Vai fazer agora um ano que Passos Coelho alertou os portugueses para a necessidade de mudarmos de vida. Passos Coelho escolheu uma expressão que muitos criticaram: "Só vamos sair desta situação empobrecendo". Caiu o "carmo e a trindade" e a revolta maior surgiu com os cortes dos subsídios de férias e de Natal dos funcionários públicos.
Se a necessidade de empobrecer parecia lógica, seguindo a premissa de que quem não tem dinheiro, não tem vícios, o facto deste empobrecimento não ser universal e discriminar uma parte dos portugueses (neste caso, prejudicando aqueles que trabalham para o Estado) revelou-se um erro que o Tribunal Constitucional veio "resolver" em parte. Das duas, uma: ou Passos Coelho aplicava um imposto sobre os subsídios de todos os trabalhadores (como aconteceu ao do último Natal) ou arranjava outra solução. Discriminar uma parte dos portugueses em detrimento de outra revelou-se uma má opção...
Se a necessidade de empobrecer parecia lógica, seguindo a premissa de que quem não tem dinheiro, não tem vícios, o facto deste empobrecimento não ser universal e discriminar uma parte dos portugueses (neste caso, prejudicando aqueles que trabalham para o Estado) revelou-se um erro que o Tribunal Constitucional veio "resolver" em parte. Das duas, uma: ou Passos Coelho aplicava um imposto sobre os subsídios de todos os trabalhadores (como aconteceu ao do último Natal) ou arranjava outra solução. Discriminar uma parte dos portugueses em detrimento de outra revelou-se uma má opção...
Agora, parece-me claro que adoptando a política de austeridade e incutindo nos portugueses a necessidade de se gastar menos dinheiro, nomeadamente em artigos supérfluos, conseguiu-se que a maioria dos portugueses percebesse que não podemos viver para além das nossas possibilidades, o que não aconteceu durante os últimos 20 anos...

Enfim, parece claro que o discurso de Passos Coelho foi compreendido pela maioria dos portugueses e que foi preciso "cortar a direito" para não se dar um passo maior que o tamanho da perna... Aliás, desde 2000 que a taxa de poupança dos portugueses não é tão elevada. É sempre assim: em tempos de vacas gordas, gasta-se o que se tem e o que não tem e é nos tempos das vacas magras (como os de agora) que se pensa antes de se gastar e até se consegue amealhar algum.

E outra coisa interessante: as sondagens continuam a dar a maioria ao PSD, o que com tanta austeridade é prova de que a maioria dos portugueses compreende a política realista levada a cabo por este governo.