
A proposta do Orçamento de Estado para 2014 foi apresentada e, logo de seguida,
começou o chorrilho de críticas.
Os
sindicatos da Função Pública queixam-se de que, uma vez mais, são os funcionários públicos a terem de pagar com as favas do défice. É o problema de se ter um patrão à beira da falência...
Os
pensionistas, através da sua representante (uma antiga professora da Escola Secundária Infanta. D. Maria de Coimbra e, portanto, com uma reforma certamente não inferior a 2000 euros brutos) dizem-se injustiçados pelo facto das pensões de sobrevivência (algumas apenas apenas o são de nome!) apresentarem cortes para quem recebe mais de 2000 euros mensais. Mas, convenhamos, 2000 euros mensais para um reformado não é suficiente? É necessária uma pensão de sobrevivência?
Os
empresários queixam-se que o IVA continua elevado, apesar do IRC baixar. Mas, sejamos sérios, tudo o que é facturado no comércio e na restauração é mesmo apresentado ao Estado. É que, por exemplo, quando vou aos restaurantes, se não peço factura, na maior parte das vezes não me entregam qualquer factura...
E, imagine-se, até os
grandes tubarões como a EDP, a GALP, os bancos e outros apresentam-se contra o aumento da sua carga fiscal e a redução de algumas das suas rendas fixas, ameaçando com o recurso aos tribunais. E depois venham dizer que o Governo não corta aos grandes!
E, mesmo assim, todos ameaçam: os sindicatos com greves, os partidos da oposição com o Constitucional, as "empresas-tubarão" com os tribunais.
O povo, esse, uma vez mais, segue a velha máxima: no início estranha-se e, depois, entranha-se. Com a agravante de que cada vez mais temos um povo dividido entre os que trabalham no privado e os que são funcionários públicos e entre aqueles que estão na sua vida activa e os que já estão aposentados. Enfim, é o queixume habitual.
Entretanto, não há dúvidas de que
somos um país sem memória, como se todos os responsáveis que nos trouxeram até este estado de agonia social e completa dependência financeira externa nada tivessem que ver com o que somos obrigados a atravessar enquanto país...
Claro que não há Orçamentos perfeitos e, num tempo de aperto financeiro e com um país à procura da sua autonomia financeira (só possível com contas públicas minimamente sustentáveis) nenhuma proposta de Orçamento de Estado poderá agradar a todos.
E não tenhamos dúvida. Enquanto país, ainda não estamos livre da insolvência...