segunda-feira, setembro 17, 2012

Urge reflectir sobre o Portugal que teremos em 2030

Num tempo em que a maioria dos portugueses apenas pensa no presente, esquecendo o passado (as mais recentes manifestações provam que as pessoas já se esqueceram de quais os motivos que levaram a que Portugal esteja hoje dependente dos seus credores externos, ou seja, da troika) e ignorando o futuro que nos aguarda (não percebem ou não querem perceber o estado demográfico do país e as as suas consequências no futuro), é bom que se reflicta um pouco sobre a demografia de Portugal. Aliás, desde que tenho este blogue (já lá vão quase 10 anos!), já por diversas vezes escrevi aqui no blogue sobre este assunto.
Pois bem, este fim-de-semana realizou-se um importante colóquio, de seu nome "Presente no Futuro", organizado pela Fudação Francisco Manuel dos Santos e que contou com muitos entendidos sobre o tema da Demografia. O encontro esteve acessível a todos os que quiseram assistir através da Internet.
Parece, pois, mais que óbvio que a "bomba demográfica" que nos espera fará com que o Estado Social, tal e qual como o conhecemos hoje, não possa existir em 2030. A razão é muito simples: com uma pirâmide etária quase invertida, com uma clara tendência de duplo envelhecimento (na base e no topo), o Estado não terá dinheiro suficiente (proveniente das contribuições sociais para a Segurança Social e dos impostos) para as despesas que então terá em termos de reformas, pensões, subsídios e garantia do Estado Social nos mesmos moldes do que hoje temos.
A maioria da população portuguesa parece não entender esta questão. Urge que os políticos a entendam e sejam frontais com a população, explicando a necessidade de se reformar o Estado Social. Honra seja feita a Bagão Félix que me pareceu ser o único político que, em tempos, tentou alterar radicamente o estado de coisas nesta matéria... Penso que este governo não tem tido uma atitude imobilista perante as dificuldades demográficas que nos esperam no futuro, mas há que ser muito mais concreto nas medidas a aplicar. Claro que o "zé povinho" não quer que lhe mexam nos chamados (mas ilusórios) "direitos adquiridos", mas nada pode ficar na mesma.
Há muito que defendo a necessidade de uma discriminação muito mais positiva em termos de favorecer aqueles que contribuem para a sustentabilidade demográfica do país: as famílias que têm dois ou mais filhos devem ser muito mais beneficiadas, em termos de IRS e de outros apoios, do que as que não têm filhos ou apenas têm um. Claro que ninguém é obrigado a casar ou a ter filhos, mas a diferenciação fiscal deveria ser muito mais incisiva do que a que temos actualmente.
Os políticos que nos têm governado ao longo dos últimos vinte anos parecem não ter compreendido ainda os perigos de não se aplicarem medidas verdadeiramente válidas (as que temos tido aplicadas por este Governo nesta matéria são ainda muito suaves) ao nível da diferenciação fiscal para com as famílias que têm ou não têm filhos... Contudo, quando lecciono esta matéria, os meus alunos compreendem-na na perfeição!
Sejamos claros: em 2030, não haverá recursos para pagar reformas aos vários milhões de reformados que iremos ter. A população activa que agora tem menos de 45 anos será a mais penalizada: são os que agora contribuem para o pagamento das reformas dos actuais idosos, mas sabem (ou deveriam saber) que não têm a certeza de que terão direito à sua reforma nos mesmos moldes actuais. A geração dos nossos filhos, provavelmente, não terá uma vida tão difícil como a que os adultos de agora têm por uma razão muito simples: quando entrarem na vida activa não existirá o regime de contribuições para a Segurança Social que existe actualmente, pelo que poderão livremente fazer os seus próprios planos de poupança-reforma. Por outro lado, a taxa de natalidade é agora tão baixa que a população activa será também mais baixa do que a actual, pelo que a taxa de desemprego até poderá ser menor. Mas, esta possível vantagem tornar-se-á num terrível problema em termos de arranjar recursos para apoiar os muitos idosos de então haverá (que serão os adultos de agora). Aliás, em 2030 voltaremos a ter necessidade de aumentar a nossa imigração, por forma a compensar a falta de jovens.
O gráfico que aqui coloco é bem elucidativo do actual estado de coisas na demografia portuguesa. Basta comparar o Portugal de 1981, quando apenas 28% das famílias não tinham filhos com o Portugal de 2010, em que esse valor se aproximava dos 45%, para perceber que a baixa natalidade é um dado mais que preocupante e que está para ficar por muitos anos...
Pessoalmente, sei que contribuí para o equilíbrio demográfico de Portugal, pois tenho dois filhos. Aliás, seguindo um velho provérbio português, posso sentir-me realizado: tenho dois filhos, já escrevi um livro e já plantei árvores. Seria bom que cada um de nós reflectisse sobre esta questão...

sexta-feira, setembro 14, 2012

Sinal de alarme

Portugal vive dias agitados. A comunicação de Passos Coelho na sexta-feira passada foi surpreendente e originou um coro de críticas. Depois de muito se ter falado sobre as novas medidas de austeridade, Passos Coelho viu-se na obrigação de conceder uma entrevista à RTP para esclarecer os portugueses. Não digo que nos descansou, mas preocupou-se em ser esclarecedor.  
Passado quase ano e meio depois da tomada de posse deste Governo chegámos a um ponto crítico, correndo-se o risco de se deitarem a perder todos os sacrifícios que os portugueses têm vindo a sofrer na pele desde que a troika entrou em Portugal. Antes de fazer uma breve análise ao desempenho de Passos Coelho na entrevista apenas quero deixar bem claro que, ao contrário de muitos, não me esqueci que quando Sócrates abandonou o barco e pediu eleições antecipadas, Portugal estava à beira da bancarrota. Sim, bancarrota! Sem capacidade para contrair empréstimos externos (sim, porque Portugal vive desde há décadas da dívida que contrai nos mercados externos). Não nos esqueçamos: quando Sócrates assinou o memorando de entendimento com a troika não havia dinheiro para pagar salários, pensões e subsídios!!!

Agora, vamos a alguns pontos sobre a entrevista:
1. As novas medidas de austeridades (a taxa social única e as contribuições para a Segurança Social) – Passos Coelho fez um notório esforço por explicar ao país a necessidade das medidas recentemente apresentadas, nomeadamente a forma como a baixa da TSU nas empresas e a subida das contribuições para a Segurança Social aos trabalhadores pode ter vantagens a médio e longo prazo. E, comparou a medida mais controversa com aquilo que Portugal fez quando o FMI teve por cá há vinte anos atrás. E explicou bem! Recordo: em 1980, Portugal executou uma desvalorização cambial (agora impossível de se fazer), o que provocou na altura uma diminuição do poder de compra de 20%. Agora, esta medida tem a vantagem de permitir a discriminação da sua aplicação de acordo com os salários de cada um, enquanto que no tempo de Mário Soares a desvalorização cambial forçou a redução do poder de compra para todos. Com esta receita e, dada a abertura do Governo para modelar a aplicação desta medida, será possível proteger os mais fracos. Esta questão é importante e vamos às vantagens de se mexer na TSU: permite que as empresas aumentem a sua competitividade (bem sei que à custa do factor trabalho), mas, desta forma, será possível que as empresas consigam colocar mais facilmente os seus produtos no exterior (aumento das exportações), ao mesmo tempo que as mais pequenas (as PME´s representam mais de 90% do total de empresas) poderão encaixar algum dinheiro em tesouraria e, assim, poder-se-ão evitar despedimentos que de outro modo continuariam a aumentar. Pode-se criticar a questão de que os rendimentos dos trabalhadores serão seriamente afectados. É verdade! Mas, como Passos Coelho explicou, aumentar os impostos seria mais injusto (o aumento seria igual para pobres e ricos), enquanto que assim, com a modelação da medida e o previsto crédito fiscal, os mais fracos poderão ser protegidos. Convém não esquecer que a receita da troika (e é da troika que estamos dependentes) é o empobrecimento forçado, ajustando o nível dos rendimentos ao nível dos consumos… Para finalizar esta questão apenas para recordar as declarações da Selassie ao Público: se não fosse esta medida seria outra que também teria forte contestação social.
2. A atitude do PS – Passos Coelho relembrou que é preciso não ter vergonha para que agora o partido que quase nos levou à bancarrota venha agora dizer que vai votar contra o OE 2013, rompendo, na prática, o acordo que assinou com a troika. Bem sabemos que Seguro apenas está a querer agradar ao eleitorado, ignorando o passado recente e ressuscitando os tiques socráticos (arrogância, agressividade, linguagem imprópria).
3. A derrapagem no défice orçamental – Passos Coelho recordou que o défice real de 2011 foi de 7,7% do PIB (o nominal era de 5,9%), daí a necessidade de medidas adicionais para este ano. Bem sei que este argumento faz lembrar todos os governos que temos tido: que as contas deixadas pelo seu antecessor estavam erradas. Explicou que o défice previsto para 2012 não foi alcançado com três exemplos: o comércio automóvel teve uma grande queda, a indústria da construção civil sofreu um rombo, o consumo desceu mais que o previsto; logo, as receitas foram muito inferiores…
4. As polémicas com Ferreira Leite, Alexandre Relvas, Bagão Félix e outros – Passos Coelho agiu da forma mais correcta, não alimentando estas polémicas. Mas, todos sabemos que as guerrilhas internas é o que há mais no PSD. Aliás, convém não esquecer que Ferreira Leite, antiga adversária de Passos Coelho, nunca gostou de Passos Coelho e que disse o que disse para justificar a futura aprovação do OE 2013 por Cavaco Silva.
5. As manifestações – Um direito em democracia, afirmou Passos Coelho. Claro que ninguém gosta de medidas de austeridade, mas só os que não têm memória é que podem dizer que não iríamos ter anos de sacrifícios. Mas, acredito que não vamos imitar os gregos (estes já vão para o 3º resgate)…
6. As despesas do Estado - Passos Coelho referiu que a consolidação orçamental tem tido uma forte componente do lado da diminuição das despesas (deu o exemplo das poupanças na saúde). Não referiu, mas poderia ter referido a diminuição do número de funcionários públicos excedentários, o corte nas Fundações, a paragem de obras inúteis (escolas, estradas, TGV, etc.).
7. As PPP`s rodoviárias - Neste âmbito, Passos Coelho explicou de forma clara até que ponto é que os governos de Sócrates foram irresponsáveis: construção de auto-estradas inúteis com custos de 2500 milhões de euros/ano ao longo dos próximos 20 anos. Os que assinaram estes contratos em nome do Estado é que deveriam ser chamados à responsabilidade, mas o zé povinho já se esqueceu disto tudo. Ainda por cima, assinaram contratos tão complexos que a renegociação é difícil. Mas, Passos Coelho confirmou que haverá (e já houve algumas) mexidas nas rendas fixas e na procura do equilíbrio do risco entre privados e o Estado.
8. Os cortes nas pensões - Passos Coelho repudiou a ideia de que o Governo é fraco com os ricos e forte com os pobres. Relembrou que os cortes nas pensões e reformas (temporárias até 2015 e não permanente como se fez crer) não foram aplicados a 89% dos pensionistas.  
9. RTP - Gastar 350 milhões de euros por ano é um absurdo. Concordo que nada pode ficar na mesm E quem fala em RTP, fala em Carris, CP e outras empresas que só dão prejuízo...

- Estamos como estamos porque Portugal estava à beira da bancarrota por culpa dos governos socráticos (basta falar nas PPP`s rodoviárias para se perceber até que ponto foi a irresponsabilidade dos governos de Sócrates);
- Para a troika (que é quem agora manda por cá) o empobrecimento forçado parece ser condição para que Portugal volte aos mercados (recorde-se que sem o dinheiro externo não há salários, reformas, subsídios). É a velha máxima: quem tem menos dinheiro, tem menos vícios e Portugal teve durante muitos anos o vício de gastar mais do que aquilo que tinha;
- Este governo está a adoptar medidas estruturais (é a troika que o diz) para diminuir o défice orçamental, o défice externo e a dívida pública. Poderia referir muitas medidas. Destaco duas: mudar o modelo de desenvolvimento do país, deixando de apostar em obras públicas (o que aconteceu durante os últimos 30 anos) para se passar a apostar na produção de bens transacionáveis e de cariz exportador e transformar a lógica de uma economia assente num Estado despesista para uma economia de mercado onde o Estado mais do que controlador tem o papel de regulador;  
- Nesta altura ser contra as medidas de austeridade é ter a atitude mais fácil; compreendê-las (e querer entendê-las) é o mais difícil. Há quem prefira dizer mal (a atitude mais cómoda) e não apontar caminhos credíveis (romper com os credores como muitos dizer é fugir às responsabilidades);
- Há alternativas? Há sempre alternativas e é sempre possível tomar outras medidas. Claro que se pode fazer mais, sobretudo ao nível de sinais que podem ser à sociedade no sentido de se retirarem muitos dos privilégios que a classe política e dirigente tem. Mas, nesse aspecto não se pode dizer que este Governo não tem feito nada. As medidas que têm vindo a ser tomadas (duras, é verdade!) não são cegas, nem iguais para ricos e pobres, estando previstos factores de discriminação positiva para com os mais fracos;
- Tudo parece resumir-se a uma questão de crença. Eu acredito que Passos Coelho é determinado (diferente de se ser teimoso e arrogante) e que, apesar das dificuldades que teremos até 2015, a médio prazo teremos um Portugal melhor do que aquele que temos agora…

segunda-feira, setembro 10, 2012

Início de mais um ano lectivo e a cena repete-se...

Durante esta semana dar-se-á início a mais um ano lectivo. O Ministério da Educação informou as escolas que as aulas teriam que começar entre hoje e sexta-feira. A maioria dos estabelecimentos escolares, no meio de tanta trapalhada, decidiu-se por apenas iniciar as actividades lectivas na próxima sexta-feira. É que a confusão instalada nas escolas à volta da distribuição do serviço docente, da definição dos horários dos professores, da abertura ou não de EFA`s, do estabelecimento dos apoios escolares, entre outros assuntos, é tanta que estaremos, uma vez mais, confrontados com um novo ano lectivo que se espera, no mínimo, atribulado. Já não bastam as injustiças de termos professores com oito, nove ou mais turmas, enquanto que outros (os de horário zero) podem vir a estar um ano de "férias" e a receber (e há quem goste disso), como ainda temos a tal questão dos 30 alunos por turma, da agregação de escolas, do aumento dos CEF`s, profissionais, PCA`s para os professores do costume, etc, etc, etc, 
Contudo, durante estes dias iremos ter a habitual ronda ministerial por escolas escolhidas a dedo e previamente avisadas e preparadas para a presença de Nuno Crato. A ver vamos como se comportam, desta vez, professores e alunos aquando da visita ministerial à escola de eleição. As instruções devem estar mais que definidas para que as câmaras televisivas apenas filmem sorrisos e gestos de alegria. Estou para ver se não vamos assistir novamente a apupos (no ano passado o massacrado até foi Cavaco Silva) ou se a teatralização vai ser suficiente para camuflar o mal-estar que se vive por estes dias nas escolas públicas.
À noite vamos poder assistir a uma entrevista de Nuno Crato na TVI. Estou curioso por ver de que forma é que a Judite de Sousa vai abordar dois temas: o das colocações dos professores (e sobretudo os horários zero) e o dos cursos vocacionais e profissionais. A ver vamos se vai conseguir tirar da boca do Ministro as razões que estão por detrás das imensas mudanças verificadas ultimamente: a poupança ao nível dos recursos financeiros (ou seja, a diminuição das despesas com salários e, logo, menos professores) ou se se vai deixar levar na conversa do costume. É importante que se ouça da boca de Nuno Crato a verdade por inteiro: que o Ministério da Educação tem instruções claras da troika para diminuir o número de professores e que os factores demográficos não explicam tudo...
Na RTP1 também haverá um especial às 21 horas sobre o ano escolar. Também estou curioso por ver de que forma é que a RTP vai abordar o assunto. Mas, espero ainda mais pelo Prós e Contas sobre o assunto (não sei quando será, mas certamente que voltaremos a ter mais do mesmo, ou seja, uma Fátima Campos Ferreira mal preparada e incapaz de abordar verdadeiramente os prós e os contras). Ficamos à espera...

sexta-feira, setembro 07, 2012

Armados em ricos, investimos em estradas que agora estão quase vazias

O Fórum Económico Mundial colocou Portugal em 4º lugar nos países com melhores infra-estruturas rodoviárias. Como sabemos, os governos socráticos foram os que mais dinheiro esbanjaram (e que mais dívidas deixaram para as gerações vindouras) em auto-estradas. Muitas dessas auto-estradas revelaram-se autênticos "elefantes brancos" que apenas serviram os interesses das construtoras e não dos contribuintes. Dois dos casos mais flangrantes são os da A17 e A28, auto-estradas de ligação Sul-Norte no Centro Litoral que distam poucos quilómetros da A1. De Aveiro ao Porto, não se compreende que paralela à A1 se tenha construído a A28. Mas, mais disparates são possíveis de se comprovar nas Áreas Metropolitanas de Lisboa e do Porto, onde se multiplicam as auto-estradas desertas.
Outros erros cometidos foram os referentes à construção de auto-estradas portajadas em cima de itinerários principais. O caso mais gritante é o da A25: a única alternativa que existia no eixo Vilar Fomoso-Aveiro foi destruída para aí se construir uma A25 paga e que obriga os automobilistas a ela recorrerem quando pretendem deslocar-se entre Aveiro, Viseu, Guarda e Vilar Formoso!!!
Mas, para o disparate não ficar por aqui, o último governo socrático tudo fez para que, além de termos das melhores auto-estradas do mundo, pudéssemos ter as melhores escolas do mundo, pelo que se decidiu a gastar mais dinheiro dos contribuintes nesse "elefante branco" chamado Parque Escolar. Objectivo: erguer escolas de luxo, descurando o essencial, ou seja, os recursos humanos. Agora já temos escolas secundárias que mais paracem universidades, mas que não têm verbas para pagar a conta da luz. Vamos ter escolas de luxo em vilas em declínio populacional e cujas vantagens para as comunidades locais são mais que duvidosas.
Foi a política do betão ao desbarato, com efeitos à vista...
Mas Sócrates e os amigos queriam mais do mesmo. Não chegou a asneira de gastarem milhões no Aeroporto de Beja, como ainda queriam aumentar os "elefantes brancos" na versão TGV, Aeroporto de Alcochete e mais auto-estradas que nem cogumelos por esse país fora. Pura incompetência! O saldo está à vista. Podemos ser os melhores do mundo em auto-estradas, mas no que verdadeiramente interessa estamos na mesma, ou seja, como a lesma: educação, saúde, justiça, desigualdades, produtividade...
E o homem lá continua na boa vida em Paris, enquanto o zé povinho aqui tem de aturar todos os dias com as manias da troika!

quarta-feira, agosto 29, 2012

A propósito do empobrecimento

Vai fazer agora um ano que Passos Coelho alertou os portugueses para a necessidade de mudarmos de vida. Passos Coelho escolheu uma expressão que muitos criticaram: "Só vamos sair desta situação empobrecendo". Caiu o "carmo e a trindade" e a revolta maior surgiu com os cortes dos subsídios de férias e de Natal dos funcionários públicos.
Se a necessidade de empobrecer parecia lógica, seguindo a premissa de que quem não tem dinheiro, não tem vícios, o facto deste empobrecimento não ser universal e discriminar uma parte dos portugueses (neste caso, prejudicando aqueles que trabalham para o Estado) revelou-se um erro que o Tribunal Constitucional veio "resolver" em parte. Das duas, uma: ou Passos Coelho aplicava um imposto sobre os subsídios de todos os trabalhadores (como aconteceu ao do último Natal) ou arranjava outra solução. Discriminar uma parte dos portugueses em detrimento de outra revelou-se uma má opção... 
Agora, parece-me claro que adoptando a política de austeridade e incutindo nos portugueses a necessidade de se gastar menos dinheiro, nomeadamente em artigos supérfluos, conseguiu-se que a maioria dos portugueses percebesse que não podemos viver para além das nossas possibilidades, o que não aconteceu durante os últimos 20 anos...
Empobrecer significa fazer uma vida mais de acordo com as reais possibilidades de cada um, que foi o que não ocorreu durante anos e anos, em que se incentivou os portugueses a gastarem aquilo que não tinham. O mesmo aconteceu com o Estado, sobretudo nos tempos socráticos, em que se fizeram obras desnecessárias (sobretudo auto-estradas), empurrando as despesas para o futuro e descurando o investimento em produtos transacionáveis. Durante os últimos 15 anos Portugal quase que triplicou o seu défice externo e mais que duplicou a sua dívida soberana. Isto já para não falar da dívida que deixou para os próximos 40 anos com os contratos irresponsáveis assinados com as concessionárias rodoviárias...
Apesar da dívida pública ainda poder vir a aumentar nos próximos anos (resultado do empréstimo efectuado junto da troika) e do desemprego ainda poder atingir valores mais elevados (consequência da austeridade e da redução do consumo), o défice externo está a diminuir (prevendo-se que Portugal possa atingir já no próximo ano um superavit externo) e as exportações continuam a aumentar a bom ritmo. O défice das contas públicas será estancado até ao final da legislatura e as obras faraónicas são coisa do passado socrático.
E outra coisa interessante: as sondagens continuam a dar a maioria ao PSD, o que com tanta austeridade é prova de que a maioria dos portugueses compreende a política realista levada a cabo por este governo. 

sexta-feira, agosto 17, 2012

Portugal nos Jogos Olímpicos

Durante o último mês pouco se falou de política (ainda bem!), tendo as atenções mediáticas incidido nos fogos florestais, na pré-época das equipas de futebol e na prestação dos portugueses nos Jogos Olímpicos de Londres. A propósito deste último assunto, criticou-se bastante o facto de Portugal apenas ter trazido da capital britânica uma medalha de prata (na modalidade de canoagem), tendo-se inclusivé criticado a forma, segundo alguns, bastante displicente como os atletas portugueses encararam estes jogos.
Ora, tendo em conta que nestes Jogos Olímpicos participaram 204 países e que Portugal se classificou (em termos de medalhas conquistadas; não de diplomas) no 74º lugar, com mais de 110 países a não conquistaram qualquer medalha (alguns mais desenvolvidos do que o nosso, como a Áustria ou a Islândia), parece-me sensato dizer que estivémos ao nosso nível: nem fomos tão maus como alguns querem fazer crer, nem fomos os fora-de-série (como a Hungria), como muitos queriam que fossemos...
Claro que há países menos desenvolvidos do que Portugal que conseguiram melhores resultados do que nós (a Jamaica nas corridas de velocidade, a Etiópia e o Quénia nas corridas de fundo, a Geórgia na luta livre, a Coreia do Norte no halterofilismo), mas muitos destes países especializaram-se numa só modalidade. Aliás, o que nas últimas Olimpíadas tem acontecido com a canoagem portuguesa não é fruto do acaso, mas sim a aposta clara da Federação Portuguesa de Canoagem na profissionalização desta modalidade. E depois temos países como a Hungria que desde há muitas décadas trabalha afincadamente para cada edição dos Jogos Olímpicos: 474 medalhas dos hungaros contra as 23 de Portugal nas trinta edições das Olimpíadas.
Não creio que o problema esteja, como alguns afirmaram, na reduzida importância que Portugal concede ao desporto na infância e adolescência (aliás, até penso que actualmente os jovens praticam mais desporto, tanto amador, como profissional, do que no tempo da Mocidade Portuguesa). A questão é que há países que consideram os Jogos Olímpicos como uma espécie de Guerra Fria, tentando demonstrar nas Olimpíadas mais do que aquilo que são: veja-se o confronto entre os EUA e a China ou entre a Rússia e as antigas repúblicas soviéticas...
Agora, há que definir o que queremos no futuro: continuar a apostar no aumento do número de participantes na delegação portuguesa aos Jogos Olímpicos (numa lógica de que participar já é ganhar) ou apostar tudo na conquista de medalhas, definindo modalidades prioritárias em detrimento de outras (a exemplo do que tem acontecido com a canoagem)?

sexta-feira, agosto 03, 2012

O início do fim das gorduras socráticas...

O ataque à herança socrática aí está.
Muitas das fundações que se multiplicaram que nem cogumelos durante os governos socialistas vão deixar de receber apoios e apenas as que têm real valor social vão continuar a existir. Durante o "consulado" socrático, a criação de fundações foi uma das tácticas utilizadas por muita gente influente para captar financiamento público... Agora, vai-se acabar a mama!!!
Esperemos é que a PGR não se esqueça do relatório dado a conhecer pelo Tribunal de Contas e leve para a frente toda a investigação sobre as irresponsabilidades levadas a efeito pelo ex-Ministro de Sócrates, Paulo Campos, que efectivamente lesaram o Estado português em muitos milhões de Euros e endividaram o país até 2040 à custa das PPP`s rodoviárias...
Também o buraco financeiro da Parque Escolar, criado pelo Governo Sócrates, está a ser estancado...
Custou, mas foi. Agora venham dizer que Sócrates e Passos Coelho são iguais. O primeiro só endividou o país, enquanto que o segundo apenas tenta corrigir os erros cometidos pelas políticas desastrosas de Sócrates e que quase levaram Portugal à falência.
Atentem no quadro ao lado para perceberem as quantias avultadas que as mais de 300 fundações (a maioria sem qualquer função social séria) têm custado aos contribuintes portugueses. Só a Fundações Magalhães (a dos famigerados portáteis para as crianças brincarem) recebeu quase 500 milhões de Euros.
As gorduras do Estado provocadas pelos incomptetentes governos de José Sócrates vão, definitivamente, ser atacadas de frente...

domingo, julho 29, 2012

Só para relembrar os mais distraídos

Há quem continue a esquecer-se que Portugal teve que recorrer à chamada "troika" para não entrar em bancarrota. Sim, falência técnica, sem dinheiro para pagar ordenados aos funcionários públicos, pensões aos reformados e demais subsídios...
Sócrates endividou o país e fugiu. Passos Coelho foi eleito Primeiro-Ministro e, todos os dias, dá a cara pela austeridade imposta e que passou a tomar conta do dia-a-dia dos portugueses. Mas, convém lembrar que ainda faltam muitos meses para que o FMI deixe de tomar conta de Portugal. Sim, porque durante algum tempo Passos Coelho não passa de uma espécie de "marioneta" a mando da troika!!!
E quem diria que seria um etíope (lembrem-se os mais distraídos que a Etiópia é dos países menos desenvolvidos do mundo e com maiores índices de pobreza) a tomar conta daquele que já foi um dos países mais ricos do mundo (falamos de época dos Descobrimentos), que apresentou um dos maiores crescimentos em termos de IDH (nas décadas de 1980 e 1990) e que até há pouco tempo era considerado o "bom aluno" da UE...

quinta-feira, julho 26, 2012

A verdade vai morrer solteira???

São cinco minutos que vale a pena analisar com atenção. Foram dadas a conhecer as conclusões da auditoria feita pelo Tribunal de Contas às parcerias público-privadas rodoviárias, que provam até que ponto estas negociatas foram um desastre financeiro para o país, não se tendo levado em consideração o interesse público. Esta auditoria só diz respeito a algumas PPP`s rodoviárias; se abordasse as respeitantes às PPP`s da saúde e às negociatas da Parque Escolar, o descalabro seria maior...
Certo é que durante quase 40 anos os contribuintes portugueses vão estar a pagar valores exorbitantes por muitas obras sem qualquer interesse público e que apenas serviram os bolsos dos privados. Conhecem-se os principais responsáveis por estas negociatas: José Sócrates e Paulo Campos. O que lhes vai acontecer? Provavelmente nada. Mas, fica aqui o registo em vídeo para memória futura do que deveria ser feito para não nos esquecermos de alguns dos factores (talvez os principais) que quase levaram o país à bancarrota...
Volto a colocar um gráfico que mostra os governos responsáveis por este buraco financeiro. Só para que não se coloquem todos os governos no mesmo saco da incompetência. Como diz um amigo meu: há uns mais incompetentes do que outros...

sexta-feira, julho 20, 2012

Tanto fumo sem fogo??? Não me acredito...

O Público escreve que o acordão lido hoje em tribunal a propósito do caso Freeport refere que:
- "ao longo das audiências de julgamento, resultaram “fortes indícios” de que foram feitos pagamentos a pessoas com altas responsabilidades na administração pública e no Ministério do Ambiente";
- "enunciar com abundantes detalhes os motivos que levaram o tribunal a credibilizar os testemunhos que referiram os pagamentos alegadamente feitos a José Sócrates – entre eles os de Alan Perkins, ex-administrador do Freeport, João Ferreira do Amaral, advogado e amigo do arguido Manuel Pedro, e Mónica Mendes, antiga empregada da firma Smith & Pedro";
- "o acórdão lido pelo presidente do colectivo, Afonso Andrade, justifica a iniciativa declarando “insustentável” que se mantenham por mais tempo “suspeitas” sobre uma pessoa que exerceu o cargo de primeiro-ministro de Portugal".
Será que há assim tanto fumo sem fogo? Não me acredito... Aliás, cá para mim ainda havemos de ter mais novidades em relação a outros casos relacionados com as famosas parcerias público-privadas que quase levaram o país à falência.

sábado, julho 14, 2012

Insustentável

Na política, não basta ser; é preciso parecer. Esta permissa aplica-se sobretudo ao nível da seriedade e da consequência das acções tomadas pelos governantes, antes e após o serem...
Relvas, ao aceitar ser Ministro devia saber que qualquer acção tomada por si antes de ser nomeado Ministro iria ser escrutinada pela comunicação social e julgada pela opinião pública e publicada.
Ora, depois do que se escreveu a propósito da "pseudo-licenciatura" de Sócrates, era por demais evidente que a forma como Relvas se licenciou seria "carne para canhão", no sentido de se exigir a demissão do cargo de Ministro!!!
Claro que os casos de Sócrates e Relvas, apesar de semelhantes nas consequências, são diferentes na forma: o primeiro parece ter agido ilegalmente, através do compadrio e das cunhas, enquanto que o segundo agiu legalmente, mas aproveitando-se de uma lei que simplesmente não deveria existir. No máximo, poderá ter sido a Universidade Lusófona a agir de forma ilícita, devendo, por isso, ser alvo de um inquérito aprofundado por forma da PGR.
Agora, apesar de Relvas não ter feito nada de ilegal (pelo menos do que se sabe até agora), é certo que um Ministro não se pode aproveitar das "ligeirezas" de uma lei (seria bom que todos soubessem em que legislatura foi aprovada esta lei!!!) e depois vir exigir sacrifícios aos portugueses...
Quanto a Passos Coelho, está visto que não tem coragem para demitir o seu braço-direito (todos sabemos como funcionam as amizades no trabalho!), mas deveria lembrar-se dos velhos ditados populares: "trabalho é trabalho, conhaque é conhaque" ou "amigos, amigos, negócios à parte"...

quinta-feira, julho 05, 2012

Viseu: a cidade com melhor qualidade de vida

Num estudo realizado pela DECO, a cidade de Viseu foi considerada como a melhor para se viver em Portugal. Obteve bons resultados ao nível da mobilidade e transportes, planeamento e gestão municipal, habitação, saúde, educação, ambiente, comércio e serviços e paisagem urbana.
Muitos foram aqueles que vieram criticar o estudo, considerando-o demasiado subjetivo por dar muito destaque às percepções e opiniões dos residentes de cada uma das cidades que foram estudadas. Mas, qual o problema de questionar as pessoas sobre se gostam de viver na sua cidade? E o porquê de gostarem ou não?
O certo é que, cada vez mais me convenço que vale a pena viver numa cidade média como Viseu. Uma cidade da região Centro, a meio caminho entre Aveiro e Espanha e entre Vila Real e Coimbra, a pouco mais de uma hora da cidade de Porto e a duas horas e meia de Lisboa, próxima da praia e da montanha, onde se respira tranquilidade, mas onde não faltam espaços de lazer, de cultura e de desporto.
Não é fácil combater o despovoamento do Interior e evitar os fenómenos de litoralização e de bipolarização que afectam a distribuição da população em Portugal, mas são cidades como Viseu, Covilhã e outras do Interior que ainda vão contrariando a macrocefalia que "reina" em Portugal.
Não se pode obrigar as pessoas que vivem no litoral a virem para o interior, nem se podem enviar pessoas para as aldeias para evitar o êxodo rural. Mas, com uma reorganização administrativa coerente do país e com uma correcta gestão municipal, assente no planeamento e em investimentos sustentáveis, pode-se alcançar um maior equilíbrio entre o litoral e o interior e entre o campo e as cidades, com destaque para as de média dimensão. A cidade de Viseu, alheia a investimentos megalómanos ou a despesas inúteis, tem sabido proporcionar à sua população uma qualidade de vida invejável...

quinta-feira, maio 24, 2012

Farto de futebol...

Durante o próximo mês, televisões, rádios e jornais vão inundar-nos com notícias sobre o a selecção portuguesa de futebol. A injecção noticiosa já começou e, imagine-se, chegam-se a gastar vinte minutos nos telejornais da noite com notícias sobre a selecção.
A maior parte das notícias são tão estéreis que só mesmo os fanáticos da bola devem considerá-las interessantes: em que quarto vai dormir o Cristiano Ronaldo, o que vai ser o jantar dos jogadores, quem marcou mais golos no treino da tarde, quais os jogos da Playstation que o Nani mais aprecia, enfim, um conjunto de banalidades que me fazem de imediato mudar de canal.
O bombardeamento noticioso sobre a selecção vai ficar durante um mês. Só mesmo os viciados no futebol devem achar piada às banalidades noticiosas que os jornalistas nos dão a conhecer. Assim se "cultiva" a sabedoria do povo português...

Adenda - Pode ser que o resultado do último jogo da selecção (derrota 3-1 frente à Turquia) tenha servido de lição para os que comandam a equipa nacional.
Depois de 15 dias de férias em Óbidos, "à grande e à francesa", com tantas reportagens inócuas dos jornalistas da SIC mostrando peças caricatas em horário nobre, até que gostei da lição de humildade que os turcos deram aos jogadores da selecção nacional. Pode ser que lhes tenha baixado a mania de que são bons... A estes milionários exige-se menos paródia e mais profissionalismo. E, já agora, umas aulas de Língua Portuguesa e de Formação Cívica...

terça-feira, maio 15, 2012

Hollande, o crescimento económico não se decreta...

O dia de hoje constitui, para muitos socialistas, o início de uma nova era: a da ilusão de que com Hollande, a Europa entrará num novo rumo de crescimento económico e prosperidade. Há quem pense que com Hollande a crise europeia irá ser debelada, colocando o crescimento económico na boca de todo o mundo.
Esquecem-se que sem contas públicas sustentáveis não há crescimento económico que valha aos países do sul da Europa. 
Hollande prometeu na campanha eleitoral fazer frente a Merkel. Ora, a verdade é que se o sul da Europa seguisse os preceitos da política alemã, não teríamos a balbúrdia das contas públicas que grassa na Grécia, Portugal, Espanha e Itália. 
Portugal foi nestes últimos 15 anos o claro exemplo de como insistindo em obras públicas desnecessárias encomendadas através de PPP`s que endividam o país ao longo de mais de 10 anos, se pode levar um país à falência técnica. Agora estamos de mãos estendidas e reféns do que a troika nos "obrigue" a fazer...  

terça-feira, maio 01, 2012

Um 1º de Maio original

Este Dia do Trabalhador fica marcado pela campanha de promoções que o Pingo Doce levou a cabo pelas centenas de lojas que tem pelo país, originando o caos na maioria dos seus supermercados e abrindo os noticiários da noite nos três canais generalistas. Para além do lucro que o Pingo Doce teve com esta campanha, ainda conseguiu publicidade de borla...
A crise está à vista e até com um dia de Inverno, foram milhares os portugueses que não quiseram saber das comemorações do Dia da Trabalhador e que foram para o Pingo Doce tratar de poupar algum dinheiro. 

terça-feira, abril 24, 2012

25 de Abril

Mário Soares amuou e decidiu, em conjunto com alguns dos auto-denominados "Capitães de Abril" não participar nas comemorações oficiais do 25 de Abril.
Segundo a Associação 25 de Abril "a linha política seguida pelo actual poder político deixou de reflectir o regime democrático herdeiro do 25 de Abril". Pelos vistos, os que conseguiram libertar o país para a democracia já se esqueceram do que é a ditadura. Chama-se a este tipo de atitude fazer politiquice de baixo nível com motivos puramente partidários e de protagonismo político.
Quando Sócrates afundou o país estiveram calados e agora que estamos com as calças em baixo e dependentes da "troika" é que fazem barulho. Tenham é vergonha!!!
Enfim, com esta gente da esquerda mais ortodoxa não há mesmo nada a fazer. Eles que aproveitem o 25 de Abril para dormir...

sábado, abril 14, 2012

Descubram-se as diferenças...


Nestes três anos, a cada funcionário público vão ser retirados, em média, 8500 euros. Como cá em casa somos dois funcionários público serão menos 17000 euros, ou seja, quase 500 euros a menos por mês.
Responsável principal: o incompetente José Sócrates...

sexta-feira, abril 06, 2012

Recordar...

Faz hoje um ano que Portugal deixou de ter autonomia financeira. É bom que recordemos o causador de tudo o que estamos e estaremos a passar durante alguns anos...
Foto: comunicado ao país do pedido de ajuda financeira de Portugal à UE

sábado, março 31, 2012

Extinguir freguesias? Claro que sim...

Hoje, muitos presidentes de junta de freguesia e seus "correlegionários" concentram-se em Lisboa para protestar contra mais uma reforma que este Governo quer implementar: rever o número de freguesias, ajustando-o à realidade do país.


Portugal tem, actualmente, mais de 4000 freguesias, muitas delas com menos de 1000 habitantes e que apenas subsistem por razões históricas. Basta olhar para o mapa ao lado para perceber que Portugal, sobretudo, a região Noroeste do país tem freguesias a mais... Ora, com a modernização do país, sobretudo em termos de encurtamento da distância-tempo, fruto da melhoria das infra-estruturas rodoviárias, não faz qualquer sentido continuarmos a ter milhares de freguesias que distam poucos minutos umas das outras e que apresentam um reduzido número de habitantes.


Na minha opinião esta reforma apenas peca por não ir mais além, nomeadamente ao nível da agregação de concelhos. Em muitas regiões do país temos concelhos contíguos e com uma densidade populacional tão reduzida que bem que se poderiam agregar. Por outro lado, nas áreas metropolitanas de Lisboa e Porto, há concelhos cuja relação em termos de migrações pendulares é de tal ordem que não fazia mal nenhum que se juntassem num só.


Mais do que poupar dinheiro, esta reforma vai de encontro à nova realidade do país: com tanto investimento em estradas e auto-estradas, a distância-tempo reduziu-se imenso e as áreas de fixação urbana cresceram de tal ordem que com pouco de mais de 1000 freguesias e 200 concelhos teríamos um país mais eficiente e menos "caciqueiro". A maioria dos meus alunos compreende esta nova realidade geográfica, mas há quem continue agarrado ao passado...

quinta-feira, março 22, 2012

Uma greve para os do costume...

Hoje foi dia de greve geral, mas esta de geral não teve nada. Absolutamente nada... Aliás, o que teve foi a adesão dos de sempre. Os trabalhadores da "esquerda ortodoxa" das empresas públicas, muitas delas em falência técnica e que só não encerram as portas porque são do Estado: Metro, Transtejo, CP, STCP, Carris, entre outras. Nos hospitais, nas escolas e nos tribunais a greve foi insignificante. Claro que os militantes do PCP e do BE aproveitaram o dia para mais uma folga, pouco se importando com o estado do país. Os desordeiros aproveitaram para fazer barulho e tentar aparecer na televisão. Desta vez, até tivémos a oportunidade de assistir a um "desaguisado" entre militantes da CGTP e adeptos de outros movimentos de contestação. E até houve direito a que o polícia de intervenção fizesse uso dos cacetetes em punho...
De resto, amanhã será mais um dia de trabalho, depois de um dia de publicidade para a CGTP e mais uns quantos milhões de euros de prejuízo para as empresas públicas do costume.