domingo, dezembro 21, 2008

Feliz Natal!!!

O espírito natalício toma conta dos nossos corações há já várias semanas. Claro que, como diz o povo, Natal verdadeiro é aquele que é vivido quando um Homem quiser e o melhor mesmo é que seja vivido todos os dias do ano.

Cá em casa, desde há três anos que o Natal tem outro "sabor", muito especial... Depois do nascimento da Diana em pleno Natal, pouco depois da meia-noite de 25 de Dezembro de 2005, esta época do ano é vivida de uma forma muito especial que se prolonga pelo resto do ano dada a felicidade que a Diana e o irmão Pedro proporcionam aos papás. Não me restam dúvidas que o Natal é mesmo a festa das e, sobretudo, para as crianças. É que Natal sem crianças não tem o mesmo significado!!! Desde há três anos que, cá em casa, esta época festiva é passada de uma forma verdadeiramente única. A Diana, que ainda acredita no Pai Natal não se cansa de vibrar com o homem das barbas brancas. Já o Pedro, com pouco mais de um ano, só quer estar junto da árvore de Natal. Tem sido um mês igual aos outros onze meses do ano: envolto na alegria contagiante e vibrante destes dois reguilas!!!

A todos aqueles que aqui constumam passar, desejo um Natal vivido no verdadeiro espírito de concórdia, paz e amizade.

quinta-feira, dezembro 11, 2008

Deputados sem-vergonha!!!

O que se passou na última sexta-feira na Assembleia da República, acrescido de tudo aquilo que se tem vindo a saber nos últimos dias pela comunicação social é sinal do imenso desprezo que muitos deputados provam ter por aqueles que têm a obrigação de representar.
Urge reformar por completo este sistema político que permite que na Assembleia da República impere a "rebaldaria" e o "quero, posso e mando". Então, dezenas destes indivíduos assinam o livro de ponto e não vão às votações em Plenário??? É preciso descaramento...
Eu se me atrasar a chegar à sala de aula onde tenho os meus alunos à espera arrisco-me a levar falta no livro de ponto. O mesmo não acontece com os deputados que, pelos vistos, fazem o que bem lhes apetece em termos de presença nas sessões plenárias. Mas, há mais profissões onde a rebaldaria impera. Só alguns exemplos: basta ir a um hospital ou a um centro de saúde para nos apercebermos da falta de respeito que muitos médicos têm pelos pacientes que, impacientemente, esperam por uma consulta; também num tribunal, é raro o julgamento que começa a horas, por atraso do juíz que chega quando quer e lhe apetece; também nas universidades reina o "sem rei, nem roque", com professores universitários a darem aulas de 90 minutos quando estão programados 120 minutos!!! Enfim, muitos mais exemplos poderiam ser aqui dados. Mas, este último caso ocorrido na Assembleia da República é demasiado vergonhoso para que não existam consequências efectivas. Urge saber quais os deputados que, pura e simplesmente, se baldaram ao serviço...

Adenda:
No Diário de Notícias de hoje li um artigo publicado pela jornalista Fernanda Câncio que demonstra até que ponto a ignorância pode tomar conta de gente supostamente culta e informada. Esta senhora escreve um texto em que desanca forte e feio nos professores, como se estes fossem uma cambada de lambões e queixinhas. Socorre-se de estatísticas da OCDE para tentar provar que a classe docente portuguesa é privilegiada e que, por isso, deveria manter-se calada, em vez de manifestar a sua revolta perante o actual estado de coisas.
Afirma esta senhora que os professores portugueses estão em vantagem no seio dos países da OCDE em termos de tempo de trabalho, rácio alunos/professor e níveis salariais. Esquece-se porém de vários promenores: 1. o trabalho extra-lectivo não é tido nas contas da OCDE; 2. menos alunos por docente não significa automaticamente melhoria da qualidade das aprendizagens; 3. a massa salarial deveria ter em conta não o salário médio nacional de cada país, como faz a OCDE, mas a média dos salários dos docentes dos países da OCDE. Assim, os seus números virar-se-iam de pernas para o ar. Aliás, o recurso às estatísticas pode ser enganador quando se trata de avaliar a Educação de um país. Veja-se o exemplo deste Governo PS que, com ambição de colocar Portugal no topo das estatísticas da Educação da UE optou pelo caminho do facilitismo, de que a falta de rigor e exigência dos últimos exames nacionais são o cabal exemplo de como os números podem ser redutores. Um conselho para a dita jornalista: fazendo juz à sua profissão saia do gabinete e realize um trabalho sério de investigação jornalística, indo para uma escola durante uma semana para ver o que é a verdadeira arte de ser professor. Investigue, não nos números, mas inserindo-se na realidade escolar. Vários colegas seus já o fizeram e deram a conhecer a realidade da função docente. Ah, já agora, para quando um artigo o que pensam os portugueses dos políticos e professores???

terça-feira, dezembro 02, 2008

Um nevão para recordar!!!

Finalmente, tivémos um daqueles nevões à antiga!!! Durante três dias nevou de forma intensa e a neve cobriu vastas regiões do Norte e Centro do país. Fez-me recordar muitos dos Invernos da minha adolescência passada na minha terra natal: a Covilhã.
Lembro-me como se fosse hoje... Nos dias de frio intenso e chuva, acordava e quando chegava à janela e via o quintal coberto de um manto branco ficava entusiasmadíssimo. Sabia que não haveria aulas e ficava o dia inteiro a divertir-me com os meus amigos de bairro...
Agora são os meus filhotes que ficam imbuídos de uma alegria enorme, sobretudo a mais velha. Com quase três anos, a Diana assistiu ao seu primeiro grande nevão. No sábado, fomos à Aldeia da Serra, perto do Sabugueiro, no domingo deslocámo-nos ao Mezio, perto de Castro Daire e na segunda-feira encontrámo-nos com um grande amigo, o Quim Zé, em Trancoso... Foram três dias repletos de neve, de aventura e de muitas alegrias. Adorámos...
Agora é esperar pelo próximo fim-de-semana para irmos à Covilhã visitar a família e aproveitar-mos a neve que há na Serra da Estrela... A neve que está por lá vai durar muito tempo. Por isso, aproveitem e façam uma visita à mais bela serra de Portugal...

sexta-feira, novembro 28, 2008

Portugal e a crescente emigração...

Segundo um estudo realizado pela Comissão Europeia, Portugal tem a mais alta percentagem de trabalhadores que escolheram viver noutros países da União Europeia. Aliás, nos últimos quatro anos, já atingimos valores semelhantes aos verificados nos países de Leste. Esta é a prova de como o nosso país está muito longe da ilusão que José Sócrates nos tenta impingir, com a propaganda e marketing políticos que todos os dias nos entram em casa por via dos noticiários televisivos!!!
Ora, tendo em conta a crise que se irá apoderar do nosso país nos próximos anos e o retorno forçado de muitos emigrantes portugueses que foram há uns anos para Espanha e para o Reino Unido (dois dos mais recentes destinos prioritários da emigração nacional), é muito provável que a taxa de desemprego se aproxime dos 10% e que as dificuldades financeiras atinjam milhares de famílias, com graves consequências sociais...
Sócrates, que gosta tanto de números e de "trabalhar" para as estatísticas (veja-se a vergonha que tem sido a política de educação, visando o sucesso escolar forçado!), deveria lembrar-se que em 2007, o rendimento nacional bruto per capita português foi de apenas 64% da média dos 15 membros clássicos da UE. Só alguns países do Leste tiveram pior desempenho.
A emigração é sinal de desespero. O regresso forçado ao país de origam é sinónimo de dificuldades. A crise está a instalar-se aos poucos e o Governo continua a vender ilusões. Portugal precisa de um novo preciso um novo Sá Carneiro!!!

segunda-feira, novembro 17, 2008

Só não vê quem não quer!!!

Até Vasco Pulido Valente conseguiu enxergar!!! Será que Miguel Sousa Tavares e outros que se julgam intelectuais conseguem lá chegar. O único propósito da política educativa deste Governo resume-se a duas palavras: sucesso estatístico!!! "Custe o que custar", pensará a Ministra.
Desde a lógica das Novas Oportunidades, dos CEF`s, dos PIEF`s e dos cursos profissionais até tudo o que rodeia a nova gestão das escolas e o modelo de avaliação dos professores, passando até pelo próprio Estatuto do Aluno, o grande anseio de Maria de Lurdes Rodrigues passa por levar a Bruxelas dados estatísticos que evidenciem a melhoria do sucesso escolar.
"Há que pôr os alunos a passar de ano, há que evitar as retenções, há que melhorar os resultados nos exames, há que pôr em ordem os professores que dão muitas negativas aos seus alunos", terá dito Sócrates a Maria de Lurdes Rodrigues. Esta, qual súbdita do seu general, tudo tem feito para não desiludir ao seu superior.
Facilitismo é palavra que este Ministério não quer ouvir falar. Mas, a verdade é só uma, e só os mais ingénuos ou aqueles que não fazem a mínima ideia de como, por estes dias, funciona uma escola é que ainda ousam pensar que a palavra de ordem é "exigência". Mentira!!! O que este Governo quer é mostrar serviço em Bruxelas, à custa do fomento da ignorância da maior parte dos alunos. Alunos estes que serão, num futuro breve, adultos iliterados, sem formação, sem educação e sem propósitos. Uma miséria...

quarta-feira, novembro 05, 2008

Um dia histórico!!!

Obama é o novo Presidente dos EUA, pelo que está aberto o caminho para o estabelecimento de uma nova ordem internacional, assente na paz, na democracia e na redução das desigualdades mundiais.
Com a vitória de um afro-americano para o principal cargo político mundial, não restam dúvidas de que tudo é, realmente, possível de ocorrer nos EUA. Esta é a maior democracia do mundo e o país onde todos podem almejar a conquistar o chamado "sonho americano".
Agora é tempo de terminar com a festa e arregaçar as mangas. Acredito sinceramente que Obama, caso não venha a ser alvo de um qualquer atentado perpretado por fanáticos radicais (que cada vez os há mais!), seja capaz de liderar o mundo, tendo como ideais a paz, a democraticidade e o desenvolvimento humano. Que a sorte o acompanhe...

sexta-feira, outubro 31, 2008

Uma eleição verdadeiramente planetária...

Aproxima-se o dia que poderá ser decisivo, não só para o futuro dos EUA, mas também para o dealbar de uma nova ordem mundial. Obama surge, aos olhos da generalidade das opiniões pública e publicada mundiais, como o possível "salvador" de um mundo que tende a ser cada vez mais desigual e injusto.
Um homem que foge ao estereótipo do típico Presidente dos EUA e que rompe com tudo aquilo que tem sido a vida política americana nos últimos dois séculos! Obama é a junção do homem branco e negro, do homem formal e informal, do homem rico e pobre, enfim, é a multiculturalidade em si mesmo, o que lhe traz benefícios e contratempos. Na hora da verdade, muitos serão os americanos a colocar em dúvida para que lado devem pender: se para a razão ou a para a emoção...
O mundo aguarda ansioso pelos resultados de terça-feira. A crise financeira transformou estas eleições no possível ponto de viragem da ampulheta da incerteza... Entretanto, e caso se confirme a (desejada) vitória de Obama, não se deve colocar de lado os perigos que poderão emergir com um "mestiço" à frente do país mais poderoso do mundo: ver-se-á até que ponto é que a América conservadora e dada aos fanatismos e contradições quer ou não mudar de rumo.
O mundo anseia! E, ao mesmo tempo, desespera. Espero sinceramente que Obama não desiluda e saiba arregaçar as mangas e pôr mãos à obra. A bem do mundo!!!

domingo, outubro 19, 2008

O que é que a Ministra quer? Milagres?

Afirma também que a repetência é um erro que deve ser evitado pelos professores, pelo que o ideal é que os alunos não tenham de ficar no mesmo ano de escolaridade dois anos seguidos. Enfim, comentários de quem está profundamente a leste do que realmente é uma escola.
Para a Ministra, a Escola deve ter como primeira tarefa qualificar os jovens. À custa de quê é que ela não diz!!! Será à custa do facilitismo e do abaixamento do nível de exigência? Será à custa da deturpação das regras da assiduidade e da disciplina? Será à custa da procura frenética pelo sucesso estatístico??? Se não é, parece...
Este ano tenho uma turma do secundário do curso profissional de Turismo Ambiental e Rural. Tenho alunos para todos os gostos, desde os que pretendem vir a trabalhar no sector turístico até aos que dizem "cara na cara" estar na escola para passar o tempo. Ora, pela lógica da Ministra estes alunos que estão na escola para passar o tempo deveriam pura e simpesmente ser "afastados" do sistema ou, por um passo de magia, serem alvo de um qualquer acto psicológico que os fizesse mudar de opinião. Ora, o que acontece na prática é que as directivas emanadas do Ministério, em forma de decreto-lei ou de circular, quase que forçam os docentes a não reprovarem os alunos que vão para os cursos profissionais. Mais: caso os alunos tenham perdido, com justificação, mais de 10% das aulas programadas o professor terá que o compensar com aulas, sem que este serviço seja considerado como tempo lectivo extraordinário. Melhor ainda: no primeiro teste que dei a esta turma tive alunos que não souberam realizar uma simples multiplicação (ver imagem para acreditar). Uma miséria!
Para a Ministra a culpa deste alunos não saberem, no 10º ano de escolaridade, fazer uma simples conta de multiplicar é, certamente, dos professores que tiveram em anos anteriores. Para a Ministra, esse professores irresponsáveis não souberam ensinar. Para mim, a culpa está no sistema que incentiva os professores a passarem alunos que não atingiram as competências básicas. Resultado: cada vez temos mais alunos a passarem tempo na escola, em vez de aí estarem com a intenção de aprender...
Como diz o outro, e o burro sou eu???

domingo, outubro 05, 2008

5 de Outubro: dia mundial dos professores. E, em Portugal, dia dos mal-tratados!!!

Mais um Dia Mundial dos Professores. Desde há uns anos a esta parte, um dia para a comunicação social relembrar a forma como os professores portugueses são mal tratados, quer seja pela tutela, quer seja pela generalidade dos pais, que pura e simplesmente, ignoram a vida escolar dos seus educandos.
Muitos dos meus amigos que não são professores têm uma ideia muito errada da função docente. Afirmam que nós, professores, temos uma vida facilitada, trabalhamos poucas horas por semana, temos férias como nenhuma outra profissão e ganhamos muito bem para aquilo que produzimos. E, agora, com os Magalhães até nos atiram à cara que podemos dar as aulas mandando os alunos consultar a matéria na Internet. Puros disparates vindos de quem não faz a miníma ideia da nobreza e responsabilidade da função docente...
Pois bem, quando me vêm com a conversa que os professores "não fazem nada" apenas responde que, tal como em todas as profissões, há os bons, os razoáveis e os maus... Mas, também lhes dou a conhecer o meu caso para perceberem se, realmente é fácil ou não, ser-se professor neste país.
Este ano lectivo lecciono a disciplina de Geografia a quase duzentos alunos, distribuídos por sete turmas de três níveis diferentes, desde o 7º ano ao 9º ano. Tenho ainda a meu cargo a disciplina de Turismo e Técnicas de Gestão do 10º ano. Passo, de 2ª a 6ª feira, no mínimo, 35 horas na escola, distribuídas por aulas, reuniões ordinárias e preparação de aulas. Isto sem contar o tempo gasto em casa com trabalho da escola!!! Quando tenho reuniões de departamento ou conselhos de turma, as horas na escola prolongam-se até mais tarde. Por exemplo, na passada semana, tive um dia em que cheguei à escola às 8. 20H (como habitualmente) e saí de lá às 20.20H. Prejudicados, mais do que eu, foram os meus filhos e a minha esposa. Vida fácil? Então o que dizer quando tenho de corrigir 220 testes? A dez minutos, no mínimo, cada teste, perfaz um total de 36 horas só para corrigir testes de avaliação. Depois há que lançar as notas no Excel e fazer médias e mais médias. Tudo a mando do Ministério da Educação.
E, agora, a novidade que vai fazer com que muitos professores passem mais tempo à volta dos papéis, das grelhas e dos planos, do que a preparar aulas para os seus alunos: a avaliação de desempenho docente. Há escolas que obrigam o professor a elaborar um plano rigoroso e pormenorizado de cada aula leccionada. Para quê? Para ficar no portefólio de avaliação do docente. Meras burocracias que em nada contribuem para o sucesso dos alunos.
E falta falar do ambiente "de cortar à faca" que impera em muitas escolas deste país. Porquê? Porque o ME resolveu dividir os professores em titulares e não titulares, destruindo o espírito de cooperação que se exija a qualquer escola e colocando docentes contra docentes. Ainda na semana passada, numa reunião de departamento, uma colega minha de Filosofia se indignava por ter de vir a ser avaliada por uma colega de Geografia...
Para finalizar apenas há que dizer que, com o novo Estatuto da Carreira Docente, me arrisco a ter de dar aulas até aos 68 anos (recordo que lecciono desde os 21 anos) e a ficar com uma reforma a rondar os 1500 Euros. Como dizem os italianos "porca miseria"...

sexta-feira, setembro 26, 2008

O triunfo das máquinas!!!

O actual Ministério da Educação vangloria-se a toda a hora como o grande protagonista da revolução tecnológica em curso na área do educação em Portugal. Depois de no ano lectivo passado, os professores e alunos do ensino secundário terem tido a possibilidade de adquirir um portátil com ligação à Internet sem fios a preços reduzidos, independentemente do real uso que lhe seria dado, eis que, no actual ano lectivo tivemos a novidade do Magalhães: um portátil de reduzidas dimensões, mas grandes potencialidades, a preços de saldo e colocado à disposição dos alunos de mais tenra idade...
Enquanto os quadros interactivos, os projectores multimédia e os computadores não são generalizados a todas as escolas e a todas as salas de aula, é já possível vermos alunos de seis anos agarrados ao Magalhães, qual "io-io" do século XXI!!! Os alunos da minha esposa, que é professora do 1º ciclo, já a questionaram várias vezes a propósito do Magalhães. E os pais também não se cansam de lhe perguntar "quando é que os Magalhães chegam aqui à escola?"
Apesar da iliteracia ser um problema em crescente evolução e do cálculo matemático mais elementar, como a tabuada, andar pelas ruas da amargura, o que está na moda, para os alunos portugueses é andar agarrado ao telemóvel e daqui a uns tempos ao Magalhães. Tudo, obra e graça deste Ministério da Educação...
Aquilo que poderia ter sido uma boa aposta, levada a sério e de forma sustentada, está a transformar-se numa "roda viva" e num problema que evidencia, por parte de muitos alunos e, sobretudo, dos próprios pais, uma possibilidade de adquirir um portátil a preço de saldos, sem controlo pelo verdadeiro uso que lhe é dado...
Só um exemplo: miúdos com seis anos que ainda não sabem distinguir as letras do alfabeto, mas que anseiam desesperadamente pelo momento de terem o seu Magalhães. Para quê? Para brincarem ou para os seus pais poderem ir à net a preços baixos? A política tem destas coisas e a caça ao voto não é desperdiçada!!!

quarta-feira, setembro 17, 2008

Um mundo (cada vez mais) virado do avesso!!!

Os mais recentes dados da FAO (Agência da ONU para a Alimentação e Agricultura) dão conta do descalabro a que o mundo chegou com a história dos biocombustíveis. Em apenas um ano a fome no mundo aumentou de 850 milhões para 925 milhões de indivíduos. Ou seja, é possível dizer que em cada seis seres humanos um deles passa fome. Vergonhoso!!! A FAO afirma que seria possível reduzir este flagelo se, por ano, fossem investidos 30 mil milhões de dólares para duplicar a produção agrícola. Ora, sabendo nós que por estes dias a Reserva Federal dos EUA e o Banco Central Europeu têm injectado dezenas de milhares de milhões de dólares no mercado financeiro para evitar a falência de instituições financeiras, facilmente chegamos à conclusão que a falta de dinheiro não é justificação razoável para que este problema não se resolva.
Para além das catástrofes naturais que atingem muitos dos países onde a fome é mais intensa, o problema principal reside, em minha opinião, na incapacidade manifestada pela ONU para saber lidar com os ditadores que (des)governam muitos dos países de África e da Ásia onde a fome atinge milhões de seres humanos. Se a ONU fosse uma organização para levar a sério, teria força suficiente para colocar na ordem parasitas políticos como o Presidente do Sudão e outros afins que enriquecem à custa do povo miserável que ignoram.
Para piorar ainda mais a situação, venderam-nos a ilusão dos biocombustíveis. Deixe-se a terra para o cultivo de bens alimentares, trate-se da vida aos ditadores e invista-se nos carros híbridos e eléctricos. Aí poderá estar a solução para resolver dois problemas de uma só vez...

quarta-feira, setembro 10, 2008

O sucesso escolar do Governo Sócrates

Argumento de José Sócrates, Maria de Lurdes Rodrigues e Valter Lemos para estes dados estatísticos: "Mais tempo de aplicação no trabalho e no estudo é o que permite melhorar".
A verdade é que, actualmente, a legislação vigente, com destaque para a catadupa de circulares que todos os dias chegam às escolas emanadas do Minsitério da Educação, quase que impede um Conselho de Turma de reter um aluno que não esteja em final de ciclo. Por outro lado, um aluno que tenha já uma retenção no seu historial escolar tem quase "porta aberta" para progredir de ano, tal é a quantidade de papéis, reuniões e burocracias que têm de se efectivar para reter esse aluno. Ah, e não nos esqueçamos da realidade dos CEF`,s, dos PIEF`s, dos cursos profissionais e das Novas Oportunidades!!! O facilitismo é tanto que só um aluno verdadeiramente "hiper-baldas" é que não consegue concluir este tipo de cursos.
Enfim, tenho pena daqueles que acreditam no que a máquina de propaganda deste Governo vai debitando para a opinião pública acerca deste suposto sucesso escolar. E, tenho pena dos professores, alguns colegas meus, que já desistiram de elevar a fasquia da exigência. No meu dia-a-dia de professor, a palavra que mais tenho ouvido nestes últimos anos é a prova de como a realidade é mais que sombria: "desilusão". Com a avaliação do desempenho docente, a tendência será para este suposto sucesso escolar aumentar. Não porque os alunos saibam mais, mas porque muitos professores já se deixaram levar pela onda do facilitismo. Infelizmente...

quarta-feira, setembro 03, 2008

Uma Justiça "troca-tintas"...

Dois juízes, o mesmo caso, decisões completamente opostas!!! Esta é a Justiça que temos, que ora se diz, ora se desdiz! Uma vergonha. A decisão da juíza Amélia Loupo a favor das pretensões de Paulo Pedroso, acusando a decisão do juíz Rui Teixeira de errada, mereceu da parte de muita gente ligada à Justiça, com destaque para o Bastonário da Ordem dos Advogados, um elogio à forma de se fazer Justiça. Caso a decisão da juíza tivesse sido outra ou venha ainda a ser numa instância superior já tinhamos mais um caso de injustiça.
O que me apetece dizer com esta história toda é muito simples. Temos uma Justiça à altura do nosso país político: pequenina e imparcial. Ainda há pouco ouvi no jornal da SIC uma notícia que deveria corar de vergonha todos aqueles que agora vieram elogiar a Justiça portuguesa: um tipo que matou a sua ex-namorada, regando-a com gasolina e ateando-lhe fogo, foi hoje libertado, depois de três e quatro meses de prisão, porque a decisão ainda não transitou em julgado, dado que tem vindo sucessivamente a recorrer para instâncias superiores e o prazo de prisão preventiva chegou ao fim. Uma vergonha... A rapariga morreu, a família sofre e o miserável do homicida que apenas levou 20 anos de pena de prisão vai agora de "férias" para casa.
A nossa Justiça é tudo menos justa. É miserável!!!

quarta-feira, agosto 27, 2008

Os russos devem andar loucos!!!

Os russos devem andar loucos! Com uma China que, na última década, tem vindo, sucessivamente, a mostrar ao mundo a sua capacidade de crescimento económico, a realidade russa foi esquecida da política internacional... Aliás, desde a implosão da URSS em 1991, que a Rússia tem dado ao mundo uma figura triste de si, com uma população que continua a querer emigrar, um nível de vida médio abaixo do razoável e uma minoria de milionários que enriqueceram à custa do conluio do poder político e da exploração das riquezas naturais do país. De resto, continuamos a ter uma Rússia que "sobrevive" à custa da sua dimensão geográfica, mas que, de resto, não se consegue impôr nas difíceis relações internacionais de um mundo cada vez menos bipolar...
A recente declaração do "Presidente-fantoche" russo Medveded de apoiar a independência de duas regiões da Geórgia, depois de uma vergonhosa e ilegal invasão em território alheio, apenas demonstra a necessidade que o "vilão" Putin tinha de avisar o mundo que a Rússia ainda existe... Agora que o estrago está feito, é tempo da comunidade internacional, com EUA e UE à cabeça, não serem complacentes com a estratégia russa. É tempo de isolar os russos, visto que está provado que com eles, o Ocidente não pode contar. A ilusão do Império Russo continua a ser uma pretensão do poder político russo.
Recorde-se que o conflito Rússia-Geórgia teve o seu início em 1999, quando os russos acusaram o Governo da Geórgia de apoiar os rebeldes Tchetchenos. Desde aí que os russos começaram, por vingança, a apoiar as pretensões dos revoltosos da Abcásia e da Ossétia do Sul. O precedente que foi o mundo ocidental apoiar a independência do Kosovo e as boas relações da Polónia e de alguns dos seus vizinhos com os EUA (o caso dos anti-mísseis com a fronteira da Rússia) só deram mais força às pretensões russas.
Agora temos a ameaça russa de mais uma Guerra Fria, com tendência para aquecer à medida que as eleições nos EUA se aproximam. Mais uma vez o mundo está refém do futuro Presidente dos EUA para puxar as orelhas aos russos. De resto, a UE prefere ir a reboque dos EUA. Como sempre...

segunda-feira, agosto 18, 2008

Viagens na minha terra... Portugal!

Depois de nos últimos anos termos passado férias no Gerês, eu e a Salete resolvemos este ano partir à descoberta, com os nossos filhotes, de um Portugal diferente. Um Portugal longe das confusões bem típicas nesta altura do ano em boa parte do litoral português. Dividimos as férias em duas partes. Na primeira semana fomos para a região da Estremadura e passeámos pela cidade de Lisboa. Visitámos o Oceanário e o Jardim Zoológico para felicidade da Dianinha e do Pedrinho. A foto do lado direito foi tirada em Mafra, na aldeia de João Franco, onde são dadas a conhecer muitas das tradições do Portugal profundo e que deveria ser visita obrigatória para qualquer adolescente. Dirigimo-nos um pouco mais para norte e percorremos as grutas de Alvados, na região de Leiria. Fomos ainda ao Mosteiro de Alcobaça e à bonita vila de Óbidos.

Depois de uma breve passagem pela Covilhã, a minha terra natal, iniciámos a segunda semana de férias tendo como destino o Alentejo. Fixámo-nos em Évora e ao longo de vários dias percorremos todo o interior alentejano. Só para conhecer toda a história monumental da cidade intra-muralhas de Évora necessitámos de dois dias, de manhã à noite. A bonita Praça do Giraldo, a majestosa Igreja de São Francisco com a arrepiante Capela dos Ossos, a grandeza do Templo de Diana, o longo e imponente Aqueduto e muitos outros monumentos desta "Capital da Humanidade" mereceram a nossa visitam. Nos outros dias visitámos Portalegre, Estremoz, Évoramonte, Elvas, Vila Viçosa, Alandroal, Monforte, Marvão (patente na foto do lado esquerdo), Castelo de Vide e ainda tivémos tempo de ir conhecer o centro histórico de Badajoz.

Enfim, não se poderá dizer que estas foram umas férias para descansar, mas, como diz o povo, "quem corre por gosto não se cansa". Ah, e não posso deixar de me referir à gostosa gastronomia alentejana. Aliás, muitos dos restaurantes onde fomos almoçar e jantar serviram-nos "bom e barato", com destaque para o "Escondidinho" em Portalegre...

Agora é tempo para iniciar um novo ano de trabalho. Daqui a poucos dias começa um novo ano lectivo e há que aproveitar os últimos dias de férias...

quinta-feira, julho 31, 2008

Férias pelos caminhos de Portugal...

Agosto, mês de férias. Mas, isso não tem necessariamente de coincidir com confusão e multidão. Geralmente, este é o mês em que Portugal se "inclina" para o litoral, com milhões de portugueses (entre eles dezenas de milhares de emigrantes) e estrangeiros a deleitarem-se com o mar e o sol portugueses...
Para mim e para os meus, férias é sinónimo de sossego, descanso e descoberta. Por isso, eu, a minha esposa e os nossos dois filhotes estamos a passar as nossas férias da melhor maneira possível. Isto, claro, no nosso modo de pensar. Estamos a percorrer o país cultural e ambiental que temos e não apenas o país balnear, resumido às praias muito concorridas nesta altura do ano.
Depois de já termos visitado muitos dos belos castelos que possuímos, iremos percorrer, uma vez mais, as regiões minhota e duriense. Aliás, já há alguns anos que por esta época do ano nos deslocamos para o Gerês e partimos à descoberta do muito que esta região tem para oferecer aos forasteiros. Desta vez, com duas crianças de tenra idade a cargo iremos privilegiar o descanso entre o rio e o mar do Noroeste português e não tanto os caminhos pedestres minhotos...
Mas, pela primeira vez desde o nascimento dos nossos filhotes, iremos estar alguns dias em Lisboa, a fim de visitar o muito que a nossa capital e a região que lhe está em redor tem para oferecer: as deslumbrantes sete colinas e os seus bairros típicos, a riqueza cultural da Baixa pombalina, a animação do Parque das Nações e a grandeza arquitectónica da zona de Belém, mas também a alegria para as crianças do Jardim Zoológico, a beleza das praias da zona Oeste, o aconchego do Parque Natural Sintra-Cascais e a beleza da Arrábida... Muito há para ver e sentir neste Portugal longe da confusão balnear.
Há pois que dedicar por inteiro este período de férias à família, pelo que durante os próximos dias não irei frequentar a blogosfera. Assim, desejo umas boas férias a todos os que aqui me costumam visitar...

sexta-feira, julho 25, 2008

Os bairros (anti)sociais das nossas cidades: o caso de Viseu

Graças a um vídeo dado a conhecer ao mundo por um anónimo, os problemas dos ditos "bairros sociais" tornaram-se em tema de debate nacional nestas últimas duas semanas. Tal como já havia acontecido com as filmagems de uma aluna a agredir uma professora numa escola do Porto, agora foi a vez de um vídeo com um tiroteio na Quinta da Fonte, em Loures, qual faroeste português, ter chamado a atenção dos mais distraídos para os problemas decorrentes do autêntico caos urbanístico que muitas autarquias, com o beneplácito do Estado central, têm levado a cabo com a edificação de "bairros sociais" que apenas têm servido de prova à incapacidade social de muitos engenheiros e arquitectos para este tipo de função.
A edificação de qualquer bairro destinado a agregados familiares de baixos recursos financeiros (os chamados bairros sociais) deveria ser alvo de um verdadeiro trabalho de equipa, com a intervenção de engenheiros e arquitectos, mas também de sociólogos, geógrafos e assistentes sociais. Ora, pelos vistos as entidades competentes apenas se têm interessado em edificar autênticos blocos de cimento, tirados a papel químico uns dos outros, onde as paredes monótonas e sombrias parecem ser intermináveis...
Dou-vos a conhecer a "Quinta da Fonte" de Viseu, o Bairro da Balsa, situado a menos de 500 metros do centro de Viseu e cujos casos de violência não são assim tão escassos. Apenas não têm sido, por enquanto, alvo de filmagens de alguém que mande o vídeo para a SIC. Este bairro, constituído por cinco filas de blocos de apartamentos, onde imperam as paredes fechadas, sem se vislumbrarem varandas, apresenta uma qualidade urbanística bastante reduzida. Durante o dia, é possível verificar muitos dos seus residentes encostados às paredes de cada prédio, sem fazer nada. Há quem diga (não sei se é verdade) que por lá muitas das casas estão completamente descaracterizadas, com pessoas a quererem praticar agricultura dentro de banheiras e que nalgumas casas há mais cães e gatos do que pessoas. Certo é que a monotonia e a opacidade são aqui ponto de ordem. À noite impera o sentimento de insegurança. O espírito de solidariedade e de vizinhança parece inexistente. Enfim, a vida bairrista é uma nulidade... Analisando bem a foto, parece estarmos na presença de um estabelecimento prisional, onde a repetição e a monotonia são ponto de ordem...
Esperemos que a construção de "bairros sociais" não perdure por muito mais tempo. Quanto às soluções, criem-se incentivos à requalificação dos bairros construídos nas décadas de 70, 80 e 90 e pratique-se uma verdadeira política social que não permita a edificação de autênticos guetos, autênticos denotadores de insegurança, marginalidade e violência. Ah, e não nos esqueçamos que o Estado não pode ser permissivo com aqueles (muitas vezes uma minoria dentro dos bairros) que, julgando-se líderes de massas, são o foco principal da má vivência existente nestes locais da cidade. E, já agora, não é de ignorar os malefícios causados pela inactividade que o Estado alimenta junto dos residentes destes espaços urbanos. É que não é por acaso que 90% dos habitantes da Quinta da Fonte vivem dos subsídios do Estado!

domingo, julho 20, 2008

Sobre a possibilidade do casamento entre homossexuais, Ferreira Leite foi, como se esperava, séria e frontal...

A líder do PSD afirmou há pouco tempo que não existem razões objectivas para "atribuir o mesmo estatuto àquilo que é uma relação de duas pessoas do mesmo sexo igualmente ao estatuto de pessoas de sexo diferente". Ou seja, aqueles que apelidam de igual aquilo que é diferente não são sérios e apenas tentam camuflar a verdade à custa do politicamente correcto.
Alguns países governados por partidos de esquerda entraram na onda de legislar por forma a colocar na mesma balança homossexuais e heterossexuais no que toca à aquisição de determinados direitos cuja aplicação deveria requerer a existência de alguns pressupostos. É o caso do casamento, instituição basilar de qualquer sociedade que se queira sustentável, mas sobretudo o caso da adopção de crianças...
Tal como a concessão de beneficios fiscais exige que se cumpram determinados requisitos, também a concessão do direito ao casamento exige que se cumpra o requisito de estarmos na presença de duas pessoas de sexo diferente. Apelidar de retrógrados todos aqueles que são contra o casamento de pessoas do mesmo sexo apenas demonstra que a vitimização e o ataque pessoal são as principais estratégias utilizadas pelos defensores dos casamentos homossexuais. Qual a razão que os leva a não responderem a uma questão tão simples como esta: apelidar de igual aquilo que é diferente não constitui falta de seriedade na discussão pública deste tema?".
Existe alguma lei em Portugal que impeça que dois homens ou duas mulheres queiram viver juntos? Não. Agora quererem ter os mesmos benefícios de uma verdadeira família, fazendo de conta que dois homens juntos ou duas mulheres juntas formam uma família, é que é ter a atitude da avestruz: fazer de conta que o que é diferente é igual...
Por isso, revejo-me nas afirmações de Ferreira Leite: "A sociedade está organizada e tem determinado tipo de privilégios, tem determinado tipo de regalias e de medidas fiscais no sentido de promover a família". "Quanto aos casamentos gay, chame-se-lhes o que se quiser, não se lhes chame é o mesmo nome. Uma coisa é o casamento, outra é outra coisa qualquer".
Quanto à questão da procriação, apenas uma nota. Ao contrário do que Sócrates tem dito, Ferreira Leite não disse que a procriação é a principal função da família, mas sim um dos seus objectivos. E essa função, do ponto de vista biológico, a união entre pessoas do mesmo sexo não permite... Sócrates pensa que se torna mais moderno por se permitir o casamento entre homossexuais. Está redondamente enganado! Este não é um assunto de modernices...

domingo, julho 13, 2008

O verdadeiro Estado da Nação...

Cada um de nós consegue percepcionar, no seu dia-a-dia e na relação com os outros, o estado socio-económico do país. Podemos ainda recorrer às estatísticas para percebermos até que ponto Portugal, no contexto europeu e mundial, está no bom ou mau caminho.
Por outro lado, há que saber distinguir estado da governação de estado da Nação, apesar de, muitas vezes, estas duas avaliações estarem muito próximas uma da outra.
Desde os tempos do Governo de Guterres que se apostou numa política social de "financiamento" da pobreza instalada, com a concessão indiscriminada de subsídios, rendimentos mínimos e abonos aos que declaram baixos rendimentos, tendo-se ignorado a diminuição constante do poder de compra da classe média, nomeadamente dos funcionários públicos. Agora temos os resultados dessa política: os pobres de há dez anos continuam pobres e a classe média empobreceu. O endividamento das famílias aumenta. O desemprego aumenta. A emigração aumenta. A insegurança aumenta. Enfim, o país está sem um rumo definido, dependente dos ventos que soprem de Bruxelas...

quinta-feira, julho 10, 2008

Acabe-se com esta vergonha!!!

A menos de 500 metros do principal shopping-center da região Centro do país (o novo Palácio do Gelo) e à beira da principal entrada rodoviária de Viseu assiste-se, há muitos anos, a um triste espectáculo de prostituição de rua, onde coabitam miséria, imundice, mau exemplo e falta de higiene. Uma vergonha!!!
A Câmara Municipal de Viseu sabe há muito tempo desta situação e nada tem feito para acabar com este problema social. Alguns poderão dizer que não é competência camarária acabar com a prostituição de rua, mas não tenhamos dúvidas que a protecção do espaço público é um dos deveres das autarquias. E naquele "buraco" à beira da estrada assiste-se ao completo desprezo pelo espaço público.
Por outro lado, desde o tempo do Estado Novo que parece que os poderes públicos têm feito da prostituição de rua um tema tabu. Ninguém ousa falar sobre o tema. Pelo contrário, na Itália estudam-se propostas que visam controlar a crescente prostituição nas ruas, avançando-se com soluções como a criação de distritos reservados para a prostituição, assim como a legalização dos bordéis e a aplicação de penas de prisão perpétua para os condenados de praticarem actos de lenocínio.
Enquanto não aparecer um Governo que tenha a coragem de alterar a actual (des)lei que se aplica sobre a prostituição teremos que continuar a conviver com esta vergonha de vermos mulheres a "venderem-se" em pleno espaço público, muitas vezes em condições de autêntica imundice, que dão uma imagem vergonhosa de algumas zonas das nossas cidades. Torne-se ilegal a prostituição de rua e certamente que estas vergonhas terão os dias contados...

sábado, julho 05, 2008

Vergonha às portas de Viseu

Vivo em Viseu há cerca de cinco anos. A impressão que tenho da cidade para se viver é bastante positiva: a existência de ordenamento urbano, de boas acessibilidades, de muitos espaços verdes, de comércio diversificado e de um razoável índice de segurança. Enfim, uma cidade média onde vale a pena viver...
Infelizmente, habituei-me a ter de assistir, numa das principais entradas da cidade junto à A25 (por onde passo todos os dias rumo ao meu local de trabalho) à forma ilegal, mas sobretudo imunda, como uma família de ciganos se fixou num local à vista de todos aqueles que entram na cidade vindos de Sul. No entanto, outras duas entradas da cidade (a Norte e a Oeste) apresentam também sinais de invasão por parte de elementos desta comunidade étnica. Numa cidade que honra a limpeza, o planeamento e o bem-estar, não se percebe como é que as autoridades locais não colocam ordem nesta situação. Em cinco anos que levo de vivência nesta cidade não tenho visto, por parte das autoridades responsáveis, a adopção de uma verdadeira política de erradicação destas barracas que povoam as entradas da cidade. O mesmo se poderá dizer em relação a duas zonas da cidade frequentadas por prostitutas e que ficam à vista de todos aqueles que se dirigem para a cidade vindos de Sul e Oeste. Veja-se a foto que mostra bem a forma impune como a sujidade impera à beira da estrada em plena cidade de Viseu...
Estes são dois dos problemas que atingem muitas das cidades portugueses e cuja resolução parece não ter efectividade. Por medo, por desleixo ou simplesmente por incapacidade, considero miserável que em pleno século XXI tenhamos que continuar a ter barracas de ciganos e zonas de prostituição à vista de toda a gente em muitas das entradas de cidades portuguesas. Não defendo a guetização destas situações, mas tão só a sua erradicação, através de uma política séria de integração social!!!

terça-feira, julho 01, 2008

A multiplicação dos pobres...

Vivo em Viseu há apenas cinco anos, os mesmos que levo de casado. Neste período de tempo, a vivência nesta cidade média do Interior, permitiu-me compreender até que ponto a pobreza urbana, até agora característica das principais cidades do litoral (nomeadamente Lisboa e Porto) se propagou um pouco por todo o país, qual praga nacional do século XXI...
Nos últimos tempos, os sinais da carência porque passam muitas pessoas deste país (contam-se nas estatísticas 2 milhões de pobres em Portugal) começaram a ser mais evidentes, fazendo lembrar as paisagens urbanas de mendicidade de muitas das avenidas de Lisboa quando por lá estudei há uma década atrás.
Passei a minha adolescência na Covilhã e nunca por lá vi um mendigo na rua a pedir esmola. Quanto muito, apareciam alguns ciganos vindos das aldeias em redor a tocar à campainha de casa para pedir alimentos e roupas. Depois, com 18 anos, fui estudar para Lisboa e não havia dia que não passasse por algum mendigo, fosse no metro, à entrada dos shoppings ou nas artérias mais importantes da cidade. Em 2003 fixei-me em Viseu e raramente via alguém na rua a pedir (quanto muito à terça-feira, dia da feira semanal, lá apareciam ciganos a pedir na Rua Direita). Mas, de há uns meses a esta parte a mendicidade parece não abrandar e, cada vez que me desloco para o centro de Viseu, é raro o dia em que não encontro pessoas idosas sentadas no chão a pedir dinheiro para comer, romenos com bebés ao colo a suplicar esmola junto aos semáforos, crianças com cães "amestrados" a pedir dinheiro aos transeuntes, enfim, episódios intermináveis de pobreza... E, volto a lembrar, numa cidade do Interior do nosso país...
Hoje resolvi levar a máquina fotográfica para o Rossio e não faltaram oportunidades para registar a prova de como aquilo que digo é verdade...

quinta-feira, junho 26, 2008

A procura da ilusão ou o confronto com a realidade

Nos últimos dias ficámos a saber do sucesso de um livro que pretende servir de auto-ajuda para aqueles que não se encontram satisfeitos com a sua vida, seja a nível económico ou social, seja em termos amorosos ou até de saúde. O livro chama-se "O Segredo", supostamente revelado pela autora com vista à generalização da felicidade alheia.
Será a leitura deste livro (li umas partes na Bertrand para poder opinar sobre o mesmo) uma solução credível e séria para enfrentar os problemas com que nos confrontamos? Não creio. Parece-me mais uma mera ilusão...
Seria interessante conhecer o leitor típico deste livro. Aposto que, maioritariamente, será do sexo feminino, com uma idade compreendida entre os 25 e os 40 anos, solteira ou desgostosa de amores. Não me apelidem de sexista, mas deixo aqui um conselho a um(a) possível leitor(a) do livro em questão que possa estar a ler este artigo: em vez de gastar 13 Euros num livro de mera "charlatanice", confraternize. Pior ainda (ou seja mais caro e sem grandes melhorias) será consultar um psiquiatra... Fechar-se na "concha" do segredo é a pior solução; actuar de forma racional é o caminho a seguir...

segunda-feira, junho 23, 2008

Lembram-se? Uma vergonha!

Ficámos hoje a saber que o líder da oposição do Zimbábue viu-se obrigado a desistir da segunda volta das eleições daquele país africano para assim evitar que se multipliquem os "banhos de sangue" que nos últimos tempos têm sido de frequência diária...
A UE pouco diz sobre o assunto e a ONU está submersa num silêncio vergonhoso... Assistimos apenas a pedidos e mais pedidos!!! Com ditadores não se pede nada; exige-se... Há menos de um ano José Sócrates não se coibiu de dar palmadinhas nas costas do ditador zimbabueno que veio a Portugal passar uns dias de férias à custa de uma pseudo-cimeira UE-África. A UE não teve a capacidade e a elevação de se furtar ao "politicamente correcto". Sério e rigoroso teria sido levar a cabo uma verdadeira política de fomento da paz e da democratização do continente africano, quer fosse através do fortalecimento dos poderes do Tribunal Penal Internacional, quer fosse através de uma política de persuação de possíveis aliados africanos...

sexta-feira, junho 20, 2008

Acabaram-se as férias...

Com a despedida da selecção nacional do Europeu 2008, chegaram ao fim as férias para jogadores e treinadores. Agora já poderão reflectir nos milhões de euros que os grandes clubes europeus lhes propõem...
Para além disso, acabou-se também a boa vida para os jornalistas que acompanharam de forma degradante e pouco profissional estas últimas semanas de futebolmania. A maioria das reportagens foram simplesmente inócuas e vergonhosas para uma profissão que se quer digna e séria. O sedativo acabou-se. Voltemos ao que interessa...

quinta-feira, junho 19, 2008

Comprar? Para quê?

Que tipo de pessoas é que irão comprar um livro com a história de um Primeiro-Ministro ainda em funções e que é escrito por uma jornalista que trabalha para uma rádio pública?
Um livro que o visado afirma não ser a sua biografia oficial, mas que tudo fez para promover a obra, desde sessões de trabalho com a jornalista até à concessão de entrevistas...
Um livro que, tendo em conta o timing escolhido para a sua publicação, pode ser visto como autêntica propaganda pré-eleitoral...
Um livro que tem no título a expressão "menino de ouro", tão semelhante com a mais que criticada expressão "menino guerreiro" de Santana Lopes... Lembram-se da forma como os comentadores políticos criticaram o então candidato a Primeiro-Ministro?
Um livro que é escrito por uma jornalista da rádio pública e que a partir deste momento terá uma imagem de fuga à imparcialidade, dada a forma como neste livro não são aprofundadas situações, no mínimo, obscuras relacionadas com a forma como o Primeiro-Ministro obteve a sua licenciatura ou avalizou determinadas obras de engenharia...
O melhor mesmo para se ter uma ideia geral sobre o livro é fazer o que eu costumo fazer: ir à FNAC, fazer uma "leitura à Marcelo" e ver até que ponto este livro cheira a propaganda barata!!!
Volto a perguntar: o que levará alguém a gastar 25 Euros para comprar um livro destes???

sábado, junho 14, 2008

Obrigado, amigos irlandeses!!!

Pois bem, a Europa de agora é muito diferente da de 1957, quando se criou a então CEE. Também a exigência dos cidadãos europeus pela postura tomada pelos seus representantes em Bruxelas é agora muito diferente.
A decisão de evitar a todo o custo um referendo para ouvir a opinião dos europeus a propósito do Tratado de Lisboa, uma espécia de "copy-paste" encapotado da ex-Constituição Europeia, foi agora vingada, em nome dos cidadãos dos 27, pelos irlandeses. Pode ser que este cartão amarelo aos burocratas e candidatos a burocratas (como Sócrates) de Bruxelas lhes sirva de exemplo. Não governem de costas voltadas para o povo europeu.
Só mais uma nota: se a forma encontrada pela elite europeia para "resolver" este imbróglio for a convocação de um segundo referendo na Irlanda, então estaremos na presença de uma farsa de baixo nível perpetrada por líderes sem carácter!!!

terça-feira, junho 10, 2008

O Presidente passou-se de vez...

Na véspera das comemorações de mais um "Dia de Portugal", eis que Cavaco Silva se passou de vez. Visivelmente incomodado com as questões dos jornalistas sobre os recentes protestos dos camionistas, o Presidente saiu-se com uma frase, no mínimo, incompreensível. Apelidar o 10 de Junho como o "dia da raça" é mau de mais para um Presidente da República que se tem desmultiplicado em declarações públicas apelando ao rigor, à exigência e à maturidade da população portuguesa, nomeadamente dos mais jovens. Ponho-me a imaginar se numa das minhas aulas de Geografia dissesse aos meus alunos que a cada 10 de Junho se comemora o dia da "raça portuguesa"! Porventura até poderia ter um processo disciplinar em cima... Mas, com os políticos tudo ou quase tudo se perdoa.

Votei em Cavaco Silva para Presidente da República, mas isso não me impede de pensar que esta sua declaração é simplesmente repugnante. Ando eu a fomentar junto dos meus alunos o respeito pela diversidade cultural e o combate ao racismo e à xenofobia (no 8º ano de escolaridade este é um dos conteúdos a desenvolver na disciplina de Geografia) e Cavaco Silva sai-se com esta!!! Só visto... Imperdoável!!!

sexta-feira, junho 06, 2008

A festa dos pobres...

Durante os próximos dias o futebol irá inundar (ainda mais!) tudo o que diga respeito a noticiários. Depois de três semanas de uma frenética ânsia jornalistica pelo mais insignificante não-acontecimento relacionado com o estágio da selecção portuguesa em Viseu e a partida para a Suiça, eis que é chegada a hora de se debaterem tácticas, lances da bola, arbitragens, substituições, etc...
Foi confrangedor ter de assistir a peças jornalisticas inócuas e a roçar a incúria e a vergonha. A SIC ganhou a todos os níveis em termos de parvoíce jornalística!!! Jornalistas a falarem com cães vestidos com as cores nacionais, outros a darem a conhecer as casas e os carros dos jogadores, outros a revelarem os hábitos de lazer ou as preferências gastronómicas dos treinadores...
E o que dizer daqueles que aguardaram horas e horas pela passagem de carros desportivos com vidros fumados para acenarem em direcção ao desconhecido? E aqueles que no caminho para o aeroporto seguiram o autocarro da selecção, como se de uma revolução se tratasse? E as atitudes de puro fanatismo e ânsia pela aparecimento à frente das cãmaras de filmar das televisões protagonizadas pelos emigrantes portugueses na Suíça?
O visionamento do vídeo que se segue ficará para a história como a prova insufismável de como o futebol é a festa dos pobres. Qual América do Sul, qual quê? A parolice é mais que muita nos comportamentos revelados por muitos dos portugueses que não se importam de ser profundos iliterados, mas que ficam felizes quando é chegada a hora de "discutir bola"...
Ganhe ou perca, não estou para gastar muito mais do meu tempo com um conjunto de vinte e tal privilegiados que correm atrás de uma bola. Futebol, sim! Fanatismo, nem pensar!!!

segunda-feira, junho 02, 2008

Resolvida a questão da liderança eis a prioridade que se segue: derrotar Sócrates!!!

Manuela Ferreira Leite ganhou as eleições para a liderança do PSD. Assunto arrumado. Agora é tempo de "arregimentar" as tropas sociais-democratas para iniciarmos o difícil combate que teremos de travar daqui a pouco mais de um ano. O PS tudo fará para tentar descredibilizar Ferreira Leite, seja por causa da sua imagem fragilizada, seja pela conotação que alguns lhe dão de excessiva austeridade. Também não faltarão aqueles que, dentro do partido, irão fazer o que tanto criticaram dos seus opositores: cheios de ódio e raiva alguns dos que tudo fizeram para que Ferreira Leite não ganhasse estas eleições não irão ficar calados.
Da minha parte, apesar de não ter apoiado Ferreira Leite nestas eleições, tenho a franca convicção que, antes de ser apoiante deste ou daquele candidato a líder, sou social-democrata, pelo que é tempo de unir esforços por forma a derrotar toda a propaganda socialista que se espera vir a ser gigantesca.
Não se esperam tempos fáceis para Ferreira Leite. Quatro eleições seguidas são muito desgastantes. A máquina governamental está muito bem oleada em termos de propaganda. Os boys socialistas encontram-se muito bem distribuídos por todo o país. Alguns sindicatos perderam toda a sua credibilidade. A esquerda comunista e bloquista está ávida por receber os votos dos descontentes que votaram PS nas últimas eleições. Enfim, obstáculos que há que ultrapassar...
Ganhar a Sócrates será difícil, mas esse é um objectivo longe de ser impossível de se concretizar. Há que cativar a classe média, aquela que foi desprezada e maltratada por este Governo que de esquerda apenas tem uma única evidência: a prática de uma política de caridadezinha (nem chega a ser de solidariedade) pelos mais pobres e facilmente influenciáveis...
Não há dúvidas de que o país está bem pior do que há três anos atrás. O poder de compra das famílias diminuiu e as desigualdades sociais aumentaram. É nisto que se resume a praxis socialista. Mudar é urgente e possível!

quarta-feira, maio 28, 2008

A escolha possível...

Como militante social-democrata que me orgulho de ser tenho assistido com atenção à campanha interna que se tem vindo a desenrolar para as eleições à liderança do PSD. As dúvidas têm sido maiores que as convicções e, pela primeira vez desde que sou militante (já lá vão 14 anos), não sei, com certezas, qual o rumo que o partido deverá seguir.
Santana Lopes preconiza a candidatura das rupturas e das quezílias, não só por culpa própria (o erro de ter pegado no Governo de Durão foi gravíssimo), mas sobretudo pelo ódio que muitos dos históricos do partido nutrem por esta figura de grande carisma do PPD-PSD. Ferreira Leite apresenta-se como a imagem do imobilismo e do politicamente correcto, para além de que tem a enorme desvantagem de não incentivar ao rejuvenescimento do partido (haver a possibilidade de alguém com mais de 70 anos estar à frente do partido é demasiado frustrante). Passos Coelho é, como se costuma dizer em bom português, um autêntico tiro no escuro, demasiado conotado com os muitos oportunistas do partido que veem neste jovem político, uma possibilidade de utilizarem a sua imagem cordata e limpa para facilmente manietarem o partido a seu belo prazer.
As dúvidas são mais que muitas e só tenho pena que Marcelo não tenha avançado nesta oportunuidade que, para ele, teria sido de ouro. Sendo assim, e depois de muito reflectir, tomei a decisão de, no próximo sábado, ir votar em Santana Lopes. Apesar de saber que uma possível vitória de Santana iria quase revolucionar o partido, afastando de vez muitos daqueles que por ele têm um ódio de estimação, também penso que é legítimo que Santana tenha a possibilidade de ir a votos com Sócrates. Nas últimas legislativas, Sócrates ganhou enganando muitos milhares de portugueses. Muitos daqueles que ora votam PS, ora votam PSD, sentem-se defraudados com o governo PS. Pode ser que agora votem em Santana e lhe deem a oportunidade de provar que, ao contrário de Sócrates, tem sensilidade social.
Ferreira Leite apresenta uma clara imagem de regresso ao passado. Parece, descupem a analogia, um Sócrates de saias.
Passos Coelho é demasiado liberal para o meu gosto. Talvez daqui a uns anos possa ser uma boa alternativa. Por enquanto, não me inspira confiança.
Santana Lopes é o eterno lutador que não vira as costas ao partido, nem ao país. Não tem interesses instalados, nem segue o politicamente correcto.
Enfim, em jeito de resumo diria que Santana Lopes foi enganado por Sampaio. O povo foi enganado por Sócrates. Pode ser que Santana não seja enganado pelos militantes do PSD. A ver vamos...

terça-feira, maio 13, 2008

Um problema demasiado sério para que o possamos ignorar!!!

A crise alimentar mundial parece que chegou de vez aos países desenvolvidos. As razões são várias, desde o crescimento económico brutal da China e Índia e o consequente aumento do poder de compra de centenas de milhões de habitantes destes dois países até à crescente procura do petróleo e à substituição dos cereais alimentares por cereais destinados a produzir biodiesel...
Depois de décadas de fome contínua em muitos dos países africanos, eis que os problemas alimentares chegam aos países ricos. Com o aumento dos preços de muitos bens de primeira necessidade, milhões de agregados familiares dos paises desenvolvidos enfrentam sérios problemas ao nível da redução do seu nível de vida. Claro que esta situação em nada se pode comparar com a fome que atinge milhões de pessoas nos países pobres. Gente que morre à fome...
Há que mudar rapidamente o paradigma vigente na relação vigente entre os países desenvolvidos e os que estão em desenvolvimento. A lógica dos simples donativos, dádivas e perdões de dívida tem que dar lugar à lógica do investimento na educação, na democracia e na repartição da riqueza existente. Por outro lado, parece claro que a ilusão dos biocombustíveis produzidos a partir dos cereais alimentares tem de ser posta de lado de uma vez por todas. Finalmente, a ONU tem de ter uma intervenção eficaz e séria no sentido de obrigar os EUA, a China, a Índia, a Rússia e a UE a diminuirem a emissão de gases poluentes.
O cartoon que apresento, da autoria de John Darkov, é bem elucidativo do desprezo que muitos dos países ricos têm pelos países pobres. A outra figura (aconselho a clicarem em cima dela para a visualizarem melhor) constitui um excelente esquema publicado na revista Visão que resume as causas inerentes a este grave problema de âmbito mundial...
É tempo dos nossos governantes actuarem!!! Amanhã será tarde demais!!!

quarta-feira, abril 30, 2008

Até os miúdos percebem!!!

Nestas últimas semanas tenho andado a leccionar aos meus alunos do 8º ano conteúdos relacionados com a demografia.
Temos desenvolvido sobretudo questões que dizem respeito aos problemas populacionais com que Portugal se confronta.
No último teste de avaliação coloquei aos meus alunos a seguinte questão: "O que pensas que o Governo deveria fazer para melhorar a situação demográfica do nosso país?". Muitas foram as respostas de miúdos de 13 e 14 anos que, certamente, fariam corar de vergonha qualquer um dos nossos governantes.
Deixo-vos com a resposta de um desses alunos. Fica provado que apenas falta vontade política para levar a cabo autênticas medidas de protecção à família. E depois vêm com propostas anti-família, como as mais recentes liberalizações do aborto ou do divórcio, já para não falar dos milhões que se gastam no betão. Medidas sociais de verdadeiro cariz geracional, nem vê-las...

domingo, abril 20, 2008

O maior tesouro que se pode ter...

Se o actual estado da Educação, do Benfica, do PSD e do Governo nada tem contribuído para a minha felicidade, a verdade é que não é por isso que me sinto menos feliz ou mais angustiado. Porquê? Porque há mais vida para além do que a profissão, o partido e o futebol... Nada é mais importante do que a nossa família. É ela quem nos conforta quando estamos mais em baixo; é ela quem nos acompanha quando estamos mais alegres; é ela quem nos melhor conhece quando nos refugiamos no silêncio; é ela quem nos alerta quando estamos tentados a entrar num qualquer labirinto.
Há uns dias atrás assiti na SIC à alegria que dominava o estado de espírito de um emigrante português a residir no Canadá, a quem lhe tinham caído na conta bancária cerca de 9 milhões de Euros por ter acertado nos números do totoloto. O homem não se cansava de dizer que o dia em que ficou rico tinha sido o dia mais feliz da sua vida. Ah, e não parava de chorar de emoção, por pensar em tal quantia de dinheiro. Pensei cá para mim: "Mas, será que este homem não tem família? Não terá filhos?"

Bem sei que vivemos num mundo cada vez mais materialista, avesso a valores como a família ou a amizade. É o dinheiro que crescentemente domina a mente da maior parte das pessoas. Quantas vezes já não vimos alguém dizer-nos que se ganhasse o totoloto teria alcançado a maior das suas felicidades?

Pois bem, para mim não haverá dia, aliás, dias mais felizes do que aqueles em que nasceram os meus dois filhos. Para um homem decente e minimamente conscencioso não há tesouro maior do que ser pai. O dinheiro bem pode ajudar à felicidade, mas não é determinante. Decisivo para a nossa felicidade é sim podermos chegar a casa depois de um dia de trabalho e termos uma esposa e dois filhos amorosos à nossa espera. Entre o amor de família e a felicidade do dinheiro, não pestanejo de dúvida um segundo. Que se lixe o dinheiro...

terça-feira, abril 15, 2008

Desilusões (parte IV)

Este é o último artigo dedicado às desilusões que, actualmente, dominam (embora, sem afligirem) a minha vida social e profissional. Não é tanto uma desilusão, mas sobretudo revolta, pois não tem sido com surpresa que tenho assistido à forma como este Governo tem actuado: arrogância e mentira têm sido pontos de ordem durante oos últimos três anos.
Arrogância, na medida em que o autismo e a prática pouco democrática como muitas das medidas têm sido aplicadas, nomeadamente, nas áreas da Segurança Social e da Educação, evidenciam bem o estilo autoriário como José Sócrates actua na pele de Primeiro-Ministro. Só os mais distraídos é que não se lembram como já nos tempos de Ministro de Ambiente, Sócrates evidenciava tiques de pessoa nada tolerante e excessivamente nervosa e arrogante.
Mentira, porque as promessas que fez durante a campanha eleitoral, a que agora chama de compromissos, foram, pura e simplesmente, ignoradas e desprezadas. Aliás, a forma como Sócrates se serviu da mentira do défice para aumentar os impostos e fazer o que bem quis da Função Pública foi simplesmente vergonhoso. Não nos esqueçamos que a redução do défice (a grande bandeira deste Governo) apenas foi alcançada à custa de 28 meses de congelamento de carreiras nos funcionários públicos e da concessão de aumentos salariais bem abaixo da taxa de inflação. De resto, nada de substancial foi realizado. Na educação, foi aberta uma guerra contra os professores e abriu-se o caminho ao facilitismo. Na saúde, as listas de espera continuam enormes e os privados continuam a reinar. Na justiça, a lentidão veio para ficar, já para não falar da banalização da corrupção. O choque tecnológico transformou-se em autêntico choque de betão, com milhões de Euros a serem gastos no aeroporto, no TGV e nas auto-estradas.

segunda-feira, abril 07, 2008

Desilusões (parte III)

Seguindo o rol de artigos que tenho vindo a escrever sobre algumas das minhas actuais desilusões, é chegada a hora de falar um pouco sobre a lastimável imagem que o PSD tem passado para a sociedade civil.
Por influências familiares, mas também por razões de carácter ideológico, tenho orgulho em ser social-democrata. Mais do que ser um seguidor ferrenho ou cego e a qualquer preço do PSD, não tenho quaisquer dúvidas de que, desde os meus tempos de adolescente, sempre me identifiquei com este partido. Seja pela forma como a liberdade individual é defendida, como a família é valorizada ou como o reformismo é assumido, tenho a ideia clara que o PSD foi o partido que mais contribuiu para o desenvolvimento de Portugal.
Filiei-me na JSD quando andava no liceu a estudar, em plena vigência da segunda maioria cavaquista. Fui a dezenas de comícios (quando ainda eram realizados ao ar livre), fiz muitas caravanas e participei em muitas campanhas... Emocionei-me ao ouvir o meu avô e o meu pai contarem as aventuras que viveram nas décadas de 70 e 80, quando, na Covilhã, cidade eminentemente industrial, os PSD`s eram perseguidos pelos fanáticos comunistas. Muitas vezes, foram "corridos" à pedrada do Tortosendo, a chamada vila vermelha da Cova da Beira...
Com o fim do cavaquismo, o PSD entrou em crise, mas rapidamente soube retomar a linha do poder, através do delfim de Cavaco Silva. Mas, foi com a saída de Durão Barroso para Bruxelas que o declínio laranja começou a ser mais do que preocupante. Santana Lopes foi na conversa de Sampaio e a jogada socialista deu frutos. Agora, temos Menezes à frente dos destinos do partido, apenas porque muitos dos que o agora criticam não foram a votos.
Luís Filipe Menezes não é o meu líder de eleição. Penso que o PSD estaria melhor servido com Marcelo Rebelo de Sousa ou mesmo com Rui Rio. No entanto, entre Menezes e Sócrates não pestanejo um segundo. Menezes é um homem simples, emotivo e verdadeiro. Enfim, inspira confiança, no sentido de ser leal e humilde. Pelo contrário, Sócrates é a protótipo de governante arrogante, vaidoso e falso. As suspeitas que sobre si recaem acerca da forma como "adquiriu" a sua licenciatura e as peripécias que se conhecem da sua vida de "engenheiro", obrigam a que, apesar de não rejubilar com Menezes à frente do PSD, apoie totalmente o actual líder do PSD na hora de votar.

terça-feira, março 25, 2008

Desilusões (parte II)

No artigo anterior escrevi sobre uma das minhas maiores desilusões: o actual estado da educação em Portugal. Vou-me reportar agora a outra das minhas grandes desilusões: o Benfica.
Como sabemos ser-se do Benfica, do Sporting ou do Porto não depende de uma decisão tomada em plena consciência. Se assim fosse, mudaríamos facilmente de clube, de acordo com o sucesso momentâneo de cada um. É pois claro que ficamos reféns do clube que adoptámos em criança, quer tenha sido por influência do pai ou do avô, quer tenha sido por afinidades diversas ou por qualquer outra razão supérflua. A verdade é que esta é uma decisão puramente emotiva e nada (ou quase nada) racional.
O meu caso particular é interessante de contar. Quando comecei a perceber mais a sério o que era o futebol (por volta dos meus 5 anos) afimava-me sportinguista, muito por influência do meu avô, que era fanático pelo Sporting da Covilhã (filial do SCP). Para grande desgosto do meu pai, ferveroso benfiquista, comecei a fazer colecção de objectos do SCP. O meu pai começou a ver o tempo escassear, até que se decidiu a levar-me da Covilhã a Lisboa assistir a um jogo do Benfica, caso eu mudasse do SCP para o SLB. Essa era a última hipótese para me ver mudar de clube ainda a tempo: "Ninguém muda de clube em idade adulta", dizia-me ele... Então fui com o meu pai assistir ao Benfica-Steaua de Bucareste (2-0) ao velhinho Estádio da Luz e fiquei encantado com a grandeza do Benfica. Nessa mesma noite decidi mudar de clube: de mero e ingénuo adepto sportinguista passei a ser um fanático sócio do Benfica. A partir dos meus onze anos de idade e ao longo destes quase vinte anos que passaram, fui ver dezenas de jogos do Benfica. Muitas alegrias foram vividas; algumas tristezas também.
No entanto, o ainda curto século XXI tem sido terrível para os benfiquistas que se prezam de ter orgulho no seu clube. Depois da contratação de Artur Jorge (um ex-portista) para treinador do clube, a lógica da desmontagem e montagem de uma nova equipa de futebol no início de cada época desportiva impediu que a mística benfiquista se apoderasse da maioria dos jogadores. Agora, é a lógica do dinheiro que domina a equipa de futebol. Faltam o carisma, a garra e o orgulho... O presidente bem tenta copiar Pinto da Costa, mas falta-lhe qualquer coisa: talvezs genuinidade.
O Benfica de agora em nada se compara com o de há vinte anos atrás. Todos os quinze dias deslocavam-se dezenas de autocarros de todo o país a Lisboa para que milhares de pessoas pudessem assistir aos jogos do Glorioso. Fui em muitas dessas excursões de domingo. As quartas-feiras europeias eram arrepiantes, com o Inferno da Luz. Os jogadores tinham na sua grande maioria classe e suavam a camisola. Agora é o que vê: uma miséria fransciscana, com um presidente desorientado e com o "entra e sai" constante de treinadores e jogadores. Deixei de ser sócio e, por vezes, nem sequer me dou ao trabalho de ver os jogos do Benfica na televisão.
Entretanto, aguarda-se que alguém com credibilidade tome conta do clube. Até lá, o Benfica até poderá ter lucro nas suas contas, mas em termos desportivos é o que se vê. Saudosos anos 80 em que o Benfica dominava no futebol, basquetebol, andebol, voleibol, hoquéi em patins, entre outras modalidades...