quinta-feira, agosto 28, 2014

Filhos de estimação, uma ova!!!

A revista Visão desta semana apresenta como principal assunto de destaque os animais de estimação, tratando-os como "os novos filhos de estimação", alertando para o facto de nas famílias portuguesas já existirem mais cães do que crianças. Triste país este onde há gente que pensa que um cão substitui um filho. 
Já escrevi aqui inúmeras vezes sobre aquele que considero ser o problema que mais irá contribuir para que Portugal se torne num país ainda mais desigual, mais envelhecido e mais insustentável a longo prazo: a reduzida taxa de natalidade (actualmente a mais baixa de todos os países da UE). Contudo, não me admiro nada que sejamos um dos países europeus com maior número de animais de estimação por agregado familiar! 
Não tendo nada contra aqueles que optam por ter um cão, um gato, um pássaro ou qualquer outro animal de estimação em suas casas, já me incomoda que algumas dessas pessoas tenham a necessidade de falar dos seus bichinhos cada vez que a conversa vai parar ao assunto dos filhos... E então quando quase "equiparam" cães ou gatos acabados de nascer a bebés é que me passo da cabeça!!! Bem sei que os tempos estão difíceis, que há quem queira ter filhos e não o consiga (por razões de saúde ou de falta de dinheiro), mas daí a tentar-se sugerir que quem tem um cão ou um gato em casa é como quem tem um filho, devido às responsabilidades inerentes é, no mínimo, de uma imbecilidade que dá arrepios. 
Eu próprio tenho colegas de trabalho que quando começam com a conversa dos afazeres dos seus bichinhos de estimação me obrigam a que me contenha para não deixar de ser simpático. É que se há coisa que me irrita profundamente é que quem não tem filhos (quaisquer que sejam as razões) tenha a necessidade de fazer o "relatório" descritivo das idas dos seus animais de estimação ao veterinário, do que compraram de alimentação ou vestuário, dos seus passeios ao final da tarde ou até da sua higiene canina ou outra. Para mim é simplesmente insuportável...
Querem ter cães e gatos, façam favor. Agora meter cães, gatos e filhos no mesmo saco como se fosse tudo igual é que não... Um filho não é um entretenimento ou uma simples companhia; é sangue do nosso sangue...

sábado, junho 21, 2014

Afinal, quem é que é amigo dos grandes grupos económicos?

Quando há três anos atrás Passos Coelho chegou a Primeiro-Ministro uma das primeiras medidas tomadas foi parar com as obras faraónicas idealizadas pelo seu antecessor Sócrates. Auto-estradas, TGV e aeroporto de Lisboa, projetos assentes em novas parceiras público-privadas negociadas pelos governos socráticos, foram simplesmente cancelados porque não havia dinheiro para tais megalomanias. 
O país estava à beira da bancarrota e a incapacidade do país para se financiar nos mercados impedia que houvesse liquidez para pagar aos funcionários públicos e aos pensionistas. Assim, tivemos de recorrer aos empréstimos da troika. Claro que a dívida pública aumentou (o financiamento externo de mais de 80 mil milhões de euros ao país a isso obrigou), mas o défice público começou a ser reduzido dos 9% do PIB ao ano para os atuais 4%. A austeridade alterou os hábitos dos portugueses e as próximas décadas continuarão a ser alvo da vigilância externa (enquanto não pagarmos 2/3 da nossa dívida). 
Nestes três anos, o PS de Seguro nunca se apresentou como uma alternativa credível e reforçada e é o núcleo duro do PSD que continua a "sustentar" este Governo. A esquerda encontra-se espartilhada e as últimas eleições europeias provaram que uma nova maioria absoluta será difícil de ser alcançada, quer por PSD, quer pelo PS. António Costa mostrou de que calibre é feito: oportunista, viu nos resultados das últimas eleições a porta aberta do PS do punho fechado (não o da rosa) para se chegar à frente e fazer crer que irá conseguir estabelecer pontes com o PCP e o BE para voltar a ter a esquerda no poder.
E ontem ficámos a saber que o Ricardo Salgado, o todo-poderoso do BES, pediu ao Governo uma ajuda de 2,5 mil milhões de euros para financiar o banco e que Passos Coelho respondeu com um redondo "NÃO". A notícia passou sem que se tenha dado grande importância, mas imagine-se o que se teria dito e escrito do Governo caso a resposta do Executivo tivesse sido positiva. Depois de ter parado com as obras faraónicas dos tempos socráticos e de ter revisto muitas das PPP`s negociadas pelos socialistas, Passos Coelho volta  a mostrar que não está para facilitar a vida aos grandes grupos económicos. Provavelmente, a resposta de um governo socialista teria sido diferente... Como afirmou Passos Coelho vezes sem conta, apesar de muitos o menosprezarem, a austeridade não atingiu apenas alguns...

quarta-feira, maio 07, 2014

Vivemos um conflito intergeracional...

Vivemos tempos difíceis e, porventura, estamos perante um dos poucos períodos históricos desde que existe Portugal em que uma geração mais nova irá viver tempos mais difíceis do que a geração que a antecedeu. De facto, se até aos dias de hoje, a mobilidade sócio-económica da sociedade portuguesa tem vindo, em termos geracionais, a ser uma realidade, corre-se o risco de, no futuro, vermos aqueles que agora estão na idade activa a viverem bem pior do que aqueles que os precederam...
A geração que agora está na idade da reforma pode afirmar que ainda viveu os martírios da ditadura, mas tem a certeza que chegou à idade da aposentação com direito à sua pensão. E mesmo aqueles (ou aquelas) que nunca descontaram para a Segurança Social tiveram direito à pensão de sobrevivência. Mas o que dizer da geração que já nasceu nos tempos da democracia? Pagam impostos enormes, descontam para o Estado Social, sabem que terão de "arcar" com os custos do aumento da esperança média de vida, mas não sabem se terão direito a receber uma reforma digna... Sim, porque serão estes a ter de pagar a dívida que "beneficiou" a geração dos mais velhos e é aqui que entra o conflito intergeracional que domina actualmente a sociedade portuguesa... Os mais velhos (os pensionistas) queixam-se que o Governo os penaliza, mas são os seus filhos que maior dose de penalização têm de suportar: cuidar dos seus filhos, mas também dos seus pais e não sabem o que os espera quando chegarem (se chegarem) à idade da reforma...
Os responsáveis por este conflito entre as gerações dos pais e dos avós são mais do que conhecidos: aqueles que nos (des)governaram nos últimos 40 anos, sobretudo os que "engordaram" a nossa dívida pública nos tempos guterrista e socrático. Os maiores penalizados por este conflito também são mais que óbvios: a geração pós-1970 e os seus filhos que não sabem o que a espera no futuro e que será certamente ainda mais sombrio do que o que vivemos actualmente. Soluções: a teoria manda dizer que a solução está em protestar, lutar e estrebuchar por todos os lados, mas parece-me que, como diz o povo, vamos ter de "comer e calar", ou seja, pagar a dívida e esperar por dias (que ainda estão longínquos) melhores...

terça-feira, abril 22, 2014

Recordar o 25 de Abril...

Nas últimas semanas têm sido muitas as conferências, colóquios e reportagens jornalísticas a relembrar o 25 de Abril de 1974. A conversa é sempre a mesma: a conquista da liberdade. O problema é que as verdadeiras razões que estiveram na origem do eclodir da revolução são, propositadamente, ignoradas por muitos daqueles que tentam "resgatar" o 25 de Abril para si próprios. Entre estas personagens que pensam ter sido os pais da democracia em Portugal figura Mário Soares, que se julga o "libertador" de Portugal... 
Convinha que as gerações mais novas fossem elucidadas do principal motivo que esteve na origem do golpe militar de Abril: o fim da guerra colonial. Claro que alguns partidos, nomeadamente o PS e o PCP, julgam-se os fundadores da democracia em Portugal, esquecendo-se que é aos militares que devemos a destituição dos precursores de Salazar no poder... E depois temos a outra parte da história que continua a ser desprezada nos manuais de História: a importância da revolta militar do 25 de novembro de 1975 que abriu portas à democracia e afastou de vez o risco de passarmos de uma ditadura de direita para uma ditadura de esquerda...
Quanto aos 40 anos que passaram desde 1974, temos, indiscutivelmente, o desenvolvimento, a democracia e a liberdade de expressão como as principais "dádivas" resultantes do fim da ditadura. Poderíamos estar melhores do que estamos? Claro que sim. Responsáveis pelo estado difícil em que nos encontramos: as políticas de desequilíbrio das contas públicas e de endividamento que temos vindo a ter desde há 40 anos, sobretudo nos últimos 15 anos. E claro que "desancar" nos políticos é demasiado simplista. O próprio povo tem culpas no cartório. Já alguém dizia: somos um povo que não se governa, nem se deixa governar. E os vícios de tantas décadas de Estado Novo continuam bem vincadas: futebol, fado (acompanhado do tintol...) e Fátima continuam a fazer do povo português um povo de brandos costumes. Para o bem e para o mal... 

quarta-feira, março 12, 2014

Sobre o manifesto: há coisas que se pensam, mas há que saber quando dizê-las...

O debate que foi suscitado acerca do manifesto que defende a reestruturação da dívida pública portuguesa vem provar que há quem apenas procura protagonismo a custo fácil, sem que se aperceba (ou até perceba, mas queira fazer-se despercebido) que, por vezes, "a emenda é pior que o soneto".
Senão vejamos:
1. Há três anos atrás o país estava à beira da bancarrota e, mal ou bem, todos percebemos que sem a troika Portugal estaria agora bem pior (a história das duas últimas bancarrotas prova-nos isso);
2. Há três anos que, por via do empréstimo concedido pela troika, o país anda a empobrecer, por forma a reduzir o seu défice orçamental e a cumprir os seus compromissos externos;
4. Nas próximas três décadas continuaremos dependentes dos financiamentos externos, dado a dívida externa que temos para com os nossos credores (que, recorde-se, nos financiaram porque assim lhes pedimos);
5. Faltam dois meses para que o memorando da troika chegue ao fim e possamos recuperar um pouco da nossa autonomia financeira;
6. Sabemos que, mais tarde ou mais cedo, e caso continuemos a cumprir com as exigências dos nossos credores, poderemos tentar a renegociação da nossa dívida pública (as empresas fazem-no quando pedem empréstimos aos bancos, as famílias fazem-no em relação aos créditos concedidos para a compra de casa, pelo que também o Estado o pode fazer);
7. Durante três anos quisemos ser "iguais" à Irlanda e tudo fizemos para nos distanciarmos da Grécia.
Então o que justifica que agora apareça este manifesto? Muito simples: uns apenas estão a fazer aquilo que sempre fizeram (luta político-partidária), enquanto que outros (como Ferreira Leite ou Bagão Félix) aproveitam este manifesto para se mostrarem aos olhos da opinião pública como inocentes e "amigos do povão". Querem dar música ao povão!
Pois bem, se este manifesto se concretizasse, o resultado seria simples: passados poucos meses teríamos um estado insolvente, sem que o financiamento externo surgisse e caso surgisse teríamos que suportar juros enormíssimos. Talvez daqui a uns anos possamos reestruturar a dívida (prolongá-la no tempo), mas falar disso nesta altura é querer fazer politiquice baixa. Não vou na cantiga dessa gente. 
Há coisas que se podem pensar, mas há que saber quando as dizemos...

quarta-feira, fevereiro 26, 2014

Outra vez a natalidade...


Foram já tantas as vezes que aqui escrevi sobre este assunto que já lhes perdi a conta. E é também um tema que os políticos gostam de abordar cada vez que se apresentam a eleições, seja a nível concelhio, seja a nível nacional.
Pois bem, esperemos que não venha aí mais uma ideia disparatada do tipo socrático (o cheque bébé) que nem chegou a sair do papel e que se perspectivava ser um fiasco, apenas aproveitada pelas famílias que já têm muitos filhos, precisamente as de menores recursos financeiros.
Ora, interessa que o Governo de Passos Coelho perceba algo que já há muitos anos é conhecido dos entendidos deste assunto: mais do que conceder subsídios (que muitas vezes apenas são aproveitados pelos mais pobres - que já de si têm muitos filhos), interessa criar condições a nível laboral para que as famílias da classe média tenham mais do que um filho. Sim porque quem opta por não ter filhos não vai mudar de ideia apenas porque pode ter maiores facilidades no horário de trabalho ou um acrescento no seu rendimento mensal. O que importa é convencer aqueles casais que já têm um filho a terem mais um e, muitas vezes, essa opção apenas pode estar dependente do reforço do trabalho a tempo parcial ou da adopção de um política fiscal que discrimine, de forma positiva, as famílias que têm filhos.
É importante que se facilitem as condições de trabalho para quem tem filhos sem que se percam regalias, ao mesmo tempo que o IRS deve ser muito mais discricionário ao nível do número de filhos que compõem o agregado familiar. Mas claro que para fomentar o trabalho a tempo parcial é necessário que se reduza a taxa de desemprego, reforçando o crescimento económico. E para isso é necessário que, ao contrário do que aconteceu durante muitos anos em que o investimento público se direccionou, em grande parte para as obras públicas, se comece a investir naquilo que é realmente importante: a indústria, o turismo, a agricultura, os serviços sociais...
Já passaram quase três anos desde que chegou a troika. Sabemos que a austeridade foi fatal para as famílias e a economia nacional. A outra opção era a bancarrota. Agora é tempo de devolver o país aos portugueses. E não querendo dividir os portugueses entre aqueles que têm filhos e os que não os têm (por opção) é chegada a hora de combater um problema que toca a todos: o envelhecimento populacional. E este só se combate com o aumento da natalidade, por forma a contrariar o índice de envelhecimento populacional. E isto se ainda quisermos que daqui a uns anos haja Estado Social e Segurança Social. 

sábado, fevereiro 08, 2014

Sobre a polémica dos quadros de Miró...

Nas últimas duas semanas muito se tem falado sobre a venda ou a preservação em Portugal dos quadros de Miró. Muitos têm sido os comentários acerca de uma hipotética dicotomia entre a esquerda e a direita relativamente à política cultural. Outros apelidam esta dicotomia numa perspectiva de maior ou menor pragmatismo sobre um assunto que poderia muito bem ter passado por um não-assunto.
Mas já que tem-se escrito tanto sobre o que fazer aos quadros de Miró, aqui vai a minha opinião. Sintetizo-a em meia dúzia de pontos:
1. Miró não foi português, pelo que enquadrar os seus quadros numa espécie de acervo cultural nacional a preservar parece-me um notório excesso;
2. Miró nem sequer teve grandes ligações a Portugal: natural de Espanha, andou pela França e pelos EUA, mas não pousou por cá, nem sequer se inspirou na cultura portuguesa para pintar um quadro que fosse;
3. Tendo sido património de um banco privado que depois foi nacionalizado e, tendo em conta que o referido banco ficou cheio de dívidas ao Estado, não me incomoda nada que os quadros de Miró sejam leiloados por forma a compensar o Estado dos prejuízos que este teve com a referida instituição bancária;
4. Afirmar-se que com os quadros de Miró em Portugal teríamos mais turismo cultural parece-me um claro atentado a todo o vastíssimo património cultural que Portugal possui e que, este sim, deve ser preservado, recuperado e potencializado. E tanto que há por preservar e divulgar em Portugal;
5. Fazer tanto barulho acerca da preservação em Portugal de quadros de um pintor (que, convenhamos nem é assim tão conhecido a nível mundial - não se compara a um Picasso, a um Van Gogh ou a um da Vinci) espanhol que nada teve que ver com Portugal deve dar vontade de rir aos espanhóis, o que em nada abona a nosso favor;
6. Finalmente, quem estiver assim tão preocupado em fazer crescer o turismo cultural ligado ao mundo da pintura, então tem muito que fazer: bastará investir na preservação e divulgação de pintores portugueses tão prestigiados como Grão Vasco, Júlio Pomar, Júlio Resende, Mário Cesariny, Nadir Afonso, Paula Rego, Vieira da Silva e muitos mais...
Conclusão: por mim podem vender à vontade os quadros de Miró que não fazem cá falta nenhuma...

sábado, janeiro 18, 2014

O referendo e as vantagens da democracia participativa...

O PSD decidiu-se, sozinho, por aprovar a realização de um referendo sobre dois temas: a coadopção gay e a adopção por casais homossexuais. Agiu de forma pouco democrática, obrigando os "seus" deputados à disciplina de voto, o que originou um número alargado de declarações de voto. Por outro lado, mais uma vez se viu a força que as "jotas" continuam a ter nos partidos, neste caso, no PSD.
Mas vamos ao que interessa e que está implícito no título deste artigo. O referendo constitui, quanto a mim, o caminho mais correcto, pela sua dose de democraticidade, de resolver questões que envolvem temas fracturantes e de difícil resolução. Penso que não devemos deixar à mercê dos 230 deputados do parlamento a decisão sobre um tema tão complexo como a (co)adopção por homossexuais. Daí que defenda a convocação deste referendo. Outros temas complexos como a legalização das drogas, a despenalização do aborto, a aprovação da regionalização ou a restauração da monarquia são, também eles, susceptíveis de serem referendados...
Quanto às duas questões que envolvem a proposta de referendo, tenho uma posição muito clara. Em relação à adopção de crianças por casais homossexuais sou frontalmente contra. O Estado não deve colocar no mesmo plano casais heterossexuais e casais homossexuais na hora de permitir a adopção de crianças. A desculpa do "todos diferentes, todos iguais" não pode vingar para tudo... Há limites!
Já em relação às situações em que filhos biológicos de uma mulher que depois se junta com outra mulher formando um casal homossexual, não sendo a situação ideal (dado que pela ordem natural das coisas, o ideal é que uma criança cresça num ambiente onde existam as figuras paterna e materna), a bem da criança deve permitir-se que, na falta da mãe biológica, a criança possa ficar à guarda da outra figura com a qual coabitou ao longo do seu crescimento, mesmo que essa figura seja do mesmo sexo da mãe biológica. 
Enfim, são questões muito complexas para as quais o Estado tem que dar resposta não devendo, por isso, demitir-se da sua função de regular, também nestes casos, o poder parental. Mas dado que falamos de questões fracturantes na sociedade portuguesa, o melhor é mesmo dar a voz aos portugueses e não deixar que os 230 deputados que representam o povo decidam, tendo por base os seus valores éticos individuais, dado que não deram conta deles quando se apresentaram ao seu eleitorado na hora de pedir o voto...
O problema é que, muitas vezes, vemos os portugueses a queixarem-se dos seus políticos e quando têm a possibilidade de darem a conhecer a sua posição em eleições optam pela abstenção. Claro que a justificação que se costuma ouvir para essa abstenção é a de que não havia, no rol de escolhas possíveis, nenhuma válida. Pois bem, num referendo, as opções de resposta são as mais simples e as mais directas possíveis (o sim ou o não), pelo que não há desculpas possíveis para que o povo não dê a conhecer a sua opinião. Nada melhor do que a democracia participativa para que a desculpa não recaia em cima da melhor ou pior "gama" de políticos que temos...

segunda-feira, dezembro 23, 2013

E chegámos ao fim de 2013. Finalmente...

Pois é, finalmente chegou ao fim aquele que foi tido por muitos como o ano horribilis de Portugal desde 1986 (o ano em que aderimos à então CEE e que nos permitiu deixarmos de ser um país pobre para passarmos a ser um país, digamos, remediado). Este foi, infelizmente, o ano em que se bateram muitos dos recordes que nenhum país quer bater: taxa de desemprego e número de emigrantes. 
Os factores desta crise estão mais do que diagnosticados. A austeridade revelou-se o remédio que uns consideraram evitável, enquanto outros o viram como uma inevitabilidade. A dose aplicada é mais do que discutível. Mas, como diz o povo "em casa onde não há pão todos ralham e ninguém tem razão". Foi o que se passou com Portugal. Com um país à beira da bancarrota, resultado dos muitos erros governativos cometidos durante os últimos 40 anos de democracia, mas com especial incidência nos últimos 15 anos, tornou-se insustentável a lógica de tapar o défice crónico recorrendo à dívida pública. A troika, como diz o povo, "entrou a matar" e aplicou um remédio que durou três anos, mas que deveria ter sido pensado para o dobro do tempo. O apertar do cinto foi mais que evidente e agora todos desesperamos para que a crise chegue ao fim. 
O desemprego atingiu milhares de famílias. Muitas delas viram-se obrigadas a emigrar. Muitos dos imigrantes que por cá estavam resolveram regressar aos seus países de origem. Os portugueses viram-se obrigados a conter-se na hora de gastar dinheiro. Comer fora de casa passou a ser um luxo para muitos e passar férias em casa passou a ser banal para muitas famílias. A escola é dos locais onde as consequências da crise são mais evidentes: com famílias desestruturadas, fruto do desemprego ou da emigração, os mais novos são aqueles que mais se ressentem. A pobreza alastrou a muita gente da classe média. 
Mas, seguindo o ditado popular de que "em casa onde não há pão todos ralham e ninguém tem razão", tivemos outra consequência da crise em que mergulhámos: o mal-estar social, com cada um a olhar para o seu umbigo. Os idosos dizem-se injustiçados por verem os cortes aplicados nas suas reformas. As famílias com filhos consideram que não é a eles que a crise deve incidir. Os funcionários públicos revoltam-se contra os que trabalham no sector privado, mas o mesmo se passa com estes em relação aos que trabalham para o Estado. Os jovens dizem-se incompreendidos por um país onde o emprego escasseia. Os de meia idade que se confrontam com o desemprego afirmam ter a experiência que os jovens não têm e consideram um erro serem preteridos pelos mais novos. Enfim, temos uma sociedade onde impera a inveja e onde cada classe social (ou etária) apenas olha para si própria. 
Será que 2014 vai ser melhor? Seguindo a lógica das fases eleitorais, o "normal" é termos anos mais difíceis na primeira metade das legislaturas e anos mais favorecidos nos finais de mandato. Os economistas, seguidores dos que as estatísticas dizem, consideram que a crise está a chegar ao fim. Dizem que o país começa a ter crescimento económico e que o desemprego começou a diminuir. Mas, basta pensar na emigração para perceber que, por enquanto, não há certezas disso. O que parece mais do que certo é o definhamento de Portugal: a natalidade nunca foi tão reduzida e parece que não voltará aos valores de há uns anos atrás. Por outro lado, com o envelhecimento da população portuguesa, o futuro daqueles que agora trabalham e (ainda) esperam vir ter direito a uma reforma digna é cada vez mais duvidoso. E, com esta dúvida, muitos são aqueles que optam por não ter filhos ou ter apenas um. A consequência é mais do que evidente: um país onde o actual sistema de Segurança Social em vigor se torna inviável.
Há pois que esperar que 2014 seja o ano do volte-face e que, com o fim da crise, se concretizem algumas das reformas de que o país realmente necessita: um sistema fiscal que discrimine positivamente as famílias com filhos; um sistema de saúde que evite desperdícios; um sistema de educação que favoreça a equidade e evite o sucesso encapotado; uma reforma do poder autárquico que extinga com concelhos que, hoje em dia, não têm razão de existir e ponha travão aos caciquismos locais; uma reforma do poder político que acabe com muitos dos privilégios que existem para os políticos. E, já agora, que de uma vez por todas possamos ter um país que saiba gerir bem os dinheiros públicos, por forma a acabar com os anos de défice público que nos trouxeram aos estado a que chegámos.
Boas festas e que 2014 seja, dentro das expectativas de cada um, o melhor possível. Que daqui a um ano possamos sorrir. Será bom sinal...

sábado, novembro 23, 2013

A idade não perdoa. Soares passou-se de vez...

Mário Soares passou-se de vez. E é a idade que o desculpabiliza de tantos disparates que vai dizendo. Bem sei que falamos de um ex-Presidente da República e de alguém que, quer se queira, quer não, terá um lugar na história da democracia em Portugal. Claro que há muitos episódios que apenas a investigação histórica poderão esclarecer (a forma como Soares se apropriou dos louvores da instauração da democracia em Portugal quando falamos de uma revolução de cariz militar ou a sua responsabilidade na forma como o FMI teve de intervir em Portugal para não cairmos na bancarrota e isto já para não falarmos das facilidades obtidas com a sua Fundação ou das ligações obscuras a Angola), mas começa a ser insuportável ter de ouvir as "ignomínias" de Mário Soares contra o actual Governo e Cavaco Silva.
Até parece que o homem já se esqueceu dos elogios que fazia nos primeiros tempos do Governo de Passos Coelho? Será que foi o regresso de Sócrates à ribalta que o fez mudar de opinião? Ou a ânsia do poder para o PS é tanta que agora até ameaça com a violência para ver se temos eleições antecipadas?
A Soares ainda podemos desculpabilizar, na lógica de que a idade não perdoa e, portanto, há que dar um desconto, tais são os disparates que o fundador do PS tem dito e redito. Quanto aos ortodoxos do costume (PCP e BE) também não há novidades, dado que esses apenas dizem mal por dizer. Não sabem fazer mais nada. Nunca governaram e, pelos vistos, não saindo da sua redoma nunca irão governar. Já algumas figuras da vida política portuguesa como António Costa ou Pacheco Pereira, deveriam ter tido um pouco mais de juízo e fazerem como fez o socialista Francisco Assis: colocarem-se à margem do incitamento à violência. 
Começa a não haver paciência para as bocas foleiras de Mário Soares. Acredito que a maioria dos portugueses, apesar de descontentes com a situação do país, não se revêem nas declarações desta personagem que caminha para uma saída muito triste da vida política portuguesa. Só um exemplo: Soares não chega aos calcanhares de um outro ex-Presidente da República, Ramalho Eanes, que aparece poucas vezes, mas que quando aparece sabe o que diz...  
Soares parece estar com graves problemas de memória. É da idade. Mas, pelos vistos, ainda há muitos portugueses que, apesar de mais novos, também não têm memória e se esquecem de como é que o país chegou ao ponto a que chegou. É o país que temos... 

quarta-feira, novembro 06, 2013

O que quer o PS?

Depois da mais do que retardada apresentação pública do guião(?) de reforma do Estado, o Governo desafiou o PS para o diálogo. Como sabemos, a resposta socialista foi um contundente “não”, justificando tal decisão com a total oposição a mudanças a operar na actual matriz do Estado social que temos. Terá sido esta a resposta de que o país (interna e externamente) necessita? Penso que não...
Desde já há que perceber que a imagem que passamos para o exterior é a de um país dependente do financiamento externo que não consegue chegar sequer ao diálogo (já não digo ao consenso) sobre o futuro do Estado social. E, como sabemos, o contexto socioeconómico que ergueu o nosso Estado social nada tem que ver com a actual realidade. Se num tempo em que predominava uma pirâmide etária jovem (com muitos jovens e poucos idosos) era sustentável termos um Estado social como o que conhecemos actualmente, o predomínio de uma pirâmide etária invertida (com uma população crescentemente idosa), aliada a uma dívida externa colossal, implica que se façam mudanças nas bases do Estado social em vigor. Isto se quisermos continuar a ter um Estado social...  Recusar esta ideia como faz o PS é negar as evidências, com claro prejuízo da imagem externa do país.
E, internamente, o que podemos dizer desta recusa socialista? A ideia que passa é que o PS apenas aguarda pelo dia em que cheguem as eleições legislativas. Até lá, não se quer comprometer com qualquer tipo de compromisso que implique insatisfação na opinião pública. Onde é que já vimos isto? Na oposição não se falam em cortes e, já instalados no poder, justificam-se com a herança recebida...
E como pode um país avançar e dar uma imagem de credibilidade quando o que comanda muitos dos nossos políticos é a falta de compromisso e a ânsia da espera da queda do actual poder? Vejam o exemplo da Alemanha, onde partidos opostos, a bem do país, se entendem. Por cá, é a politiquice do costume que domina cada dia que passa...

sábado, outubro 26, 2013

A urgência de um acordo entre PSD e PS...

Se um presidente de câmara independente consegue obter um acordo de governação com o PS para garantir estabilidade na condução dos destinos da autarquia da segunda cidade mais importante do país, não há razões que justifiquem a incapacidade para que os dois maiores partidos portugueses (PSD e PS) não se entendam por forma a obterem um acordo de entendimento a longo prazo (no mínimo 10 anos) que permita a Portugal falar a uma só voz nas instâncias internacionais. 
Veja-se o que se passa na Alemanha, onde são envidados esforços para que o partido de Merkel chegue a um entendimento com o partido da oposição. Por cá, continuamos a ter a mesma "cassete" de sempre: o governo propõe e a oposição crítica e cada vez que um novo partido chega ao Governo desfaz o que o anterior construiu. E, assim, o que temos? Uma incapacidade atroz para que a nossa credibilidade externa possa ser levada a sério.

quarta-feira, outubro 16, 2013

O OE 2014 e a medida de que poucos falam...

A proposta do Orçamento de Estado para 2014 foi apresentada e, logo de seguida, começou o chorrilho de críticas.
Os sindicatos da Função Pública queixam-se de que, uma vez mais, são os funcionários públicos a terem de pagar com as favas do défice. É o problema de se ter um patrão à beira da falência...
Os pensionistas, através da sua representante (uma antiga professora da Escola Secundária Infanta. D. Maria de Coimbra e, portanto, com uma reforma certamente não inferior a 2000 euros brutos) dizem-se injustiçados pelo facto das pensões de sobrevivência (algumas apenas apenas o são de nome!) apresentarem cortes para quem recebe mais de 2000 euros mensais. Mas, convenhamos, 2000 euros mensais para um reformado não é suficiente? É necessária uma pensão de sobrevivência?
Os empresários queixam-se que o IVA continua elevado, apesar do IRC baixar. Mas, sejamos sérios, tudo o que é facturado no comércio e na restauração é mesmo apresentado ao Estado. É que, por exemplo, quando vou aos restaurantes, se não peço factura, na maior parte das vezes não me entregam qualquer factura...
E, imagine-se, até os grandes tubarões como a EDP, a GALP, os bancos e outros apresentam-se contra o aumento da sua carga fiscal e a redução de algumas das suas rendas fixas, ameaçando com o recurso aos tribunais. E depois venham dizer que o Governo não corta aos grandes!
E, mesmo assim, todos ameaçam: os sindicatos com greves, os partidos da oposição com o Constitucional, as "empresas-tubarão" com os tribunais.
O povo, esse, uma vez mais, segue a velha máxima: no início estranha-se e, depois, entranha-se. Com a agravante de que cada vez mais temos um povo dividido entre os que trabalham no privado e os que são funcionários públicos e entre aqueles que estão na sua vida activa e os que já estão aposentados. Enfim, é o queixume habitual.
Entretanto, não há dúvidas de que somos um país sem memória, como se todos os responsáveis que nos trouxeram até este estado de agonia social e completa dependência financeira externa nada tivessem que ver com o que somos obrigados a atravessar enquanto país...
Claro que não há Orçamentos perfeitos e, num tempo de aperto financeiro e com um país à procura da sua autonomia financeira (só possível com contas públicas minimamente sustentáveis) nenhuma proposta de Orçamento de Estado poderá agradar a todos.
Curiosamente (ou não!), pouco se tem falado de uma proposta incluída neste Orçamento de Estado: a suspensão das pensões vitalícias para os políticos que tenham um rendimento mensal superior a 2000 euros. Certamente, a maioria dos antigos políticos! Claro que se as pensões vitalícias continuassem impunes, o rol de críticas ao Governo seriam enormes, mas como foi um governo de centro-direita a mexer neste tipo de privilégios injustos, então nada se diz...
Tenhamos a coragem (e a humildade) de perceber que há pouco mais de dois anos Portugal estava numa situação de bancarrota iminente e que 40 anos consecutivos de défice orçamental deu no que deu. Ainda por cima, ignorou-se, por completo, o caos demográfico que tem vindo a tomar conta de Portugal. Somos já o oitavo país mais envelhecido do mundo, pelo que alguns dos direitos pensados e instituídos há 40 anos atrás para um país jovem não se podem manter para um país que está próximo de ter uma pirâmide etária completamente invertida.
O exemplo dado no corte das pensões de sobrevivência e a forma como alguns continuam a defender que nenhuma pensão de sobrevivência deveria ser cortada (mesmo aquelas que significam valores que nada têm que ver com sobrevivência) mostra que há quem esteja na política apenas na ânsia de criticar. É o caso dos partidos da oposição que, indirectamente, vieram defender que não se deve mexer nos chamados "direitos adquiridos" e que, portanto, devem ser colocados no mesmo saco situações tão díspares como a de uma qualquer viúva que tenha sido sempre doméstica e viva com uma pensão de sobrevivência de 400 euros, como a de uma antiga professora que recebe 2000 euros de reforma e à qual vê acrescida uma pensão de sobrevivência de 1000 euros. 
E não tenhamos dúvida. Enquanto país, ainda não estamos livre da insolvência...

quinta-feira, setembro 19, 2013

Quem tudo quer...

Depois de dois anos de forte austeridade imposta pela troika, eis que o FMI (ou pelo menos alguns dos técnicos do FMI) chega à conclusão que a dose de medidas austeras a que Portugal foi sujeito se revelou excessiva. É caso para dizer: finalmente!!! Todos sabíamos que a partir do momento em que ficássemos reféns dos credores externos e sujeitos a um plano apelidado de "consolidação das contas públicas", nada voltaria a ser como dantes. As palavras que passaram a ser mais utilizadas são o sinal evidente dos tempos difíceis que o país vive há já alguns anos: cortes, falências, despedimentos, racionalização e empobrecimento... 
É chegado o tempo de parar e reflectir. É que, como diz o povo, "quem tudo quer, tudo perde". E o pior que nos poderia acontecer seria chegarmos agora à conclusão que os sacrifícios colossais a que o povo português foi sujeito nos dois últimos anos de nada serviram...

quinta-feira, setembro 05, 2013

O flagelo dos incêndios florestais em Portugal...

O mês de Agosto foi dominado pelo tema dos incêndios florestais, um flagelo que, até agora, já ceifou a vida de seis bombeiros voluntários e que causou um considerável número de feridos em estado grave e muito grave. Mais uma vez assistiu-se ao debate acerca das causas que estão por detrás da ocorrência de tão elevado número de incêndios florestais, muitos deles a terem o seu início de madrugada. 
Há quem fale nos negócios dos incêndios, insinuando que às empresas de aviação contratadas pelo Estado lhes interessam que haja muitos incêndios. 
Há ainda quem não tenha dúvidas que a necessidade de pastagens para os animais leva a que muitos incêndios sejam provocados por pastores. 
E, finalmente, temos as situações, que vêm sendo conhecidas, de autênticos loucos que têm prazer em ver arder as florestas e se dedicam a andar pelas florestas a provocarem incêndios. Disto tudo sobram poucos incêndios que tenham como justificação uma autêntica causa natural...
As estatísticas da Autoridade Florestal Nacional (AFN) indicam que a evolução anual da área florestal ardida em Portugal é bastante irregular, pelo que, dizem, não se pode concluir que cada vez haja mais área florestal ardida. Contudo, se atendermos a uma evolução analisada por década e não por ano, as conclusões acerca do impacto deste flagelo parecem mais que óbvias: na década de 1980 a área ardida foi de cerca de 700 mil hectares, na década de 1990 foi já um pouco superior a um milhão de hectares e na década de 2000 aproximou-se do milhão e meio de hectares. Ainda não chegámos a meio da década de 2010 e a área ardida já é superior a 500 mil hectares.
Parece mais que óbvio que não é a natureza a principal responsável por este contínuo aumento da área ardida verificado desde 1980. São, sem dúvida, a multiplicidade de causas humanas que justificam tão grande flagelo. As causas estão mais do diagnosticadas.

quinta-feira, julho 25, 2013

A crise das Humanidades...

Desde há uns anos para cá que se tem assistido a uma redução, em termos gerais, da qualidade dos alunos que chegam à área das Humanidades no início do ensino secundário. Os maus resultados verificados nos exames nacionais deste ano às disciplinas ligadas às Humanidades são a prova cabal da crise que se vive nesta área do saber. 
Entretanto, o GAVE, gabinete do MEC responsável pelos exames nacionais, veio esclarecer que os alunos têm vindo desde há vários alunos a evidenciar dificuldades nas capacidades de leitura e de escrita. E essas dificuldades são mais que notórias para quem lecciona estas disciplinas a alunos do secundário! Ora, sabendo-se que nos exames das disciplinas das Humanidades abundam questões de escolha múltipla (só no exame de Geografia este tipo de questões correspondem a metade da pontuação total do exame), então fica claro que a gravidade da situação é ainda maior do que aquela que transparece dos resultados obtidos pelos alunos. 
É que os resultados só não têm sido piores porque ainda é concedido um peso considerável às questões de escolha múltipla que, como se sabe, não permitem aferir, de forma real e cabal, os verdadeiros conhecimentos dos alunos. E há que não esquecer a forma como estão definidos os critérios de correcção. Se há dez anos atrás a resposta errada a uma questão de escolha múltipla implicava a perda de cotação na questão, agora o aluno pode errar na resposta e não é penalizado... 
Nas Humanidades deveriam estar, teoricamente, os alunos com melhores capacidades para a leitura e escrita. Contudo, a "fuga" de muitos destes alunos para as áreas das Ciências Exactas, pela ideia que se criou que as saídas profissionais das Humanidades são cada vez mais limitadas (as Humanidades não têm apenas como saída os cursos de formação de professores!), deu origem à situação que actualmente vivemos: uma crise latente na área das Humanidades. 
Com isto tudo, não terá chegado o tempo de se repensarem os currículos dos ensinos básico e secundário, assim como a forma como se elaboram os exames nacionais? É que os anos vão passando e a ideia com que se fica é que os alunos chegam ao ensino secundário cada vez menos bem preparados, situação que é também já relatada relativamente à entrada dos alunos no ensino superior...

sábado, julho 20, 2013

Soares: o incendiário...



As declarações de há uns dias atrás de Mário Soares (ao Público e a outros jornais) sobre os esforços levados a cabo pelo Presidente da República e pelos três partidos que assinaram o memorando de entendimento com a troika com vista a chegarem a um acordo que perspective um futuro mais estável para Portugal, constituem um verdadeiro exemplo do que um ex-Presidente da República nunca deve fazer: servir-se do seu estatuto (e até da sua idade) para obstaculizar um compromisso que, neste momento, poderia ser a última oportunidade para evitar um segundo resgate e novos tempos de austeridade e de crise.
O comportamento de Soares não pode ser desculpabilizado pela idade avançada do antigo Presidente da República. Depois de quase ter incentivado à "revolta" do povo, insinuando a necessidade dos portugueses agirem de forma menos branda na defesa dos seus direitos, vimos agora Soares a tentar tirar o tapete a António José Seguro. E a estratégia de Soares deu resultado. Seguro ficou cheio de medo da facção mais radical do PS e decidiu-se por abandonar a mesa de negociações... 
Há quem diga que a idade traz consigo experiência, ponderação e até razão. No caso de Mário Soares, o que se tem visto, nos últimos tempos não passa de mera teimosia, arrogância e, sobretudo, falta de bom senso. Cada vez que Soares surge a prestar declarações em público, é visível uma notória raiva e ódio por Cavaco Silva e Passos Coelho que apenas incendeia os ânimos... Soares parece querer que o povo se revolte, quase que apelando à violência. É pena ver como alguém com o estatuto de Mário Soares insiste numa estratégia que em nada beneficia Portugal... A este propósito há que elogiar um outro ex-Presidente da República que aparece em público poucas vezes, mas que quando aparece, fala de forma ponderada, sensata e em prol dos interesses do país: Ramalho Eanes! 
Agora que Seguro mostrou o que realmente vale, colocando os interesses pessoais e partidários à frente dos interesses do país, resta esperar que Cavaco Silva reconsidere que o melhor caminho a tomar é (re)legitimar o actual Governo e recuar na ideia de que há que haver eleições mal a troika abandone Portugal. O actual Governo tem toda a legitimidade para continuar a governar, dado que tem uma maioria absoluta no Parlamento que lhe confere apoio nas decisões tomadas, para além de que não se vislumbra qualquer tipo de impasse no regular funcionamento das instituições democráticas do país. Deste modo, e caso não volte a ocorrer nada de anormal (pode ser que as consequências da atitude de Portas tenham servido de exemplo em relação ao que em política não se deve fazer), Seguro vai ter de esperar mais dois anos para tentar ser Primeiro-Ministro...

terça-feira, julho 16, 2013

O Parlamento não é a rua...

Os tristes acontecimentos que ocorreram na passada quinta-feira na Assembleia da República (AR) não podem passar incólumes, sob pena de parecer estarmos à espera que a corda estique ao ponto de em vez de bilhetes e balões serem ovos e tomates a serem atirados contra os deputados. 
Depois de anteriores episódios em que as galerias da AR tiveram de ser evacuadas pelo facto de indivíduos de esquerda, em posição concertada, terem insultado os deputados e o Governo, passou-se agora para uma nova fase de protesto: vão para a AR e para além de insinuarem, aos gritos, que voltámos aos tempos do fascismo e da ditadura, resolvem atirar com balões e bilhetes escritos, numa atitude de completo desrespeito pelas regras da democracia. O que se seguirá na estratégia do insulto?
Discordando da frase que Assunção Esteves proferiu em resposta aos manifestantes, pois apenas atiçou ainda mais os ânimos, é bom que se tomem medidas por forma a que, pelo menos na casa da democracia, se possa evitar a ocorrência destes tristes espectáculos. Quem está descontente com o estado do país e viu as suas expectativas defraudadas, ao menos que se saiba manifestar, nos locais próprios e de forma correcta. E é bom que saibam respeitar aqueles que permitiram que Portugal seja uma democracia, não brincando com as palavras. É que confundir os tempos que vivemos com a ditadura ou o fascismo é fazer pouco dos que fizeram o 25 de Abril...

quinta-feira, julho 11, 2013

As piruetas de Cavaco Silva...

Cavaco Silva resolveu apanhar todos de surpresa e decidiu-se por ser original. Em vez de ir atrás do que parecia mais sensato e que os comentadores políticos (e até a maioria dos portugueses) já esperavam, que seria dar posse ao novo elenco governativo proposto pela coligação, eis que Cavaco Silva surge com uma ideia completamente "bombástica", que parece ter tanto de inovadora como de impossível de se concretizar.
A primeira parte do discurso de Cavaco ainda se compreende. Num estilo bem paternal como Cavaco gosta de ter, o Presidente, num tom pedagógico, explicou as razões que o levam a não convocar novas eleições, pelo menos até Junho de 2014. É o contexto, senhores!!! Vivemos tempos de resgate financeiro, que é como quem diz, de autêntico protectorado, pelo que eleições agora seriam apenas o sinónimo de maior crispação, mais crise, mais austeridade, deitando-se por terra tudo aquilo que já se conseguiu em termos de redução do défice orçamental e do assegurar do financiamento externo. É que há quem ainda pareça não ter percebido que com despesas superiores às receitas, o Estado tem vivido à custa do financiamento externo.
Passos Coelho deve ter ficado pior que estragado. Certamente que já tinha em mente que Cavaco fosse dar posse ao novo elenco governativo. Quanto a Portas, deve ter ficado com as orelhas a arder, depois de mais um sermão de Cavaco, onde só faltou apelidar o líder centrista de irresponsável, infantil e egocêntrico. Afinal de contas, o responsável por esta trapalhada toda foi Portas. E Seguro, o que se pode dizer dele? Que para não fazer a figura que Portas fez sobre a assumpção da irrevogabilidade da sua decisão, já veio dizer que só irá para o Governo com eleições, o que deita por terra qualquer hipótese da proposta do Presidente poder vir a concretizar-se. Pelo menos, com estes três protagonistas! Já ou outros, PCP e BE, lá continuarão com a cassete do costume...

sábado, julho 06, 2013

Pode ser que tenham aprendido alguma coisa...

A crise política originada pela atitude irresponsável de Paulo Portas em pedir a sua demissão deveria ter, pelo menos, a vantagem de fazer abrir os olhos a alguns dos protagonistas políticos do nosso país, por forma a alterarem algumas das suas posições.
Depois da tempestade política que assolou o país durante uma semana, ficou claro que a fórmula encontrada por Passos Coelho para dar novo rumo à governação do país foi a menos má das soluções, pois da dissolução do Parlamento e da convocação de eleições antecipadas apenas poderíamos esperar mais crise, mais juros da dívida, mais austeridade, mais desemprego, enfim, o deitar a perder de todos os sacrifícios que têm sido exigidos aos portugueses.
Bastou apenas uma semana de crise política e de risco de novas eleições para se perceber que os interesses do país devem estar acima dos interesses pessoais e partidários dos protagonistas políticos de Portugal.  
Pode ser que Passos Coelho perceba agora que preside a um Governo de coligação, pelo que não deve simplesmente ignorar o seu parceiro na aplicação de medidas governamentais. Passos deve meter na cabeça que o PSD não tem maioria absoluta, pelo que deve ser mais dialogante com o CDS-PP...
Pode ser que Paulo Portas perceba agora que desempenha um papel determinante na estabilidade política de Portugal, pelo que deve pensar mais no país do que nos seus interesses pessoais e partidários. O seu pedido de demissão foi de uma enorme falta de respeito para com o país, pelo que o voltar atrás na sua decisão, mais do que um sinal de assumpção do seu erro, deve constituir uma nova oportunidade que não pode ser desperdiçada para bem do país...
Pode ser que José Seguro perceba agora que as eleições antecipadas apenas agudizariam ainda mais o estado do país e que não seriam a solução para abrandar com a austeridade. Seria bom que Seguro mete-se na cabeça que enquanto não mudar os protagonistas do PS que nos aparecem todos os dias nas televisões a exigir eleições, a credibilidade deste PS é nula. É que ainda há quem tenha memória e não se esqueça que foi este PS quem levou o Portugal à bancarrota.
Pode ser que os sindicatos, nomeadamente a UGT, perceba agora que não deve imitar a CGTP, mas sim assumir uma posição de charneira entre o governo, a troika e o patronato. Este novo líder da UGT parece querer ser um segundo Arménio Carlos, quando o que interessa ao país é apostar no diálogo, no consenso e no entendimento,,,
Pode ser que Cavaco Silva perceba agora que deve reunir mais assiduamente com todos estes senhores por forma a evitar que estes tenham posições extremadas e pouco consensuais. Cavaco Silva foi quem menos errou nesta crise, tendo assumido sempre uma posição ponderada nos interesses de um Portugal que, recorde-se, vive tempos de excepção...
Quanto ao BE, PCP e CGTP, nem vale a pena pensar que tenham aprendido alguma coisa com esta crise... Estes são os de sempre: os que só sabem dizer mal de quem nos governa, que vivem à custa das angústias, dos medos, das incertezas dos portugueses, enfim, das más notícias. São aqueles que aproveitam a crise como uma oportunidade de protagonismo e que não mudam a cassete...
E, já agora, pode ser que o povo português perceba que, quer queiramos quer não, somos um país que se encontra intervencionado, (ainda) sem autonomia económica e financeira e completamente dependente de um acordo assinado com a troika, pelo que a austeridade é algo que estará para ficar durante muitos anos, independentemente do governo que estiver à frente dos destinos do país... E, não tenhamos dúvidas que, como diz o povo, "há males que vêm por bem": esta crise deu para ver até que ponto é que ainda não nos livrámos do estado de bancarrota em que os socialistas deixaram o país!