhotes, de um Portugal diferente. Um Portugal longe das confusões bem típicas nesta altura do ano em boa parte do litoral português. Dividimos as férias em duas partes. Na primeira semana fomos para a região da Estremadura e passeámos pela cidade de Lisboa. Visitámos o Oceanário e o Jardim Zoológico para felicidade da Dianinha e do Pedrinho. A foto do lado direito foi tirada em Mafra, na aldeia de João Franco, onde são dadas a conhecer muitas das tradições do Portugal profundo e que deveria ser visita obrigatória para qualquer adolescente. Dirigimo-nos um pouco mais para norte e percorremos as grutas de Alvados, na região de Leiria. Fomos ainda ao Mosteiro de Alcobaça e à bonita vila de Óbidos.

Depois de uma breve passagem pela Covilhã, a minha terra natal, iniciámos a segunda semana de férias tendo como destino o Alentejo. Fixámo-nos em Évora e ao longo de vários dias percorremos todo o interior alentejano. Só para conhecer toda a história monumental da cidade intra-muralhas de Évora necessitámos de dois dias, de manhã à noite. A bonita Praça do Giraldo, a majestosa Igreja de São Francisco com a arrepiante Capela dos Ossos, a grandeza do Templo de Diana, o longo e imponente Aqueduto e muitos outros monumentos desta "Capital da Humanidade" mereceram a nossa visitam. Nos outros dias visitámos Portalegre, Estremoz, Évoramonte, Elvas, Vila Viçosa, Alandroal, Monforte, Marvão (patente na foto do lado esquerdo), Castelo de Vide e ainda tivémos tempo de ir conhecer o centro histórico de Badajoz.

Enfim, não se poderá dizer que estas foram umas férias para descansar, mas, como diz o povo, "quem corre por gosto não se cansa". Ah, e não posso deixar de me referir à gostosa gastronomia alentejana. Aliás, muitos dos restaurantes onde fomos almoçar e jantar serviram-nos "bom e barato", com destaque para o "Escondidinho" em Portalegre...

Agora é tempo para iniciar um novo ano de trabalho. Daqui a poucos dias começa um novo ano lectivo e há que aproveitar os últimos dias de férias...

quinta-feira, julho 31, 2008

Férias pelos caminhos de Portugal...

Agosto, mês de férias. Mas, isso não tem necessariamente de coincidir com confusão e multidão. Geralmente, este é o mês em que Portugal se "inclina" para o litoral, com milhões de portugueses (entre eles dezenas de milhares de emigrantes) e estrangeiros a deleitarem-se com o mar e o sol portugueses...
Para mim e para os meus, férias é sinónimo de sossego, descanso e descoberta. Por isso, eu, a minha esposa e os nossos dois filhotes estamos a passar as nossas férias da melhor maneira possível. Isto, claro, no nosso modo de pensar. Estamos a percorrer o país cultural e ambiental que temos e não apenas o país balnear, resumido às praias muito concorridas nesta altura do ano.
Depois de já termos visitado muitos dos belos castelos que possuímos, iremos percorrer, uma vez mais, as regiões minhota e duriense. Aliás, já há alguns anos que por esta época do ano nos deslocamos para o Gerês e partimos à descoberta do muito que esta região tem para oferecer aos forasteiros. Desta vez, com duas crianças de tenra idade a cargo iremos privilegiar o descanso entre o rio e o mar do Noroeste português e não tanto os caminhos pedestres minhotos...
Mas, pela primeira vez desde o nascimento dos nossos filhotes, iremos estar alguns dias em Lisboa, a fim de visitar o muito que a nossa capital e a região que lhe está em redor tem para oferecer: as deslumbrantes sete colinas e os seus bairros típicos, a riqueza cultural da Baixa pombalina, a animação do Parque das Nações e a grandeza arquitectónica da zona de Belém, mas também a alegria para as crianças do Jardim Zoológico, a beleza das praias da zona Oeste, o aconchego do Parque Natural Sintra-Cascais e a beleza da Arrábida... Muito há para ver e sentir neste Portugal longe da confusão balnear.
Há pois que dedicar por inteiro este período de férias à família, pelo que durante os próximos dias não irei frequentar a blogosfera. Assim, desejo umas boas férias a todos os que aqui me costumam visitar...

sexta-feira, julho 25, 2008

Os bairros (anti)sociais das nossas cidades: o caso de Viseu

Graças a um vídeo dado a conhecer ao mundo por um anónimo, os problemas dos ditos "bairros sociais" tornaram-se em tema de debate nacional nestas últimas duas semanas. Tal como já havia acontecido com as filmagems de uma aluna a agredir uma professora numa escola do Porto, agora foi a vez de um vídeo com um tiroteio na Quinta da Fonte, em Loures, qual faroeste português, ter chamado a atenção dos mais distraídos para os problemas decorrentes do autêntico caos urbanístico que muitas autarquias, com o beneplácito do Estado central, têm levado a cabo com a edificação de "bairros sociais" que apenas têm servido de prova à incapacidade social de muitos engenheiros e arquitectos para este tipo de função.
A edificação de qualquer bairro destinado a agregados familiares de baixos recursos financeiros (os chamados bairros sociais) deveria ser alvo de um verdadeiro trabalho de equipa, com a intervenção de engenheiros e arquitectos, mas também de sociólogos, geógrafos e assistentes sociais. Ora, pelos vistos as entidades competentes apenas se têm interessado em edificar autênticos blocos de cimento, tirados a papel químico uns dos outros, onde as paredes monótonas e sombrias parecem ser intermináveis...
Dou-vos a conhecer a "Quinta da Fonte" de Viseu, o Bairro da Balsa, situado a menos de 500 metros do centro de Viseu e cujos casos de violência não são assim tão escassos. Apenas não têm sido, por enquanto, alvo de filmagens de alguém que mande o vídeo para a SIC. Este bairro, constituído por cinco filas de blocos de apartamentos, onde imperam as paredes fechadas, sem se vislumbrarem varandas, apresenta uma qualidade urbanística bastante reduzida. Durante o dia, é possível verificar muitos dos seus residentes encostados às paredes de cada prédio, sem fazer nada. Há quem diga (não sei se é verdade) que por lá muitas das casas estão completamente descaracterizadas, com pessoas a quererem praticar agricultura dentro de banheiras e que nalgumas casas há mais cães e gatos do que pessoas. Certo é que a monotonia e a opacidade são aqui ponto de ordem. À noite impera o sentimento de insegurança. O espírito de solidariedade e de vizinhança parece inexistente. Enfim, a vida bairrista é uma nulidade... Analisando bem a foto, parece estarmos na presença de um estabelecimento prisional, onde a repetição e a monotonia são ponto de ordem...
Esperemos que a construção de "bairros sociais" não perdure por muito mais tempo. Quanto às soluções, criem-se incentivos à requalificação dos bairros construídos nas décadas de 70, 80 e 90 e pratique-se uma verdadeira política social que não permita a edificação de autênticos guetos, autênticos denotadores de insegurança, marginalidade e violência. Ah, e não nos esqueçamos que o Estado não pode ser permissivo com aqueles (muitas vezes uma minoria dentro dos bairros) que, julgando-se líderes de massas, são o foco principal da má vivência existente nestes locais da cidade. E, já agora, não é de ignorar os malefícios causados pela inactividade que o Estado alimenta junto dos residentes destes espaços urbanos. É que não é por acaso que 90% dos habitantes da Quinta da Fonte vivem dos subsídios do Estado!

domingo, julho 20, 2008

Sobre a possibilidade do casamento entre homossexuais, Ferreira Leite foi, como se esperava, séria e frontal...

A líder do PSD afirmou há pouco tempo que não existem razões objectivas para "atribuir o mesmo estatuto àquilo que é uma relação de duas pessoas do mesmo sexo igualmente ao estatuto de pessoas de sexo diferente". Ou seja, aqueles que apelidam de igual aquilo que é diferente não são sérios e apenas tentam camuflar a verdade à custa do politicamente correcto.
Alguns países governados por partidos de esquerda entraram na onda de legislar por forma a colocar na mesma balança homossexuais e heterossexuais no que toca à aquisição de determinados direitos cuja aplicação deveria requerer a existência de alguns pressupostos. É o caso do casamento, instituição basilar de qualquer sociedade que se queira sustentável, mas sobretudo o caso da adopção de crianças...
Tal como a concessão de beneficios fiscais exige que se cumpram determinados requisitos, também a concessão do direito ao casamento exige que se cumpra o requisito de estarmos na presença de duas pessoas de sexo diferente. Apelidar de retrógrados todos aqueles que são contra o casamento de pessoas do mesmo sexo apenas demonstra que a vitimização e o ataque pessoal são as principais estratégias utilizadas pelos defensores dos casamentos homossexuais. Qual a razão que os leva a não responderem a uma questão tão simples como esta: apelidar de igual aquilo que é diferente não constitui falta de seriedade na discussão pública deste tema?".
Existe alguma lei em Portugal que impeça que dois homens ou duas mulheres queiram viver juntos? Não. Agora quererem ter os mesmos benefícios de uma verdadeira família, fazendo de conta que dois homens juntos ou duas mulheres juntas formam uma família, é que é ter a atitude da avestruz: fazer de conta que o que é diferente é igual...
Por isso, revejo-me nas afirmações de Ferreira Leite: "A sociedade está organizada e tem determinado tipo de privilégios, tem determinado tipo de regalias e de medidas fiscais no sentido de promover a família". "Quanto aos casamentos gay, chame-se-lhes o que se quiser, não se lhes chame é o mesmo nome. Uma coisa é o casamento, outra é outra coisa qualquer".
Quanto à questão da procriação, apenas uma nota. Ao contrário do que Sócrates tem dito, Ferreira Leite não disse que a procriação é a principal função da família, mas sim um dos seus objectivos. E essa função, do ponto de vista biológico, a união entre pessoas do mesmo sexo não permite... Sócrates pensa que se torna mais moderno por se permitir o casamento entre homossexuais. Está redondamente enganado! Este não é um assunto de modernices...