Portas voltou a prestar um mau serviço a Portugal. Depois de no passado já ter traído Marcelo Rebelo de Sousa, Durão Barroso e Santana Lopes, foi agora a vez de Passos Coelho ter sido a vítima de mais uma birra de Paulo Portas. Só que agora, a decisão de Portas acaba por constituir uma traição a Portugal, com consequências nefastas para os próprios portugueses nos tempos que se avizinham.
Analisando friamente os acontecimentos políticos das últimas semanas fica-se com a clara ideia que as razões invocadas por Portas para ter abandonado o Governo não correspondem à verdade. Pessoalmente não acredito que tenha sido a nomeação de Maria Luís Albuquerque para Ministra das Finanças a razão da demissão de Portas. Penso que os verdadeiros motivos que estão na origem desta traição de Portas se relacionam, uma vez mais, com meros cálculos políticos do CDS-PP, tendo em vista futuras eleições. Como sabemos, o CDS-PP não é um partido enraizado na população portuguesa, "sobrevivendo" à custa de nichos eleitorais, como são os pensionistas, os agricultores ou os pescadores.
Ora, como sabemos Portas é líder de um partido que é "alérgico" a tudo o que sejam medidas impopulares. E, nestes últimos dois anos de condicionamentos impostos pela troika, Portas nunca quis arcar com o peso do anúncio das medidas impopulares de austeridade.
Dito isto, o que se poderá seguir?
Vivemos tempos de excepção, dado que estamos até Junho de 2014 submetidos a um programa de ajustamento e, portanto, condicionados a um programa de entendimento com a troika. Claro que numa situação normal, o mais óbvio era termos a demissão do Governo e a convocação de eleições antecipadas. Mas, dada a situação excepcional que Portugal vive, parece-me que Passos Coelho tem, por enquanto, todas as condições para continuar a governar sem o CDS-PP, mas suportado numa maioria relativa na Assembleia da República.
O cenário das eleições antecipadas, defendido pela oposição, pode ser uma opção válida, mas os riscos daí decorrentes poderão ser terríveis: o agudizar da instabilidade política, a perda de credibilidade externa, o impasse das negociações com a troika, a hipótese de um segundo resgate, a continuação da austeridade e, ainda por cima, a séria hipótese de termos um novo governo socialista sem maioria absoluta e com a inevitabilidade de continuarmos a ter de seguir com as reformas constantes no memorando assinando com a troika.
Há muita gente que tem memória curta e ainda há quem acredite que não é necessária nenhuma reforma do Estado e que podemos continuar a viver como vivemos nos tempos socráticos: à custa da dívida pública e do adiamento das mudanças que, inevitavelmente, terão que ocorrer em Portugal ao nível da reforma do Estado, sobretudo no que respeita à Segurança Social...
Assim, defendo que um governo minoritário terá menos custos sociais e económicos do que a solução que parece ser mais fácil (a de novas eleições), mas que também poderá ser mais penalizadora para os portugueses. A ver vamos o que se seguirá. Por mim, enquanto não houver uma moção de confiança apresentada à Assembleia da República que seja rejeitada, Passos Coelho tem toda a legitimidade para continuar à frente do Governo de Portugal. O mesmo direi relativamente a uma moção de censura. Quem quiser deitar o Governo abaixo que vote a favor de uma moção de censura e assuma as consequências dessa decisão...




























