quarta-feira, outubro 19, 2005

Pois é! A resposta está na educação...

Quem diria que numa conferência com dois dos mais reputados pensadores da economia mundial se tenha chegado à conclusão (como se fosse uma grande novidade!) de que a educação é a resposta certa para ultrapassar a crise por que passa Portugal. Pois é! Numa recente iniciativa de um grupo bancário, vieram a Portugal, dois Prémios Nobel da Economia falar sobre a actual situação da economia portuguesa e ambos referiram-se à aposta na educação como um ponto fulcral para que o nosso País possa, de uma vez por todas, seguir o rumo certo no sentido de conseguir fazer face a outras economias mundiais (nomeadamente a China e dos países do Leste europeu) e, assim, aproximar-se das principais potências europeias...
No entanto, verificamos que, apesar das nossas despesas na área da educação serem muito próximas (em percentagem do PIB) das realizadas por países como a Finlândia ou a Alemanha, o facto é que o retorno em termos de sucesso escolar em Portugal é deveras confrangedor. Daqui se conclui que, mais do que aumentar a despesa pública na educação, interessa que saibamos racionalizar os gastos. É que os gastos supérfluos na educação devem ser, actualmente, mais que muitos...
Por outro lado, algumas das medidas que estão a ser implementadas por este Governo são de proveito muito duvidoso. "Enfiar" os alunos na escola durante todo o dia, com mais de dez disciplinas, sem recursos convenientes e exigindo que estes "metam" na cabeça fórmulas, conhecimentos teóricos e outras matérias de pertinência duvidosa, sem perceber que o sucesso escolar passa em grande medida pela forma como se ensina e pelos recursos afectos a este processo, é meio caminho andado para o insucesso escolar.
Depois, não nos podemos esquecer do ensino superior existente no nosso País e da forma como uma boa parte do ensino universitário e politécnico português não passa de um mero saber enciclopédico, desprezando a investigação e a ligação à vida real. Gastar mais dinheiro é importante, mas não chega. É importante exigir mais do Ensino Superior Público Português. Isto já para não falar da reduzida exigência que existe em algumas instituições de ensino superior públicas e, sobretudo privadas, em Portugal.
Mas, continuo a pensar que enquanto não houver uma nova reforma do ensino básico e secundário em Portugal continuaremos a destacar-nos pela negativa ao nível dos rankings europeus da educação.

6 comentários:

Paula disse...

Concordo plenamente contigo, Pedro!
O estado está a querer escravizar também os jovens e as crianças....´como se já não bastasse a não, adultos e trabalhadores, seja da função pública ou do sector privado!
Tens toda a razão quando dizes que tem de haver uma grande reforma...mas essa, também passa pela mudança de mentalidade dos nossos governantes..e pela sua própria formaçao e educação...
As mudanças não se operam de forma rápida e brusca..mas com tempo e gradualmente.
QUe Deus nos dê estomago e paciência até chegarmos ao cume da montanha....e, já agora, sa+ude para depois podermos saborear e viver os benefícios da mudança.
Obrigada pelos teus comentários no meu blog, querido amigo.És um doce.
O teu avô devia ter muito orgulho em ti!
Beijos e bom fim-de-semana tb para ti.

Patrícia disse...

Também concordo que o ensino universitário deveria sofrer algumas alterações. Para que se possa melhorar o ensino e desta forma aproximá-lo com outros países desenvolvidos, o programa educativo deveria sofrer alterações, de modo a que cada curso de ensino nas universidades só tivesse as disciplinas específicas para o mesmo e integrar mais actividades práticas. Os alunos deveriam ter uma melhor formação ao nível da aplicação de conhecimentos à realidade. É por isso que, infelizmente, se formam cada vez mais pessoas que quando entram no mundo do trabalho sentem que não têm a preparação suficiente para dirigir uma empresa ou outra entidade, acabando por terem que se adaptar aos poucos.
Bjs e até à próxima.

Professor HCA disse...

Pelo que vejo, temos em comum algumas preocupações. Não será com este meio que vamos transformar a educação, mas, pelo menos, dasabafamos...

rajodoas disse...

Como pedagogo que é aplaudo a sua opinião quando afirma ser o retorno em termos de sucesso escolar deveras confragedor. Penso que concordará que tal não se deve exclusivamente às más políticas dos diversos governos. Isto tendo por base o ranking das escolas publicado na imprensa escrita, cujo método de avaliação pode até ser discutível, julgo que fundamentalmente o ensino básico o pilar principal na formação académica de qualquer estudante
tem que ser urgentemente revisto. Está mal e é tempo de se acabar com o uso de calculadores no ensino básico. Também penso concordará existirem docentes que revelam uma tremenda falta de vocação para ensinar e isso obviamente se reflecte no aproveitamento escolar dos seus alunos que são no contexto da avaliação aqueles que são sempre os responsabilizados pelo respectivo insucesso.

Pedro disse...

Caros amigos e amigas, estamos todos de acordo. Ainda bem!!!
A educação em Portugal precisa de uma grande reforma, que mexa com os programas instituídos nos currículos, com muito do que se passa ao nível da classe docente, com o regime de direitos e deveres dos alunos, com o que diz respeito à participação dos pais, e muito mais...
Não nos podemos conformar com a situação actual. Mudar é urgente!!!

Anónimo disse...

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