sábado, março 03, 2007

Confusões e aproveitamentos à volta da figura de Salazar...

A ideia avançada pela autarquia de Santa Comba Dão de se criar um Centro de Estudos do Estado Novo nas casas semiarruinadas onde nasceu e viveu António de Oliveira Salazar tem suscitado grande controvérsia, aproveitamentos baratos e insinuações erradas.
Aqui por Viseu muito se tem falado sobre o assunto, havendo opiniões tão extremas que chegam a roçar a desinformação. Esta começa logo na própria comunicação social que tem vindo a criar a ideia na opinião pública de que o que se pretende é exaltar as "bem feitorias" de Salazar. Completo disparate, dado que o objectivo da autarquia é o de desenvolver os estudos à volta dos tempos em que o ditador teve Portugal nas "mãos". Depois temos os conterrâneos de Salazar que, envoltos numa névoa de orgulho bairrista, parecem esquecer quem, de facto, foi Salazar: um ditador que, à custa do silêncio e da ignorância impostos ao povo português, impediu que Portugal se desenvolvesse ao ritmo dos demais países da Europa Ocidental.
Mas, qual o medo de se construir um Centro de Estudos do Estado Novo em Santa Comba Dão? Porventura, o mesmo medo que esteve na origem do não aproveitamento da antiga sede da PIDE, em Lisboa, para aí abrir um Centro de Documentação do Estado Novo: a vergonha de desenterrar memórias de décadas de isolamento, sofrimento e iliteracia...
Nem Salazar foi um líder livre de defeitos, como alguns querem fazer crer, nem tão pouco foi um ditador equiparado a Hitler, como outros dizem ter sido. Salazar apenas foi quem foi, porque durante quase cinquenta anos, a maioria dos portugueses da época se deixou levar pela inércia que, desde sempre, tem caracterizado o nosso povo!!!
Não tenho receio que nasça em Santa Comba Dão um Museu ou um Centro de Estudos que dê a conhecer às gerações mais jovens quem, de facto, foi Salazar: no seu pior, mas também no seu melhor... Não nos esqueçamos que Salazar fechou o nosso país numa espécie de "redoma de vidro", fomentando a iliteracia de um povo envergonhado, mas também "safou" Portugal de uma guerra mundial e tudo fez para que o respeito e a disciplina fossem ponto de ordem!!! Infelizmente, hoje sabemos como estamos, depois de mais de 30 anos de democracia.

5 comentários:

Che disse...

Concordo com quase tudo. Existe muita desinformação sobre o assunto e tentasse criar mediatismo neste tema que divide muitas opiniões.

Só não concordo quando voçê afirma 'Uns e outros erram...', querendo com isto dizer que voçê está necessáriamente a afirmar com toda a certeza de que está certo.

Saudações

Quintanilha disse...

A minha opinião, se me é permitido:
A memória de um filho-da-mãe como Salazar nem tão pouco merece uma pocilga em sua homenagem, quanto mais um museu!
Penso que a casa onde nasceu esse filho-da-mãe deveria ser arrasada!

Zé Augusto disse...

Pois é, a vida tem destas coisas. Não vivi no tempo de Salazar mas vou conhecendo o que se passou nesses tempos. Fiquei admirado (para não dizer estufefacto) com o que foi dito outro dia no programa Praça da Alegria, da RTP pelo personagem interpretado por Guilherme Leite. A propósito da manifestação em Santa Comba Dão, o dito personagem dizia que se queriam fazer o tal museu deveriam faze-lo sem água, sem luz e sem nada para ler, porque nessa altura era assim que vivia grande parte da população portuguesa. Não posso estar mais em desacordo.
O objectivo não é criar um museu de apoio a Salazar, como muitos insistem em dizer. Quer se queira quer não é parte da história deste paìs. Para além do museu propriamente dito, pretende-se criar um centro de estudos, e todo um conjunto de infraestruturas de apoio ao nucleo museológico. Acho perfeitamente normal que assim seja. (Para alguns seria preferível um condomínio de luxo fechado, como se pretende com outros edifícios na capital). Há que saber lidar com este assunto com a distância política necessária. Por exemplo, este processo foi começado com o antigo presidente da camara local, Dr. Orlando Mendes (PS) e é agora continuado com o novo presidente, Dr. João (PSD)
Com as devidas distâncias, os campos de concentração nazis foram mantidos e conservados e servem hoje de local onde as pessoas que os visitam percebem em que condições lá foram mantidos os prisioneiros. E não se fez nenhuma manifestação contra a sua existência...

paulo disse...

Este assunto sobre o ditador ja tem muitos museus e alguns infelizmente vivos que é nas vidas passadas dos nossos pais e avos e também nas memorias de que sempre lutou pela a liberdade de portugal que é o pcp e mais nenhum e se ele se lavanta contra esta ideia do "museu" só pode ser coisa muito séria e eu também sou contra este "museu" e os garotos que fizeram a saudação na....i deve ser por terem um cerebro de um borbulha quando se esta na puberdade. Porque quem nega que o bigodes porco na...z...i aniquilou milhoes de pessoas do mundo e deixou o seu povo á sorte das bombas dos aliados deve ser mesmo banido deste planeta.
Desculpa este desabafo.
Um abraço com amizade
paulo

contradicoes disse...

Eu vivi como adulto na ditadura de Salazar e embora não tenha feito parte do elevado número de presos políticos fui também vítima das suas praticas governativas como muita gente o foi. Daí não concordar minimamente com a ideia de criar um Museu para lembrar a memória de quem deverá ser esquecido. E julgo que não valerá a pena estarmos a estabelecer
termos de comparação, entre essa época e a actual porque Portugal desenvolveu-se mais nos dez anos a seguir ao 25 de Abril do que durante os 48 anos da ditadura da Salazar. Basta lembrar que a única auto-estrada existente era a de ligação de Lisboa ao Porto e a segunda importante Obra Pública foi a ponte sobre o Tejo. Nada mais de relevante existe dessa época.