
Cá em Portugal, a comunicação social caiu em peso sobre o Papa Bento XVI, não tendo percebido o alcance das palavras do Chefe da Igreja Católica. Claro que se nem os jornalistas conseguem entender o Papa, quanto mais os milhões de africanos iletrados e pobres que são portadores do HIV...
Felizmente que o Bispo de Viseu tratou de "traduzir" as palavras de Bento XVI, através de uma crónica que saiu publicada no Diário de Viseu e que agora teve eco nos principais jornais nacionais, com destaque para o Público, DN e JN.
Atente-se às palavras do Bispo de Viseu: "O Papa, quando fala da Sida ou de outros aspectos da vida humana, não pode fazer doutrina para situações individuais e casos concretos. Neste caso, para relações entre uma pessoa infectada e outra que pode ser afectada com a doença. Nestes casos, quando a pessoa infectada não prescinde das relações e induz o(a) parceiro(a) (conhecedor ou não da doença) à relação, há obrigação moral de se prevenir e de não provocar a doença na outra pessoa. Aqui, o preservativo não somente é aconselhável como poderá ser eticamente obrigatório." Ou seja, a utilização do preservativo pelos portadores da SIDA, em termos práticos, não é condenável pela Igreja Católica.
Atente-se a outra passagem do texto de Bispo de Viseu: "Então, porquê a afirmação do Papa a veicular uma doutrina e, precisamente, na viagem para África – o continente mais atingido por esta doença? Como doutrina, como ideal, como princípio de dignidade, defesa e promoção da vida humana, o Papa não pode dizer outra coisa." Ou seja, a Igreja Católica, em termos doutrinários, não pode ver no preservativo a solução para a não propagação da SIDA, até porque o preservativo tem uma eficácia de (apenas) 98%. Eficácia total só mesmo com abstinência. Quem não a alcançar, então que recorra ao preservativo. Claro que sim...
Será assim tão difícil que a comunicação social não perceba a lógica da questão. Teve que vir o Bispo de Viseu esclarecer as palavras do Papa. Nota cinco para o Bispo de Viseu!!!