domingo, outubro 19, 2008

O que é que a Ministra quer? Milagres?

Afirma também que a repetência é um erro que deve ser evitado pelos professores, pelo que o ideal é que os alunos não tenham de ficar no mesmo ano de escolaridade dois anos seguidos. Enfim, comentários de quem está profundamente a leste do que realmente é uma escola.
Para a Ministra, a Escola deve ter como primeira tarefa qualificar os jovens. À custa de quê é que ela não diz!!! Será à custa do facilitismo e do abaixamento do nível de exigência? Será à custa da deturpação das regras da assiduidade e da disciplina? Será à custa da procura frenética pelo sucesso estatístico??? Se não é, parece...
Este ano tenho uma turma do secundário do curso profissional de Turismo Ambiental e Rural. Tenho alunos para todos os gostos, desde os que pretendem vir a trabalhar no sector turístico até aos que dizem "cara na cara" estar na escola para passar o tempo. Ora, pela lógica da Ministra estes alunos que estão na escola para passar o tempo deveriam pura e simpesmente ser "afastados" do sistema ou, por um passo de magia, serem alvo de um qualquer acto psicológico que os fizesse mudar de opinião. Ora, o que acontece na prática é que as directivas emanadas do Ministério, em forma de decreto-lei ou de circular, quase que forçam os docentes a não reprovarem os alunos que vão para os cursos profissionais. Mais: caso os alunos tenham perdido, com justificação, mais de 10% das aulas programadas o professor terá que o compensar com aulas, sem que este serviço seja considerado como tempo lectivo extraordinário. Melhor ainda: no primeiro teste que dei a esta turma tive alunos que não souberam realizar uma simples multiplicação (ver imagem para acreditar). Uma miséria!
Para a Ministra a culpa deste alunos não saberem, no 10º ano de escolaridade, fazer uma simples conta de multiplicar é, certamente, dos professores que tiveram em anos anteriores. Para a Ministra, esse professores irresponsáveis não souberam ensinar. Para mim, a culpa está no sistema que incentiva os professores a passarem alunos que não atingiram as competências básicas. Resultado: cada vez temos mais alunos a passarem tempo na escola, em vez de aí estarem com a intenção de aprender...
Como diz o outro, e o burro sou eu???

6 comentários:

Carla disse...

Eu cada vez penso mais que essa senhora ou não sabe o que diz ...ou de certeza que já não se lembra do que é andar na escola...

bj e boa semana

Anónimo disse...

Meu caro, parece que o não leu toda a entrevista.Ou será que leu só de três em três linhas?
Cada um fala por onde mais lhe doi...

Camacho

Vasco Belo Pereira disse...

Ora bem... Não se chumba num curso profissional? Se calhar, e digo isto da forma mais seria possível, deveria rever o regulamento dos profissionais. Chumbam-se em módulos e o facto de existirem anos lectivos é meramente "indicativo" ou cronológico. Uma forma de saber gerir o tempo. Alem disso chumba-se por faltas. O aluno compensa as faltas se as justificar (os tais 10%), mas essa compensação é feita da maneira que o professor entender - na minha escola adopta-se o método de trabalhos de pesquisa, exercícios, etc.
Quanto aos meninos que lhe dizem na cara que estão a passar o tempo, não perca o SEU com eles, mas sim com os que querem lutar por uma vida independente e não parasitária.
A senhora ministra, por aquilo que dizes, só pode estar noutro mundo. Ela esteve na minha escola, inaugurou-a, e nem se deu ao trabalho de ver as condições em que "temos" aulas. Barulho de martelos pneumáticos não é muito agradável, para alem de não haver recursos físicos ou humanos para fazer o quer que seja (como uma aula laboratorial, ou simples fotocópias, pois não temos reprografia, ou papelaria...). Para não falar que o pagamento das propinas e do SEGURO está agora a ser efectuado! É uma vergonha!

Anónimo disse...

O que interessa no meio disto tudo é... o Migalhães!!!!
Não se preocupem com o resto, pois a intenção é meramente:
- a estetística (não é um erro!), mostrar lá fora como temos um sistema de ensino fenomenal, através de dados estatísticos em que os alunos têm grande sucesso, e, estética, escamoteando o nível noológico de putos de 5 anos em que estes se encontram!!!!;
- economicista, tudo isto com o mínimo de custos possível e à custa da destruição de toda uma classe, pois só lhes interessa profissionais em regime de contrato, a experiência adquirida ao longo dos anos sai muito cara (veja as intenções do novo regime de afectação associado à recente criação dos quadros de excedentários);

Não me parece que os tipos que têm andado todos estes anos pelo governo se estejam a preocupar muito com a qualidade, para isso, ensino de qualidade, temos o sistema privado que se dá ao luxo de escolher, até entre os alunos que podem pagar, quem se encaixa ou não no perfil do colégio, aceitando-o ou não, expulsando-o até!!!

Não podemos misturar as coisa, mas infelizmente isto caminha novamente para um sistema de ensino em que a elite fica sempre a ganhar reproduzindo-se e exterminando aqueles que um dia almejavam ser alguém, mas que não podem, pois não têm recursos económicos que os valham!!!
Desvaloriza-se assim a competência intelectual em detrimento da inépcia com os bolsos recheados.
Não tenho ideal político, apenas acredito num mundo em que todos temos os mesmos direitos de acordo com a nossa competência efectiva.

Ahhhhhh! Porque é que não existe um único líder da oposição capaz de fazer frente a este tipo!

Quintanilha disse...

Estamos na presença de um aluno medíocre que não aprende, ou de um professor incompetente, que não sabe ensinar?
A culpa é da ministra?
Não nos atirem poeira aos olhos!

José de Oliveira Povinho disse...

O maior cego é aquele que não quer ver (no caso do senhor quintanilha - o maior burro é aquele que se recusa a ver além dos seus interesses pessoais)