
Parece que alguns dos "anónimos" que aqui costumam vir visitar o blogue ficaram eléctricos pelo facto de eu não ter escrito nenhum artigo mal se soube da detenção de Sócrates. A razão é muito simples: há mais vida para além da blogosfera e a minha prioridade é, sempre, a família. Já agora um pedido: quando aqui vêm comentar, ao menos assinem o comentário com o vosso nome próprio (não um pseudónimo). Não custa assim tanto...
Já em relação à detenção de Sócrates, primeiro que tudo direi que não abri nenhuma garrafa de champagne, nem sequer fiz um brinde com um tinto.
O primeiro pensamento que tive foi muito simples: "finalmente". E pensei "finalmente" porque nunca acreditei nesta personagem. E as razões que me levaram, desde há muitos anos, a não acreditar na palavra de Sócrates e a detestar a sua postura e maneira de ser não têm só que ver com a sua (des)governação enquanto Primeiro-Ministro. Convém aqui referir que sou natural da Covilhã, que toda a minha família tem raízes na Covilhã e que alguns dos meus familiares mais diretos conheceram de perto, tanto José Sócrates, como o seu saudoso pai, o arquitecto Pinto de Sousa, assim como alguns dos amigos de Sócrates de que tanto se fala... Para além de alguns familiares meus terem sido colegas de escola e de partido de José Sócrates, existem muitas histórias (e quando falo de histórias, refiro-me a factos reais e concretos e não do diz-que disse) que se conhecem sobre Sócrates, não publicadas na imprensa nacional, mas bem conhecidas das gentes da Covilhã, nomeadamente de quem lidava de perto com esta personagem que fundamentam a opinião que tenho acerca do ex-Primeiro-Ministro. A este propósito recordo o saudoso arquitecto Pinto de Sousa (pai de Sócrates), que nos meus tempos de adolescência e juventude via, amiúde, depois de almoço no café Montalto e, mais tarde, no café Montiel, e que terminou os seus tempos de vida na Covilhã: homem remediado, afável, triste, numa postura em tudo diferente da do seu filho. Nos últimos anos, quando o via no centro histórico da Covilhã, até parecia que se envergonhava do filho que tinha e que havia chegado a Primeiro-Ministro de Portugal...
Mas, há muitos outras histórias que se conhecem na Covilhã e que reflectem bem a personalidade de José Sócrates, desde os tempos de escola e do café Primor, aos tempos do partido (foi companheiro de partido de familiares meus), até aos próprios tempos em que trabalhava na autarquia como engenheiro civil e muito mais... A última gota de água foi mesmo a disparata atitude que o actual presidente da autarquia local teve ao entregar as chaves de ouro da cidade a José Sócrates, gesto que dividiu profundamente as gentes da Covilhã. Enfim, penso que expliquei bem as razões que, desde os tempos em que Sócrates chegou a secretário de Estado do Ambiente, me levaram a desconfiar da palavra deste senhor.
Desde sempre o vi como um "vira casacas", oportunista, egocêntrico, gabarolas, teimoso, arrogante e, enquanto Primeiro- Ministro, um autêntico desastre. A herança que deixou, depois de perder as eleições de 2011, é bem conhecida e já muito aqui escrevi sobre isso.
Quanto à novela que se iniciou na última sexta-feira com a detenção de Sócrates apenas vou recordar duas frases que aqui escrevi anteriormente sobre Sócrates.
"Diz-me com quem andas e dir-te-ei quem és! As ligações de Sócrates são perigosas e os exemplos são muitos: o caso dos resíduos da Cova da Beira, o caso das "casas licenciadas da Guarda", o caso da "licenciatura de Sócrates" e agora o caso Freeport..."
"Será que há assim tanto fumo sem fogo? Não me acredito... Aliás, cá para mim ainda havemos de ter mais novidades em relação a outros casos relacionados com as famosas parcerias público-privadas que quase levaram o país à falência".