quarta-feira, novembro 16, 2005

Os nacionais, os imigrantes e os sem Pátria...

Ainda não escrevi nada sobre a situação vivida nas últimas três semanas em muitas das cidades francesas, com a desordem pública e o desrespeito pela lei que tem imperado nas noites dos arredores de Paris e de muitas outras cidades da França...
Muito poderia dizer sobre este fenómeno social, enunciando um conjunto de teorias da sociologia que explicam o desenrolar deste tipo de ocorrências... Muitos são aqueles que têm criticado a política de imigração dos Governos franceses dos últimos anos e a forma como os imigrantes que não arranjem emprego são excluídos da sociedade francesa. Outros preferem carregar baterias contra a falta de estratégia que tem sido notada no que concerne à incapacidade da França em assimilar os filhos dos imigrantes que já nasceram em terras francesas e que se sentem como que desprovidos de qualquer Pátria. Outros há que incidem a sua análise no escancarar de portas à imigração africana que durante muitos anos foi sintoma de falta de lucidez e de detonador destes problemas sociais...
Ora, está provado que a Europa, continente cada vez mais envelhecido e crescentemente egoísta, onde o número médio de filhos por mulher é pouco mais do que um (manifestamente insuficiente para a renovação de gerações e para as reais necessidades em termos de população activa) precisa de imigrantes, venham eles do Leste Europeu, do Norte de África, do continente americano ou da Ásia. Mas, esta realidade não implica que não se regulem as entradas, sob o risco de passarmos de uma situação deficitária para uma crise de excesso de imigrantes. Por outro lado, urge que se desenvolvam medidas de cariz social que visem contrariar o que durante muitos anos foi apanágio dos europeus: isolar e "guetizar" os imigrantes de cor de pele diferente e os seus descendentes, nomeadamente os originários das antigas colónias africanas...
A educação e a qualificação são meios essenciais para atingir os fins da integração. Muito há para fazer neste âmbito, pelo que não devem ser desaproveitados recursos que fomentem a instrução desta população, mss nunca descurando o respeito pela ordem pública... Será que os nossos governantes conseguem ver isto ou estão à espera que ocorra uma versão portuguesa do inferno francês?

5 comentários:

contradicoes disse...

Não creio que por cá se registem semelhantes actos de vandalismo como forma de chamar a atenção para a exclusão embora ela exista. Haja em vista que contrariamente ao que acontece em França nós por cá exageramos em termos de apoios prestados sobretudo aos emigrantes oriundos dos PALOPs. Posso citar casos que conheço de pessoas que nem sequer ainda têm a sua situação legal e já usufruem de benefícios e regalias sociais como qualquer outro que já esteja em situação legal. Daí julgar que embora em situações pontuais existam exclusões sociais passiveis de
motivar atitudes como às que se estão a registar em França julgo que aqui não acontecerão.

Mendonça disse...

Pois é Pedro,
Parece que voltámos a estar em sintonia numa questão muito delicada. O que me faz confusão é a facilidade com que alguns pseudo-intelectuais opinam sobre a matéria. É fácil encontrar soluções sentados no sofá sem sentir os efeitos do vandalismo! É a esquerda que temos!

Cláudio disse...

É curioso... sou sportinguista, de esquerda e lisboeta... e gostei do teu blogue na mesma!

Cláudio disse...

E sou ateu!

Anónimo disse...

A França, país que se arroga paladino e defensor da fraterdidade e da igualdade entre povos, e em especial dos países muçulmanos..., acaba por demonstrar a sua total hipocrisia ou falta de bom senso. Na proxima vez que opinar ou criticar os E.U.A ou Israel (nas suas políticas do Médio Oriente),tenha a humildade de olhar para o seu próprio quintal...