segunda-feira, fevereiro 22, 2016

Costa, o ilusionista...

E vão três meses! É verdade! Há três meses que António Costa é Primeiro-Ministro e nunca em três meses se falou tanto em política orçamental. Aliás, o "consulado" costista tem sido marcado pelo que se diz e escreve sobre o Orçamento de Estado (OE). Nunca os portugueses ouviram tanto falar em orçamento, despesas, receitas, impostos...
Costa e Centeno asseguram que o OE que apresentam é um virar de página na austeridade, pela devolução de grande parte dos cortes que a austeridade do tempo de Passos Coelho fez incidir nos portugueses, sobretudo nos funcionários públicos. De resto, assistimos, segundo o PS, a uma descida da carga fiscal, se exceptuarmos o aumento do impostos sobre os combustíveis.
Portanto, segundo Costa temos um aumento da despesa e uma redução da receita, ao mesmo tempo que temos uma redução do défice. À custa de quê? De um hipotético aumento da riqueza nacional, medida pelo PIB. Estamos, assim, dependentes daquilo que as empresas e as famílias portuguesas possam fazer, este ano, ao nível do aumento da produção (as empresas) e do reforço do consumo (as famílias). Um Orçamento de Estado que se esfuma num conjunto de pretensões, assentes numa base mais do que gelatinosa...
É claro que quando, lá para o final do ano, o défice proposto pelo OE estiver longe de ser alcançado, lá teremos a conversa do costume. "A culpa é da herança", dirá Centeno com o sorriso a que já nos habituou. Costa acompanhará o seu Ministro das Finanças e dirá que tiveram de apresentar o OE a más horas e que a herança era tão pesada que fazer melhor era impossível...
Costa está feito um ilusionista de primeira. Desta vez, ainda tem o apoio da coligação negativa de esquerda. Mas, daqui a um ano lá veremos o BE e o PCP a esgrimirem argumentos para ver quem é que primeiro salta fora da coligação...     

domingo, dezembro 27, 2015

Um episódio da era guterrista, pronúncio do que aí vem...

António Costa tomou posse há um mês e já foram inúmeras as vezes que se queixou da "herança" de Passos Coelho. Era uma situação mais que previsível... Depois de pedir a maioria absoluta e de ter tido uma imensa derrota, só mesmo a muleta comunista salvou António Costa de deixar a política. Entretanto, as promessas de redução do défice e da dívida pública, aliadas ao aumento do poder de compra dos portugueses, com redução de impostos e aumento da concessão de apoios públicos não são mais do que uma espécie de quadratura do círculo impossível de se concretizar. A decisão sobre o Banif é apenas o continuar da estratégia socialista de há muitos anos: empurrar o problema para a frente e "engordar" o peso do Estado na resolução de problemas que pertencem à esfera privada. O Estado, sempre o Estado, essa entidade que parece invisível, mas que, afinal de contas, é o conjunto formado pelos contribuintes...
A propósito da estratégia socialista para a resolução dos problemas vou aqui contar um episódio ocorrido há uns dias por terras de Montemuro. De passagem por uma aldeia desta serra, habitada por gente que vive da terra e dos subsídios do Estado, conversava com uma senhora da classe alta do Porto, artista plástica, que na sua juventude habitou esta aldeia e que mais tarde foi viver para o Porto e que, há alguns anos atrás, herdou uma casa rural e se decidiu por abrir um empreendimento de turismo rural nesta aldeia recôndita da serra do Montemuro. Afirmava ela que sempre conheceu esta aldeia como uma aldeia de gente de trabalho. O trabalho da terra, dizia ela. Entretanto, há cerca de duas décadas, no tempo do primeiro governo de Guterres, quando foi criado o rendimento mínimo garantido, as pessoas da aldeia começaram a "habituar-se" ao subsídio do Estado e a deixarem os trabalhos agrícolas. Passados vinte anos, a grande maioria das pessoas desta aldeia vivem do rendimento social de inserção e dos abonos, sendo que alguns homens estão emigrados e as mulheres já nem aos trabalhos de limpeza se sujeitam...

segunda-feira, novembro 23, 2015

À procura da solução estável, duradoura e credível que a esquerda não consegue alcançar...

O documento que Cavaco Silva entregou a António Costa é bem demonstrativo do que o Presidente pensa acerca da "manta de retalhos" proposta pelo PS e os partidos da esquerda radical. Sim, esta pseudo-acordo não passa de um rendilhar de estratégias comuns que apenas têm em vista tirar Passos Coelho do Governo, ignorando, por completo, que o seu afastamento implica uma verdadeira alternativa de esquerda que, efetivamente, não existe. A própria incapacidade para PS, BE e PCP assinarem, conjuntamente e em uníssono, um acordo formal é disso prova. O que temos desta esquerda são meras intenções e, imagine-se, "posições conjuntas" (é o que está escrito nos documentos!) bilateriais muito fracas...
Não existe, nesta pretensa união de esquerdas, qualquer tipo de solução estável e duradoura e, muito menos, credível! Aliás, em termos de credibilidade o que temos é uma mão cheia de nada. O que temos é vingança, ódio e apenas um propósito a unir estas esquerdas: a tal coligação negativa que apenas quer ver pelas costas Passos Coelho. Muito pouco para quem pensa que assim conseguiria ser alternativa ao Governo que (ainda) temos!
Cavaco Silva ouviu 24 personalidades. Destas, apenas três (sim, três!), afirmaram, sem rodeios, apoiar um hipotético Governo liderado por António Costa. A maioria nem sequer colocou de parte a hipótese de podermos continuar a ter um Governo de Gestão até novas eleições. Também eu vou pelo mesmo diapasão. Entre o mau e o menos mau, prefiro o menos mau até novas eleições, única forma de clarificar o que pensa o povo, em vez de darmos razão à estratégia da "facada" pelas costas, orquestrada por António Costa.
Costa saiu da audiência com o Presidente calado que nem um rato e foi Carlos César a prometer resposta. As posições extremaram-se, com o PS a ser tudo menos bem-educado e a preferir a lógica de esticar a corda. Que continuem a esticá-la. Cavaco Silva só tem de respeitar o que a Constituição manda: ouvir os partidos (já o fez) e ter em conta os resultados eleitorais (vitória da coligação). Agora. resta aguardar pela decisão final... Ah, o povo não esquece e Cavaco Silva também não!   

sábado, novembro 14, 2015

Quando a guerra é inevitável...

O coração da França foi alvo de mais um acto terrorista. Agora, de terríveis proporções! Mas, não foi só a França que sentiu a mais invisível consequência deste tipo de barbárie. O medo instalou-se. E é um medo que afecta toda a civilização ocidental, incluindo os próprios muçulmanos que vivem nos países europeus. Aliás, estes terroristas têm apenas em vista instalar o medo, esse inimigo psicológico e invisível que afecta todos. Por isso, matam de forma indiscriminada, não se preocupando se atingem ou não apenas os seus inimigos ocidentais. Eles próprios se suicidam...
É claro que a reacção europeia foi própria dos que apenas olham para o seu umbigo: enquanto os mesmos actos são perpetrados na Síria, no Líbano ou no Iraque pelos mesmos grupos terroristas apenas ficamos atónitos a olhar e dizemos "Ái meu Deus!". Mas, quando é o coração da Europa que é alvo dos mesmos ataques terroristas já sentimos medo e reagimos de imediato e de forma mais inconformada. Agora queremos vingança, muitos da pior forma: "isto é culpa dos refugiados", dizem alguns, completamente errados. A verdade é que os refugiados apenas fogem do que agora também temos medo. Estes refugiados que almejam o sonho europeu, deixam tudo para trás a fogem destes mesmos terroristas que agora atacam o coração da civilização europeia.   
As causas estão mais que diagnosticadas. A guerra civil na Síria e a instalação em território sírio de um conjunto de indivíduos que defendem a instauração de um Estado Islâmico, numa espécie de novo califado, foram o detonar deste novo tipo de conflito. Não um conflito militar, mas um conflito entre estados de espírito e de mentalidades: uma forma de pensar fanática e odiosa que quer que o povo europeu e os seus aliados tenham medo e fiquem fragilizados. 
Forma de reagir? Três ideias-chave: defesa da liberdade, aposta na vigilância e intervenção militar imediata. Continuar a defender a liberdade de pensamento, conquista do povo europeu, não dando a entender que o medo fragiliza, tem de ser ponto de ordem. Vigilância e segurança têm também de ser prioridades da Europa, não numa espécie de estado securitário, mas de salvaguarda do bem-comum. A resposta passa sobretudo por combater a origem e o foco do problema: intervir na Síria, aniquilando este grupo de terroristas (são já largos milhares os seus seguidores) tem de ser uma prioridade da Europa e dos seus aliados. Uma guerra que urge não adiar, porque se a paz se conquista com a Educação a longo prazo e a nível intergeracional, o fim a curto prazo destes grupos terroristas só se consegue destruindo os seus focos de origem. Há que intervir militarmente na Síria, terminando com a guerra civil que lá está instalada e devolvendo o território sírio ao povo sírio. Há que derrotar estes bandos de terroristas que se multiplicam no território sírio e que provaram na sexta-feira, treze, que conseguem atingir o coração da Europa.
Conhecer um pouco da História da Síria ajuda um pouco a compreender o foco do problema. Podem aqui lê-la. Intervir militarmente não pode ser uma decisão a adiar.

quarta-feira, novembro 11, 2015

O Governo caiu. O que acho que vai (e deve) acontecer...

O XX Governo Constitucional durou poucos dias. Um Governo que foi sufragado e escolhido pelos portugueses, fruto de uma coligação transparente e que não foi mais do que a continuação legítima de uma coligação de Governo que durou mais de quatro anos, de tempos muito difíceis, e que a maioria dos portugueses decidiu que continuasse, desta vez sem maioria absoluta.
Contudo, uma maioria formada pelos partidos perdedores resolveu avançar com um acordo negativo, tendo como único eixo de ligação a queda da coligação de Governo que venceu as eleições. No resto, esta maioria negativa apenas se destaca pelos seus pontos de discórdia... Nem sequer em relação a um acordo comum se entendem, tendo de subsistir acordos bilaterais. Enfim, uma autêntica "manta de retalhos".
Pois bem, o tempo agora é novamente de Cavaco Silva. Com o seu mandato a chegar quase ao fim, Cavaco Silva tem a oportunidade de, novamente, surpreender a esquerda. E tem toda a legitimidade para o fazer. Esta esquerda que pensa que já governa e que fala como se a sua indigitação tivesse, neste momento, de ser uma inevitabilidade. Mas, não é! Cavaco Silva tem a possibilidade (que a Constituição lhe confere no art. 186º ) de dar posse a um Governo de gestão, que pressupõe que o Executivo de Passos Coelho possa manter-se em funções até à tomada de posse de um novo Governo, que saia vitorioso nas próximas eleições legislativas. Dizem que o problema é que só pode haver eleições a partir de Julho do próximo ano. E qual o problema? Há praticamente quatro meses que o Governo se tem comportado como estando em gestão e o país não sofreu nenhum abalo por isso. Bem pelo contrário. O abalo na Bolsa de Valores e nas taxas de juro da dívida pública aconteceu quando se soube que a queda do Governo seria uma certeza. Outros dizem que o problema está no Orçamento. E qual o problema? Entre um Orçamento em duodécimos (que respeite o actualmente em vigor e que dará origem a um défice de 3% do PIB) e um Orçamento elaborado por uma Esquerda ortodoxa e refém de um PCP do século passado (e que daria origem, pelas promessas feitas a um défice bem acima dos 3%), que venha o Orçamento em duodécimos. E quanto à legitimidade para Cavaco Silva para optar por um Governo em gestão em detrimento do Governo da "manta de retalhos" esquerdista, essa legitimidade é total e conferida pela Constituição e pelas "balizas" que o próprio Cavaco estabeleceu aquando da tomada de posse do Governo de Passos Coelho. É que Cavaco Silva não tem que se comportar como a Rainha de Inglaterra, nem o seu cargo é meramente decorativo. Cavaco tem direito ao seu livre arbítrio, tendo em conta os valores que defende e com que se candidatou há cinco anos atrás. Valores esses sufragados pela maioria dos portugueses...
Que venha o próximo Presidente da República (muito possivelmente Marcelo Rebelo de Sousa) e dê, novamente, a voz ao povo. Aí sim, veríamos o que é que os portugueses querem? Quem tem medo de dar a voz ao povo? A esquerda, pelos vistos...  

sábado, novembro 07, 2015

Há quem queira voltar à festa... ou melhor, à bancarrota! Eu não...

António Costa está completamente refém da esquerda radical. Promete "mundo e fundos": aumento do salário mínimo para os 600 euros, o fim da sobretaxa para funcionários públicos, o aumento das pensões, a redução do IVA, o fim das privatizações, enfim, uma mão cheia de despesa do Estado e de redução das receitas. Ainda por cima, assegura que, já em 2016, o défice orçamental será de 2,8% do PIB. É preciso descaramento!!!
A esquerda, com tanto ódio a Passos Coelho, faz de tudo para ir para o poleiro. O PS tem centenas de "boys" e "girls" espalhados pelo país à espera do tacho. Já os comunistas e os bloquistas não são nada burros e recusam ir para o Governo. A razão é simples: assim, daqui a uns tempos, podem deitar o Governo abaixo, já que não farão parte dele. 
Mas, ainda há a esperança de que Cavaco Silva não faça a vontade a esta esquerda oportunista que, efetivamente, só pensa nela própria e não no país! Qual o problema de termos um governo de gestão? Aliás, bem vistas as coisas ,há quase quatro meses que andamos com um Governo de "banho maria". Com a pré-campanha eleitoral, a campanha eleitoral e esta trapalhada toda, a verdade é que, em termos práticos, não se tem sentido a falta do Governo. Portanto, entre um Governo de gestão e um Governo do género "manta de retalhos", que venha o Governo de gestão... e em Abril que se chame, novamente, o povo português a dizer de sua justiça! Quem tem medo de ouvir o povo? Pelos vistos, é a esquerda que não quer que o povo se pronuncie...
Como se pode confiar num suposto Governo de esquerda que, descaradamente, afirma subir as despesas de forma "astronómica" e reduzir as receitas, ainda por cima, prometendo um défice inferior a 3% do PIB? E que acordo é este (ou melhor, três acordos!) entre duas esquerdas antagónicas: uma europeia e outra anti-europeia? E que PS é este que quer que o Governo e, portanto, o país fique refém de um partido comunista tão arcaico e parado no tempo (ainda pensam à Lenine)?
Não queremos festa, nem bancarrota! Entre a desgraça, com consequências por muitos anos, e a gestão de seis meses, que venha um Governo de gestão! Cavaco, confiamos em ti... 

segunda-feira, novembro 02, 2015

Governar assim é fácil...

O PS está feito com o PCP e o BE para, juntos, derrubarem o Governo que legitimamente tomou posse. António Costa, depois da derrota que teve no passado dia 4 de outubro, deixou-se levar pela conversa da esquerda radical, que se preparar para daqui a uns meses lhe voltar as costas. Estratégia de sobrevivência de Costa, mas com elevados e graves custos para os portugueses... A intenção é simples e dupla: fazer cair o governo de Passos Coelho, por quem a esquerda radical nutre um ódio de estimação, mas também, tirar o tapete, daqui a uns meses, a António Costa, por forma a "pasokiar" o PS português (o objetivo do PCP, mas sobretudo do BE é, nas próximas eleições legislativas - não sabemos quando, mas daqui a menos de dois anos, certamente - tirar votos ao PS)...
Mas, vamos à forma como o "cozinhado" esquerdista se prepara para governar o país. Isto se Cavaco Silva for brando e não pedir a Passos Coelho para implementar um governo de gestão. É que entre a desgraça de esquerda e a gestão do que já conseguimos, mais vale a gestão do que actualmente temos. Pelo menos durante seis meses. Mas, dizia, o PCP e o BE já vieram dizer claramente que os limites do défice orçamental (acordado com a UE) não são para cumprir. Assim se explica as intenções de subir salários, descongelar pensões, aumentar reformas, baixar impostos... tudo à grande, como se "nadássemos" em dinheiro. Vejam bem, depois de quatro anos de ajustamento e de austeridade, a esquerda quer governar à rico! Assim é fácil e qualquer um governava. Até o "emplastro" do FCP governava: com o dinheiro que não se tem, empurrando a dívida pública para as gerações seguintes e arriscando uma nova entrada da troika em Portugal. Lamentável e vergonhoso...
Ainda tenho esperança que Cavaco Silva interceda junto de Passos Coelho para que este, depois da queda do Governo (a ver vamos se se confirma!), aplique o seu governo de gestão. É que a maioria do povo português (todos os que votaram na coligação e muitos dos que votaram PS) exige ser consultada em eleições antecipadas. É que três derrotados não formam um vitorioso...

domingo, outubro 25, 2015

Cavaco Silva, o clarificador...

António Costa e a esquerda radical, no dia a seguir às eleições de 4 de outubro passado resolveram surpreender o país com a possibilidade de juntarem os trapinhos para chegarem ao poder, fazendo "tábua rasa" de tudo aquilo que disseram de uns e outros durante a campanha eleitoral. Recorde-se que o PCP chegou a acusar o PS de ser igual ao PSD!!!
Pois bem, Cavaco Silva também resolveu surpreender o país, colocando tudo em pratos limpos, com um discurso frontal, direto e sem papas na língua! Para quem era acusado de se comportar como uma múmia, Cavaco Silva revelou-se e fez juz ao seu papel de clarificador...
Claro que agora as esquerdas (a moderada e a radical) parecem estar mais unidas do que nunca, mas Cavaco Silva apenas tem de fazer o que a Constituição o obriga a fazer e o que a sua consciência de moderador o impela a passar à prática: impedir que uma coligação falsa e "cozinhada" à revelia dos portugueses chegue ao poder e destrua tudo o que durante estes quatro anos de dificuldades se conseguiu: o retorno da credibilidade externa, da autonomia financeira, de contas públicas mais equilibradas e do consenso social ao país!!!
Cavaco Silva fez o que tinha de fazer: clarificar e alertar os portugueses para a deriva que poderíamos assistir, caso as esquerdas chegassem ao poder, nas costas do que os portugueses definiram em eleições!!! 

domingo, outubro 18, 2015

Há quem não tenha memória e pense que o passado nunca se repete. Mas, ás vezes, repete-se...

Depois de na noite eleitoral das últimas legislativas todos terem cantado vitória (até Costa se vangloriou do resultado do PS!), eis que a surpresa tomou conta dos espíritos mais sensatos. António Costa, em desespero por manter o lugar de líder do PS, esticou a corda toda e resolveu virar à esquerda, por forma a tentar chegar a Primeiro-Ministro com o apoio da esquerda radical...
Apesar de não haver sondagens sobre o assunto (e sabemos como as sondagens em Portugal têm sido certeiras - basta recordar as sondagens pré-eleitorais que acertaram em cheio!), parece-me que a maioria do eleitorado português se sente defraudado e enganado com a postura de António Costa, inclusivé muitos dos que votaram PS... 
E o que se seguirá? Pois bem, é óbvio que Cavaco Silva terá de dar posse a Passos Coelho para formar governo. Com a recusa do PS para o diálogo à direita, teremos um governo minoritário. Penso que o programa de Governo da coligação passará com a abstenção do PS. A partir daí será tudo uma incógnita, dependendo do aparecimento ou não de uma oposição interna no PS.
Mas quero aqui recordar o que aconteceu em 1987. Quando Cavaco Silva também tinha um Governo minoritário e a oposição de esquerda resolveu derrubar o Governo, o povo não gostou e "brindou" Cavaco Silva com a sua primeira maioria absoluta. Há quem diga que o passado não se repete, mas pode ser que António Costa arrisque derrubar o governo minoritário de Passos Coelho e queira provar da lucidez do povo português. O PS que derrube com o BE e o PCP o governo de Passos... e verá o que o espera. A "pasokização" do PS português já começou... 

segunda-feira, outubro 05, 2015

Limpinho, limpinho!!! O povo (ainda) tem memória...

Os resultados das legislativas de 2015 não deixam margens para dúvidas! O povo português, na sua maioria (e falo da maioria que foi às urnas e que, portanto, fez valer o seu direito cívico de votar), expressou-se de forma muito clara: compreende os quatro anos de sacrifícios que Portugal teve, reconduziu Passos Coelho como Primeiro-Ministro, mas anseia por maior diálogo, negociações e compromissos na Assembleia da República. Contudo, fica claro que a haver compromissos terão de ser feitos entre os partidos do "centrão", ou seja, entre PSD, PP e PS e não com os partidos da esquerda radical, confinados a menos de 20% do eleitorado...
Sejamos claros e sintéticos:
- vitória clara da coligação PSD/PP e, até poderá apelidar-se de surpreendente, se tivermos em conta que os últimos quatros anos foram de muita austeridade;
- derrota estrondosa do PS, tendo em conta que Costa pediu a maioria absoluta e que "substituiu" Seguro, apelidando a vitória do PS nas últimas europeias como a saber a "poucochinho";
- recuperação do BE aos valores deixados por Louçã, mas a evidência de que a maioria do povo não se revê neste partido da esquerda radical para ser alternativa de governo do país;
- mais do mesmo em relação ao PCP, com os tradicionais 400 mil votos comunistas.
É bom que aqueles que pensavam que iríamos assistir a uma derrota estrondosa de Passos Coelho e que pensavam que seria a esquerda (qualquer que ela fosse, com ou sem BE ou PCP) a formar governo, metam na cabeça que, de facto, como dizia o outro, o povo é sereno e tem memória. Sim, memória! Há quem não esqueça como o país estava há quatro anos atrás e compreenda e avalize os quatros anos de governação que tivemos. Apenas pedem maior dose de consenso e governação entre os partidos do chamado arco da governação... Limpinho!!!

domingo, outubro 04, 2015

Finalmente, o dia D...

Nas últimas semanas Portugal viveu em clima de campanha eleitoral. Aliás, nos últimos dois meses o país parece que esteve em estado de "piloto-automático" e as notícias a nível nacional foram "eclipsadas" pelo ambiente de campanha eleitoral. Eleições em Outubro é no que dá: com a silly season das férias de verão e o setembro "preguiçoso" de regresso ao trabalho, Portugal esteve "hipnotizado" nos últimos seis meses, mas, a fazer fé, nas sondagens que todos os dias nos apareceram pela frente o ambiente de campanha eleitoral continuará a perdurar nos próximos tempos. É que não havendo um governo maioritário (que é o mais certo!) a instabilidade política tomará conta do país e os partidos estarão em constante despique (uns à espera de novas eleições; outros na ânsia de se manterem no poder).
Quem esteve sempre em campanha e fez várias voltas a Portugal foi António Costa. Quando chegou a líder do PS, as sondagens davam-lhe maioria absoluta; hoje ficará contente se conseguir mais um voto que seja do que a coligação PSD/PP. A ver vamos se sai de cena após os resultados eleitorais...
A poucas horas de fecharem as urnas acredito na vitória da coligação PSD/PP. Caso isso se confirme será interessante ouvir o que Costa terá a dizer aos portugueses. Caso Cavaco Silva dê posse a um governo minoritário de Passos Coelho estou curioso para ver como se irá comportar o novo líder socialista. Recorde-se o que aconteceu com o primeiro governo de Cavaco Silva: depois da esquerda ter derrubado o primeiro governo minoritário cavaquista, o povo "ofereceu-lhe" uma maioria absoluta...  

sábado, setembro 12, 2015

Aí está a campanha, com Sócrates como protagonista...

Passos Coelho deve estar satisfeitíssimo. Mal Sócrates saiu da prisão de Évora para a casa da ex-mulher (estranho, não é?) em prisão domiciliária, eis que as sondagens mudam de direção e começam a sugerir que o PS pode não ganhar as eleições. Pois é, a vida não está fácil para António Costa e a forma como o candidato socialista se enervou no debate a dois com Passos Coelho cada vez que ouvia a palavra "Sócrates" deixa claro que o nervosismo tomou conta das hostes socialistas. O que eles queriam é que Sócrates estivesse calado, surdo e imune ao protagonismo. Ora, Sócrates quer é o inverso. Quer que lhe façam visitas e que estas sejam notícia. Quer que os jornalistas lhe façam perguntas. Quer que os seus advogados continuem a aparecer nos jornais. Quer que se fale dele...
Quer queiramos, que não (e o PS não quer), cada vez que se fala de Sócrates é como que um clique que se faz na memória dos portugueses. É o regresso ao passado recente de há quatro anos atrás, quando Portugal estava impossibilitado de recorrer ao crédito externo e, portanto, à beira da bancarrota. De quando o PS teve de chamar a troika. Sim, foi o PS e não o PSD como afirmou Costa no debate (é preciso ter muita lata para vir dizer que foi o PSD quem chamou a troika!).
Falta menos de um mês para as eleições legislativas e o PS já percebeu que terá de recorrer à estratégia do medo para tentar ganhar as eleições. Daí que venha pressionar a classe média com a conversa dos lesados do BES ou que venha meter medo aos pensionistas com o "bicho papão" do plafonamento das pensões...
Ainda se lembrarão os socialistas de quando, há menos de um ano, discutiam a dimensão da maioria absoluta que iriam conquistar? Agora é vê-los a tentar ganhar as eleições, nem que seja por um único voto de diferença. E sabem quem é o sujeito que, por esta altura, mais se estará a rir com esta novela toda? O Seguro, pois é! E só não é o Sócrates porque este já leva com nove meses de cadeia nas costas. Aliás, em termos de risota, aconselho a leitura desta excelente artigo da São José Almeida disponível aqui...   

quarta-feira, setembro 02, 2015

Professores vs Médicos

A Educação e a Saúde são considerados como os dois sectores sociais mais importantes de um país e decisivos para "medir" o nível de desenvolvimento humano. É a ONU que o diz...
Ora, basta analisar as capas de dois dos principais jornais desta semana para avaliar o ponto de situação das principais classes profissionais que dominam a Educação e a Saúde: médicos e professores, respectivamente...
Depois de conhecidas as listas de colocação de docentes para o próximo ano lectivo, o Público fala de uns largos milhares de candidatos a professores que o não conseguem ser. Fala também de largos milhares de professores que ficaram colocados longe das suas áreas de residência, longe das suas famílias e com o "fardo" de terem de suportar despesas de alojamento e largas horas passadas nas deslocações para as escolas... Isto já para não falar do clima de "guerrilha" existente na classe dos professores...
Já o DN fala que os concursos para a colocação de médicos em muitos dos hospitais deste país, sobretudo em regiões do Interior, ficaram "desertos". Os médicos podem dar-se ao luxo de não concorrerem para certas regiões do país, porque desemprego é algo que não lhes bate à porta. E, com tantas Universidades a formarem médicos (são largas centenas aqueles que todos os anos saem das Faculdades de Medicina prontos a exercerem), nem assim Portugal consegue ter os seus hospitais públicos apetrechados do número de médicos suficientes para as necessidades do país.

sábado, julho 25, 2015

O desemprego, as eleições e as promessas...

Estamos em pré-campanha eleitoral. Eu diria mesmo que já estamos em campanha! Todos os dias assistimos às viagens que António Costa faz pelo país fora à conquista do voto popular à custa de umas quantas promessas, enquanto que Passos Coelho aproveita inaugurações e conferências para explicar o que fez nestes últimos quatro anos. Pelo meio, já tivemos oportunidade de vermos as habituais entrevistas televisivas...
Uma vez mais, o tema do desemprego veio à baila pela mão do PS que, em cartazes espelhados pelo país, promete empregos dignos e com futuro. Ao ponto a que se chega para conseguir o voto dos mais ignorantes!!! Se desta vez, António Costa ainda teve algum pudor em avançar com a quantificação dos empregos prometidos (recordemos a promessa dos 150 mil empregos de Sócrates!), o candidato socialista não se coibiu de vir com a conversa do "emprego digno e com futuro" na caça ao voto! Deve estar o falar do emprego a que ele próprio almeja: o de Primeiro-Ministro, sem dúvida de muita dignidade e com imenso futuro...
Como sabemos, não são os governos que criam postos de emprego. Quanto muito podem criar emprego público e, nesse tipo de emprego, os socialistas até costumam ser peritos, nomeadamente em emprego desnecessário na Função Pública. Mas, é claro que o emprego pode ser impulsionado pelas medidas económicas que os governos implementam. Basta haver o reforço do investimento público (por exemplo, nas obras públicas), para que se crie emprego. Recorde-se as auto-estradas que os governos socráticos espalharam pelo país fora. Hoje, muitas delas, estão às moscas...
Mas, já que os socialistas gostam tanto de falar em emprego, vamos aos números. E ao nível dos números (a constatação menos abstracta que existe), nada como compararmos os seis anos dos governos de Sócrates com os quatro anos da governação de Passos Coelho. Os de Sócrates, quando o país viveu em festa de despesismo e os de Passos Coelho, envoltos numa esfera de austeridade. Pois bem, no tempo de Sócrates conseguiu-se, em seis anos, aumentar em quase 4% a taxa de desemprego. E nestes últimos quatro anos, os de maior crise financeira desde que há democracia em Portugal, se se atingiu um máximo de quase 18% de desemprego, consequência da austeridade em que mergulhámos por via da vinda da troika para Portugal (responsabilidade dos dois desgovernos socráticos!), a verdade é que nos últimos dois anos a taxa de desemprego tem vindo a recuar e já estamos como estávamos aquando do ponto de partida desta crise. Claro que pelo meio tivemos muita emigração, mas de que poderíamos estar à espera? Com a entrada da troika em Portugal, era mais que expectável que o desemprego aumentasse...
O que considero ignóbil é vir agora alguém que quer ser Primeiro-Ministro prometer empregos dignos e com futuro! Costa pode enganar quem bem quiser, mas a mim é que não me engana... 

sexta-feira, julho 03, 2015

Os tipos veem-se gregos... Não se governam, nem se deixam governar!

Há quem diga que Portugal é o bom aluno da UE. E, muitos dos que dizem isso, fazem-no num tom crítico. Chegam a afirmar que os portugueses deveriam ser como o povo grego que, nos últimos tempos, tem enfrentado os credores internacionais e, sobretudo, a UE e o FMI. Pelo menos é isso que o atual governo grego tem feito...
Mas, seria bom que quem tanto critica a UE e defende a postura do atual governo grego recuasse um pouco no tempo para perceber que talvez a UE não seja o vilão e o governo grego o inocente neste história toda...
Atente-se no gráfico que aqui apresento para perceber a origem do atual estado de coisas na Grécia. Porquê a escalada na dívida pública grega? Porque os sucessivos governos gregos (não apenas o atual) vivem, desta há muitos anos, em situação de défice orçamental. E repare-se que o défice apenas começou a contrair desde que se deu o primeiro resgate da troika à Grécia em maio de 2010. Ou seja, foi necessário que o FMI, o BCE e a UE interviessem na Grécia para que a despesa pública recuasse e as receitas (sobretudo as fiscais) subissem. Doutra forma, a Grécia continuaria o seu rumo face ao abismo. É que a dívida pública tem de ter um fim. E o fim é o abismo...
Ora, seria bom que os gregos percebessem que a solução não está em deixar de pagar a dívida pública. Seria abrir um precedente grave, sobretudo quando sabemos dos sacrifícios que os portugueses têm atravessado desde que, também por cá, a troika teve que nos livrar da quase-bancarrota em que governos sucessivos (nomeadamente os socráticos) nos meteram...
O que está para trás não é apenas história. São dívidas que têm de ser pagas. Pode-se renegociar as condições, os juros e os prazos, mas daí a ignorar a dívida vai um longo e perigoso caminho. E, a solução está em sobretudo em olhar para o futuro. Um futuro que, como por cá este governo tem estado a tentar trilhar, passa por reduzir o défice orçamental (e se possível criar superavit orçamental), por forma a tornar as contas públicas sustentáveis, tal e qual como qualquer família deve fazer em relação às suas contas caseiras: não gastar mais do que aquilo que se tem... Simples!!! 

sábado, abril 25, 2015

Para que serviu, então, o 25 de Abril?

Nos noticiários revemos os discursos políticos de sempre, as reportagens relembram os "fazedores" da revolução e as estatísticas permitem-nos perceber, efectivamente, que o país mudou completamente de rumo: descolonização, democracia e desenvolvimento tornaram-se realidade.
Claro que somos um povo "queixinhas" e nunca estamos satisfeitos com nada. Parece que gostamos de nos queixar de tudo e de todos. Continuamos a ouvir a conversa do costume, de que "o 25 de Abril ainda está por fazer". Soubessem esses como era o país antes de 1974 e talvez pensassem duas vezes antes de dizerem disparates.
Dou apenas aqui um exemplo de um disparate que apenas é consequência do próprio 25 de Abril. O Presidente do PS, partido da oposição que aspira a voltar a formar Governo daqui a meio ano, afirmou hoje que o discurso do Presidente da República não foi mais que um "discurso de  quarta classe". Pois bem, foi a Liberdade instituída em Portugal há 41 anos atrás que permitiu que um político que deveria ser responsável nas palavras e atitudes falasse de forma rasteira e muito abaixo do nível mínimo de decência. Deve ter aprendido com o seu mestre Mário Soares...
Carlos César e os outros "Carlos Césares" que abundam por este país apenas proferem estas barbaridades graças ao 25 de Abril. Por isso é que andam sempre com a conversa do "25 de Abril" a toda a hora. Sabem que o fim da ditadura permitiu que a liberdade fosse esticada ao ponto da má-educação e charlatanice serem ponto de ordem para alguns...

quarta-feira, março 11, 2015

Telhados de vidro? Quem os não tem?

Sabia ou não sabia que tinha de fazer os descontos? Pagou ou não pagou tudo o que devia? Esqueceu-se ou fez de propósito? Tem ou não autoridade moral para continuar a pedir sacrifícios aos portugueses? Devia ou não demitir-se? Enfim, as perguntas são muitas e todos têm respostas...
Ora bem, depois da assumpção de António Costa de que Portugal está melhor agora do que há quatro anos atrás e logo a seguir a ser conhecida uma sondagem que dava um empate técnico entre a coligação PSD/PP e o PS, esta foi uma notícia que muito jeito deu a António Costa e aos partidos da oposição. Até Sócrates se deve ter sentido mais aliviado pela notícia dada à estampa pelo Público, tendo aproveitado logo para vir a terreiro atacar Passos Coelho. Só faltou mesmo termos ouvido Mário Soares a exigir a demissão de Passos Coelho!!!
Mas, vamos ao que interessa. Passos Coelho não pagou aquilo que tinha a pagar à Segurança Social; isto há mais de 10 anos atrás. Afirma que não sabia que os descontos para a Segurança Social eram, à data, obrigatórios. Nunca foi notificado para o pagamento. Decidiu pagar depois da notícia do Público. Conclusão: não cometeu qualquer crime, mas sim uma falha/omissão. Um erro que exige a demissão do Primeiro-Ministro? Claro que não! É que caso fosse aberto um precedente a este nível, então não tínhamos governos que aguentassem seis meses seguidos. É que, não tenhamos dúvidas: não há político que não tenha "telhados de vidro". E, como muito bem afirmou Passos Coelho sobre ele próprio, não há ninguém perfeito, seja ou não político. Nesta trapalhada toda (que não passa disso mesmo) só vejo um erro político na forma como Passos Coelho reagiu à notícia. Não pediu desculpas aos portugueses. De resto, vi um Primeiro-Ministro sereno e com a consciência de que, tal e qual como os restantes portugueses, teve falhas. E quem nunca falhou? Recorde-se a notícia sobre António Costa de quando este era Ministro da Justiça...
Querer dar a entender que o erro de Passos Coelho configura uma espécie de roubo ou aproveitamento para enriquecimento ilícito (é inevitável que nos venha à ideia o caso "Sócrates") é pura politiquice baixa...

quarta-feira, fevereiro 25, 2015

Portugal, Grécia, troika e alunos...

No último artigo escrevi que a Grécia se encontrava num "poço sem fundo". Depois da mudança de Governo grego e do "esticar" da corda entre Varoufakis e a troika (sim, não vale a pena amenizar a situação, trocando a expressão "troika" pela expressão "instituições"), o que os gregos conseguiram não foi mais do que o adiar do problema durante uns meses. O abismo para os gregos está próximo (isto se não mudarem de rumo) e o querer adiar a resolução dos problemas com meras cartas de intenções, cheias de banalidades e "frases feitas" não vai adiantar de muito.
Se alemães (quem verdadeiramente "manda" na UE) e gregos estão de costas voltadas, também a população portuguesa está dividida nesta questão. Há os que compreendem os gregos e desejavam que os portugueses se "colassem" ao espalhafatoso discurso do Governo grego, num discurso do género "não pagamos!" ou "pagamos quando quisermos" e há os que elogiam a postura do Governo português, mesmo que por isso sejam apelidados de "seguidistas" ou de "bons alunos" dos alemães.
O certo é que Portugal já se consegue financiar a taxas de juro mais baixas que os EUA e que "credibilidade" e "confiança" são as duas palavras que, externamente, se fazem ouvir quando se fala de Portugal. Pelo contrário, a Grécia, com a sua estratégia de desafio e confrontação, vê o tempo esgotar-se, havendo rumores de que os cofres gregos começam a ficar vazios e que não haverá dinheiro, a partir de Abril, para salários e compromissos internos e externos. Os pagamentos gregos devidos à troika  e a privados ascendem a cerca de 15 mil milhões de euros nos próximos meses. Ou seja, os gregos precisam de mais dinheiro e com as taxas de juro tão elevadas nos mercados externos, resta-lhes recorrer à troika. Ora, quem precisa pede, não exige!!! 
Seria bom que os gregos e os que defendem a postura do Governo grego meditassem sobre o assunto e fizessem a analogia desta situação toda como se, de facto, tivéssemos na presença de dois alunos que "infringiram" as regras estabelecidas (a boa governação) e a quem lhes é dada a oportunidade de se retratarem. Ora, o Governo português, depois das asneiras feitas anteriormente pelos governos socialistas, tem a postura do "bom aluno". Sim, do aluno que cumpre com o acordado e que faz os sacrifícios necessários para recuperar a credibilidade perdida. E, de que forma a perdemos!!! Até temos um ex-Primeiro Ministro em prisão preventiva!!! Pelo contrário, o Governo grego age como o aluno delinquente, exigindo e fazendo barulho, quando o mínimo que se lhe poderia exigir era humildade.
Por enquanto, o "esticar" da corda apenas resultou em adiar o inevitável. Os gregos que se convençam que o prometido pelo Syriza na campanha eleitoral serão "águas passadas" e, já que estamos quase em eleições legislativas, isto que sirva de lição para os que acreditam no que o António Costa anda a dizer por aí. Sim, porque o Costa já anda em campanha...

segunda-feira, janeiro 26, 2015

Os gregos num poço sem fundo...

A esquerda radical ganhou as eleições legislativas na Grécia e, ao fim de 30 minutos depois de se saberem os resultados, já tinha um acordo de governação com um partido de direita, a roçar a extrema-direita e que defende entraves à imigração. Assim se vê até que ponto vai a fome de poder na Grécia...
Convém recordar que a subida do Syriza (o Bloco de Esquerda lá da Grécia) se ficou a dever à transferência de votos do Pasok (o Partido Socialista lá da Grécia) para o partido de Tsipras, o novo primeiro-ministro da Grécia. Lá, como cá, os socialistas parecem ser muito influenciados pelas promessas que ouvem:
- renegociação da dívida pública (anteriormente até defendiam a anulação de 70% da dívida);
- reposição dos cortes aos funcionários públicos;
- luz e transportes gratuitos para 300 mil famílias;
- educação e saúde gratuitas para desempregados;
- aumento do salário mínimo para 700 euros...
Enfim, o Syriza deu música aos ouvidos do eleitorado grego e colheu os frutos desejados. Agora a ver vamos como vai dançar a música que tocou. Por cá, muitos são aqueles que estão ávidos de que algo de semelhante aconteça: alguma esquerda, ávida de poder, espartilhou-se em novos partidos e movimentos e o PS já percebeu que o melhor que tem a fazer é não falar, é não prometer... Mas, também sabemos que António Costa, à medida que se forem conhecendo os números das sondagens será tentado a imitar o grego Tsipras. E veremos até que ponto é que o tema "Sócrates" irá influenciar o debate...
Não auguro nada de bom para os gregos...

terça-feira, dezembro 30, 2014

2014: o ano do início do fim da impunidade...

Foi mais um ano de austeridade, de crise, de dificuldades e de angústia do povo português. E os próximos continuarão a ser mais do mesmo. O tempo das "vacas gordas" acabou. Com um dívida colossal e um crescente envelhecimento da população, o Estado terá tendência a deixar de ser um mãos largas, como o foi ao longo de muito anos. A não ser que os socialistas voltem ao poder e consigamos superar os gregos na "arte" de saber desgovernar...
Mas este ano fica marcado pelo caso José Sócrates. Sem dúvida! É que, por mais que não fossemos com a cara do homem (e eu nunca fui com a cada do sujeito), nunca ninguém imaginou que o pudéssemos ver na cadeia. E, por mais que se falasse no juiz Carlos Alexandre (e há já vários anos que se falava na coragem deste juiz), nunca ninguém imaginou que este tivesse a "ousadia" de colocar em prisão preventiva um ex-Primeiro Ministro.
Claro que 2014 teve muito mais casos, episódios e acontecimentos relevantes, fosse na política interna e internacional, a nível social, em termos científicos, mas, para mim, a prisão de Sócrates marca um ano em que os políticos começaram a ter receio das consequências dos seus actos. O juiz Carlos Alexandre marca uma viragem na forma como em Portugal se faz política. É que agora será mais difícil que um qualquer agente político (desde um simples presidente de freguesia ao Primeiro-Ministro) faça o que bem lhe apetece com os dinheiros públicos.
Um bem-haja ao juiz Carlos Alexandre... E quanto a José Sócrates, só espero que a justiça lhe seja mesmo feito...