quarta-feira, agosto 29, 2012

A propósito do empobrecimento

Vai fazer agora um ano que Passos Coelho alertou os portugueses para a necessidade de mudarmos de vida. Passos Coelho escolheu uma expressão que muitos criticaram: "Só vamos sair desta situação empobrecendo". Caiu o "carmo e a trindade" e a revolta maior surgiu com os cortes dos subsídios de férias e de Natal dos funcionários públicos.
Se a necessidade de empobrecer parecia lógica, seguindo a premissa de que quem não tem dinheiro, não tem vícios, o facto deste empobrecimento não ser universal e discriminar uma parte dos portugueses (neste caso, prejudicando aqueles que trabalham para o Estado) revelou-se um erro que o Tribunal Constitucional veio "resolver" em parte. Das duas, uma: ou Passos Coelho aplicava um imposto sobre os subsídios de todos os trabalhadores (como aconteceu ao do último Natal) ou arranjava outra solução. Discriminar uma parte dos portugueses em detrimento de outra revelou-se uma má opção... 
Agora, parece-me claro que adoptando a política de austeridade e incutindo nos portugueses a necessidade de se gastar menos dinheiro, nomeadamente em artigos supérfluos, conseguiu-se que a maioria dos portugueses percebesse que não podemos viver para além das nossas possibilidades, o que não aconteceu durante os últimos 20 anos...
Empobrecer significa fazer uma vida mais de acordo com as reais possibilidades de cada um, que foi o que não ocorreu durante anos e anos, em que se incentivou os portugueses a gastarem aquilo que não tinham. O mesmo aconteceu com o Estado, sobretudo nos tempos socráticos, em que se fizeram obras desnecessárias (sobretudo auto-estradas), empurrando as despesas para o futuro e descurando o investimento em produtos transacionáveis. Durante os últimos 15 anos Portugal quase que triplicou o seu défice externo e mais que duplicou a sua dívida soberana. Isto já para não falar da dívida que deixou para os próximos 40 anos com os contratos irresponsáveis assinados com as concessionárias rodoviárias...
Apesar da dívida pública ainda poder vir a aumentar nos próximos anos (resultado do empréstimo efectuado junto da troika) e do desemprego ainda poder atingir valores mais elevados (consequência da austeridade e da redução do consumo), o défice externo está a diminuir (prevendo-se que Portugal possa atingir já no próximo ano um superavit externo) e as exportações continuam a aumentar a bom ritmo. O défice das contas públicas será estancado até ao final da legislatura e as obras faraónicas são coisa do passado socrático.
E outra coisa interessante: as sondagens continuam a dar a maioria ao PSD, o que com tanta austeridade é prova de que a maioria dos portugueses compreende a política realista levada a cabo por este governo. 

sexta-feira, agosto 17, 2012

Portugal nos Jogos Olímpicos

Durante o último mês pouco se falou de política (ainda bem!), tendo as atenções mediáticas incidido nos fogos florestais, na pré-época das equipas de futebol e na prestação dos portugueses nos Jogos Olímpicos de Londres. A propósito deste último assunto, criticou-se bastante o facto de Portugal apenas ter trazido da capital britânica uma medalha de prata (na modalidade de canoagem), tendo-se inclusivé criticado a forma, segundo alguns, bastante displicente como os atletas portugueses encararam estes jogos.
Ora, tendo em conta que nestes Jogos Olímpicos participaram 204 países e que Portugal se classificou (em termos de medalhas conquistadas; não de diplomas) no 74º lugar, com mais de 110 países a não conquistaram qualquer medalha (alguns mais desenvolvidos do que o nosso, como a Áustria ou a Islândia), parece-me sensato dizer que estivémos ao nosso nível: nem fomos tão maus como alguns querem fazer crer, nem fomos os fora-de-série (como a Hungria), como muitos queriam que fossemos...
Claro que há países menos desenvolvidos do que Portugal que conseguiram melhores resultados do que nós (a Jamaica nas corridas de velocidade, a Etiópia e o Quénia nas corridas de fundo, a Geórgia na luta livre, a Coreia do Norte no halterofilismo), mas muitos destes países especializaram-se numa só modalidade. Aliás, o que nas últimas Olimpíadas tem acontecido com a canoagem portuguesa não é fruto do acaso, mas sim a aposta clara da Federação Portuguesa de Canoagem na profissionalização desta modalidade. E depois temos países como a Hungria que desde há muitas décadas trabalha afincadamente para cada edição dos Jogos Olímpicos: 474 medalhas dos hungaros contra as 23 de Portugal nas trinta edições das Olimpíadas.
Não creio que o problema esteja, como alguns afirmaram, na reduzida importância que Portugal concede ao desporto na infância e adolescência (aliás, até penso que actualmente os jovens praticam mais desporto, tanto amador, como profissional, do que no tempo da Mocidade Portuguesa). A questão é que há países que consideram os Jogos Olímpicos como uma espécie de Guerra Fria, tentando demonstrar nas Olimpíadas mais do que aquilo que são: veja-se o confronto entre os EUA e a China ou entre a Rússia e as antigas repúblicas soviéticas...
Agora, há que definir o que queremos no futuro: continuar a apostar no aumento do número de participantes na delegação portuguesa aos Jogos Olímpicos (numa lógica de que participar já é ganhar) ou apostar tudo na conquista de medalhas, definindo modalidades prioritárias em detrimento de outras (a exemplo do que tem acontecido com a canoagem)?

sexta-feira, agosto 03, 2012

O início do fim das gorduras socráticas...

O ataque à herança socrática aí está.
Muitas das fundações que se multiplicaram que nem cogumelos durante os governos socialistas vão deixar de receber apoios e apenas as que têm real valor social vão continuar a existir. Durante o "consulado" socrático, a criação de fundações foi uma das tácticas utilizadas por muita gente influente para captar financiamento público... Agora, vai-se acabar a mama!!!
Esperemos é que a PGR não se esqueça do relatório dado a conhecer pelo Tribunal de Contas e leve para a frente toda a investigação sobre as irresponsabilidades levadas a efeito pelo ex-Ministro de Sócrates, Paulo Campos, que efectivamente lesaram o Estado português em muitos milhões de Euros e endividaram o país até 2040 à custa das PPP`s rodoviárias...
Também o buraco financeiro da Parque Escolar, criado pelo Governo Sócrates, está a ser estancado...
Custou, mas foi. Agora venham dizer que Sócrates e Passos Coelho são iguais. O primeiro só endividou o país, enquanto que o segundo apenas tenta corrigir os erros cometidos pelas políticas desastrosas de Sócrates e que quase levaram Portugal à falência.
Atentem no quadro ao lado para perceberem as quantias avultadas que as mais de 300 fundações (a maioria sem qualquer função social séria) têm custado aos contribuintes portugueses. Só a Fundações Magalhães (a dos famigerados portáteis para as crianças brincarem) recebeu quase 500 milhões de Euros.
As gorduras do Estado provocadas pelos incomptetentes governos de José Sócrates vão, definitivamente, ser atacadas de frente...

domingo, julho 29, 2012

Só para relembrar os mais distraídos

Há quem continue a esquecer-se que Portugal teve que recorrer à chamada "troika" para não entrar em bancarrota. Sim, falência técnica, sem dinheiro para pagar ordenados aos funcionários públicos, pensões aos reformados e demais subsídios...
Sócrates endividou o país e fugiu. Passos Coelho foi eleito Primeiro-Ministro e, todos os dias, dá a cara pela austeridade imposta e que passou a tomar conta do dia-a-dia dos portugueses. Mas, convém lembrar que ainda faltam muitos meses para que o FMI deixe de tomar conta de Portugal. Sim, porque durante algum tempo Passos Coelho não passa de uma espécie de "marioneta" a mando da troika!!!
E quem diria que seria um etíope (lembrem-se os mais distraídos que a Etiópia é dos países menos desenvolvidos do mundo e com maiores índices de pobreza) a tomar conta daquele que já foi um dos países mais ricos do mundo (falamos de época dos Descobrimentos), que apresentou um dos maiores crescimentos em termos de IDH (nas décadas de 1980 e 1990) e que até há pouco tempo era considerado o "bom aluno" da UE...

quinta-feira, julho 26, 2012

A verdade vai morrer solteira???

São cinco minutos que vale a pena analisar com atenção. Foram dadas a conhecer as conclusões da auditoria feita pelo Tribunal de Contas às parcerias público-privadas rodoviárias, que provam até que ponto estas negociatas foram um desastre financeiro para o país, não se tendo levado em consideração o interesse público. Esta auditoria só diz respeito a algumas PPP`s rodoviárias; se abordasse as respeitantes às PPP`s da saúde e às negociatas da Parque Escolar, o descalabro seria maior...
Certo é que durante quase 40 anos os contribuintes portugueses vão estar a pagar valores exorbitantes por muitas obras sem qualquer interesse público e que apenas serviram os bolsos dos privados. Conhecem-se os principais responsáveis por estas negociatas: José Sócrates e Paulo Campos. O que lhes vai acontecer? Provavelmente nada. Mas, fica aqui o registo em vídeo para memória futura do que deveria ser feito para não nos esquecermos de alguns dos factores (talvez os principais) que quase levaram o país à bancarrota...
Volto a colocar um gráfico que mostra os governos responsáveis por este buraco financeiro. Só para que não se coloquem todos os governos no mesmo saco da incompetência. Como diz um amigo meu: há uns mais incompetentes do que outros...

sexta-feira, julho 20, 2012

Tanto fumo sem fogo??? Não me acredito...

O Público escreve que o acordão lido hoje em tribunal a propósito do caso Freeport refere que:
- "ao longo das audiências de julgamento, resultaram “fortes indícios” de que foram feitos pagamentos a pessoas com altas responsabilidades na administração pública e no Ministério do Ambiente";
- "enunciar com abundantes detalhes os motivos que levaram o tribunal a credibilizar os testemunhos que referiram os pagamentos alegadamente feitos a José Sócrates – entre eles os de Alan Perkins, ex-administrador do Freeport, João Ferreira do Amaral, advogado e amigo do arguido Manuel Pedro, e Mónica Mendes, antiga empregada da firma Smith & Pedro";
- "o acórdão lido pelo presidente do colectivo, Afonso Andrade, justifica a iniciativa declarando “insustentável” que se mantenham por mais tempo “suspeitas” sobre uma pessoa que exerceu o cargo de primeiro-ministro de Portugal".
Será que há assim tanto fumo sem fogo? Não me acredito... Aliás, cá para mim ainda havemos de ter mais novidades em relação a outros casos relacionados com as famosas parcerias público-privadas que quase levaram o país à falência.

sábado, julho 14, 2012

Insustentável

Na política, não basta ser; é preciso parecer. Esta permissa aplica-se sobretudo ao nível da seriedade e da consequência das acções tomadas pelos governantes, antes e após o serem...
Relvas, ao aceitar ser Ministro devia saber que qualquer acção tomada por si antes de ser nomeado Ministro iria ser escrutinada pela comunicação social e julgada pela opinião pública e publicada.
Ora, depois do que se escreveu a propósito da "pseudo-licenciatura" de Sócrates, era por demais evidente que a forma como Relvas se licenciou seria "carne para canhão", no sentido de se exigir a demissão do cargo de Ministro!!!
Claro que os casos de Sócrates e Relvas, apesar de semelhantes nas consequências, são diferentes na forma: o primeiro parece ter agido ilegalmente, através do compadrio e das cunhas, enquanto que o segundo agiu legalmente, mas aproveitando-se de uma lei que simplesmente não deveria existir. No máximo, poderá ter sido a Universidade Lusófona a agir de forma ilícita, devendo, por isso, ser alvo de um inquérito aprofundado por forma da PGR.
Agora, apesar de Relvas não ter feito nada de ilegal (pelo menos do que se sabe até agora), é certo que um Ministro não se pode aproveitar das "ligeirezas" de uma lei (seria bom que todos soubessem em que legislatura foi aprovada esta lei!!!) e depois vir exigir sacrifícios aos portugueses...
Quanto a Passos Coelho, está visto que não tem coragem para demitir o seu braço-direito (todos sabemos como funcionam as amizades no trabalho!), mas deveria lembrar-se dos velhos ditados populares: "trabalho é trabalho, conhaque é conhaque" ou "amigos, amigos, negócios à parte"...

quinta-feira, julho 05, 2012

Viseu: a cidade com melhor qualidade de vida

Num estudo realizado pela DECO, a cidade de Viseu foi considerada como a melhor para se viver em Portugal. Obteve bons resultados ao nível da mobilidade e transportes, planeamento e gestão municipal, habitação, saúde, educação, ambiente, comércio e serviços e paisagem urbana.
Muitos foram aqueles que vieram criticar o estudo, considerando-o demasiado subjetivo por dar muito destaque às percepções e opiniões dos residentes de cada uma das cidades que foram estudadas. Mas, qual o problema de questionar as pessoas sobre se gostam de viver na sua cidade? E o porquê de gostarem ou não?
O certo é que, cada vez mais me convenço que vale a pena viver numa cidade média como Viseu. Uma cidade da região Centro, a meio caminho entre Aveiro e Espanha e entre Vila Real e Coimbra, a pouco mais de uma hora da cidade de Porto e a duas horas e meia de Lisboa, próxima da praia e da montanha, onde se respira tranquilidade, mas onde não faltam espaços de lazer, de cultura e de desporto.
Não é fácil combater o despovoamento do Interior e evitar os fenómenos de litoralização e de bipolarização que afectam a distribuição da população em Portugal, mas são cidades como Viseu, Covilhã e outras do Interior que ainda vão contrariando a macrocefalia que "reina" em Portugal.
Não se pode obrigar as pessoas que vivem no litoral a virem para o interior, nem se podem enviar pessoas para as aldeias para evitar o êxodo rural. Mas, com uma reorganização administrativa coerente do país e com uma correcta gestão municipal, assente no planeamento e em investimentos sustentáveis, pode-se alcançar um maior equilíbrio entre o litoral e o interior e entre o campo e as cidades, com destaque para as de média dimensão. A cidade de Viseu, alheia a investimentos megalómanos ou a despesas inúteis, tem sabido proporcionar à sua população uma qualidade de vida invejável...

quinta-feira, maio 24, 2012

Farto de futebol...

Durante o próximo mês, televisões, rádios e jornais vão inundar-nos com notícias sobre o a selecção portuguesa de futebol. A injecção noticiosa já começou e, imagine-se, chegam-se a gastar vinte minutos nos telejornais da noite com notícias sobre a selecção.
A maior parte das notícias são tão estéreis que só mesmo os fanáticos da bola devem considerá-las interessantes: em que quarto vai dormir o Cristiano Ronaldo, o que vai ser o jantar dos jogadores, quem marcou mais golos no treino da tarde, quais os jogos da Playstation que o Nani mais aprecia, enfim, um conjunto de banalidades que me fazem de imediato mudar de canal.
O bombardeamento noticioso sobre a selecção vai ficar durante um mês. Só mesmo os viciados no futebol devem achar piada às banalidades noticiosas que os jornalistas nos dão a conhecer. Assim se "cultiva" a sabedoria do povo português...

Adenda - Pode ser que o resultado do último jogo da selecção (derrota 3-1 frente à Turquia) tenha servido de lição para os que comandam a equipa nacional.
Depois de 15 dias de férias em Óbidos, "à grande e à francesa", com tantas reportagens inócuas dos jornalistas da SIC mostrando peças caricatas em horário nobre, até que gostei da lição de humildade que os turcos deram aos jogadores da selecção nacional. Pode ser que lhes tenha baixado a mania de que são bons... A estes milionários exige-se menos paródia e mais profissionalismo. E, já agora, umas aulas de Língua Portuguesa e de Formação Cívica...

terça-feira, maio 15, 2012

Hollande, o crescimento económico não se decreta...

O dia de hoje constitui, para muitos socialistas, o início de uma nova era: a da ilusão de que com Hollande, a Europa entrará num novo rumo de crescimento económico e prosperidade. Há quem pense que com Hollande a crise europeia irá ser debelada, colocando o crescimento económico na boca de todo o mundo.
Esquecem-se que sem contas públicas sustentáveis não há crescimento económico que valha aos países do sul da Europa. 
Hollande prometeu na campanha eleitoral fazer frente a Merkel. Ora, a verdade é que se o sul da Europa seguisse os preceitos da política alemã, não teríamos a balbúrdia das contas públicas que grassa na Grécia, Portugal, Espanha e Itália. 
Portugal foi nestes últimos 15 anos o claro exemplo de como insistindo em obras públicas desnecessárias encomendadas através de PPP`s que endividam o país ao longo de mais de 10 anos, se pode levar um país à falência técnica. Agora estamos de mãos estendidas e reféns do que a troika nos "obrigue" a fazer...  

terça-feira, maio 01, 2012

Um 1º de Maio original

Este Dia do Trabalhador fica marcado pela campanha de promoções que o Pingo Doce levou a cabo pelas centenas de lojas que tem pelo país, originando o caos na maioria dos seus supermercados e abrindo os noticiários da noite nos três canais generalistas. Para além do lucro que o Pingo Doce teve com esta campanha, ainda conseguiu publicidade de borla...
A crise está à vista e até com um dia de Inverno, foram milhares os portugueses que não quiseram saber das comemorações do Dia da Trabalhador e que foram para o Pingo Doce tratar de poupar algum dinheiro. 

terça-feira, abril 24, 2012

25 de Abril

Mário Soares amuou e decidiu, em conjunto com alguns dos auto-denominados "Capitães de Abril" não participar nas comemorações oficiais do 25 de Abril.
Segundo a Associação 25 de Abril "a linha política seguida pelo actual poder político deixou de reflectir o regime democrático herdeiro do 25 de Abril". Pelos vistos, os que conseguiram libertar o país para a democracia já se esqueceram do que é a ditadura. Chama-se a este tipo de atitude fazer politiquice de baixo nível com motivos puramente partidários e de protagonismo político.
Quando Sócrates afundou o país estiveram calados e agora que estamos com as calças em baixo e dependentes da "troika" é que fazem barulho. Tenham é vergonha!!!
Enfim, com esta gente da esquerda mais ortodoxa não há mesmo nada a fazer. Eles que aproveitem o 25 de Abril para dormir...

sábado, abril 14, 2012

Descubram-se as diferenças...


Nestes três anos, a cada funcionário público vão ser retirados, em média, 8500 euros. Como cá em casa somos dois funcionários público serão menos 17000 euros, ou seja, quase 500 euros a menos por mês.
Responsável principal: o incompetente José Sócrates...

sexta-feira, abril 06, 2012

Recordar...

Faz hoje um ano que Portugal deixou de ter autonomia financeira. É bom que recordemos o causador de tudo o que estamos e estaremos a passar durante alguns anos...
Foto: comunicado ao país do pedido de ajuda financeira de Portugal à UE

sábado, março 31, 2012

Extinguir freguesias? Claro que sim...

Hoje, muitos presidentes de junta de freguesia e seus "correlegionários" concentram-se em Lisboa para protestar contra mais uma reforma que este Governo quer implementar: rever o número de freguesias, ajustando-o à realidade do país.


Portugal tem, actualmente, mais de 4000 freguesias, muitas delas com menos de 1000 habitantes e que apenas subsistem por razões históricas. Basta olhar para o mapa ao lado para perceber que Portugal, sobretudo, a região Noroeste do país tem freguesias a mais... Ora, com a modernização do país, sobretudo em termos de encurtamento da distância-tempo, fruto da melhoria das infra-estruturas rodoviárias, não faz qualquer sentido continuarmos a ter milhares de freguesias que distam poucos minutos umas das outras e que apresentam um reduzido número de habitantes.


Na minha opinião esta reforma apenas peca por não ir mais além, nomeadamente ao nível da agregação de concelhos. Em muitas regiões do país temos concelhos contíguos e com uma densidade populacional tão reduzida que bem que se poderiam agregar. Por outro lado, nas áreas metropolitanas de Lisboa e Porto, há concelhos cuja relação em termos de migrações pendulares é de tal ordem que não fazia mal nenhum que se juntassem num só.


Mais do que poupar dinheiro, esta reforma vai de encontro à nova realidade do país: com tanto investimento em estradas e auto-estradas, a distância-tempo reduziu-se imenso e as áreas de fixação urbana cresceram de tal ordem que com pouco de mais de 1000 freguesias e 200 concelhos teríamos um país mais eficiente e menos "caciqueiro". A maioria dos meus alunos compreende esta nova realidade geográfica, mas há quem continue agarrado ao passado...

quinta-feira, março 22, 2012

Uma greve para os do costume...

Hoje foi dia de greve geral, mas esta de geral não teve nada. Absolutamente nada... Aliás, o que teve foi a adesão dos de sempre. Os trabalhadores da "esquerda ortodoxa" das empresas públicas, muitas delas em falência técnica e que só não encerram as portas porque são do Estado: Metro, Transtejo, CP, STCP, Carris, entre outras. Nos hospitais, nas escolas e nos tribunais a greve foi insignificante. Claro que os militantes do PCP e do BE aproveitaram o dia para mais uma folga, pouco se importando com o estado do país. Os desordeiros aproveitaram para fazer barulho e tentar aparecer na televisão. Desta vez, até tivémos a oportunidade de assistir a um "desaguisado" entre militantes da CGTP e adeptos de outros movimentos de contestação. E até houve direito a que o polícia de intervenção fizesse uso dos cacetetes em punho...
De resto, amanhã será mais um dia de trabalho, depois de um dia de publicidade para a CGTP e mais uns quantos milhões de euros de prejuízo para as empresas públicas do costume.

quinta-feira, março 15, 2012

Escolas de luxo. Para quê?

O Governo Sócrates, na ânsia de promover o betão de luxo (dando assim a ganhar milhões de euros às constutoras dos seus amigos) criou a Parque Escolar, empresa pública responsável pela requalificação de mais de 330 escolas.


Agora começamos a saber, em pormenor, as centenas de milhões de euros que esta "empreitada socialista" vai custar aos contribuintes portugueses. Isto já para não falar do disparate que é termos escolas secundárias que, a nível arquitectónico, mais parecem universidades, e que em termos de manutenção irão triplicar as despesas dos estabelecimentos escolares.


Vejam a maquete de uma dessas escolas secundárias. Mais parece uma universidade de um país rico. A escola onde lecciono, no final das obras de requalificação, vai parecer uma mega-escola secundária de um concelho pequeno com cerca de 10000 habitantes e que, na minha opinião, não precisava de uma escola de luxo como a que vai ter. Umas obras de melhoria das condições existentes seriam suficientes. Mas, o governo Sócrates pensou que vivíamos num país cheio de dinheiro...


Quanto às contas do descalabro, a Inspecção das Finanças tratou de as apurar.

segunda-feira, março 12, 2012

Recordar as PPP`s

As parcerias público-privadas constituem um dos principais factores que obrigaram Portugal a recorrer ao empréstimo concedido pela "troika". Pena é que não tenhamos uma legislação semelhante à da Islândia que permita levar a julgamento o responsável principal por esta "catástrofe" financeira...
O actual Governo prepara-se para, dentro do possível, dar a conhecer novidades sobre os contratos que os anteriores governos (sobretudo os socialistas) assinaram com as entidades privadas que, todos os dias, ganham milhões de euros à custa dos contribuintes portugueses. A maior parte dos contratos dizem respeito a auto-estradas, muitas delas, autênticos "desertos de cimento" que não servem para nada. Há ainda auto-estradas, como a A25, que foram feitas à custa da destruição de antigos IP`s e que agora obrigam milhares de portugueses a gastar dezenas de euros por mês para irem trabalhar, por falta de alternativas. Felizmente que o TGV e o aeroporto de Lisboa já fazem parte do passado. Quanto à Parque Escolar, fica para outro artigo...
Mas, voltando ao desastre das PPP`s deixo aqui apenas dois gráficos que são bem elucidativos sobre quem nos meteu no buraco em que (ainda) nos encontramos.


Os governos socialistas são responsáveis por mais de 90% dos contratos assinados com os privados e que obrigam a pagamentos exorbitantes até ao ano 2050. E, compare-se o que os governos de Guterres e Sócrates fizeram com o que outros países da UE gastam ao nível das PPP`s.


Sócrates fugiu para Paris, mas o Correio da Manhã tem trazido, de vez em quando, umas novidades sobre o "carrasco" de Portugal. Pode ser que ainda se venham a descobrir umas coisas sobre a forma como Sócrates enriqueceu...

quinta-feira, fevereiro 09, 2012

A propósito de "pieguices"

Os jornalistas têm um poder enorme: o de deturpar as palavras e conseguirem passar para a opinião pública uma mensagem diferente da original. Foi o que recentemente aconteceu com Passos Coelho.


Referindo-se ao ensino em Portugal e, inclusivamente dizendo que diria o que o Ministro da Educação diria em seu lugar, Passos Coelho disse que é importante termos na Educação gente persistente e que não devemos desculpabilizar os pouco trabalhadores, sejam alunos ou professores. Caiu o "Carmo e a Trindade" e logo vieram os jornalistas dizer que Passos Coelho tinha apelidado os portugueses de "piegas". Mais uma vez, ficam as declarações de Passos Coelho para memória futura e provar que há jornalistas que gostam de deturpar as palavras, fomentando "fait-divers" sem sentido.