
Terminaram as últimas eleições de um ciclo de três actos eleitorais seguidos. Se nas europeias, a vitória do PSD foi uma surpresa para muitos e se nas legislativas foi a ausência de uma maioria de esquerda que surpreendeu (PS e CDU não alcançaram os 116 deputados), já nas autárquicas de ontem não surgiram grandes surpresas:
o PSD continua a ser o partido com a presidência da Associação Nacional de Municípios, o PS continua a ter em Lisboa e Braga os seus dois grandes bastiões autárquicos, a CDU reforça a sua posição na península de Setúbal e o CDS e BE mantêm a sua incapacidade para se destacarem a nível local.
No entanto, há que ressalvar duas questões importantes.
Nas autárquicas, salvo honrosas excepções, mais do que o partido é o candidato que conta. Veja-se o exemplo do concelho de onde sou natural: a Covilhã (para quem não sabe, aquela que já foi apelidada de Manchester Portuguesa), cidade de esquerda desde os tempos das lutas do operariado fabril, dá a sua terceira maioria absoluta consecutiva a um candidato do PSD sem grandes problemas, mostrando um cartão vermelho ao candidato rosa, apesar desta ser a terra onde Sócrates surgiu para a política.
Outra questão a destacar é o facto de Santana continuar a surpreender. Muitos eram os que pediam a "morte política" de Santana. No entanto, a vitória de António Costa foi apoiada na fuga de votos de milhares de comunistas que viraram costas ao seu candidato e votaram no PS. Santana Lopes explicou muito bem essa situação. Acredito que daqui a quatro anos teremos a vitória de Santana em Lisboa.