As declarações de há uns dias atrás de Mário Soares (ao Público e a outros jornais) sobre os esforços levados a cabo pelo Presidente da República e pelos três partidos que assinaram o memorando de entendimento com a troika com vista a chegarem a um acordo que perspective um futuro mais estável para Portugal, constituem um verdadeiro exemplo do que um ex-Presidente da República nunca deve fazer: servir-se do seu estatuto (e até da sua idade) para obstaculizar um compromisso que, neste momento, poderia ser a última oportunidade para evitar um segundo resgate e novos tempos de austeridade e de crise.
O comportamento de Soares não pode ser desculpabilizado pela
idade avançada do antigo Presidente da República. Depois de quase ter
incentivado à "revolta" do povo, insinuando a necessidade dos
portugueses agirem de forma menos branda na defesa dos seus direitos, vimos agora Soares a tentar tirar o tapete a António José Seguro. E a estratégia de Soares deu resultado. Seguro ficou cheio de medo da facção mais radical do PS e decidiu-se por abandonar a mesa de negociações...
Há quem diga que a idade traz consigo experiência, ponderação e
até razão. No caso de Mário Soares, o que se tem visto, nos últimos tempos não
passa de mera teimosia, arrogância e, sobretudo, falta de bom senso. Cada vez
que Soares surge a prestar declarações em público, é visível uma notória raiva
e ódio por Cavaco Silva e Passos Coelho que apenas incendeia os ânimos...
Soares parece querer que o povo se revolte, quase que apelando à violência. É pena ver como alguém com o estatuto de Mário Soares insiste numa estratégia que em nada beneficia Portugal... A este propósito há que elogiar um outro
ex-Presidente da República que aparece em público poucas vezes, mas que quando
aparece, fala de forma ponderada, sensata e em prol dos interesses do país:
Ramalho Eanes!
Agora que Seguro mostrou o que realmente vale, colocando os interesses pessoais e partidários à frente dos interesses do país, resta esperar que Cavaco Silva reconsidere que o melhor caminho a tomar é (re)legitimar o actual Governo e recuar na ideia de que há que haver eleições mal a troika abandone Portugal. O actual Governo tem toda a legitimidade para continuar a governar, dado que tem uma maioria absoluta no Parlamento que lhe confere apoio nas decisões tomadas, para além de que não se vislumbra qualquer tipo de impasse no regular funcionamento das instituições democráticas do país. Deste modo, e caso não volte a ocorrer nada de anormal (pode ser que as consequências da atitude de Portas tenham servido de exemplo em relação ao que em política não se deve fazer), Seguro vai ter de esperar mais dois anos para tentar ser Primeiro-Ministro...

























